terça-feira, 14 de junho de 2022

João Batista, a voz que clama - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - Parte 1


Aqui vamos analisar o trecho do terceiro capítulo do Evangelho de Mateus onde João Batista é citado. 

Antes de seguirmos com nosso estudo, vamos falar um pouco da preparação para a chegada do bebê João Batista e lembrar como foi seu nascimento. Ele era primo em segundo grau de Jesus pelo lado materno, pois Isabel (ou Elisabete segundo a versão King James), sua mãe, era prima em primeiro grau de Maria, mãe de Jesus, segundo os relatos das versões King James e Almeida corrigida fiel. 

Assim como Jesus foi gerado no ventre de Maria de forma sobrenatural, a concepção de João Batista também aconteceu pelo poder de Deus, pois sua mãe era estéril e já tinha idade avançada. E assim como Maria recebeu a visita de um anjo que veio avisá-la do que estava para acontecer, Zacarias, que era o pai de João, também recebeu a visita do mesmo anjo, que lhe falou sobre a gravidez de Isabel. Vejamos o relato abaixo, que é encontrado somente no Evangelho de Lucas:

"No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril; e ambos eram de idade avançada. Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias estava servindo como sacerdote diante de Deus. (...) Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor". Zacarias perguntou ao anjo: "Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada". O anjo respondeu: "Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno". (...) Depois disso, Isabel, sua mulher, engravidou e durante cinco meses não saiu de casa. E ela dizia: "Isto é obra que o Senhor fez! Agora ele olhou para mim com favor, para desfazer a minha humilhação perante o povo."(Lucas 1:5-25)

Quando Isabel estava no sexto mês de gestação, Maria, que era virgem e estava em Nazaré, engravidou pelo poder de Deus (Lc 1:26-38). E ela só soube da gravidez de sua prima por ter sido avisada pelo anjo Gabriel, que também lhe apareceu, assim como apareceu ao sacerdote Zacarias. Assim, Maria decidiu ir averiguar a situação, e viajou para a Judéia a fim de visitar sua prima, como veremos no trecho abaixo:

"Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para a uma cidade da região montanhosa da Judéia, onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: "Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz! Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está em meu ventre agitou-se de alegria. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!" (Lucas 1:39-45)

João Batista, portanto, nasceu primeiro que Jesus. No dia da sua apresentação no templo e circuncisão, que segundo os costumes judaicos acontece ao oitavo dia de nascido dos meninos (veja em Gn 17:10-13), Zacarias, seu pai, voltou a falar sobrenaturalmente. Vejamos o trecho abaixo, segundo o relato de Lucas:

"Ao se completar o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho. Seus vizinhos e parentes ouviram falar da grande misericórdia que o Senhor lhe havia demonstrado e se alegraram com ela. No oitavo dia foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias; mas sua mãe tomou a palavra e disse: "Não! Ele será chamado João". Disseram-lhe: "Você não tem nenhum parente com esse nome". Então fizeram sinais ao pai do menino, para saber como queria que a criança se chamasse. Ele pediu uma tabuinha e, para admiração de todos, escreveu: "O nome dele é João". Imediatamente sua boca se abriu, sua língua se soltou e ele começou a falar, louvando a Deus. Todos os vizinhos ficaram cheios de temor, e por toda a região montanhosa da Judéia se falava sobre essas coisas. Todos os que ouviam falar disso se perguntavam: "O que vai ser este menino?" Pois a mão do Senhor estava com ele. Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou: (...) E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz". E o menino crescia e se fortalecia no espírito; e viveu no deserto, até aparecer publicamente a Israel. (Lucas 1:57-80)

Uma curiosidade: muito provavelmente, Maria esteve presente no nascimento de João Batista, e também testemunhou o que aconteceu no dia de sua apresentação no templo, pois a duração da visita que fez a sua prima foi cerca de três meses, que era o tempo que restava até que Isabel desse à luz o futuro profeta João Batista (veja em Lc 1:56). 

Agora, vamos analisar aquilo que o Evangelho de Mateus mostra sobre o ministério de João Batista, comparando também com as informações complementares contidas nos outros três evangelhos. Vejamos o trecho abaixo:

"Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’". As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga." (Mateus 3:1-12)

Sobre o trecho do profeta Isaías que fala do momento em que João Batista anunciaria a chegada do Messias, vejamos abaixo:

"Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Encoragem a Jerusalém e anunciem que ela já cumpriu o trabalho que lhe foi imposto, pagou por sua iniqüidade, e recebeu da mão do Senhor em dobro por todos os seus pecados. Uma voz clama: "No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. Todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas. A glória do Senhor será revelada, e, juntos, todos a verão. Pois é o Senhor quem fala"." (Isaías 40:1-5)

Assim como o trecho acima, existem outros no Antigo Testamento que falam da vinda de João Batista a fim de preparar Israel para receber o Cristo, como podemos ler em Salmos 85:12,13. Alguns parágrafos abaixo também veremos outra referência, no livro do profeta Malaquias, que também avisa sobre o mensageiro João.

João iniciou seu trabalho na cidade de Betânia, na região da Judéia, proclamando a chegada do Reino dos céus (ou Reino de Deus) para os israelitas, e isso tinha a ver com a proximidade da iniciação do ministério de Jesus em Israel. Até aquele momento, o Cristo vivia ocultado de todos, mas a partir da hora em que o profeta João passou a anunciá-lo, o nosso Salvador começou a ficar conhecido.

No Evangelho de Marcos, há um trecho similar ao que lemos em Mateus, com uma informação adicional:

"Conforme está escrito no profeta Isaías: "Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho"— "voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ ". Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão." (Marcos 1: 2-5)

No trecho acima, na verdade, não existe apenas a citação do profeta Isaías, que também aparece no Evangelho de Mateus, mas antes dela há uma citação do profeta Malaquias, que tanto se refere à vinda de João Batista quanto à chegada do Messias:

"Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 3:1)

Lendo o Evangelho de Lucas, encontramos ainda outras informações sobre quem eram os governadores romanos de cada região de Israel, e quem eram os sumos sacerdotes no trabalho templário quando o profeta João Batista apareceu anunciando a vinda do Messias:

"No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes, tetrarca da Galiléia; seu irmão Filipe, tetrarca da Ituréia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene; Anás e Caifás exerciam o sumo sacerdócio. Foi nesse ano que veio a palavra do Senhor a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Como está escrito no livro das palavras de Isaías, o profeta: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. Todo vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas serão endireitadas e os caminhos acidentados, aplanados. E toda a humanidade verá a salvação de Deus’"." (Lucas 3:1-6)

No trecho do Evangelho de Mateus que lemos alguns parágrafos acima, observamos que muitos israelitas estavam recebendo a mensagem de João, pois criam nas profecias que avisavam sobre a vinda do Messias. No meio dessas pessoas que vinham procurar o profeta, também estavam os fariseus e saduceus. 

Ao vê-los, João ficou indignado, chamando-os de "raça de viboras", porque eles agiam traiçoeiramente. Ao se declararem servos do Senhor, contudo, rejeitando e distorcendo muitas de suas ordenanças e ensinando o povo a fazer o mesmo, mais tarde eles iriam incitar as pessoas a odiar, perseguir e desejar a morte de Jesus. Contudo, não foram somente os fariseus e saduceus que procuraram o profeta, mas também os sacerdotes e levitas o fizeram, segundo observamos no Evangelho de João, como veremos a seguir.

"Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: "Não sou o Cristo". Perguntaram-lhe: "E então, quem é você? É Elias?" Ele disse: "Não sou". "É o Profeta?" Ele respondeu: "Não". Finalmente perguntaram: "Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio?" João respondeu com as palavras do profeta Isaías: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’ ". Alguns fariseus que tinham sido enviados interrogaram-no: "Então, por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?" Respondeu João: "Eu batizo com água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem. Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar". Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando." (João 1:19-28)

De fato, João era um profeta, conforme o próprio Cristo confirmou (Mateus 11:8,9), mas não "o profeta" ao qual os fariseus se referiam. Equivocadamente, as lideranças religiosas de Israel acreditavam que alguém semelhante ao próprio Moisés viria para anunciar a chegada do Messias, por causa de um determinado episódio que podemos ler no livro de Deuteronômio:

"O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no. Pois foi isso que pediram ao Senhor, ao seu Deus, em Horebe, no dia em que se reuniram, quando disseram: "Não queremos ouvir a voz do Senhor, do nosso Deus, nem ver o seu grande fogo, se não morreremos!" O Senhor me disse: "Eles têm razão! Levantarei do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Se alguém não ouvir as minhas palavras, que o profeta falará em meu nome, eu mesmo lhe pedirei contas." (Deuteronômio 18:15-19)

O problema dos fariseus com o trecho acima é que eles pensaram que "o profeta" ao qual Moisés se referiu era o mesmo mensageiro que viria antes do Messias para anunciar a Sua chegada. No entanto, esse profeta descrito em Deuteronômio está se referindo ao próprio Cristo.

Por causa desse equívoco, muitos acreditavam que Jesus Cristo era esse tal profeta que os fariseus imaginavam, ou mesmo mais outro enviado como um dos antigos profetas, como podemos ver em alguns trechos dos evangelhos (Mateus 21:10,11; Marcos 6:15), e não acreditavam que Jesus era o Messias que eles deveriam estar aguardando. 

No livro de Atos, um dos discípulos que ajudavam os Apóstolos no trabalho de distribuição de mantimentos para as viúvas e órfãos, chamado Estêvão, antes de ser assassinado por apedrejamento pelos fariseus, falou-lhes quem era o profeta sobre o qual Moisés se referiu:

"Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis." (Atos 7:37, ACF)

Agora vamos analisar algumas falas do profeta João Batista, como, por exemplo, "Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga", ao falar de Jesus. Tais palavras não são necessariamente a citação de alguma profecia específica do Antigo Testamento, no entanto, é uma compilação de alguns trechos de várias partes proféticas das escrituras que se relacionam a Cristo. 

Duas palavras dadas aos israelitas, uma dada pelo profeta Malaquias e outra pelo profeta Oséias, se enquadram na mensagem da "pá e do fogo que nunca se apaga":

"Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 4:1)

"Por isso levarei o meu trigo quando ele ficar maduro, e o meu vinho quando ficar pronto. Arrancarei dela minha lã e meu linho, que serviam para cobrir a sua nudez." (Oséias 2:9)

Quanto as palavras "o machado está posto à raiz das árvores...", muito provavelmente está fazendo alusão a um trecho do livro do profeta Isaías, que diz:

"Vejam! O Soberano, o Senhor dos Exércitos, cortará os galhos com grande força. As árvores altivas serão derrubadas, as altas serão lançadas por terra. Com um machado ele ceifará a floresta; o Líbano cairá diante do Poderoso." (Isaías 10:33,34)

Com relação à vestimenta do profeta e seus hábitos alimentares, descritos em Mateus 3:4 e Marcos 1:6, são informações importantes para entendermos onde João Batista morava ou mesmo passava a maior parte do seu tempo. As roupas e alimentos consumidos pelo profeta eram característicos de alguém que vivia no campo, afastado da parte mais urbana das cidades da Judéia. Os pastores de ovelhas daquela época, por exemplo, tinham hábitos similares aos de João.

Algumas pessoas costumam interpretar que a palavra "gafanhotos" relacionada a um dos alimentos que João Batista comia regularmente, está se referindo a um alimento vegetal e não a um inseto, como a própria palavra sugere, e que o profeta era vegetariano. Porém, essas informações não são verdadeiras. Vejamos esse mesmo trecho de Mateus 3:4 na versão King James:

"E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e o seu alimento era locustas e mel silvestre." 

O significado da palavra "locusta", de acordo com o Dicio (Dicionário On Line de Português) é "grande gafanhoto do gênero Locusta, com uma única espécie, largamente conhecido por destruir plantas e plantações; gafanhoto-do-deserto".

A palavra usada no original grego nesse trecho da escritura é ἀκρίς - cuja pronúncia é "akris", e signigica literalmente "gafanhoto", um inseto que é comum em países orientais e, quando infesta esses locais, é capaz de destruir plantações e árvores.

Então, as escrituras bíblicas nas suas mais variadas versões estão sendo claras em nossa língua, quando falam que o profeta João Batista comia realmente um inseto comum da sua região, chamado gafanhoto.

Para finalizar nosso estudo, agora vamos fazer uma análise sobre qual era a missão de João Batista, que estava diretamente ligada à mensagem que ele ia divulgando. Quando o anjo Gabriel apareceu a Zacarias para anunciar a gravidez de sua esposa Isabel, ele avisou para quê aquele bebê havia sido chamado por Deus:

"Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor."(Lucas 1:15-17)

Ao falar com Zacarias naquele momento, o anjo cita um trecho do livro do profeta Malaquias, que diz:

"Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição." (Malaquias 4:5,6)

Portanto, a missão de João Batista era preparar os israelitas e também os prosélitos da fé judaica que estavam em Israel, para receber a justificação de seus pecados a fim de poderem entrar no Reino dos céus. Ele cumpria esse chamado avisando e conscientizando as pessoas de que todos estavam transgredindo a reta justiça de Deus, e que, por isso, precisavam se arrepender sinceramente, e buscar se adequar a ela de todo o coração. Abaixo segue um trecho do Evangelho de Lucas onde vemos um pouco do que o profeta dizia ao povo:

"João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo". "O que devemos fazer então? ", perguntavam as multidões. João respondia: "Quem tem duas túnicas reparta-as com quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo". Alguns publicanos também vieram para serem batizados. Eles perguntaram: "Mestre, o que devemos fazer?" Ele respondeu: "Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado". Então alguns soldados lhe perguntaram: "E nós, o que devemos fazer? " Ele respondeu: "Não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário". O povo estava em grande expectativa, questionando em seus corações se acaso João não seria o Cristo." (Lucas 3:7-18)

Lembrando que, complementando a descrição contida em Lucas, conforme vimos parágrafos acima no Evangelho de Mateus, João não chamou todos os que vinham até ele de "raça de viboras", mas somente aqueles que exerciam influência no meio do povo, que eram os fariseus e saduceus.

Como o profeta João era cheio do Espírito Santo e tinha a mesma unção do profeta Elias, ele não somente falava ao povo com ousadia e autoridade, como também certamente muitos sinais sobrenaturais aconteciam conforme ele seguia fazendo seu trabalho, e isso fazia com que o povo acreditasse nele, provavelmente pensando que ele fosse mesmo o Messias, apesar dele avisar que não era.

No Evangelho de João, encontramos também um trecho que confirma o chamado de Deus para João Batista:

"Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João. Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem. Ele próprio não era a luz, mas veio como testemunha da luz. (...) João dá testemunho dele. Ele exclama: "Este é aquele de quem eu falei: Aquele que vem depois de mim é superior a mim, porque já existia antes de mim". (...) Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: Não sou o Cristo." (João 1:6-20)

O batismo feito por João nas águas do rio Jordão era um sinal de Deus dado através do profeta que apontava o momento em que as pessoas se arrependiam sinceramente de seus pecados, ao ouvirem João falar dos preceitos do Reino de Deus, e também que elas estavam se dispondo a receber o Messias que estava chegando ali naquele momento para justificá-los diante do Pai, perdoando-lhes, assim, os seus pecados.

O batismo nas águas, portanto, não tem poder de justificar qualquer pessoa diante do Pai, mas simboliza que esse alguém decidiu iniciar o processo de conversão da maldade do mundo para os preceitos da justiça de Deus, os quais embasam a fé cristã verdadeira.

No evangelho de João (Jo 3:22) consta a informação de que Jesus Cristo também seguiu com o ritual de batismo, fazendo descer às águas todos os que escolhiam seguí-lo, e isso sugere que os doze apóstolos de Jesus foram todos batizados por imersão, a maioria deles pelo próprio Jesus, na região da Judéia. Dois deles, que seguiam o profeta João Batista antes de seguirem a Cristo, certamente devem ter sido batizados pelo profeta João, e um deles era André, irmão de Pedro (veja em Jo 1:40)

Esse mesmo batismo por imersão continua sendo tradicionalmente feito até hoje, porém, como cumprimento de uma ordem dada pelo próprio Jesus Cristo ressurreto, antes de sua ascenção aos céus (veja em Mt 28:19). 

Desta forma, na maioria das denominações cristãs evangélicas, quando pessoas creem na mensagem de salvação e por isso se arrependem verdadeiramente dos seus pecados, decidindo receber o governo do Senhor Jesus sobre suas vidas, elas são batizadas mergulhando rapidamente todo o corpo em água, como testemunho público de suas conversões à fé cristã. 

Missionária Oriana Costa.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Ele será chamado nazareno - Considerações sobre Mateus capítulo 2 - Parte 2

Continuando nosso estudo do Evangelho de Mateus, veremos nesse texto que Jesus Cristo, assim como aconteceu quando ainda estava em formação no útero de María, que poderia ter sido apedrejada caso Deus não tivesse alertado José, continuou sofrendo perigo de morte mesmo sendo um bebê indefeso. 

Por isso, a fim de protegê-lo, o Pai guiou José a se mudar duas vezes de cidade, até que o perigo passasse. No entanto, devido à fúria de Herodes com relação ao desvio de rota dos magos e ao medo que ele tinha de que Israel fosse liberta do domínio romano, outras crianças acabaram pagando com suas vidas por causa da existência de Jesus. Vejamos o trecho a seguir:

"Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: "Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo". Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho". Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem". Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse: "Levante-se, tome o menino e sua mãe, e vá para a terra de Israel, pois estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino". Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia e foi viver numa cidade chamada Nazaré. Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno." (Mateus 2:13-23)

Após a partida dos sábios que vieram do oriente conhecer e adorar o pequeno Jesus, o Pai avisou a José que se mudasse para o Egito para que o Cristo continuasse vivo. Com isso, se cumpre a profecia do livro do profeta Oséias:

"Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho." (Oséias 11:1)

A morte das crianças de Belém e redondezas, após a fuga de José, Maria e Jesus, também foi predita no livro do profeta Jeremias:

"Assim diz o Senhor: "Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem." (Jeremias 31:15)

No trajeto de volta para Israel, depois que Herodes morreu, José tinha interesse em morar na Judéia, provavelmente em Jerusalém ou em Belém mesmo. No entanto, ao saber que o filho de Herodes, Arquelau, estava no governo da província da Judéia, ficou receoso de ir morar lá, temendo pela vida do pequeno Jesus.

Então, Deus confirmou que ainda havia perigo ali caso Jesus fosse encontrado, e conduziu a família para a província da Galiléia, de volta a cidade de Nazaré, o local de onde José e Maria saíram no momento do ressenciamento ordenado por César Augusto (Lc 2:1-7), quando Maria ainda estava grávida. Com isso cumpriu-se mais uma profecia, no entanto, essa, em especial, não se encontra clara na língua portuguesa. Após pesquisarmos no Antigo Testamento, não encontraremos nenhum trecho semelhante a "Ele será chamado Nazareno."

Como a palavra Nazaré pode significar "ramo, renovo ou rebento" no hebraico, alguns estudiosos acreditam que essa profecia está relacionada a um dos trechos do livro do profeta Isaías:

"Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor. E ele se inspirará no temor do Senhor." (Isaías 11:1-3)

Porém, há outros trechos no Antigo Testamento que fazem referência a esse significado, como veremos dois deles a seguir:

"E o Senhor me ordenou: "Tome prata e ouro dos exilados Heldai, Tobias e Jedaías, que chegaram da Babilônia. No mesmo dia vá à casa de Josias, filho de Sofonias. Pegue a prata e o ouro, faça uma coroa, e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Aqui está o homem cujo nome é Renovo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor. Ele construirá o templo do Senhor, será revestido de majestade e se assentará em seu trono para governar. E ele será sacerdote no trono." (Zacarias 6:9-13)

"Dias virão, declara o Senhor, em que levantarei para Davi um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça." (Jeremias 23:5,6)

Uma curiosidade: quando lemos o Evangelho de Lucas, nos deparamos com uma narrativa um pouco diferente daquela contida no Evangelho de Mateus, como se José não tivesse ido de Belém para o Egito, dando a entender que de Belém a família voltou para Nazaré. Vejamos o trecho abaixo:

"Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor") e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: "duas rolinhas ou dois pombinhos". (...) Depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galiléia. O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele." (Lucas 2:21-40)

Muito provavelmente, Lucas resumiu os acontecimentos e não mencionou que após a circuncisão de Jesus, a família não voltou imediatamente para Nazaré, como afirma Mateus. Se cruzarmos as informações contidas nos dois Evangelhos, vamos entender que após a circuncisão de Jesus, a família voltou a Belém, e ficou por lá até a visita dos Magos vindos do oriente.

Após essa visita, a família se mudou para o Egito, e, algum tempo depois, voltaram para a cidade de Nazaré, onde o Senhor viveu o restante da sua infância e toda a sua juventude. Quando se tornou adulto, após ser batizado por João Batista no rio Jordão, passar pela tentação no deserto e dar início ao seu ministério, Jesus foi morar sozinho em Cafarnaum (Mt 4:13).

Missionária Oriana Costa.









terça-feira, 10 de maio de 2022

Os magos do oriente - Considerações sobre Mateus capítulo 2 - Parte 1


Quando o Pai enviou Seu Filho Unigênito Jesus, Ele não fez isso para que Ele justificasse e reinasse apenas sobre os israelitas, mas o enviou para justificar e reinar sobre todas as nações da terra. Abrão, que era caldeu, e sua descendência, que mais tarde formaria a nação de Israel, foram escolhidos por Deus para divulgar isso ao mundo, até que Jesus finalmente viesse. 

Assim, com o passar dos séculos, muitos estrangeiros acreditaram no Reino de Deus e permaneceram aguardando sua vinda, tanto ao entrarem em contato com os profetas israelitas ou com os escritos que os profetas deixaram nas nações onde permaneceram cativos, quanto estando em visitação a Israel, onde passavam a conhecer e a assimilar os estatutos da Lei mosaica que os israelitas cumpriam, e que apontavam para a vinda de seu justificador no futuro. 

Desta forma, diversas pessoas de outras nações tornavam-se prosélitos da fé judaica e muitos outros estrangeiros acabavam se convertendo ao judaimo mesmo, alicerçando sua fé na esperança de herdarem o Reino de Deus no futuro.

Os Magos do oriente, portanto, eram estrangeiros que esperavam o Reino de Deus por conhecerem o pacto que Deus fez com Abrão e a promessa envolvida nessa aliança. Eles sabiam que o nascimento do Messias estava próximo por terem analisado as profecias que tiveram acesso fora de Israel, em suas próprias nações. 

Algumas das profecias que extraordinariamente apontam o momento em que o Messias nasceria em Israel foram feitas pelo profeta Daniel, no tempo em que os israelitas estiveram cativos na Babilônia (veja Daniel capítulos 7 e 8).

Vejamos abaixo o trecho do Evangelho de Mateus que mostra a chegada dos Magos a Israel:

"Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: "Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’ ". Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: "Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo". Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho." (Mateus 2:1-12)

De acordo com o texto acima, os magos vindos do oriente perceberam uma luz incomum se movimentando no céu, que eles interpretaram como sendo um sinal de que o Rei dos judeus, aquele que viria para salvar o mundo da escravidão do pecado, teria nascido. Por isso, eles decidiram seguir a luz e viajar para encontrar o Cristo e adorá-lo, pois eles desejavam o seu governo. 

As escrituras não revelam se Deus os avisou que aquela estrela diferenciada no céu era um sinal, ou eles mesmos discerniram que um sinal no céu lhes seria dado pelo conteúdo profético das escrituras.

Provavelmente, além de saberem quando o Messias iria nascer, através das profecias de Daniel, eles também conheciam as profecias de Balaão (no livro de Números) e Isaías, que falam sobre esse (provável) sinal do céu que apareceria em Israel:

"Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete." (Números 24:17)

"Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. (...) Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. (Isaías 9:1-7)

O problema foi que quando aquela comissão procurou Herodes, este não conhecia a mensagem do Reino de Deus como aqueles visitantes, e por isso não gostou da ideia de ver Israel adquirindo autonomia e se libertando do domínio romano, pois foi essa a visão que ele teve do que poderia acontecer, caso as profecias se cumprissem. Em nenhum momento passou pela cabeça de Herodes que a missão de Jesus era justificar a humanidade de suas transgressões diante do Pai, salvando-a da morte eterna.

Tampouco, naquele momento, as lideranças religiosas de Israel desejavam ser libertas do império romano, pois, além de terem perdido o entendimento do sentido da Lei Mosaica e dos rituais que praticavam, eles se acostumaram a desfrutar de regalias e lucros para manterem o povo submisso ao governo de Roma. 

Portanto, o surgimento dos magos mostra uma situação bem inusitada, onde a grande maioria dos israelitas estava totalmente alheia ao nascimento do Messias que eles deveriam estar aguardando, enquanto pessoas de outras nações estavam vigilantes esperando a vinda daquele que pagaria o preço pelos pecados de toda a humanidade, e simplesmente chegaram em Israel para ADORAR o Rei dos judeus que eles JÁ SABIAM que tinha nascido.

De fato, veremos no estudo seguinte que, quando os magos chegaram até Herodes, Jesus já devia estar próximo dos dois anos de idade.

Se o Pai não tivesse mandado os anjos avisarem os pastores israelitas que estavam nos campos próximos à cidade de Belém para virem testemunhar em primeira mão o nascimento do Cristo, as únicas pessoas que teriam testemunhado que o Cristo tinha nascido, cumprindo as profecias, seriam indivíduos vindos de outras nações, que por conhecerem e confiarem nas palavras proféticas contidas nas escrituras seguiram uma estrela no céu até chegar a Jesus.

Notamos no trecho de Mateus que lemos parágrafos acima que Herodes comunicou a chegada dos visitantes, e toda a Jerusalém ficou sabendo desse ocorrido. No entanto, apesar da notícia ter causado grande perturbação ao povo, os israelitas, e especialmente os líderes religiosos, não se moveram para ir junto com os magos a Belém verificar se realmente o Messias estava lá. Eles simplesmente ignoraram o evento.

De qualquer forma, essas coisas aconteceram para que as escrituras se cumprissem, e o Senhor Jesus realmente ficasse no anonimato até o início de seu ministério terreno.

Sobre os presentes que os magos entregaram, há uma grande ligação profética entre eles e os artefatos que eram usados no Templo em Jerusalém, que o tempo todo evocavam a necessidade de um justificador para o povo de Israel e para todas as outras nações da Terra. 

De fato, muitos objetos usados no Templo eram de ouro (confira a partir de Êxodo 25), e também havia um altar onde o incenso era constantemente queimado (Êx 30:1), e a mirra era um dos componentes principais usados na confecção do óleo da unção usado no Templo pelos sacerdotes (Êx 30:22-29).

Para finalizar nosso estudo, vamos desfazer aqui alguns mitos em relação aos magos. Em primeiro lugar, os magos não eram necessariamente reis, apesar de entregarem a Jesus presentes caros e de não encontrarem dificuldade de se dirigir a Herodes. Eles eram homens de posses, sábios, estudiosos daquele tempo, que muito provavelmente eram nativos de nações do oriente que ficavam próximas a Israel naquela época, como Egito, Pérsia, etc.. 

Em nenhum momento encontramos qualquer palavra nas escrituras onde os magos sejam chamados de reis. Inclusive, na versão King James nós podemos ler o seguinte:

"Após o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, eis que alguns sábios vindos do Oriente chegaram a Jerusalém. E, indagavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Pois do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo."

Em segundo lugar, não conta nas escrituras que os magos eram um grupo de três indivíduos nem tampouco os nomes deles são citados. De fato, não se sabe quantos homens formavam a caravana de sábios que estiveram em Israel querendo conhecer o Cristo, no entanto, podemos acreditar que eram mais de três indivíduos de diferentes nacionalidades.

Missionária Oriana Costa.


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Nascimento de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 1 - Parte 2


Dando continuidade ao nosso estudo inicial do Evangelho de Mateus, vamos fazer aqui uma análise do momento em que Maria, filha de Eli (veja a genealogia materna de Jesus em Lc 3:23) engravida pela ação do Espírito de Deus e se torna mãe de Jesus. Em seguida, também veremos as profecias que se relacionam ao evento presentes no Antigo Testamento.

Vejamos o trecho abaixo:

"Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel" que significa "Deus conosco". Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus." (Mateus 1:18-25)

O Evangelho de Mateus começa explicando como Maria engravidou de Jesus, dizendo que foi pelo Espírito Santo, mas não explica como isso aconteceu. No entanto, encontramos informações mais detalhadas sobre o evento no Evangelho de Lucas, como veremos a seguir:

"Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galiléia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: "Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!" Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim". Perguntou Maria ao anjo: "Como acontecerá isso, se sou virgem?" O anjo respondeu: "O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é impossível para Deus". Respondeu Maria: "Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra". Então o anjo a deixou. (Lucas 1:26-38)

Dá para notar a diferença na abordagem dos dois Evangelhos, pois observamos que Mateus mostra como as coisas aconteceram do ponto de vista de José, enquanto Lucas mostra os fatos do ponto de vista de Maria. Assim, ambos os Evangelhos apontam que tanto o pai adotivo de Jesus quanto sua mãe biológica receberam a visita de um anjo em separado, a fim de avisá-los e prepará-los devidamente para o que iria acontecer.

O Evangelho de Mateus também relata que ao ouvir de Maria o que tinha acontecido, José não conseguiu acreditar nela, e resolveu desistir do casamento, sem, no entanto, expor Maria à humilhação, por ser um homem justo. Com isso percebemos que José honrava os mandamentos da Lei, mas não agia como os fariseus, que se satisfaziam em mostrar superioridade e em humilhar os outros publicamente.

Se, contudo, José tivesse exposto Maria, ela seria vista como uma traidora, alguém que teve relações com outro homem mesmo estando prometida em casamento, e seria condenada à morte pela Lei, que diz:

"Se numa cidade um homem se encontrar com uma jovem prometida em casamento e se deitar com ela, levem os dois à porta daquela cidade e apedrejem-nos até à morte: a moça porque estava na cidade e não gritou por socorro, e o homem porque desonrou a mulher doutro homem. Eliminem o mal do meio de vocês." (Deuteronômio 22:23,24)

Portanto, ao aceitar a maternidade sem ainda estar casada, Maria sabia que era algo arriscado e que poderia lhe custar a vida. Mesmo assim, ela aceitou a proposta que Deus lhe fez e confiou que Ele a livraria. E isso não foi por acaso: o nome de Jesus tem um significado importante, e que fez Maria acreditar que Deus a livraria da morte.

O anjo que falou com Maria e depois com José explica-lhes que eles deveriam chamar o bebê de Emanuel (palavra hebraica que significa "Deus conosco") ou de Jesus. O nome Jesus em grego significa "Josué" que quer dizer "o Senhor salva" e no aramaico significa "Yeshua" que quer dizer "salvar" ou "salvação".

Outra informação importante que Mateus nos passa é que José e Maria viveram como um casal normal após o nascimento de Jesus. 

"Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. (Mateus 1:24,25)

Essa situação é bastante combatida por alguns, que afirmam ter Maria continuado virgem mesmo casada com José, os dois vivendo como amigos e criando apenas um filho, e que os irmãos e irmãs de Jesus citados nos outros trechos dos Evangelhos seriam primos e primas do Senhor.

No entanto, era inadimiscivel que José estivesse casado com Maria e não vivesse maritalmente com ela, devido aos costumes e valores da época, advindos da própria palavra de Deus. Sem falar que o relacionamento sexual que acontece dentro do casamento não poderia jamais ser algo pecaminoso, ao contrário, ele é uma benção dada por Deus ao casal, pois gera filhos e, depois disso, ele serve para manter nutrida uma profunda intimidade entre os dois ao longo dos anos, além de livrar ambos de tentações. Veja o que o Apóstolo Paulo fala sobre esse assunto em 1 Coríntios 7:1-6.

"Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá." (Salmos 127:3)

"O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos!" (Provérbios 20:7)

Também, naquele tempo não se fazia controle de natalidade e mulheres casadas não evitavam gravidez, sendo, por isso, uma situação bastante comum que as famílias fossem grandes, com muitos filhos. Na verdade, quanto mais filhos um casal tinha, mais bem vistos na sociedade ele era.

A vontade do Criador para um jovem casal de justos, abençoados por Ele, está expressa nas escrituras, que diz o seguinte:

"Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se!" (Gênesis 1:27,28)

"Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!" (Salmos 128:1-4)

Então, é verdade que Jesus teve meios irmãos e irmãs, e não houve nada mais correto da parte do Pai do que conceder filhos de sangue a José, homem temente a Deus, através de sua esposa, Maria. A confirmação disso está em Mateus 13:55,56 e Marcos 6:3.

Continuando nosso estudo, agora vamos analisar onde e como Jesus Cristo nasceu. No Evangelho de Mateus não encontramos informações sobre o local de nascimento de Cristo e como isso aconteceu, contudo, em Lucas vamos achar essas informações com detalhes:

"Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galiléia para a Judéia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. (...) De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor". Quando os anjos os deixaram e foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: "Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer". Então correram para lá e encontraram Maria e José, e o bebê deitado na manjedoura. Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados. Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração. Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, como lhes fora dito." (Lucas 2:1-20)

Então, mais uma vez, assim como foram enviados anjos para avisar a Maria e a José sobre a gravidez sobrenatural, eles também são enviados, só que desta vez, aos pastores que estavam no campo próximo à cidade de Belém, a fim de anunciar-lhes a chegada do Messias a este mundo.

Outra curiosidade sobre o nascimento de Jesus, é que, de acordo com a narrativa de Lucas, José e Maria estavam viajando quando ela deu à luz. E no texto notamos que o casal tinha recursos, pois iam ficar numa hospedaria. 

Acontece que, como a hospedaria estava lotada, na emergência do parto de Maria eles tiveram que se ajeitar num outro local ali perto, provavelmente um estábulo, e improvisaram numa manjedoura (o local onde os animais se alimentavam) o berço para colocar o pequeno Jesus. 

Portanto, o fato do Senhor ter nascido num estábulo em Belém, e ter sido colocado numa manjedoura após nascer não indica que sua família era pobre, mas isso aconteceu provisoriamente, como um sinal de Deus especialmente para os israelitas. 

De fato, o Rei Jesus Cristo, apesar de sua divindade e, como homem, ser de linhagem real, veio ao mundo exclusivamente para pagar o preço da nossa redenção, e esse preço alto ele pagou por toda a sua vida, desde a hora que nasceu, quando ainda ele mesmo não tinha noção de quem era.

Então, o Pai deu ao mundo através de Seu Filho muitos sinais de que ele cumpriria a promessa de salvação da humanidade, e um deles foi fazer com que o nascimento de Jesus acontecesse num local muito simples, com animais por perto e sem muita limpeza ou conforto, onde nem mesmo uma pessoa muito pobre naquele tempo gostaria de estar ali para dar à luz um filho. E foi essa situação que o Pai fez questão que os pastores de Belém testemunhassem naquele momento.

Por isso, desde o nascimento, Jesus Cristo não poderia ostentar ou aparentar majestade, e em sua vida não poderia possuir nada material que atraísse a atenção dos outros. 

"Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos." (Isaías 53:2)

As únicas coisas que atrairam mesmo as pessoas a Jesus foram o seu extraordinário ensino sobre o Reino de Deus, e os milagres e prodígios que realizou em seu ministério terreno, e estes últimos para confirmar a existência desse Reino e também o desejo que o Pai tem de ver o homem que Ele criou participando desse lugar novamente, e usufruindo de todas as maravilhas que há nele, como acontecia antes do pecado de Adão. 

Para concluirmos nosso estudo, vejamos as profecias que se relacionam ao nascimento de Jesus e são direta ou indiretamente citadas em Mateus e Lucas. Abaixo, sobre a virgem que conceberia:

"Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel." (Isaías 7:14)

Sobre o descendente de Davi que viria a fim de governar para sempre:

"Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso." (Isaías 9:6,7)

"Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre." (2 Samuel 7:16)

O Messias nasceria em Belém:

"Mas tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos." (Miquéias 5:2)

Missionária Oriana Costa.




domingo, 24 de abril de 2022

Genealogia de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 1 - Parte 1

Aqui iniciamos o estudo do Evangelho de Mateus, no primeiro capítulo. Nesse texto, vamos entender a genealogia de Jesus, e como ela está ligada ao cumprimento das profecias feitas no Antigo Testamento sobre a vinda do Messias. 

É importante que sempre façamos comparações do que está escrito em Mateus com os outros três Evangelhos, para termos uma melhor compreensão e também confirmação dos fatos. E quando falamos da genealogia de Jesus Cristo, os dois Evangelhos que se destacam são Mateus (Mt 1: 1-17) e Lucas (Lc 3:23-38).

Nos dois Evangelhos nós encontraremos detalhes da árvore genealógica de Jesus que aparentemente só colocam como referência de parente mais próximo o pai adotivo do Messias, que foi José, o carpinteiro, e não Maria, sua genitora. 

Contudo, veremos abaixo que um dos Evangelhos está se referindo à genealogia de Jesus pelo lado paterno (ainda que José não tenha sido o genitor de Cristo), e o outro, pelo lado materno. Vejamos a seguir duas pequenas partes dos trechos que mostram a genealogia de Jesus em Mateus e Lucas:

"Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó; e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão a Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio até o Cristo." (Mateus 1:15-17)

"Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli, filho de Matate, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, (...)." (Lucas 3:23-38)

Lendo as duas genealogias vamos notar pequenas diferenças entre elas em alguns nomes, especialmente os nomes dos avôs de Jesus, que em Mateus é Jacó e em Lucas é Eli. Essas diferenças acontecem para que possamos saber que umas das genealogias é paterna, e a outra, materna, e que tanto por parte de pai quanto por parte de mãe Jesus era descendente da tribo de Judá e pertencia a linhagem de Davi, cumprindo devidamente as escrituras nesses quesitos.

A grande dúvida que existe nesses textos traduzidos para a língua portuguesa é descobrir qual deles está se referindo à genealogia de Jesus por parte de pai, e qual está se referindo a sua genealogia por parte de mãe. 

Então, considerando que não houveram erros de tradução/interpretação dos manuscritos na versão que estamos analisando (NVI), e que os Evangelhos estão expondo a verdade dos fatos, vamos analisar a colocação das palavras a partir dos textos publicados em nossa própria língua, a fim de descobrir qual é qual.

No Evangelho de Mateus vemos que a palavra "gerou" está em evidência geração após geração desde Abraão até chegar em "José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus". Por causa desse verbo (gerar), entendemos aqui que Jacó era realmente o genitor de José. E, nesse caso, essa genealogia se refere ao lado paterno de Jesus.

Já no Evangelho de Lucas, notamos que a expressão "filho de" está em evidência geração após geração, até chegar em "Adão filho de Deus" (Lc 3:38). Aqui, entendemos que a expressão "José, filho de Eli" não necessariamente está dizendo que Eli foi o genitor de José, e que, nesse caso, pode estar declarando que José é filho de Eli por ter se casado com sua filha legítima, Maria. 

Legalmente, um genro ou uma nora torna-se filho(a) por adoção dos pais de seu cônjuge, e isso é assim desde Adão até agora, nunca mudou. Portanto, se a genealogia contida em Mateus é a paterna, a de Lucas certamente está se referindo ao lado materno de Jesus Cristo.

Sobre Mateus e Lucas: Mateus era judeu, ex-cobrador de impostos, e foi um dos doze Apóstolos que o Senhor Jesus deixou para iniciar a sua Igreja na Terra. Ele escreveu seu evangelho em Hebraico. Lucas era médico e muito provavelmente não era judeu, segundo as informações contidas na carta de Paulo aos colossenses (Cl 4:7-14). Era discípulo de Paulo, e escreveu seu evangelho em grego.

Sobre a versão bíblica NVI, leia explicações detalhadas sobre ela na Wikipédia (clique aqui). A equipe que trabalhou no processo de elaboração e conclusão da NVI foi extensa (clique aqui), e esta versão, assim como as mais antigas, como a João Ferreira de Almeida e a King James, também passou por muitas revisões antes de ser publicada, e é apta para fornecer informações claras e detalhadas tanto do conteúdo do Antigo como do Novo Testamentos.

Com relação às profecias do Antigo Testamento que falam de quem o Messias seria descendente, vejamos algumas abaixo:

"Dias virão, declara o Senhor, em que cumprirei a promessa que fiz à comunidade de Israel e à comunidade de Judá. Naqueles dias e naquela época farei brotar um Renovo justo da linhagem de Davi; ele fará o que é justo e certo na terra. Naqueles dias Judá será salva e Jerusalém viverá em segurança, e este é o nome pelo qual ela será chamada: O Senhor é a Nossa Justiça." (Jeremias 33:14-16)

"Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. (...) Ele me dirá: ‘Tu és o meu Pai, o meu Deus, a Rocha que me salva’. Também o nomearei meu primogênito, o mais exaltado dos reis da terra. Manterei o meu amor por ele para sempre, e a minha aliança com ele jamais se quebrará. Firmarei a sua linhagem para sempre, o seu trono durará enquanto existirem céus."(Salmos 89:19-29)

"O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão. Ele amarrará seu jumento a uma videira e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas, no sangue das uvas, as suas vestimentas." (Gênesis 49:10,11)

Missionária Oriana Costa.



quinta-feira, 21 de abril de 2022

Aparições de Jesus - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 2


Como vimos no estudo anterior, as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo foram os soldados romanos que guardavam o sepulcro. Em seguida, Ele apareceu e falou com Maria Madalena. Nesse mesmo dia, que foi um domingo, o Senhor aparece novamente a mais dois discípulos que iam pela manhã caminhando em direção a um vilarejo próximo de Jerusalém, chamado Emaús, e então, finalmente, Cristo aparece aos Apóstolos e demais seguidores.

Ao todo, o Senhor Jesus passou quarenta dias aparecendo aos discípulos para lhes confirmar sua ressurreição (Atos 1:3), onde continuou instruindo a todos especialmente acerca do conteúdo profético das escrituras, além de instruí-los sobre a maravilhosa realidade do Reino de Deus. Lembrando que, naquela época, o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito, e o Senhor Jesus continuou usando o conteúdo do Antigo Testamento para ensinar.

O Evangelho de Mateus não nos fornece todas as informações sobre as aparições de Cristo após sua ressurreição, como veremos abaixo, e termina fazendo um rápido relato com o desfecho dos dias que o Senhor apareceu aos discípulos, até o momento de sua ascenção aos céus.

"Os onze discípulos foram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos"". (Mateus 28:16-20)

Antes que os Apóstolos e demais discípulos fossem para a Galiléia, Jesus apareceu a dois deles enquanto se dirigiam a Emaús, como lemos no primeiro parágrafo do nosso estudo, e em conformidade com os Evangelhos de Marcos e Lucas, sendo este último mais detalhado nessa narrativa, como veremos a seguir.

"Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham? " Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?" "Que coisas?", perguntou ele. "O que aconteceu com Jesus de Nazaré", responderam eles. (...) Ele lhes disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?" E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras. (...) Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Perguntaram-se um ao outro: "Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?" Levantaram-se e voltaram imediatamente para Jesuralém. Ali encontraram os Onze e os que estavam com eles reunidos, que diziam: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão."(Lucas 24:13-35)

No entanto, mesmo com mais essa prova, os demais discípulos ainda não acreditaram que o Senhor havia ressuscitado, quando lemos o relato contido em Marcos. 

"Depois Jesus apareceu noutra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo. Eles voltaram e relataram isso aos outros; mas também nestes eles não creram. Mais tarde Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto." (Marcos 16:12-14)

Em outro momento, provavelmente quando os discípulos já tinham voltado a Galiléia, e estavam juntos comendo e conversando sobre a ressurreição de Jesus, Ele aparece pela primeira vez, enfim, no meio deles, porém Tomé não estava presente, conforme relatam os Evangelhos de Lucas e João:

"Enquanto falavam sobre isso, o próprio Jesus apresentou-se entre eles e lhes disse: "Paz seja com vocês!" Eles ficaram assustados e com medo, pensando que estavam vendo um espírito. Ele lhes disse: "Por que vocês estão perturbados e por que se levantam dúvidas em seus corações?Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho". Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. E por não crerem ainda, tão cheios estavam de alegria e de espanto, ele lhes perguntou: "Vocês têm aqui algo para comer?" Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles. E disse-lhes: "Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras. E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas." (Lucas 24:36-48)

"Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!" Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor. Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados". Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor!" Mas ele lhes disse: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei". (João 20:19-25)

Uma semana depois, Cristo aparece segunda vez numa reunião similar, onde se apresenta especialmente a Tomé.

"Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!" E Jesus disse a Tomé: "Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia". Disse-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu!" Então Jesus lhe disse: "Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram". Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome." (João 20:26-31)

Algum tempo depois, Jesus aparece pela terceira vez aos discípulos às margens do Mar da Galiléia, enquanto eles pescavam. 

"Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades. Foi assim: Estavam juntos Simão Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, de Caná da Galiléia; os filhos de Zebedeu; e dois outros discípulos. "Vou pescar", disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: "Nós vamos com você". Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite não pegaram nada. Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Ele lhes perguntou: "Filhos, vocês têm algo para comer?" "Não", responderam eles. Ele disse: "Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão". Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes. O discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" (...) Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. Disse-lhes Jesus: "Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar". Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia. Ela estava cheia: tinha cento e cinqüenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu. (...) Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois que ressuscitou dos mortos." (João 21:1-14)

Sua última aparição, com corpo glorificado e palpável, foi próximo à Betânia, no Monte das Oliveiras (Atos 1:9-12), onde deu suas últimas instruções aos discípulos e em seguida subiu aos céus conforme vimos no início do nosso estudo em Mateus 28:16-20 e também vemos em Lucas.

"Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". Tendo-os levado até as proximidades de Betânia, Jesus levantou as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu. Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. E permaneciam constantemente no templo, louvando a Deus." (Lucas 24:49-53)

Depois que ascendeu aos céus, as escrituras mostram que o Senhor Jesus continuou aparecendo em visões espirituais aos seus seguidores. Em Atos dos Apóstolos observamos que Ele aparece uma vez ao discípulo Estevão, um pouco antes deste falecer por apedrejamento (At 7:55,56), e a Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, enquanto viajava em perseguição aos cristãos (At 9:3-5). 

Alguns trechos do livro de Apocalipse mostram que Cristo aparece algumas vezes ao Apóstolo João, falando-lhe sobre acontecimentos futuros que envolvem o povo de Deus e o mundo.

Missionária Oriana Costa.


domingo, 17 de abril de 2022

A Ressurreição - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 1


Neste texto vamos iniciar o estudo do último capítulo do Evangelho de Mateus, e nele, veremos como foi a ressurreição de Jesus e também os acontecimentos que se sucederam após esse evento tão maravilhoso, e que foi de suma importância para que todos os que crêem possam usufruir da herança da vida eterna em toda a sua plenitude.

Assim como nos estudos anteriores, faremos uma comparação do trecho de Mateus que iremos analisar com trechos equivalentes dos outros três evangelhos, à título de termos uma melhor compreensão de como tudo aconteceu. As referências correspondentes estão em Marcos 16:1-11, Lucas 24:1-12 e João 20:1-18.

Vejamos, a seguir, como Mateus narra o que aconteceu após o sepultamento do Senhor Jesus:

"Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos. O anjo disse às mulheres: "Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia. Vão depressa e digam aos discípulos dele: ‘Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão’. Notem que eu já os avisei". As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus. De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve! " Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: "Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão". Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes: "Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’. Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema". Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje." (Mateus 28:1-15)

De acordo com o relato acima, antes que o sepulcro de Jesus fosse visitado, Ele já havia ressuscitado, e isso aconteceu bem antes que aquele dia de domingo amanhecesse, pois quando as mulheres lá chegaram e encontraram o túmulo vazio e também sem os guardas, era madrugada e ainda estava escuro, como veremos mais adiante em nosso estudo.

Somente o Evangelho de Mateus relata o que houve com os guardas no momento em que Cristo ressuscitou, e, de acordo com a narrativa, todos eles presenciaram tudo. O problema foi que, ao falarem o que viram às autoridades israelitas, eles foram subornados para contar uma outra versão do acontecido às autoridades romanas. 

É importante lembrar que o destacamento de soldados romanos que guardava o sepulcro de Jesus não dormiria em trabalho, eles eram obrigados a ser diligentes no que faziam, ou poderiam ser condenados à morte por negligência no cumprimento de suas tarefas. Então, eles se revesavam entre si para garantir que seu trabalho fosse feito devidamente. 

No momento em que a pedra do sepulcro rolou e aquele recinto ficou aberto, houve um grande terremoto, além do clarão que aconteceu no momento em que o anjo apareceu, de forma que a parte da equipe que dormia naquele momento certamente acordou assustada com o barulho e a luz forte. Portanto, sem sombra de dúvidas, os soldados romanos foram as primeiras testemunhas oculares da ressurreição de Jesus. 

Não sabemos o que se passou pela cabeça daqueles homens depois de presenciarem aquele acontecimento sobrenatural, mas uma coisa é certa: todos eles ou, pelo menos, alguns deles, devem ter ido secretamente encontrar os discípulos de Jesus para relatar o que aconteceu e tentar entender o que houve, pois se assim não fosse a narrativa detalhada daquele momento e do suborno dos soldados não estaria descrita no Evangelho de Mateus.

Muito provavelmente, alguns dos fariseus que eram seguidores de Jesus secretamente, como José de Arimatéia e Nicodemos, dentre outros nomes não citados nas escrituras, também podem ter presenciado o momento em que os guardas do destacamento chegaram e relataram o ocorrido às autoridades israelitas, como também viram o momento em que eles foram subornados para esconder o que aconteceu. Desta forma, percebemos que certamente houveram muitas testemunhas diretas e indiretas daquele evento extraordinário.

Continuando com nossa análise, segundo o trecho do Evangelho que lemos parágrafos acima, duas mulheres visitaram o sepulcro de Jesus na madrugada do domingo, que foram Maria Madalena e Maria, mãe de José de Arimatéia, seguindo o raciocínio do capítulo 27 de Mateus, o qual já analisamos aqui no blog. No entanto, no Evangelho de Marcos, três mulheres visitaram o túmulo do Senhor: Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago.

Quando analisamos o trecho equivalente a esta mesma passagem no Evangelho de Lucas, ele diz que visitaram o sepulcro "Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas". Já o Evangelho de João, diz que somente Maria Madalena foi ao sepulcro naquela manhã de domingo.

Fazendo um apanhado dessas informações, e chegando a um consenso, concluímos que Maria Madalena esteve no sepulcro acompanhada de outras mulheres, ela não esteve lá sozinha, segundo a narrativa do Evangelho de João:

"No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida. Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!" (João 20:1,2)

Notamos que ao contar a notícia a Pedro e João, Maria Madalena falou em seu nome e em nome das outras mulheres que estavam com ela ao dizer "não sabemos onde o colocaram". Provavelmente ela organizou tudo para que todas as seguidoras de Jesus pudessem fazer aquela visita tão desejada, mas, sigilosamente, de modo que, sem serem vistas, cada uma pudesse colaborar no processo de unção do corpo do Senhor com as especiarias aromáticas que elas prepararam para esta finalidade.

Seguindo com a análise dos fatos, e levando sempre em consideração os relatos dos quatro Evangelhos, agora vamos entender o que aconteceu após a saída dos soldados romanos.

Pegas de surpresa, ao encontrarem o sepulcro aberto e sem o corpo do Senhor, as mulheres se desesperaram, e então Maria Madalena voltou à cidade com algumas das companheiras para encontrar os irmãos e avisá-los do ocorrido.

Após serem avisados, os discípulos Pedro e João correram em direção ao sepulcro, a fim de averiguar o que as mulheres lhes disseram.

"Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou. A seguir Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho. Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Ele viu e creu. (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.) Os discípulos voltaram para casa." (João 20:3-10)

No momento em que Pedro e João foram ao sepulcro, as mulheres que foram avisar os irmãos também voltaram para lá. Quando os dois discípulos foram embora, todas as mulheres continuaram ainda no local. E é neste momento que elas vêem um anjo do lado de fora do sepulcro (Mateus 28:5-7, Marcos 16:5-7) e outros dois do lado de dentro (Lucas 24:4-8, João 20: 11-13).

Todas as mulheres, menos Maria Madalena, foram embora do local com medo, após verem e ouvirem os anjos, e, certamente, uma boa parte delas permaneceu calada sem contar nada do que presenciaram, como podemos ler em Marcos 16:8. Contudo, algumas delas decidiram ir até os discípulos e contar-lhes o que presenciaram, de acordo com o relato contido em Mateus.

Depois disso, deixando o sepulcro por último, no momento em que se afastava, Maria Madalena encontrou-se ali com Jesus. Vejamos a confirmação desse evento nos dois trechos abaixo:

"Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando. Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram." (Marcos 16:9-11)

"Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que você está chorando?" "Levaram embora o meu Senhor", respondeu ela, "e não sei onde o puseram". Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu. Disse ele: "Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?" Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: "Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei". Jesus lhe disse: "Maria!" Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: "Rabôni!" (que significa Mestre). Jesus disse: "Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês". Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: "Eu vi o Senhor!" E contou o que ele lhe dissera." (João 20:10-18)

Portanto, apesar de no Evangelho de Mateus constar que Jesus apareceu "às mulheres", sua primeira aparição foi somente a Maria Madalena, para só depois, aparecer aos outros irmãos. 

É bom termos em mente que os relatos dos Evangelhos são totalmente verdadeiros, no entanto, um ou outro cita a participação das mulheres no evento da ressurreição de Jesus, ou a ida dos discípulos averiguar o ocorrido, por exemplo, de forma generalizada. Por isso, se quisermos entender melhor os fatos, é imprescindível fazer a comparação dos conteúdos dos quatro Evangelhos no que diz respeito a esses e outros assuntos.

Para concluir, ao verificarmos os quatro evangelhos vamos observar que, em Mateus (Mt 28:5-10) e Marcos (Mc 16:5-7), tanto os anjos que falaram com as mulheres como o próprio Cristo, que falou com Maria Madalena, avisaram que eles encontrariam o Senhor na Galiléia. 

Naquele domingo os discípulos de Jesus ainda estavam em Jerusalém, por ocasião das celebrações das festas ordenadas na Lei Mosaica, porém, naquela mesma semana eles teriam que retornar à Galiléia para retomarem suas rotinas normais. E foi lá na Galiléia que Cristo terminou de instruir os Apóstolos e depois, subiu aos céus para tomar posse do trono no Reino de Deus para sempre, como veremos no próximo estudo.

Sobre a ressurreição de Jesus, no Antigo Testamento há vários trechos se referindo a esse evento. Abaixo vamos ler três deles:

"Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita." (Salmos 16:9-11)

"Tu o recebeste com ricas bênçãos, e em sua cabeça puseste uma coroa de ouro puro.
Ele te pediu vida, e tu lhe deste! Vida longa e duradoura." (Salmos 21:3,4) 

"Eu te exaltarei, Senhor, pois tu me reergueste e não deixaste que os meus inimigos se divertissem à minha custa. Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste. Senhor, tiraste-me da sepultura; prestes a descer à cova, devolveste-me à vida. Cantem louvores ao Senhor, vocês, os seus fiéis; louvem o seu santo nome. Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria." (Salmos 30:1-5)

Missionária Oriana Costa.




quinta-feira, 14 de abril de 2022

O sepultamento - Considerações sobre o capítulo 27 de Mateus - Parte 5


Aqui faremos a análise da última parte do capítulo 27 de Mateus, onde veremos como foi o sepultamento de Jesus Cristo. Vejamos o trecho a seguir:

"Ao cair da tarde chegou um homem rico, de Arimatéia, chamado José, que se tornara discípulo de Jesus. Dirigindo-se a Pilatos, pediu o corpo de Jesus, e Pilatos ordenou que lhe fosse entregue. José tomou o corpo, envolveu-o num limpo lençol de linho e o colocou num sepulcro novo, que ele havia mandado cavar na rocha. E, fazendo rolar uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro, retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam assentadas ali, em frente do sepulcro. No outro dia, que era o seguinte ao da Preparação, os chefes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se a Pilatos e disseram: "Senhor, lembramos que, enquanto ainda estava vivo, aquele impostor disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Ordena, pois, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos e, roubando o corpo, digam ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. Este último engano será pior do que o primeiro". "Levem um destacamento", respondeu Pilatos. "Podem ir, e mantenham o sepulcro em segurança como acharem melhor". Eles foram e armaram um esquema de segurança no sepulcro; e além de deixarem um destacamento montando guarda, lacraram a pedra." (Mateus 27:57-66)

Como observamos no início do trecho acima, o homem que foi até Pilatos pedir o corpo de Jesus, se chamava José, e era natural de Arimatéia, uma cidade de Judá. Ele era um judeu rico que havia se tornado discípulo de Jesus. 

Mas, as escrituras fornecem outras informações interessantes acerca desse homem: de acordo com os evangelhos de Marcos (Mc 15:43), Lucas (Lc 23:50,51) e João (Jo 19:38), José também era membro de destaque do Conselho (Sinédrio), e tinha sido convocado para participar do julgamento de Jesus. Portanto, Ele acompanhou todo o processo do martírio de Cristo, desde sua prisão. 

Nos evangelhos também podemos ver que José de Arimatéia tinha consciência do Reino de Deus (ele esperava a vinda do Reino), e por isso creu em Jesus Cristo, no entanto, ele seguia o Senhor em segredo, por medo dos judeus. No Evangelho de Lucas está escrito que ele era "um homem bom e justo, que não tinha consentido na decisão e no procedimento dos outros".

De fato, o fariseu Nicodemos, que conversou com Jesus numa certa noite sobre "nascer de novo" (Jo 3:1-5), e que também participou do sepultamento do Senhor, segundo o relato do Evangelho de João, estava na mesma situação de José. Nicodemos igualmente era membro do Conselho e, portanto, participou do julgamento de Jesus, esperava o Reino de Deus, e seguia Cristo secretamente.

"Ele estava acompanhado de Nicodemos, aquele que antes tinha visitado Jesus à noite. Nicodemos levou cerca de trinta e quatro quilos de uma mistura de mirra e aloés. Tomando o corpo de Jesus, os dois o envolveram em faixas de linho, juntamente com as especiarias, de acordo com os costumes judaicos de sepultamento." (João 19:39,40)

A morte de Jesus aconteceu muito rápido, pois seu sofrimento fora abreviado pelo Pai. Tanto é que, no Evangelho de Marcos, lemos que quando José pediu o corpo de Jesus a Pilatos, esse ficou sem acreditar que ele já tinha falecido. 

"José de Arimatéia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos ficou surpreso ao ouvir que ele já tinha morrido. Chamando o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. Sendo informado pelo centurião, entregou o corpo a José. Então José comprou um lençol de linho, baixou o corpo da cruz, envolveu-o no lençol e o colocou num sepulcro cavado na rocha. Depois, fez rolar uma pedra sobre a entrada do sepulcro. Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde ele fora colocado." (Marcos 15:43-47)

Segundo os Evangelhos de Mateus, Lucas e João, José de Arimatéia sepultou Jesus num lugar reservado para pessoas nobres na sociedade judaica, em um sepulcro que lhe pertencia e que nunca havia sido usado, e que estava localizado num "jardim" ali próximo. No livro do Profeta Isaías e no livro de Cantares há trechos referentes a esse acontecimento:

"Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte." (Isaías 53:8,9)

"O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para descansar nos jardins e colher lírios. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios." (Cânticos 6:2,3)

Fora José de Arimatéia e Nicodemos, houveram, pelo menos, mais duas testemunhas do sepultamento de Jesus, segundo o relato dos Evangelhos (Mt 27:61, Mc 15:47, Lc 23:55). "As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia", que não eram poucas, viram onde o Senhor Jesus tinha sido sepultado, mas os nomes de duas mulheres são especialmente citados: Maria Madalena e Maria (Mãe de José de Arimatéia).

Além do local onde Cristo foi sepultado ter sido devidamente visualizado por várias pessoas, dentre judeus e romanos, o lugar também fora muito bem vigiado, conforme lemos em Mateus. Esses dados são importantes para que tenhamos certeza de que não houve ocasião para que o corpo de Jesus fosse levado para outro lugar, ou mesmo fosse roubado do túmulo após seu sepultamento, pois isso invalidaria sua ressurreição.

No estudo anterior (Está consumado - Considerações sobre o capítulo 27 de Mateus - Parte 4) nós observamos que vários eventos sobrenaturais aconteceram enquanto Jesus estava na cruz e também logo após sua morte, eventos esses que foram presenciados não somente por todos os que estavam envolvidos direta ou indiretamente no processo de crucificação, mas também por todos os habitantes do planeta, tamanha foi a intensidade desses acontecimentos.

Um deles, que foi mais pontual, deve realmente ter chamado a atenção (ou pelo menos deveria ter chamado) do Sumo sacerdote e dos levitas, como também dos fariseus e mestres da Lei, que foi encontrarem o véu do templo rasgado de cima abaixo, ao darem continuidade aos preparativos para os rituais das festas seguintes. E estando o véu do templo rasgado, não haveria como concluir alguns desses rituais.

Mesmo assim, nenhum desses acontecimentos foi suficiente para fazer a maior parte da liderança religiosa de Israel entender o que se sucedia ali, tamanha era sua cegueira espiritual.

E achando esses que os discípulos de Jesus Cristo poderiam forjar uma falsa ressurreição, por causa do que o Senhor tinha prometido, pediram a Pilatos para colocar soldados vigiando o sepulcro até o terceiro dia, e não satisfeitos com isso, ainda lacraram a pedra que fechava a entrada do túmulo.

Apesar de estarem cegos pelo ódio que sentiam de Jesus, o que aqueles homens fizeram só ajudou a provar que a ressurreição do Senhor foi simplesmente verdadeira, como veremos no estudo seguinte.

De fato, Jesus cumpriu à risca todos os requisitos que a Lei Mosaica ordena para que a humanidade fosse liberta da escravidão do pecado diante do povo de Israel, contudo, para que os fariseus e mestres da Lei enxergassem isso não bastava apenas serem bons conhecedores da Lei e das palavras dos profetas, mas também era preciso ter um entendimento claro de para quê eles serviam e para onde apontavam (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em Gálatas capítulo 3).

Missionária Oriana Costa.


sexta-feira, 8 de abril de 2022

Está consumado - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 4


Aqui faremos a penúltima parte da análise do capitulo 27 do Evangelho de Mateus. Neste estudo, iremos observar o que aconteceu naquela sexta-feira, do meio-dia em diante, no evento da crucificação de Jesus. Lembrando que Jesus foi preso na noite do dia anterior, por volta das 22:00h, e levado ao Pretório já nas primeiras horas do dia seguinte para ser julgado por Pôncio Pilatos. Portanto, da quinta para a sexta-feira Jesus Cristo não dormiu, não teve mais descanso.

Muito provavelmente este foi um dos julgamentos, ou talvez o único de que se tenha notícia, que aconteceu de uma forma incrivelmente rápida: da prisão até o julgamento já concluído, passaram-se cerca de 10 horas. Vê-se aí que o tempo de sofrimento de Jesus nessa parte de seu martírio foi bem abreviado pelo Pai.

Dando início ao nosso estudo, vamos ler abaixo o trecho que finaliza o capítulo 27 do Evangelho de Mateus:

"E houve trevas sobre toda a terra, do meio dia às três horas da tarde. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: "Eloí, Eloí, lamá sabactâni? " que significa: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" Quando alguns dos que estavam ali ouviram isso, disseram: "Ele está chamando Elias". Imediatamente, um deles correu em busca de uma esponja, embebeu-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e deu-a a Jesus para beber. Mas os outros disseram: "Deixem-no. Vejamos se Elias vem salvá-lo". Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito. Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. Os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que tinham morrido foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Quando o centurião e os que com ele vigiavam Jesus viram o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram: "Verdadeiramente este era o Filho de Deus!" Muitas mulheres estavam ali, observando de longe. Elas haviam seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e a mãe dos filhos de Zebedeu."(Mateus 27:45-56)

Vamos observar alguns fatos interessantes que se sucederam nos últimos momentos de vida de Jesus, e também logo após a sua morte. O primeiro deles foi que, entre o meio-dia e as três horas da tarde daquela sexta-feira, houve "trevas" em toda a terra. Essa escuridão começou a acontecer um pouco antes do meio-dia, segundo o Evangelho de Lucas.

Alguns pesquisadores afirmam que esse período de trevas, na verdade, foi um eclipse solar, outros dizem ter sido uma tempestade de poeira vinda das regiões deserticas que ficavam próximas dali, outros dizem que foram densas nuvens que se acumularam no céu naquele momento, dentre as muitas hipóteses do que poderia ter sido aquele evento. Contudo, não há um consenso entre os estudiosos sobre o que realmente foi esse período de escuridão.

Nos Evangelhos de Marcos (Mc 15:33) e de Lucas (Lc 23:44), podemos ler trechos com informações similares, falando sobre esse mesmo acontecimento descrito em Mateus. É interessante notar que o sol não brilhou POR TRÊS HORAS SEGUIDAS, e esse fenômeno aconteceu (logo, pode ser visto) em TODO O PLANETA, segundo o que está escrito nos evangelhos. Portanto, por se tratar de um evento ímpar na natureza, que foge aos padrões conhecidos, muitos pesquisadores afirmam que foi algo sobrenatural.

No Antigo Testamento, podemos encontrar um trecho constante no livro de Êxodo, em que Deus envia densas trevas sobre o Egito por três dias:

"Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem. O Senhor disse a Moisés: "Estenda a mão para o céu, e trevas cobrirão o Egito, trevas tais que poderão ser apalpadas". Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egito. Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam". (Êxodo 10:20-23)

A praga das trevas que veio sobre o Egito foi a penúltima, antes da morte dos primogênitos, a última praga, e antes também do sacrifício de cordeiros que as famílias israelitas fizeram, cumprindo um mandamento, para enfim deixarem o território egípcio em segurança. 

Portanto, assim como os três dias de trevas sobre o Egito foram tanto um sinal para o povo de Israel, quanto para os egípcios, de que Deus estava interferindo para que os israelitas fossem libertos daquela escravidão, as três horas de trevas sobre toda a terra foi um sinal para toda a humanidade, de que Deus estava derramando o juízo sobre os pecados de todas as pessoas sobre Jesus, para que todos os que nEle creiam possam ser libertos da escravidão do pecado.

Por volta das três horas da tarde, provavelmente enquanto ainda aquela escuridão prevalecia, Jesus pergunta ao Pai "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?". 

Essa pergunta não significa que Jesus não sabia porque o Pai deixou que Ele passasse por tudo aquilo, mas nos mostra algo importante: que Jesus se separou do Pai por algumas horas para se colocar no lugar de toda a humanidade naquele momento, pois até ali todos os seres humanos (inclusive os próprios israelitas) ainda não tinham acesso à justificação de seus pecados diante de Deus, e estavam em trevas, separados de seu Criador e se sentindo abandonados por Ele. 

A partir do momento em que o sangue de Jesus foi derramado em sua morte, muitas pessoas começaram a se reconciliar espiritualmente com Deus ao serem informadas sobre seu Reino, saindo das trevas para a luz, e esse processo se continua até agora e vai perdurar até a volta de Jesus. 

O sacrifício de Cristo estabeleceu uma aliança de paz com toda a humanidade, onde todo aquele que crê na mensagem do Reino e deseja fazer parte dele recebe a justificação de seus pecados pela fé no sacrifício de Jesus, e é livrado da condenação à morte eterna.

Com relação a esse momento em que Jesus pergunta ao Pai porque o abandonou, ele foi predito no livro de Salmos pelo Rei Davi:

"Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia?" (Salmos 22:1)

O momento em que Jesus tem os lábios molhados com vinagre por uma das pessoas que estavam ali zombando dele e presenciando seu martírio, acontece logo após essa fala do Senhor, e também está predito no Antigo Testamento, no livro de Salmos. E, da mesma forma que os outros acontecimentos desse evento, estava relacionado a um dos mandamentos da Lei Mosaica, que se encontra no livro de Êxodo. Vejamos os dois trechos a seguir:

"Tu bem sabes como sofro zombaria, humilhação e vergonha; conheces todos os meus adversários. A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero! Supliquei por socorro, nada recebi, por consoladores, e a ninguém encontrei. Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre. (Salmos 69:19-21)

"Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: "Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa! Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer. Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los." (Êxodo 12:21-23)

O vinagre chegou até os labios de Jesus através de uma vara feita de cana de hissopo. Quando aquele judeu fez isso, ele cumpriu sem se dar conta uma profecia e o mandamento que se referia à libertação do povo da escravidão no Egito. E sabemos disso graças ao Evangelho de João:

"Mais tarde, sabendo então que tudo estava concluído, para que a Escritura se cumprisse, Jesus disse: "Tenho sede". Estava ali uma vasilha cheia de vinagre. Então embeberam uma esponja nela, colocaram a esponja na ponta de um caniço de hissopo e a ergueram até os lábios de Jesus." (João 19:28,29)

Em seguida, Jesus grita bem alto suas últimas palavras, e vai a óbito (Mt 27:50, Mc 15:37). Através dos Evangelhos de Lucas e João podemos saber o que Cristo falou nesse momento:

"Jesus bradou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou." (Lucas 23:46)

"Tendo-o provado, Jesus disse: "Está consumado! " Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito." (João 19:30)

Se juntarmos as informações contidas nos quatro evangelhos veremos que o momento da morte de Jesus aconteceu da seguinte forma: logo após ter recebido o vinagre na cana de hissopo, Jesus gritou bem alto - "Está consumado! Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito!"

No livro de Salmos há também um trecho relacionado ao momento em que Jesus entrega seu espírito ao Pai:

"Em ti, Senhor, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela tua justiça. Inclina os teus ouvidos para mim, vem livrar-me depressa! Sê minha rocha de refúgio, uma fortaleza poderosa para me salvar. Sim, tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por amor do teu nome, conduze-me e guia-me. Tira-me da armadilha que me prepararam, pois tu és o meu refúgio. Nas tuas mãos entrego o meu espírito; resgata-me, Senhor, Deus da verdade." (Salmos 31:1-5)

Assim que o Senhor Jesus falece, acontecem três fatos que são considerados sobrenaturais: o véu do templo se rasga de cima para baixo (Mt 27: 51,52, Mc 15:38, Lc 23:45), o planeta treme e rochas se partem, e os sepulcros se abrem. Provavelmente também é nesse momento que a escuridão que tomou o céu em todo o planeta termina. 

Sobre o véu do templo ter se partido de cima abaixo, precisamos entender para que esse "véu" servia, a fim de podermos mensurar o grau de relevância desse acontecimento. Esse véu era uma espessa cortina feita de linho, que servia para separar duas salas especiais dentro do templo. Vejamos suas especificações:

"Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecido azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. (Êxodo 26:31-33)

O Lugar Santo era o primeiro local no interior do templo que ficava após o Átrio. No Átrio, que era mais externo, estavam o altar do sacrifício (o fogo do altar tinha que ser mantido aceso continuamente - Lv 6:13) e a pia de bronze.

No Lugar Santo, portanto, os sacerdotes ministravam e apresentavam os sacrifícios de animais que haviam sido feitos pelos pecados do povo e por seus próprios pecados. Ali estavam o altar do incenso, a mesa dos pães da propiciação e o candelabro, que eram necessários para o cumprimento de todo o ritual. 

O lugar santíssimo, ou Santo dos santos, era o local mais interno do templo, onde estava a arca da aliança, e somente um sacerdote por vez poderia entrar naquele lugar. O véu, por conseguinte, separava a presença de Deus manifesta naquele local dos demais participantes do ritual e também do povo que estivesse na área mais externa do templo. 

O véu se rasgando de alto a baixo, no momento da morte de Jesus, indicou que foi o Pai quem o fez, pois, se fosse rasgado por um ser humano, isso teria sido feito de baixo para cima. Portanto, foi um evento sobrenatural. 

O véu partido também foi um sinal de que daquele momento em diante Deus estaria acessível a todas as pessoas sem precisar de rituais com a mediação de um sacerdote mortal, pois o próprio Cristo ali assumiu a posição de mediador entre Deus e os homens (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em 1Timóteo 2:1-6).

Dessa forma, todos aqueles rituais destinados a expiação de pecados já não eram mais necessários, porque Cristo acabara de ser sacrificado pelas transgressões de toda a humanidade em todas as eras, e de uma vez por todas, cumprindo a promessa que o Pai fizera aos antepassados israelitas (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em Gálatas 3:8-25).  

Sobre o tremor de terra que atingiu todo o planeta e levou as rochas a se partirem, foi um sinal de que o Pai estava consumando o juízo (ou ira) sobre os pecados da humanidade em Cristo:

"Dos céus pronunciaste juízo, e a terra tremeu e emudeceu, quando tu, ó Deus, te levantaste para julgar, para salvar todos os oprimidos da terra." (Salmos 76:8,9)

"O Senhor jurou contra o orgulho de Jacó: "Jamais esquecerei coisa alguma do que eles fizeram. "Acaso não tremerá a terra por causa disso, e não chorarão todos os que nela vivem? Toda esta terra se levantará como o Nilo; será agitada e depois afundará como o ribeiro do Egito. "Naquele dia", declara o SENHOR, o Soberano: "Farei o sol se pôr ao meio-dia e em plena luz do dia escurecerei a terra." (Amós 8:7-9)

Quanto aos mortos que ressuscitaram assim que Jesus morreu, foi um sinal sobrenatural e extraordinário onde o Pai trouxe à vida algumas pessoas que faleceram naquela época. Esses indivíduos viveram crendo que Deus realmente enviaria o Messias para justificá-los de seus pecados, a fim de lhes devolver a cidadania em seu Reino (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em  Hebreus 11:13-16)

Portanto, aquelas pessoas "viveram pela fé", apesar de não terem visto o Messias vir. Elas cumpriram até o último dia de vida os mandamentos da Lei, porém conscientes de para quê eles serviam e para onde eles apontavam, sem se deixarem enganar pelas falsas doutrinas do farisaismo (Mt 27:52,53)

Podemos ler um trecho constante no livro do Profeta Isaías relacionado a esse evento:

"Como a mulher grávida prestes a dar à luz se contorce e grita de dor, assim estamos nós na tua presença, ó Senhor. Nós engravidamos e nos contorcemos de dor, mas demos à luz o vento. Não trouxemos salvação à terra; não demos à luz os habitantes do mundo. Mas os teus mortos viverão; seus corpos ressuscitarão. Vocês, que voltaram ao pó, acordem e cantem de alegria. O teu orvalho é orvalho de luz; a terra dará à luz os seus mortos." (Isaías 26:17-19)

Um evento similar a esse acontecerá na segunda vinda de Jesus, onde os que estiverem mortos até aquele momento, tendo vivido pela fé verdadeira, cumprindo os mandamentos do Reino de Deus ensinados por Cristo, terão seus corpos ressuscitados para herdarem a vida eterna (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em 1Coríntios 15:50-58 e 1Tessalonicenses 4:13-18)

No livro do Profeta Daniel há também um trecho relativo à este grande acontecimento que presenciaremos num futuro que, agora, já não está tão distante:

"Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia tal como nunca houve desde o início das nações e até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto. Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno." (Daniel 12:1,2)

O dia em que Jesus morreu era uma sexta-feira, momento em que o povo de Israel devia se preparar para o descanso do Sábado do Senhor. Portanto, no "Dia da Preparação" (do grego Paraskaué), como era conhecido para os israelitas, os judeus tinham que deixar tudo pronto para o dia seguinte, como os serviços domésticos, trabalhos no campo, etc., pois no Sábado ou Shabbat eles deveriam se consagrar a Deus e não realizarem trabalho algum, segundo a Lei Mosaica (Levítico 23:3). 

Por isso, os líderes judeus pediram a Pilatos para acelerar a morte dos crucificados (pois poderiam continuar vivos até o dia seguinte) para que antes do pôr do sol seus corpos fossem retirados das cruzes, segundo relata o Evangelho de João:

"Esse era o Dia da Preparação, e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Por não quererem que os corpos permanecessem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que ordenasse que lhes quebrassem as pernas e os corpos fossem retirados. Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro homem que fora crucificado com Jesus e em seguida as do outro. Mas quando chegaram a Jesus, percebendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Em vez disso, um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que o viu, disso deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que está dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam. Estas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: "Nenhum dos seus ossos será quebrado", e, como diz a Escritura noutro lugar: "Olharão para aquele que traspassaram". (João 19:31-37)

Quanto aos ossos de Jesus não terem sido quebrados, isso foi um cumprimento do que já estava especificado na Lei sobre o cordeiro que seria sacrificado para a celebração do Shabbat (Êx 12:46, Nm 9:12), e também, cumprimento de uma profecia feita pelo Rei Davi, devidamente registrada no livro de Salmos:

"O justo passa por muitas adversidades, mas o Senhor o livra de todas; protege todos os seus ossos; nenhum deles será quebrado."(Salmos 34:19,20)

No livro do Profeta Zacarias também podemos ler o trecho que se refere ao momento em que Jesus é perfurado no lado do seu corpo, e a tristeza que sua morte causou entre todos os que creram nEle:

"Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho. Naquele dia muitos chorarão em Jerusalém, como os que choraram em Hadade-Rimon no vale de Megido." (Zacarias 12:10,11)

E para finalizar nosso estudo, ainda com relação ao momento que Jesus foi perfurado na cruz, onde em seguida saiu sangue e água, isso foi um sinal de Deus para todos os presentes, especialmente os que conheciam a Lei, de que Cristo é capaz de purificar de toda a transgressão contra a justiça de Deus (ou purificar do pecado) todos aqueles que crerem nEle. 

Sangue e água eram dois dos seis ítens usados no processo de purificação de uma casa infestada com mofo, como podemos ler em Levítico:

"Para purificar a casa, ele pegará duas aves, um pedaço de madeira de cedro, um pano vermelho e hissopo. Depois matará uma das aves numa vasilha de barro com água da fonte. Então pegará o pedaço de madeira de cedro, o hissopo, o pano vermelho e a ave viva, e os molhará no sangue da ave morta e na água da fonte, e aspergirá a casa sete vezes. Ele purificará a casa com o sangue da ave, com a água da fonte, com a ave viva, com o pedaço de madeira de cedro, com o hissopo e com o pano vermelho. Depois soltará a ave viva em campo aberto, fora da cidade. Assim fará propiciação pela casa, que ficará pura". (Levítico 14:48-53)

O mofo era algo muito difícil de lidar, e que poderia levar uma casa à destruição, segundo as especificações da Lei (assim como o pecado não justificado leva um indivíduo à morte eterna):

"Se as manchas tornarem a alastrar-se na casa depois de retiradas as pedras e de raspada e rebocada a casa, o sacerdote irá examiná-la, e, se as manchas se espalharam pela casa, é mofo corrosivo; a casa está impura. Ela terá que ser demolida: as pedras, as madeiras e todo o reboco da casa; tudo será levado para um local impuro, fora da cidade." (Levítico 14:43-45)

Se observarmos os itens usados pelo sacerdote na purificação, veremos que todos eles estavam bem representados do julgamento até a morte de Jesus: o pano vermelho (capa vermelha de rei colocada sobre Jesus), a madeira de cedro (a cruz), o hissopo (vara de hissopo usada para levar o vinagre aos lábios de Jesus), a água da fonte e o sangue da ave morta (sangue e água que saíram do corpo de Jesus), a ave viva (o espírito de Cristo, que deixou o corpo do homem Jesus, voltando para o Pai).

Missionária Oriana Costa.


O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2

Novo texto em construção. Aguardem a postagem! 😉👍🏻