quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Casamento, divórcio e castidade

Quando lemos o capítulo 19 do evangelho de Mateus, vemos Jesus, mais uma vez, sendo posto à prova pelos fariseus, agora por aqueles que moravam na Judéia, do outro lado do Jordão. Movidos pela inveja que sentiam do Senhor, ao vê-lo atraindo as multidões para Si, eles não conseguiam enxergar o poder e a autoridade que fluíam de Jesus, por exemplo, quando curava os enfermos.

Na Judéia, os fariseus viram o Cristo curando muita gente. No entanto, aqueles homens resolveram lhe fazer uma pergunta capciosa, na tentativa de induzi-lo a contradizer as Escrituras publicamente. Porém, não somente os fariseus, mas também os seus discípulos e todos os que estavam próximos novamente testemunharam a sabedoria que o Mestre tinha.

Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?" Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe". Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?" Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio." (Mateus 19:3-8)

Agora a pergunta se referia ao divórcio, e o Mestre, de maneira categórica, mais uma vez deixou-os sem palavras. Ao finalizar seu raciocínio, o Senhor lhes disse:

Todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério. (Mateus 19:9)

Na Lei Mosaica está escrito o seguinte:

Se um homem casar-se com uma mulher e depois não a quiser mais por encontrar nela algo que ele reprova, dará certidão de divórcio à mulher e a mandará embora.(Deuteronômio 24:1)

Apesar de tal mandamento parecer estar abrindo espaço para outros motivos de divórcio, Cristo afirma que a única circunstância pela qual um homem (judeu) deve se divorciar de sua mulher é a imoralidade sexual, ou seja, se ele percebe que sua esposa está sendo sensual fora do casamento, atraindo a atenção dos outros homens propositalmente, ainda que não esteja tendo um relacionamento extraconjugal.

Quem realmente estava buscando a Deus de todo o coração deveria entender que o mandamento não estava dando ocasião para que os maridos deixassem suas esposas por qualquer motivo, porém somente se fosse o caso de "imoralidade sexual".

A pergunta que os fariseus fizeram a Cristo foi exatamente em cima dessa possível brecha de interpretação nesse mandamento da Lei: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher POR QUALQUER MOTIVO?" (Mateus 19:3)

De fato, muitos homens (judeus) se respaldavam nesse estatuto para deixarem suas esposas por motivos quaisquer, por isso o Senhor falou:

Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. (Mateus 19:8)

Dessa maneira, Jesus estava mostrando ali que o mandamento sobre a carta de divórcio estava sendo usado como uma desculpa para que os homens cometessem adultério, e isso acabava tornando as mulheres adúlteras também (Mateus 5:31-32), assim contrariando os princípios da justiça de Deus.

Apesar de, segundo a Lei Mosaica, Deus considerar maldade o divórcio que acontece por qualquer outro motivo que não seja por imoralidade sexual, ao dar seu parecer da situação do ponto de vista da graça, o Apóstolo Paulo explica bem a questão do divórcio, especialmente quando se trata de um relacionamento entre uma pessoa crente e outra descrente. Leia mais sobre isso em 1 Coríntios 7.

Como já sabemos, antes de odiar o divórcio (Malaquias 2:16) Deus odeia a maldade (Habacuque 1:13) e exerce severo juízo sobre ela.

A afirmação de Cristo sobre o que realmente deveria motivar um divórcio, segundo a justiça de Deus, fez os discípulos acharem que seria melhor não casar. No entanto, Jesus ensina-lhes que ficar solteiro, sem se relacionar afetivamente com alguém, é algo para poucos, e que essa forma de viver exige do indivíduo uma motivação maior, que lhe proporcione continuar assim sem que isso lhe perturbe.

A palavra eunuco, que é usada pelo Senhor nessa passagem, onde Ele se refere a homens que não se casam, fala sobre aqueles que escolhem não terem relações sexuais, por terem sido castrados ou nascido com deficiência no órgão sexual. Naquele tempo, era comum a existência de casamentos poligâmicos, cujas esposas viviam em locais especiais denominados harens e permaneciam ali sendo vigiadas e cuidadas por eunucos.

O Mestre diz ainda que há apenas três condições que levam as pessoas à castidade: a primeira é que o indivíduo tenha nascido com deficiência que afete a área sexual; a segunda é que tenha sofrido castração, ou que esta condição lhe seja imposta por motivo de força maior; e a terceira é que tenha decidido permanecer solteiro e casto (ainda que não tenha nenhum problema na área sexual), para se dedicar inteiramente à anunciação do Reino de Deus.

Os discípulos lhe disseram: "Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar". Jesus respondeu: "Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite". (Mateus 19:10-12)

O Senhor Jesus, por exemplo, se enquadra nessa terceira situação. Ele era um homem normal e não tinha qualquer problema na área sexual, mas escolheu não constituir família e permanecer casto por causa da missão para a qual fora enviado. O Apóstolo Paulo também fala acerca dessa questão em sua carta aos cristãos coríntios:

Irmãos, cada um deve permanecer diante de Deus na condição em que foi chamado. Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança. Por causa dos problemas atuais, penso que é melhor o homem permanecer como está. Você está casado? Não procure separar-se. Está solteiro? Não procure esposa. Mas, se vier a casar-se, não comete pecado; e, se uma virgem se casar, também não comete pecado. Mas aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida, e eu gostaria de poupá-los disso. (1Corintios 7:24-28)

Paulo deixa claro que a melhor situação para quem está trabalhando na obra de Deus seria permanecer solteiro, pois assim o indivíduo se dedicaria melhor ao seu trabalho (1Corintios 7:32-34). Contudo, na primeira carta dele a Timóteo, há uma recomendação especial para aqueles que trabalham atendendo aos chamados de pastor ou diácono e são casados ou desejam casar-se:

É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher (...). Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? (1Timóteo 3:2-5)

O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. (1Timóteo 3:12)

Como Cristo falou, permanecer solteiro atendendo ao chamado do Senhor não é para todos, apenas uma minoria consegue estar assim. A maioria das pessoas prefere estar casado na obra de Deus, por causa dos desejos da carne, e sobre isso também o Apóstolo Paulo comenta:

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido. (1Corintios 7:1,2)

(...) é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo. (1Corintios 7:8,9)

É errado alguém que se declara seguidor de Cristo se relacionar sexualmente com outra pessoa fora do compromisso matrimonial. Algumas pessoas, por não conseguirem se conter nessa área, após adquirirem sua cidadania no Reino de Deus, decidem continuar atendendo os desejos da carne às escondidas, sem atentarem que essa prática lhes trará um sério juízo, além de trazer escândalo para a igreja e ser um mau testemunho para o mundo, dificultando a pregação e a aceitação do evangelho. 

Por esses motivos, os servos de Deus devem estar dispostos a seguirem as regras determinadas por Deus para essa área, especialmente aqueles que estão à frente de um trabalho eclesiástico, pois só assim conseguirão êxito na anunciação do Reino de Deus e poderão usufruir plenamente da realidade perfeita desse lugar.


Texto: Miss. Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A parábola do servo endividado - As consequências da falta de perdão

Perdoar é algo necessário para usufruirmos da plena realidade do Reino de Deus, que é paz, justiça e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). No entanto, há casos em que pessoas que já seguem a Cristo preferem guardar a ofensa ao invés de liberarem o perdão para quem as ofendeu.

Se cremos na obra redentora de Jesus e o Espírito de Deus habita em nossos corações, antes de qualquer coisa, devemos lembrar que nossa justificação diante do Pai só foi possível porque ELE DECIDIU PERDOAR todas as nossas transgressões contra a sua Justiça, pagando com a vida de seu Filho Unigênito o valor do resgate da nossa dívida para com Ele.

Quem vive segundo os desejos de sua carne, quando é ofendido, escolhe não perdoar. Desta maneira, o sujeito nutre dentro de si sentimentos de indignação e ira, e ambos levam ao desejo de vingança (pagar o mal com o mal). E ao querer se vingar, por sua vez, o indivíduo vai sentir prazer em ver o outro sofrendo de alguma forma também, mesmo que não se vingue pessoalmente.

Procedendo dessa forma, indivíduos que servem a um Deus misericordioso estão transgredindo conscientemente a reta justiça d'Ele. Passado algum tempo, se após a transgressão dos estatutos do Reino não vier o convencimento do erro, seguido do arrependimento e da mudança de atitude, sobrevirá o juízo – e ele é executado sem misericórdia, porque Deus ODEIA A MALDADE. 

"Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar, para que o Senhor não veja isso, e se desagrade, e desvie dele a sua ira." (Provérbios 24:17,18)

Quando somos avaliados por Deus, em primeiro lugar, Ele considera os pensamentos, sentimentos e desejos que estão ocultos dentro de nós, e impulsionam nossas atitudes todo o tempo. Então, antes da execução do juízo, Ele trabalha para nos convencer dos nossos erros, falando aos nossos corações, pelo mover Seu Espírito. 

Assim, Ele nos confronta com a Sua Palavra, para que possamos nos arrepender de verdade, pois não deseja de forma alguma que Seus filhos sofram juízo, por não discernirem a operação da maldade.

"Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão?" (Mateus 5:44-46)

É por este motivo que o Senhor Jesus conta a parábola do servo endividado, onde compara a situação de uma pessoa que recebeu o perdão de Deus, e não perdoa o seu irmão, a um servo que devia a seu senhor e recebeu dele o perdão de sua dívida, contudo não perdoou a dívida de um conservo seu (Leia em Mateus 18:23-35).

Cristo, e em seguida os seus apóstolos, apontam, em seus ensinos, diversos preceitos da justiça de Deus que são diretamente quebrados quando dizemos que somos filhos dele, porém escolhemos não perdoar. Nos versos seguintes, podemos ler mais uma fala de Cristo, e outras duas do Apóstolo Paulo, acerca deste assunto:

"Quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no (...). Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está no céu não perdoará os seus pecados." (Marcos 11:25,26)

"Não retribuam a ninguém mal por mal. (...) Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor." (Romanos 12:17-19)

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, (...) perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também." (Colossenses 3:12,13)

Por isso, para Deus, a falta de perdão é considerada crime, delito ou transgressão (pecado), digno de condenação e cujo juízo geralmente vem em forma de enfermidades no corpo ou na mente, que trazem grandes prejuízos, e que também pode se manifestar com a abreviação do tempo de vida (Leia 1Corintios 11:29-31).

A justiça de Deus não funciona com base na aparência da situação ou toma apenas um fato isolado como parâmetro de julgamento, mas leva em consideração TUDO o que estamos dizendo e fazendo, de modo que aqueles que não estão ignorantes em relação ao que Cristo ensina receberão um juízo mais severo, caso escolham não perdoar.

Texto: Mis. Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa




terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Se o seu irmão pecar contra você...

Dentro do corpo de Cristo na terra não há ninguém perfeito ainda. Todos estão seguindo para o alvo, que é atingir a maturidade no conhecimento da justiça de Deus. No entanto, não basta só ter o conhecimento, é preciso colocá-lo em prática, pois sentimentos e desejos provenientes da carne precisam ser dominados em todo o tempo, para que uma pessoa alcance a maturidade na fé.

Então, apesar dos nossos esforços, vez ou outra podemos falhar e pecar contra alguém, ou alguém pode pecar contra nós, pois nem sempre conseguimos dominar a carne como gostaríamos. Porém, o Senhor Jesus não nos deixa sem instrução com relação a isso:

"Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’." (Mateus 18:15,16)

No trecho acima, Cristo alerta sobre a necessidade do arrependimento quando ofendemos nossos irmãos de alguma forma. O ensino de Cristo vale para todos, pois ninguém é melhor do que ninguém, e todos somos passíveis de cometer erros a qualquer momento.

Então o Senhor nos mostra que se algum ato de um irmão na fé está nos gerando algum desconforto, ou é algo recorrente, e que nos incomoda diretamente, a princípio devemos chamar a atenção desse indivíduo, com educação e em particular, apresentando-lhe os preceitos da justiça de Deus, para que haja arrependimento sincero.

O ideal seria que tal indivíduo se arrependesse nessa primeira conversa, mas isso pode não acontecer. E caso o sujeito não nos considere e continue a incomodar, o Senhor Jesus orienta que devemos fazer uma segunda tentativa de levar a pessoa ao arrependimento, conversando com ela na presença de mais uma ou duas pessoas de confiança.

Se mesmo assim, a pessoa que está sendo chamada à atenção ainda não considerar os fatos, o Mestre orienta que o caso deve ser exposto à congregação para que ela julgue a situação, e o irmão ou irmã seja admoestado(a) por todos. E se ainda assim, ele ou ela não se envergonhar nem se arrepender, deve ser tratado(a) por todos como uma pessoa descrente.

"Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano." (Mateus 18:17)

Esse conselho de Cristo é exclusivamente para os que estão congregando e prosseguindo em conhecer o Reino de Deus, portanto, não se aplica a descrentes ou simpatizantes da fé cristã que por ventura estejam frequentando as reuniões dos irmãos.

Assim sendo, se o comportamento de alguém, que se diz seguidor de Cristo, está transgredindo os princípios da justiça de Deus e incomodando ou ofendendo um ou mais irmãos dentro da congregação, tal pessoa é digna de ser confrontada e deve sim ser chamada à atenção, assim como o Senhor orienta, para que se arrependa e não atraia juízo sobre si.

"Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu." (Mateus 18:18)

Quando Jesus diz que tudo o que ligarmos ou desligarmos na terra terá sido ligado ou desligado nos Céus, Ele está mostrando que Deus nos dá autoridade para julgar. Se somos um com Cristo, e o Espírito Santo habita em nós, e estamos agindo de acordo com a reta justiça de Deus, então temos plena autoridade para julgar situações contrárias aos seus estatutos e, se for o caso, executar juízo sobre alguém.

No caso apontado aqui por Jesus, por exemplo, o juízo aplicado será "tratar a pessoa como um pagão ou publicano", caso ela não dê ouvidos e não se arrependa após a terceira admoestação. Pagãos e publicanos são considerados pessoas "descrentes" ou  que estão "fora da fé" em relação ao Reino de Deus, por isso Cristo dá essa orientação.

Lembrando que isso não significa que devemos ser indiferentes ou mal educados com os que não creem em Deus. Tratar a todos com educação e gentileza faz parte do fruto do espírito e é indispensável para testemunharmos corretamente o Reino a qualquer momento.

Cristo também diz:

"Se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus." (Mateus 18:19)

Dentro deste contexto, o verso acima nos mostra que, caso necessário, o Pai poderá executar um julgamento sobre alguma situação difícil pela qual a congregação irá apresentá-la a Deus, a fim de que Ele tome as devidas providências em tempo oportuno.

No livro de Atos dos apóstolos, uma situação chama a atenção quando falamos de julgamento e execução de juízo dentro da igreja do Senhor: o caso de Ananias e Safira. O casal vendeu um imóvel e decidiu entregar como oferta aos apóstolos somente uma parte do valor que haviam recebido, mas afirmando que era o valor total.

O problema foi que aquela mentira ofendia profundamente todos os irmãos, além de ofender o Senhor diretamente. Então, quando Pedro confrontou Ananias no momento em que recebia a oferta, ele e os outros apóstolos já estavam sabendo por quanto o imóvel havia sido vendido. Assim, por causa da gravidade da situação, o casal foi direta e rapidamente julgado pelo Pai, que estava sondando seus corações e não viu arrependimento neles.

Então, para concluir, o Senhor Jesus nos lembra que se apenas duas pessoas estiverem juntas e unidas em Nome dele em qualquer lugar, Ele estará ali com elas em espírito (veja em Mateus 18:20).

Com isso, Ele está advertindo que, por causa da presença dele, nossos atos serão julgados com mais rapidez e também com maior rigor. O apóstolo Paulo lembra essa situação em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, quando fala sobre a ceia do Senhor (leia 1Corintios 11:23-32). 

Saber e entender estes princípios é de crucial importância para que nossas atitudes sempre gerem louvor ao Pai em qualquer ocasião, especialmente quando convivemos uns com os outros por causa da fé.

Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa





quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O cuidado de Cristo com os iniciantes na fé.

No início do capítulo 18 do evangelho de Mateus, Cristo estava em sua casa com seus discípulos, em Carfanaum. Este é o momento que se segue logo após a conversa sobre o pagamento do imposto do templo, que finaliza o capítulo 17.

No trecho que vai do versículo primeiro ao décimo quarto, o Senhor Jesus Cristo ensina coisas importantes sobre como Deus trata pessoas que ainda estão no início da fé, as quais são, também, chamadas de "neófitos" pelo Apóstolo Paulo, em sua primeira carta dirigida a Timóteo (1Tm 3:6). 

Ao longo do texto, Cristo expõe quatro situações importantes: a primeira é que no Reino de Deus não há e não entra MALDADE; por isso, quem deseja fazer parte desse lugar precisa estar totalmente limpo (ou justificado) da presença do mal.

Lembrando que "maldade" (ou injustiça), segundo a realidade do Reino, é todo o conhecimento ou informação contrária aos preceitos da justiça de Deus, e que dentro do coração do homem tem a capacidade de fazê-lo transgredir tais preceitos. 

Enquanto crianças, os corações das pessoas geralmente estão ainda limpos com relação à maldade que opera no mundo (ainda que na carne ela já esteja presente). Então, eis aqui também mais um motivo pelo qual o Senhor falou aos seus discípulos que, para poder entrar em Seu Reino, é necessária uma "conversão" que leve as pessoas a serem como crianças.

Portanto, o Mestre explica, usando uma criança como exemplo, que quem deseja fazer parte do Reino de Deus precisa rejeitar todo o conhecimento advindo da maldade ao seu redor e também dentro de si, até que seu coração esteja como o de uma criancinha, que ainda não recebeu as informações que pervertem a justiça de Deus provenientes do mundo.

Ele diz: "...a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus."

A rejeição do conhecimento do bem e do mal (maldade) faz parte do processo da renovação do entendimento ou da mente, sobre o qual também o apóstolo Paulo explica em sua carta aos cristãos de Roma (Leia Romanos 12:2).

No entanto, esse processo só acontece de fato em quem experimenta o novo nascimento pela fé em Cristo Jesus. Quem não está verdadeiramente justificado (ou quem não é nascido dentro do Reino de Deus) jamais consegue rejeitar a operação da maldade, pois não conhece nem entende os princípios da justiça de Deus revelada por Cristo, tampouco compreende o poder e a autoridade provenientes dessa justiça perfeita.

O segundo ponto do ensino de Cristo é que no Reino de Deus há uma hierarquia entre as pessoas. Ele mostra que lá existe "alguém maior" e "alguém menor", em se tratando de poderio ou autoridade. E quem possui maior autoridade no Reino são aqueles que, enquanto estiveram na terra, foram pessoas HUMILDES.

Porém esta humildade sobre a qual o Senhor está falando não se trata de um status econômico, ou seja, não se refere à pobreza financeira, mas significa que o indivíduo esteve sempre disponível para servir os outros e para aprender e, especialmente, entendeu e se manteve submisso à autoridade de Deus.

Durante a infância, as pessoas normalmente estão mais abertas para serem corrigidas e para aprender e normalmente são submissas aos seus superiores (pais ou responsáveis). Foi por este motivo que Cristo disse que "o maior no Reino dos céus é quem se faz humilde como uma criança".

O Senhor Jesus aponta também uma terceira questão: receber uma criança que vem em nome dele é o mesmo que recebê-lo. Com isso, Ele está expondo duas situações especiais relacionadas ao início da fé cristã: a primeira é com relação às crianças que já creem em Jesus, e a segunda se relaciona a pessoas que somente depois da infância vieram a ter um encontro com Cristo, e ainda não entendem bem o Reino de Deus.

Os indivíduos que se encontram nesses estágios são vulneráveis à ação de pessoas mal intencionadas, pois ainda não têm maturidade no entendimento da justiça de Deus, podendo ser facilmente levados a receber doutrinas falsas, como se fossem vindas de Cristo. Infelizmente, sabemos que no meio do povo de Deus existem muitas pessoas que fingem estar na fé cristã, mas cujo propósito não é atrair as pessoas para Cristo e sim para si mesmas.

O Senhor Jesus avisa que todos os que fizerem tropeçar qualquer um desses, que ainda estão iniciando na fé receberão um juízo bem pesado, pois diz "melhor seria que amarrasse uma pedra de moinho ao pescoço e se afogasse nas profundezas do mar". O Mestre deixa claro que quem fizer mal a alguém que vem em Seu Nome, especialmente se forem neófitos, está ofendendo diretamente a Ele e é digno de um severo juízo.

Em outras traduções da Bíblia também pode ser achada a expressão "causar escândalo" ou a palavra "escandalizar" em vez de "fazer tropeçar". Ambas as proposições estão se referindo à mesma situação, que é afastar as pessoas de Deus, impedindo-as de conhecer e entender o Seu Reino, com ensinamentos que contrariam os princípios de sua reta justiça. Pessoas que agem dessa forma tanto estão tropeçando como também fazem os outros tropeçar, por não entenderem o Reino de Deus e a sua justiça.

Cristo diz, no entanto, que falsos mestres podem chegar a se arrepender de suas práticas, se alcançarem o entendimento do Reino de Deus de fato. Ele diz que, quando isso acontece, tais indivíduos precisarão abdicar daquilo que lhes alimenta o ego ou das coisas que satisfazem suas vaidades. Assim, o Senhor compara todas as motivações que levam os falsos mestres a agir com os membros de seus próprios corpos, como as mãos, os pés ou os olhos:

"Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser lançado no fogo eterno. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no fogo do inferno." (Mateus 18:8-9)

Não é que, literalmente, um indivíduo que se arrependeu de atrair as pessoas para si tenha que tirar fora a mão ou o pé ou o olho; porém, o fato desse alguém confessar o seu pecado e abdicar da fama, do sucesso, do dinheiro e do poder que conseguiu enganando as pessoas – e aos quais já estava muito acostumado –, pode lhe fazer sofrer tanto quanto se tivesse arrancando um dos membros do seu corpo.

No versículo 10, Cristo toca em um quarto ponto que finaliza seu raciocínio: que estes pequeninos aos quais Ele se refere NÃO DEVEM SER DESPREZADOS. Como já vimos, os pequeninos são todos os indivíduos que ainda estão no início de sua fé e que não têm entendimento do Reino de Deus e da Sua justiça. Por causa disso, tais pessoas tanto podem ser facilmente enganadas como também podem se decepcionar facilmente com quaisquer situações, deixando de congregar.

Muitas vezes acontece desses indivíduos se afastarem e serem esquecidos ou desdenhados por aqueles que lideram as congregações. Os que se afastam, geralmente, são pessoas que adoecem ou estão se sentindo diminuídas por causa de algum pecado que não conseguem deixar de praticar; elas também podem estar tristes ou cansadas por causa de alguma tribulação que estejam passando, ou até magoadas ou indignadas, ou mesmo assustadas com alguma coisa que viram ou ouviram no meio eclesiástico, e então resolvem deixar de ir à igreja.

Ao deixarem de congregar, por estarem ainda sem o entendimento pleno do Reino de Deus e enfraquecidas na fé, tais pessoas voltam às suas antigas práticas mundanas ou se enveredam em novas situações que podem prendê-las nas trevas ainda mais do que antes. 

Então, o Senhor Jesus explica, através da parábola das cem ovelhas, que aqueles que estão responsáveis de cuidar desses indivíduos devem procurá-los e fazer o possível para reaproximá-los do convívio com seus irmãos, para que continuem aprendendo a Justiça de Deus e crescendo na fé verdadeira. 

Quem faz o trabalho pastoral deve ter em mente que as pessoas que ainda estão iniciando na fé precisam de um cuidado maior do que aquelas que já entendem bem o Reino. Deus as ama muito e não quer que nenhuma delas deixe de usufruir da perfeita realidade que Ele oferece a todos gratuitamente.

É claro que o nosso Criador conhece a situação de todas as lideranças. Certamente, Ele sabe quando alguém tem condições de resgatar um pequenino, mas não vai, e quando a situação não permitiria fazê-lo, ainda que, caso o fizesse, faria de bom grado.

Deus sabe todas as coisas e é justo para com todos. Ainda que os pastores de uma congregação não cheguem até às ovelhas feridas, em momentos de dificuldade, seja qual motivo for, o próprio Jesus irá ao encontro delas para socorrê-las e resgatá-las. No entanto, quem se omite de fazer sua parte tendo plenas condições de fazê-la, e não se arrepende disso a fim de corrigir seu erro, sofrerá as consequências de seus atos depois. 

Todos os que creem em Jesus são importantes para Ele, sem diferença. 


Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O milagre da moeda de quatro dracmas.

No capítulo 17 do Evangelho de Mateus, encontramos três eventos bem peculiares que aconteceram no ministério terreno do Rei Jesus Cristo, dois dos quais já tratamos aqui no blog, que foram a transfiguração do Mestre no Monte Hermom e a cura/libertação do menino possesso.

Agora vamos observar o momento em que o Senhor Jesus se antecipa a Pedro, já sabendo por obra do Espírito Santo o que havia acontecido com ele, dizendo-lhe em seguida o que deveria fazer para pagar um tributo. Este evento se inicia a partir do versículo 24 do capítulo que estamos analisando.

Todos os três eventos desse capítulo, como sabemos, estão diretamente relacionados com a realidade do Reino de Deus. Neste último, onde Pedro é instruído pelo Cristo em como deveria fazer para conseguir o valor para pagar um certo imposto, há a revelação de mais uma característica desse Reino: Filhos de Deus não precisam pagar ao seu Pai para fazerem parte desse lugar. Se somos filhos, temos direito de estar no Reino e usufruir dele gratuitamente.

Porém, naquele momento, os israelitas ainda não tinham conhecimento sobre a realidade do Reino dos Céus e seguiam obedecendo a Lei mosaica, sem entender que é para Cristo e para o Seu Reino que ela apontava todo o tempo.

Na Lei havia um mandamento específico, o qual determinava que todo o povo de Israel deveria contribuir uma vez por ano, com o valor de "meio siclo" (que equivalia a duas dracmas romanas) por pessoa adulta, em prol da expiação dos pecados do povo (Êxodo 30:11-16). Esse era o "imposto do templo", sobre o qual Pedro foi interrogado.

Este tributo, somado a alguns outros, como o dízimo, por exemplo, foi dado por Deus aos israelitas para garantir que o serviço do templo não parasse. Fazendo essas contribuições, os israelitas mantinham os sacerdotes e levitas providos em suas necessidades para continuarem seu trabalho. Por terem sido consagrados a Deus, eles tinham que se dedicar integralmente ao cumprimento dos rituais ordenados por Ele, e por causa disso, não podiam trabalhar plantando e criando animais para se sustentarem, como a maioria do povo fazia.

Se os sacerdotes e levitas não fizessem seu trabalho no templo, os mandamentos pela expiação dos pecados do povo deixavam de ser cumpridos assim como Deus ordenava na Lei – pois o povo continuava pecando contra o Criador continuamente –, e essa situação, por sua vez, tornava os israelitas dignos de juízo.

Portanto, o valor de meio siclo pago anualmente era uma oferta ao Senhor e deveria ser entregue ao serviço da tenda da congregação. Assim sendo, este ato impedia que um juízo de Deus sobre a maldade, em forma de pragas destruidoras, caísse sobre todo o povo de Israel. 

É importante lembrar aqui que, apesar de Jesus não ter podido trabalhar secularmente durante o Seu ministério terreno, nunca lhe faltou o dinheiro para que se sustentasse e pagasse os tributos, fossem eles relativos ao cumprimento da Lei ou fossem eles relativos ao domínio do Império Romano sobre Israel. 

O Pai providenciou mantenedores para sustentarem o trabalho da anunciação do Reino de Deus, dentre eles estavam mulheres de boas condições financeiras, que haviam sido curadas e libertas pelo poder de Deus através do trabalho de Jesus Cristo (Lucas 8:1-3).

Por este motivo, o milagre que aconteceu no episódio que estamos analisando foi diferenciado dos demais milagres realizados por Jesus, exatamente para que Pedro tivesse a confirmação de que seu mestre era realmente o Filho de Deus, o Messias enviado para resgatar o povo.

Assim, além de falar sobre a cobrança do imposto com seu discípulo, antes que este pudesse ter-lhe dito qualquer coisa, o Rei Jesus ainda lhe mostrou onde conseguir uma moeda de quatro dracmas de uma forma totalmente inusitada. Aquele valor pagaria não somente a parte de Jesus, mas a parte de Pedro também.

Quando o Senhor perguntou a Pedro "De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: de seus próprios filhos ou dos outros?", Ele quis chamar a atenção de Seu discípulo para três fatos importantes: o primeiro era que os reis da terra não cobravam impostos de seus próprios filhos, para que estes permanecessem ao seu lado; logo, o Pai celestial também não cobraria qualquer valor de seus filhos para que estes estejam com Ele em Seu Reino.

O segundo era de que o seu Mestre era mesmo o Filho do Deus Vivo, enviado pelo Pai para justificar os pecados do povo, e n'Ele não havia pecado. O terceiro era que o templo havia sido construído por orientação do Pai, para que Ele interagisse com os israelitas ali. Ora, se Cristo é o Filho Unigênito de Deus, então o templo também existia por causa d'Ele e para Ele.

Foi por estas três causas que, após a resposta de Pedro afirmando que os reis da terra só cobravam impostos dos outros, Cristo respondeu: "Então os filhos estão isentos". Isso quer dizer que o Senhor Jesus não precisaria dar oferta por Si mesmo ali, ou em qualquer outro lugar da terra, pois n'Ele não havia maldade que precisasse ser justificada.

Isso também significa que após aceitarmos o suficiente sacrifício de Cristo pelos nossos pecados, que nos justifica diante do Pai Criador e nos torna seus filhos por adoção, nós também estamos isentos de ter que cumprir todos os mandamentos da Lei relacionados a expiação dos nossos pecados, ou que apontem a necessidade de uma justificação.

Quando somos justificados por Cristo, nós entramos em Seu Reino e assim passamos a conhecer plenamente os princípios e a justiça desse lugar e a obedecê-la de coração. Tais princípios são superiores aos mandamentos da Lei mosaica, uma vez que eles já existiam antes que o homem pecasse e a própria Lei mosaica existisse. Desta forma, os israelitas tinham que perseverar em obedecer aquela lei até que o Messias viesse, pois não estavam dentro do Reino de Deus e, por esta causa, precisavam dos contínuos sacrifícios, a fim de estarem justificados, diante de Deus, na carne.

Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? (Hebreus 9:13,14)

Naquele momento, o Senhor Jesus deveria ocultar temporariamente sua posição de divindade diante do povo para cumprir as escrituras, então Ele pagou o imposto e cumpriu o mandamento. Ele não foi enviado para se exaltar, mas para se humilhar em nosso favor, concedendo a toda humanidade a graça da salvação.

Quanto a forma inusitada de conseguir a moeda de quatro dracmas, seria interessante que os coletores do imposto do templo estivessem presenciando como ela estava sendo adquirida. Obviamente Jesus poderia não ter feito daquela forma. Poderia, simplesmente, ter chamado Judas para retirar da bolsa das ofertas o valor necessário para o pagamento dos dois impostos.

A Escritura não relata se Pedro estava acompanhado daqueles homens no momento que pegou o peixe; no entanto, seria impactante para eles se tivessem visto Pedro tirar o peixe do anzol e puxar a moeda de dentro da boca do animal. Certamente, após observarem aquele evento, a primeira pergunta que eles teriam feito àquele discípulo de Cristo seria: como você sabia que havia uma moeda de quatro dracmas na boca desse peixe?

Muito provavelmente, se Pedro tivesse que pagar o tributo a partir de seu trabalho como pescador, teria que pescar muitos peixes e vendê-los, para, em seguida, usar o dinheiro obtido. Naquele momento, no entanto, os discípulos de Cristo não tinham condições de trabalhar como antes, pois seu tempo era dedicado a acompanhar o Senhor Jesus no ministério de anunciação do Reino. Foi por isso que o Senhor providenciou o valor do pagamento para seu discípulo também.

A conclusão que chegamos é que, mais uma vez, o Senhor Jesus mostra Sua misericórdia, bondade, cuidado e justiça; também confirma que a realidade do Seu Reino é muito superior, e infinitas vezes melhor, que a realidade desse mundo mau no qual vivemos.


Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

sábado, 14 de novembro de 2020

A fé do tamanho de um grão de mostarda


Vejamos o trecho completo, referente à passagem bíblica que vamos analisar:

Quando chegaram onde estava a multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: "Senhor, tem misericórdia do meu filho. Ele tem ataques e está sofrendo muito. Muitas vezes cai no fogo ou na água. Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo". Respondeu Jesus: "Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino". Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino e, desde aquele momento, ele ficou curado. Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: "Por que não conseguimos expulsá-lo?" Ele respondeu: "Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível. Mas esta espécie só sai pela oração e pelo jejum". (Mateus 17:14-21)

Quando o Rei Jesus disse estas palavras, Ele e três de seus discípulos tinham descido há pouco tempo do Monte Hermom, onde haviam experimentado o evento da transfiguração do Senhor. Eles ainda estavam em Cesareia de Filipe.

E enquanto Jesus estava no alto do monte com Pedro, João e Tiago, uma grande multidão que queria conhecê-lo se juntou ali nas proximidades, onde também o restante dos discípulos estava aguardando o Mestre e os outros que foram com Ele retornarem. Nesse meio tempo, os discípulos que aguardavam Jesus descer do monte foram procurados por um homem que tinha um filho mentalmente perturbado.

Os discípulos discerniram que o menino estava dominado por um demônio, mas não tiveram sucesso ao tentarem expulsá-lo da criança. Quando Jesus retornou para eles acabou encontrando o homem, que, ajoelhado, lhe relatou o ocorrido e pediu sua ajuda para resolver a situação do filho.

Quando soube pelo homem o que tinha acontecido, o Mestre falou com severidade: "Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?". Jesus reagiu dessa maneira, pois, apesar dos sinais claros que dava de que era o Messias, especialmente seus discípulos, que estavam sempre próximos a Ele, ainda não conseguiam enxergar e entender isso. Eles tentaram imitar Jesus, sem entender bem como as coisas estavam acontecendo, na expectativa de que tudo ocorresse da mesma forma como era com o Senhor.

Porém, aquele pai de família, apenas com o que ouviu falar de Jesus, teve convicção suficiente de que ao procurá-lo seu filho seria curado. O comportamento do homem, ajoelhando-se diante do Senhor, mostra que ele estava ENXERGANDO quem Jesus realmente era e a autoridade que tinha. E por causa da fé que aquele homem teve, seu filho foi liberto da possessão. A fé daquele pai o levou a esperar naquele lugar até encontrar Jesus pessoalmente; ele podia ter desanimado, ao ver que os discípulos de Jesus não tinham conseguido expulsar o demônio de seu filho.

Após o menino ter sido curado, os discípulos procuraram Jesus em particular para saber o porquê de não terem tido êxito ao tentarem expulsar o demônio; então, o Cristo lhes respondeu que eles não conseguiram porque "a fé deles era pequena". Porém, em seguida o Senhor fala que "se eles tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda" (que é muito pequeno), nada lhes seria impossível. 

À primeira vista, parece que Jesus estava se contradizendo, mas, se conseguirmos captar o sentido do seu raciocínio, entenderemos a que tipo de fé o Mestre estava se referindo.

É importante saber que qualquer fé é racional, ou seja, ela sempre estará embasada num tipo de conhecimento; e com a fé verdadeira em Deus isso não é diferente. Então, o que acontecia ali é que a fé dos discípulos ainda não estava firmada no conhecimento do Reino de Deus e da sua justiça, que são totalmente espirituais e não seguem a realidade do mundo; por isso eles não tinham o entendimento claro da realidade espiritual nem do poder de Deus. 

De fato, naquele momento os discípulos de Cristo sabiam apenas o que a maioria das pessoas sabiam; tudo o que conheciam sobre Deus tinham aprendido ao longo dos anos com os pais e nas sinagogas, possuindo um conhecimento MISTURADO, composto do conteúdo da Torah agregado às doutrinas enganosas ensinadas pelos fariseus. O ensino de Cristo (que confirmava apenas o conteúdo da Torah!) ainda era algo novo para eles e que, infelizmente, apesar dos sinais que Jesus estava dando e de seu ensino se relacionar com um conhecimento que eles já deveriam ter, não estava sendo levado em consideração.

Por isso, o Cristo os repreendeu, e depois chamou a fé deles de "pequena". Aquele conhecimento misturado, na maior parte do tempo, levava as pessoas à incredulidade, com relação a verdadeira identidade de Deus e fazia com que elas pervertessem (transgredissem) os princípios (ou as leis) da justiça eterna. Depois que entendemos o ensino de Cristo, não é difícil perceber que essa situação se continua até hoje, e dentro da maioria das igrejas cristãs, mesmo após o evangelho estar sendo anunciado com tanto empenho.

A fé genuína, portanto, deve estar embasada somente no conhecimento do Reino de Deus e da sua justiça, e não pode estar misturada a nenhum outro tipo de conhecimento. Tais informações sobre a realidade espiritual só podem chegar até nós sem mistura se forem provenientes unicamente daquilo que Cristo ensina. Por isso é muito importante que cada seguidor de Jesus procure buscar especialmente no Novo Testamento o entendimento correto da justiça de Deus e de Seu Reino, revelado pelo próprio Cristo.

Quando alguém alicerça sua fé em Deus no conhecimento advindo somente de Jesus, mesmo que ainda esteja na fase inicial (ou seja, mesmo que a fé que foi gerada em seu coração ainda seja pequenina, do tamanho de um grão de mostarda, como Ele ensinou), ela levará tal pessoa a agir como um cidadão do Reino de Deus, visto que está dentro desse lugar, e está entendendo e usufruindo dessa realidade superior. E isso quer dizer que essa pessoa também vai usar, obviamente, a autoridade que lhe é concedida por seu Rei, Jesus Cristo, em nome dele, quando julgar necessário.

O Mestre também ensina, nesse episódio, algo importante aos discípulos: quem não tem sua fé alicerçada somente no conhecimento do Reino de Deus, mesmo que saiba que "no nome de Jesus há poder", terá que proceder de uma maneira diferenciada se quiser ter sucesso em lidar com manifestações espirituais malignas. 

Pessoas que ainda não entendem a realidade do Reino de Deus precisam, portanto, se dedicar mais à oração e também jejuarem (sacrifício que se faz especialmente em prol do domínio dos desejos carnais), para terem êxito ao expulsarem demônios. 

Por este motivo foi que Jesus concluiu seu raciocínio falando que "aquela espécie só sairia pela oração e pelo jejum". Do jeito que os discípulos estavam naquele momento, com uma fé em Deus embasada num conhecimento misturado sobre Ele, essa seria a única maneira de se obter sucesso numa situação mais complicada como aquela.


Missionária Oriana Costa.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Este é o meu Filho amado em quem me agrado.

Estas palavras foram ditas pelo Pai Criador, que se manifestou sobrenaturalmente a Pedro, Tiago e João, falando-lhes acerca de quem era o Cristo (o Filho a quem Ele amava e de quem se agradava sempre) e da autoridade que havia sido entregue a Ele para proclamar Seu Reino e ensinar sua justiça (quando falou "ouçam-no"). 

Esse evento especial aconteceu seis dias após Cristo e seus discípulos chegarem à Cesareia de Filipe, num local isolado, no alto do Monte Hermon.

Esse realmente foi um momento ímpar para aqueles três homens, que ainda eram discípulos de Cristo e iriam assumir, num futuro próximo, o encargo de Apóstolos na primeira formação da igreja do Senhor na Terra. 

Eles tiveram a honra de ter um rápido vislumbre da glória do Reino de Deus, vendo o Rei Jesus como Ele realmente é, além de verem a Moisés e Elias (bem vivos!) conversando com Jesus. E somado a isso, ainda puderam ouvir claramente a voz do Pai Criador lhes apresentando o Seu Filho. 

No entanto, como o Cristo ainda não tinha sido sacrificado e ainda não havia ressuscitado, aqueles três discípulos não entenderam bem o que viram e ouviram, apesar da experiência ter sido tão intensa. Eles não entenderam que estavam diante de uma manifestação visível da realidade do Reino de Deus diante deles. E também não entenderam o porquê de seu mestre estar falando especificamente com Moisés e Elias naquele momento.

De fato, os discípulos deveriam ter provas concretas de que o reino que lhes estava sendo anunciado por Jesus era real, e essa foi mais uma. E também foi uma prova incontestável de que o conteúdo da Torah é verdadeiro e está apontando para o Cristo, que iria cumprir à risca tudo o que estava escrito a respeito dele. 

Moisés e Elias conversando com Jesus naquele momento representava algo importante, e que os discípulos entenderam mais tarde: os dois eram figuras bem claras de Cristo, pois representaram com suas vidas o que iria acontecer no futuro em Israel. 

Deus usou especificamente as vidas daqueles dois homens, enquanto estavam na Terra, para mostrar aos israelitas no passado que o Messias viria a eles gerações à frente fazendo coisas semelhantes aquelas que eles estavam fazendo, e seria não somente o seu resgatador, mas seria aquele que abriria a porta do perdão dos pecados para toda a humanidade.

Foi usando a vida de Moisés que Deus libertou os israelitas da escravidão no Egito, conduzindo-os a uma terra específica, onde ali seriam abençoados: Canaã (esta terra é um dos lugares que representa o Reino de Deus no Antigo Testamento) - e sabemos que o Cristo foi enviado para libertar a todos os que crêem nele da escravidão do pecado, dando-lhes gratuitamente a herança da vida eterna, que é a permissão para entrar e fazer parte de Seu Reino definitivamente.

E foi através da vida do profeta Elias que o Pai mostrou aos israelitas que quando o Messias viesse realizaria milagres diferenciados, pois assim como o profeta curou enfermos, ressuscitou mortos e multiplicou os alimentos (farinha e azeite) na casa da viúva, por exemplo, o Rei Jesus agiu de forma similar em seu ministério e continua agindo até agora.


Missionária Oriana Costa.


sábado, 24 de outubro de 2020

Quem perder a vida por minha causa, a encontrará.


Esta famosa afirmação de Jesus se encontra na Bíblia Sagrada, no Evangelho de Mateus, capítulos 10:39 e 16:25. E, mais uma vez, Cristo parece dizer algo estranho, que à primeira vista não faz muito sentido: como alguém pode perder a vida para, então, encontrá-la?

A resposta para essa aparente contradição está no fundamento do Seu Reino. Quem não entende o Reino de Deus jamais compreenderá o porquê dessa declaração do Senhor.

No trecho em questão, Cristo dirige palavras fortes e desafiadoras aos seus discípulos. Ele ensina que aquele que pensa salvar a sua vida seguindo os princípios deste mundo está, na verdade, enganado, pois acabará por perdê-la; por outro lado, quem abre mão desses princípios e coloca, em primeiro lugar, os valores do Reino de Deus, encontra a verdadeira vida.

Quem nasce espiritualmente no Reino de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, automaticamente passa a abrir mão das sugestões do mundo e da maneira injusta de viver que ele propõe. Assim, quem “perde a sua vida” por causa de Cristo é aquele que creu em Sua obra redentora, foi justificado diante de Deus e renasceu espiritualmente. Essa nova condição o reconcilia com o Criador e lhe garante a herança da vida eterna — e é exatamente nesse sentido que ele “encontra a sua vida”.

Por outro lado, quem “acha a sua vida” neste mundo escolhe viver segundo a injustiça que a maldade interior propõe. Ao fazer isso, nega a Cristo e decide permanecer separado de Deus. Como consequência, perde a oportunidade de entrar no Reino de Deus e de herdar a vida eterna — ou seja, “perde a sua vida”.

Os princípios do mundo não conduzem à verdadeira fonte de vida porque não são puros. Eles estão fundamentados no conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9,17), isto é, naquilo que a própria Escritura revela como a raiz da maldade. Por isso, os sistemas do mundo prometem saúde, segurança, paz e alegria, mas estão baseados em aparências e em sentimentos humanos — ambos instáveis e falhos.

Assim, as promessas do mundo não são plenamente confiáveis. As circunstâncias mudam constantemente, e os sentimentos acompanham essa instabilidade: ora há alegria, ora tristeza; ora segurança, ora medo. Dessa forma, os princípios do mundo produzem uma mistura contínua de conquistas e frustrações, alegrias e decepções, seguranças e incertezas — conduzindo, no fim, à morte e à destruição.

Em contraste, os princípios do Reino de Deus, que constituem a Sua justiça, são imutáveis. Eles procedem da própria natureza de Deus, que é santa e totalmente separada do mal. Nele não há qualquer operação da maldade. Por isso, tudo o que vem de Deus é puro, estável e plenamente confiável.

E mais: tudo o que vem de Deus é sempre benéfico ao ser humano, pois fomos criados à Sua imagem e semelhança. Assim, aquele que segue a Cristo e aprende os princípios do Reino, buscando praticá-los, passa a experimentar, ainda neste mundo, a realidade da vida verdadeira — a vida abundante e eterna.

Contudo, viver segundo esses princípios não é algo fácil. O conhecimento do bem e do mal continua operando em nossos corpos, contrariando a justiça de Deus e lutando contra ela constantemente. Por isso, aqueles que decidem viver de todo o coração a verdade revelada por Cristo enfrentam aflições.

Essas aflições se manifestam, primeiro, no interior de cada um, na luta contra desejos contrários à vontade de Deus; e, depois, no mundo, por meio de perseguições, rejeições, calúnias, prejuízos e até risco de morte.

Entretanto, isso não significa que quem vive segundo os padrões do mundo sofra menos. Pelo contrário: conflitos, medos, violências, doenças e morte também fazem parte da realidade daqueles que seguem esse caminho.

A diferença está na forma de enfrentar essas situações. Os que vivem segundo o mundo não compreendem plenamente suas tribulações, nem têm segurança quanto ao futuro. Já aqueles que vivem segundo a justiça de Deus discernem a origem das dificuldades, possuem autoridade em Cristo para resistir ao mal, têm certeza da vida eterna e experimentam paz e alegria verdadeiras, mesmo em meio às adversidades (Jo 14:27; 2Co 4:16-18).

O próprio Cristo enfrentou intensos sofrimentos durante Seu ministério terreno, e o mesmo ocorreu com os apóstolos após Sua morte e ressurreição. Ainda assim, perseveraram firmemente, pois tinham convicção de que, mesmo diante de aparentes perdas, eram mais que vencedores.

Eles negaram a si mesmos para atender ao chamado do Pai, vivendo a justiça de Deus e anunciando o Seu Reino. E todos aqueles que desejam usufruir dessa mesma realidade seguem o mesmo caminho.

Por isso, o Rei Jesus ensinou: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.

Deus deseja que toda a humanidade participe da realidade do Seu Reino — esta é a Sua boa, agradável e perfeita vontade. E, ao longo dos séculos, Ele tem anunciado insistentemente essa verdade, embora saiba que nem todos crerão.

O ensino de Jesus nos revela uma verdade inevitável: nesta vida, sempre haverá perdas em função de ganhos. Diante disso, existem apenas dois caminhos.

O primeiro é o caminho largo, onde o homem vive para si mesmo, buscando aquilo que o mundo oferece. Nesse percurso, pode até parecer que ganha, mas, no final, perde a sua alma, pois não pode pagar o preço da própria vida.

O segundo é o caminho estreito, onde o homem decide viver para Deus, segundo os princípios do Seu Reino. Nesse caminho, há renúncia, lutas e aparentes perdas, mas o resultado é incomparavelmente superior: a vida verdadeira, plena e eterna.

Assim, perder a vida por causa de Cristo não é, de fato, uma perda — é o único meio de encontrá-la de forma plena e definitiva. E isso só é possível porque o preço já foi pago, de maneira perfeita e suficiente, pelo sacrifício de Jesus Cristo.


Missionária Oriana Costa.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

O fermento dos fariseus e dos saduceus.


No trecho bíblico que vamos analisar aqui, Jesus está ensinando mais uma vez aos seus discípulos através de uma pequena parábola.

Para podermos entender bem sobre o alerta que Jesus está dando aos seus discípulos nesse trecho, é bom contextualizá-lo. Abaixo vamos ler o que aconteceu, um pouco antes de Cristo falar sobre o tal "fermento" dos fariseus e saduceus:

Os fariseus e os saduceus aproximaram-se de Jesus e o puseram à prova, pedindo-lhe que lhes mostrasse um sinal do céu. Ele respondeu: "Quando a tarde vem, vocês dizem: ‘Vai fazer bom tempo, porque o céu está vermelho’, e de manhã: ‘Hoje haverá tempestade, porque o céu está vermelho e nublado’. Vocês sabem interpretar o aspecto do céu, mas não sabem interpretar os sinais dos tempos! Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas". Então Jesus os deixou e retirou-se. Indo os discípulos para o outro lado do mar, esqueceram-se de levar pão. Disse-lhes Jesus: "Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus". (Mateus 16:1-6)

Essa frase dita pelo Rei Jesus, na verdade, é o fechamento de uma sucessão de eventos, que aconteceram na seguinte ordem: peregrinando pela região da Galileia, Jesus foi a Tiro e Sidom, e saindo do meio dos povoados foi acampar à beira mar, onde uma grande multidão o acompanhou. Depois, Ele foi de barco para um outro lugar também próximo dali, chamado Magadã.

E antes de se despedir dos habitantes de Tiro e Sidom, Jesus realizou PELA SEGUNDA VEZ(!) o milagre da multiplicação dos pães e peixes, para alimentar a multidão de cerca de 4.000 indivíduos que o seguia (Leia o capítulo 15 de Mateus).

Provavelmente, quando Jesus chegou em Magadã, já devia estar famoso lá, por causa dos milagres maravilhosos que andou realizando nas cidades vizinhas e, especialmente, por causa desse último. E, certamente, Ele deu continuidade à anunciação do Reino de Deus em mais essa cidade, provando sua existência e funcionalidade através dos milagres e prodígios sem igual que aconteciam através dele.

No inicio do capítulo 16 de Mateus, observamos que algum tempo depois de chegar a Magadã, como já era de se esperar, Cristo recebe novamente a visita dos fariseus e saduceus que moravam ali, e que vieram averiguar quem era aquele indivíduo sobre o qual as pessoas estavam falando tanto.

Seus discípulos, mais uma vez, presenciaram aqueles homens religiosos e influentes tentando persuadir Jesus; e mais uma vez ouviram o Cristo responder a eles com a sabedoria que lhe fora dada pelo Pai, deixando-os sem reação. Depois que isso aconteceu, Jesus saiu de Magadã e novamente entrou no barco com seus discípulos, atravessando o mar da Galileia para agora ir à região de Cesaréia.

Enquanto estavam nessa viagem, Cristo então aproveita para ensinar os discípulos através de mais uma parábola, aonde novamente seus alunos ficam sem entender sobre o que seu mestre estava falando.

No mesmo capítulo do trecho que estamos analisando aqui, alguns versículos à frente, Jesus explica do que se tratava "o fermento" que mencionou em sua fala: era "o ensino" equivocado sobre Deus que os homens religiosos, e que tinham muita influência em Israel à época, estavam passando para o povo. O conhecimento que eles tinham era tão enganoso que não conseguiam enxergar diante de si os sinais que Jesus já estava dando na cidade deles, de que era o Messias que eles diziam estar esperando.

Por isso, quando vieram falar com Jesus, por não conseguirem enxergar nem entender a manifestação do Reino de Deus, foram tolos a ponto de pedir ao Cristo que "lhes mostrasse um sinal do céu"!

Vocês sabem interpretar o aspecto do céu, mas não sabem interpretar os sinais dos tempos! Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas". (Mateus 16:3,4)

Voltemos para a cena do barco... Jesus aproveita a ocasião do esquecimento do pão e da preocupação que certamente seus discípulos tiveram naquele momento em adquirir comida, para abrir os seus olhos acerca da forma como os homens religiosos e influentes em Israel iriam agir para desviá-los da verdade: eles iriam aproveitar para "saciar a fome de justiça" que havia naturalmente em seus corações com um conhecimento totalmente equivocado sobre Deus.

Levados PELA SITUAÇÃO de estarem com fome, mas não terem o que comer naquele momento, eles esqueceram o milagre da multiplicação dos pães e peixes, que Jesus tinha operado há poucos dias em Tiro e Sidom, e que Cristo (o Filho de Deus!) estava ali ao lado deles. Isso aconteceu com os discípulos porque apesar de crerem que Jesus era um enviado de Deus, ou era o Messias, ainda não entendiam o Reino de Deus que Jesus perseverava em lhes ensinar e, por isso, a fé que eles tinham ainda era bem pequena, e estava se iniciando.

Devemos lembrar que a fé verdadeira em Deus provém do conhecimento de Seu Reino, por isso precisamos nos empenhar em aprender o máximo que pudermos sobre esse lugar e sobre a justiça que opera a partir dele.

"Homens de pequena fé, por que vocês estão discutindo entre si sobre não terem pão? Ainda não compreendem? Não se lembram dos cinco pães para os cinco mil e de quantos cestos vocês recolheram? Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos recolheram? Como é que vocês não entendem que não era de pão que eu estava lhes falando? Mas tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus". Então entenderam que não estava lhes dizendo que tomassem cuidado com o fermento de pão, mas com o ensino dos fariseus e dos saduceus. (Mateus 16:8-12)

Lendo essa passagem percebemos que nossa situação espiritual ou "o tamanho" da nossa fé irá se revelar ou se manifestar através de nossas ações e reações às situações corriqueiras no mundo. Dessa maneira, foi observando o comportamento dos discípulos que o Rei Jesus soltou o alerta, pois viu na preocupação deles com a falta do que comer na viagem que eles ainda não estavam percebendo e entendendo o Reino de Deus.

Assim como nós alimentamos nossos corpos com comida, nossos corações são alimentados com todas as informações que aceitamos como verdades para nós. E assim como o conhecimento do Reino de Deus age como um fermento que é colocado na preparação dos pães, onde a levedura do fermento se multiplica dentro da massa, fazendo-a aumentar de volume, qualquer outro tipo de conhecimento terá a mesma ação dentro dos corações das pessoas

Aqueles homens religiosos estavam todo o tempo oferecendo ao povo "um pão" muito atrativo, que parecia muito bom, que promovia uma aparência de espiritualidade e sabedoria, mas que de fato estava levedado por um fermento maligno, que levava as pessoas a agirem contra a Justiça de Deus.

Essa é a estratégia que Satanás sempre usa, desde que enganou Eva no Jardim, para persuadir as pessoas a provarem do seu conhecimento: ele trás resultados muito bons e "aparentemente mais rápidos" do que o conhecimento da Justiça de Deus, mas, com o passar do tempo, faz com que as pessoas se tornem escravas de si mesmas e não desfrutem da plenitude da vida, dada gratuitamente por Deus aos homens desde que foram criados.

Este tal fermento, ao qual Jesus se refere, são INFORMAÇÕES provenientes das vaidades humanas advindas dos desejos e sentimentos do corpo e da alma, e também da aparência das coisas do mundo, que estão misturadas ao conhecimento da Justiça de Deus declarado em Sua Palavra; essa mistura de conhecimentos é capaz de fazer alguém se sentir muito sábio e eloquente, muito espiritual, mas que, no entanto, encobre o Reino de Deus, que só pode ser visualizado pela palavra de Deus.

Esse conhecimento misturado coloca o foco do indivíduo nas coisas terrenas, geralmente trazendo grande confusão à mente das pessoas e, assim, impede que o indivíduo conheça Deus verdadeiramente e conheça a si mesmo, pois fomos criados por Ele à Sua imagem e semelhança. É por causa dessa confusão que esse conhecimento misturado trás à mente das pessoas que, muitas delas, depois de algum tempo, não conseguem continuar congregando após a chamada "conversão": por não conseguirem entender o Reino de Deus. Tais indivíduos começam a identificar muitos erros, especialmente no comportamento das lideranças, e acabam tornando-se insatisfeitos com o que ouvem e veem.

Desta forma, devemos ter em mente que "o pão" que Deus nos dá está fermentado com o conhecimento do Reino do Deus, que é totalmente bom e justo. As informações que vêm diretamente de Deus são sempre puras, dignas de confiança e de plena aceitação, pois explicarão claramente o que acontece conosco. Nelas não há maldade e podemos acessá-las na certeza de que a fome da Justiça de Deus que há em nossos corações será plenamente saciada, e que não seremos enganados de maneira alguma.

É importante notar que, ao contrário do conhecimento religioso – que está sempre à mão e facilmente pode ser adquirido no mundo de diversas formas – o conhecimento do Reino de Deus está escondido em Sua Palavra e precisa ser desejado, buscado de todo o coração, para que possa ser acessado e entendido claramente.

Concluindo: Através dessa curta parábola, Jesus estava ensinando seus discípulos a não se deixar influenciar pelos desejos da carne, pelo imediatismo de suas almas e corpos, pois se assim fizessem, eles acabariam dando preferência aos ensinos aparentemente "mais espirituais" que estavam sendo oferecidos ali, bem perto deles, capazes de satisfazê-los quase que instantaneamente, mas que iriam privá-los de enxergar e usufruir da realidade perfeita do Reino de Deus e crescer na fé genuína.

Texto: Missionária Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa
 

terça-feira, 7 de julho de 2020

O meu Reino não é deste mundo.

Essa fala de Jesus é esclarecedora em alguns aspectos para nós, que ouvimos e cremos na mensagem do evangelho.

No momento em que o Cristo fez essa afirmação, já tinha sido levado preso pelos soldados romanos e estava numa audiência, sendo interrogado pelo governador da província romana da Judéia, Poncio Pilatos.

A afirmação de Cristo que estamos analisando aqui, portanto, foi uma resposta aos seguintes questionamentos do governador:

"Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?" (João 18:33-35)

Então, o primeiro ponto que a afirmação do Rei Jesus esclarece é com relação ao conteúdo da mensagem do evangelho: a que ela está se referindo? Existem muitas mensagens religiosas sendo divulgadas pelo mundo afora, mas a verdadeira mensagem do evangelho ANUNCIA O REINO DE DEUS, e não filosofias ou pensamentos vindos de religiões.

O segundo ponto é que o reinado ou governo de Jesus Cristo não é baseado em princípios humanos ou na realidade que o mundo experimenta, mas está fundamentado no conjunto de Leis pelo qual a dimensão eterna ou espiritual e a nossa dimensão material foram criadas, e pelas quais as duas funcionam infalivelmente. Por este motivo é que tal governo não pode ser considerado religioso, e foi por isso que o Rei Jesus declarou a Pilatos: "O meu Reino não é deste mundo".

Então, vê-se claramente, pelo ensino de Cristo e pela manifestação do poder e autoridade que tinha e exibia na frente de todos, que aquilo que Ele estava anunciando era puramente o seu reinado ou governo e por quais princípios Ele reina ou governa.

O terceiro aspecto, é que apesar de Jesus Cristo ter sido enviado ao mundo dentro do judaísmo, Ele se colocou à parte da RELIGIÃO judaica. E isso notamos claramente quando ele diz "...para que eu não fosse entregue aos judeus...". Cristo estava em linha com os preceitos da Lei mosaica, que apontavam para o Seu Reino e para a necessidade de justificação que havia para quem desejasse fazer parte dele; no entanto, o Rei Jesus estava em desacordo com princípios religiosos, advindos da aparência do mundo e da maldade humana.

O quarto aspecto é sobre esta afirmação de Jesus sobre seu Reino: "mas agora ele não é daqui". Para quem não sabe, o Reino de Deus já foi deste mundo e era visível (Jardim do Éden), e esteve estabelecido em todo o planeta até antes do evento do Dilúvio. Durante esse evento, o Reino de Deus foi desligado da terra e então permaneceu totalmente ocultado da humanidade, até o momento em que Jesus Cristo veio até nós e passou a anunciá-lo em seu ministério.

Após o início da proclamação do Evangelho, o Reino de Deus e sua Justiça passaram a ser divulgados e ensinados em todo o mundo, sem, no entanto, ser exposto visivelmente, a fim de que a humanidade saiba da sua existência e também fique ciente de que há possibilidade de se adquirir cidadania permanente nele.

Tais informações são de extrema importância para todos, visto que no tempo determinado pelo nosso Criador Seu Reino voltará a ser instalado na terra e ficará VISÍVEL novamente, e desta vez para sempre (no livro de Apocalipse esse acontecimento é descrito como "um novo céu e uma nova terra" - Apocalipse 21:1). E quando esta etapa, que já está devidamente divulgada na Bíblia, se cumprir, quem não tiver adquirido a justificação disponibilizada pelo nosso Criador para ser oficialmente cidadão de Seu Reino ficará de fora dele em definitivo.

A justificação para a aquisição da cidadania no Reino só é possível se este não estiver sendo visto, pois no momento em que Ele é visualizado e conhecido plenamente já não há mais ignorância total sobre ele e, portanto, não há mais desculpa para a tolerância do descumprimento dos seus preceitos, que são ESSENCIAIS à manutenção da vida.

Por isso, Deus tem sido tolerante com a humanidade, pois o Seu Reino está sendo anunciado, porém, sem ser ainda visível. Foi essa a maneira única que Deus encontrou para nos dar a chance preciosa de entrar em seu Reino: ouvindo sobre ele, mas sem vê-lo, onde podemos ter ciência da existência dele (apenas) através da anunciação da mensagem de salvação pela fé em Jesus Cristo.

Quem crer na mensagem do evangelho e perseverar em se adequar à justiça de Deus revelada e ensinada por Cristo, sem, no entanto, estar vendo o Reino, está justificado (Leia 2Pedro capitulo 3). Nosso Criador não quer nos condenar, mas deseja que possamos desfrutar da realidade plena de seu Reino para sempre.

A expulsão do homem do Reino (Jardim do Éden), o juízo do Dilúvio (que destruiu todos os seres humanos na época, menos Noé e sua família) e a retirada do Reino de Deus da terra aconteceu exatamente por esta causa: a humanidade VIA o Reino e CONHECIA-O plenamente, no entanto, a maldade dentro de si os impedia de serem justos, ou seja, o conhecimento do bem e do mal dentro de si os impedia de agirem somente conforme os preceitos da legislação que opera nesse reino, QUE JÁ ERAM MUITO BEM CONHECIDOS POR TODOS.

Quando o ser humano tem a maldade dentro de si, e sabendo a verdade plenamente escolhe rejeitá-la, se torna hostil a si mesmo e ao seu próximo - esta era a realidade que a humanidade vivia até antes do juízo do Dilúvio (Gênesis 6:11); além disso, o ser humano que é completamente ciente da verdade e escolhe descumprí-la voluntariamente, entra em contenda perpétua com o Espirito de Deus (e passa a blasfemar contra Ele!), tornando-se seu inimigo (Gênesis 6:3, Romanos 8:18-32), por transgredir continuamente as bases legais pelas quais ele mesmo foi criado junto a todo o universo (Hebreus 10:26-39).

Missionária Oriana Costa.

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

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