quinta-feira, 19 de março de 2026

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.3 - O Sermão da montanha.



Dando continuidade ao estudo do Evangelho de Mateus, vamos analisar a parte do Sermão da Montanha em que o Senhor Jesus alerta sobre o cumprimento da Lei Mosaica.

Vejamos o trecho a seguir:

Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim aboli-los, mas cumpri-los. Em verdade lhes digo que, até que os céus e a terra desapareçam, de forma alguma desaparecerá da lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. Portanto, todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no reino dos céus, mas todo aquele que praticar e ensinar esses mandamentos será chamado grande no reino dos céus. Pois eu digo que, se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e à dos mestres da lei, de modo nenhum entrarão no reino dos céus. (Mateus 5:17-20, NVI)

É importante que possamos compreender bem esse trecho, pois isso nos ajuda a enxergar o propósito pelo qual Cristo foi enviado a este mundo.

Nessa parte do Seu ensino, o Rei Jesus pontua quatro aspectos importantes:

•A Lei que Deus entregou aos israelitas por meio de Moisés será totalmente cumprida.

•Quem desobedecer a qualquer um dos mandamentos dessa Lei, ainda que dos menores, e ensinar outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus.

•Quem obedecer a todos os mandamentos e ensiná-los sem pervertê-los será chamado grande no Reino dos céus.

•Para entrar no Reino dos céus, é necessário ser muito mais justo do que os escribas e fariseus daquela época.

Muitas pessoas, por não compreenderem o verdadeiro propósito da Lei Mosaica, chegam a conclusões equivocadas tanto sobre o seu cumprimento quanto sobre o tipo de justiça a que o Senhor Jesus se refere.

É importante saber que é impossível obter justificação diante de Deus pelo cumprimento da Lei Mosaica. Deus a entregou ao povo de Israel não para justificar aquelas pessoas por meio dela — até porque ninguém consegue cumpri-la sem falhar em algum ponto —, mas com a finalidade de preparar o povo, ao longo dos séculos, para receber Aquele que pudesse cumpri-la em verdade, e, por meio dEle, finalmente, o povo receber a justificação dos seus pecados diante do Pai.

A Lei Mosaica, portanto, aponta a realidade do pecado que está sobre toda a humanidade e mostra a necessidade de uma intervenção divina para a justificação de todas as transgressões que cometemos contra a reta justiça de Deus.

Isso podemos confirmar nos trechos bíblicos abaixo:

Pois quem obedece a toda a lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna‑se culpado de quebrá‑la inteiramente. Porque aquele que disse: “Não adultere” também disse: “Não assassine”. Se você não comete adultério, mas comete assassinato, torna‑se transgressor da lei. (Tiago 2:10-11, NVI)

Nós, judeus de nascimento, não gentios pecadores, sabemos que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas sim pela fé em Jesus Cristo; assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, não pelas obras da lei, porque pelas obras da lei ninguém será justificado. (Gálatas 2:15-16, NVI)

Pois todos os que vivem na prática da lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: “Maldito seja todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da lei”. É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela lei, pois “o justo viverá pela fé”. A LEI NÃO SE BASEIA NA FÉ, mas “o homem que praticar essas coisas viverá por meio delas”. Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição no nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em um madeiro”. Isso para que, em Cristo Jesus, a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito por meio da fé. (Gálatas 3:10-14, NVI)

Jesus menciona os escribas e fariseus chamando a atenção para o requisito "justiça", justamente por causa da aparência de integridade que eles mantinham dentro da sociedade israelita.

Esses homens conheciam o conteúdo da Torah de forma profunda, faziam grande esforço para aparentar integridade aos olhos de todos, porém cumpriam os mandamentos sem entendê-los plenamente. 

Além disso, como o próprio Jesus apontou em outras falas ao longo de seu ministério terreno, não conseguiam cumpri-los à risca. Assim, o único que conseguiu cumprir todos os mandamentos da Lei Mosaica sem falhar foi Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus. 

Dessa forma, somente por meio da fé nEle temos acesso à verdadeira e única justificação dos pecados.

E agora, para encerrar esta parte do nosso estudo, surge uma pergunta importante: se a Lei Mosaica só pode ser cumprida por Cristo, e nós nunca conseguiríamos cumpri-la, existe alguma outra Lei ou mandamento que Deus tenha instituído para aqueles que estão recebendo a justificação de seus pecados pela fé em Jesus?

A resposta é: sim, existe. 

E nós podemos cumpri-la quando decidimos aprender e colocar em prática o ensino de Cristo, contido ao longo do Novo Testamento, nos evangelhos e nas cartas dos apóstolos.

O Senhor Jesus falou desse "novo mandamento" pouco antes de ser preso e crucificado, quando, reunido na celebração da sua última Páscoa com seus discípulos, explicava os acontecimentos que estavam prestes a ocorrer:

Depois que Judas saiu, Jesus disse: ― Agora o Filho do homem foi glorificado, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, Deus também glorificará o Filho nele mesmo e o fará em breve. ― Meus filhinhos, estarei com vocês apenas um pouco mais. Vocês procurarão por mim e, como eu disse aos judeus, agora digo a vocês: Para onde eu vou, vocês não podem ir. ― Um novo mandamento dou a vocês: Amem uns aos outros. COMO EU OS AMEI, vocês devem amar uns aos outros. Deste modo todos saberão que são meus discípulos: se vocês amarem uns aos outros. (João 13:31-35, NVI)

Esse "amor" ao qual Cristo se refere não é apenas um sentimento, como normalmente entendemos, mas a expressão prática de princípios estabelecidos por Deus. Esses princípios revelam o caráter do próprio Deus e, portanto, também o caráter de Cristo. Tudo o que foi criado está debaixo dessa ordem, pois tudo existe e funciona por meio dela.

É importante compreender que esses mandamentos que formam o Amor de Deus constituem a realidade que governa o Reino de Deus, sendo o conhecimento deles essencial para todo aquele que, pela fé em Jesus Cristo, se torna cidadão desse Reino.

Por isso, quando ensinou seus seguidores no Sermão do Monte, Jesus incentivou-os a buscarem o entendimento do Reino de Deus e da sua justiça:

Portanto, não se preocupem, dizendo: “O que comeremos?”, “O que beberemos?” ou “O que vestiremos?”. Pois os gentios é que correm atrás dessas coisas, mas o Pai celestial de vocês sabe que precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. (Mateus 6:31-33, NVI)

E o apóstolo Paulo reforça essa mesma direção:

Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, dediquem‑se às coisas que são do alto, onde Cristo está, assentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto, não nas coisas da terra. Pois vocês morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo em Deus. (Colossenses 3:1-3, NVI)

Aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador e permanecer ignorante quanto à realidade do Reino de Deus leva o indivíduo a viver em constante transgressão. Embora isso não implique na perda da cidadania no Reino, pode resultar em consequências e disciplina, decorrentes de uma vida sem arrependimento genuíno.

Para finalizar nosso estudo, vejamos dois trechos que explicam essa realidade:

Examine cada um a si mesmo e, então, coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor come e bebe para o seu próprio juízo. Por isso, há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram. Mas, se examinássemos a nós mesmos, não receberíamos juízo. Contudo, sendo julgados pelo Senhor, somos disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo. (1Coríntios 11:28-32, NVI)

Meus filhinhos, escrevo a vocês estas coisas para que não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. Desta forma sabemos que o conhecemos: se obedecemos aos seus mandamentos. Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele: quem afirma que permanece nele deve andar como ele andou. (1João 2:1-6, NVI)

Diante de tudo isso, fica claro que a nossa relação com Deus não está fundamentada na nossa capacidade de cumprir perfeitamente a Lei, mas na obra completa de Cristo.

No entanto, essa verdade não nos conduz à negligência, mas a uma vida de consciência, aprendizado e prática dos princípios do Reino.

Sabemos que falharemos em muitos momentos, pois estamos numa luta constante entre a carne e o espírito, mas também sabemos que não estamos desamparados. Temos um intercessor diante do Pai, Jesus Cristo, o Justo, e somos constantemente chamados ao arrependimento e à transformação.

Isso deve gerar em nós não medo, mas reverência; não insegurança, mas dependência de Deus.

Viver em conformidade com o Reino é, portanto, um caminho de crescimento contínuo, onde aprendemos a andar como Cristo andou, confiando que Aquele que começou a boa obra em nós é fiel para completá-la.

Missionária Oriana Costa.

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