quarta-feira, 25 de março de 2026

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.4 - O Sermão da montanha.


Seguindo com o nosso estudo do Evangelho de Mateus, vamos compreender mais uma das características do Reino de Deus, analisando o trecho abaixo:

Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não assassine”, e “quem assassinar estará sujeito a julgamento”. Mas eu digo a vocês que qualquer que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento. Do mesmo modo, qualquer que disser a seu irmão: “Tolo!” será levado ao tribunal. E qualquer que disser: “Insensato!” corre o risco de ser lançado no fogo do inferno. Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta. Não demore para entrar em acordo com o adversário que pretende levar você ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele no caminho; caso contrário, ele poderá entregar você ao juiz, e o juiz entregá-lo ao guarda, e você poderá ser lançado na prisão. Em verdade lhe digo que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo. (Mateus 5:21-26, NVI)

Nesse trecho, o Senhor Jesus Cristo chama a atenção para o sexto mandamento da Lei Mosaica — “não matarás” (Êxodo 20:13; Deuteronômio 5:17) — e para o juízo condenatório estabelecido sobre quem tira a vida de outro:

Se alguém tirar a vida de um ser humano, deverá ser executado. Quem tirar a vida de um animal fará restituição: vida por vida. Se alguém ferir o seu próximo, assim como fez lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. Como feriu o outro, assim será ferido. Quem matar um animal fará restituição, mas quem matar um homem será morto. Vocês terão a mesma ordenança para o estrangeiro e para o nativo. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.(Levítico 24:17-22, NVI)

No entanto, quando Cristo usa a expressão “eu, porém, digo a vocês...”, Ele revela que, não conforme a Lei Mosaica, mas segundo o rigor da constituição do Reino de Deus, o simples fato de alguém se irar contra o próximo — isto é, agir impulsionado por um acesso de raiva, sem domínio próprio e sem arrependimento — já o torna digno de juízo.

Matar movido por uma ira descontrolada é o extremo desse pecado. Contudo, na prática, os primeiros impulsos da ira geralmente se manifestam em palavras: ofensas, insultos e ridicularizações. Por isso Jesus afirma que qualquer que disser “Raca!” ou “Tolo!” ao seu irmão já se torna passível de julgamento segundo os padrões do Reino.

Curiosidade: a expressão “Raca” era um insulto comum na cultura judaica da época, com sentido depreciativo semelhante a “imbecil” ou “inútil”.

Assim, o pecado não está simplesmente em sentir ira, mas em permitir que ela governe nossas atitudes. A ira não tratada facilmente se transforma em pecado, pois nos leva a ferir outras pessoas com palavras e ações.

“Quando ficarem irados, não pequem”. Não permitam que o sol se ponha enquanto durar a ira de vocês e não deem lugar ao Diabo. (Efésios 4:26-27, NVI)

Por outro lado, Jesus também trata da situação em que somos nós que provocamos a ira nos outros, seja por atitudes injustas, seja por comportamentos inadequados. Nesse caso, Ele ensina que ainda há oportunidade de arrependimento e reparação.

Não adianta alguém afirmar que tem fé em Deus sem viver de acordo com essa fé. Na Lei Mosaica, o sacrifício no altar era um meio de expiação pelos pecados. No entanto, oferecer um sacrifício sem arrependimento genuíno e sem buscar reconciliação com quem foi ofendido torna esse ato vazio diante de Deus.

Da mesma forma, é incoerente declarar-se cidadão do Reino de Deus e não se arrepender sinceramente de atitudes que ferem o próximo — seja por falta de domínio próprio, seja por egoísmo.

Por isso, Jesus orienta:

“Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta”.

Nos versículos 25 e 26, Cristo amplia esse ensino ao mostrar que, mesmo diante de uma falta grave, ainda há oportunidade de evitar o juízo — desde que haja iniciativa de reconciliação e esforço para reparar o erro. O “adversário”, nesse contexto, representa alguém justamente ofendido, que carrega uma acusação legítima contra nós.

Com isso, Jesus ensina que aquele que entra no Reino de Deus não é isento de responsabilidade pelos erros cometidos, mas recebe a oportunidade de se alinhar com a justiça divina por meio do arrependimento e da restauração prática.

O nosso Criador é misericordioso e concede tempo para que aqueles que pertencem ao Seu Reino se arrependam e se reconciliem:

Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e cheio de amor leal e fidelidade. (Salmos 86:15, NVI)

Entretanto, ao advertir sobre não demorar a entrar em acordo, Jesus deixa claro que essa oportunidade não é indefinida. Se não houver arrependimento e mudança de atitude, o juízo será inevitável.

Sobre isso, o apóstolo Paulo também ensina:

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disso, há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram. Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. (1Coríntios 11:28-32, ARC)

Diante disso, somos chamados a viver em constante vigilância, examinando o coração e alinhando nossa conduta com os valores do Reino de Deus, para não desonrarmos a aliança firmada por meio do sacrifício de Jesus Cristo. Precisamos sempre lembrar que Ele sofreu um martírio terrível em seu corpo por nossa causa, para nos livrar da condenação à morte eterna e nos dar a chance única de usufruirmos da maravilhosa realidade de Seu Reino ainda neste mundo.

Mais severo do que qualquer penalidade humana é o juízo que procede de Deus, pois Ele conhece profundamente o coração e discerne as intenções por trás de cada atitude. Nada pode ser ocultado dEle.

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante daquele a quem havemos de prestar contas. (Hebreus 4:12-13, NVI)

Dessa forma, Jesus nos ensina que, no Reino de Deus, não basta evitar atos extremos como o homicídio; é necessário tratar a raiz do problema, que está no coração. A ira não dominada, as palavras ofensivas e a falta de reconciliação já nos colocam em desacordo com a justiça divina.

Ao mesmo tempo, há graça: Deus nos concede oportunidade de arrependimento e restauração. Porém, essa graça exige resposta — humildade para reconhecer o erro, disposição para se reconciliar e compromisso em viver de maneira alinhada com o caráter do Reino.

Portanto, viver como cidadão do Reino de Deus é assumir uma postura ativa de vigilância interior, domínio próprio e reconciliação com o próximo, sabendo que, no fim, todos prestaremos contas diante dAquele que vê não apenas as nossas ações, mas também as intenções do nosso coração.


Missionária Oriana Costa 

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