Este trecho de Eclesiastes, um dos livros do Antigo Testamento, é muito interessante, pois nos leva a refletir sobre algo que geralmente não consideramos: a nossa verdadeira realidade.
O fechamento do raciocínio do trecho bíblico que está na imagem que abre o nosso texto se dá com as seguintes palavras:
Haverá algo de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo!"? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época. Ninguém se lembra dos que viveram na antiguidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles. (Eclesiastes 1:10,11)
Prosseguindo com a leitura de Eclesiastes, observamos o Rei Salomão explicar que não há nada que possamos considerar realmente novo na face da terra, pois as coisas estão sempre se repetindo.
Antes de a maldade entrar no coração do homem, porém, a situação não era essa. Quando foi criado por Deus, o homem tinha acesso a todo o conhecimento espiritual, juntamente com o material, proveniente do seu Criador — um conhecimento infinito, que sempre trazia algo novo, agradável e útil. E Deus não compartilhava tudo de uma só vez, pois isso causaria confusão, e o homem não teria condições de compreender nem de utilizar todas as informações de maneira saudável.
O conhecimento de Deus era entregue diariamente à humanidade de forma gradual e progressiva. Assim, as pessoas cresciam e amadureciam em todas as áreas de suas vidas sem sofrimentos desnecessários, sem sobrecarga, sem dúvidas não respondidas, sem angústias de qualquer natureza. Não precisavam sofrer para resolver situações, pois tinham acesso a todo o conhecimento necessário diretamente da Fonte.
No momento em que o homem escolheu viver independente de seu Criador e se separou dEle, saindo do Reino de Deus, passou a lidar com as situações conforme seus próprios desejos, influenciados pela maldade interior. Já não se interessava em acessar o Criador, ainda que este tentasse convencê-lo de que suas decisões trariam sérias consequências, pois estavam desconectadas dos princípios do Seu Reino.
O grande problema de agirmos conforme nossas paixões ou segundo as aparências é que isso provém da influência da maldade que naturalmente habita em nós — e a qual o nosso Criador odeia. Deus não pode tolerar a maldade, pois, sempre que o ser humano age segundo o mal, ele se opõe aos princípios do Reino de Deus e também age contra si mesmo, já que todas as coisas foram criadas com base nesses princípios — inclusive o próprio homem.
O que Adão e Eva talvez não tenham percebido, ou simplesmente não consideraram ao serem persuadidos pelo Diabo, é que o conhecimento material, quando desconectado do espiritual, perde o sentido e se torna finito. Isso acontece porque todo o universo material procede da realidade espiritual. Sem essa conexão, o conhecimento do mundo deixa de trazer novidade, tornando-se uma repetição constante, que o homem, por si só, não tem poder para transformar.
Ao estudarmos a Bíblia e compararmos com os acontecimentos do mundo, percebemos que todas as coisas têm começo e fim; e, ao atingirem seu estágio final, dão início a um novo ciclo da mesma coisa — às vezes com aparência diferente, mas com a mesma essência.
O homem não tem capacidade de acessar todas as informações desde a criação sem a ajuda de Deus. Estando separado dEle, permanece limitado, sem compreender plenamente o passado, e suas experiências acabam parecendo aleatórias, sem sentido — especialmente quando interpretadas apenas pela aparência material.
Contudo, pelas Escrituras, sabemos que todas as coisas estão fundamentadas em leis que o homem não criou e não pode alterar. Essas leis determinam os tempos e as formas de cada acontecimento:
Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá‑las; tempo de abraçar e tempo de se afastar; tempo de procurar algo e tempo de desistir de sua busca; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de consertar; tempo de calar e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz. Vi a tarefa que Deus impôs aos homens para que se ocupem com ela. Ele fez tudo belo a seu tempo. Também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este consiga compreender a obra que Deus fez do começo ao fim. (Eclesiastes 3:1-11)
Quando historiadores e arqueólogos descobrem elementos de civilizações antigas semelhantes aos atuais, apenas confirmam o que o Rei Salomão declarou há quase três mil anos. O homem nunca esteve à frente do seu tempo, como alguns imaginam.
Desde o princípio, Deus deu ao homem domínio sobre a terra e também todo o conhecimento necessário para seu desenvolvimento adequado. A humanidade usufruía disso plenamente. Ao lermos as Escrituras, especialmente Gênesis, conseguimos ter uma noção dessa realidade. E esse foi o “fardo” que Deus impôs: tudo foi feito de forma apropriada e organizada, para que o homem pudesse viver bem.
Não temos como saber exatamente como tudo funcionava na antiguidade, pois muitas informações se perderam. Guerras e outras catástrofes, fruto da maldade humana, apagaram registros importantes. Ainda assim, pelas Escrituras, compreendemos que as coisas apenas se repetem sob novas formas.
Há ainda outro ponto importante: aquilo que muitos chamam de “avanço tecnológico e científico” pode ser visto, na verdade, como uma adaptação à gradual diminuição da força física e da expectativa de vida do homem.
Se hoje existem muitos medicamentos, isso não indica necessariamente maior inteligência, mas sim maior fragilidade. A ação da maldade enfraquece o ser humano física e emocionalmente ao longo do tempo, levando-o a buscar formas de compensar essas limitações para continuar vivendo com alguma qualidade.
No entanto, essa fraqueza continua avançando à medida que a maldade ganha espaço. E essa realidade não pode ser plenamente compreendida nem vencida sem a ajuda do Criador. Há no coração do homem um anseio pela eternidade, que ele não consegue entender ao interpretar tudo apenas pela perspectiva material.
O ser humano deseja viver para sempre e tenta vencer o envelhecimento e a morte por seus próprios meios — sem sucesso. Sem Deus, o homem pode apenas alterar aparências, mas não pode deter o tempo, nem vencer a morte.
Para ilustrar isso, imagine se o mundo voltasse a ser como era há 300 anos, sem medicamentos e tecnologias médicas. Grande parte da população não sobreviveria por muito tempo, e muitos sequer chegariam a nascer com vida. Isso revela o quanto nos tornamos dependentes de recursos para sustentar uma fragilidade crescente.
Já parou para pensar nisso? Essa é a nossa real condição. Espiritualmente, ela permanece a mesma desde o momento em que o homem escolheu viver independente de Deus. A maioria das pessoas continua sucumbindo à ação do mal, sem discernir a raiz de seus problemas.
Trata-se de uma realidade triste, que se prolonga há séculos, mascarada por uma aparência de evolução. No entanto, à luz das Escrituras, essa verdade se torna evidente.
A mensagem de Eclesiastes, portanto, não é apenas um diagnóstico da repetição e da vaidade das coisas deste mundo, mas também um convite à reflexão: se tudo se repete e nada é verdadeiramente novo longe de Deus, então a verdadeira novidade está em retornar à Fonte.
Somente na reconexão com o Criador o homem pode romper esse ciclo de repetição vazia, recuperar o sentido da existência e encontrar aquilo que realmente satisfaz o anseio pela eternidade que habita em seu coração.
Sem Deus, tudo se desgasta, se repete e perde o significado. Com Deus, até aquilo que parece antigo se renova, ganha propósito e conduz à vida verdadeira.
Missionária Oriana Costa.

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