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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.2 - O sermão da montanha


Continuando nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora no Sermão da Montanha, vamos analisar o momento em que o Senhor Jesus compara aqueles que escolhem segui-lo ao sal e à luz.

Vejamos o trecho que se encontra no Evangelho de Mateus:

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E também ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

A comparação que o Senhor Jesus faz do seu povo com o sal e com a luz é, em primeiro lugar, um alerta para que aqueles que decidem segui-lo não recuem do seu chamado na anunciação do Seu Reino.

É muito comum que, em meio às perseguições e desafios na obra de Deus, surja a vontade de desistir, parar ou esconder-se. No entanto, Cristo deixa claro que aqueles que têm em seu coração a mensagem do evangelho jamais devem deixar de anunciá-la.

Muitos podem pensar que, quando o Senhor fala de "boas obras" nesse trecho, está se referindo apenas a obras de caridade. No entanto, essas boas obras também dizem respeito ao trabalho de anunciação da mensagem de salvação e do Reino de Deus. E Ele afirma que a realização desse trabalho faz com que outros glorifiquem a Deus.

A proclamação do Reino de Deus traz consigo a manifestação de sinais, prodígios e maravilhas, como curas, libertação de vícios e de diversas opressões, confirmando que a mensagem anunciada é verdadeira.

Além disso, o comportamento daqueles que anunciam o Reino chama a atenção por ser diferente do padrão do mundo: livre de preconceitos, religiosidade vazia, misticismo, soberba e impurezas, estando alinhado com a reta justiça de Deus, que é o Seu amor.

Quando o Senhor Jesus faz a comparação com o sal, ao se referir à postura daqueles que anunciam o Seu Reino, Ele também aponta para essa maneira diferenciada de viver, que evidencia misericórdia, perdão, imparcialidade, paciência, prudência, generosidade, honestidade, sinceridade e disposição para ajudar e socorrer — entre tantas outras virtudes do Espírito.

As Escrituras apresentam várias referências sobre essa postura, comparada ao sal. Uma delas se encontra na carta do apóstolo Paulo aos Colossenses:

Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Colossenses 4:5-6)

Assim, ser sal e ser luz, de acordo com as palavras de Jesus Cristo, são características daqueles que verdadeiramente buscam alinhar-se ao Seu Reino e à Sua reta justiça, bem como anunciá-lo ao mundo.

No Evangelho de Marcos encontramos também:

O sal é bom, mas, se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros. (Marcos 9:50)

Aqui, Cristo revela que, se tivermos "sal" em nossos corações, poderemos viver em paz uns com os outros. O sal, portanto, também aponta para o fruto do Espírito, que inclui, entre outras virtudes, a paz (veja Gálatas 5:22; Tiago 3:17-18).

Em relação ao trecho em que o Senhor Jesus fala sobre o sal perder o sabor, Ele chama a atenção para as consequências de conhecermos a mensagem do Reino de Deus e não a anunciarmos, seja por meio das nossas atitudes diárias, seja pelo cumprimento do chamado de Deus em nossas vidas.

Na realidade física, quando o sal perde o sabor, ele não se torna totalmente inútil, pois ainda pode ser usado, por exemplo, para ajudar a derreter neve em países frios. Esse efeito ocorre porque o sal diminui a temperatura de fusão da água.

Entretanto, no contexto ensinado por Jesus, a ênfase está no prejuízo de perder a principal função do sal. Da mesma forma, Deus espera que Seu povo faça a diferença onde estiver, refletindo o Seu Reino por meio das suas ações e anunciando-o conforme foi capacitado.

Quando esse fruto não é manifestado na vida de um cristão, ele deixa de usufruir das bênçãos relacionadas à vida no Reino e passa a colher as consequências de não andar em conformidade com a justiça de Deus.

Agora, falando da "luz" com a qual o Senhor compara o Seu povo, as Escrituras também apresentam diversas referências:

Porque antes vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz — pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade — e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. (Efésios 5:8-10)

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1:5-7)

Quem afirma estar na luz, mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas, anda nas trevas e não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram. (1 João 2:9-11)

Ao analisarmos esses textos, percebemos que aqueles que são luz, segundo o ensino de Cristo, evidenciam alguns princípios fundamentais:

•Vivem em bondade, justiça e verdade, buscando discernir o que agrada ao Senhor — ou seja, vivem segundo a realidade do Reino de Deus, e não segundo o padrão do mundo.

•Buscam viver em comunhão com os irmãos em Cristo, compreendendo a importância da vida em unidade. O afastamento da comunhão tende a enfraquecer a fé, diminuir o confronto com a Palavra e, consequentemente, o arrependimento e a transformação.

•Amam seus irmãos, expressando esse amor por meio do cuidado, do perdão, da intercessão, da exortação e do suporte mútuo.

Que o nosso Deus continue falando aos nossos corações por meio da Sua Palavra, nos conduzindo a viver como sal da terra e luz do mundo, refletindo o Seu caráter e anunciando o Seu Reino com fidelidade, até que Ele seja glorificado em todas as coisas.


Missionária Oriana Costa.


terça-feira, 26 de julho de 2022

O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2


Em seu ministério, João Batista anunciava o Reino de Deus, e ele o fazia pregando o arrependimento de pecados para a salvação, e concomitantemente ia preparando o povo para a chegada do Messias. À medida que as pessoas iam crendo na mensagem anunciada, João cumpria um certo ritual, onde batizava as pessoas por imersão.

O batismo por imersão acontece quando os crentes mergulham totalmente seus corpos num local com bastante água (tanque, lago, lagoa, rio, etc) e depois saem rapidamente dela. Então, chegou o momento em que o Senhor Jesus também veio até João para ser batizado, como veremos no trecho a seguir:

"A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. (...) "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. (...) Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado"". (Mateus 3:5-17)

Nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João encontramos trechos que confirmam e também trazem informações complementares ao trecho bíblico acima.

Em Marcos 1:9-11 e Lucas 3:21-23, lemos a confirmação de que no momento em que Jesus saiu da água os céus se abriram, e Cristo viu o Espírito de Deus vindo até ele em forma de uma pomba. Provavelmente, as pessoas que ali estavam também puderam presenciar esse acontecimento sobrenatural. 

Ambos também relatam que uma voz soou do céu dizendo "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado", como se o Pai falasse apenas com Jesus. No Evangelho de Mateus, contudo, observamos que essa frase é dita como se o Pai estivesse apresentando Jesus aos que estavam ali, dando a entender que o Pai falou audivelmente a todos. Por isso, é provável que quando os céus se abriram, o Espírito de Deus veio até Jesus em forma de pomba, e o Pai falou, todos os que se encontravam ali testemunharam esses acontecimentos.

Em João 3:22-26 e 4:1,2 observamos o relato de que não apenas João estava batizando, mas os discípulos de Jesus também o faziam, e que João não batizou apenas no Rio Jordão, mas também em Enom, perto de Salim. Nesse Evangelho também percebemos que os discípulos de Jesus começaram a aumentar em quantidade, enquanto os de João começaram a diminuir, e o próprio profeta, quando indagado a respeito, explica o porquê disso estar acontecendo. Vejamos os trechos abaixo:

"Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judéia, onde passou algum tempo com eles e batizava. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. (Isto se deu antes de João ser preso.) Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial. Eles se dirigiram a João e lhe disseram: "Mestre, aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele". A isso João respondeu: "Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu. Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua". (João 3:22-30)

"Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia." (João 4:1-3)

Então, João Batista deixou claro para todos quem era ele mesmo e quem era Jesus, apesar de nem todos entenderem o que ele dizia e o que realmente estava acontecendo ali. 

Como vimos no estudo anterior, todas as profecias relacionadas à vinda de João Batista, e qual seria o seu serviço, bem como à vinda de Jesus, se cumpriram à risca. Porém, a maioria das pessoas, especialmente os mestres da Lei e fariseus, foram incapazes de verificar que o conteúdo das escrituras estava se cumprindo diante deles. 

Prosseguindo com o nosso estudo, há dois significados que precisamos entender com relação ao batismo. O primeiro se refere ao porquê do próprio Jesus ter se batizado.

Para entendermos isso, é preciso termos em mente que, antes de qualquer coisa, o batismo por imersão é um sinal divino e profético para todos nós. João batizou, e os discípulos de Jesus também o fizeram sob às ordens dele, porque esse ritual tem a ver com o cumprimento de uma promessa do Pai feita a Noé, e, consequentemente, feita também a toda a humanidade. Através dessa promessa o Pai indiretamente discrimina a forma como a maldade seria julgada após o Dilúvio:

"Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar. O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez. "Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão".(Gênesis 8:20-22)

"Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra"."(Gênesis 9:11)

Antes de continuarmos nosso estudo, é importante termos em mente que, ao sair da arca com sua família, Noé realizou um ritual de purificação, sacrificando animais sobre um altar dedicado ao Senhor. Noé, apesar de se esforçar para andar na justiça de Deus (por isso ele foi considerado justo por Deus, e escapou do juízo com sua família), sabia que havia maldade em seu corpo e também nos corpos de seus familiares, que ainda não havia sido justificada. 

Esse holocausto era feito especialmente como um sinal desse reconhecimento (e também como forma de demonstrar arrependimento sincero diante de alguns tipos de pecado), além de ser feito também como ações de graças diante de alguma conquista material (veja Gênesis 4:4, Genesis 12:7,8). Por isso, após a realização desse ritual feito por Noé, que para Deus foi agradável, o Criador decidiu que o juízo sobre a maldade não aconteceria mais com um dilúvio.

Dando prosseguimento ao nosso raciocínio e voltando agora para o batismo, através dele Deus estava avisando a todos na época de Jesus que uma nova aliança entre o Criador e a humanidade estava para ser estabelecida, e somente através dela é que se poderia receber livramento (a justificação) de um severo e definitivo juízo que viria no futuro sobre as transgressões de todos os seres humanos. 

Porém, nesse julgamento final, Deus não mais destruiria a vida no planeta com uma grande inundação, como fez anteriormente, mas faria se cumprir sua justiça unicamente através de um holocausto especial, num ato equivalente aquele feito por Noé ao sair da arca com sua família. Esse holocausto se cumpriria na morte e ressurreição de Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, que aceitou ser julgado e condenado em nosso lugar.

Por isso, o batismo em si é um aviso pelo qual sabemos que aquele juízo sofrido pelo mundo no Dilúvio, onde todo o planeta ficou submerso em água por um tempo e depois ressurgiu modificado para ser novamente repovoado por Noé e sua família, foi substituído por um outro tipo de juízo, que começou com a morte de Jesus na cruz (João 3:16-19), e terminará com a iniquidade e todos quantos não se desvincularam dela sendo devorados eternamente por um fogo que nunca se apaga, assim como o holocausto feito por Noé foi finalizado com os corpos dos animais mortos sendo completamente queimados no fogo do altar. 

No episódio do Dilúvio a justiça de Deus foi cumprida freando a maldade que tomou conta do mundo, sem destruí-la definitivamente, a fim de dar aos seres humanos uma chance de salvação no futuro. 

A vinda de Jesus, portanto, é para que se cumpra essa salvação, no entanto, através dele agora a justiça não vem para somente frear, mas sim decreta a destruição definitiva da maldade, e isso sabemos devido à promessa de seu retorno, onde a situação de pureza do homem será completamente restaurada, e a maldade destruída de uma vez por todas num local chamado de "Lago de fogo que arde com enxofre", citado em vários trechos do livro de Apocalipse (Veja Ap 19:20, 20:10, 20:14, 21:8)

Ao ser batizado nas águas, Jesus declarou publicamente que o juízo ou castigo sobre os pecados de toda a humanidade recairia terminantemente sobre Ele mesmo, para que todos alcancem a justificação de suas transgressões contra a reta justiça de Deus através do sacrifício dele, e escapem da condenação eterna já decretada sobre a maldade. Então, por isso Jesus se batizou por imersão no Rio Jordão.

O segundo significado do batismo nas águas tem a ver com a ordem dada por Jesus Cristo, para que aquele trabalho feito por João Batista se continue, e todos os que crerem na mensagem de salvação até seu retorno afirmem sua fé publicamente. 

Aqui, portanto, o batismo nas águas, além de apontar para a consumação do juízo sobre a maldade, assim como já vimos em parágrafos anteriores, passa também a ser um mandamento ligado à Nova aliança estabelecida entre Deus e os homens, que serve como confirmação pública de que o indivíduo realmente está arrependido de seus pecados e aceitou o sacrifício de Cristo por sua vida. 

Após o batismo, o sujeito deve estar ciente de que empenhou sua palavra diante de Deus e dos homens, de forma que dali em diante terá que se esforçar para aprender a justiça de Deus, para que viva de acordo com a realidade de pureza do Reino de Deus, e não mais de acordo com a realidade de injustiça do mundo.

"Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos"". (Mateus 28:18-20)

Lembrando que o ritual do batismo em si, não impede a pessoa de pecar e nem tem poder para salvar da condenação à morte eterna! Ele é um sinal divino e profético, e também uma confirmação pública, que devem ser dados após a entrada do indivíduo no Reino de Deus pela fé verdadeira em Jesus Cristo, mediante o ARREPENDIMENTO SINCERO de seus pecados. 

Para finalizar nosso estudo, vamos falar de um sinal curioso que foi dado por Deus após o Senhor Jesus sair da água, quando foi batizado no rio Jordão, onde, no momento em que ele estava orando, o Espírito de Deus aparece em forma de uma pomba, voando e pousando sobre ele. 

"Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele estava orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba". (Lucas 3:21,22)

Talvez, algumas pessoas, ao lerem esse trecho, podem ter se perguntado porque o Espírito de Deus se apresentou dessa forma, contudo, sem obterem respostas. No entanto, a resposta para isso está em Genesis, quando Noé solta uma pomba para averiguar se já era o momento de sair da arca e repovoar a terra.

Quando o planeta realmente tinha ficado livre das águas, a pomba não retornou mais a ele, dando a entender que já era o momento de deixar a nau e prosseguir com o recomeço do mundo. Por isso, ali Deus ordenou a Noé que esvaziasse totalmente a arca para iniciar o repovoamento do planeta, dando à humanidade uma chance única de ser justificada no futuro. 

"Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas desta vez ela não voltou. No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca. Então Deus disse a Noé: "Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles". (Gênesis 8:12-16)

Portanto, o Espírito de Deus pousando em Jesus em forma de uma pomba significa que agora, assim como foi possível um recomeço de vida na Terra após o juízo do Dilúvio, é possível sermos novas criaturas espiritualmente, e vivermos em novidade de vida no mundo através da fé em Jesus Cristo.

"Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!" Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito". (João 3:3-5)

"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!" (2Coríntios 5:17)


Missionária Oriana Costa.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Testemunhos falsos - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 5


Neste texto, faremos a conclusão da análise do capítulo 26 do Evangelho de Mateus. No estudo anterior, entendemos melhor como se deu o momento da prisão do Senhor Jesus Cristo. Agora, veremos o episódio seguinte, onde o Mestre é levado à presença do Sumo Sacerdote e, enquanto isso acontece, Pedro nega conhecer o Senhor, temendo ser preso. 

Vejamos o trecho a seguir:

Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam procurando um depoimento falso contra Jesus, para que pudessem condená-lo à morte. Mas nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas.
Finalmente se apresentaram duas que declararam: "Este homem disse: ‘Sou capaz de destruir o santuário de Deus e reconstruí-lo em três dias’ ". Então o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus: "Você não vai responder à acusação que estes lhe fazem?" Mas Jesus permaneceu em silêncio. O sumo sacerdote lhe disse: "Exijo que você jure pelo Deus vivo: se você é o Cristo, o Filho de Deus, diga-nos". "Tu mesmo o disseste", respondeu Jesus. "Mas eu digo a todos vós: chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu". 
Foi quando o sumo sacerdote rasgou as próprias vestes e disse: "Blasfemou! Por que precisamos de mais testemunhas? Vocês acabaram de ouvir a blasfêmia. Que acham?" "É réu de morte!", responderam eles. Então alguns lhe cuspiram no rosto e lhe deram murros. Outros lhe davam tapas e diziam: "Profetize-nos, Cristo. Quem foi que lhe bateu?" 
Pedro estava sentado no pátio, e uma criada, aproximando-se dele, disse: "Você também estava com Jesus, o galileu". Mas ele o negou diante de todos, dizendo: "Não sei do que você está falando". Depois, saiu em direção à porta, onde outra criada o viu e disse aos que estavam ali: "Este homem estava com Jesus, o Nazareno". E ele, jurando, o negou outra vez: "Não conheço esse homem!" Pouco tempo depois, os que estavam por ali chegaram a Pedro e disseram: "Certamente você é um deles! O seu modo de falar o denuncia". Aí ele começou a se amaldiçoar e a jurar: "Não conheço esse homem!" Imediatamente um galo cantou. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, você me negará três vezes". E, saindo dali, chorou amargamente. (Mateus 26:59-75)

Vamos iniciar nossa análise com um versículo que pode ser encontrado em dois livros da Lei, no qual há um mandamento que se refere ao "falso testemunho":

Não darás falso testemunho contra o teu próximo. (Êxodo 20:16, Deuteronômio 5:20)

Os líderes religiosos de Israel precisavam de, pelo menos, duas testemunhas convincentes para acusar e condenar Cristo, por causa da especificação contida na Lei, como veremos adiante. 

Então, apesar de estarem cientes de que não existiam motivos para a acusação do Senhor, pois sempre que os procuravam nunca conseguiam encontrá-los, os fariseus e mestres da Lei se empenharam em arranjar, pelo menos, duas testemunhas falsas para assim conseguirem exterminar o Mestre do meio deles.

Portanto, o que fizeram ao Senhor Jesus foi, sem sombra de dúvida, o descumprimento do mandamento que proíbe o falso testemunho. E não cumprir esse mandamento, segundo a Lei Mosaica, resulta em uma determinada punição, como veremos a seguir:

Uma só testemunha não é suficiente para condenar alguém de algum crime ou delito. Qualquer acusação precisa ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se uma testemunha falsa quiser acusar um homem de algum crime, os dois envolvidos na questão deverão apresentar-se ao Senhor, diante dos sacerdotes e juízes que estiverem exercendo o cargo naquela ocasião. Os juízes investigarão o caso e, se ficar provado que a testemunha mentiu e deu falso testemunho contra o seu próximo, deem-lhe a punição que ele planejava para o seu irmão. Eliminem o mal do meio de vocês. O restante do povo saberá disso e terá medo, e nunca mais se fará uma coisa dessas entre vocês. Não tenham piedade. Exijam vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. (Deuteronômio 19:15-21)

De acordo com o trecho acima, todos os que se acomunaram para condenar e matar o Senhor Jesus – que era inocente daquelas acusações – deveriam morrer crucificados, assim como estavam planejando fazer com Ele, isso se fossem levados a julgamento naquele momento, de acordo com o mandamento da Lei. 

No entanto, Cristo veio não para condenar, mas para salvar. O Pai desejou fazer um acordo de paz com toda a humanidade, e estava disposto a nos perdoar, mediante a nossa fé na mensagem que Seu Filho Unigênito estava anunciando e também no sacrifício para o qual havia sido designado a fazer por toda a humanidade. E Ele foi até o fim nessa empreitada, porque amou o homem que criou e não desejava a sua destruição, como também ama todo o restante da Sua grandiosa criação.

Então, para que esse acordo entre Deus e os homens fosse estabelecido de uma vez por todas, Cristo precisava cumprir tudo o que havia sido profetizado à respeito d'Ele, pois somente assim TODOS (inclusive aqueles que estavam envolvidos no processo de sua morte) teriam a chance de se arrepender de seus pecados, após seu sacrifício na cruz, mediante a fé na mensagem do Reino, tendo assim acesso à justificação disponibilizada gratuitamente pelo nosso Criador.

O sofrimento pelo qual o Senhor Jesus teria que passar, até sua morte, está predito no Antigo Testamento em muitos lugares. Um dos profetas maiores, Isaías, predisse o que o Messias teria que passar de uma forma surpreendente (leia o capítulo 53 de Isaias). Abaixo vamos conferir três trechos que, como aqueles contidos no livro de Isaías, apontam que o Messias seria acusado injustamente e que Ele não iria se defender:

Testemunhas maldosas enfrentam-me e questionam-me sobre coisas de que nada sei. Elas me retribuem o bem com o mal e procuram tirar-me a vida. Contudo, quando estavam doentes, usei vestes de lamento, humilhei-me com jejum e recolhi-me em oração. Saí vagueando e pranteando, como por um amigo ou por um irmão. Eu me prostrei enlutado, como quem lamenta por sua mãe. Mas, quando tropecei, eles se reuniram alegres; sem que eu o soubesse, ajuntaram-se para me atacar. Eles me agrediram sem cessar. Como ímpios caçoando do meu refúgio, rosnaram contra mim. (Salmos 35:11-16)

Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito. Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam, mas eu permaneço em oração. Retribuem-me o bem com o mal, e a minha amizade com ódio.(Salmos 109:1-5)

Estou calado! Não posso abrir a boca, pois tu mesmo fizeste isso. Afasta de mim o teu açoite; fui vencido pelo golpe da tua mão. (Salmos 39:9,10)

Enquanto Cristo enfrentava as autoridades de Jerusalém naquela noite, dois discípulos de Jesus permaneceram por perto, observando os acontecimentos, segundo nos revela o Evangelho de João, no capítulo 18. Eles conseguiram entrar no pátio da casa do Sumo Sacerdote, Caifás, pois um deles era seu conhecido.

Um desses discípulos era Pedro, que veria com seus próprios olhos o cumprimento de uma palavra que recebeu do Senhor Jesus, horas antes de sua prisão: "Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará". (Mt 26:34)

No Evangelho de Lucas lemos um trecho que revela o que aconteceu no pátio da casa de Caifás, logo após o cantar do galo:

O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: "Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes". Saindo dali, chorou amargamente. (Lucas 22:61,62)

Isso significa que o Mestre estava vendo os seus dois discípulos ali perto, e viu também que eles não tinham coragem de se apresentar ao Sinédrio para lhe defenderem, pois eles estavam com medo de serem silenciados devido ao ódio que todos tinham do Senhor. Cristo, em contrapartida, não falou que ali estavam duas testemunhas de que ele era inocente, a fim de que tudo o que foi predito à respeito d'Ele fosse cumprido, e também para protegê-los.

Missionária Oriana Costa

terça-feira, 24 de agosto de 2021

A conspiração - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 1


Após ensinar seus discípulos no Monte das Oliveiras sobre as coisas que haveriam de acontecer à igreja e ao mundo, antes de seu retorno, e sobre os três princípios que servirão de base para o julgamento que terá início com o resgate dos verdadeiros cristãos dentre as nações da terra, quando Ele retornar, Cristo continua a preparar seus discípulos para o dia de sua morte e ressurreição.

O Senhor já vinha preparando seus discípulos sobre o que lhe aconteceria em ocasiões anteriores, como podemos ver no Evangelho de Mateus nos capítulos 17 e 20, por exemplo.

A partir desse estudo, portanto, veremos especialmente o cumprimento das profecias feitas acerca do Messias ao longo dos séculos, antes de seu nascimento, e que constam nos livros do Antigo Testamento.

Vamos começar com o primeiro trecho do capítulo 26, que fala de três momentos importantes: o início da conspiração dos líderes religiosos de Israel para matar Jesus, o episódio do frasco de óleo perfumado que é derramado sobre a cabeça de Cristo, e o início da traição de Judas Iscariotes.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: "Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado". Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-lo. Mas diziam: "Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo". Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro. Ela o derramou sobre a cabeça de Jesus, quando ele se encontrava reclinado à mesa. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e perguntaram: "Por que este desperdício? Este perfume poderia ser vendido por alto preço, e o dinheiro dado aos pobres". Percebendo isso, Jesus lhes disse: "Por que vocês estão perturbando essa mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão. Quando derramou este perfume sobre o meu corpo, ela o fez a fim de me preparar para o sepultamento. Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado, em sua memória". Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês?" E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo. (Mateus 26:1-16)

Antes de iniciar a análise do nosso texto, existem algumas informações importantes que devemos saber. Uma delas é que nesse momento Jesus não se expunha mais publicamente como antes, pois estava ciente de que poderia ser preso e sacrificado a qualquer hora. Ele só se entregou de fato no tempo que o Pai já havia determinado e anunciado na Antiga Aliança (que ainda estava em vigor), através dos mandamentos que entregou a Moisés e Arão.

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: (...) Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. (...) O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...). Esta é a Páscoa do Senhor. (Êxodo 12:1-11)

Outra informação importante é que a conspiração para matar Jesus já tinha surgido bem antes dos acontecimentos mostrados em Mateus 26, no momento em que Lázaro fora ressuscitado. Logo após o acontecido, as lideranças religiosas, com medo de perderem as posições privilegiadas que tinham na sociedade e suas boas relações com as lideranças de Roma, convocaram o sinédrio, que se reuniu para tomar uma posição em unidade. Esse acontecimento se encontra descrito com detalhes no capítulo 11 do Evangelho de João.

Nessa reunião, mesmo sem entender quem realmente era Jesus, o próprio Caifás, que era o sumo sacerdote naquela ocasião, acabou profetizando acerca do Messias:

Então um deles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, tomou a palavra e disse: "Nada sabeis! Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação". Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo. (João 11:49-52)

Por isso, antes de voltar à Betânia, após a ressurreição de Lázaro, Jesus se refugiou com seus discípulos no povoado de Efraim, região próxima dali. Sobre isso, falou o profeta Jeremias:

Ó Jerusalém, lave o mal do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai acolher projetos malignos no íntimo? Ouve-se uma voz proclamando desde Dã, desde os montes de Efraim se anuncia calamidade. (Jeremias 4:14,15)

Dessa forma, faltando cerca de uma semana para a celebração da Páscoa, Cristo voltou à cidade de Betânia, e ali dois sinais interessantes e muito parecidos aconteceram diante dos discípulos, anunciando-lhes que seu Mestre seria sacrificado em breve. Um deles, o segundo, está descrito no trecho que estamos analisando aqui.

O primeiro sinal aconteceu seis dias antes (no oitavo dia do primeiro mês judaico), quando Cristo estava hospedado na casa de Lázaro, a quem Ele ressuscitou dos mortos. Ali Ele foi perfumado pela primeira vez, por Maria, irmã de Lázaro, durante um jantar (João 12:1-9). Ela derramou nos pés do Senhor um frasco de nardo puro, enxugando, em seguida, com seus próprios cabelos. Nessa ocasião, Judas Iscariotes posicionou-se contra o acontecido, alegando que "o frasco de nardo poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

Quatro dias depois, agora na casa de Simão, o leproso, aconteceu uma situação similar. Enquanto Jesus estava reclinado à mesa, uma mulher aproximou-se e derramou sobre a sua cabeça um frasco de alabastro cheio de um perfume muito caro (Mateus 26:6-13, Marcos 14:3). O perfume escorreu por todo o seu corpo. Desta vez, todos os que estavam presentes se indignaram com a ação da mulher, alegando que "o perfume poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

O fato de Jesus ter sido perfumado ou ungido com óleo pela segunda vez, faltando 2 dias para a celebração da Páscoa (no décimo segundo dia do primeiro mês judaico), foi uma sinalização dupla da parte do Pai para os israelitas de que Seu Filho, o Messias, estava ali para pagar de uma vez por todas a dívida de transgressão eterna, cumprindo definitivamente o mandamento relacionado àquele fim e também para reinar para sempre sobre o Seu povo.

Então, ao contrário do que muitos pensam, Jesus foi perfumado com óleo essencial de nardo não somente uma vez na proximidade de sua morte, mas duas vezes.

Sobre essas mulheres que perfumaram Jesus, há no Antigo Testamento, no livro de Cantares, trechos relacionados:

A fragrância dos seus perfumes é suave; o seu nome é como perfume derramado. Não é à toa que as jovens o amam! (Cânticos 1:3)

Enquanto o rei estava em seus aposentos, o meu nardo espalhou a sua fragrância. (Cânticos 1:12)

No livro de Salmos também há um trecho que fala desse acontecimento:

Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. A minha mão o susterá, e o meu braço o fará forte. (Salmos 89:19-21)

A primeira vez que Jesus foi ungido com óleo de nardo (também por uma mulher) aconteceu logo após Ele ter escolhido dentre os seus discípulos os doze Apóstolos, estando com eles na cidade de Naim, na casa de um fariseu que o convidou para uma refeição (Lucas 7:36-50).

Prosseguindo com nosso estudo, agora vamos analisar a traição de Judas Iscariotes. Com a proximidade da celebração da Páscoa, estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, os chefes dos sacerdotes e os lideres religiosos do povo se reuniram novamente no palácio do sumo sacerdote, Caifás, para tomarem uma decisão em definitivo.

Já que não conseguiam achar no Senhor nenhum motivo para justa acusação, resolveram oferecer recompensa para quem lhes entregasse Jesus, a fim de obterem um resultado mais rápido.

Sabendo disso, Judas Iscariotes, que não tinha entendido a mensagem do Reino e estava ali com Cristo sem ter nutrido em seu coração a fé verdadeira (lembrando que ele presenciou todos os milagres feitos por Cristo enquanto o acompanhava em seu ministério!), se sentiu tentado com a possibilidade de ganhar algum dinheiro e adquirir prestígio social, e então sucumbiu à tentação. Assim, ele procurou os líderes religiosos para fazer um acordo com eles (Marcos 14:10,11; Lucas 22:1-6).

Nos livros de Salmos e Zacarias, que estão no Antigo Testamento, podemos ler dois trechos que se referem a esse acontecimento:

Os meus inimigos dizem maldosamente a meu respeito: "Quando ele vai morrer? Quando vai desaparecer o seu nome?" Sempre que alguém vem visitar-me, fala com falsidade, enche o coração de calúnias e depois sai espalhando-as. Todos os que me odeiam juntam-se e cochicham contra mim, imaginando que o pior me acontecerá: "Uma praga terrível o derrubou; está de cama, e jamais se levantará". Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:5-9)

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. (Zacarias 11:12)

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

terça-feira, 22 de setembro de 2020

O fermento dos fariseus e dos saduceus.


No trecho bíblico que vamos analisar aqui, Jesus está ensinando mais uma vez aos seus discípulos através de uma pequena parábola.

Para podermos entender bem sobre o alerta que Jesus está dando aos seus discípulos nesse trecho, é bom contextualizá-lo. Abaixo vamos ler o que aconteceu, um pouco antes de Cristo falar sobre o tal "fermento" dos fariseus e saduceus:

Os fariseus e os saduceus aproximaram-se de Jesus e o puseram à prova, pedindo-lhe que lhes mostrasse um sinal do céu. Ele respondeu: "Quando a tarde vem, vocês dizem: ‘Vai fazer bom tempo, porque o céu está vermelho’, e de manhã: ‘Hoje haverá tempestade, porque o céu está vermelho e nublado’. Vocês sabem interpretar o aspecto do céu, mas não sabem interpretar os sinais dos tempos! Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas". Então Jesus os deixou e retirou-se. Indo os discípulos para o outro lado do mar, esqueceram-se de levar pão. Disse-lhes Jesus: "Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus". (Mateus 16:1-6)

Essa frase dita pelo Rei Jesus, na verdade, é o fechamento de uma sucessão de eventos, que aconteceram na seguinte ordem: peregrinando pela região da Galileia, Jesus foi a Tiro e Sidom, e saindo do meio dos povoados foi acampar à beira mar, onde uma grande multidão o acompanhou. Depois, Ele foi de barco para um outro lugar também próximo dali, chamado Magadã.

E antes de se despedir dos habitantes de Tiro e Sidom, Jesus realizou PELA SEGUNDA VEZ(!) o milagre da multiplicação dos pães e peixes, para alimentar a multidão de cerca de 4.000 indivíduos que o seguia (Leia o capítulo 15 de Mateus).

Provavelmente, quando Jesus chegou em Magadã, já devia estar famoso lá, por causa dos milagres maravilhosos que andou realizando nas cidades vizinhas e, especialmente, por causa desse último. E, certamente, Ele deu continuidade à anunciação do Reino de Deus em mais essa cidade, provando sua existência e funcionalidade através dos milagres e prodígios sem igual que aconteciam através dele.

No inicio do capítulo 16 de Mateus, observamos que algum tempo depois de chegar a Magadã, como já era de se esperar, Cristo recebe novamente a visita dos fariseus e saduceus que moravam ali, e que vieram averiguar quem era aquele indivíduo sobre o qual as pessoas estavam falando tanto.

Seus discípulos, mais uma vez, presenciaram aqueles homens religiosos e influentes tentando persuadir Jesus; e mais uma vez ouviram o Cristo responder a eles com a sabedoria que lhe fora dada pelo Pai, deixando-os sem reação. Depois que isso aconteceu, Jesus saiu de Magadã e novamente entrou no barco com seus discípulos, atravessando o mar da Galileia para agora ir à região de Cesaréia.

Enquanto estavam nessa viagem, Cristo então aproveita para ensinar os discípulos através de mais uma parábola, aonde novamente seus alunos ficam sem entender sobre o que seu mestre estava falando.

No mesmo capítulo do trecho que estamos analisando aqui, alguns versículos à frente, Jesus explica do que se tratava "o fermento" que mencionou em sua fala: era "o ensino" equivocado sobre Deus que os homens religiosos, e que tinham muita influência em Israel à época, estavam passando para o povo. O conhecimento que eles tinham era tão enganoso que não conseguiam enxergar diante de si os sinais que Jesus já estava dando na cidade deles, de que era o Messias que eles diziam estar esperando.

Por isso, quando vieram falar com Jesus, por não conseguirem enxergar nem entender a manifestação do Reino de Deus, foram tolos a ponto de pedir ao Cristo que "lhes mostrasse um sinal do céu"!

Vocês sabem interpretar o aspecto do céu, mas não sabem interpretar os sinais dos tempos! Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas". (Mateus 16:3,4)

Voltemos para a cena do barco... Jesus aproveita a ocasião do esquecimento do pão e da preocupação que certamente seus discípulos tiveram naquele momento em adquirir comida, para abrir os seus olhos acerca da forma como os homens religiosos e influentes em Israel iriam agir para desviá-los da verdade: eles iriam aproveitar para "saciar a fome de justiça" que havia naturalmente em seus corações com um conhecimento totalmente equivocado sobre Deus.

Levados PELA SITUAÇÃO de estarem com fome, mas não terem o que comer naquele momento, eles esqueceram o milagre da multiplicação dos pães e peixes, que Jesus tinha operado há poucos dias em Tiro e Sidom, e que Cristo (o Filho de Deus!) estava ali ao lado deles. Isso aconteceu com os discípulos porque apesar de crerem que Jesus era um enviado de Deus, ou era o Messias, ainda não entendiam o Reino de Deus que Jesus perseverava em lhes ensinar e, por isso, a fé que eles tinham ainda era bem pequena, e estava se iniciando.

Devemos lembrar que a fé verdadeira em Deus provém do conhecimento de Seu Reino, por isso precisamos nos empenhar em aprender o máximo que pudermos sobre esse lugar e sobre a justiça que opera a partir dele.

"Homens de pequena fé, por que vocês estão discutindo entre si sobre não terem pão? Ainda não compreendem? Não se lembram dos cinco pães para os cinco mil e de quantos cestos vocês recolheram? Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos recolheram? Como é que vocês não entendem que não era de pão que eu estava lhes falando? Mas tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus". Então entenderam que não estava lhes dizendo que tomassem cuidado com o fermento de pão, mas com o ensino dos fariseus e dos saduceus. (Mateus 16:8-12)

Lendo essa passagem percebemos que nossa situação espiritual ou "o tamanho" da nossa fé irá se revelar ou se manifestar através de nossas ações e reações às situações corriqueiras no mundo. Dessa maneira, foi observando o comportamento dos discípulos que o Rei Jesus soltou o alerta, pois viu na preocupação deles com a falta do que comer na viagem que eles ainda não estavam percebendo e entendendo o Reino de Deus.

Assim como nós alimentamos nossos corpos com comida, nossos corações são alimentados com todas as informações que aceitamos como verdades para nós. E assim como o conhecimento do Reino de Deus age como um fermento que é colocado na preparação dos pães, onde a levedura do fermento se multiplica dentro da massa, fazendo-a aumentar de volume, qualquer outro tipo de conhecimento terá a mesma ação dentro dos corações das pessoas

Aqueles homens religiosos estavam todo o tempo oferecendo ao povo "um pão" muito atrativo, que parecia muito bom, que promovia uma aparência de espiritualidade e sabedoria, mas que de fato estava levedado por um fermento maligno, que levava as pessoas a agirem contra a Justiça de Deus.

Essa é a estratégia que Satanás sempre usa, desde que enganou Eva no Jardim, para persuadir as pessoas a provarem do seu conhecimento: ele trás resultados muito bons e "aparentemente mais rápidos" do que o conhecimento da Justiça de Deus, mas, com o passar do tempo, faz com que as pessoas se tornem escravas de si mesmas e não desfrutem da plenitude da vida, dada gratuitamente por Deus aos homens desde que foram criados.

Este tal fermento, ao qual Jesus se refere, são INFORMAÇÕES provenientes das vaidades humanas advindas dos desejos e sentimentos do corpo e da alma, e também da aparência das coisas do mundo, que estão misturadas ao conhecimento da Justiça de Deus declarado em Sua Palavra; essa mistura de conhecimentos é capaz de fazer alguém se sentir muito sábio e eloquente, muito espiritual, mas que, no entanto, encobre o Reino de Deus, que só pode ser visualizado pela palavra de Deus.

Esse conhecimento misturado coloca o foco do indivíduo nas coisas terrenas, geralmente trazendo grande confusão à mente das pessoas e, assim, impede que o indivíduo conheça Deus verdadeiramente e conheça a si mesmo, pois fomos criados por Ele à Sua imagem e semelhança. É por causa dessa confusão que esse conhecimento misturado trás à mente das pessoas que, muitas delas, depois de algum tempo, não conseguem continuar congregando após a chamada "conversão": por não conseguirem entender o Reino de Deus. Tais indivíduos começam a identificar muitos erros, especialmente no comportamento das lideranças, e acabam tornando-se insatisfeitos com o que ouvem e veem.

Desta forma, devemos ter em mente que "o pão" que Deus nos dá está fermentado com o conhecimento do Reino do Deus, que é totalmente bom e justo. As informações que vêm diretamente de Deus são sempre puras, dignas de confiança e de plena aceitação, pois explicarão claramente o que acontece conosco. Nelas não há maldade e podemos acessá-las na certeza de que a fome da Justiça de Deus que há em nossos corações será plenamente saciada, e que não seremos enganados de maneira alguma.

É importante notar que, ao contrário do conhecimento religioso – que está sempre à mão e facilmente pode ser adquirido no mundo de diversas formas – o conhecimento do Reino de Deus está escondido em Sua Palavra e precisa ser desejado, buscado de todo o coração, para que possa ser acessado e entendido claramente.

Concluindo: Através dessa curta parábola, Jesus estava ensinando seus discípulos a não se deixar influenciar pelos desejos da carne, pelo imediatismo de suas almas e corpos, pois se assim fizessem, eles acabariam dando preferência aos ensinos aparentemente "mais espirituais" que estavam sendo oferecidos ali, bem perto deles, capazes de satisfazê-los quase que instantaneamente, mas que iriam privá-los de enxergar e usufruir da realidade perfeita do Reino de Deus e crescer na fé genuína.

Texto: Missionária Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa
 

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...