Esta famosa afirmação de Jesus se encontra na Bíblia Sagrada, no Evangelho de Mateus, capítulos 10:39 e 16:25. E, mais uma vez, Cristo parece dizer algo estranho, que à primeira vista não faz muito sentido: como alguém pode perder a vida para, então, encontrá-la?
A resposta para essa aparente contradição está no fundamento do Seu Reino. Quem não entende o Reino de Deus jamais compreenderá o porquê dessa declaração do Senhor.
No trecho em questão, Cristo dirige palavras fortes e desafiadoras aos seus discípulos. Ele ensina que aquele que pensa salvar a sua vida seguindo os princípios deste mundo está, na verdade, enganado, pois acabará por perdê-la; por outro lado, quem abre mão desses princípios e coloca, em primeiro lugar, os valores do Reino de Deus, encontra a verdadeira vida.
Quem nasce espiritualmente no Reino de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, automaticamente passa a abrir mão das sugestões do mundo e da maneira injusta de viver que ele propõe. Assim, quem “perde a sua vida” por causa de Cristo é aquele que creu em Sua obra redentora, foi justificado diante de Deus e renasceu espiritualmente. Essa nova condição o reconcilia com o Criador e lhe garante a herança da vida eterna — e é exatamente nesse sentido que ele “encontra a sua vida”.
Por outro lado, quem “acha a sua vida” neste mundo escolhe viver segundo a injustiça que a maldade interior propõe. Ao fazer isso, nega a Cristo e decide permanecer separado de Deus. Como consequência, perde a oportunidade de entrar no Reino de Deus e de herdar a vida eterna — ou seja, “perde a sua vida”.
Os princípios do mundo não conduzem à verdadeira fonte de vida porque não são puros. Eles estão fundamentados no conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9,17), isto é, naquilo que a própria Escritura revela como a raiz da maldade. Por isso, os sistemas do mundo prometem saúde, segurança, paz e alegria, mas estão baseados em aparências e em sentimentos humanos — ambos instáveis e falhos.
Assim, as promessas do mundo não são plenamente confiáveis. As circunstâncias mudam constantemente, e os sentimentos acompanham essa instabilidade: ora há alegria, ora tristeza; ora segurança, ora medo. Dessa forma, os princípios do mundo produzem uma mistura contínua de conquistas e frustrações, alegrias e decepções, seguranças e incertezas — conduzindo, no fim, à morte e à destruição.
Em contraste, os princípios do Reino de Deus, que constituem a Sua justiça, são imutáveis. Eles procedem da própria natureza de Deus, que é santa e totalmente separada do mal. Nele não há qualquer operação da maldade. Por isso, tudo o que vem de Deus é puro, estável e plenamente confiável.
E mais: tudo o que vem de Deus é sempre benéfico ao ser humano, pois fomos criados à Sua imagem e semelhança. Assim, aquele que segue a Cristo e aprende os princípios do Reino, buscando praticá-los, passa a experimentar, ainda neste mundo, a realidade da vida verdadeira — a vida abundante e eterna.
Contudo, viver segundo esses princípios não é algo fácil. O conhecimento do bem e do mal continua operando em nossos corpos, contrariando a justiça de Deus e lutando contra ela constantemente. Por isso, aqueles que decidem viver de todo o coração a verdade revelada por Cristo enfrentam aflições.
Essas aflições se manifestam, primeiro, no interior de cada um, na luta contra desejos contrários à vontade de Deus; e, depois, no mundo, por meio de perseguições, rejeições, calúnias, prejuízos e até risco de morte.
Entretanto, isso não significa que quem vive segundo os padrões do mundo sofra menos. Pelo contrário: conflitos, medos, violências, doenças e morte também fazem parte da realidade daqueles que seguem esse caminho.
A diferença está na forma de enfrentar essas situações. Os que vivem segundo o mundo não compreendem plenamente suas tribulações, nem têm segurança quanto ao futuro. Já aqueles que vivem segundo a justiça de Deus discernem a origem das dificuldades, possuem autoridade em Cristo para resistir ao mal, têm certeza da vida eterna e experimentam paz e alegria verdadeiras, mesmo em meio às adversidades (Jo 14:27; 2Co 4:16-18).
O próprio Cristo enfrentou intensos sofrimentos durante Seu ministério terreno, e o mesmo ocorreu com os apóstolos após Sua morte e ressurreição. Ainda assim, perseveraram firmemente, pois tinham convicção de que, mesmo diante de aparentes perdas, eram mais que vencedores.
Eles negaram a si mesmos para atender ao chamado do Pai, vivendo a justiça de Deus e anunciando o Seu Reino. E todos aqueles que desejam usufruir dessa mesma realidade seguem o mesmo caminho.
Por isso, o Rei Jesus ensinou: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
Deus deseja que toda a humanidade participe da realidade do Seu Reino — esta é a Sua boa, agradável e perfeita vontade. E, ao longo dos séculos, Ele tem anunciado insistentemente essa verdade, embora saiba que nem todos crerão.
O ensino de Jesus nos revela uma verdade inevitável: nesta vida, sempre haverá perdas em função de ganhos. Diante disso, existem apenas dois caminhos.
O primeiro é o caminho largo, onde o homem vive para si mesmo, buscando aquilo que o mundo oferece. Nesse percurso, pode até parecer que ganha, mas, no final, perde a sua alma, pois não pode pagar o preço da própria vida.
O segundo é o caminho estreito, onde o homem decide viver para Deus, segundo os princípios do Seu Reino. Nesse caminho, há renúncia, lutas e aparentes perdas, mas o resultado é incomparavelmente superior: a vida verdadeira, plena e eterna.
Assim, perder a vida por causa de Cristo não é, de fato, uma perda — é o único meio de encontrá-la de forma plena e definitiva. E isso só é possível porque o preço já foi pago, de maneira perfeita e suficiente, pelo sacrifício de Jesus Cristo.
Missionária Oriana Costa.

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