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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Judas Iscariotes - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 1


Vamos começar lendo o trecho a seguir:

De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo tomaram a decisão de condenar Jesus à morte. E, amarrando-o, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador. Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado, foi tomado de remorso e devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata. E disse: "Pequei, pois traí sangue inocente". E eles retrucaram: "Que nos importa? A responsabilidade é sua". Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo, saindo, foi e enforcou-se. Os chefes dos sacerdotes ajuntaram as moedas e disseram: "É contra a lei colocar este dinheiro no tesouro, visto que é preço de sangue". Então decidiram usar aquele dinheiro para comprar o campo do Oleiro, para cemitério de estrangeiros. Por isso ele se chama campo de Sangue até o dia de hoje. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado pelo povo de Israel, e as usaram para comprar o campo do Oleiro, como o Senhor me ordenou. (Mateus 27:1-10)

Neste texto, vamos entender melhor o momento em que Judas "se arrepende" de ter traído Jesus. Esse é um dos assuntos polêmicos acerca da vida e morte do Messias, pois há duas correntes de pensamento acerca do que aconteceu com Judas, por ele ter traído o Cristo e depois ter desistido de viver.

A primeira corrente defende que Judas foi salvo, mesmo tendo atentado contra a própria vida, porque se arrependeu do que tinha feito. A segunda é que não houve salvação para ele, mesmo tendo se arrependido, porque cometeu suicídio. É bom lembrar que estas duas correntes são provenientes de julgamentos que se baseiam na "aparência da situação".

No entanto, ao julgarmos o acontecido pelos parâmetros da justiça de Deus, teremos uma ideia do que realmente se sucedeu. Para tanto, em primeiro lugar, levaremos em consideração as falas de Jesus e dos Apóstolos e o que a Lei Mosaica apresenta sobre esse caso específico.

Vale lembrar que, quando Judas traiu o Senhor e em seguida cometeu suicídio, a Lei Mosaica ainda estava em vigor, pois naquele momento o Messias não havia sido crucificado nem ressuscitado, e a segunda aliança entre Deus e os homens ainda não estava estabelecida.

Por isso, tudo o que ele fez, assim como tudo o que outras pessoas fizeram contra o Cristo naquele tempo, movidas por suas incredulidades à mensagem do Reino, será julgado por Deus segundo o rigor da Lei de Moisés. A mensagem de salvação – mensagem do Reino ou mensagem do Evangelho, como é mais conhecida –, já havia sido anunciada pelos antigos profetas (que foram assassinados pelo próprio povo de Israel!) até João Batista e, depois, foi proclamada pelo próprio Jesus.

Levando em consideração as palavras do Senhor Jesus, veremos que, apesar de ter-se arrependido do que fez, Judas Iscariotes "não deveria ter nascido", "era um diabo" e "se perdeu", e por isso sabemos que ele foi condenado, como veremos abaixo:

O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido. (Mateus 26:24)

Então Jesus respondeu: "Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo!" (Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria de traí-lo) (João 6:70,71)

Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:12)

Essas afirmações do Senhor Jesus, portanto, põem abaixo a crença de que Judas Iscariotes não foi salvo por ter se suicidado, pois antes mesmo de tirar a própria vida, ele já estava condenado. Contudo, é importante ressaltar que, ao contrário do que é ensinado por alguns, as profecias sobre Judas não significam que Deus determinou que ele se perdesse e o reservou para o inferno. Mas simplesmente mostram que o Pai já sabia o que aconteceria e assim o revelou.

Estar "destinado à perdição" significa que isso era o que aconteceria com Judas, por não ter crido em Cristo. Assim também todo aquele que crê será salvo, mas todo o que rejeitar o evangelho será condenado (Marcos 16:16). O destino de qualquer que rejeita a Cristo, pela incredulidade, está estabelecido por Deus, contudo não é Deus quem escolhe em nosso lugar, pois Deus é bom e deseja que todos se salvem (1 Timóteo 2:4).

Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:18)

Agora, examinando a Lei Mosaica, encontramos o seguinte, sobre esse assunto:

Não se envolva em falsas acusações nem condene à morte o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado. Não aceite suborno, pois o suborno cega até os que têm discernimento e prejudica a causa do justo. (Êxodo 23:7,8)

Há algo sobre o arrependimento de Judas que devemos notar: aquele remorso não foi proveniente da fé naquilo que Jesus estava anunciando, que era a mensagem do Reino de Deus, mas vinha de si mesmo ou de sua carne.

Judas não conseguiu ver Jesus como o Messias, pois não acreditava nas Escrituras nem aceitou ou concordou com o que Ele anunciou. Se tivesse sido assim, ele não teria traído o Cristo, mas teria se juntado aos demais Apóstolos, para esperar o cumprimento dos avisos dados pelo Senhor.

E sobre o remorso que Judas sentiu e que o fez procurar suicídio, temos uma explicação na própria Bíblia sobre isso. O Apóstolo Paulo fala bem sobre esse assunto, como veremos a seguir:

A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. (2 Coríntios 7:9)

No capítulo 26 de Mateus, vemos que um outro discípulo falhou com Jesus no momento em que Ele foi preso, não cumprindo sua promessa de lealdade para com o Senhor, e, quando reconheceu seu erro, ficou demasiadamente amargurado. No entanto, sua culpa não o fez se separar dos demais ou procurar tirar sua própria vida.

Ao invés de trilhar o mesmo caminho de Judas, aquele homem aceitou o perdão de Deus e simplesmente continuou junto aos que tinham fé em Cristo, se esforçando para atender o chamado de Deus para sua vida. Nos quatro Evangelhos há relatos similares do que aconteceu com ele. Esse homem foi Simão Pedro.

O arrependimento desse discípulo se deu por causa de sua fé na mensagem do Reino, por isso continuou firme. Ele creu realmente em Jesus e foi convencido de seu erro pelas palavras que ouviu de seu mestre antes d'Ele ser preso. E esse mesmo discípulo de Cristo foi usado por Deus para orientar as pessoas com relação à lacuna que Judas deixou, na primeira formação da igreja:

Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de cerca de cento e vinte pessoas, e disse: "Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por boca de Davi, a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve participação neste ministério". (Com a recompensa que recebeu pelo seu pecado, Judas comprou um campo. Ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e as suas vísceras se derramaram. Todos em Jerusalém ficaram sabendo disso, de modo que, na língua deles, esse campo passou a chamar-se Aceldama, isto é, campo de Sangue.) "Porque", prosseguiu Pedro, "está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’. (...) Então indicaram dois nomes: José, chamado Barsabás, também conhecido como Justo, e Matias. Depois oraram: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido". Então tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos. (Atos 1:15-26)

Pedro se guiou pelas profecias contidas nas escrituras, para escolher alguém dentre os que estavam perto para substituir Judas, e ele fez isso porque cria no conteúdo da Torah, pois entendeu que ele é verdadeiro.

Nos salmos de Davi, citados por Pedro, podemos encontrar diversos trechos falando de Cristo, e também encontramos trechos que falam sobre o que aconteceria a Judas:

Fique deserto o lugar deles; não haja ninguém que habite nas suas tendas. (Salmos 69:25)

Seja a sua vida curta, e outro ocupe o seu lugar. (Salmos 109:8)

Ora, Judas sabia que Jesus era inocente, mas não resistiu à oportunidade de ganhar dinheiro através do ódio que as lideranças religiosas de Israel tinham do Senhor. Ele simplesmente se aproveitou da situação para lucrar.

E quando se encheu de remorso, ele avisou às lideranças que Jesus era inocente, antes de cometer suicídio, e rejeitou as trinta moedas de prata que tinha recebido, porém isso não o justificou diante do Pai, porque ele não creu na mensagem de salvação.

Uma curiosidade: de acordo com o trecho do Evangelho de Mateus que estamos estudando, a profecia que se refere às trinta moedas de prata, pagas a Judas pela vida de Jesus, foi feita pelo profeta Jeremias. 

No entanto, esse profeta cita a "casa do oleiro" e não o "campo do oleiro", de forma que não encontramos no livro de Jeremias nenhuma menção a esse campo ou às trinta moedas de prata. Se alguma palavra foi proferida por esse profeta sobre esse assunto, provavelmente se perdeu. Contudo, no livro do profeta Zacarias há uma menção similar, como veremos abaixo:

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. E o Senhor me disse: "Lance isto ao oleiro", o ótimo preço pelo qual me avaliaram! Por isso tomei as trinta moedas de prata e as atirei no templo do Senhor para o oleiro. (Zacarias 11:12,13)

Missionária Oriana Costa

sábado, 6 de novembro de 2021

A prisão - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 4


Nos momentos que antecederam sua crucificação, o Senhor Jesus é preso por um grupo, às ordens dos líderes judeus. Sendo traído pelo apóstolo Judas, e já prestes a passar pelo injusto julgamento, ainda opera dois sinais, à vista de todos.

Assim como outras passagens do Evangelho de Mateus, cujas análises se encontram aqui no blog, para ser bem entendido, o trecho que vamos estudar agora também carece ser comparado com as outras passagens relacionadas a esse mesmo episódio, contidas nos outros Evangelhos.

Vejamos a seguir:

"Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai!" Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo. O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: "Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no". Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: "Salve, Mestre!", e o beijou. Jesus perguntou: "Amigo, que é que o traz?" Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam. Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Disse-lhe Jesus: "Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?" Naquela hora Jesus disse à multidão: "Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham prender-me com espadas e varas? Todos os dias eu estava ensinando no templo, e vocês não me prenderam! Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas". Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram. Os que prenderam Jesus o levaram a Caifás, o sumo sacerdote, em cuja casa se haviam reunido os mestres da lei e os líderes religiosos. Mas Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote, entrou e sentou-se com os guardas, para ver o que aconteceria. (Mateus 26:46-58)

Sobre o local em que Cristo estava quando foi encontrado por Judas, de acordo com o Evangelho de João, era um olival situado perto do vale do Cedrom. Esse vale – também chamado de Vale de Josafá – se estende ao longo do muro oriental de Jerusalém, separando o Monte do Templo do Monte das Oliveiras. Portanto, o Senhor e os Apóstolos não estavam mais no Getsêmani quando foram encontrados por Judas, mas num lugar ali próximo, provavelmente mais perto do Monte do Templo.

Outra informação importante, é que não era somente os Apóstolos que estavam com Jesus naquela hora. Havia, também, outras pessoas, e sabemos disso por causa do relato do Evangelho de Marcos, que cita o momento inusitado em que um jovem, que estava perto deles vestindo apenas um lençol de linho, perdeu sua veste e ficou nu, enquanto fugia, para não ser levado preso junto com Jesus.

Quanto às pessoas que vieram ao encontro de Jesus, os evangelhos de Mateus e Marcos relatam que era "uma multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos" (Mt 26:47, Mc 14:43).

No entanto, o Evangelho de Lucas mostra que, no momento em que foi encontrado, Jesus falou diretamente aos "chefes dos sacerdotes, aos oficiais da guarda do templo e aos líderes religiosos" (Lc 22:52) que tinham ido procurá-lo.

Já no Evangelho de João, está escrito que a multidão que seguiu Judas, para procurar Jesus, era composta de "um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus" (Jo 18:3), que levavam tochas, lanternas e armas.

O consenso dessas informações nos leva a crer que aquela multidão, que saiu tarde da noite à procura de Jesus, era formada por representantes de alguns dos chefes dos sacerdotes, dos mestres da lei e dos demais líderes religiosos, como também algumas dessas autoridades em pessoa, somado aos oficiais da guarda do templo e um destacamento de soldados romanos, provavelmente composto por cerca de dez homens bem armados.

No Antigo Testamento há trechos que indiretamente falam acerca do momento em que o Senhor Jesus é encontrado e levado preso. O beijo de Judas, por exemplo, é profetizado no livro de Provérbios:

Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos. (Pv 27:6)

O momento em que Jesus é encontrado pela multidão, que queria prendê-lo e matá-lo, também foi profetizado pelo Rei Davi em um de seus Salmos:

As cordas da morte me enredaram; as torrentes da destruição me surpreenderam. As cordas do Sheol me envolveram; os laços da morte me alcançaram. (Salmos 18:4,5)

Depois que o Senhor Jesus é encontrado, Ele ainda realiza dois sinais miraculosos diante dos seus Apóstolos, de seus seguidores e da multidão que veio prendê-lo. O primeiro sinal se dá quando Ele sai do olival e se dirige à multidão, perguntando pela primeira vez a quem eles estavam procurando. Quando a multidão responde "a Jesus de Nazaré", e Ele responde "Sou Eu", todas aquelas pessoas são lançadas para trás e caem sem forças no chão (Jo 18:4-7). Esse acontecimento é encontrado somente no Evangelho de João.

O segundo sinal acontece depois que Pedro se defende, com uma espada, dos que estavam tentando prender Jesus, decepando a orelha direita de um servo do sumo sacerdote. O Senhor Jesus, ao ver o que tinha acontecido, repreende Pedro e cura o homem, recolocando a orelha no lugar. O ferimento do servo do sumo sacerdote, que se chamava Malco, pode ser lido nos quatro evangelhos, porém, o momento em que Jesus coloca a orelha do homem no lugar encontra-se descrito somente no Evangelho de Lucas (Lc 22:51).

Quando o Senhor foi preso, os Apóstolos e todos os seus seguidores fugiram para não serem presos junto com Ele. Essa situação já havia sido predita por Jesus naquela mesma noite, durante o jantar de celebração da Páscoa (Mt 26:31). Mas, apesar da fuga dos discípulos ser um ato de covardia da parte deles, o fato deles conseguirem fugir foi o cumprimento de uma petição que o Senhor Jesus fez ao Pai a respeito deles (Jo 18:8,9), minutos antes de ser preso, no momento em que, orando, intercedia pela igreja no Getsêmani:

Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura. Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria. (João 17:11-13)

Ainda que temendo a situação, dois discípulos decidiram ficar por perto, para observar o que iria acontecer com Seu Mestre. Apesar dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas informarem que apenas Pedro seguiu o Senhor após sua prisão, de acordo com o Evangelho de João, foram dois homens, e um deles era Pedro; o outro não tem seu nome revelado, mas muito provavelmente era o próprio apóstolo João.

E, para concluir, o primeiro lugar para onde Jesus foi levado após sua prisão não foi para a casa de Caifás, o Sumo Sacerdote, mas foi para a casa do sogro dele, o fariseu Anás, segundo o relato do Evangelho de João. Vejamos, abaixo, o trecho desse Evangelho, que confirma os dois discípulos que acompanharam o Senhor após sua prisão e o momento em que Cristo é levado até Anás:

Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus. Amarraram-no e o levaram primeiramente a Anás, que era sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. Caifás era quem tinha dito aos judeus que seria bom que um homem morresse pelo povo. Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar. (João 18:12-16)

Missionária Oriana Costa

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A Santa Ceia - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 2


Dando continuidade ao estudo do capítulo 26 do Evangelho de Mateus, vamos observar, agora, os aspectos envolvidos no momento em que Cristo celebra a última Páscoa com os Apóstolos e o momento em que Ele avisa que há alguém ali que irá traí-lo.

Vamos conferir o trecho abaixo:
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?" Ele respondeu dizendo que entrassem na cidade, procurassem um certo homem e lhe dissessem: "O Mestre diz: ‘O meu tempo está próximo. Vou celebrar a Páscoa com meus discípulos em sua casa". Os discípulos fizeram como Jesus os havia instruído e prepararam a Páscoa. Ao anoitecer, Jesus estava reclinado à mesa com os Doze. E, enquanto estavam comendo, ele disse: "Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá".
Eles ficaram muito tristes e começaram a dizer-lhe, um após outro: "Com certeza não sou eu, Senhor!" Afirmou Jesus: "Aquele que comeu comigo do mesmo prato há de me trair. O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido". Então, Judas, que haveria de traí-lo, disse: "Com certeza não sou eu, Mestre!" Jesus afirmou: "Sim, é você". Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo". Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: "Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai". Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. (Mateus 26:17-30)

Entre os versículos 17 e 19, vemos a preparação da última Páscoa que Jesus participa com seus discípulos, momento que ficou conhecido entre os cristãos como a Santa Ceia. Esse episódio aconteceu em Jerusalém, no primeiro dia da festa dos pães ázimos, (o decimo quarto dia do primeiro mês judaico) na casa de um certo homem, cujo nome não é revelado nos evangelhos.

Pedro e João foram designados para entrar naquela cidade e procurarem a pessoa indicada por Jesus, para que os preparativos da Páscoa fossem feitos.

Isso sugere que, como já não aparecia publicamente, a fim de que não fosse encontrado pelas lideranças religiosas de Israel antes do tempo, Jesus, juntamente aos seus discípulos, naquele momento, já não estava mais em Betânia e, provavelmente, permaneceu acampado em algum lugar ali próximo à entrada de Jerusalém. Em Lucas 22:7-13 e Marcos 14:12-17, podemos ler relatos similares.

Para melhor entendermos o que aconteceu naquele momento, devemos ver o que Deus ordenou aos israelitas, na Lei Mosaica, acerca da Páscoa e da festa dos pães ázimos (pães sem fermento):

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito:
"Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito (...). Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...) "Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes o comemorarão como festa ao Senhor. Comemorem-no como decreto perpétuo. (...) "Celebrem a festa dos pães sem fermento, porque foi nesse mesmo dia que eu tirei os exércitos de vocês do Egito. Celebrem esse dia como decreto perpétuo por todas as suas gerações. No primeiro mês comam pão sem fermento, desde o entardecer do décimo quarto dia até o entardecer do vigésimo primeiro."
(Êxodo 12:1-18)

Entre os versículos 20 e 25, durante a celebração da Páscoa, o Senhor alerta seus discípulos para a existência de alguém, que estava entre eles, mas que não creu na mensagem do Reino, que era Judas Iscariotes.

De fato, apesar de Jesus tê-los avisado sobre a proximidade do momento de sua morte e da presença do traidor, eles não entenderam que Jesus estava há poucas horas de ser crucificado, e que seria aquele mesmo apóstolo que o entregaria às lideranças religiosas de Israel.

O único que entendeu o alerta e já sabia que tinha sido descoberto foi o próprio Judas. Foi por esse motivo que os demais apóstolos nada fizeram para impedi-lo. O momento em que o Senhor avisa sobre seu traidor também pode ser encontrado nos Evangelhos de Marcos 14:18-21, Lucas 22:21-23 e João 13:21-26. No livro de Salmos há uma profecia relacionada a esse acontecimento:

Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:9)

Na realidade, Jesus só avisou que seria traído no fim da ceia, depois de lavar os pés dos Apóstolos. Esse episódio é relatado unicamente no Evangelho de João, no capítulo 13.

O momento em que o Senhor Jesus lava os pés dos apóstolos após a ceia simboliza o que está escrito no Salmo 51:

Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. (...) Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. (Salmos 51:1-7)

Também somente naquele Evangelho é que está explicado o porquê dos apóstolos não terem entendido o aviso de Cristo.

Após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto. Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres. E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite. (João 13:27-30)

Unicamente no Evangelho de João é que observamos que Judas só participa da Páscoa até o momento em que recebe um pedaço de pão do próprio Cristo, quando Ele já tinha lavado os pés dos apóstolos e a celebração propriamente dita já tinha terminado. Tão logo recebe o bocado do Senhor, ele sai para fazer o que havia combinado com os líderes religiosos de Israel.

Podemos ver ali, também, que, após a saída de Judas, a reunião de Jesus com os apóstolos se continua por mais algum tempo, onde podemos ler algumas instruções importantes dadas pelo Senhor a eles, logo após a Ceia e a oração intercessória de Jesus pela igreja, antes de finalmente irem para o Monte das Oliveiras.

Do capítulo 13 do Evangelho de João até o capítulo 17, observamos mais detalhes do que foi ensinado pelo Senhor Jesus aos apóstolos na celebração de sua última Páscoa. Como se trata de um trecho longo, com muitas informações, após o término dos estudos sobre o Evangelho de Mateus, vamos fazer um estudo à parte, comentando o que Cristo ensina em cada um desses capítulos.

Sobre a celebração dessa Páscoa, citada no capítulo 26 de Mateus, ela se desenrolou de uma forma diferente das anteriores que Jesus participou, pois naquele momento, sua morte e ressurreição estavam próximas de acontecer. 

Era preciso sinalizar não somente que as profecias relacionadas a Ele estavam para se cumprir, mas também deixar para a igreja, após Sua ascensão aos céus, o mandamento que seria usado como memorial para lembrar sua morte pelos nossos pecados, o qual deve ser continuamente cumprido até que Ele volte pela segunda vez.

Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo". Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: "Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai". (Mateus 26:26-29)

Através do cumprimento do mandamento da Santa Ceia, portanto, a igreja tem celebrado, através dos tempos, o acesso gratuito, disponibilizado por Deus aos homens pelo sacrifício de Cristo – que é a justificação –, que livra os crentes da condenação à morte eterna.

O apóstolo Paulo, em sua primeira carta dirigida aos cristãos da cidade de Corinto, ensina alguns aspectos envolvidos na celebração da Santa Ceia, que todo cristão deve saber (1 Coríntios 11). Por se tratar de um assunto extenso, assim como aqueles contidos no Evangelho de João, referentes aos vários ensinamentos de Jesus durante a celebração da Páscoa, esse terá também um estudo à parte, após o término dos estudos do Evangelho de Mateus.

Para concluir, é preciso lembrar também que esse mandamento deixado por Jesus Cristo é superior àquele contido em Êxodo 12, pois, como o Messias veio e o cumpriu este em Si mesmo, já não se faz mais necessário sacrificar qualquer animal ou mesmo fazer os outros tipos de sacrifícios contidos na Lei mosaica, que são relacionados aos pecados dos homens.

Sobre isso, há muitos trechos nas cartas aos Hebreus e aos Gálatas que são esclarecedores. Abaixo, podemos conferir dois trechos, um de cada carta, que dizem o seguinte:

Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna. (Hebreus 9:11-15)

(...) sabemos que o ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado. (Gálatas 2:16)

Que o Senhor ilumine o teu coração, para a compreensão destas importantes verdades!

Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...