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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.2 - O sermão da montanha


Continuando nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora no Sermão da Montanha, vamos analisar o momento em que o Senhor Jesus compara aqueles que escolhem segui-lo ao sal e à luz.

Vejamos o trecho que se encontra no Evangelho de Mateus:

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E também ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

A comparação que o Senhor Jesus faz do seu povo com o sal e com a luz é, em primeiro lugar, um alerta para que aqueles que decidem segui-lo não recuem do seu chamado na anunciação do Seu Reino.

É muito comum que, em meio às perseguições e desafios na obra de Deus, surja a vontade de desistir, parar ou esconder-se. No entanto, Cristo deixa claro que aqueles que têm em seu coração a mensagem do evangelho jamais devem deixar de anunciá-la.

Muitos podem pensar que, quando o Senhor fala de "boas obras" nesse trecho, está se referindo apenas a obras de caridade. No entanto, essas boas obras também dizem respeito ao trabalho de anunciação da mensagem de salvação e do Reino de Deus. E Ele afirma que a realização desse trabalho faz com que outros glorifiquem a Deus.

A proclamação do Reino de Deus traz consigo a manifestação de sinais, prodígios e maravilhas, como curas, libertação de vícios e de diversas opressões, confirmando que a mensagem anunciada é verdadeira.

Além disso, o comportamento daqueles que anunciam o Reino chama a atenção por ser diferente do padrão do mundo: livre de preconceitos, religiosidade vazia, misticismo, soberba e impurezas, estando alinhado com a reta justiça de Deus, que é o Seu amor.

Quando o Senhor Jesus faz a comparação com o sal, ao se referir à postura daqueles que anunciam o Seu Reino, Ele também aponta para essa maneira diferenciada de viver, que evidencia misericórdia, perdão, imparcialidade, paciência, prudência, generosidade, honestidade, sinceridade e disposição para ajudar e socorrer — entre tantas outras virtudes do Espírito.

As Escrituras apresentam várias referências sobre essa postura, comparada ao sal. Uma delas se encontra na carta do apóstolo Paulo aos Colossenses:

Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Colossenses 4:5-6)

Assim, ser sal e ser luz, de acordo com as palavras de Jesus Cristo, são características daqueles que verdadeiramente buscam alinhar-se ao Seu Reino e à Sua reta justiça, bem como anunciá-lo ao mundo.

No Evangelho de Marcos encontramos também:

O sal é bom, mas, se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros. (Marcos 9:50)

Aqui, Cristo revela que, se tivermos "sal" em nossos corações, poderemos viver em paz uns com os outros. O sal, portanto, também aponta para o fruto do Espírito, que inclui, entre outras virtudes, a paz (veja Gálatas 5:22; Tiago 3:17-18).

Em relação ao trecho em que o Senhor Jesus fala sobre o sal perder o sabor, Ele chama a atenção para as consequências de conhecermos a mensagem do Reino de Deus e não a anunciarmos, seja por meio das nossas atitudes diárias, seja pelo cumprimento do chamado de Deus em nossas vidas.

Na realidade física, quando o sal perde o sabor, ele não se torna totalmente inútil, pois ainda pode ser usado, por exemplo, para ajudar a derreter neve em países frios. Esse efeito ocorre porque o sal diminui a temperatura de fusão da água.

Entretanto, no contexto ensinado por Jesus, a ênfase está no prejuízo de perder a principal função do sal. Da mesma forma, Deus espera que Seu povo faça a diferença onde estiver, refletindo o Seu Reino por meio das suas ações e anunciando-o conforme foi capacitado.

Quando esse fruto não é manifestado na vida de um cristão, ele deixa de usufruir das bênçãos relacionadas à vida no Reino e passa a colher as consequências de não andar em conformidade com a justiça de Deus.

Agora, falando da "luz" com a qual o Senhor compara o Seu povo, as Escrituras também apresentam diversas referências:

Porque antes vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz — pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade — e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. (Efésios 5:8-10)

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1:5-7)

Quem afirma estar na luz, mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas, anda nas trevas e não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram. (1 João 2:9-11)

Ao analisarmos esses textos, percebemos que aqueles que são luz, segundo o ensino de Cristo, evidenciam alguns princípios fundamentais:

•Vivem em bondade, justiça e verdade, buscando discernir o que agrada ao Senhor — ou seja, vivem segundo a realidade do Reino de Deus, e não segundo o padrão do mundo.

•Buscam viver em comunhão com os irmãos em Cristo, compreendendo a importância da vida em unidade. O afastamento da comunhão tende a enfraquecer a fé, diminuir o confronto com a Palavra e, consequentemente, o arrependimento e a transformação.

•Amam seus irmãos, expressando esse amor por meio do cuidado, do perdão, da intercessão, da exortação e do suporte mútuo.

Que o nosso Deus continue falando aos nossos corações por meio da Sua Palavra, nos conduzindo a viver como sal da terra e luz do mundo, refletindo o Seu caráter e anunciando o Seu Reino com fidelidade, até que Ele seja glorificado em todas as coisas.


Missionária Oriana Costa.


quinta-feira, 22 de junho de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha


Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importantes do Seu Reino para os seus discípulos e seguidores. 

Esse evento ficou conhecido como "O Sermão da Montanha" ou "O Sermão do Monte", porque aconteceu quando o Senhor estava acampado no sopé de um monte situado de frente para o mar da Galiléia, próximo da cidade de Carfanaum. Hoje esse lugar é chamado de Monte das Beatitudes ou Monte das Bem-aventuranças.

O Sermão da Montanha consta nos Evangelhos de Mateus e Lucas, e um pequeno trecho desse discurso também pode ser achado no evangelho de Marcos (Mc 9:41-50). Porém, esse ensino foi melhor detalhado pelo Apóstolo Mateus (o ex-publicano Levi), visto que ele seguiu Jesus no tempo de Seu ministério terreno.

Sempre é bom lembrar que o público para o qual Jesus Cristo estava se dirigindo em sua época era judeu em sua maioria. Não existia cristãos naquele momento nem a Bíblia como hoje a conhecemos. A linguagem que o Senhor usava para falar com aquelas pessoas estava de acordo com o conteúdo da Torah, e obviamente, acordava com a cultura e os costumes judaicos, que eram, e ainda hoje são, muito diferentes dos usos e costumes ocidentais atuais.

Então, quando se dirigiu ao povo, Cristo foi lhes passando as seguintes instruções:

"Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus; bem-aventurados os que choram, pois serão consolados; bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança; bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos; bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia; bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus; bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus; bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês"."(Mateus 5:1-12)

No Evangelho de Lucas vamos ler o seguinte:

"Olhando para os seus discípulos, ele disse: "Bem-aventurados vocês os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus. Bem-aventurados vocês, que agora têm fome, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir. Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. "Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas. "Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação. Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar. Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles trataram os falsos profetas"". (Lucas 6:20-26)

As palavras do Senhor no Sermão da Montanha estão especialmente relacionadas com alguns pontos da Lei mosaica e também com o que fora dito pelos profetas que haviam sidos chamados por Deus no passado para falar em Seu Nome ao povo de Israel. 

Nessa parte inicial do sermão, Ele confirma muito do que foi dito através do profeta Isaías (Veja os capítulos 5, 61, 65 e 66), como também alguns trechos do livro de Salmos (Veja Sl 24:3,4; Sl 107:8,9; Sl 72:1,2).

De fato, o discurso de Jesus ali já se inicia com uma novidade, chamando a atenção da multidão para a ligação que existe entre o que está nas escrituras e o Reino de Deus, lugar este que permaneceu ignorado pelos judeus por séculos. E especialmente naquele momento os líderes religiosos não conseguiam entender o que as escrituras falavam sobre esse lugar, e, portanto, jamais poderiam ensinar o povo sobre tal assunto.

Como o trabalho de Jesus era focado em anunciar o Seu Reino e a Sua reta justiça, fica mais fácil entender as "Bem-aventuranças" que Ele pontua nos trechos que estamos analisando em nosso estudo. Nelas Cristo está chamando a atenção para o fato de que a postura das pessoas que escolhem viver segundo os preceitos da reta justiça de Deus e rejeitam a maldade mundana leva esses indivíduos a serem abençoados, especialmente se sofrerem no mundo por causa desse comportamento diferenciado. 

Por exemplo, quando Ele fala que bem-aventurados são os "pobres em espírito", porque a eles pertencem o Reino de Deus, está deixando claro que todos os que não tiverem apego às riquezas seculares por valorizarem mais a realidade eterna, ainda que possuam bens materiais no mundo, são herdeiras do Seu Reino.

Da mesma forma, ao falar dos que choram, dos humildes, dos que tem fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puros de coração, dos pacificadores e dos perseguidos, Cristo está se referindo a todas as pessoas que escolheram viver nesse mundo mau em função do Seu Reino e da Sua justiça, reconhecendo a autoridade que há em Seu Nome.

Algumas pessoas, ao lerem o discurso do Senhor Jesus no Sermão montanha, por não entenderem que ali Cristo está focando na realidade de Seu Reino e falando dos indivíduos que escolhem viver no mundo pelos preceitos desse lugar, podem interpretar erroneamente suas palavras.

Especialmente quando o Senhor fala dos que tem fome e sede de justiça, Ele não está se referindo aquelas pessoas que sofreram algum dano no mundo e estão se sentindo injustiçadas, mas está falando daqueles indivíduos que desejam ardentemente conhecer a Deus, que estão famintos e sedentos dele, ou de pessoas que estão em trevas mas desejam de todo o coração ser libertas (veja o contexto da escravidão do povo de Israel no Egito no Salmo 107).

Escolher andar segundo os preceitos do Reino de Deus no mundo não é uma decisão fácil, pois requer renuncia dos desejos carnais, das vaidades e até mesmo a renuncia da realização de alguns sonhos que foram nutridos no coração antes do indivíduo conhecer a Cristo de verdade. Além do fato de gerar uma forte repulsa dos que não creem em Deus, a ponto disso custar até mesmo a vida dos que creem nele.

Por isso, essa escolha leva a um sofrimento ao qual o Senhor Jesus ressalta que não será em vão, e terá grande recompensa. 

Porém, para aquelas pessoas que decidem viver segundo a justiça e a sabedoria do mundo, e estão acomodadas aos prazeres da realidade mundana e se satisfazendo com eles, virá juízo na eternidade; pois, quem escolhe viver pela realidade do mundo não se importa em vigiar sua conduta para se alinhar aos preceitos da justiça de Deus, e, portanto, não se arrepende de suas transgressões contra ela. Desta forma, o indivíduo se comporta como inimigo de Deus e está negando a Cristo publicamente.

Mas, apesar disso, Deus não deseja absolutamente o mal dessas pessoas e não deseja de forma alguma condená- las. Na verdade, Ele tem profunda compaixão de quem não o conhece e tem sofrido por causa disso, e essa misericórdia Cristo mostrou de forma palpável enquanto esteve andando entre nós. Muitos testemunharam o quanto Deus está disposto a nos perdoar e livrar. E até agora este perdão está disponível para quem desejar acessá-lo.

A verdade é que Deus deseja que todos enxerguem o que realmente está acontecendo, e o que estamos colhendo por agir de forma contrária aos preceitos estabelecidos desde a criação do universo, pois tudo o que fazemos contra a reta justiça divina é por ignorá-la totalmente. 

Também é importante saber que não é pelo fato de alguém frequentar uma igreja ou mesmo participar dos trabalhos eclesiásticos que será um real seguidor de Jesus Cristo. Uma pessoa religiosa necessariamente não é uma seguidora de Jesus. Os fariseus eram os que mais demonstravam guardar a Lei mosaica e cumprí-la, no entanto, seus corações não estavam em Deus e sim nos deleites que o mundo lhes proporcionava.

Para concluir nosso raciocínio, vejamos o que está escrito no Salmo 37, sobre "os humildes" aos quais Cristo se refere:

"Não se aborreça por causa dos homens maus e não tenha inveja dos perversos; pois como o capim logo secarão, como a relva verde logo murcharão. Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá: Ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal. Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal. Pois os maus serão eliminados, mas os que esperam no Senhor receberão a terra por herança. Um pouco de tempo, e os ímpios não mais existirão; por mais que os procure, não serão encontrados. Mas os humildes receberão a terra por herança e desfrutarão pleno bem-estar." (Salmos 37:1-11)

Então, essas pessoas humildes são aquelas que, por causa do Nome de Jesus e de Seu Reino, escolhem não se aborrecer com a maldade dos homens e não invejar a prosperidade dos que pervertem a justiça de Deus. São aquelas que, por causa do Reino, perseveram em fazer o bem por confiar no Senhor, e se deleitam nele, entregando a Ele os seus caminhos. São aquelas que, para honrar o nome de Jesus, descansam em Deus aguardando por Ele com paciência e que, por isso, não agem movidos por ira ou fúria, e não se vingam de si mesmos dos que lhes fazem mal.

Missionária Oriana Costa.




Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...