quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Experiências missionárias - a igreja como local de entretenimento

Vou compartilhar algo interessante, que eu creio, não acontece só na cidade que estou fazendo o trabalho missionário, mas, em muitas outras do RN, e até quem sabe, de outros estados do Brasil.

Lagoa Salgada não foi a primeira cidade que fiz trabalho missionário. Antes de ir para lá, passei pela localidade de Passagem de areia, que fica em Paranamirim, RN. Contudo, Lagoa Salgada fica um pouco mais distante da capital, Natal, do que Passagem de areia.

Parnamirim e Lagoa Salgada tem muitas diferenças. A primeira cidade é mais urbana, a segunda é mais rural. Na primeira, as pessoas tem costume de ir ao shopping nos fins de semana, por exemplo, e na segunda, as pessoas não tem este costume, até porque lá não existe estrutura para a existência de um grande shopping. De fato, por Parnamirim ser mais próxima da capital, seus habitantes tem mais opções de entretenimento e diversão do que os que moram em cidades mais afastadas.

Todos os fins de semana, há cerca de um ano, viajo de Parnamirim para Lagoa Salgada e passo por lá três dias, para pastorear a pequena igreja que fundamos. Nesse meio tempo, tenho observado algo inusitado: diferentemente dos crentes da capital (não que isso não aconteça com os evangélicos que moram nos centros urbanos), há uma grande migração de pessoas de uma igreja para outra, na busca de ENTRETENIMENTO. É isso mesmo que falei: entretenimento, minha gente!

Comecei a observar que as pessoas que passavam a frequentar nossa igreja nos fins de semana, no meio da semana, quando eu não estou lá na cidade, ficam indo em outras igrejas, e cada uma com uma doutrina diferente. Isso me perturbou bastante, visto que, como cada denominação apresenta pontos doutrinários diferentes, as pessoas estavam começando a entrar em choque com o que estamos ensinando em nossa igreja, e todos os fins de semana eu passei a ter um grande trabalho em sair desfazendo todo o conhecimento contrário às Escrituras, que eles tinham assimilado.

Nas cidades do interior aqui do nordeste há um grande número de líderes e pregadores que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos, não fizeram qualquer espécie de curso teológico, e alguns, imaginem, não sabem nem ler(!); contudo, são vistos como pessoas muito "espirituais" e colocados em serviços de liderança e ensino da palavra sem nenhuma qualificação para tal. Isso é um grande problema, pois acabam passando para os fiéis um conhecimento que infelizmente não tem nada a ver com o ensino de Cristo.

Eu me vi numa situação difícil. Presisei explicar isso às pessoas, o que foi para mim uma grande luta. Pela dificuldade de assimilação que a maioria das pessoas do interior possuem, tanto pela falta de instrução escolar, como por bloqueios adquiridos pela violência na educação familiar (situação esta infelizmente comum no nordeste), uma informação que seria fácil de entender se torna algo complicado de assimilar. Até agora estou usando de muita paciência para tentar fazer esta informação entrar nas mentes das pessoas...
Na busca por preencher o tempo ocioso, os nossos irmãozinhos do interior ficam indo em várias igrejas a semana toda, além daquela que escolheram para ser a "sua igreja". Ouvi diversas vezes esta frase: "Pastora, eles estão fazendo um evento e eu vou mesmo, pois a gente não tem muito o que fazer aqui".

De fato, não posso proibir ninguém de visitar outras igrejas, contudo, isso me traz mais trabalho, pois, quando chegam em nossa congregação com comportamentos e ensinos que eu não passei, tenho que desfazer, e isso muitas vezes gera situações constrangedoras, ainda que eu corrija com toda a paciência e mansidão. A correção nunca é algo recebido com alegria, ainda que feita com carinho.

Usar a igreja como local de entretenimento é algo realmente ruim, e precisa ser combatido pelas lideranças. A falta de rejeição a este tipo de comportamento transforma o que deveria ser um culto ao Senhor num show de calouros, sem reverência, sem adoração verdadeira, sem o verdadeiro mover do Espírito. Ao visitarmos uma igreja, devemos ir na intensão de adorar a Deus e receber d'Ele, e não de passar o tempo e ver novidades.

Se o que move as pessoas a irem à igreja é a vontade de sair de casa para dar um passeio, então, é impossível que estas pessoas estejam reunidas num lugar que não seja para conversar, ficar olhando o celular, ficar olhando para os lados ou para a rua, ficar prestando atenção nas roupas dos outros, curtir o som, rir de algo engraçado que foi dito, etc. Esse é o comportamento que as pessoas tem quando vão ao shopping, por exemplo. Nunca vai passar disso.

Se alguém está lendo agora este texto e está se identificando com minha situação, então, saiba que isto não acontece só com você... rsrsrsrsrs...

Enfim, sei que a guerra contra este tipo de comportamento não será fácil, mas sei também que Jesus Cristo, o verdadeiro Pastor dessas ovelhas tão fofinhas, já venceu esta batalha com grande folga. Vamos lá, fazer a nossa parte e continuar, até Ele voltar! :)

Missionária Oriana Costa



2 comentários:

  1. É um grande desafio liderar pessoas quando o foco delas não está em Jesus e Ele não é o motivo pelo qual elas buscam congregar. Ótimo texto, Oriana!

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