terça-feira, 26 de julho de 2022

O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2


Em seu ministério, João Batista anunciava o Reino de Deus, e ele o fazia pregando o arrependimento de pecados para a salvação, e concomitantemente ia preparando o povo para a chegada do Messias. À medida que as pessoas iam crendo na mensagem anunciada, João cumpria um certo ritual, onde batizava as pessoas por imersão.

O batismo por imersão acontece quando os crentes mergulham totalmente seus corpos num local com bastante água (tanque, lago, lagoa, rio, etc) e depois saem rapidamente dela. Então, chegou o momento em que o Senhor Jesus também veio até João para ser batizado, como veremos no trecho a seguir:

"A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. (...) "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. (...) Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado"". (Mateus 3:5-17)

Nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João encontramos trechos que confirmam e também trazem informações complementares ao trecho bíblico acima.

Em Marcos 1:9-11 e Lucas 3:21-23, lemos a confirmação de que no momento em que Jesus saiu da água os céus se abriram, e Cristo viu o Espírito de Deus vindo até ele em forma de uma pomba. Provavelmente, as pessoas que ali estavam também puderam presenciar esse acontecimento sobrenatural. 

Ambos também relatam que uma voz soou do céu dizendo "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado", como se o Pai falasse apenas com Jesus. No Evangelho de Mateus, contudo, observamos que essa frase é dita como se o Pai estivesse apresentando Jesus aos que estavam ali, dando a entender que o Pai falou audivelmente a todos. Por isso, é provável que quando os céus se abriram, o Espírito de Deus veio até Jesus em forma de pomba, e o Pai falou, todos os que se encontravam ali testemunharam esses acontecimentos.

Em João 3:22-26 e 4:1,2 observamos o relato de que não apenas João estava batizando, mas também os discípulos de Jesus também o faziam, e que João não batizou apenas no Rio Jordão, mas também em Enom, perto de Salim. Nesse Evangelho também percebemos que os discípulos de Jesus começaram a aumentar em quantidade, enquanto os de João começaram a diminuir, e o próprio profeta, quando indagado a respeito, explica o porquê disso estar acontecendo. Vejamos os trechos abaixo:

"Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judéia, onde passou algum tempo com eles e batizava. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. (Isto se deu antes de João ser preso.) Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial. Eles se dirigiram a João e lhe disseram: "Mestre, aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele". A isso João respondeu: "Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu. Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua". (João 3:22-30)

"Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia." (João 4:1-3)

Então, João Batista deixou claro para todos quem era ele mesmo e quem era Jesus, apesar de nem todos entenderem o que ele dizia e o que realmente estava acontecendo ali. 

Como vimos no estudo anterior, todas as profecias relacionadas à vinda de João Batista, e qual seria o seu serviço, bem como à vinda de Jesus, se cumpriram à risca. Porém, a maioria das pessoas, especialmente os mestres da Lei e fariseus, foram incapazes de verificar que o conteúdo das escrituras estava se cumprindo diante deles. 

Prosseguindo com o nosso estudo, há dois significados que precisamos entender com relação ao batismo. O primeiro se refere ao porquê do próprio Jesus ter se batizado.

Para entendermos isso, é preciso termos em mente que, antes de qualquer coisa, o batismo por imersão é um sinal divino e profético para todos nós. João batizou, e os discípulos de Jesus também o fizeram sob às ordens dele, porque esse ritual tem a ver com o cumprimento de uma promessa do Pai feita a Noé, e, consequentemente, feita também a toda a humanidade. Através dessa promessa o Pai indiretamente discrimina a forma como a maldade seria julgada após o Dilúvio:

"Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar. O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez. "Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão".(Gênesis 8:20-22)

"Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra"."(Gênesis 9:11)

Antes de continuarmos nosso estudo, é importante termos em mente que, ao sair da arca com sua família, Noé realizou um ritual de purificação, sacrificando animais sobre um altar dedicado ao Senhor. Noé, apesar de se esforçar para andar na justiça de Deus (por isso ele foi considerado justo por Deus, e escapou do juízo com sua família), sabia que havia maldade em seu corpo e também nos corpos de seus familiares, que ainda não havia sido justificada. 

Esse holocausto era feito especialmente como um sinal desse reconhecimento (e também como forma de demonstrar arrependimento sincero diante de alguns tipos de pecado), além de ser feito também como ações de graças diante de alguma conquista material (veja Gênesis 4:4, Genesis 12:7,8). Por isso, após a realização desse ritual feito por Noé, que para Deus foi agradável, o Criador decidiu que o juízo sobre a maldade não aconteceria mais com um dilúvio.

Dando prosseguimento ao nosso raciocínio e voltando agora para o batismo, através dele Deus estava avisando a todos na época de Jesus que uma nova aliança entre o Criador e a humanidade estava para ser estabelecida, e somente através dela é que se poderia receber livramento (a justificação) de um severo e definitivo juízo que viria no futuro sobre as transgressões de todos os seres humanos. 

Porém, nesse julgamento final, Deus não mais destruiria a vida no planeta com uma grande inundação, como fez anteriormente, mas faria se cumprir sua justiça unicamente através de um holocausto especial, num ato equivalente aquele feito por Noé ao sair da arca com sua família. Esse holocausto se cumpriria na morte e ressurreição de Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, que aceitou ser julgado e condenado em nosso lugar.

Por isso, o batismo em si é um aviso pelo qual sabemos que aquele juízo sofrido pelo mundo no Dilúvio, onde todo o planeta ficou submerso em água por um tempo e depois ressurgiu modificado para ser novamente repovoado por Noé e sua família, foi substituído por um outro tipo de juízo, que começou com a morte de Jesus na cruz (João 3:16-19), e terminará com a iniquidade e todos quantos não se desvincularam dela sendo devorados eternamente por um fogo que nunca se apaga, assim como o holocausto feito por Noé foi finalizado com os corpos dos animais mortos sendo completamente queimados no fogo do altar. 

No episódio do Dilúvio a justiça de Deus foi cumprida freando a maldade que tomou conta do mundo, sem destruí-la definitivamente, a fim de dar aos seres humanos uma chance de salvação no futuro. 

A vinda de Jesus, portanto, é para que se cumpra essa salvação, no entanto, através dele agora a justiça não vem para somente frear, mas sim decreta a destruição definitiva da maldade, e isso sabemos devido à promessa de seu retorno, onde a situação de pureza do homem será completamente restaurada, e a maldade destruída de uma vez por todas num local chamado de "Lago de fogo que arde com enxofre", citado em vários trechos do livro de Apocalipse (Veja Ap 19:20, 20:10, 20:14, 21:8)

Ao ser batizado nas águas, Jesus declarou publicamente que o juízo ou castigo sobre os pecados de toda a humanidade recairia terminantemente sobre Ele mesmo, para que todos alcancem a justificação de suas transgressões contra a reta justiça de Deus através do sacrifício dele, e escapem da condenação eterna já decretada sobre a maldade. Então, por isso Jesus se batizou por imersão no Rio Jordão.

O segundo significado do batismo nas águas tem a ver com a ordem dada por Jesus Cristo, para que aquele trabalho feito por João Batista se continue, e todos os que crerem na mensagem de salvação até seu retorno afirmem sua fé publicamente. 

Aqui, portanto, o batismo nas águas, além de apontar para a consumação do juízo sobre a maldade, assim como já vimos em parágrafos anteriores, passa também a ser um mandamento ligado à Nova aliança estabelecida entre Deus e os homens, que serve como confirmação pública de que o indivíduo realmente está arrependido de seus pecados e aceitou o sacrifício de Cristo por sua vida. 

Após o batismo, o sujeito deve estar ciente de que empenhou sua palavra diante de Deus e dos homens, de forma que dali em diante terá que se esforçar para aprender a justiça de Deus, para que viva de acordo com a realidade de pureza do Reino de Deus, e não mais de acordo com a realidade de injustiça do mundo.

"Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos"". (Mateus 28:18-20)

Lembrando que o ritual do batismo em si, não impede a pessoa de pecar e nem tem poder para salvar da condenação à morte eterna! Ele é um sinal divino e profético, e também uma confirmação pública, que devem ser dados após a entrada do indivíduo no Reino de Deus pela fé verdadeira em Jesus Cristo, mediante o ARREPENDIMENTO SINCERO de seus pecados. 

Para finalizar nosso estudo, vamos falar de um sinal curioso que foi dado por Deus após o Senhor Jesus sair da água, quando foi batizado no rio Jordão, onde, no momento em que ele estava orando, o Espírito de Deus aparece em forma de uma pomba, voando e pousando sobre ele. 

"Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele estava orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba". (Lucas 3:21,22)

Talvez, algumas pessoas, ao lerem esse trecho, podem ter se perguntado porque o Espírito de Deus se apresentou dessa forma, contudo, sem obterem respostas. No entanto, a resposta para isso está em Genesis, quando Noé solta uma pomba para averiguar se já era o momento de sair da arca e repovoar a terra.

Quando o planeta realmente tinha ficado livre das águas, a pomba não retornou mais a ele, dando a entender que já era o momento de deixar a nau e prosseguir com o recomeço do mundo. Por isso, ali Deus ordenou a Noé que esvaziasse totalmente a arca para iniciar o repovoamento do planeta, dando à humanidade uma chance única de ser justificada no futuro. 

"Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas desta vez ela não voltou. No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca. Então Deus disse a Noé: "Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles". (Gênesis 8:12-16)

Portanto, o Espírito de Deus pousando em Jesus em forma de uma pomba significa que agora, assim como foi possível um recomeço de vida na Terra após o juízo do Dilúvio, é possível sermos novas criaturas espiritualmente, e vivermos em novidade de vida no mundo através da fé em Jesus Cristo.

"Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!" Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito". (João 3:3-5)

"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!" (2Coríntios 5:17)


Missionária Oriana Costa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo(a) ao Blog Sala Gospel. Sua mensagem será avaliada e se obedecer aos critérios de boa conduta será postada em breve. Agradecemos a compreensão.

Jejuando no deserto - Considerações sobre Mateus capítulo 4 - parte 1

Novo texto em andamento. Aguardem a próxima postagem! 😉👍🏻