quinta-feira, 29 de agosto de 2019

O juízo do dilúvio

Atenção: o conteúdo deste estudo é apenas uma tese, e ainda não pode ser tomado como uma afirmação concreta de que o dilúvio se processou da forma como está descrita no desenvolvimento do texto. 

O evento chamado de "dilúvio", que foi um juízo de Deus sobre a maldade que havia na terra, e está descrito no livro de Gênesis da Bíblia Sagrada, é um tanto impressionante, pela forma como ocorreu. Vejamos abaixo o trecho que mostra como ele aconteceu:


Noé tinha seiscentos anos de idade quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra. Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio. Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé. E depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra. No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres de seus três filhos, entraram na arca. Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam. Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca. Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta. Quarenta dias durou o Dilúvio sobre a terra, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra. As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas. As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu. As águas subiram até quase sete metros acima das montanhas. Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade. Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu. Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens, como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca. E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinqüenta dias. (Gênesis 7:6-24)

Esse trecho específico, é muito rico em informações. Mas, uma delas em especial, e a mais interessante de todas, seria entender como Deus fez a humanidade que havia sobre a terra e os animais que tinham fôlego de vida deixarem de existir. A ideia que temos é que a vida foi extirpada da face da terra por afogamento, quando entendemos que as águas eram somente "H2O" na fase líquida.

Mas, antes de continuar pensando sobre esse acontecimento, é sempre bom ressaltar que o nosso Criador não estava nem um pouco satisfeito em ter que tomar essa atitude drástica. Contudo, se Ele não tivesse tomado as providências naquele momento, o mundo teria sido destruído bem antes de nós, que estamos vivos agora, existirmos, tamanho era o grau de maldade e violência que as pessoas tinham atingido na terra naquela época.

Agora, retomando nosso estudo, há uma informação curiosa no trecho bíblico em questão, que se refere a uma espécie diferente de "água", e de uma "chuva" proveniente de lugares diferentes de "nuvens": 

Todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. (Gênesis 7:11,12)

E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos. (Gênesis 7:19)

O primeiro ponto que devemos lembrar nesse evento é que Deus protegeu Noé e sua família numa espécie de nave especial, que pairou sobre aquelas águas excessivas numa altura acima dos montes mais altos do planeta, onde o ar é rarefeito: e foi numa arca de madeira, betumada por dentro e por fora. E essa nave passou um ano inteiro flutuando sobre as águas. 

Sabemos que as chuvas caem normalmente do céu provenientes da formação de nuvens densas, carregadas de água na forma de vapor. No entanto, o texto se refere a uma água vinda não de nuvens, mas das "profundezas" e das "comportas do céu", que provocaram uma certa "chuva". A palavra comporta significa "uma grande porta" ou "uma grande janela" por onde se escoa alguma substância no estado líquido. Geralmente, as comportas são encontradas no mundo em represas.

Então, poderíamos interpretar que as nuvens seriam essas comportas, porém, a forma como as águas caíram sobre a terra, sem parar, e de uma forma excessiva, soa um tanto estranho, pois o texto não fala da formação de densas nuvens, carregadas de água, arrodeando o planeta. Se tivesse acontecido dessa maneira, as pessoas saberiam que alguma coisa estava errada e teriam algum tempo para se salvar. 

Mas, observamos que o evento aconteceu "de surpresa", não havendo nenhum sinal evidente de que um grande dilúvio aconteceria, a não ser, o comportamento diferente de Noé, construindo a "arca" com o passar do tempo (anos). 

No trecho bíblico em questão, no entanto, apesar de entendermos que a terra estava sendo inundada, não há clareza para compreendermos que as pessoas estavam mesmo morrendo afogadas.

A ideia que o texto passa é que a água que tomou conta da terra era diferenciada, vinda de locais diferenciados do habitual, e destruiu a todos de uma forma quase "instantânea". Foi uma "chuva" diferente. Então, que águas seriam essas?

Se meu raciocínio estiver certo, as águas do dilúvio não eram H2O, visto que as pessoas morreram instantaneamente. (para entender melhor este raciocínio, leia o texto "O início da criação - as dimensões eterna e física" publicado anteriormente a este)

Já tentou imaginar o mundo todo coberto inteiramente por água, até sete metros acima dos montes mais altos, sem que, no entanto, as águas dos mares e mananciais não se misturem? Claro que, para Deus, isso não seria algo impossível de ser feito, mas, foge à lógica de como ele criou e instituiu as coisas em nosso mundo; sem tirar o fato de que, sendo o dilúvio provocado pela água natural que conhecemos em nosso mundo, a chance de existirem objetos que flutuassem sobre a água salvando as vidas de algumas pessoas, que chegassem a se manterem vivas se alimentando de animais marinhos (já que eles não haviam sido exterminados) e bebendo a própria água do dilúvio, não seria impossível.    

A ideia que vem a nossa mente, partindo desse entendimento, é que Deus literalmente "desintegrou" os seres vivos que estavam no ar e na terra, fazendo vazar as águas de seu Reino sobre o planeta. Essas águas não seriam H2O, como conhecemos, mas uma forma de força ou energia concentrada, como se fosse uma grande nuvem de radiotividade. 

O evento do dilúvio também não cita que os animais marinhos foram exterminados. E isso é bem estranho também. Os seres vivos exterminados foram somente aqueles que se moviam sobre a terra seca e no céu. Tanto é que Deus não mandou Noé levar consigo os peixes, as baleias, os golfinhos, as meduzas, etc., no intuito de preservá-los. Então, subentende-se que os animais marinhos permaneceram vivos. Então, é mesmo intrigante o fato de que, juntamente a Noé e sua família, a água natural do planeta com todos os animais que haviam nela não terem sido atingidos.

Pegando uma carona do raciocínio acima, outra coisa interessante que notamos nesse evento é que, apesar de nosso mundo ficar coberto de água por inteiro, as águas doces e salgadas do planeta não se misturaram, pois se isso tivesse acontecido os animais marinhos teriam morrido também. 

Dessa forma, o que entendemos, é que Deus não matou as pessoas e os animais afogados, mas desfez seus corpos físicos de uma forma rápida, onde não sofreram até morrer ou sentiram qualquer tipo de dor. E depois, limpou e refez toda a superfície seca da terra, para reiniciar a vida sobre ela.

Então, a primeira intensão das "águas" terem subido sobremaneira sobre a terra e coberto totalmente toda a superfície, a ponto de passar do alto dos montes mais altos, foi a de limpar e modificar a face da terra, e isso sem atingir os mananciais e oceanos do planeta. Um ponto interessante nesse assunto é que o total de tempo que as águas ficaram sobre a superfície da terra foi um ano inteiro, juntando o tempo que permaneceram agindo com o tempo que começaram a baixar. 

Se o que extirpou a vida da face da terra foi ALGO PARECIDO com uma onda fortíssima de radiação (com isso não estou afirmando que foi radiação, ok?), obviamente que a terra teria que ficar totalmente isenta daquela água diferenciada (pois é destrutiva em contato direto com os seres vivos), e, assim sendo, até que o processo de limpeza se concluísse Noé não poderia ter acesso a superfície do planeta. 

Um coisa interessante que devemos também observar é que Deus não precisaria modificar drasticamente a organização das coisas sobre a terra, retirando a humanidade do planeta quase que completamente, se essa ação não fosse algo extremamente necessário à manutenção da vida no planeta que Ele mesmo criou. 

E isso notamos, depois do evento do dilúvio, quando o nosso Criador passa a exercer juízo sobre certas pessoas de forma isolada, após fazer certos acordos com a humanidade, retirando a vida delas instantaneamente e sem atingir as vidas das outras pessoas que estavam ao redor, em situações como a de Sodoma e Gomorra, dos filhos de Arão no episódio do fogo estranho, na morte dos primogênitos no Egito, e na morte de Ananias e Safira, por exemplo.   


Missionária Oriana Costa    

O início da criação - as dimensões eterna e física

Este é um estudo bíblico complementar para facilitar o entendimento do texto anterior onde explico sobre o juízo de Deus. A Bíblia Sagrada fornece as bases para todas as informações aqui contidas, de Gênesis a Apocalipse. E, com toda a certeza, vamos observar algumas delas nesse estudo.

Vamos começar observando a parte inicial do livro de Gênesis, para entendermos as existências das realidades eterna e física, e como foi que a maldade teve início, juntamente com o juízo de Deus sobre ela:

No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. (Gênesis 1:1-9)

No trecho acima, inicialmente vemos como foram criadas as duas dimensões, eterna e física. Deus criou-as por completo em sete fases ou sete dias. 

Como podemos observar, o nosso Criador existe fora dessas duas dimensões, pois Ele as criou: e isso é algo difícil de compreender, pois não temos uma visão dessas duas realidades fora do nosso universo material. No entanto, podemos compreendê-las a partir das informações que as escrituras nos oferecem.

No versículo primeiro, o "céu" se refere à realidade/dimensão eterna ou realidade/dimensão espiritual, e a "terra" à realidade/dimensão física ou realidade/dimensão material. 

No versículo segundo, observamos que antes mesmo de Deus dar forma concreta à dimensão física (ela ainda estava sem forma e vazia), o conhecimento da maldade ou conhecimento do bem e do mal  já existia na dimensão eterna: são as "trevas"; e o "abismo" é a região na dimensão eterna onde este conhecimento foi gerado e exerce domínio, podendo também ser chamado de "reino das trevas". 

O termo "águas", no versículo segundo, está se referindo a região da dimensão eterna onde Deus se move ou habita. O Espírito de Deus, portanto, se move ou habita nessa região específica. 

Até aqui, portanto, podemos discernir a existência de duas dimensões criadas por Deus: uma espiritual, constituída por determinados elementos e estruturas que não conhecemos, e uma outra, a material, constituída por elementos que conhecemos, como átomos, moléculas, e substâncias e materiais formados por estes. E na dimensão espiritual, discernimos a existência de duas regiões: as "águas" e o "abismo".

No versículo terceiro, vemos a instituição do juízo de Deus sobre o conhecimento da maldade, antes mesmo que o universo material e o Reino de Deus fossem totalmente formados e estabelecidos: Deus fez a "luz". Nesse versículo, entendemos que a "luz" veio para desfazer ou julgar/punir a ação das "trevas". 

Deus criou a luz como uma forma de combater a maldade, e isto nós entendemos no versículo quarto, quando Deus faz separação entre a luz e as trevas. E a luz, assim como as trevas, também é um "conhecimento", que, mais tarde, tomou a forma humana: o "verbo" que se fez carne - Jesus Cristo, a fim de libertar toda a humanidade da escravidão da maldade.

A luz, portanto, é o conjunto de leis/mandamentos ou a legislação que rege a dimensão eterna, e que, por sua vez, também rege a dimensão física, visto que esta foi criada a partir da eterna.    

No quinto versículo, é concluída a primeira fase ou o primeiro dia da criação de Deus, que, como vemos, aconteceu antes do nosso universo material ser totalmente formado. 

O Criador concluiu esta parte dando nomes as duas situações que já existiam eternamente, chamando "dia" ao conjunto de todo o conhecimento criado na eternidade para combater as trevas, e chamando "noite" ao conjunto de todo o conhecimento relacionado as trevas.

É por isso que no Novo Testamento, encontramos uma passagem como esta: Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação. (1 Tessalonicenses 5:4-8)

No sexto versículo observamos o momento onde Deus dividiu as águas, ou dividiu a dimensão eterna em duas partes. Ele assim fez para que uma parte desse lugar permanecesse fixada na dimensão eterna (céu), e outra parte dele estivesse fixa na dimensão física (terra), e esta última parte funcionando como uma "embaixada" do lugar onde Deus habita na dimensão física. 

Por isso lemos que houve uma "expansão no meio das águas", que implicou numa "separação entre águas e águas". No momento que Deus criou essa expansão, ele começou a dar forma ao nosso universo ou realidade material, criando um grande vácuo entre as "águas". É por este motivo que os cientistas afirmam que o nosso universo está em constante "expansão", e essa situação, como podemos notar, está declarada nas escrituras bíblicas antes mesmo que os cientistas se dessem conta disso.

A dimensão física ou o nosso universo material, portanto, ganha forma oficialmente a partir do momento que Deus cria uma expansão ou um grande vácuo separando as "águas", fazendo com que uma parte do lugar onde Ele já habitava fosse estabelecida "debaixo da expansão" ou na dimensão física. Esse acontecimento observamos no versículo sétimo.

No versículo oitavo, Deus chama a expansão ou esse vácuo de "céus". Aqui se dá o desfecho da segunda parte ou do segundo dia da criação de Deus. 

E no nono versículo, finalmente Deus começa a modelar a dimensão material, ordenando que as águas "se juntassem"; com isso, elementos espirituais são transformados em materiais, e os átomos, moléculas e substâncias que conhecemos passam a existir. 

E depois disso, esses elementos foram adquirindo os estados físicos da matéria que conhecemos num "lugar determinado", debaixo da expansão; portanto, foi assim que o nosso Criador separou/formou a "porção seca" dentro do nosso universo material.


E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. (Gênesis 1:10)

Com o versículo acima, podemos perceber como se iniciou a modelagem da dimensão material: o nosso Criador transforma uma parte "das águas" que já tinha dividido, e que antes estavam na sua forma original eterna, em algo físico, dividindo-as ainda em outras duas partes: uma parte sólida (a parte seca), que chamou de "Terra" e uma líquida (a parte úmida), que chamou de "Mares".

Curiosamente "debaixo da expansão" ou "no universo cósmico que conhecemos" só há um lugar onde terra e mares estão juntos: o planeta Terra.



Missionária Oriana Costa
     
     





terça-feira, 27 de agosto de 2019

O juízo de Deus

Falar sobre o juízo de Deus não é uma tarefa fácil, por ele ser proveniente de uma dimensão diferente da nossa, que é a dimensão eterna ou espiritual, mais comumente chamada de eternidade.

A princípio, precisamos lembrar que o juízo de Deus é executado apenas sobre a maldade. Partindo desse entendimento, também precisamos saber claramente o que é a maldade, de acordo com a realidade eterna (ela é um conhecimento de origem espiritual - leia a publicação "O que é a maldade", anterior a esta).

Também precisamos entender que a maldade, sendo um conhecimento de origem espiritual, não pode ser dicernida por aparências ou dominada pela inteligência natural do homem, mas somente pode ser dicernida e dominada por um outro conhecimento de origem espiritual, que é o conhecimento da justiça do Reino de Deus, que é a base da criação original de todo o universo material.

Então, uma vez que entra e se estabelece na mente/alma de um indivíduo, a maldade tem a capacidade de, literalmente, "se entranhar" na matéria, se misturando a ponto de não poder mais ser retirada dela. A partir daí, ela começa a direcionar o sujeito, e dessa forma, se não for discernida e bloqueada da forma correta, ela segue exercendo domínio sobre seus atos.

A maldade, ou conhecimento do bem e do mal, estabelecida na matéria viva criada por Deus (matéria com fôlego de vida/alma/inteligência), age produzindo nela pensamentos, sentimentos e desejos contrários aqueles anteriormente estabelecidos pelo Criador, pervertendo a maneira pela qual aquela matéria viva foi originalmente criada para funcionar.

Por esse motivo, a maldade é geradora de morte, tanto espiritualmente como materialmente falando; e essa morte, se processa nas duas dimensões da seguinte forma: espiritualmente, o conhecimento da maldade fica ligado ao indivíduo para sempre, retirando-o de dentro do Reino de Deus, o que caracteriza sua morte espiritual; fisicamente, ela domina sobre a matéria viva fazendo-a proceder de maneira diferente (hostil a si mesma) daquela que foi instituída pelo Criador.

E, deste modo, o juízo decretado por Deus eternamente sobre ela não poderia ser outro diferente da destruição, e este juízo foi instituído antes mesmo do nosso universo material existir (Gênesis 1:3,4 - essa luz que foi criada por Deus não é aquela que nossos olhos captam no nosso mundo material, e sim uma legislação para julgar e condenar as trevas, ou julgar e condenar o conhecimento do bem e do mal onde quer que ele esteja instalado).

Então, voltando ao raciocínio do início do nosso texto, como na eternidade as coisas estão estabelecidas e funcionam de maneira diferente do nosso mundo material, se torna mesmo dificultosa a tarefa de explicar como se dá a aplicação das leis instituídas da realidade desse lugar para a nossa, visto que não estamos enxergando a dimensão eterna para poder estabelecer um padrão de comparação coerente entre as duas realidades.

No entanto, na Bíblia Sagrada, a existência e funcionalidade da dimensão eterna é explicada de uma forma engenhosa, por meio das parábolas ditas por Jesus Cristo. Através delas Ele estabelece uma maneira eficiente de comparação que usa apenas situações que conhecemos em nosso mundo, porém, nos dando uma visão objetiva de como Deus julga a ação do mal fisicamente falando.

Então, usar o método de explicação por parábolas, portanto, mostra maior eficácia a fim de nos dar uma noção de como a justiça do Reino de Deus funciona sobre a maldade, e como tal julgamento sobre o mal acontece em nosso mundo.

O juízo de Deus sobre a maldade em nosso mundo, portanto, pode ser entendido da seguinte maneira:

Imagine que um pai de família, todos os dias, antes de dormir, fazia uma inspeção em sua despensa, olhando o interior dos armários de sua cozinha, para ver se estava tudo em ordem. Então, certa noite, ao averiguar os mantimentos guardados na cozinha, observou que alguns sacos de grãos e de cereais estavam furados, e alguns alimentos, mordidos e roídos. 

Sua cozinha estava sendo invadida por ratazanas. Elas vinham já bem tarde, quando todos estavam dormindo na casa, e assim ninguém conseguia vê-las; somente se via o rastro de destruição que estavam deixando. Assim sendo, antes que aqueles roedores destruíssem e devorassem todos os mantimentos, e também trouxessem enfermidades para todos na família, aquele homem tomou as providências: ele armou algumas ratoeiras especiais ao redor da casa, a fim de exterminar aquela praga.


Após armar as ratoeiras, ele avisou a sua família sobre o que estava acontecendo, e contou a todos onde as ratoeiras estavam armadas, advertindo expressamente aos seus filhos que não encostassem nelas, pois ofereciam grande perigo: uma vez que alguém encoste em alguma delas desapercebidamente, ela se desarma sobre a presa, fazendo-a sofrer com muitas dores até a morte.


Seus filhos entenderam o aviso e foram se deitar. No dia seguinte, todos se levantaram e foram fazer suas atividades rotineiras. O tempo foi passando, e alguns dos filhos daquele homem se esqueceram das ratoeiras, e, passando pelos locais onde elas estavam armadas sem prestarem a devida atenção aonde estavam pisando, encostaram nelas, e começaram a gritar de dor.


Até que o pai chegasse para socorrê-los, eles permaneceram sofrendo.


A parábola acima, portanto, serve para que possamos entender alguns pontos importantes sobre o juízo de Deus:
  • Primeiro: o juízo de Deus não foi feito para o homem, mas para ser aplicado somente sobre a maldade.
  • Segundo: quando o homem está longe de seu Criador, ignorando a justiça do Reino de Deus, não é capaz de ver sua condição espiritualmente, e, consequentemente, fica sem condições de discernir a presença da maldade em sua carne para dominá-la; assim, ele sofre o juízo que seria para ser aplicado somente sobre a maldade.
  • Terceiro: a maldade não foi criada por Deus.
  • Quarto: Deus nunca desejou nem deseja o nosso sofrimento e a nossa morte, e, definitivamente, Ele não é o responsável pelas enfermidades, prejuízos e enganos que sofremos neste mundo por não estarmos atentos à realidade eterna a qual estamos submissos.
  • Quinto: Deus sempre quer o nosso bem, sempre deseja nos livrar da ação do mal, e nos manter livres da escravidão que a maldade nos impõe. E mesmo após o homem cair no domínio da maldade, Ele não poupou esforços para livrar sua criação desse terrível prejuízo. 
              
Missionária Oriana Costa
     
     






O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2

Novo texto em construção. Aguardem a postagem! 😉👍🏻