Mostrando postagens com marcador escrituras bíblicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escrituras bíblicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.2 - O sermão da montanha


Continuando nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora no Sermão da Montanha, vamos analisar o momento em que o Senhor Jesus compara aqueles que escolhem segui-lo ao sal e à luz.

Vejamos o trecho que se encontra no Evangelho de Mateus:

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E também ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

A comparação que o Senhor Jesus faz do seu povo com o sal e com a luz é, em primeiro lugar, um alerta para que aqueles que decidem segui-lo não recuem do seu chamado na anunciação do Seu Reino.

É muito comum que, em meio às perseguições e desafios na obra de Deus, surja a vontade de desistir, parar ou esconder-se. No entanto, Cristo deixa claro que aqueles que têm em seu coração a mensagem do evangelho jamais devem deixar de anunciá-la.

Muitos podem pensar que, quando o Senhor fala de "boas obras" nesse trecho, está se referindo apenas a obras de caridade. No entanto, essas boas obras também dizem respeito ao trabalho de anunciação da mensagem de salvação e do Reino de Deus. E Ele afirma que a realização desse trabalho faz com que outros glorifiquem a Deus.

A proclamação do Reino de Deus traz consigo a manifestação de sinais, prodígios e maravilhas, como curas, libertação de vícios e de diversas opressões, confirmando que a mensagem anunciada é verdadeira.

Além disso, o comportamento daqueles que anunciam o Reino chama a atenção por ser diferente do padrão do mundo: livre de preconceitos, religiosidade vazia, misticismo, soberba e impurezas, estando alinhado com a reta justiça de Deus, que é o Seu amor.

Quando o Senhor Jesus faz a comparação com o sal, ao se referir à postura daqueles que anunciam o Seu Reino, Ele também aponta para essa maneira diferenciada de viver, que evidencia misericórdia, perdão, imparcialidade, paciência, prudência, generosidade, honestidade, sinceridade e disposição para ajudar e socorrer — entre tantas outras virtudes do Espírito.

As Escrituras apresentam várias referências sobre essa postura, comparada ao sal. Uma delas se encontra na carta do apóstolo Paulo aos Colossenses:

Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Colossenses 4:5-6)

Assim, ser sal e ser luz, de acordo com as palavras de Jesus Cristo, são características daqueles que verdadeiramente buscam alinhar-se ao Seu Reino e à Sua reta justiça, bem como anunciá-lo ao mundo.

No Evangelho de Marcos encontramos também:

O sal é bom, mas, se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros. (Marcos 9:50)

Aqui, Cristo revela que, se tivermos "sal" em nossos corações, poderemos viver em paz uns com os outros. O sal, portanto, também aponta para o fruto do Espírito, que inclui, entre outras virtudes, a paz (veja Gálatas 5:22; Tiago 3:17-18).

Em relação ao trecho em que o Senhor Jesus fala sobre o sal perder o sabor, Ele chama a atenção para as consequências de conhecermos a mensagem do Reino de Deus e não a anunciarmos, seja por meio das nossas atitudes diárias, seja pelo cumprimento do chamado de Deus em nossas vidas.

Na realidade física, quando o sal perde o sabor, ele não se torna totalmente inútil, pois ainda pode ser usado, por exemplo, para ajudar a derreter neve em países frios. Esse efeito ocorre porque o sal diminui a temperatura de fusão da água.

Entretanto, no contexto ensinado por Jesus, a ênfase está no prejuízo de perder a principal função do sal. Da mesma forma, Deus espera que Seu povo faça a diferença onde estiver, refletindo o Seu Reino por meio das suas ações e anunciando-o conforme foi capacitado.

Quando esse fruto não é manifestado na vida de um cristão, ele deixa de usufruir das bênçãos relacionadas à vida no Reino e passa a colher as consequências de não andar em conformidade com a justiça de Deus.

Agora, falando da "luz" com a qual o Senhor compara o Seu povo, as Escrituras também apresentam diversas referências:

Porque antes vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz — pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade — e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. (Efésios 5:8-10)

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1:5-7)

Quem afirma estar na luz, mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas, anda nas trevas e não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram. (1 João 2:9-11)

Ao analisarmos esses textos, percebemos que aqueles que são luz, segundo o ensino de Cristo, evidenciam alguns princípios fundamentais:

•Vivem em bondade, justiça e verdade, buscando discernir o que agrada ao Senhor — ou seja, vivem segundo a realidade do Reino de Deus, e não segundo o padrão do mundo.

•Buscam viver em comunhão com os irmãos em Cristo, compreendendo a importância da vida em unidade. O afastamento da comunhão tende a enfraquecer a fé, diminuir o confronto com a Palavra e, consequentemente, o arrependimento e a transformação.

•Amam seus irmãos, expressando esse amor por meio do cuidado, do perdão, da intercessão, da exortação e do suporte mútuo.

Que o nosso Deus continue falando aos nossos corações por meio da Sua Palavra, nos conduzindo a viver como sal da terra e luz do mundo, refletindo o Seu caráter e anunciando o Seu Reino com fidelidade, até que Ele seja glorificado em todas as coisas.


Missionária Oriana Costa.


segunda-feira, 13 de março de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - parte 1 - Na sinagoga de Carfanaum


Aqui vamos dar início ao estudo dos eventos que se sucederam até o momento em que o Senhor Jesus finalmente separa dentre os seus seguidores aqueles que formariam sua equipe de doze apóstolos.

Por comparação, observamos que no Evangelho de Mateus há uma lacuna entre o momento em que Cristo passa a morar em Carfanaum e o episódio do Sermão da montanha, que acontece dias, semanas ou meses depois.

Portanto, neste e em estudos seguintes, iremos usar mais os outros três evangelhos, a fim de entendermos como as coisas foram acontecendo, até chegarmos ao momento do Sermão da montanha. Depois desse evento, portanto, passaremos a incluir o Evangelho de Mateus em nossas análises até chegarmos ao ponto onde o Senhor Jesus nomeia seus doze apóstolos.

No Evangelho de Marcos, lemos o seguinte:

Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou: "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!" "Cale-se e saia dele!", repreendeu-o Jesus. O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando. Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!" As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia. (Marcos 1:21-28)

No Evangelho de Lucas (Lc 4:31-37) também encontramos um trecho similar, confirmando esse episódio. Ali, Cristo mostrou a todos a autoridade que tinha, expulsando um demônio de um homem que estava possesso dentro da sinagoga. Lembrando que o ato de expulsar demônios não é um milagre, e sim um sinal de autoridade.

No Evangelho de João há um breve trecho referente à mudança de residência de Jesus, de Nazaré para Carfanaum, mostrando que Ele não foi morar lá sozinho, mas sua família foi com ele, como também os muitos discípulos que Ele tinha o acompanharam. Veja em João 2:12.

Voltando a nossa análise, essa é a primeira descrição contida nos evangelhos na qual Jesus liberta pessoas endemoniadas. É interessante notar que, nesse evento, a pessoa possessa se dirigiu a Jesus gritando enquanto Ele ensinava na sinagoga naquele sábado, e que a reação do Senhor foi rápida, apenas ordenando para que a entidade saísse dela.

Muito provavelmente, a temática abordada por Cristo naquele momento era exatamente o ponto fraco daquele homem, e que estava dando ocasião para que aquele demônio encontrasse espaço para agir pela vida daquele indivíduo. 

Como lemos na narrativa de Marcos, Jesus Cristo ensinava com autoridade e não como os mestres da lei. Isso quer dizer que Ele conhecia profundamente o conteúdo que abordava, e o transmitia a todos com segurança no falar, de forma clara.

Isso acontecia porque aquilo que o Senhor Jesus falava não era somente os conteúdos da Lei e dos Profetas decorados, mas Ele aplicava esse conhecimento diretamente ao cotidiano das pessoas, expondo também a realidade espiritual envolvida nos mandamentos e avisos profeticos, assim mostrando claramente a todos qual era a vontade do Pai naqueles decretos e alertas.

A forma como Jesus expôs o conhecimento das escrituras contrariou em muitos aspectos a maneira como os judeus estavam acostumados a ver e usar aquele conteúdo, isso porque eles estavam enganados sobre o sentido dele. Essa realidade podemos ver claramente na abordagem que o Senhor faz no Sermão da montanha, por exemplo, mostrando as pessoas o verdadeiro sentido de alguns mandamentos contidos nos livros da Lei. Por isso, após ouvirem o Senhor falar, as pessoas se maravilhavam e achavam que Cristo estava trazendo a elas um novo conhecimento.

Desse modo, ao contrário dos fariseus e mestres da lei, que usavam as escrituras para forçar o povo a ficar debaixo de suas lideranças, trazendo medo e condenação a elas, Cristo somente lhes mostrava o verdadeiro sentido daquelas palavras, e isso fazia com que a realidade espiritual se manifestasse de uma forma intensa onde Ele estava, com operação de muitos prodígios e milagres.

Então, era dessa maneira que Ele apresentava a realidade do Seu Reino, levando aqueles que criam nEle ao arrependimento sincero de seus pecados. A importância do arrependimento de pecados está no fato de que somente essa ação leva as pessoas a fecharem a porta de suas vidas para entidades malignas entrarem e fazerem morada. Foi por esse motivo que o demônio se manifestou na hora em que Cristo estava ensinando, na tentativa de impedir aquele homem de se arrepender e ser liberto. 


Missionária Oriana Costa.



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Não há nada novo debaixo do sol.

 
Este trecho de Eclesiastes, um dos livros do Antigo Testamento, é muito interessante, pois nos leva a refletir sobre algo que geralmente não consideramos: a nossa verdadeira realidade.

O fechamento do raciocínio do trecho bíblico que está na imagem que abre o nosso texto se dá com as seguintes palavras:

Haverá algo de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo!"? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época. Ninguém se lembra dos que viveram na antiguidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles. (Eclesiastes 1:10,11)

Prosseguindo com a leitura de Eclesiastes, observamos o Rei Salomão explicar que não há nada que possamos considerar realmente novo na face da terra, pois as coisas estão sempre se repetindo.

Antes de a maldade entrar no coração do homem, porém, a situação não era essa. Quando foi criado por Deus, o homem tinha acesso a todo o conhecimento espiritual, juntamente com o material, proveniente do seu Criador — um conhecimento infinito, que sempre trazia algo novo, agradável e útil. E Deus não compartilhava tudo de uma só vez, pois isso causaria confusão, e o homem não teria condições de compreender nem de utilizar todas as informações de maneira saudável.

O conhecimento de Deus era entregue diariamente à humanidade de forma gradual e progressiva. Assim, as pessoas cresciam e amadureciam em todas as áreas de suas vidas sem sofrimentos desnecessários, sem sobrecarga, sem dúvidas não respondidas, sem angústias de qualquer natureza. Não precisavam sofrer para resolver situações, pois tinham acesso a todo o conhecimento necessário diretamente da Fonte.

No momento em que o homem escolheu viver independente de seu Criador e se separou dEle, saindo do Reino de Deus, passou a lidar com as situações conforme seus próprios desejos, influenciados pela maldade interior. Já não se interessava em acessar o Criador, ainda que este tentasse convencê-lo de que suas decisões trariam sérias consequências, pois estavam desconectadas dos princípios do Seu Reino.

O grande problema de agirmos conforme nossas paixões ou segundo as aparências é que isso provém da influência da maldade que naturalmente habita em nós — e a qual o nosso Criador odeia. Deus não pode tolerar a maldade, pois, sempre que o ser humano age segundo o mal, ele se opõe aos princípios do Reino de Deus e também age contra si mesmo, já que todas as coisas foram criadas com base nesses princípios — inclusive o próprio homem.

O que Adão e Eva talvez não tenham percebido, ou simplesmente não consideraram ao serem persuadidos pelo Diabo, é que o conhecimento material, quando desconectado do espiritual, perde o sentido e se torna finito. Isso acontece porque todo o universo material procede da realidade espiritual. Sem essa conexão, o conhecimento do mundo deixa de trazer novidade, tornando-se uma repetição constante, que o homem, por si só, não tem poder para transformar.

Ao estudarmos a Bíblia e compararmos com os acontecimentos do mundo, percebemos que todas as coisas têm começo e fim; e, ao atingirem seu estágio final, dão início a um novo ciclo da mesma coisa — às vezes com aparência diferente, mas com a mesma essência.

O homem não tem capacidade de acessar todas as informações desde a criação sem a ajuda de Deus. Estando separado dEle, permanece limitado, sem compreender plenamente o passado, e suas experiências acabam parecendo aleatórias, sem sentido — especialmente quando interpretadas apenas pela aparência material.

Contudo, pelas Escrituras, sabemos que todas as coisas estão fundamentadas em leis que o homem não criou e não pode alterar. Essas leis determinam os tempos e as formas de cada acontecimento:

Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá‑las; tempo de abraçar e tempo de se afastar; tempo de procurar algo e tempo de desistir de sua busca; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de consertar; tempo de calar e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz. Vi a tarefa que Deus impôs aos homens para que se ocupem com ela. Ele fez tudo belo a seu tempo. Também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este consiga compreender a obra que Deus fez do começo ao fim. (Eclesiastes 3:1-11)

Quando historiadores e arqueólogos descobrem elementos de civilizações antigas semelhantes aos atuais, apenas confirmam o que o Rei Salomão declarou há quase três mil anos. O homem nunca esteve à frente do seu tempo, como alguns imaginam.

Desde o princípio, Deus deu ao homem domínio sobre a terra e também todo o conhecimento necessário para seu desenvolvimento adequado. A humanidade usufruía disso plenamente. Ao lermos as Escrituras, especialmente Gênesis, conseguimos ter uma noção dessa realidade. E esse foi o “fardo” que Deus impôs: tudo foi feito de forma apropriada e organizada, para que o homem pudesse viver bem.

Não temos como saber exatamente como tudo funcionava na antiguidade, pois muitas informações se perderam. Guerras e outras catástrofes, fruto da maldade humana, apagaram registros importantes. Ainda assim, pelas Escrituras, compreendemos que as coisas apenas se repetem sob novas formas.

Há ainda outro ponto importante: aquilo que muitos chamam de “avanço tecnológico e científico” pode ser visto, na verdade, como uma adaptação à gradual diminuição da força física e da expectativa de vida do homem.

Se hoje existem muitos medicamentos, isso não indica necessariamente maior inteligência, mas sim maior fragilidade. A ação da maldade enfraquece o ser humano física e emocionalmente ao longo do tempo, levando-o a buscar formas de compensar essas limitações para continuar vivendo com alguma qualidade.

No entanto, essa fraqueza continua avançando à medida que a maldade ganha espaço. E essa realidade não pode ser plenamente compreendida nem vencida sem a ajuda do Criador. Há no coração do homem um anseio pela eternidade, que ele não consegue entender ao interpretar tudo apenas pela perspectiva material.

O ser humano deseja viver para sempre e tenta vencer o envelhecimento e a morte por seus próprios meios — sem sucesso. Sem Deus, o homem pode apenas alterar aparências, mas não pode deter o tempo, nem vencer a morte.

Para ilustrar isso, imagine se o mundo voltasse a ser como era há 300 anos, sem medicamentos e tecnologias médicas. Grande parte da população não sobreviveria por muito tempo, e muitos sequer chegariam a nascer com vida. Isso revela o quanto nos tornamos dependentes de recursos para sustentar uma fragilidade crescente.

Já parou para pensar nisso? Essa é a nossa real condição. Espiritualmente, ela permanece a mesma desde o momento em que o homem escolheu viver independente de Deus. A maioria das pessoas continua sucumbindo à ação do mal, sem discernir a raiz de seus problemas.

Trata-se de uma realidade triste, que se prolonga há séculos, mascarada por uma aparência de evolução. No entanto, à luz das Escrituras, essa verdade se torna evidente.

A mensagem de Eclesiastes, portanto, não é apenas um diagnóstico da repetição e da vaidade das coisas deste mundo, mas também um convite à reflexão: se tudo se repete e nada é verdadeiramente novo longe de Deus, então a verdadeira novidade está em retornar à Fonte.

Somente na reconexão com o Criador o homem pode romper esse ciclo de repetição vazia, recuperar o sentido da existência e encontrar aquilo que realmente satisfaz o anseio pela eternidade que habita em seu coração.

Sem Deus, tudo se desgasta, se repete e perde o significado. Com Deus, até aquilo que parece antigo se renova, ganha propósito e conduz à vida verdadeira.


Missionária Oriana Costa.

sábado, 9 de maio de 2020

A parábola do tesouro escondido.

Tentar interpretar as parábolas ditas por Jesus literalmente pode gerar uma grande confusão, pois, de fato, nesse tipo de ensino, Cristo faz comparações entre duas realidades: a material e a espiritual.

E na parábola do tesouro escondido a situação apontada por Jesus terá uma aparência bem estranha ou inusitada, se for entendida somente a partir da visão de mundo que temos.

Quem, em sua sã consciência, iria trocar tudo o que possui (especialmente se for uma pessoa muito rica) por um tesouro que encontrou escondido num campo, e fazer isso com muita alegria? Seria realmente uma grande loucura.

No entanto, se quisermos ter uma compreensão clara do que o Rei Jesus nos ensina através dessa parábola, precisamos lembrar que se trata de uma comparação. Antes de tudo, devemos ter em mente que a realidade do Reino de Deus é infinitas vezes mais alta do que a nossa realidade física.

Então, o tesouro escondido encontrado pelo homem, na verdade, se trata de uma realidade muito superior à deste mundo, que é aquela existente no Reino dos céus. Ao ler a sequência de parábolas ditas por Jesus que antecedem esta que estamos analisando aqui, começamos a ter uma melhor visualização do que Cristo está dizendo.

O campo é a palavra de Deus ou a sabedoria dele. É através da sabedoria de Deus que enxergamos o Seu Reino e entendemos a Sua Justiça. Por isso, a palavra de Deus é mais preciosa que todas as riquezas do mundo reunidas.

O homem desta parábola é uma pessoa que discerniu o Reino através da palavra de Deus. Quando alguém começa a discernir o Reino de Deus pelo conteúdo de sua palavra, uma grande alegria lhe enche o coração, pois tal indivíduo agora está enxergando a verdade.

Assim, à medida que uma pessoa vai entendendo o Reino anunciado por Cristo, vai se desapegando da realidade deste mundo, e prossegue renovando seu entendimento com o ensino de Jesus. E isso acontece de forma espontânea, de bom grado, e não de forma forçada ou imposta.

É por isso que o homem, cheio de alegria, "vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo": pois, por estar enxergando a verdade, se desapegou dos princípios do mundo e colocou em primeiro lugar em seu coração os princípios do Reino.

Para concluir, fica ainda uma questão: por que o homem, após ter encontrado o tesouro, escondeu-o novamente ao invés de deixar aparente o que tinha descoberto? A resposta é simples: o Reino de Deus precisa ser discernido individualmente. Ele está ocultado do mundo e só pode ser descoberto se for desejado e buscado dentro do conteúdo das escrituras bíblicas.

Assim sendo, tudo o que podemos fazer após discerní-lo é usufruir dele e anunciá-lo através da mensagem do evangelho, mas não podemos fazer com que os outros enxerguem o Reino assim como nós estamos conseguindo vê-lo. Cada pessoa precisa ter esse discernimento de si mesma, para que desenvolva sua fé em Deus da forma correta.

Missionária Oriana Costa.




terça-feira, 28 de abril de 2020

A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade.

Para entendermos melhor sobre o que Jesus Cristo está falando no trecho bíblico que separamos aqui, vamos colocá-lo dentro do contexto do discurso onde ele está encaixado:

Os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: Por que falas ao povo por parábolas? - Ele respondeu: A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão. Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’. Mas, felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem. Pois eu lhes digo a verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram, e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram. (Mateus 13: -17)

Esta fala de Jesus, portanto, acontece após o momento em que Ele termina de anunciar o Seu Reino aos israelitas contando a famosa parábola do semeador (Leia em Mateus 13:3-8)

Ao todo, no capítulo 13 do evangelho de Mateus, encontramos sete parábolas muito interessantes onde o Rei Jesus compartilha vários detalhes de Seu Reino, porém, todos encobertos pelos simbolismos das histórias usadas para falar dele.

Para que tais jogos de palavras sejam realmente entendidos é necessário que se tenha um conhecimento prévio do Reino de Deus através de outros lugares das escrituras, ou que eles sejam explicados diretamente pelo próprio Cristo, como é o caso da parábola do semeador e da parábola do joio e do trigo.

É natural que na primeira leitura não tenhamos o entendimento claro do que algumas delas realmente estão apontando, no entanto, não é impossível entendê-las: basta que coloquemos em prática um dos ensinamentos deixados pelo Senhor Jesus que é "buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça". E buscar em primeiro lugar esse Reino significa procurar DISCERNI-LO antes de sair buscando outros tipos de conhecimento.

E não há outro caminho para se dicernir o Reino de Deus senão estudando e meditando profundamente no conteúdo do NOVO TESTAMENTO. Toda a Bíblia contém informações sobre o Reino de Deus, mas é no Novo Testamento que elas se encontram esclarecidas. 

Jesus Cristo não fala de seu Reino somente nas parábolas, mas Ele prossegue explicando claramente vários aspectos desse maravilhoso lugar aos seus discípulos em outros momentos, os quais estão devidamente registrados nos quatro evangelhos e também nas cartas dos apóstolos.

Então, voltando ao trecho bíblico que estamos querendo entender, o que o Cristo está declarando é o seguinte: a quem já busca "o conhecimento do Reino de Deus" será dado ainda mais, mas, a quem não busca esse conhecimento, o pouco que tiver acessado lhe será tomado.

E não é à tôa que o Rei Jesus fala estas palavras, pois elas complementam o raciocínio da parábola do semeador, contada por Ele antes. Nessa parábola, Cristo mostra que existe uma entidade trabalhando incessantemente para roubar das pessoas "a semente", que se trata do conhecimento ou da mensagem de Seu Reino. 

Então, o Maligno, assim como explica Jesus, mantém as pessoas que não valorizam ou não priorizam o conhecimento do Reino de Deus desprovidas de mais informações que poderiam ajudá-las a enxergar claramente a existência deste lugar, e posteriormente usufruir de sua perfeita realidade. Por isso, é de extrema importância buscar diariamente o entendimento desse maravilhoso lugar eterno.

Só é possível desejar estar no Reino de Deus se ele for plenamente conhecido através das escrituras bíblicas. Sem informações claras sobre ele, jamais iremos desejar fazer parte dEle, ou querer que ele se manifeste em nós e entre nós, já que ainda não temos como vê-lo fisicamente falando.

O poder que emana do Reino de Deus é o mesmo que fluiu do nosso Criador quando fez todas as coisas no universo, incluindo a nós mesmos. Então, somente esse poder é capaz de libertar e curar verdadeiramente o coração e o corpo humano, pois consegue alcançar a raiz dos nossos problemas, que são causados pela operação da maldade que está entranhada dentro de nós. Então, somente o poder de Deus pode interferir com eficácia onde as ciências deste mundo não conseguem atingir.

Seguindo com a leitura do capítulo 13 do evangelho de Mateus observamos Cristo explicar o significado da parábola do semeador, e ali Ele alerta que, para se manifestar na vida de alguém, o Reino de Deus precisa ser antes DISCERNIDO através da anunciação da mensagem evangelística e em seguida PRIORIZADO por quem recebe a mensagem.

Dessa forma, o Maligno trabalha de duas maneiras: a primeira é cegando e ensurdecendo as pessoas espiritualmente, para que não experimentem o Reino pela mensagem do evangelho; e a segunda é impedindo as pessoas que já conseguiram experimentá-lo de perseverar em priorizá-lo, ainda que tais pessoas sejam muito estudadas e inteligentes: e ele faz isso com muita sutileza, desviando e prendendo o foco dos indivíduos na realidade material.

Assim sendo, sem ser discernido pelo conhecimento das escrituras, o Pai da mentira fica livre para jogar ideias que, se forem levadas em consideração, vão gerando sentimentos e desejos que ocuparão ao máximo a mente das pessoas nas atividades do dia-a-dia, nos entretenimentos ou nas circunstâncias adversas.

É importante saber que, como o Reino de Deus é um lugar situado na dimensão eterna ou espiritual, Ele não pode ser entendido sem que antes seja VISTO ou experimentado espiritualmente; por isso, atente: um indivíduo que vai à igreja e ouve as pregações, e em casa até mesmo estuda e conhece muito o conteúdo da Bíblia, mas, no entanto, nunca acordou para a existência do Reino de Deus pelos próprios registros das escrituras, obviamente ainda não entrou nesse reino nem conseguirá desejá-lo ou mesmo anunciá-lo. Tal pessoa ainda está presa ao conhecimento religioso e precisa urgentemente ser convencida do pecado, da Justiça e do juízo pelo Espírito de Deus! 

A fé em Deus só tem sentido quando Seu Reino é discernido; infelizmente, é por causa da falta desse discernimento que hoje vemos mais e mais pessoas afirmarem que não acreditam ou que deixaram de acreditar em Deus, como também vemos tantas outras desistirem de congregar. E, paralelamente a essas situações, isso é o que tem acontecido dentro das próprias igrejas: sem discernirem o Reino de Deus ao longo dos séculos, várias doutrinas demoníacas tem sido recebidas como vindas do nosso Criador, e tais conhecimentos tem mantido as pessoas presas na escravidão do pecado sem que elas possam perceber.

Antes de concluir este texto, preciso lembrar algo importante: não se desanime se hoje as pessoas não estão mais recebendo a Jesus como Senhor e Salvador como acontecia há alguns anos atrás, ou a quantidade de pessoas que frequentam as igrejas cristãs está diminuindo.

De acordo com a advertência de Cristo, quanto mais o tempo passa mais a operação da maldade deve ganhar força sobre a face da terra, de maneira que grande parte das pessoas no mundo inteiro ficará insensível à realidade espiritual, e vai deixar de dar importância à mensagem do evangelho, caracterizando o fim dos tempos.

Quem entrou no Reino de Deus pela fé na mensagem da salvação deve continuar fazendo a sua parte, e o Senhor Jesus o recompensará devidamente no grande Dia da sua segunda vinda.

Missionária Oriana Costa.

sábado, 25 de abril de 2020

Série meditando no Salmo 119: versículos 74, 75 e 76.

Meditando no conteúdo das escrituras bíblicas sempre iremos nos deparar com muitos conceitos diferentes daqueles ensinados pela sabedoria mundana, e que se tornam difíceis de entender se não estivermos previamente conscientes de sua origem.

A palavra de Deus aponta o tempo todo para a existência de uma realidade que é espiritual, e que está acima e também origina a realidade material onde nosso universo existe. E da mesma forma que encontramos leis regendo todas as coisas no nosso planeta, por exemplo, também veremos leis regendo todas as coisas na dimensão espiritual, de acordo com o que nos revela o conteúdo bíblico.

E assim como as leis que mantém nosso universo em pleno funcionamento não falham e não mudam, as leis que fazem parte da Justiça de Deus também são infalíveis e invariáveis.

Na verdade, as leis que mantém o nosso universo material funcionando plena e perfeitamente não falham e não mudam exatamente porque são provenientes das leis que compõem a Justiça de Deus. E, dentre outros conceitos fundamentais, nós precisamos ter consciência dessa informação para poder entender a Bíblia claramente.

Ao longo do Salmo 119 vemos o escritor comparar a Justiça de Deus com a justiça dos homens todo o tempo, dando a devida honra às leis perfeitas que foram instituídas pelo nosso Criador.

No entanto, as justas ordenanças para as quais o salmista se refere, não somente no trecho em questão, mas em todos os locais onde o salmista faz referência a elas, não se trata do conjunto de leis dadas a Moisés no Monte Sinai, e sim dos mandamentos que integram a legislação do Reino de Deus e que foram instituídos antes da formação do universo material que conhecemos. Esses mandamentos nos são revelados pelo ensino de Jesus Cristo.

No trecho que estamos analisando aqui, que vai do versículo 74 ao 76 do salmo 119, observamos três aspectos importantes da legislação eterna. O primeiro, é que o conhecimento da Justiça de Deus gera "temor" a Ele nos corações.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, esse temor não se trata de medo, mas de uma reverência absoluta à autoridade do nosso Criador, pois ao conhecer as leis que regem as dimensões eterna e física o sujeito passa também a conhecer quem é Deus verdadeiramente.

É por isso que o salmista especifica no verso 74 que só aquelas pessoas que "temem" a Deus se alegram ao verem alguém colocando suas esperanças e espectativas nEle, especialmente quando este alguém está passando por circunstâncias difíceis em sua vida.

Pessoas que não tem temor a Deus geralmente são aquelas que, por não darem valor ao conteúdo da palavra de Deus, ignoram a existência de Seu Reino e a ação da Sua Justiça. E exatamente por desconhecerem os princípios do Reino de Deus, e não entenderem a integridade e fidelidade do nosso Criador em cumprir todos os preceitos da sua reta justiça, é que tais indivíduos jamais irão respeitá-lo ou reverenciá-lo.

O segundo e terceiro aspectos observados é que o escritor também fala em um "castigo" proveniente de Deus sobre sua vida, no versículo 75; mas, logo no verso seguinte, menciona o "amor" do seu Criador como sendo seu consolo. Essas afirmações vão nos parecer contraditórias se os conceitos de castigo e de amor que estiverem em nossas mentes forem aqueles provenientes da sabedoria do mundo.

O salmista segue expondo que "as ordenanças de Deus são justas" e que se ele foi castigado é porque "Deus é fiel em cumpri-las". De fato, existe algumas informações nas entrelinhas desse trecho do salmo 119 que precisamos ter, para então entendermos plenamente o que o escritor está declarando aqui.

As ordenanças da legislação do Reino de Deus são claramente punitivas para o mal. O nosso Criador não tolera a maldade de nenhuma forma, porque a ação dessa entidade perverte o cumprimento da sua reta justiça, trazendo sofrimento, destruição e morte para a Sua criação.

Portanto, o juízo contido nos preceitos da Justiça de Deus SÃO PARA A MALDADE e não para a criação. Isso mesmo: a punição é para o MAL e não para os homens e demais seres vivos. Por ser de origem espiritual, o mal não pode ser julgado por Deus de outra maneira, senão com a sua destruição; e por ser sobrenatural, sua essência não pode ser convertida em bondade.

O problema é que o homem deixou o conhecimento da maldade (ou conhecimento do bem e do mal) entrar em si, de forma que agora tal "poderio" faz parte não somente da realidade espiritual, mas também da realidade material dos seres humanos. Ele está dentro de todas as coisas vivas do planeta, e, especialmente nos seres humanos, vai gerando sentimentos e desejos contrários aos preceitos da Justiça de Deus; e quando tais desejos e sentimentos contrários são realizados, consumam o que as escrituras bíblicas conceituam como iniquidade, injustiça ou pecado.

Se alguém transgride os preceitos da Justiça de Deus e por não enxergar tal situação não se arrepende de seus erros, inevitavelmente receberá sobre sua vida o juízo RESERVADO PARA O MAL; contudo, esta definitivamente não é a vontade do nosso Criador para nenhum de nós.

O que Ele realmente deseja é que todos nós aprendamos a verdade do conhecimento da Sua Justiça, e através dessa consciência possamos rejeitar a operação da maldade que age de diversas formas dentro de nós e ao nosso redor, no mundo onde vivemos; é movido por este desejo que Ele tem trabalhado para livrar a humanidade do juízo que Ele mesmo decretou sobre a maldade.

O castigo de Deus, na verdade, acontece para que possamos discernir nossos erros e assim nos arrependamos deles, antes que o juízo reservado para a operação da maldade nos antinja. E diferente do que muitos acham, esse castigo não acontece com a manifestação de doenças, prejuízos, destruição ou morte, mas acontece PELO CONFRONTO DO INDIVÍDUO COM O CONHECIMENTO DA JUSTIÇA DE DEUS. E esse confronto é bem desconfortável, pois sua finalidade é abrir nossos olhos para nos levar ao arrependimento sincero das nossas transgressões.

Deus é realmente bom, e Ele jamais deixaria os seres humanos que criou a sua imagem e semelhança à mercê da destruição decretada sobre a maldade, vendo que há possibilidade dos indivíduos se arrependerem de seus erros ao conhecerem a verdade da Sua Justiça.

E aqui é importante entender que quando o juízo do Dilúvio foi enviado à terra, naquele momento as pessoas CONHECIAM OS PRINCÍPIOS DA RETA JUSTIÇA DE DEUS CLARAMENTE MAS, NO ENTANTO, NÃO SE ARREPENDIAM MAIS DE SUAS TRANSGRESSÕES A FIM DE SE ADEQUAREM AOS FUNDAMENTOS DA CRIAÇÃO, com exceção de Noé e sua família; por este motivo estes foram os únicos poupados naquele terrível acontecimento.

Com base nesse entendimento é que o salmista diz que o amor de Deus o conforta: ele tinha absoluta certeza de que Deus, ao castigá-lo, desejava livra-lo de receber o juízo de destruição que já está decretado sobre o mal antes da fundação do mundo. A Justiça de Deus declara que todos aqueles que vivem segundo seus preceitos são livrados do juízo que está decretado para a maldade, e o salmista afirma que tinha nesse conhecimento o seu consolo.

Concluindo: Deus é justo porque é amor. Deus é fiel porque é amor. Deus é bom porque é amor. E exatamente porque Ele é fiel no cumprimento do seu Amor foi que enviou a nós o Seu Filho Jesus Cristo, pois Ele deseja que todos os seres humanos possam enxergar como funciona a Sua Justiça e que assim sejam livrados de um iminente juízo, maior do que a morte física, que virá sobre a operação da maldade no futuro a fim de exterminar seu reinado e sua ação de uma vez por todas.

Missionária Oriana Costa.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

A fé verdadeira em Deus.


Com certeza você já deve ter se admirado com a impetuosidade e beleza das grandes árvores dos bosques e das florestas, não é mesmo? Elas são magníficas estruturas vivas e rígidas, pesadas e muito bem fixas no solo com suas raízes profundas. Algumas delas são tão grandes e possuem troncos tão robustos que em alguns lugares do mundo acabam servindo de moradia para algumas pessoas.

Porém, essas árvores demoram muitos anos até que fiquem bem altas e com seus troncos muito largos e densos, e suas raízes se aprofundem na terra. O início delas é uma frágil e pequena semente, que precisa de um lugar com os nutrientes adequados e que seja bem protegido da ação dos animais, da chuva e do vento, para que então se desenvolva corretamente com o passar do tempo.

Pois assim mesmo é a vida de uma pessoa que tem a fé genuína em Deus. Uma vida de fé verdadeira não passa a existir de uma hora para outra. Demora anos para amadurecer. E ela se inicia com uma semente que precisa achar O PRIMEIRO LUGAR no coração de alguém, para que possa se desenvolver.

O conhecimento do Reino de Deus é esta semente. Inicialmente ele é pequenino e delicado. Mas É SOMENTE DELE que nasce uma vida de fé verdadeira em Deus. Se com perseverança tal semente for irrigada e alimentada da forma correta, torna-se uma grande árvore na vida de alguém, fazendo com que tal pessoa dê muitos frutos desse conhecimento e ela mesma usufrua de altos benefícios que não podem ser achados no mundo.

Jesus Cristo nos revela essa realidade através da parábola do grão de mostarda, que pode ser lida no capítulo 13 do evangelho de Mateus.

Assim sendo, é preciso MUITOS ANOS de dedicação para que um dia a fé em Deus no coração de alguém atinja a maturidade. E quando ela chega a este nível, traz para esse indivíduo a plenitude da realidade do Reino de Deus, que é infinitas vezes superior aquela que o mundo nos disponibiliza e que pode ser resumida em uma situação diferenciada de Paz, Justiça e Alegria, que caracterizam a VIDA ETERNA.

O mundo não pode jamais oferecer tal realidade para nós, visto que ele é perecível: nele não há coisas boas que durem para sempre. O que há nele é a operação "sutil" da maldade que é geradora de injustiça, sofrimento, desespero, medo, dúvida, violência, confusão e morte. Então, o mundo pode oferecer alguns momentos bons ou de bem-estar, mas que logo são suprimidos pelas adversidades que também acontecem nele. É desta maneira que os seres humanos que escolhem viver conforme a realidade do mundo vão seguindo.

Portanto, para que alguém usufrua da plenitude do Reino de Deus na terra é necessário conhecê-lo verdadeiramente e chamá-lo à existência praticando OS PRINCÍPIOS que operam neste lugar. Eles nos são revelados e ensinados por Cristo a fim de que se sobreponham às informações advindas do mundo mal em que vivemos.

As informações mundanas entram de diversas formas e sem resistência nos corações desde a infância, e vão se tornando a base das vidas das pessoas. Isso só não acontece quando os pais, conhecendo de antemão o Reino e a Justiça de Deus, ensinam diretamente seus princípios aos filhos. É somente adquirindo o conhecimento do Reino e da Justiça de Deus que somos capacitados a dicernir e rejeitar a operação da maldade que provém do mundo.

Assim sendo, a ÚNICA forma de regar e nutrir corretamente a fé em Deus é alimentando nossas mentes com a verdade do Reino de Deus ensinada por Cristo; essa verdade também é conhecida como "amor" ou "amor de Deus". E alimentar a mente com tal conhecimento até que este se torne uma realidade em nosso dia-a-dia exige grande PERSEVERANÇA, pois o amor ensinado por Jesus é totalmente contrário à realidade que o conhecimento da maldade operante no mundo vem nos impondo desde a nossa meninice, e na qual normalmente a maioria de nós já se acostumou a viver.

Por isso, leva-se anos para que todo o conhecimento enganoso que entrou em nossos corações proveniente da maldade do mundo seja substituído pelo conhecimento do amor de Deus ensinado por Cristo, e por fim a nossa fé em Deus atinja a maturidade.

E então, quando a fé genuína está realmente madura na vida de alguém, ela gera o empoderamento da AUTORIDADE dada aos cidadãos do Reino de Deus pelo Rei Jesus, e também gera uma SEGURANÇA tremenda ou uma grande convicção, que resultam em uma vida justa, alegre, pacífica, provida e saudável, em um comportamento sábio e acompanhado de contínuas ações de graças ao Pai Criador, com momentos maravilhosos e até indescritíveis na presença dele e que culminam em homenagens (louvores) ao Rei Jesus diariamente.

E todo esse comportamento espiritual vai fluindo naturalmente e independentemente da variação das circunstâncias no mundo. Essa é a realidade plena do Reino de Deus.

Como se pode ver, a fé em Deus não é instantânea e também não é nada que se viva de maneira imposta ou forçada, como propõe o pensamento religioso do mundo.

As mudanças efetivas de caráter e a maioria dos milagres advindos da fé genuína em Deus não vão acontecer de uma hora para outra na vida dos indivíduos, pois não há como se provar da maravilhosa  realidade do Reino de Deus sem uma insistência em buscar entendê-lo com clareza, meditando diariamente nas informações contidas nas escrituras e procurando praticá-las. Isso realmente leva tempo e requer muita paciência! Crescer em fé é um processo lento e pode-se dizer também sofrido (porque envolve arrependimento e desapego), mas que a longo prazo traz BÔNUS ETERNOS.

E também não é nada místico: é uma REALIDADE RACIONAL E PERFEITA que se vive pela aquisição e prática de um conhecimento específico, que é estável e infalível: ele não muda com o passar do tempo e o cumprimento da sua legislação não falha jamais.

É muitíssimo importante entendermos que a realidade espiritual PRECISA PASSAR PELA NOSSA RAZÃO, e ser fortalecida em nossas mentes e corações através de uma busca constante, ou não poderemos usufruir dela em sua plenitude.

Então, que fique claro: o nascimento, crescimento e amadurecimento da fé verdadeira em Deus depende diretamente de um primeiro contato com o conhecimento do REINO E DA JUSTIÇA DE DEUS revelado por Cristo, que deve ser seguido de um aprofundamento nele; esse conhecimento está publicado nas escrituras bíblicas e faz parte do conteúdo dos evangelhos e das cartas dos apóstolos. Sem a aquisição dessa sabedoria é impossível que alguém conheça e creia no Deus vivo e se relacione intimamente com Ele.

Missionária Oriana Costa.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Basta ao discípulo ser como o seu mestre


As palavras de Cristo no trecho bíblico na imagem não se referem à importância que um discípulo ou um servo dele terá na terra ao imitá-lo. De fato, aqui Jesus está se referindo às situações difíceis que poderemos passar ao anunciar o Reino e a Justiça de Deus ao mundo.

Dando uma olhada nos versículos anteriores e posteriores a essa fala do Senhor, temos certeza de que Ele está dando um alerta aos que trabalham na sua obra a não temerem ou se assustarem por causa das dificuldades que encontrarão em seus caminhos, que não serão poucas. 

Certamente que Cristo não iria deixar seus discípulos desavisados do que teriam de enfrentar, pois, sem esse aviso, todos desistiriam de anunciar a verdade do evangelho por causa das aflições que iriam passar.

Simão Pedro, antes mesmo de iniciar seu ministério apóstolico, sentiu medo de confessar publicamente que seguia a Cristo, ao assistir tudo o que estava acontecendo com seu mestre. E percebam que Pedro fez isso tendo desacreditado do Senhor Jesus quando este lhe avisara sobre o episódio da "negação" (quando ele negou Jesus três vezes). Porém, após a ressurreição de Cristo, e depois de ter entendido claramente a mensagem do Reino, Pedro perdeu esse medo e prosseguiu em seu chamado seguro da fidelidade de Seu Salvador e Rei.

Vejamos a seguir as orientações do Rei Jesus:

"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; e sereis conduzidos até à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. (...) E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; (...) Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mateus 10:16-25)

Portanto, Deus não deixa ninguém desavisado. Antes que as situações aconteçam, Ele dá o alerta. Quem anuncia a mensagem de salvação muitas vezes será incompreendido, assim como o Rei Jesus foi, e sofrerá angústias até mesmo dentro de suas próprias famílias.

Também é importante saber que Deus não quer que seus Filhos sejam mortos ao anunciarem o evangelho da salvação. Cristo adverte que, se não estivermos sendo aceitos e sofrermos muita perseguição e risco de sermos exterminados em um determinado lugar, podemos fugir para outro e continuar com a nossa missão.

Mas, uma das coisas mais importantes que Ele diz é sobre o que pode vir a acontecers as nossas vidas: muitos dos que estão atendendo seus chamados vão ser mortos em determinados lugares onde a perseguição religiosa é ferrenha; porém, a palavra dada é para que não tenhamos medo das ameaças e da possibilidade de sermos alvos dos que odeiam a verdade, pois o nosso Criador está a par de tudo, e tudo será devidamente julgado.

E assim prossegue Cristo:

Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos. (Mateus 10:26-31)

Com essas palavras, Jesus Cristo está nos lembrando que a morte física não é o nosso fim, tampouco é o fim daqueles que odeiam o evangelho. Se assim fosse, não existiria um julgamento posterior a tal evento. Ele nos lembra sobre isso, pois nossa tendência natural é esquecer a realidade eterna na qual fomos concebidos e ter medo de morrer ou de perder nossos parentes dessa maneira, assim como aconteceu com o Apóstolo Pedro, que negou Jesus por medo de ser julgado e condenado à morte. 

E quem, após ter recebido a revelação do Reino de Deus e de sua Justiça, recua diante das resistências que enfrenta ao anunciar ao mundo essa verdade e desiste do seu trabalho e da fé em Deus movido pelo medo do que terá de enfrentar, está negando a Cristo.

É por isso que após dar todas essas instruções aos seus discípulos, Ele diz:

"Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 10:32,33)

Missionária Oriana Costa













sábado, 8 de fevereiro de 2020

Falsos profetas - quem são eles?

Afinal, quem são esses falsos profetas aos quais Cristo se refere nesse trecho do evangelho?

Ele segue sua fala revelando como podemos reconhecê-los: "Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!" (Mateus 7:16-20)

E o Apóstolo Pedro dá detalhes de quem são esses falsos mestres e que tipo de frutos eles estão dando:

"No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. (...) eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês. Tendo os olhos cheios de adultério, nunca param de pecar, iludem os instáveis e têm o coração exercitado na ganância. (...) eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erro. Prometendo-lhes liberdade, eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina. Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio. Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido.(2Pedro 2:1-21)

Então, de acordo com o registro das escrituras bíblicas, antes de sair acreditando e aceitando tudo o que lemos ou ouvimos sobre Deus de outras pessoas, devemos prestar atenção no tipo de obra que essas pessoas estão fazendo.

Quando Cristo fala de frutos bons e frutos ruins, Ele está se referindo a anunciação do Seu Reino. Quem anuncia o Reino de Deus claramente, e ensina sobre a Justiça de Deus conforme está nas escrituras bíblicas, está fazendo a boa obra ou dando bons frutos. Quem, no entanto, perverte ou distorce a mensagem de anunciação do Reino de Deus e prossegue divulgando informações equivocadas sobre a Justiça eterna, está fazendo uma obra má, está dando frutos ruins.

Por isso, é de suma importância que os cristãos verdadeiros, que são aqueles que acreditam na obra redentora de Cristo, compreendam o Reino de Deus e a sua justiça perfeitamente: assim terão condições de discernir as boas e as más obras às quais o Rei Jesus se refere, recebendo o livramento de serem enganados por esses indivíduos mal intencionados.

Observando o segundo capítulo da carta do Apóstolo Pedro aos cristãos de sua época, cujos trechos foram citados aqui em nosso texto há pouco, encontramos alguns aspectos apontados por ele sobre o comportamento dos falsos profetas:

- Eles vão introduzindo sutilmente entre os cristãos um conhecimento contrário à Justiça de Deus, capaz de matar a fé das pessoas na obra redentora de Jesus Cristo (heresias destruidoras).
- Eles recebem juízo rápido por causa de seus atos (atraem para si mesmos destruição repentina)
- Os falsos mestres costumam explorar as pessoas usando histórias inventadas por eles, movidos por sua cobiça.
- Acham prazeroso entregar-se à devassidão em plena luz do dia.
- Se aproveitam da boa vontade dos outros ao participarem de eventos cristãos.
- São adúlteros e não se arrependem disso.
- Costumam iludir aqueles que ainda não se firmaram na verdadeira fé em Deus
- São extremamente gananciosos.
- São pessoas que a princípio creem na obra justificadora de Jesus, mas depois abandonam a fé, a fim de se satisfazerem materialmente.
- São pessoas arrogantes e que com seus discursos cheios de vaidade provocam nos outros os desejos libertinos da carne, e conseguem seduzir pessoas para que desistam de se desapegarem do mundo.
- Prometem liberdade aos outros instigando-lhes a seguir pelo caminho mais fácil, que é contrariando ou corrompendo a reta justiça de Deus.

Indo mais adiante nas cartas dos apóstolos, encontramos um trecho onde o Apóstolo João também mostra como se discerne um falso profeta:

"Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve." (1João 4:1-5)

É interessante que João mostra primeiro como se discerne o que vem de Deus, para em seguida apontar como reconhecer o que não vem dele. E Deus não nega a si mesmo. Ele não contraria a legislação eterna que Ele mesmo estabeleceu. Portanto, quem fala em nome de Jesus, concorda com sua obra redentora, o que quer dizer que esse alguém afirmará que "Jesus Cristo veio em carne".

A expressão "Jesus Cristo veio em carne" significa que o Deus Criador enviou ao mundo sua justiça na forma humana, para dar a toda a humanidade a oportunidade única de ser justificada gratuitamente de suas transgressões contra a Justiça de Deus, e com isso disponibilizar a todos os que creem o direito à herança da vida eterna (em concordância com João 3:16).

É importante observar que quando o Apóstolo João fala "não creiam em qualquer espírito", ele não está dizendo que temos que lidar corriqueiramente com espíritos, como anjos, com Satanás ou um demônio, ou com o Espírito de Deus de forma visível ou manifestada materialmente.

De fato, geralmente nós temos que lidar com pessoas de carne e osso como nós mesmos somos, todos os dias; portanto, quando ele diz "espíritos", nesse caso, está se referindo à motivação que leva uma pessoa a ensinar, pregar ou divulgar certas informações. Se alguém está motivado pelo mundo, divulgará aos outros um conhecimento contrário ao Reino e à Justiça de Deus; se alguém está motivado por Cristo ou pelo Espírito de Deus, ensinará sobre e a favor do Reino de Deus e de Sua Justiça.

E para enriquecer ainda mais este texto explicativo sobre falsos profetas, não poderia também deixar de citar aqui o episódio onde os Apóstolos Paulo e Barnabé se encontram com um falso profeta, em uma das cidades que passaram evangelizando:

"Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar. Viajaram por toda a ilha, até que chegaram a Pafos. Ali encontraram um judeu, chamado Barjesus, que praticava magia e era falso profeta. Ele era assessor do procônsul Sérgio Paulo. O procônsul, sendo homem culto, mandou chamar Barnabé e Saulo, porque queria ouvir a palavra de Deus. Mas Elimas, o mágico (esse é o significado do seu nome) opôs-se a eles e tentava desviar da fé o procônsul. Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse: "Filho do diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os retos caminhos do Senhor? Saiba agora que a mão do Senhor está contra você, e você ficará cego e incapaz de ver a luz do sol durante algum tempo". Imediatamente vieram sobre ele névoa e escuridão, e ele, tateando, procurava quem o guiasse pela mão. O procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, profundamente impressionado com o ensino do Senhor. (Atos 13:5-12)

O fato curioso aqui é que o falso profeta Barjesus era um judeu e não um cristão; provavelmente ele ouviu a mensagem do evangelho da salvação e creu, mas depois renunciou a fé para ganhar dinheiro com a prática da magia. E o pior é que, além de ter desprezado a mensagem de salvação, sendo ele judeu, também estava desprezando a Lei, que deveria saber e obedecer: um de seus mandamentos condena a prática de feitiçaria, magia e adivinhação (leia Deuteronômio 18:9-13)

Após ser desmascarado na frente do procônsul, o falso profeta foi imediatamente julgado e punido ali mesmo onde estava, por causa de sua conduta maligna. E, graças à segurança que aqueles homens tinham pelo conhecimento da verdade e à ousadia deles, mais uma alma creu na mensagem do Reino de Deus.

E encerrando este pequeno estudo, vamos ler o julgamento e a condenação que aguarda os falsos mestres, e que serão feitos pelo Rei Jesus Cristo:

"Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’" (Mateus 7:21-23)

Percebam que muito provavelmente, de acordo com o que o Rei Jesus ensina, os falsos cristãos são pessoas influentes que estão ensinando, profetizando, expulsando  demônios e realizando milagres EM NOME DELE; e assim muitos estarão admirando o trabalho desses indivíduos e acreditando neles por isso!

No entanto, o Rei alerta para avaliarmos o conteúdo da mensagem e o rastro que tais pessoas estão deixando por onde passam, pois suas obras más estarão misturadas com as práticas que julgamos ser provenientes de Deus. Eles agem como quem faz a boa obra, mas, concomitantemente, vão se aproveitar da boa vontade das pessoas para abusarem delas financeiramente, socialmente (buscando poder e status) e sexualmente.

Lembrem-se: os falsos mestres e falsos profetas, apesar de falarem que "só Jesus salva" e de fazerem seus trabalhos "em nome de Jesus Cristo", com muita sutileza VÃO NEGAR A OBRA REDENTORA DO SENHOR, e, portanto, negarão em vários pontos a Justiça de Deus: por isso é muito importante que tenhamos o domínio desse conhecimento. Milagres e outros acontecimentos sobrenaturais são muito bons, mas não são eles que trazem a fé genuína em Deus: essa fé vem do entendimento claro do Reino e da Justiça dele.

Portanto, palavras que revelam nossos passados e futuros, e outros eventos e manifestações sobrenaturais, por mais maravilhosos que sejam, por si sós não são suficientes para manterem as pessoas firmes na fé salvadora. Em alguns momentos eles são necessários, mas servem apenas para confirmar que a mensagem de anunciação do Reino de Deus é verdadeira, e também confirmar a justificação que Deus disponibiliza a todos nós eternamente. Fiquem atentos!

Missionária Oriana Costa.






terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Série meditando no Salmo 119: versículos 67 e 68

Mais uma vez, parece que estamos lendo frases contraditórias. Como é que um indivíduo é "castigado" por alguém e ao mesmo tempo diz que essa pessoa é boa, sem sentir por ela nenhuma raiva?

Muitas pessoas entendem o castigo de Deus conforme a realidade do mundo, que ensina os indivíduos a agirem com maldade uns com os outros, especialmente quando se trata de aplicar castigos. Alguns pais, por exemplo, movidos pela raiva que sentem no momento, acabam maltratando, sendo injustos e violentos na hora de castigarem seus filhos. Porém, o castigo de Deus é uma correção baseada na sua justiça, que é separada da maldade do mundo, e por isso jamais é feito de forma violenta ou destruidora.

Quando Deus castiga um filho seu, é com o propósito de trazê-lo de volta à vereda da sua Justiça e não de maltratá-lo. É por essa razão que o salmista diz que só passou a obedecer à palavra de Deus após ser corrigido por Ele.

Portanto, Deus jamais irá disciplinar seus filhos com enfermidades, ou com prejuízos, ou com destruição e morte, se o que Ele deseja para seus filhos É BOM PARA ELES. Assim sendo, Ele corrige seus filhos FALANDO DIRETAMENTE COM ELES, confrontando-os com seus erros e lembrando-lhes o que está escrito.

Em Gênesis, muito antes da Lei de Moisés ser instituída, vemos um bom exemplo de como realmente é o castigo de Deus. No capítulo 4, observamos como foi que Deus castigou Caim por causa de suas maldades: ELE NÃO ACEITOU A CONDUTA DE CAIM E NEM A SUA OFERTA, e dessa forma o confrontou com os seus erros. No entanto, Caim não aceitou o castigo de Deus e se ofendeu, ao invés de se corrigir. Deus o advertiu segunda vez para dominar a carne e se alinhar a sua justiça, mas Caim não o ouviu e agiu movido pela inveja e pela raiva que sentia, matando seu irmão. (Gênesis 4:3-8)

Quem se lembra como Jesus "castigou" seus discípulos? Ele alguma vez colocou neles enfermidades, ou tirou deles alguma coisa? Jesus por acaso açoitou seus discípulos quando viu seus erros? NÃO!!! No entanto, Cristo castigou seus discípulos CONFRONTANDO-OS com a Justiça de Deus; alguns deles não aceitaram a disciplina e deixaram de segui-lo por isso.

Na passagem a seguir vemos um desses momentos de correção: "(...) Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: "Dura é essa palavra. Quem consegue ouvi-la?" Sabendo em seu íntimo que os seus discípulos estavam se queixando do que ouviram, Jesus lhes disse: "Isso os escandaliza? Que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subir para onde estava antes! O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida. Contudo, há alguns de vocês que não crêem". Pois Jesus sabia desde o princípio quais deles não criam e quem o iria trair. E prosseguiu: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai". Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo. Jesus perguntou aos Doze: "Vocês também não querem ir?" Simão Pedro lhe respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus". Então Jesus respondeu: "Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo! " (Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria de traí-lo.)" (João 6:60-71)

É por isso que o salmista diz que foi castigado por Deus, mas que Ele é bom E QUE TUDO O QUE ELE FAZ É BOM: e isso inclui, obviamente, a disciplina que Ele aplica aos que dela estão precisando!

É importante entender que é impossível que alguém ande de acordo com a justiça de Deus sem nunca ser corrigido por Ele, pois o conhecimento do bem e do mal (maldade), que está entranhado em nossa carne, nos influencia diariamente a transgredir as leis justas e eternas estabelecidas pelo nosso Criador.

Por este motivo, o apóstolo Paulo fala: "Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado." (Romanos 7:18-25)

A correção, que também é chamada na Bíblia de castigo de Deus, portanto, é necessária para que não permaneçamos pecando o tempo todo contra Ele. É também dessa maneira que nos alinhamos à realidade de Seu Reino, e podemos usufruir de todas as maravilhosas dádivas desse lugar.

Outra coisa que precisamos entender é que o castigo de Deus e o juízo dele são duas coisas diferentes. O castigo ou a correção é feito para confrontar alguém com seus erros, a fim de gerar arrependimento e alinhamento com a Justiça de Deus. Já o juízo eterno é uma sentença emitida definitivamente sobre aqueles que não aceitaram a correção, e que também está embasado nas leis da Justiça de Deus.

Também é importante lembrar que quem não aceita a correção de Deus fica vulnerável a ação de Satanás, sem poder discerní-lo e sem poder resistí-lo. Assim, o que Deus deseja ao nos confrontar não é nos humilhar ou nos maltratar, mas sim nos livrar de ser atingidos pelo Maligno, cuja intenção é sempre matar, roubar e destruir.

Por causa disso, lemos também esta fala de Cristo: "Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se." (Apocalipse 3:19)

Se alguém deseja realmente conhecer a Deus, o seu Reino e a sua Justiça, deve olhar para Cristo, pois Ele foi enviado ao mundo para revelar a todos quem realmente o Criador é e como Ele age. Quem toma por base especialmente o conteúdo do Antigo Testamento para entender quem Deus é vai ter um entendimento equivocado sobre Ele.

O conteúdo do Antigo Testamento é imprescindível para entendermos que precisamos de salvação; ele nos aponta desde o início a entrada do pecado no mundo pela decisão do homem, e o que Deus precisou fazer, antes de enviar Seu Filho, para impedir que a humanidade se perdesse para sempre. Ao enviar Cristo, o nosso Criador finalmente deixou bem claro para o mundo quem Ele é: Ele é BOM em todo o tempo.

Deus sempre será cuidadoso e compassivo com seus filhos. A vontade dele para nós sempre será boa, agradável e perfeita.

Missionária Oriana Costa


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Não dêem o que é sagrado aos cães.

Por que será que Jesus falou essas palavras? O que é sagrado? E que pérolas são estas que Ele disse que nós, que o seguimos, temos? E os cães e porcos, de que se tratam?

À primeira vista, este ensino de Cristo parece bem estranho e difícil de entender, mas, a própria palavra de Deus nos esclarece sobre o que o Rei Jesus está nos ensinando aqui.

Para começar, devemos entender o que é algo sagrado, na visão de Deus. Para Ele, algo sagrado é aquilo que lhe pertence, que vem dele, que está desvinculado da maldade, como Ele mesmo está. Portanto, Cristo aqui está se referindo ao conhecimento da Justiça de Deus. Este conhecimento é puro, não há maldade nele e vem do próprio Deus: por isso é sagrado.

É unicamente através desse conhecimento que podemos julgar pessoas e situações corretamente, pois foi através dele que todas as coisas foram criadas.

O conhecimento da justiça de Deus é muito valioso, e por este motivo, Cristo também se refere a ele como se fosse pérolas. A sabedoria de Deus é a coisa mais preciosa que há, e nada daquilo que possamos desejar de valioso oferecido por este mundo pode se comparar a ela (Provérbios 8:11).

Observando o momento em que Jesus orienta seus seguidores com este ensino, vemos que se continua logo após a parte onde o nosso mestre fala de "julgamento"; Cristo vinha já alertando que da mesma forma que julgarmos aqui na terra nós também seremos julgados, e que, por isso, só devemos julgar pessoas e situações se estivermos com nossas vidas alinhadas ao conhecimento da reta Justiça de Deus.

Assim, aquilo que estamos dizendo é recebido sem resistência, pois será discernido como vindo de Deus e como uma ajuda necessária, sem que ocorra oposição da outra parte por ver em nós falhas similares aquelas que estamos tentando lhe apontar.

Mas, em seguida, Jesus também nos alerta quem nós deveremos julgar. Sim, é isto mesmo! Não podemos sair confrontando quaisquer pessoas só por estarmos andando segundo a reta Justiça de Deus. É por isso, que logo após Ele falar da trave em nossos olhos e do cisco no olho do nosso irmão, Ele diz: "Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos..."

Trocando em miúdos, é como se Ele estivesse dizendo: julguem os que estão na mesma fé que vocês, pois estes vão ouvi-los e vão se corrigir; mas, se vocês tentarem alertar aqueles que desprezam a minha justiça, minha sabedoria será escarnecida e vocês serão motivo de chacota, desprezo e humilhação.

Os cães e os porcos dos quais Cristo fala, portanto, são todas aquelas pessoas que, estando dentro ou fora de um ajuntamento cristão, desprezam o ensino de Cristo para seguirem seus próprios desejos o tempo todo, sem nenhum arrependimento. São aquelas pessoas que ouvem a palavra e não dão valor a ela, ainda que estejam frequentando uma boa igreja, onde o conteúdo das escrituras bíblicas é ensinado.

Tais pessoas valorizam mais suas paixões carnais, seus bens materiais, o que a ciência afirma (quando se opõe à palavra de Deus) e as aparências das situações, do que aquilo que o nosso Criador instituiu.

Desta forma, quem presta atenção no ensino de Cristo, reconhecendo o conhecimento da justiça de Deus como algo essencial para a vida, está agindo sabiamente e será poupado de muitos males.

Missionária Oriana Costa.


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Série Meditando no Salmo 119 - versículos 64,65 e 66.

Ao lermos este trecho bíblico, a primeira vista poderemos pensar: o que tem a ver o fato de "a terra estar cheia do amor de Deus" com "os decretos dele"?

Pode parecer contraditório aos nossos olhos, mas o amor de Deus e os seus decretos (suas leis), SÃO UMA COISA SÓ!

Isso mesmo! O amor de Deus é a Justiça dele. E a Justiça de Deus é constituída de um conjunto de regras e leis imutáveis e infalíveis que foi criado antes do nosso universo ser formado. E hoje, temos a nossa disposição a revelação dessa justiça na pessoa de Jesus Cristo, conforme está publicado nas escrituras bíblicas.

Então, sabemos que todo o universo material foi feito com base na Justiça de Deus. E conhecê-la, portanto, é de fundamental importância para desfrutarmos uma vida plena enquanto passamos por este mundo.

É por isso que, logo após dizer que a terra está cheia do amor de Deus, o salmista pontua: "ensina-me os teus decretos". E Ele não se dirige a outra pessoa para entender como as coisas funcionam em nosso mundo e também na eternidade, senão ao nosso Criador.

Só o Deus Criador pode nos revelar suas Leis, que regem céus e terra. E o salmista o procura diretamente, baseado naquilo que já sabe sobre a pessoa de seu Criador, pois Deus promete em sua palavra se revelar a todos quantos o buscarem de todo o coração.

E quando o salmista diz: "confio em teus mandamentos", está querendo dizer que tem dado credibilidade a justiça de Deus, e tem colocado o conhecimento de Deus em primeiro lugar na sua vida, pois sabe que a Justiça de Deus é perfeita, infalível. Ele diz isso a Deus por saber que, por viver dessa maneira, terá de seu Criador o entendimento adequado de sua palavra ao buscá-lo.

Quem tem o entendimento das escrituras bíblicas e conhece a verdade consegue desfrutar na terra a realidade plena do Reino de Deus. Então, ainda está em tempo: busque a Deus na pessoa de Cristo! Faça isso de todo o seu coração, e Ele se revelará a você!


Missionária Oriana Costa.







domingo, 26 de janeiro de 2020

Não julguem fora da Justiça de Deus.


Este é um conselho muito importante de Cristo para nós. E quando Ele fala não julguem, não está nos proibindo de julgar pessoas ou situações, mas simplesmente está nos alertando: se vocês não querem ser julgados, então NÃO JULGUEM.

E Ele explica o que sempre acontecerá no momento em que julgamos os outros: nós também seremos julgados na mesma medida; se apontamos o que não gostamos nos outros, assim seremos julgados; se algo nos incomoda nas atitudes dos outros, os outros também irão encontrar motivos para nos julgar dessa forma, pois não acertamos sempre nem conseguimos agradar a todos o tempo todo.

E é isto que Cristo deseja que enxerguemos: ninguém é perfeito, a não ser Deus. Quando, eu, um ser humano imperfeito, encontro ocasião para apontar o dedo para o outro indivíduo, este também encontrará ocasião para apontar o dedo para mim!

E aí também existe um outro agravante: se não perdoamos a quem nos fez algum mal, nos colocando num patamar de perfeição, onde somente a pessoa que nos ofendeu é injusta, estamos mentindo para nós mesmos; também cometemos erros, e muitas vezes não nos arrependemos, ou omitimos nossas falhas para parecer aos outros que somos pessoas boas e íntegras.

Apesar de nos alertar que seremos julgados pelos outros no momento que julgarmos, Cristo mostra que estaremos em condições de EXORTAR alguém (e entenda este detalhe: EXORTAR é diferente de HUMILHAR, DESTRATAR!), quando estivermos CORRETOS na área em que estamos querendo chamar a atenção do outro. Cristo se refere a isso, com estas palavras: "Tire primeiro a trave (ou a viga) que está no seu olho, e aí você enxergará claramente para poder retirar o cisco que está no olho do seu irmão" (Mateus 7:5)

Jesus nos alerta que podemos AJUDAR ALGUÉM A SE CORRIGIR, desde que nós ESTEJAMOS BUSCANDO VIVER CORRETAMENTE, conforme a Justiça de Deus nos orienta.

Quem observa a vida de Cristo nos evangelhos verá que Ele mesmo fez muitos julgamentos contra os israelitas, apontando os erros que eles cometiam com relação à Lei de Moisés. No entanto, como Jesus Cristo andava corretamente, alinhado ao Pai e cumprindo a Lei minuciosamente, ninguém encontrava ocasião para dizer que Ele estava errando também.

Por este motivo, também lemos nos evangelhos que todas as acusações que os judeus fizeram contra Cristo a fim de incriminá-lo, para que Ele fosse preso e condenado à morte, foram forjadas, eram mentirosas. No entanto, esse acontecimento já estava predito nas escrituras, e Jesus não foi pego de surpresa. Ele cumpriu sua missão até o fim, mostrando que o nosso Criador está querendo paz conosco: Ele não quer nos condenar.

Por ser totalmente correto, Jesus tinha autoridade para julgar os israelitas; e em todas as vezes que Cristo os julgou, apontando seus erros, sua intenção não era de humilhá-los, mas desejava vê-los se arrepender dos seus pecados contra Deus e andarem conforme a verdade da Lei que diziam seguir, mas que, de fato, transgrediam-na o tempo todo sem nenhum arrependimento.

 Missionária Oriana Costa.


Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...