quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Judas Iscariotes - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 1


Vamos começar lendo o trecho a seguir:

De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo tomaram a decisão de condenar Jesus à morte. E, amarrando-o, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador. Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado, foi tomado de remorso e devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata. E disse: "Pequei, pois traí sangue inocente". E eles retrucaram: "Que nos importa? A responsabilidade é sua". Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo, saindo, foi e enforcou-se. Os chefes dos sacerdotes ajuntaram as moedas e disseram: "É contra a lei colocar este dinheiro no tesouro, visto que é preço de sangue". Então decidiram usar aquele dinheiro para comprar o campo do Oleiro, para cemitério de estrangeiros. Por isso ele se chama campo de Sangue até o dia de hoje. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado pelo povo de Israel, e as usaram para comprar o campo do Oleiro, como o Senhor me ordenou. (Mateus 27:1-10)

Neste texto, vamos entender melhor o momento em que Judas "se arrepende" de ter traído Jesus. Esse é um dos assuntos polêmicos acerca da vida e morte do Messias, pois há duas correntes de pensamento acerca do que aconteceu com Judas, por ele ter traído o Cristo e depois ter desistido de viver.

A primeira corrente defende que Judas foi salvo, mesmo tendo atentado contra a própria vida, porque se arrependeu do que tinha feito. A segunda é que não houve salvação para ele, mesmo tendo se arrependido, porque cometeu suicídio. É bom lembrar que estas duas correntes são provenientes de julgamentos que se baseiam na "aparência da situação".

No entanto, ao julgarmos o acontecido pelos parâmetros da justiça de Deus, teremos uma ideia do que realmente se sucedeu. Para tanto, em primeiro lugar, levaremos em consideração as falas de Jesus e dos Apóstolos e o que a Lei Mosaica apresenta sobre esse caso específico.

Vale lembrar que, quando Judas traiu o Senhor e em seguida cometeu suicídio, a Lei Mosaica ainda estava em vigor, pois naquele momento o Messias não havia sido crucificado nem ressuscitado, e a segunda aliança entre Deus e os homens ainda não estava estabelecida.

Por isso, tudo o que ele fez, assim como tudo o que outras pessoas fizeram contra o Cristo naquele tempo, movidas por suas incredulidades à mensagem do Reino, será julgado por Deus segundo o rigor da Lei de Moisés. A mensagem de salvação – mensagem do Reino ou mensagem do Evangelho, como é mais conhecida –, já havia sido anunciada pelos antigos profetas (que foram assassinados pelo próprio povo de Israel!) até João Batista e, depois, foi proclamada pelo próprio Jesus.

Levando em consideração as palavras do Senhor Jesus, veremos que, apesar de ter-se arrependido do que fez, Judas Iscariotes "não deveria ter nascido", "era um diabo" e "se perdeu", e por isso sabemos que ele foi condenado, como veremos abaixo:

O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido. (Mateus 26:24)

Então Jesus respondeu: "Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo!" (Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria de traí-lo) (João 6:70,71)

Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:12)

Essas afirmações do Senhor Jesus, portanto, põem abaixo a crença de que Judas Iscariotes não foi salvo por ter se suicidado, pois antes mesmo de tirar a própria vida, ele já estava condenado. Contudo, é importante ressaltar que, ao contrário do que é ensinado por alguns, as profecias sobre Judas não significam que Deus determinou que ele se perdesse e o reservou para o inferno. Mas simplesmente mostram que o Pai já sabia o que aconteceria e assim o revelou.

Estar "destinado à perdição" significa que isso era o que aconteceria com Judas, por não ter crido em Cristo. Assim também todo aquele que crê será salvo, mas todo o que rejeitar o evangelho será condenado (Marcos 16:16). O destino de qualquer que rejeita a Cristo, pela incredulidade, está estabelecido por Deus, contudo não é Deus quem escolhe em nosso lugar, pois Deus é bom e deseja que todos se salvem (1 Timóteo 2:4).

Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:18)

Agora, examinando a Lei Mosaica, encontramos o seguinte, sobre esse assunto:

Não se envolva em falsas acusações nem condene à morte o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado. Não aceite suborno, pois o suborno cega até os que têm discernimento e prejudica a causa do justo. (Êxodo 23:7,8)

Há algo sobre o arrependimento de Judas que devemos notar: aquele remorso não foi proveniente da fé naquilo que Jesus estava anunciando, que era a mensagem do Reino de Deus, mas vinha de si mesmo ou de sua carne.

Judas não conseguiu ver Jesus como o Messias, pois não acreditava nas Escrituras nem aceitou ou concordou com o que Ele anunciou. Se tivesse sido assim, ele não teria traído o Cristo, mas teria se juntado aos demais Apóstolos, para esperar o cumprimento dos avisos dados pelo Senhor.

E sobre o remorso que Judas sentiu e que o fez procurar suicídio, temos uma explicação na própria Bíblia sobre isso. O Apóstolo Paulo fala bem sobre esse assunto, como veremos a seguir:

A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. (2 Coríntios 7:9)

No capítulo 26 de Mateus, vemos que um outro discípulo falhou com Jesus no momento em que Ele foi preso, não cumprindo sua promessa de lealdade para com o Senhor, e, quando reconheceu seu erro, ficou demasiadamente amargurado. No entanto, sua culpa não o fez se separar dos demais ou procurar tirar sua própria vida.

Ao invés de trilhar o mesmo caminho de Judas, aquele homem aceitou o perdão de Deus e simplesmente continuou junto aos que tinham fé em Cristo, se esforçando para atender o chamado de Deus para sua vida. Nos quatro Evangelhos há relatos similares do que aconteceu com ele. Esse homem foi Simão Pedro.

O arrependimento desse discípulo se deu por causa de sua fé na mensagem do Reino, por isso continuou firme. Ele creu realmente em Jesus e foi convencido de seu erro pelas palavras que ouviu de seu mestre antes d'Ele ser preso. E esse mesmo discípulo de Cristo foi usado por Deus para orientar as pessoas com relação à lacuna que Judas deixou, na primeira formação da igreja:

Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de cerca de cento e vinte pessoas, e disse: "Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por boca de Davi, a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve participação neste ministério". (Com a recompensa que recebeu pelo seu pecado, Judas comprou um campo. Ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e as suas vísceras se derramaram. Todos em Jerusalém ficaram sabendo disso, de modo que, na língua deles, esse campo passou a chamar-se Aceldama, isto é, campo de Sangue.) "Porque", prosseguiu Pedro, "está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’. (...) Então indicaram dois nomes: José, chamado Barsabás, também conhecido como Justo, e Matias. Depois oraram: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido". Então tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos. (Atos 1:15-26)

Pedro se guiou pelas profecias contidas nas escrituras, para escolher alguém dentre os que estavam perto para substituir Judas, e ele fez isso porque cria no conteúdo da Torah, pois entendeu que ele é verdadeiro.

Nos salmos de Davi, citados por Pedro, podemos encontrar diversos trechos falando de Cristo, e também encontramos trechos que falam sobre o que aconteceria a Judas:

Fique deserto o lugar deles; não haja ninguém que habite nas suas tendas. (Salmos 69:25)

Seja a sua vida curta, e outro ocupe o seu lugar. (Salmos 109:8)

Ora, Judas sabia que Jesus era inocente, mas não resistiu à oportunidade de ganhar dinheiro através do ódio que as lideranças religiosas de Israel tinham do Senhor. Ele simplesmente se aproveitou da situação para lucrar.

E quando se encheu de remorso, ele avisou às lideranças que Jesus era inocente, antes de cometer suicídio, e rejeitou as trinta moedas de prata que tinha recebido, porém isso não o justificou diante do Pai, porque ele não creu na mensagem de salvação.

Uma curiosidade: de acordo com o trecho do Evangelho de Mateus que estamos estudando, a profecia que se refere às trinta moedas de prata, pagas a Judas pela vida de Jesus, foi feita pelo profeta Jeremias. 

No entanto, esse profeta cita a "casa do oleiro" e não o "campo do oleiro", de forma que não encontramos no livro de Jeremias nenhuma menção a esse campo ou às trinta moedas de prata. Se alguma palavra foi proferida por esse profeta sobre esse assunto, provavelmente se perdeu. Contudo, no livro do profeta Zacarias há uma menção similar, como veremos abaixo:

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. E o Senhor me disse: "Lance isto ao oleiro", o ótimo preço pelo qual me avaliaram! Por isso tomei as trinta moedas de prata e as atirei no templo do Senhor para o oleiro. (Zacarias 11:12,13)

Missionária Oriana Costa

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Testemunhos falsos - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 5


Neste texto, faremos a conclusão da análise do capítulo 26 do Evangelho de Mateus. No estudo anterior, entendemos melhor como se deu o momento da prisão do Senhor Jesus Cristo. Agora, veremos o episódio seguinte, onde o Mestre é levado à presença do Sumo Sacerdote e, enquanto isso acontece, Pedro nega conhecer o Senhor, temendo ser preso. 

Vejamos o trecho a seguir:

Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam procurando um depoimento falso contra Jesus, para que pudessem condená-lo à morte. Mas nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas.
Finalmente se apresentaram duas que declararam: "Este homem disse: ‘Sou capaz de destruir o santuário de Deus e reconstruí-lo em três dias’ ". Então o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus: "Você não vai responder à acusação que estes lhe fazem?" Mas Jesus permaneceu em silêncio. O sumo sacerdote lhe disse: "Exijo que você jure pelo Deus vivo: se você é o Cristo, o Filho de Deus, diga-nos". "Tu mesmo o disseste", respondeu Jesus. "Mas eu digo a todos vós: chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu". 
Foi quando o sumo sacerdote rasgou as próprias vestes e disse: "Blasfemou! Por que precisamos de mais testemunhas? Vocês acabaram de ouvir a blasfêmia. Que acham?" "É réu de morte!", responderam eles. Então alguns lhe cuspiram no rosto e lhe deram murros. Outros lhe davam tapas e diziam: "Profetize-nos, Cristo. Quem foi que lhe bateu?" 
Pedro estava sentado no pátio, e uma criada, aproximando-se dele, disse: "Você também estava com Jesus, o galileu". Mas ele o negou diante de todos, dizendo: "Não sei do que você está falando". Depois, saiu em direção à porta, onde outra criada o viu e disse aos que estavam ali: "Este homem estava com Jesus, o Nazareno". E ele, jurando, o negou outra vez: "Não conheço esse homem!" Pouco tempo depois, os que estavam por ali chegaram a Pedro e disseram: "Certamente você é um deles! O seu modo de falar o denuncia". Aí ele começou a se amaldiçoar e a jurar: "Não conheço esse homem!" Imediatamente um galo cantou. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, você me negará três vezes". E, saindo dali, chorou amargamente. (Mateus 26:59-75)

Vamos iniciar nossa análise com um versículo que pode ser encontrado em dois livros da Lei, no qual há um mandamento que se refere ao "falso testemunho":

Não darás falso testemunho contra o teu próximo. (Êxodo 20:16, Deuteronômio 5:20)

Os líderes religiosos de Israel precisavam de, pelo menos, duas testemunhas convincentes para acusar e condenar Cristo, por causa da especificação contida na Lei, como veremos adiante. 

Então, apesar de estarem cientes de que não existiam motivos para a acusação do Senhor, pois sempre que os procuravam nunca conseguiam encontrá-los, os fariseus e mestres da Lei se empenharam em arranjar, pelo menos, duas testemunhas falsas para assim conseguirem exterminar o Mestre do meio deles.

Portanto, o que fizeram ao Senhor Jesus foi, sem sombra de dúvida, o descumprimento do mandamento que proíbe o falso testemunho. E não cumprir esse mandamento, segundo a Lei Mosaica, resulta em uma determinada punição, como veremos a seguir:

Uma só testemunha não é suficiente para condenar alguém de algum crime ou delito. Qualquer acusação precisa ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se uma testemunha falsa quiser acusar um homem de algum crime, os dois envolvidos na questão deverão apresentar-se ao Senhor, diante dos sacerdotes e juízes que estiverem exercendo o cargo naquela ocasião. Os juízes investigarão o caso e, se ficar provado que a testemunha mentiu e deu falso testemunho contra o seu próximo, deem-lhe a punição que ele planejava para o seu irmão. Eliminem o mal do meio de vocês. O restante do povo saberá disso e terá medo, e nunca mais se fará uma coisa dessas entre vocês. Não tenham piedade. Exijam vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. (Deuteronômio 19:15-21)

De acordo com o trecho acima, todos os que se acomunaram para condenar e matar o Senhor Jesus – que era inocente daquelas acusações – deveriam morrer crucificados, assim como estavam planejando fazer com Ele, isso se fossem levados a julgamento naquele momento, de acordo com o mandamento da Lei. 

No entanto, Cristo veio não para condenar, mas para salvar. O Pai desejou fazer um acordo de paz com toda a humanidade, e estava disposto a nos perdoar, mediante a nossa fé na mensagem que Seu Filho Unigênito estava anunciando e também no sacrifício para o qual havia sido designado a fazer por toda a humanidade. E Ele foi até o fim nessa empreitada, porque amou o homem que criou e não desejava a sua destruição, como também ama todo o restante da Sua grandiosa criação.

Então, para que esse acordo entre Deus e os homens fosse estabelecido de uma vez por todas, Cristo precisava cumprir tudo o que havia sido profetizado à respeito d'Ele, pois somente assim TODOS (inclusive aqueles que estavam envolvidos no processo de sua morte) teriam a chance de se arrepender de seus pecados, após seu sacrifício na cruz, mediante a fé na mensagem do Reino, tendo assim acesso à justificação disponibilizada gratuitamente pelo nosso Criador.

O sofrimento pelo qual o Senhor Jesus teria que passar, até sua morte, está predito no Antigo Testamento em muitos lugares. Um dos profetas maiores, Isaías, predisse o que o Messias teria que passar de uma forma surpreendente (leia o capítulo 53 de Isaias). Abaixo vamos conferir três trechos que, como aqueles contidos no livro de Isaías, apontam que o Messias seria acusado injustamente e que Ele não iria se defender:

Testemunhas maldosas enfrentam-me e questionam-me sobre coisas de que nada sei. Elas me retribuem o bem com o mal e procuram tirar-me a vida. Contudo, quando estavam doentes, usei vestes de lamento, humilhei-me com jejum e recolhi-me em oração. Saí vagueando e pranteando, como por um amigo ou por um irmão. Eu me prostrei enlutado, como quem lamenta por sua mãe. Mas, quando tropecei, eles se reuniram alegres; sem que eu o soubesse, ajuntaram-se para me atacar. Eles me agrediram sem cessar. Como ímpios caçoando do meu refúgio, rosnaram contra mim. (Salmos 35:11-16)

Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito. Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam, mas eu permaneço em oração. Retribuem-me o bem com o mal, e a minha amizade com ódio.(Salmos 109:1-5)

Estou calado! Não posso abrir a boca, pois tu mesmo fizeste isso. Afasta de mim o teu açoite; fui vencido pelo golpe da tua mão. (Salmos 39:9,10)

Enquanto Cristo enfrentava as autoridades de Jerusalém naquela noite, dois discípulos de Jesus permaneceram por perto, observando os acontecimentos, segundo nos revela o Evangelho de João, no capítulo 18. Eles conseguiram entrar no pátio da casa do Sumo Sacerdote, Caifás, pois um deles era seu conhecido.

Um desses discípulos era Pedro, que veria com seus próprios olhos o cumprimento de uma palavra que recebeu do Senhor Jesus, horas antes de sua prisão: "Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará". (Mt 26:34)

No Evangelho de Lucas lemos um trecho que revela o que aconteceu no pátio da casa de Caifás, logo após o cantar do galo:

O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: "Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes". Saindo dali, chorou amargamente. (Lucas 22:61,62)

Isso significa que o Mestre estava vendo os seus dois discípulos ali perto, e viu também que eles não tinham coragem de se apresentar ao Sinédrio para lhe defenderem, pois eles estavam com medo de serem silenciados devido ao ódio que todos tinham do Senhor. Cristo, em contrapartida, não falou que ali estavam duas testemunhas de que ele era inocente, a fim de que tudo o que foi predito à respeito d'Ele fosse cumprido, e também para protegê-los.

Missionária Oriana Costa

sábado, 6 de novembro de 2021

A prisão - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 4


Nos momentos que antecederam sua crucificação, o Senhor Jesus é preso por um grupo, às ordens dos líderes judeus. Sendo traído pelo apóstolo Judas, e já prestes a passar pelo injusto julgamento, ainda opera dois sinais, à vista de todos.

Assim como outras passagens do Evangelho de Mateus, cujas análises se encontram aqui no blog, para ser bem entendido, o trecho que vamos estudar agora também carece ser comparado com as outras passagens relacionadas a esse mesmo episódio, contidas nos outros Evangelhos.

Vejamos a seguir:

"Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai!" Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo. O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: "Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no". Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: "Salve, Mestre!", e o beijou. Jesus perguntou: "Amigo, que é que o traz?" Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam. Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Disse-lhe Jesus: "Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?" Naquela hora Jesus disse à multidão: "Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham prender-me com espadas e varas? Todos os dias eu estava ensinando no templo, e vocês não me prenderam! Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas". Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram. Os que prenderam Jesus o levaram a Caifás, o sumo sacerdote, em cuja casa se haviam reunido os mestres da lei e os líderes religiosos. Mas Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote, entrou e sentou-se com os guardas, para ver o que aconteceria. (Mateus 26:46-58)

Sobre o local em que Cristo estava quando foi encontrado por Judas, de acordo com o Evangelho de João, era um olival situado perto do vale do Cedrom. Esse vale – também chamado de Vale de Josafá – se estende ao longo do muro oriental de Jerusalém, separando o Monte do Templo do Monte das Oliveiras. Portanto, o Senhor e os Apóstolos não estavam mais no Getsêmani quando foram encontrados por Judas, mas num lugar ali próximo, provavelmente mais perto do Monte do Templo.

Outra informação importante, é que não era somente os Apóstolos que estavam com Jesus naquela hora. Havia, também, outras pessoas, e sabemos disso por causa do relato do Evangelho de Marcos, que cita o momento inusitado em que um jovem, que estava perto deles vestindo apenas um lençol de linho, perdeu sua veste e ficou nu, enquanto fugia, para não ser levado preso junto com Jesus.

Quanto às pessoas que vieram ao encontro de Jesus, os evangelhos de Mateus e Marcos relatam que era "uma multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos" (Mt 26:47, Mc 14:43).

No entanto, o Evangelho de Lucas mostra que, no momento em que foi encontrado, Jesus falou diretamente aos "chefes dos sacerdotes, aos oficiais da guarda do templo e aos líderes religiosos" (Lc 22:52) que tinham ido procurá-lo.

Já no Evangelho de João, está escrito que a multidão que seguiu Judas, para procurar Jesus, era composta de "um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus" (Jo 18:3), que levavam tochas, lanternas e armas.

O consenso dessas informações nos leva a crer que aquela multidão, que saiu tarde da noite à procura de Jesus, era formada por representantes de alguns dos chefes dos sacerdotes, dos mestres da lei e dos demais líderes religiosos, como também algumas dessas autoridades em pessoa, somado aos oficiais da guarda do templo e um destacamento de soldados romanos, provavelmente composto por cerca de dez homens bem armados.

No Antigo Testamento há trechos que indiretamente falam acerca do momento em que o Senhor Jesus é encontrado e levado preso. O beijo de Judas, por exemplo, é profetizado no livro de Provérbios:

Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos. (Pv 27:6)

O momento em que Jesus é encontrado pela multidão, que queria prendê-lo e matá-lo, também foi profetizado pelo Rei Davi em um de seus Salmos:

As cordas da morte me enredaram; as torrentes da destruição me surpreenderam. As cordas do Sheol me envolveram; os laços da morte me alcançaram. (Salmos 18:4,5)

Depois que o Senhor Jesus é encontrado, Ele ainda realiza dois sinais miraculosos diante dos seus Apóstolos, de seus seguidores e da multidão que veio prendê-lo. O primeiro sinal se dá quando Ele sai do olival e se dirige à multidão, perguntando pela primeira vez a quem eles estavam procurando. Quando a multidão responde "a Jesus de Nazaré", e Ele responde "Sou Eu", todas aquelas pessoas são lançadas para trás e caem sem forças no chão (Jo 18:4-7). Esse acontecimento é encontrado somente no Evangelho de João.

O segundo sinal acontece depois que Pedro se defende, com uma espada, dos que estavam tentando prender Jesus, decepando a orelha direita de um servo do sumo sacerdote. O Senhor Jesus, ao ver o que tinha acontecido, repreende Pedro e cura o homem, recolocando a orelha no lugar. O ferimento do servo do sumo sacerdote, que se chamava Malco, pode ser lido nos quatro evangelhos, porém, o momento em que Jesus coloca a orelha do homem no lugar encontra-se descrito somente no Evangelho de Lucas (Lc 22:51).

Quando o Senhor foi preso, os Apóstolos e todos os seus seguidores fugiram para não serem presos junto com Ele. Essa situação já havia sido predita por Jesus naquela mesma noite, durante o jantar de celebração da Páscoa (Mt 26:31). Mas, apesar da fuga dos discípulos ser um ato de covardia da parte deles, o fato deles conseguirem fugir foi o cumprimento de uma petição que o Senhor Jesus fez ao Pai a respeito deles (Jo 18:8,9), minutos antes de ser preso, no momento em que, orando, intercedia pela igreja no Getsêmani:

Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura. Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria. (João 17:11-13)

Ainda que temendo a situação, dois discípulos decidiram ficar por perto, para observar o que iria acontecer com Seu Mestre. Apesar dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas informarem que apenas Pedro seguiu o Senhor após sua prisão, de acordo com o Evangelho de João, foram dois homens, e um deles era Pedro; o outro não tem seu nome revelado, mas muito provavelmente era o próprio apóstolo João.

E, para concluir, o primeiro lugar para onde Jesus foi levado após sua prisão não foi para a casa de Caifás, o Sumo Sacerdote, mas foi para a casa do sogro dele, o fariseu Anás, segundo o relato do Evangelho de João. Vejamos, abaixo, o trecho desse Evangelho, que confirma os dois discípulos que acompanharam o Senhor após sua prisão e o momento em que Cristo é levado até Anás:

Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus. Amarraram-no e o levaram primeiramente a Anás, que era sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. Caifás era quem tinha dito aos judeus que seria bom que um homem morresse pelo povo. Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar. (João 18:12-16)

Missionária Oriana Costa

domingo, 10 de outubro de 2021

O Getsêmani - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 3


Vamos dar continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus analisando o trecho a seguir:

Então Jesus lhes disse: "Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’. Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galileia". Pedro respondeu: "Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!" Respondeu Jesus: "Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará". Mas Pedro declarou: "Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei". E todos os outros discípulos disseram o mesmo. Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: "Sentem-se aqui enquanto vou ali orar". Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo". Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres". Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. "Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? ", perguntou ele a Pedro. "Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". E retirou-se outra vez para orar: "Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade". Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Depois voltou aos discípulos e lhes disse: "Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores." (Mateus 26:31-45)

Acabada a celebração da última Páscoa que Jesus participou com os Apóstolos, e tendo Ele instituído nesse evento os dois mandamentos que embasam a fé cristã (o Seu Amor como parâmetro essencial da fé cristã – Jo 13:34,35 e a celebração da Santa Ceia – Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19,20), Cristo foi para Monte das Oliveiras.

No caminho, o Senhor avisa aos apóstolos o que aconteceria em breve: eles iriam abandoná-lo (veja também em Mc 14:27-31; Jo 16:32). No entanto, eles não acreditaram no Mestre, apesar de terem ouvido da própria boca d'Ele o trecho do livro do profeta Zacarias, que fala exatamente desse acontecimento:

"Levante-se, ó espada, contra o meu pastor, contra o meu companheiro!", declara o Senhor dos Exércitos. "Fira o pastor, e as ovelhas se dispersarão, e voltarei minha mão para os pequeninos." (Zacarias 13:7)

Sobre o momento em que Cristo seria abandonado pelos seus discípulos, as escrituras dizem:

Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia. (Salmos 88:18)

Ele afastou de mim os meus irmãos; até os meus conhecidos estão longe de mim. Os meus parentes me abandonaram e os meus amigos esqueceram-se de mim. Os meus hóspedes e as minhas servas consideram-me estrangeiro; veem-me como um estranho. Chamo o meu servo, mas ele não me responde, ainda que eu lhe implore pessoalmente. (Jó 19:13-16)

Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. (Isaías 53:3)

Então, por ainda não conseguirem ligar os fatos que estavam acontecendo ao que estava escrito, mesmo tendo sido avisados diversas vezes pelo Senhor, Pedro e os demais apóstolos, ingenuamente, disseram que jamais abandonariam o seu Mestre.

Nos Evangelhos de Lucas (Lc 22:31-47) e de João (especialmente neste, há muitas informações, que vão do capítulo 13 ao 18), esse mesmo momento é descrito de forma diferente, nos mostrando mais detalhes do episódio. Vejamos, abaixo, dois trechos contidos no Evangelho de João:

Simão Pedro lhe perguntou: "Senhor, para onde vais?" Jesus respondeu: "Para onde vou, vocês não podem me seguir agora, mas me seguirão mais tarde". Pedro perguntou: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Darei a minha vida por ti!" Então Jesus respondeu: "Você dará a vida por mim? Asseguro-lhe que, antes que o galo cante, você me negará três vezes!" (João 13:36-38)

Aproxima-se a hora, e já chegou, quando vocês serão espalhados cada um para a sua casa. Vocês me deixarão sozinho. Mas, eu não estou sozinho, pois meu Pai está comigo. "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". (João 16:32,33)

Estando acompanhado de Pedro e dos dois filhos de Zebedeu – Tiago e João –, o Senhor Jesus iniciou um clamor por Si mesmo e pela igreja ali no Monte das Oliveiras, em um lugar específico, chamado Getsêmani. Esse local escolhido por Jesus para orar era um jardim que ficava no sopé daquele monte. O lugar ainda hoje existe em Israel, mas, por causa da ação do homem, e também do próprio tempo, não está mais com a mesma aparência dos tempos de Cristo. A palavra "Getsêmani" é de origem hebraica e significa "prensa de azeite", e não por acaso, Jesus ficou ali em grande aflição, experimentando uma angústia extrema, enquanto aguardava pelo momento onde teria início seu martírio.

Assim, como está descrito no Evangelho de Mateus, esse momento é retratado de forma similar no Evangelho de Marcos. Vejamos a seguir:

Então foram para um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos: "Sentem-se aqui, enquanto vou orar". Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a ficar aflito e angustiado. E lhes disse: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem". Indo um pouco mais adiante, prostrou-se e orava para que, se possível, fosse afastada dele aquela hora. E dizia: "Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres". (Marcos 14:32-36)

Sobre esse momento, há vários trechos no Antigo Testamento, que falam a respeito. Abaixo, vejamos três deles:

Enquanto não raia o dia e as sombras não fogem, irei à montanha da mirra e à colina do incenso. (Cânticos 4:6)

As cordas da morte me envolveram, as angústias do Sheol vieram sobre mim; aflição e tristeza me dominaram. Então clamei pelo nome do Senhor: "Livra-me, Senhor!" (Salmos 116:3,4)

Gritei como um andorinhão, como um tordo; gemi como uma pomba chorosa. Olhando para os céus, enfraqueceram-se os meus olhos. Estou aflito, ó Senhor, vem em meu auxílio! Mas, que posso dizer? Ele falou comigo, e ele mesmo fez isso. (Isaías 38:14,15)

Durante o tempo em que clamava, o Filho do Homem chegou a suar sangue, tamanha era sua aflição por causa das coisas que haveria de sofrer dali por diante. O Pai, vendo a aflição de Cristo, enviou um anjo para animá-lo pessoalmente. Esse acontecimento se encontra descrito somente no Evangelho de Lucas, como veremos abaixo:

Ele se afastou deles a uma pequena distância, ajoelhou-se e começou a orar: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua". Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente; e o seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão. Quando se levantou da oração e voltou aos discípulos, encontrou-os dormindo, dominados pela tristeza. (Lucas 24:41-45)

Sobre o momento em que o Pai vem falar com Cristo, há também um trecho no Antigo Testamento que fala sobre isso, uma narrativa feita pelo profeta Jeremias no livro de Lamentações:

"Clamei pelo teu nome, Senhor, das profundezas da cova. Tu ouviste o meu clamor: "Não feches os teus ouvidos aos meus gritos de socorro". Tu te aproximaste quando a ti clamei, e disseste: "Não tenha medo". (Lamentações 3:55-57)

Como já vimos em parágrafos anteriores, quando estava clamando no Getsêmani, o Senhor Jesus intercedeu por Si mesmo e pela igreja. A intercessão que Jesus fez por Si mesmo pode ser encontrada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, de forma resumida, e no Evangelho de João, mais detalhada.

Analisando as palavras de Jesus, enquanto pedia ao Pai por Si mesmo, observamos que o Filho do homem não queria passar por todo aquele sofrimento e ser sacrificado. Ele pediu ao Pai que O livrasse daquele momento terrível, se fosse possível, dizendo “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a Tua”. Isso mostra que se Ele tivesse deixado se levar pelo medo, teria mudado de ideia e abortado o plano de salvação ali mesmo. No entanto, Ele escolheu se submeter à vontade de Seu Pai, e, apesar de estar sofrendo muito, confiou que Suas promessas seriam cumpridas, e suportou tudo até o fim.

Quanto à intercessão que Cristo fez por Sua igreja, essa parte só pode ser encontrada no Evangelho de João, por todo o capítulo 17. Ali podemos notar o cuidado que o Rei Jesus tem com Seu povo e também ter a certeza de que Suas promessas com relação a nós, os que verdadeiramente cremos n'Ele, seguem se cumprindo e realmente se cumprirão todas. Vejamos abaixo um pequeno trecho desse momento marcante:

“Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu. E eu tenho sido glorificado por meio deles. Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. (…) Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade. "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:9-21)

Também sabemos que, nesse momento de intercessão, Cristo deu dois intervalos, dividindo-o em três partes, através dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Nas três vezes que voltou da oração para falar com os três apóstolos que o estavam acompanhando, Jesus os encontrou dormindo. Segundo o relato contido nos evangelhos, eles estavam entristecidos com as palavras duras que ouviram de Jesus, acerca do que estava para acontecer em breve, no entanto, não tiveram noção de que tudo teria início diante deles em pouquíssimo tempo.

Conforme as Escrituras, ao chegar o dia do sacrifício do cordeiro para a celebração da Páscoa, tudo deveria ser feito e concluído com uma certa rapidez:

Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. (…) Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (…) Naquela mesma noite comerão a carne assada no fogo, juntamente com ervas amargas e pão sem fermento. Não comam a carne crua, nem cozida em água, mas assada no fogo: cabeça, pernas e vísceras. Não deixem sobrar nada até pela manhã; caso isso aconteça, queimem o que restar. Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor. (Êxodo 12:3-11)

Então, os apóstolos simplesmente não haviam entendido que aquela reunião em Betânia, para a celebração da Páscoa, era uma despedida e que seu Mestre os estava preparando para várias coisas futuras, mas, especialmente, para enfrentarem momentos bem difíceis, dentro de algumas horas. Assim, eles não captaram o quanto o Senhor estava aflito e, ao invés de se juntarem a Ele em oração, durante todo aquele tempo, não suportaram e acabaram adormecendo.

Nos evangelhos de Mateus e Marcos, notamos que, ao encontrar seus discípulos dormindo pela primeira vez, Jesus lhes disse: “vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Já no Evangelho de Lucas, o Senhor alerta os discípulos, antes deles adormecerem e na última vez que os encontra dormindo, dizendo-lhes: “orem para que vocês não caiam em tentação".

Cristo deu esse alerta porque, apesar de crerem n'Ele, seus discípulos ainda estavam imaturos na fé, não compreendendo quem realmente era Jesus e o que as escrituras diziam d'Ele. Então, espiritualmente eles estavam prontos, por já terem iniciado na fé salvadora, mas mentalmente ainda não. Isso significa que, por causa dessa falta de entendimento e também por não compreenderem as instruções de seu Mestre naquele momento, os discípulos estavam vulneráveis a agir pela carne, ou seja, agir segundo seus próprios sentimentos, quando se vissem em situações difíceis.

De fato, o Senhor fez sua parte em alertá-los, contudo sabia que eles não entenderiam o alerta, não orariam com Ele, e iriam cair na tentação de abandoná-lo e também de mentir, movidos pelo medo de serem pegos, quando notassem que Ele estava sendo preso e condenado à morte, como de fato aconteceu.


Missionária Oriana Costa

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A Santa Ceia - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 2


Dando continuidade ao estudo do capítulo 26 do Evangelho de Mateus, vamos observar, agora, os aspectos envolvidos no momento em que Cristo celebra a última Páscoa com os Apóstolos e o momento em que Ele avisa que há alguém ali que irá traí-lo.

Vamos conferir o trecho abaixo:
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?" Ele respondeu dizendo que entrassem na cidade, procurassem um certo homem e lhe dissessem: "O Mestre diz: ‘O meu tempo está próximo. Vou celebrar a Páscoa com meus discípulos em sua casa". Os discípulos fizeram como Jesus os havia instruído e prepararam a Páscoa. Ao anoitecer, Jesus estava reclinado à mesa com os Doze. E, enquanto estavam comendo, ele disse: "Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá".
Eles ficaram muito tristes e começaram a dizer-lhe, um após outro: "Com certeza não sou eu, Senhor!" Afirmou Jesus: "Aquele que comeu comigo do mesmo prato há de me trair. O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido". Então, Judas, que haveria de traí-lo, disse: "Com certeza não sou eu, Mestre!" Jesus afirmou: "Sim, é você". Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo". Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: "Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai". Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. (Mateus 26:17-30)

Entre os versículos 17 e 19, vemos a preparação da última Páscoa que Jesus participa com seus discípulos, momento que ficou conhecido entre os cristãos como a Santa Ceia. Esse episódio aconteceu em Jerusalém, no primeiro dia da festa dos pães ázimos, (o decimo quarto dia do primeiro mês judaico) na casa de um certo homem, cujo nome não é revelado nos evangelhos.

Pedro e João foram designados para entrar naquela cidade e procurarem a pessoa indicada por Jesus, para que os preparativos da Páscoa fossem feitos.

Isso sugere que, como já não aparecia publicamente, a fim de que não fosse encontrado pelas lideranças religiosas de Israel antes do tempo, Jesus, juntamente aos seus discípulos, naquele momento, já não estava mais em Betânia e, provavelmente, permaneceu acampado em algum lugar ali próximo à entrada de Jerusalém. Em Lucas 22:7-13 e Marcos 14:12-17, podemos ler relatos similares.

Para melhor entendermos o que aconteceu naquele momento, devemos ver o que Deus ordenou aos israelitas, na Lei Mosaica, acerca da Páscoa e da festa dos pães ázimos (pães sem fermento):

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito:
"Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito (...). Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...) "Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes o comemorarão como festa ao Senhor. Comemorem-no como decreto perpétuo. (...) "Celebrem a festa dos pães sem fermento, porque foi nesse mesmo dia que eu tirei os exércitos de vocês do Egito. Celebrem esse dia como decreto perpétuo por todas as suas gerações. No primeiro mês comam pão sem fermento, desde o entardecer do décimo quarto dia até o entardecer do vigésimo primeiro."
(Êxodo 12:1-18)

Entre os versículos 20 e 25, durante a celebração da Páscoa, o Senhor alerta seus discípulos para a existência de alguém, que estava entre eles, mas que não creu na mensagem do Reino, que era Judas Iscariotes.

De fato, apesar de Jesus tê-los avisado sobre a proximidade do momento de sua morte e da presença do traidor, eles não entenderam que Jesus estava há poucas horas de ser crucificado, e que seria aquele mesmo apóstolo que o entregaria às lideranças religiosas de Israel.

O único que entendeu o alerta e já sabia que tinha sido descoberto foi o próprio Judas. Foi por esse motivo que os demais apóstolos nada fizeram para impedi-lo. O momento em que o Senhor avisa sobre seu traidor também pode ser encontrado nos Evangelhos de Marcos 14:18-21, Lucas 22:21-23 e João 13:21-26. No livro de Salmos há uma profecia relacionada a esse acontecimento:

Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:9)

Na realidade, Jesus só avisou que seria traído no fim da ceia, depois de lavar os pés dos Apóstolos. Esse episódio é relatado unicamente no Evangelho de João, no capítulo 13.

O momento em que o Senhor Jesus lava os pés dos apóstolos após a ceia simboliza o que está escrito no Salmo 51:

Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. (...) Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. (Salmos 51:1-7)

Também somente naquele Evangelho é que está explicado o porquê dos apóstolos não terem entendido o aviso de Cristo.

Após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto. Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres. E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite. (João 13:27-30)

Somente no Evangelho de João é que observamos que Judas só participa da Páscoa até o momento em que recebe um pedaço de pão do próprio Cristo, quando Ele já tinha lavado os pés dos apóstolos e a celebração propriamente dita já tinha terminado. Tão logo recebe o bocado do Senhor, ele sai para fazer o que havia combinado com os líderes religiosos de Israel.

Podemos ver ali, também, que, após a saída de Judas, a reunião de Jesus com os apóstolos se continua por mais algum tempo, onde podemos ler algumas instruções importantes, dadas aos apóstolos, após a Ceia e a oração intercessória de Jesus pela igreja, antes de finalmente irem para o Monte das Oliveiras.

Do capítulo 13 do Evangelho de João até o capítulo 17, observamos mais detalhes do que foi ensinado pelo Senhor Jesus aos apóstolos na celebração de sua última Páscoa. Como se trata de um trecho longo, com muitas informações, após o término dos estudos sobre o Evangelho de Mateus, vamos fazer um estudo à parte, comentando o que Cristo ensina em cada um desses capítulos.

Sobre a celebração dessa Páscoa, citada no capítulo 26 de Mateus, ela se desenrolou de uma forma diferente das anteriores que Jesus participou, pois naquele momento, sua morte e ressurreição estavam próximas de acontecer. Era preciso sinalizar não somente que as profecias relacionadas a Ele estavam para se cumprir, mas também deixar para a igreja, após Sua ascensão aos céus, o mandamento que seria usado como memorial para lembrar sua morte pelos nossos pecados, o qual deve ser continuamente cumprido até que Ele volte pela segunda vez.

Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo". Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: "Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai". (Mateus 26:26-29)

Através do cumprimento do mandamento da Santa Ceia, portanto, a igreja tem celebrado, através dos tempos, o acesso gratuito, disponibilizado por Deus aos homens pelo sacrifício de Cristo – que é a justificação –, que livra os crentes da condenação à morte eterna.

O apóstolo Paulo, em sua primeira carta dirigida aos cristãos da cidade de Corinto, ensina alguns aspectos envolvidos na celebração da Santa Ceia, que todo cristão deve saber (1 Coríntios 11). Por se tratar de um assunto extenso, assim como aqueles contidos no Evangelho de João, referentes aos vários ensinamentos de Jesus durante a celebração da Páscoa, esse terá também um estudo à parte, após o término dos estudos do Evangelho de Mateus.

Para concluir, é preciso lembrar também que esse mandamento deixado por Jesus Cristo é superior àquele contido em Êxodo 12, pois, como o Messias veio e o cumpriu este em Si mesmo, já não se faz mais necessário sacrificar qualquer animal ou mesmo fazer os outros tipos de sacrifícios contidos na Lei mosaica, que são relacionados aos pecados dos homens.

Sobre isso, há muitos trechos nas cartas aos Hebreus e aos Gálatas que são esclarecedores. Abaixo, podemos conferir dois trechos, um de cada carta, que dizem o seguinte:

Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna. (Hebreus 9:11-15)

(...) sabemos que o ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado. (Gálatas 2:16)

Que o Senhor ilumine o teu coração, para a compreensão destas importantes verdades!

Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 24 de agosto de 2021

A conspiração - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 1


Após ensinar seus discípulos no Monte das Oliveiras sobre as coisas que haveriam de acontecer à igreja e ao mundo, antes de seu retorno, e sobre os três princípios que servirão de base para o julgamento que terá início com o resgate dos verdadeiros cristãos dentre as nações da terra, quando Ele retornar, Cristo continua a preparar seus discípulos para o dia de sua morte e ressurreição.

O Senhor já vinha preparando seus discípulos sobre o que lhe aconteceria em ocasiões anteriores, como podemos ver no Evangelho de Mateus nos capítulos 17 e 20, por exemplo.

A partir desse estudo, portanto, veremos especialmente o cumprimento das profecias feitas acerca do Messias ao longo dos séculos, antes de seu nascimento, e que constam nos livros do Antigo Testamento.

Vamos começar com o primeiro trecho do capítulo 26, que fala de três momentos importantes: o início da conspiração dos líderes religiosos de Israel para matar Jesus, o episódio do frasco de óleo perfumado que é derramado sobre a cabeça de Cristo, e o início da traição de Judas Iscariotes.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: "Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado". Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-lo. Mas diziam: "Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo". Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro. Ela o derramou sobre a cabeça de Jesus, quando ele se encontrava reclinado à mesa. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e perguntaram: "Por que este desperdício? Este perfume poderia ser vendido por alto preço, e o dinheiro dado aos pobres". Percebendo isso, Jesus lhes disse: "Por que vocês estão perturbando essa mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão. Quando derramou este perfume sobre o meu corpo, ela o fez a fim de me preparar para o sepultamento. Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado, em sua memória". Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês?" E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo. (Mateus 26:1-16)

Antes de iniciar a análise do nosso texto, existem algumas informações importantes que devemos saber. Uma delas é que nesse momento Jesus não se expunha mais publicamente como antes, pois estava ciente de que poderia ser preso e sacrificado a qualquer hora. Ele só se entregou de fato no tempo que o Pai já havia determinado e anunciado na Antiga Aliança (que ainda estava em vigor), através dos mandamentos que entregou a Moisés e Arão.

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: (...) Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. (...) O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...). Esta é a Páscoa do Senhor. (Êxodo 12:1-11)

Outra informação importante é que a conspiração para matar Jesus já tinha surgido bem antes dos acontecimentos mostrados em Mateus 26, no momento em que Lázaro fora ressuscitado. Logo após o acontecido, as lideranças religiosas, com medo de perderem as posições privilegiadas que tinham na sociedade e suas boas relações com as lideranças de Roma, convocaram o sinédrio, que se reuniu para tomar uma posição em unidade. Esse acontecimento se encontra descrito com detalhes no capítulo 11 do Evangelho de João.

Nessa reunião, mesmo sem entender quem realmente era Jesus, o próprio Caifás, que era o sumo sacerdote naquela ocasião, acabou profetizando acerca do Messias:

Então um deles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, tomou a palavra e disse: "Nada sabeis! Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação". Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo. (João 11:49-52)

Por isso, antes de voltar à Betânia, após a ressurreição de Lázaro, Jesus se refugiou com seus discípulos no povoado de Efraim, região próxima dali. Sobre isso, falou o profeta Jeremias:

Ó Jerusalém, lave o mal do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai acolher projetos malignos no íntimo? Ouve-se uma voz proclamando desde Dã, desde os montes de Efraim se anuncia calamidade. (Jeremias 4:14,15)

Dessa forma, faltando cerca de uma semana para a celebração da Páscoa, Cristo voltou à cidade de Betânia, e ali dois sinais interessantes e muito parecidos aconteceram diante dos discípulos, anunciando-lhes que seu Mestre seria sacrificado em breve. Um deles, o segundo, está descrito no trecho que estamos analisando aqui.

O primeiro sinal aconteceu seis dias antes (no oitavo dia do primeiro mês judaico), quando Cristo estava hospedado na casa de Lázaro, a quem Ele ressuscitou dos mortos. Ali Ele foi perfumado pela primeira vez, por Maria, irmã de Lázaro, durante um jantar (João 12:1-9). Ela derramou nos pés do Senhor um frasco de nardo puro, enxugando, em seguida, com seus próprios cabelos. Nessa ocasião, Judas Iscariotes posicionou-se contra o acontecido, alegando que "o frasco de nardo poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

Quatro dias depois, agora na casa de Simão, o leproso, aconteceu uma situação similar. Enquanto Jesus estava reclinado à mesa, uma mulher aproximou-se e derramou sobre a sua cabeça um frasco de alabastro cheio de um perfume muito caro (Mateus 26:6-13, Marcos 14:3). O perfume escorreu por todo o seu corpo. Desta vez, todos os que estavam presentes se indignaram com a ação da mulher, alegando que "o perfume poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

O fato de Jesus ter sido perfumado ou ungido com óleo pela segunda vez, faltando 2 dias para a celebração da Páscoa (no décimo segundo dia do primeiro mês judaico), foi uma sinalização dupla da parte do Pai para os israelitas de que Seu Filho, o Messias, estava ali para pagar de uma vez por todas a dívida de transgressão eterna, cumprindo definitivamente o mandamento relacionado àquele fim e também para reinar para sempre sobre o Seu povo.

Então, ao contrário do que muitos pensam, Jesus foi perfumado com óleo essencial de nardo não somente uma vez na proximidade de sua morte, mas duas vezes.

Sobre essas mulheres que perfumaram Jesus, há no Antigo Testamento, no livro de Cantares, trechos relacionados:

A fragrância dos seus perfumes é suave; o seu nome é como perfume derramado. Não é à toa que as jovens o amam! (Cânticos 1:3)

Enquanto o rei estava em seus aposentos, o meu nardo espalhou a sua fragrância. (Cânticos 1:12)

No livro de Salmos também há um trecho que fala desse acontecimento:

Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. A minha mão o susterá, e o meu braço o fará forte. (Salmos 89:19-21)

A primeira vez que Jesus foi ungido com óleo de nardo (também por uma mulher) aconteceu logo após Ele ter escolhido dentre os seus discípulos os doze Apóstolos, estando com eles na cidade de Naim, na casa de um fariseu que o convidou para uma refeição (Lucas 7:36-50).

Prosseguindo com nosso estudo, agora vamos analisar a traição de Judas Iscariotes. Com a proximidade da celebração da Páscoa, estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, os chefes dos sacerdotes e os lideres religiosos do povo se reuniram novamente no palácio do sumo sacerdote, Caifás, para tomarem uma decisão em definitivo.

Já que não conseguiam achar no Senhor nenhum motivo para justa acusação, resolveram oferecer recompensa para quem lhes entregasse Jesus, a fim de obterem um resultado mais rápido.

Sabendo disso, Judas Iscariotes, que não tinha entendido a mensagem do Reino e estava ali com Cristo sem ter nutrido em seu coração a fé verdadeira (lembrando que ele presenciou todos os milagres feitos por Cristo enquanto o acompanhava em seu ministério!), se sentiu tentado com a possibilidade de ganhar algum dinheiro e adquirir prestígio social, e então sucumbiu à tentação. Assim, ele procurou os líderes religiosos para fazer um acordo com eles (Marcos 14:10,11; Lucas 22:1-6).

Nos livros de Salmos e Zacarias, que estão no Antigo Testamento, podemos ler dois trechos que se referem a esse acontecimento:

Os meus inimigos dizem maldosamente a meu respeito: "Quando ele vai morrer? Quando vai desaparecer o seu nome?" Sempre que alguém vem visitar-me, fala com falsidade, enche o coração de calúnias e depois sai espalhando-as. Todos os que me odeiam juntam-se e cochicham contra mim, imaginando que o pior me acontecerá: "Uma praga terrível o derrubou; está de cama, e jamais se levantará". Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:5-9)

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. (Zacarias 11:12)

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Venham, benditos de meu Pai - Mateus 25 - Parte 3


Após ter falado sobre os eventos que aconteceriam às nações da Terra, antecedendo à Sua vinda (capítulo 24 de Mateus), no capítulo 25 o Senhor Jesus mostra como se dará o julgamento da "Igreja". Esse julgamento acontecerá separadamente daquele relacionado aos que não fazem parte dela, por causa da responsabilidade que o corpo de Cristo tem na anunciação da mensagem do Reino ao mundo.

Como sabemos, a Igreja – do modo que a conhecemos em nossa realidade – não está somente constituída de verdadeiros cidadãos do Reino de Deus. Dentro dela existem indivíduos que não seguem a Cristo verdadeiramente, contudo aparentam ser pessoas espirituais e servas do Senhor, de forma que, por causa das sutilezas e por não enxergarmos a verdadeira motivação dentro dos corações dos outros, nem sempre é possível julgar quem realmente está agindo de acordo com a fé ou não.

Por causa disso, este julgamento só poderá ser feito plenamente pelo próprio Rei Jesus, no dia do Seu retorno, pois, naquele momento, todas as coisas estarão expostas diante d'Ele.

No capítulo 25 de Mateus, portanto, o Mestre fala os três motivos pelos quais alguns indivíduos serão separados do verdadeiro corpo de Cristo e vão perder a herança da vida eterna. O primeiro está explicado na parabola das dez virgens, o segundo na parábola dos talentos, e o terceiro, Cristo explica no trecho a seguir:

Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. 
Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?'  O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.
Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’.
Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. 
E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna. (Mateus 25:31-46)

Para começar nossa análise, é importante que também tenhamos o entendimento do porquê de Cristo comparar os indivíduos que compõe a instituição eclesiástica à animais, como ovelhas e bodes, por exemplo.

Ele faz isso não por enxergar ou tratar as pessoas como animais, mas é somente para que possamos entender bem como será o processo de separação da nação santa das demais nações: será feito diretamente por Cristo, que colocará dentro de seu Reino os remidos e deixará fora os que desprezarem a justificação concedida gratuitamente por Deus pela fé.

No tempo em que Jesus estava em seu ministério terreno, diferentemente do que acontece hoje em dia, era normal que a maioria das pessoas trabalhassem na agricultura e na criação de animais. E, por isso, era comum encontrar criadores de bodes e ovelhas em Israel, até porque esses dois animais faziam parte dos rituais ordenados por Deus aos israelitas na Lei Mosaica, para a expiação dos pecados do povo.

Então, como a convivência com esses e outros tipos de animais fazia parte do dia a dia das pessoas, Cristo utilizou algo que era rotineiro na realidade da época, para ensinar o povo sobre o Reino e a Justiça de Deus.

Se procurarmos na internet, certamente encontraremos vários textos e vídeos mostrando as diferenças que existem no comportamento de ovinos e caprinos, e também várias pregações mostrando que ovelhas e bodes representam verdadeiros e falsos cristãos, respectivamente, por causa de suas características comportamentais.

Contudo, no trecho que estamos analisando, o Mestre está esclarecendo como será o momento em que Ele vai resgatar seu povo dentre as nações. Jesus está, tão somente, fazendo uma analogia ao momento em que o pastor separa as ovelhas dos bodes no curral. O processo de separação entre esses animais precisava acontecer todos os dias e fazia parte da rotina dos pastores.

Ovinos e caprinos podem conviver num mesmo curral, e é comum observarmos essa prática em países onde a criação desses animais faz parte de sua cultura e subsistência. Esses bichos, no geral, convivem bem no pasto, no entanto, há uma característica neles em particular que exige um certo cuidado do pastor, após conduzi-los de volta ao curral, no fim do dia: ovinos e caprinos não se dão bem quando estão confinados.

Ao voltarem para o curral, se o pastor não separa esses animais e os dois rebanhos permanecem juntos durante à noite, ao amanhecer, ovelhas podem ser encontradas mortas ou gravemente feridas devido às agressões sofridas pelos ataques dos bodes. Por isso, ao serem conduzidos pelo pastor ao aprisco, os dois rebanhos precisam ser separados, a fim de evitar prejuízos.

No trecho em questão, portanto, Cristo diz que, na Sua vinda, Ele vai separar as nações umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos bodes. Isso quer dizer que Cristo vai dar fim ao sofrimento do seu povo, para sempre, resgatando-o dentre todas as nações da terra.

Devemos lembrar que o retorno de Cristo acontecerá no ápice da grande tribulação, onde os cristãos estarão numa situação de muita aflição, devido à forte perseguição que o anticristo promoverá aos que seguem Jesus.

Então, não é à toa que o Mestre compara a separação entre ovinos e caprinos, quando são criados juntos, com o momento do juízo final. A situação na qual o povo de Deus ficará, durante o tempo do anticristo, será semelhante a das ovelhas confinadas com bodes num curral, onde correm o risco de serem atacadas, feridas e mortas, sem terem como se defender.

O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão, dia de toques de trombeta e gritos de guerra contra as cidades fortificadas e contra as torres elevadas. (Sofonias 1:14-16)

Nessa passagem bíblica, as "cidades fortificadas" (Jeremias 1:18, Salmos 28:8) e as "torres elevadas" (Provérbios 18:10, Cânticos 7:4), ditas pelo profeta, se referem ao povo de Deus.

Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia tal como nunca houve desde o início das nações e até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto.(Daniel 12:1)

Portanto, essa situação complicada já está predita e vai acontecer, apesar de não ser a perfeita vontade de Deus para os seus filhos, e a igreja realmente terá que passar por essa fase.

Mas, graças à intervenção do Pai, será por pouco tempo! Por isso, é muito importante que antes desses momentos difíceis começarem a acontecer, que os cristãos se fortaleçam no conhecimento do Reino e da Justiça de Deus, contidos no ensino de Cristo, para que não entrem em desespero e continuem em paz até seu retorno.

Prosseguindo com nosso estudo, após dizer que vai separar seu povo dentre as nações, o Mestre deixa claro, falando da maneira como fará tal separação, que negligenciar conscientemente a assistência necessária aos que se dedicam ao trabalho de anunciação do Reino resulta em condenação.

Para o Pai, quem escolhe não ajudar um servo d'Ele em suas necessidades, podendo fazê-lo, está deixando de colaborar com sua obra voluntariamente, ou seja, está deixando de servir ao próprio Rei Jesus. E é essa a característica que condenará os "bodes", que estarão à esquerda do Rei Jesus:

Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’.

O Apóstolo Tiago esclarece bem esse assunto, onde um dos trechos mais marcantes de sua carta trata exatamente disso. Vejamos a seguir:

Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade; porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo! De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. (Tiago 2:12-17)

O Apóstolo João também discorre sobre esse tema, porém, explicando-o pelo ângulo do "amor de Deus", que é a Sua Justiça – o conjunto de leis e preceitos que regem o Seu Reino. Abaixo seguem dois trechos importantes de sua primeira carta dirigida aos cristãos de sua época. O primeiro é este:

Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram. (1 João 2:9-11)

E logo depois, vemos o segundo:

Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus; e também quem não ama seu irmão.

Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. (...) Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo.

Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?

Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (1 João 3:10-18)


Missionária Oriana Costa

segunda-feira, 26 de julho de 2021

A parábola dos talentos - Mateus 25 - Parte 2


No texto anterior onde estudamos a "parábola das dez virgens" (clique aqui para saber mais), que dá início ao capítulo 25 do Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus começa a explicar como será o juízo que acontecerá após o seu retorno. 

Contudo, é bom lembrar que, nas parábolas, o foco sempre é sobre aqueles que se dizem cristãos ou seguidores de Cristo, mostrando que tais indivíduos passarão por um julgamento diferente daquele que está reservado para os de fora da fé. Isso acontece por causa da responsabilidade que foi confiada à igreja por Deus, que é anunciar a mensagem do Evangelho ao mundo (Mateus 28:18-20; Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-49; João 20:21).

Assim, na parábola das dez virgens, o Senhor nos mostra a primeira causa que levará muitos dos que se dizem "servos de Deus" a perderem a herança da vida eterna: eles estarão vivendo de acordo com os princípios da maldade do mundo e não estarão buscando a compreensão do Reino de Deus e de Sua reta justiça, apesar de estarem dentro das congregações.

Então, Cristo conta-lhes a parábola dos talentos, desta vez mostrando a segunda causa que fará muitos dos que se denominam cristãos ficarem de fora de Seu Reino. Vejamos abaixo a história completa:

E também será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um; a cada um de acordo com a sua capacidade. Em seguida partiu de viagem. 
O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente, aplicou-os, e ganhou mais cinco. Também o que tinha dois talentos ganhou mais dois. Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Depois de muito tempo o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles. O que tinha recebido cinco talentos trouxe os outros cinco e disse: ‘O senhor me confiou cinco talentos; veja, eu ganhei mais cinco’. "O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!' 
Veio também o que tinha recebido dois talentos e disse: ‘O senhor me confiou dois talentos; veja, eu ganhei mais dois’. O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’ 
Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’. 
O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. ‘Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes’ . (Mateus 25:14-30)

Antes de chegar a Jerusalém, quando estava em Jericó, hospedado na casa de Zaqueu, o Senhor Jesus contou ali uma parábola similar a esta segunda, que usou para ensinar seus discípulos no monte das oliveiras. Ela pode ser lida em Lucas 19:11-27.

Prosseguindo com a interpretação da parábola, precisamos saber que “bens” são esses aos quais o Senhor Jesus se refere. Para isso, vejamos os dois trechos abaixo:

Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. (...) A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum. Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de conhecimento, pelo mesmo Espírito; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; (...). Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer. (1 Coríntios 12:4-11)

Portanto, na parábola dos talentos, o Senhor mostra que muitos são abençoados com certos dons para "o bem comum". Isso quer dizer que certas pessoas recebem capacitação para anunciarem o Reino de forma diferenciada, alcançando públicos diversos, e, também, para poderem cuidar uns dos outros nas congregações a fim de manterem-se no foco estabelecido por Deus, que é a esperança da Glória. É assim que estes indivíduos devem dar os frutos que Deus anseia colher deles. 

Sempre que alguém ATENDE AO CHAMADO DE DEUS PARA A SUA VIDA, inevitavelmente vai acabar usando as virtudes com as quais foi capacitado pelo Senhor para fazer a Sua obra onde estiver.

Quando alguém não usa os dons que tem para anunciar o Reino de Deus, seja porque está usando esses dons no mundo e não quer atender ao chamado, seja porque está fingindo atender ao chamado – atraindo pessoas para si, e não para Deus–, tal pessoa está agindo segundo a maldade, e, portanto, está NEGANDO A CRISTO, ESTÁ CONTRA ELE. Tal indivíduo não herdará a vida eterna, de acordo com as explicações do Senhor nessa segunda parábola.

Portanto, o "servo mau" da parábola foi condenado exatamente porque não usou o talento que lhe fora confiado, da forma que seu senhor esperava que ele fizesse. Jesus mostrou que um coração que está pronto a obedecer a autoridade não vai julgar se quem está sobre ele está agindo bem ou mal, mas vai se submeter de bom grado e fazer sua parte da melhor maneira possível.

É por isso que, apesar daquele servo entregar ao seu senhor o talento da mesma forma que recebeu, foi considerado mau, pois não estava disposto a servir, e servir era o seu trabalho. 

Outro ponto a se considerar, é que o servo mau pareceu não saber como o seu senhor lhe trataria quando voltasse, agindo como se não o conhecesse. No entanto, ele conhecia muito bem o seu Senhor, e se entregou quando disse Eu sabia que o senhor é um homem severo... Nas palavras  do senhor da parábola... "você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei". 

Então, quanto mais conhecimento, dons ou talentos alguém recebe de Deus, maior é a responsabilidade que tem diante d'Ele de frutificar, visto que todos os que estão envolvidos em Sua obra sabem quem Ele é.

De acordo com a parábola, quando uma pessoa frutifica de acordo com as virtudes que lhe foram dadas, receberá como recompensa algo maior do que o esperado, visto que lhe será acrescentado os valores reservados para aqueles que não usaram seus dons devidamente. É por isso que Cristo diz "a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado".

Com relação ao tipo de recompensa que será dada aos que frutificaram, além da imortalidade, da segurança, da alegria, da paz e da abundância de bens infinitos, que fazem parte da glória do Reino de Deus (Romanos 2:6,7), essas pessoas também receberão de Deus autoridade e sabedoria para governar  sobre cidades e até nações inteiras, de acordo com a outra versão dessa parábola, que citei anteriormente (Lucas 19:11-27).

Podemos encontrar outros trechos que falam sobre esse assunto em Apocalipse 2:26; Apocalipse 3:21; Apocalipse 5:10; 1Corintios 6:2,3.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 28 de junho de 2021

A parábola das dez virgens - Mateus 25 - Parte 1


Após falar sobre os sinais dos tempos e o que aconteceria na iminência de seu retorno – no capítulo 24 do Evangelho de Mateus –, Cristo continua ensinando a seus discípulos sobre o "dia do juízo". Assim, o capítulo 25 de Mateus contém explicações do Senhor Jesus especialmente sobre o que acontecerá após o Seu retorno, no momento em que julgará as coisas relativas à Sua igreja e ao mundo.

Vamos começar analisando a primeira parte desse capítulo, que se inicia com a Parábola das Dez Virgens:

O Reino dos céus, pois, será semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo consigo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas juntamente com suas candeias. O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram. 
À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo!’ Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’. Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês’. 
E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!' Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço!’ Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora! (Mateus 25:1-13)

Antes de iniciarmos a interpretação desse trecho, é necessário conhecermos os significados de algumas palavras e expressões contidas nele, a fim de que tenhamos um entendimento mais claro acerca das lições que o Senhor nos transmite.

Logo no início da história, o Mestre alerta que cinco virgens eram prudentes e cinco insensatas. Diante disso, precisamos ter uma ideia do que é a prudência e a insensatez, às quais Ele se refere. Sobre isso, encontramos vários trechos esclarecedores na própria Bíblia, dentre os quais, seguem dois deles abaixo:

Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez. (Provérbios 13:16)

Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. (Mateus 7:24)

A prudência, portanto, está ligada à aquisição do conhecimento do Reino de Deus e de sua Justiça, que são revelados à igreja por Jesus. Quem busca esses conhecimentos e constrói sua vida sobre eles está firmado e seguro em Cristo, de forma que não se afligirá em circunstâncias difíceis.

A insensatez, por conseguinte, é o contrário dessa situação, onde os indivíduos não valorizam a sabedoria de Deus e não buscam conhecer a verdade, para firmarem suas vidas nela. Dessa maneira, entendemos que as cinco virgens prudentes são pessoas que buscam o entendimento do Reino e da Justiça de Deus, e as insensatas, não.

A segunda coisa que o Senhor diz é com relação às candeias que as moças tinham para iluminar o lugar onde esperavam pelo noivo e que, depois, quando Ele surgisse, serviriam para clarear o caminho que fariam até Ele. Quando as prudentes se levantaram para encontrar o noivo, levaram óleo extra para suas candeias, mas as insensatas não levaram.

Sobre as "candeias" (ou "lâmpadas") e o "óleo" (ou "azeite") usado dentro delas, também há alguns trechos no Antigo e no Novo Testamento que revelam do que se tratam. Vejamos a seguir alguns deles:

O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, e vasculha cada parte do seu ser. (Provérbios 20:27)

Separem dentre os seus bens uma oferta para o Senhor. Todo aquele que, de coração, estiver disposto, trará como oferta ao Senhor ouro, prata e bronze; (...) óleo para a iluminação; (...). (Êxodo 35:5-8)

A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho. (Salmos 119:105)

A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes. (Salmos 119:130)

Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força. (Efésios 1:18,19)

Assim sendo, as candeias e o óleo usado dentro delas para a iluminação são, respectivamente, o coração do homem e o conhecimento da Justiça de Deus ou o conhecimento de Cristo. Algumas interpretações sugerem que o óleo da candeia é o Espírito Santo, dando a entender que as cinco virgens prudentes estavam cheias do Espírito e, por isso, conseguiram chegar até o Noivo.

De fato, quem busca conhecer a verdade, dentre outras coisas, buscará estar cheio do Espírito Santo, que no Antigo Testamento é representado pelo óleo da unção. As Escrituras nos mostram que haviam dois tipos de óleo no tabernáculo de Moisés: o óleo para a iluminação e o óleo da unção (veja em Êxodo 35:8 e Êxodo 25:6). O primeiro faz alusão ao conhecimento de Deus, e o segundo, ao seu poder e autoridade, além de representar o Espírito de Deus. No caso dessa parábola, se trata do óleo usado como combustível para produzir luz.

As dez virgens simbolizam a igreja do Senhor na Terra, onde uma parte dela permanecerá firmada em Cristo, e a outra não vai perseverar.

Sobre a afirmação "o noivo demorou a chegar", se trata do longo tempo que vai levar para o retorno de Cristo, pois observamos que, desde a Sua morte e ressurreição até agora, já se passaram mais de dois mil anos.

Essa demora fez com que "as virgens adormecessem" – e aqui Cristo estava profetizando que, depois da destruição de Jerusalém, a igreja continuaria crescendo, porém, dispersa pelo mundo e desligada do tempo, por estar ocupada com as coisas dessa vida e desinformada sobre a realidade do Reino. Por causa dessa desinformação, que se estendeu por séculos, a igreja não avançou no conhecimento da justiça de Deus, pois o ensino de Cristo ficou ocultado da maioria das pessoas pelas lideranças religiosas/governamentais cristãs que dominaram o mundo, especialmente na idade média.

Nesse intervalo, muitos eventos aconteceram e muitos sinais que mostram a proximidade da vinda do Senhor foram e continuam sendo dados ao longo dos séculos, como Ele mesmo explicou no capítulo 24 deste mesmo evangelho. 

No entanto, apesar de não saber se o dia do retorno de Jesus estaria mais perto ou não, e também de não estarem plenamente conscientes dos sinais preditos por Cristo e pelos Apóstolos, uma parte dessas pessoas continuou vigiando, e perseverou em aprender e praticar o pouco conhecimento que acessaram acerca do Reino de Deus. 

Com a chegada da Bíblia Sagrada, que aos poucos foi sendo difundida pelo mundo, e agora está disponível em praticamente quase todas as línguas existentes no planeta atualmente, o Senhor Jesus segue preparando progressivamente a Sua Igreja para a Sua volta. 

Ele vem preparando o seu povo para a realidade de seu Reino que ficará visível a todos, e será restabelecido definitivamente na terra, e também segue alertando os seus para a necessidade de avisar ao mundo sobre esse evento tão importante, que é a vinda definitiva do Seu Reino, através da evangelização.

E conforme essa preparação vai progredindo, as dez virgens vão caminhar juntas até o dia do grito: "O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo"! Então, é nesse momento que a igreja deverá passar pelo ápice da grande tribulação, apontada por Jesus em Mateus 24.

Embora as cordas dos ímpios queiram prender-me, eu não me esqueço da tua lei. À meia-noite me levanto para dar-te graças pelas tuas justas ordenanças. (Salmos 119:61,62)

Portanto, nesse caso, o grito dado à meia-noite para avisar as moças que o noivo está se aproximando representa o início do reinado do Homem do pecado ou Anticristo em todo o mundo (ele é a besta que sobe do abismo - Ap 11:7, Ap 17:8), onde a verdadeira igreja do Senhor (virgens prudentes) deverá estar bem preparada no conhecimento da justiça de Deus (óleo extra), a fim de passar por essa fase, sem se deixar levar pela influência do mal.

De acordo com o que vimos parágrafos acima, esse conhecimento que a igreja do Senhor deverá possuir nesse período difícil não poderá ser adquirido instantaneamente. As pessoas vão precisar buscar por ele muito antes, ao longo dos anos, usando o meio que o Senhor disponibilizou para que todos possam se preparar: a Bíblia Sagrada Cristã.

E é assim que, na fase mais complicada que os cristãos deverão enfrentar no mundo, eles estarão com suas vidas fortemente alicerçadas no Reino de Deus, não se deixando abalar pelas más notícias nem se influenciando pelas sutilezas da perversão.

É por isso que, depois do aviso de que "o noivo se aproxima", as virgens prudentes dizem às insensatas que não podem compartilhar o óleo com elas e pedem para que estas vão comprá-lo. Nesse momento, acontecerá uma separação em todo o mundo entre os cristãos que realmente creem na mensagem do Reino e esperam o retorno do Rei Jesus, daqueles que não creem, e esse será um evento que acontecerá com muito sofrimento.

Compre a verdade e não abra mão dela, nem tampouco da sabedoria, da disciplina e do discernimento. (Provérbios 23:23)

O "vão comprar" – dito pelas virgens prudentes –, portanto, se refere à dedicação e ao esforço que empenhamos em meditar nas Escrituras, extraindo delas o conhecimento e o entendimento da justiça de Deus. Na época em que o "Homem do pecado" estiver no poder, mais do que nunca, os cristãos em todo o mundo vão precisar estar bem convictos de sua fé, caso contrário irão se comportar como as virgens insensatas. 

As insensatas deixaram para adquirir óleo, que era necessário para continuarem com suas candeias acesas, apenas no momento mais próximo à chegada do noivo. Essas moças representam todos aqueles indivíduos que estarão se dizendo cristãos, na iminência do retorno de Cristo, mas não estarão dando ouvidos ou não valorizarão Seu ensino. Por isso, eles vão desprezar os sinais da vinda do Senhor e estarão vivendo de acordo com as filosofias do anticristo, apesar de usarem o conteúdo das Escrituras e, aparentemente, se comportarem como servos de Deus.

É por este motivo que, quando as virgens insensatas conseguem chegar ao local do banquete e pedem para entrar, o Noivo diz que não as conhece.

Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! (Mateus 7:21-23)

O que acontece, no momento em que as virgens insensatas vão comprar o óleo, é que elas vão tentar adquiri-lo no mundo, que é o lugar onde suas vidas estão alicerçadas. Esse óleo (que representa conhecimento e sabedoria divinos) oferecido pelo mundo é "misturado" ou "pervertido", e não é suficiente para fazer com que elas voltem à tempo de entrarem juntas com as virgens prudentes no banquete nupcial. Elas voltam atrasadas e enganadas, achando que o Noivo terá misericórdia e abrirá a porta para elas.

Isso quer dizer que, no dia em que o Rei voltar, as virgens insensatas não estarão em unidade com as virgens prudentes, e não estarão, assim como estas, vivendo pela fé ou vivendo segundo os preceitos do Reino de Deus ensinados por Cristo! Muitas pessoas se enganam, não entendendo o que Cristo ensina, e acham que viver pela fé é agir de forma religiosa ou mística, e esse equívoco vai levar muitos a ficarem fora do Reino de Deus em definitivo no Dia do retorno de Jesus.

Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais (...), tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes. São estes os que se introduzem pelas casas e conquistam mulherzinhas sobrecarregadas de pecados, as quais se deixam levar por toda espécie de desejos. Elas estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade. Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos. (2 Timóteo 3:1-9)

(...) os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. (2 Timóteo 3:13)

Quando o Apóstolo Paulo, em sua segunda carta à Timóteo, diz que "nos últimos dias os homens serão egoístas, avarentos, (...)", ele não está falando das pessoas do mundo, e sim de pessoas que se intitulam cristãs(!), mas estarão totalmente fora da realidade do Reino de Deus. Essa fala de Paulo caracteriza, portanto, o comportamento das cinco virgens insensatas: elas terão uma "aparência de piedade", mas negarão a Cristo com seu procedimento.

Para fechar nosso estudo, no livro de Apocalipse, há também um trecho que diz o seguinte, especialmente sobre o comportamento das virgens insensatas:

Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apocalipse 3:14-22)

Ironicamente, a palavra Laodicéia (ou Laudicéia), de origem grega, significa "aquela que é justa com sua comunidade" ou "pessoa sensata e prudente, que não admite desacordos e é firme em seus propósitos".

Notamos que, ao "anjo" desta igreja, em particular, é dirigida uma exortação contundente da parte do Rei Jesus Cristo, onde Ele considera essa congregação "miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua". 

À título de esclarecimento, é bom entendermos que, quando o Senhor se dirige ao anjo da igreja, na verdade, ele está se dirigindo às lideranças que estarão à frente das igrejas cristãs em determinado momento.

Podemos notar também, nesse trecho, que o Senhor alerta essas pessoas para "comparem d'Ele" ouro refinado no fogo para enriquecerem, roupas brancas para cobrirem a nudez, e colírio, para poderem enxergar. Essas três coisas, segundo o que consta no conteúdo das Escrituras, se referem ao conhecimento do Amor ou da Justiça de Deus.

Portanto, Cristo está avisando a esses indivíduos do seu descaso em relação à aquisição da Sua sabedoria, e que isso os está levando a serem "mornos" na fé, ou seja, eles estão dizendo uma coisa e fazendo outra, estão se declarando cristãos, mas não agem conforme, "tendo uma aparência de piedade, mas negando seu poder".

Esse comportamento morno, o qual Deus reprova, está em plena concordância com aquele declarado pelo Apóstolo Paulo, sobre como a maioria dos cristãos viveria nos últimos dias, de acordo com os trechos de 2Timóteo, capítulo 3, que lemos alguns parágrafos acima. Essa forma de viver mostra que Cristo está fora da maioria das igrejas dessa época, por isso Ele diz: "Eis que estou à porta e bato". 

Por fim, o Rei Jesus encerra o aviso ao anjo da Igreja de Laodicéia, dizendo que aquele que vencer vai adquirir o direito de sentar-se com Ele em Seu trono. Isso significa que essa igreja, a que enfrentará os últimos dias antes da sua vinda, se perseverar vai receber a maior recompensa oferecida pelo Senhor, que é governar as nações ao lado d'Ele (entenda melhor lendo a Parábola dos trabalhadores na vinha).

Assim como nas épocas anteriores, especialmente na época em que o "Homem do pecado" estiver ocupando seu lugar no mundo, a igreja terá que continuar perseverando em manter-se firme na verdadeira fé, contudo, nesse tempo, será necessário focar nisso muito mais do que nos tempos anteriores, visto que a maldade estará maior e agindo com mais força sobre terra, e por causa dela muitos vão sucumbir à influência do Anticristo e cairão rápido na apostasia.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2

Novo texto em construção. Aguardem a postagem! 😉👍🏻