Mostrando postagens com marcador Jerusalém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jerusalém. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de maio de 2022

Os magos do oriente - Considerações sobre Mateus capítulo 2 - Parte 1


Quando o Pai enviou Seu Filho Unigênito Jesus, não fez isso para que Ele justificasse e reinasse apenas sobre os israelitas, mas o enviou para justificar e reinar sobre todas as nações da terra. Abrão, que era caldeu, e sua descendência, que mais tarde formaria a nação de Israel, foram escolhidos por Deus para divulgar isso ao mundo, até que Jesus finalmente viesse. 

Assim, com o passar dos séculos, muitos estrangeiros acreditaram no Reino de Deus e permaneceram aguardando sua vinda, tanto ao entrarem em contato com os profetas israelitas ou com os escritos que os profetas deixaram nas nações onde permaneceram cativos, quanto estando em visitação a Israel, onde passavam a conhecer e a assimilar os estatutos da Lei mosaica que os israelitas cumpriam, e que apontavam para a vinda de seu justificador no futuro. 

Desta forma, diversas pessoas de outras nações tornavam-se prosélitos da fé judaica e muitos outros estrangeiros acabavam se convertendo ao judaimo mesmo, alicerçando sua fé na esperança de herdarem o Reino de Deus no futuro.

Os Magos do oriente, portanto, eram estrangeiros que esperavam o Reino de Deus por conhecerem o pacto que Deus fez com Abrão e a promessa envolvida nessa aliança. Eles sabiam que o nascimento do Messias estava próximo por terem analisado as profecias que tiveram acesso fora de Israel, em suas próprias nações. 

Algumas das profecias que extraordinariamente apontam o momento em que o Messias nasceria em Israel foram feitas pelo profeta Daniel, no tempo em que os israelitas estiveram cativos na Babilônia (veja Daniel capítulos 7 e 8).

Vejamos abaixo o trecho do Evangelho de Mateus que mostra a chegada dos Magos a Israel:

"Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: "Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’ ". Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: "Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo". Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho." (Mateus 2:1-12)

De acordo com o texto acima, os magos vindos do oriente perceberam uma luz incomum se movimentando no céu, que eles interpretaram como sendo um sinal de que o Rei dos judeus, aquele que viria para salvar o mundo da escravidão do pecado, teria nascido. Por isso, eles decidiram seguir a luz e viajar para encontrar o Cristo e adorá-lo, pois eles desejavam o seu governo. 

As escrituras não revelam se Deus os avisou que aquela estrela diferenciada no céu era um sinal, ou eles mesmos discerniram que um sinal no céu lhes seria dado pelo conteúdo profético das escrituras.

Provavelmente, além de saberem quando o Messias iria nascer, através das profecias de Daniel, eles também conheciam as profecias de Balaão (no livro de Números) e Isaías, que falam sobre esse (provável) sinal do céu que apareceria em Israel:

"Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete." (Números 24:17)

"Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. (...) Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. (Isaías 9:1-7)

O problema foi que quando aquela comissão procurou Herodes, este não conhecia a mensagem do Reino de Deus como aqueles visitantes, e por isso não gostou da ideia de ver Israel adquirindo autonomia e se libertando do domínio romano, pois foi essa a visão que ele teve do que poderia acontecer, caso as profecias se cumprissem. Em nenhum momento passou pela cabeça de Herodes que a missão de Jesus era justificar a humanidade de suas transgressões diante do Pai, salvando-a da morte eterna.

Tampouco, naquele momento, as lideranças religiosas de Israel desejavam ser libertas do império romano, pois, além de terem perdido o entendimento do sentido da Lei Mosaica e dos rituais que praticavam, eles se acostumaram a desfrutar de regalias e lucros para manterem o povo submisso ao governo de Roma. 

Portanto, o surgimento dos magos mostra uma situação bem inusitada, onde a grande maioria dos israelitas estava totalmente alheia ao nascimento do Messias que eles deveriam estar aguardando, enquanto pessoas de outras nações estavam vigilantes esperando a vinda daquele que pagaria o preço pelos pecados de toda a humanidade, e simplesmente chegaram em Israel para ADORAR o Rei dos judeus que eles JÁ SABIAM que tinha nascido.

De fato, veremos no estudo seguinte que, quando os magos chegaram até Herodes, Jesus já devia estar próximo dos dois anos de idade.

Se o Pai não tivesse mandado os anjos avisarem os pastores israelitas que estavam nos campos próximos à cidade de Belém para virem testemunhar em primeira mão o nascimento do Cristo, as únicas pessoas que teriam testemunhado que o Cristo tinha nascido, cumprindo as profecias, seriam indivíduos vindos de outras nações, que por conhecerem e confiarem nas palavras proféticas contidas nas escrituras seguiram uma estrela no céu até chegar a Jesus.

Notamos no trecho de Mateus que lemos parágrafos acima que Herodes comunicou a chegada dos visitantes, e toda a Jerusalém ficou sabendo desse ocorrido. No entanto, apesar da notícia ter causado grande perturbação ao povo, os israelitas, e especialmente os líderes religiosos, não se moveram para ir junto com os magos a Belém verificar se realmente o Messias estava lá. Eles simplesmente ignoraram o evento.

De qualquer forma, essas coisas aconteceram para que as escrituras se cumprissem, e o Senhor Jesus realmente ficasse no anonimato até o início de seu ministério terreno.

Sobre os presentes que os magos entregaram, há uma grande ligação profética entre eles e os artefatos que eram usados no Templo em Jerusalém, que o tempo todo evocavam a necessidade de um justificador para o povo de Israel e para todas as outras nações da Terra. 

De fato, muitos objetos usados no Templo eram de ouro (confira a partir de Êxodo 25), e também havia um altar onde o incenso era constantemente queimado (Êx 30:1), e a mirra era um dos componentes principais usados na confecção do óleo da unção usado no Templo pelos sacerdotes (Êx 30:22-29).

Para finalizar nosso estudo, vamos desfazer aqui alguns mitos em relação aos magos. Em primeiro lugar, os magos não eram necessariamente reis, apesar de entregarem a Jesus presentes caros e de não encontrarem dificuldade de se dirigir a Herodes. Eles eram homens de posses, sábios, estudiosos daquele tempo, que muito provavelmente eram nativos de nações do oriente que ficavam próximas a Israel naquela época, como Egito, Pérsia, etc.. 

Em nenhum momento encontramos qualquer palavra nas escrituras onde os magos sejam chamados de reis. Inclusive, na versão King James nós podemos ler o seguinte:

"Após o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, eis que alguns sábios vindos do Oriente chegaram a Jerusalém. E, indagavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Pois do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo."

Em segundo lugar, não conta nas escrituras que os magos eram um grupo de três indivíduos nem tampouco os nomes deles são citados. De fato, não se sabe quantos homens formavam a caravana de sábios que estiveram em Israel querendo conhecer o Cristo, no entanto, podemos acreditar que eram mais de três indivíduos de diferentes nacionalidades.

Missionária Oriana Costa.


quinta-feira, 21 de abril de 2022

Aparições de Jesus - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 2


Como vimos no estudo anterior, as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo foram os soldados romanos que guardavam o sepulcro. Em seguida, Ele apareceu e falou com Maria Madalena. Nesse mesmo dia, que foi um domingo, o Senhor aparece novamente a mais dois discípulos que iam pela manhã caminhando em direção a um vilarejo próximo de Jerusalém, chamado Emaús, e então, finalmente, Cristo aparece aos Apóstolos e demais seguidores.

Ao todo, o Senhor Jesus passou quarenta dias aparecendo aos discípulos para lhes confirmar sua ressurreição (Atos 1:3), onde continuou instruindo a todos, especialmente acerca do conteúdo profético das Escrituras, além de instruí-los sobre a maravilhosa realidade do Reino de Deus. Lembrando que, naquela época, o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito, e o Senhor Jesus continuou usando o conteúdo do Antigo Testamento para ensinar.

O Evangelho de Mateus não nos fornece todas as informações sobre as aparições de Cristo, após Sua ressurreição, como veremos abaixo, e termina fazendo um rápido relato com o desfecho dos dias que o Senhor apareceu aos discípulos, até o momento de sua ascensão aos céus.

Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". (Mateus 28:16-20)

Antes que os Apóstolos e demais discípulos fossem para a Galileia, Jesus apareceu a dois deles, enquanto se dirigiam a Emaús, como lemos no primeiro parágrafo do nosso estudo, e em conformidade com os Evangelhos de Marcos e Lucas, sendo este último mais detalhado nessa narrativa, como veremos a seguir.

Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido.

Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo.

Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham?". 

Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?"

"Que coisas?", perguntou ele.

"O que aconteceu com Jesus de Nazaré", responderam eles.

(...)

Ele lhes disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?"

E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.

(...) Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Perguntaram-se um ao outro: "Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?"

Levantaram-se e voltaram imediatamente para Jerusalém. Ali encontraram os Onze e os que estavam com eles reunidos, que diziam: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"

Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão. (Lucas 24:13-35)

No entanto, mesmo com mais essa prova, os demais discípulos ainda não acreditaram que o Senhor havia ressuscitado, quando lemos o relato contido em Marcos. 

Depois Jesus apareceu noutra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo. Eles voltaram e relataram isso aos outros; mas também nestes eles não creram. Mais tarde Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto. (Marcos 16:12-14)

Em outro momento, provavelmente quando os discípulos já tinham voltado a Galileia, e estavam juntos comendo e conversando sobre a ressurreição de Jesus, Ele aparece, pela primeira vez, enfim, no meio deles, porém Tomé não estava presente, conforme relatam os Evangelhos de Lucas e João:

Enquanto falavam sobre isso, o próprio Jesus apresentou-se entre eles e lhes disse: "Paz seja com vocês!" Eles ficaram assustados e com medo, pensando que estavam vendo um espírito.

Ele lhes disse: "Por que vocês estão perturbados e por que se levantam dúvidas em seus corações?Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho". Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.

E por não crerem ainda, tão cheios estavam de alegria e de espanto, ele lhes perguntou: "Vocês têm aqui algo para comer?" Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles. E disse-lhes: "Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras.

E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. (Lucas 24:36-48)

---

Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor.

Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados".

Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor!"

Mas ele lhes disse: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei. (João 20:19-25)

Uma semana depois, Cristo aparece segunda vez numa reunião similar, onde se apresenta especialmente a Tomé.

Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

E Jesus disse a Tomé: "Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia". Disse-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu!"

Então Jesus lhe disse: "Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram".

Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome. (João 20:26-31)

Algum tempo depois, Jesus aparece pela terceira vez aos discípulos às margens do Mar da Galiléia, enquanto eles pescavam. 

Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades. Foi assim:

Estavam juntos Simão Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, de Caná da Galiléia; os filhos de Zebedeu; e dois outros discípulos. "Vou pescar", disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: "Nós vamos com você".

Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite não pegaram nada. Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Ele lhes perguntou: "Filhos, vocês têm algo para comer?" "Não", responderam eles.

Ele disse: "Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão". Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes.

O discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!"

(...)

Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. Disse-lhes Jesus: "Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar". Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia.

Ela estava cheia: tinha cento e cinquenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu.

(...)

Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois que ressuscitou dos mortos. (João 21:1-14)

Sua última aparição, com corpo glorificado e palpável, foi próximo à Betânia, no Monte das Oliveiras (Atos 1:9-12), onde deu suas últimas instruções aos discípulos e em seguida subiu aos céus conforme vimos no início do nosso estudo em Mateus 28:16-20 e também vemos em Lucas.

"Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". Tendo-os levado até as proximidades de Betânia, Jesus levantou as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu. Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. E permaneciam constantemente no templo, louvando a Deus. (Lucas 24:49-53)

Depois que ascendeu aos céus, as escrituras mostram que o Senhor Jesus continuou aparecendo em visões espirituais aos seus seguidores. Em Atos dos Apóstolos, observamos que Ele aparece uma vez ao discípulo Estevão, um pouco antes deste falecer por apedrejamento (At 7:55,56), e a Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, enquanto viajava em perseguição aos cristãos (At 9:3-5). 

O Apóstolo Paulo de Tarso, em sua primeira carta aos coríntios, dá um breve relato do que aconteceu, segundo as informações que colheu em Jerusalém e por sua própria experiência com a aparição de Cristo, complementando as narrativas dos Evangelhos:

Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. (1 Coríntios 15:3-8)

Portanto, com relação aos Apóstolos, Jesus apareceu primeiro a Pedro e, em seguida, apareceu aos demais, antes de ascender aos céus. Depois de já ter subido aos céus, o Senhor Jesus continuou aparecendo, segundo a narrativa de Paulo, que fala de alguns eventos não citados pelos escritores dos Evangelhos: Cristo apareceu para mais de quinhentas pessoas de uma vez, depois a Tiago, e mais uma vez aos demais Apóstolos, antes de aparecer ao próprio Paulo.

Alguns trechos do livro de Apocalipse mostram que Cristo aparece algumas vezes ao Apóstolo João, falando-lhe sobre acontecimentos futuros que envolvem o povo de Deus e o mundo.

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

domingo, 17 de abril de 2022

A Ressurreição - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 1


Neste texto, iniciamos o estudo do último capítulo do Evangelho de Mateus e veremos como foi a ressurreição de Jesus bem como os acontecimentos que se sucederam após esse evento tão maravilhoso. Este evento foi de suma importância, para que todos os que creem possam usufruir da herança da vida eterna em toda a sua plenitude.

Assim como nos estudos anteriores, faremos uma comparação do trecho de Mateus que iremos analisar com trechos equivalentes dos outros três evangelhos, à título de termos uma melhor compreensão de como tudo aconteceu. As referências correspondentes estão em Marcos 16:1-11, Lucas 24:1-12 e João 20:1-18.

Vejamos, a seguir, como Mateus narra o que aconteceu após o sepultamento do Senhor Jesus:
Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.
O anjo disse às mulheres: "Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia. Vão depressa e digam aos discípulos dele: ‘Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão’. Notem que eu já os avisei".
As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus.
De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve! " Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: "Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão".
Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes: "Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’.
Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema". Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje. (Mateus 28:1-15)
De acordo com o relato acima, antes que o sepulcro de Jesus fosse visitado, Ele já havia ressuscitado, e isso aconteceu bem antes que aquele dia de domingo amanhecesse, pois quando as mulheres lá chegaram e encontraram o túmulo vazio e também sem os guardas, era madrugada e ainda estava escuro, como veremos mais adiante em nosso estudo.

Somente o Evangelho de Mateus relata o que houve com os guardas no momento em que Cristo ressuscitou, e, de acordo com a narrativa, todos eles presenciaram tudo. O problema foi que, ao falarem o que viram às autoridades israelitas, eles foram subornados para contar uma outra versão do acontecido às autoridades romanas.

É importante lembrar que o destacamento de soldados romanos que guardava o sepulcro de Jesus não dormiria em trabalho, eles eram obrigados a ser diligentes no que faziam, ou poderiam ser condenados à morte por negligência no cumprimento de suas tarefas. Então, eles se revezavam entre si, para garantir que seu trabalho fosse feito corretamente.

No momento em que a pedra do sepulcro rolou e aquele recinto ficou aberto, houve um grande terremoto, além do clarão que aconteceu no momento em que o anjo apareceu, de forma que a parte da equipe que dormia, certamente, acordou assustada com o barulho e a luz forte. Portanto, sem sombra de dúvidas, os soldados romanos foram as primeiras testemunhas oculares da ressurreição de Jesus. 

Não sabemos o que se passou pela cabeça daqueles homens, depois de presenciarem aquele acontecimento sobrenatural, mas uma coisa é certa: todos eles, ou pelo menos alguns, devem ter ido secretamente encontrar os discípulos de Jesus para relatar o que aconteceu e tentar entender o que houve, pois se assim não fosse, a narrativa detalhada daquele momento e do suborno dos soldados não estaria descrita no Evangelho de Mateus.

Muito provavelmente, alguns dos fariseus que eram seguidores de Jesus secretamente, como José de Arimatéia e Nicodemos, dentre outros nomes não citados nas escrituras, também podem ter presenciado o momento em que os guardas do destacamento chegaram e relataram o ocorrido às autoridades israelitas, como também viram o momento em que eles foram subornados para esconder o que aconteceu. Desta forma, percebemos que houveram muitas testemunhas diretas e indiretas daquele evento extraordinário.

Continuando com nossa análise, segundo o trecho do Evangelho que lemos parágrafos acima, duas mulheres visitaram o sepulcro de Jesus na madrugada do domingo, que foram Maria Madalena e Maria, mãe de José de Arimatéia, seguindo o raciocínio do capítulo 27 de Mateus, o qual já analisamos aqui no blog. No entanto, no Evangelho de Marcos, três mulheres visitaram o túmulo do Senhor: Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago.

Quando analisamos o trecho equivalente a esta mesma passagem no Evangelho de Lucas, ele diz que visitaram o sepulcro "Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas". Já o Evangelho de João diz que somente Maria Madalena foi ao sepulcro naquela manhã de domingo.

Fazendo um apanhado dessas informações, e chegando a um consenso, concluímos que Maria Madalena esteve no sepulcro acompanhada de outras mulheres, ela não esteve lá sozinha, segundo a narrativa do Evangelho de João:
No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida. Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram! (João 20:1,2)
Notamos que, ao contar a notícia a Pedro e João, Maria Madalena falou em seu nome e em nome das outras mulheres que estavam com ela ao dizer "não sabemos onde o colocaram". Provavelmente ela organizou tudo, para que todas as seguidoras de Jesus pudessem fazer aquela visita tão desejada, mas tudo de forma sigilosa, de modo que cada uma pudesse colaborar no processo de unção do corpo do Senhor com as especiarias aromáticas que elas prepararam para esta finalidade.

Seguindo com a análise dos fatos, e levando sempre em consideração os relatos dos quatro Evangelhos, agora vamos entender o que aconteceu após a saída dos soldados romanos.+

Pegas de surpresa, ao encontrarem o sepulcro aberto e sem o corpo do Senhor, as mulheres se desesperaram, e então Maria Madalena voltou à cidade com algumas das companheiras para encontrar os irmãos e avisá-los do ocorrido.

Após serem avisados, os discípulos Pedro e João correram em direção ao sepulcro, a fim de averiguar o que as mulheres lhes disseram.
Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou.
A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho. Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou.
Ele viu e creu. (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.) Os discípulos voltaram para casa. (João 20:3-10)
No momento em que Pedro e João foram ao sepulcro, as mulheres que foram avisar os irmãos também voltaram para lá. Quando os dois discípulos foram embora, todas as mulheres continuaram ainda no local. E é neste momento que elas veem um anjo do lado de fora do sepulcro (Mateus 28:5-7, Marcos 16:5-7) e outros dois do lado de dentro (Lucas 24:4-8, João 20: 11-13).

Todas as mulheres, menos Maria Madalena, foram embora do local com medo, após verem e ouvirem os anjos, e, certamente, uma boa parte delas permaneceu calada sem contar nada do que presenciaram, como podemos ler em Marcos 16:8. Contudo, algumas delas decidiram ir até os discípulos e contar-lhes o que presenciaram, de acordo com o relato contido em Mateus.

Depois disso, deixando o sepulcro por último, no momento em que se afastava, Maria Madalena encontrou-se ali com Jesus. Vejamos a confirmação desse evento nos dois trechos abaixo:
Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando. Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram. (Marcos 16:9-11)
Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que você está chorando?" "Levaram embora o meu Senhor", respondeu ela, "e não sei onde o puseram". Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu.
Disse ele: "Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?" Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: "Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei".
Jesus lhe disse: "Maria!" Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: "Rabôni!" (que significa Mestre).
Jesus disse: "Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês".
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: "Eu vi o Senhor!" E contou o que ele lhe dissera. (João 20:10-18)
Portanto, apesar de no Evangelho de Mateus constar que Jesus apareceu "às mulheres", sua primeira aparição foi somente a Maria Madalena, para só depois, aparecer aos outros irmãos. 

É bom termos em mente que os relatos dos Evangelhos são totalmente verdadeiros, no entanto, um ou outro cita a participação das mulheres no evento da ressurreição de Jesus, ou a ida dos discípulos averiguar o ocorrido, por exemplo, de forma generalizada. Por isso, se quisermos entender melhor os fatos, é imprescindível fazer a comparação dos conteúdos dos quatro Evangelhos, no que diz respeito a esses e outros assuntos.

Para concluir, ao verificarmos os quatro evangelhos vamos observar que em Mateus (Mt 28:5-10) e Marcos (Mc 16:5-7), tanto os anjos que falaram com as mulheres como o próprio Cristo, que falou com Maria Madalena, avisaram que eles encontrariam o Senhor na Galileia.

Naquele domingo, os discípulos de Jesus ainda estavam em Jerusalém, por ocasião das celebrações das festas ordenadas na Lei Mosaica, porém, naquela mesma semana eles teriam que retornar à Galileia para retomarem suas rotinas normais. E foi lá na Galileia que Cristo terminou de instruir os Apóstolos e, depois, subiu aos Céus, para tomar posse do trono no Reino de Deus para sempre, como veremos no próximo estudo.

Sobre a ressurreição de Jesus, no Antigo Testamento há vários trechos se referindo a esse evento. Abaixo vamos ler três deles:
Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita. (Salmos 16:9-11)
Tu o recebeste com ricas bênçãos, e em sua cabeça puseste uma coroa de ouro puro.
Ele te pediu vida, e tu lhe deste! Vida longa e duradoura. (Salmos 21:3,4) 
Eu te exaltarei, Senhor, pois tu me reergueste e não deixaste que os meus inimigos se divertissem à minha custa.
Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste. Senhor, tiraste-me da sepultura; prestes a descer à cova, devolveste-me à vida.
Cantem louvores ao Senhor, vocês, os seus fiéis; louvem o seu santo nome. Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria. (Salmos 30:1-5)

Missionária Oriana Costa

quinta-feira, 14 de abril de 2022

O sepultamento - Considerações sobre o capítulo 27 de Mateus - Parte 5


Na parte final do capítulo 27 de Mateus, temos a narrativa do sepultamento de Cristo. Vejamos a passagem bíblica:

Ao cair da tarde chegou um homem rico, de Arimatéia, chamado José, que se tornara discípulo de Jesus. Dirigindo-se a Pilatos, pediu o corpo de Jesus, e Pilatos ordenou que lhe fosse entregue.José tomou o corpo, envolveu-o num limpo lençol de linho e o colocou num sepulcro novo, que ele havia mandado cavar na rocha. E, fazendo rolar uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro, retirou-se.
Maria Madalena e a outra Maria estavam assentadas ali, em frente do sepulcro.
No outro dia, que era o seguinte ao da Preparação, os chefes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se a Pilatos e disseram: "Senhor, lembramos que, enquanto ainda estava vivo, aquele impostor disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Ordena, pois, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos e, roubando o corpo, digam ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. Este último engano será pior do que o primeiro".
"Levem um destacamento", respondeu Pilatos. "Podem ir, e mantenham o sepulcro em segurança como acharem melhor". Eles foram e armaram um esquema de segurança no sepulcro; e além de deixarem um destacamento montando guarda, lacraram a pedra. 
(Mateus 27:57-66)

Como observamos no início do trecho acima, o homem que foi até Pilatos pedir o corpo de Jesus, se chamava José, e era natural de Arimatéia, uma cidade de Judá. Ele era um judeu rico que havia se tornado discípulo de Jesus.

Mas as escrituras fornecem outras informações interessantes acerca desse homem: de acordo com os evangelhos de Marcos (Mc 15:43), Lucas (Lc 23:50,51) e João (Jo 19:38), José também era membro de destaque do Conselho (Sinédrio) e tinha sido convocado para participar do julgamento de Jesus. Portanto, Ele acompanhou todo o processo do martírio de Cristo, desde sua prisão.

Nos evangelhos também podemos ver que José de Arimatéia tinha consciência do Reino de Deus (ele esperava a vinda do Reino), e por isso creu em Jesus Cristo, no entanto, ele seguia o Senhor em segredo, por medo dos judeus. No Evangelho de Lucas está escrito que ele era "um homem bom e justo, que não tinha consentido na decisão e no procedimento dos outros".

De fato, o fariseu Nicodemos, que conversou com Jesus numa certa noite sobre "nascer de novo" (Jo 3:1-5), e que também participou do sepultamento do Senhor, segundo o relato do Evangelho de João, estava na mesma situação de José. Nicodemos igualmente era membro do Conselho e, portanto, participou do julgamento de Jesus, esperava o Reino de Deus, e seguia Cristo secretamente.

Ele estava acompanhado de Nicodemos, aquele que antes tinha visitado Jesus à noite. Nicodemos levou cerca de trinta e quatro quilos de uma mistura de mirra e aloés. Tomando o corpo de Jesus, os dois o envolveram em faixas de linho, juntamente com as especiarias, de acordo com os costumes judaicos de sepultamento. (João 19:39,40)

A morte de Jesus aconteceu muito rápido, pois seu sofrimento fora abreviado pelo Pai. Tanto é que, no Evangelho de Marcos, lemos que quando José pediu o corpo de Jesus a Pilatos, esse ficou sem acreditar que ele já tinha falecido.

José de Arimatéia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos ficou surpreso ao ouvir que ele já tinha morrido. Chamando o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. Sendo informado pelo centurião, entregou o corpo a José. Então José comprou um lençol de linho, baixou o corpo da cruz, envolveu-o no lençol e o colocou num sepulcro cavado na rocha. Depois, fez rolar uma pedra sobre a entrada do sepulcro. Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde ele fora colocado. (Marcos 15:43-47)

Segundo os Evangelhos de Mateus, Lucas e João, José de Arimatéia sepultou Jesus num lugar reservado para pessoas nobres na sociedade judaica, em um sepulcro que lhe pertencia e que nunca havia sido usado, e que estava localizado num "jardim" ali próximo. No livro do Profeta Isaías e no livro de Cantares há trechos referentes a esse acontecimento:

Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte. (Isaías 53:8,9)

O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para descansar nos jardins e colher lírios. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios. (Cânticos 6:2,3)

Fora José de Arimatéia e Nicodemos, houveram, pelo menos, mais duas testemunhas do sepultamento de Jesus, segundo o relato dos Evangelhos (Mt 27:61, Mc 15:47, Lc 23:55). "As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia", que não eram poucas, viram onde o Senhor Jesus tinha sido sepultado, mas os nomes de duas mulheres são especialmente citados: Maria Madalena e Maria (Mãe de José de Arimatéia).

Além do local onde Cristo foi sepultado ter sido devidamente visualizado por várias pessoas, dentre judeus e romanos, o lugar também fora muito bem vigiado, conforme lemos em Mateus. Esses dados são importantes para que tenhamos certeza de que não houve ocasião para que o corpo de Jesus fosse levado para outro lugar, ou mesmo fosse roubado do túmulo após seu sepultamento, pois isso invalidaria sua ressurreição.

No estudo anterior (Está consumado - Considerações sobre o capítulo 27 de Mateus - Parte 4), nós observamos que vários eventos sobrenaturais aconteceram enquanto Jesus estava na cruz e também logo após sua morte, eventos esses que foram presenciados não somente por todos os que estavam envolvidos direta ou indiretamente no processo de crucificação, mas também por todos os habitantes do planeta, tamanha foi a intensidade desses acontecimentos.

Um deles, que foi mais pontual, deve realmente ter chamado a atenção (ou, pelo menos, deveria ter chamado) do Sumo sacerdote e dos levitas, como também dos fariseus e mestres da Lei, que foi encontrarem o véu do templo rasgado de cima abaixo, ao darem continuidade aos preparativos para os rituais das festas seguintes. E estando o véu do templo rasgado, não haveria como concluir alguns desses rituais.

Mesmo assim, nenhum desses acontecimentos foi suficiente para fazer a maior parte da liderança religiosa de Israel entender o que aconteceu ali, tamanha era sua cegueira espiritual.

E achando esses que os discípulos de Jesus Cristo poderiam forjar uma falsa ressurreição, por causa do que o Senhor tinha prometido, pediram a Pilatos para colocar soldados vigiando o sepulcro até o terceiro dia, e não satisfeitos com isso, ainda lacraram a pedra que fechava a entrada do túmulo.

Apesar de estarem cegos pelo ódio que sentiam de Jesus, o que aqueles homens fizeram só ajudou a provar que a ressurreição do Senhor foi simplesmente verdadeira, como veremos no estudo seguinte.

De fato, Jesus cumpriu à risca todos os requisitos que a Lei Mosaica ordena, para que a humanidade fosse liberta da escravidão do pecado, e isso tudo diante dos olhos do povo de Israel. Contudo, para que os fariseus e mestres da Lei enxergassem isso, não bastava apenas serem bons conhecedores da Lei e das palavras dos profetas, mas também era preciso ter um entendimento claro de para quê eles serviam e para onde apontavam (Veja a explicação do Apóstolo Paulo em Gálatas capítulo 3).

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Está consumado - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 4


Aqui faremos a penúltima parte da análise do capitulo 27 do Evangelho de Mateus. Neste estudo, iremos observar o que aconteceu naquela sexta-feira, do meio-dia em diante, no evento da crucificação de Jesus. Lembrando que Jesus foi preso na noite do dia anterior, por volta das 22:00 h, e levado ao Pretório, já nas primeiras horas do dia seguinte, para ser julgado por Pôncio Pilatos. Portanto, da quinta para a sexta-feira, Jesus Cristo não dormiu, não teve mais descanso.

Muito provavelmente este foi um dos julgamentos ou, talvez, o único de que se tenha notícia, que aconteceu de uma forma incrivelmente rápida: da prisão até o julgamento já concluído, passaram-se cerca de 10 horas. Vê-se aí que o tempo de sofrimento de Jesus nessa parte de seu martírio foi bem abreviado pelo Pai.

Dando início ao nosso estudo, vamos ler abaixo o trecho que finaliza o capítulo 27 do Evangelho de Mateus:

E houve trevas sobre toda a terra, do meio dia às três horas da tarde. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: "Eloí, Eloí, lamá sabactâni?" que significa: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" Quando alguns dos que estavam ali ouviram isso, disseram: "Ele está chamando Elias". Imediatamente, um deles correu em busca de uma esponja, embebeu-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e deu-a a Jesus para beber. Mas os outros disseram: "Deixem-no. Vejamos se Elias vem salvá-lo". Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito. Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. Os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que tinham morrido foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Quando o centurião e os que com ele vigiavam Jesus viram o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram: "Verdadeiramente este era o Filho de Deus!" Muitas mulheres estavam ali, observando de longe. Elas haviam seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e a mãe dos filhos de Zebedeu." (Mateus 27:45-56)

Vamos observar alguns fatos interessantes que se sucederam nos últimos momentos de vida de Jesus e também logo após a sua morte. O primeiro deles foi que, entre o meio-dia e as três horas da tarde daquela sexta-feira, houve "trevas" em toda a terra. Essa escuridão começou a acontecer um pouco antes do meio-dia, segundo o Evangelho de Lucas.

Alguns pesquisadores afirmam que esse período de trevas, na verdade, foi um eclipse solar, outros dizem ter sido uma tempestade de poeira vinda das regiões desérticas que ficavam próximas dali, outros dizem que foram densas nuvens que se acumularam no céu naquele momento, dentre as muitas hipóteses do que poderia ter sido aquele evento. Contudo, não há um consenso entre os estudiosos sobre o que realmente foi esse período de escuridão.

Nos Evangelhos de Marcos (Mc 15:33) e de Lucas (Lc 23:44), podemos ler trechos com informações similares, falando sobre esse mesmo acontecimento descrito em Mateus. É interessante notar que o sol não brilhou POR TRÊS HORAS SEGUIDAS, e esse fenômeno pôde ser observado em TODO O PLANETA, segundo o que está escrito nos evangelhos. Portanto, por se tratar de um evento ímpar na natureza, que foge aos padrões conhecidos, muitos pesquisadores afirmam que foi algo sobrenatural.

No Antigo Testamento, podemos encontrar um trecho constante no livro de Êxodo, em que Deus envia densas trevas sobre o Egito por três dias:

Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem. O Senhor disse a Moisés: "Estenda a mão para o céu, e trevas cobrirão o Egito, trevas tais que poderão ser apalpadas". Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egito. Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam. (Êxodo 10:20-23)

A praga das trevas que veio sobre o Egito foi a penúltima, antes da morte dos primogênitos, e antes também do sacrifício de cordeiros que as famílias israelitas fizeram, cumprindo um mandamento, para, enfim, deixarem o território egípcio em segurança. 

Portanto, assim como os três dias de trevas sobre o Egito foram um sinal para o povo de Israel e para os egípcios, de que Deus estava interferindo para que os israelitas fossem libertos daquela escravidão, as três horas de trevas sobre toda a terra foi um sinal para toda a humanidade. Deus sinalizou que estava derramando o juízo pelo pecado sobre Jesus, para que todos os que n'Ele cressem pudessem ser libertados da escravidão do pecado.

Por volta das três horas da tarde, provavelmente enquanto ainda aquela escuridão prevalecia, Jesus pergunta ao Pai "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?".

Essa pergunta não significa que Jesus era ignorante acerca do motivo pelo o qual o Pai deixou que Ele passasse por tudo aquilo, mas nos mostra algo importante: que Jesus se separou do Pai por algumas horas, para se colocar no lugar de toda a humanidade naquele momento. Até aquele instante, todos os seres humanos (incluindo os próprios israelitas) ainda não tinham acesso à justificação de seus pecados diante de Deus e estavam em trevas, separados de seu Criador e se sentindo abandonados por Ele.

Assim, desde que o sangue de Jesus foi derramado na Sua morte, muitas pessoas começaram a se reconciliar espiritualmente com Deus ao serem informadas sobre seu Reino, saindo das trevas para a luz. Esse processo continua até agora e vai perdurar até a volta do Senhor.

A morte de Cristo estabeleceu uma aliança de paz com toda a humanidade, onde todo aquele que crê na mensagem do Reino e deseja fazer parte dele recebe a justificação de seus pecados pela fé nesse sacrifício, sendo livrado da condenação à morte eterna.

Com relação a esse momento em que Jesus pergunta ao Pai porque o abandonou, ele foi predito no livro de Salmos pelo Rei Davi:

Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? (Salmos 22:1)

O momento em que Jesus tem os lábios molhados com vinagre, por uma das pessoas que estavam ali zombando dele e presenciando seu martírio, acontece logo após essa fala do Senhor, sendo, também, predito no Antigo Testamento, no livro de Salmos:

Tu bem sabes como sofro zombaria, humilhação e vergonha; conheces todos os meus adversários. A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero! Supliquei por socorro, nada recebi, por consoladores, e a ninguém encontrei. Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre. (Salmos 69:19-21)

Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: "Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa! Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer. Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los. (Êxodo 12:21-23)

O vinagre chegou até os lábios de Jesus através de uma vara que continha um molho de hissopo na ponta. O hissopo é uma erva muito parecida com lavanda que era usada em alguns rituais descritos na Lei Mosaica (veja em Lv:14 e Nm:19), especialmente os que se destinavam à purificação. E, nesses eventos, ele servia para fazer aspersões, que é respingar com os líquidos usados no ritual os objetos a serem purificados. 

Então, quando aquele judeu levou o hissopo embebido com vinagre até a boca de Jesus, ele cumpriu, sem se dar conta, a profecia e o mandamento que se referia à libertação do povo da escravidão no Egito, como lemos há pouco. E sabemos desse detalhe graças ao Evangelho de João:

Depois disso, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam terminadas, para que pudesse se cumprir a escritura, disse: "Tenho sede". Ora, estava ali um vaso cheio de vinagre; e embeberam uma esponja de vinagre, e pondo-a sobre um hissopo, a colocaram na sua boca. (João 19:28,29 - versão King James Fiel)

Em seguida, Jesus grita bem alto suas últimas palavras e vai a óbito (Mt 27:50, Mc 15:37). Através dos Evangelhos de Lucas e João, podemos saber o que Cristo falou nesse momento:

Jesus bradou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou. (Lucas 23:46)

Tendo-o provado, Jesus disse: "Está consumado!" Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito. (João 19:30)

Se juntarmos as informações contidas nos quatro evangelhos, veremos que o momento da morte de Jesus aconteceu da seguinte forma: logo após ter recebido o hissopo molhado com vinagre, Jesus gritou bem alto: "Está consumado! Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito!"

No livro de Salmos, há também um trecho relacionado ao momento em que Jesus entrega seu espírito ao Pai:

Em ti, Senhor, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela tua justiça. Inclina os teus ouvidos para mim, vem livrar-me depressa! Sê minha rocha de refúgio, uma fortaleza poderosa para me salvar. Sim, tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por amor do teu nome, conduze-me e guia-me. Tira-me da armadilha que me prepararam, pois tu és o meu refúgio. Nas tuas mãos entrego o meu espírito; resgata-me, Senhor, Deus da verdade. (Salmos 31:1-5)

Assim que o Senhor Jesus falece, acontecem três fatos que são considerados sobrenaturais: o véu do templo se rasga de cima para baixo (Mt 27: 51,52, Mc 15:38, Lc 23:45), o planeta treme e rochas se partem, e os sepulcros se abrem. Provavelmente também é nesse momento que a escuridão que tomou o céu em todo o planeta termina. 

Sobre o véu do templo ter se partido de cima abaixo, precisamos entender para que esse "véu" servia, a fim de podermos mensurar o grau de relevância desse acontecimento. Esse véu era uma espessa cortina feita de linho, que servia para separar duas salas especiais dentro do tabernáculo. Vejamos suas especificações:

Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecido azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. (Êxodo 26:31-33)

O texto acima refere-se ao tabernáculo construído por Moisés, mas o templo edificado por Salomão era semelhante, possuindo, também, três divisões. No Átrio, que era a parte externa, ficava o altar do sacrifício e a pia de bronze. No meio do Átrio, havia a área coberta, dividida em duas partes: o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo.

No Lugar Santo, os sacerdotes ministravam e apresentavam os sacrifícios de animais que haviam sido feitos pelos pecados do povo e por seus próprios pecados. Ali estavam o altar do incenso, a mesa dos pães da propiciação e o candelabro, que eram necessários para o cumprimento de todo o ritual. 

O Lugar Santíssimo – também chamado de Santo dos santos – era o local mais interno do templo, onde ficava a arca da aliança. Somente o sumo sacerdote poderia entrar ali. O véu, por conseguinte, separava a presença de Deus, manifesta naquele local, dos demais participantes do ritual e também do povo que estivesse na área mais externa do templo.

O véu rasgado de alto a baixo, no momento da morte de Jesus, indicou que aquilo veio do próprio Deus, pois, se fosse rasgado por um ser humano, isso teria sido feito de baixo para cima. Portanto, foi um evento sobrenatural.

O véu partido também foi um sinal de que daquele momento em diante Deus estaria acessível a todas as pessoas sem precisar de rituais com a mediação de um sacerdote mortal, pois o próprio Cristo ali assumiu a posição de mediador entre Deus e os homens (cf. 1Timóteo 2:1-6).

Dessa forma, todos aqueles rituais destinados a expiação de pecados já não eram mais necessários, porque Cristo acabara de ser sacrificado pelas transgressões de toda a humanidade em todas as eras, e de uma vez por todas, cumprindo a promessa que o Pai fizera aos antepassados israelitas (cf. Gálatas 3:8-25).

Sobre o tremor de terra que atingiu todo o planeta e levou as rochas a se partirem, foi um sinal de que o Pai estava consumando o juízo (ou ira) sobre os pecados da humanidade em Cristo:

Dos céus pronunciaste juízo, e a terra tremeu e emudeceu, quando tu, ó Deus, te levantaste para julgar, para salvar todos os oprimidos da terra. (Salmos 76:8,9)

O Senhor jurou contra o orgulho de Jacó: "Jamais esquecerei coisa alguma do que eles fizeram". Acaso não tremerá a terra por causa disso, e não chorarão todos os que nela vivem? Toda esta terra se levantará como o Nilo; será agitada e depois afundará como o ribeiro do Egito". "Naquele dia", declara o SENHOR, o Soberano: "Farei o sol se pôr ao meio-dia e em plena luz do dia escurecerei a terra." (Amós 8:7-9)

Quanto aos mortos que ressuscitaram, assim que Jesus morreu, foi um sinal sobrenatural e extraordinário, onde o Pai trouxe à vida algumas pessoas que faleceram naquela época. Esses indivíduos viveram crendo que Deus realmente enviaria o Messias para justificá-los de seus pecados, a fim de lhes devolver a cidadania em seu Reino (cf. Hebreus 11:13-16).

Portanto, aquelas pessoas "viveram pela fé", apesar de não terem visto o Messias vir. Elas cumpriram até o último dia de vida os mandamentos da Lei, porém conscientes de para quê eles serviam e para onde eles apontavam, sem se deixarem enganar pelas falsas doutrinas do farisaismo (Mt 27:52,53).

Podemos ler um trecho constante no livro do Profeta Isaías relacionado a esse evento:

Como a mulher grávida prestes a dar à luz se contorce e grita de dor, assim estamos nós na tua presença, ó Senhor. Nós engravidamos e nos contorcemos de dor, mas demos à luz o vento. Não trouxemos salvação à terra; não demos à luz os habitantes do mundo. Mas os teus mortos viverão; seus corpos ressuscitarão. Vocês, que voltaram ao pó, acordem e cantem de alegria. O teu orvalho é orvalho de luz; a terra dará à luz os seus mortos. (Isaías 26:17-19)

Um evento similar a esse acontecerá na segunda vinda de Jesus, onde os que estiverem mortos, até aquele momento, tendo vivido pela fé verdadeira, cumprindo os mandamentos do Reino de Deus ensinados por Cristo, terão seus corpos ressuscitados para herdarem a vida eterna (cf. 1 Coríntios 15:50-58 e 1 Tessalonicenses 4:13-18).

No livro do Profeta Daniel há também um trecho relativo à este grande acontecimento que presenciaremos num futuro que, agora, já não está tão distante:

Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia tal como nunca houve desde o início das nações e até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto. Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno. (Daniel 12:1,2)

O dia em que Jesus morreu era uma sexta-feira, momento em que o povo de Israel devia se preparar para o descanso do Sábado do Senhor. Portanto, no "Dia da Preparação", como era conhecido para os israelitas, os judeus tinham que deixar tudo pronto para o dia seguinte, como os serviços domésticos, trabalhos no campo, etc., pois, no Sábado, eles deveriam se consagrar a Deus e não realizarem trabalho algum, segundo a Lei Mosaica (Levítico 23:3).

Além disso, a Lei Mosaica ditava o seguinte, sobre indivíduos que fossem mortos "pendurados num madeiro" ou pendurados em estacas de madeira:

Se um homem culpado de um crime que mereça a morte for morto e pendurado num madeiro, não deixem o corpo no madeiro durante a noite. Enterrem-no naquele mesmo dia, porque qualquer que for pendurado num madeiro está debaixo da maldição de Deus. Não contaminem a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá por herança. (Deuteronômio 21:22,23)

Por isso, os líderes judeus pediram a Pilatos para acelerar a morte dos crucificados (pois poderiam continuar vivos até o dia seguinte), para que, antes do pôr do sol, seus corpos fossem retirados das cruzes, segundo relata o Evangelho de João:

Esse era o Dia da Preparação, e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Por não quererem que os corpos permanecessem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que ordenasse que lhes quebrassem as pernas e os corpos fossem retirados. Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro homem que fora crucificado com Jesus e em seguida as do outro. Mas quando chegaram a Jesus, percebendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Em vez disso, um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que o viu, disso deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que está dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam. Estas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: "Nenhum dos seus ossos será quebrado", e, como diz a Escritura noutro lugar: "Olharão para aquele que traspassaram". (João 19:31-37)

Quanto aos ossos de Jesus não terem sido quebrados, isso foi um cumprimento do que já estava especificado na Lei sobre o cordeiro que seria sacrificado para a celebração do Shabbat (Êx 12:46, Nm 9:12), e também, cumprimento de uma profecia feita pelo Rei Davi, devidamente registrada no livro de Salmos:

O justo passa por muitas adversidades, mas o Senhor o livra de todas; protege todos os seus ossos; nenhum deles será quebrado. (Salmos 34:19,20)

No livro do Profeta Zacarias, lemos o trecho que se refere ao momento em que Jesus é perfurado no lado do seu corpo e a tristeza que sua morte causou entre todos os que creram n'Ele:

Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho. Naquele dia muitos chorarão em Jerusalém, como os que choraram em Hadade-Rimon no vale de Megido. (Zacarias 12:10,11)

E para finalizar nosso estudo, ainda com relação ao momento que Jesus foi perfurado na cruz, onde, em seguida, saiu sangue e água, isso foi um sinal de Deus para todos os presentes, especialmente os que conheciam a Lei, de que Cristo é capaz de purificar de toda a transgressão contra a justiça de Deus (ou purificar do pecado) todos aqueles que crerem n'Ele.

Sangue e água eram dois dos seis itens usados no processo de purificação de uma casa infestada com mofo, como podemos ler em Levítico:

Para purificar a casa, ele pegará duas aves, um pedaço de madeira de cedro, um pano vermelho e hissopo. Depois matará uma das aves numa vasilha de barro com água da fonte. Então pegará o pedaço de madeira de cedro, o hissopo, o pano vermelho e a ave viva, e os molhará no sangue da ave morta e na água da fonte, e aspergirá a casa sete vezes. Ele purificará a casa com o sangue da ave, com a água da fonte, com a ave viva, com o pedaço de madeira de cedro, com o hissopo e com o pano vermelho. Depois soltará a ave viva em campo aberto, fora da cidade. Assim fará propiciação pela casa, que ficará pura. (Levítico 14:48-53)

O mofo era algo muito difícil de lidar, podendo levar uma casa à destruição, segundo as especificações da Lei (assim como o pecado não justificado leva um indivíduo à morte eterna):

Se as manchas tornarem a alastrar-se na casa depois de retiradas as pedras e de raspada e rebocada a casa, o sacerdote irá examiná-la, e, se as manchas se espalharam pela casa, é mofo corrosivo; a casa está impura. Ela terá que ser demolida: as pedras, as madeiras e todo o reboco da casa; tudo será levado para um local impuro, fora da cidade. (Levítico 14:43-45)

Se observarmos os itens usados pelo sacerdote na purificação, veremos que todos eles estavam bem representados do julgamento até a morte de Jesus: o pano vermelho (capa vermelha de rei colocada sobre Jesus), a madeira de cedro (a cruz), o hissopo (o feixe de hissopo usado para molhar os lábios de Jesus com vinagre), a água da fonte e o sangue da ave morta (sangue e água que saíram do corpo de Jesus), a ave viva (o espírito de Cristo, que deixou o corpo do homem Jesus, voltando para o Pai).

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

sábado, 26 de março de 2022

A Crucificação - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 3


Depois que Barrabás foi solto, e o Senhor foi açoitado em um outro espaço fora do Pretório, os soldados romanos levaram Jesus de volta àquele lugar, para iniciar os preparativos para a crucificação dos condenados à morte naquele dia. Em seguida, obrigando-o a levar sua própria cruz, conduziram-no ao Gólgota, para ser, finalmente, crucificado.

Vejamos a seguir o trecho do Evangelho de Mateus que narra esses acontecimentos:

Então, os soldados do governador levaram Jesus ao Pretório e reuniram toda a tropa ao seu redor. Tiraram-lhe as vestes e puseram nele um manto vermelho; fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram em sua cabeça. Puseram uma vara em sua mão direita e, ajoelhando-se diante dele, zombavam: "Salve, rei dos judeus!" Cuspiram nele e, tirando-lhe a vara, batiam-lhe com ela na cabeça. Depois de terem zombado dele, tiraram-lhe o manto e vestiram-lhe suas próprias roupas. Então o levaram para crucificá-lo. Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e o forçaram a carregar a cruz. Chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira, e lhe deram para beber vinho misturado com fel; mas, depois de prová-lo, recusou-se a beber. Depois de o crucificarem, dividiram as roupas dele, tirando sortes. E, sentando-se, vigiavam-no ali. Por cima de sua cabeça colocaram por escrito a acusação feita contra ele: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS. Dois ladrões foram crucificados com ele, um à sua direita e outro à sua esquerda. Os que passavam lançavam-lhe insultos, balançando a cabeça e dizendo: "Você que destrói o templo e o reedifica em três dias, salve-se! Desça da cruz, se é Filho de Deus!" Da mesma forma, os chefes dos sacerdotes, os mestres da lei e os líderes religiosos zombavam dele, dizendo: "Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! E é o rei de Israel! Desça agora da cruz, e creremos nele. Ele confiou em Deus. Que Deus o salve agora, se dele tem compaixão, pois disse: ‘Sou o Filho de Deus!’" Igualmente o insultavam os ladrões que haviam sido crucificados com ele. (Mateus 27:27-44)

Antes de ser morto, o Senhor Jesus foi duramente castigado. Provavelmente, Cristo foi o único dos condenados a ser severamente açoitado, além de escarnecido publicamente e obrigado a levar a própria cruz onde seria crucificado, que era de madeira maciça e, por isso, muito pesada. 

No livro do profeta Isaías há um relato que confirma algumas das coisas que o Messias haveria de passar até sua morte:

Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:2-7)

Não há relatos em nenhum dos Evangelhos de que os outros condenados foram submetidos a tamanha tortura e crueldade. Em Marcos 15:16-20, encontramos uma narrativa similar à constante no Evangelho de Mateus 27:27-31, sobre esse acontecimento brutal.

Como o Senhor Jesus já estava bem debilitado, devido aos requintes de crueldade que havia sofrido, os guardas observaram que Ele não aguentaria carregar muito tempo o peso da cruz. Então, obrigaram a um homem que vinha passando ali no momento, voltando do campo, a carregar a cruz no lugar de Cristo.

O nome do homem era Simão, um judeu natural de Cirene, e ele tinha dois filhos, que se chamavam Alexandre e Rufo (Marcos 15:21). Cirene era uma cidade grega situada na Líbia, que naquele momento estava debaixo do domínio romano.

Sobre os filhos de Simão, não é à toa que estão listados no Evangelho de Marcos. Esses dois rapazes estiveram diretamente envolvidos na igreja do Senhor, alguns anos depois. Rufo, converteu-se a Cristo e fez parte da igreja de Roma. Lá ajudou ao Apóstolo Paulo, e isso vemos na carta de Paulo aos romanos, onde este lhe envia uma carinhosa saudação (Romanos 16:13).

Já Alexandre, era latoeiro/ferreiro (fabricava objetos de latão e ferro) e também era um dos judeus que acompanhavam os ensinamentos de Paulo na cidade de Éfeso (Atos 19:33,34). Apesar de passar cerca de dois anos ouvindo a mensagem do Evangelho, Alexandre, tempos depois, acabou endurecendo seu coração e causando muitos males ao Apóstolo, conforme podemos ler nas cartas de Paulo a Timóteo (1Timóteo 2:20, 2Timóteo 4:14)

Retomando nossa análise, vamos incluir aqui uma fala de Jesus, que acontece logo após o momento em que sua cruz é passada para Simão de Cirene. Esse momento encontra-se registrado apenas no Evangelho de Lucas.

Observando as mulheres que o seguiam, e que lamentavam por causa dele, Cristo se dirige a elas profetizando o que haveria de acontecer a Jerusalém quatro décadas após aquele dia:

Um grande número de pessoas o seguia, inclusive mulheres que lamentavam e choravam por ele. Jesus voltou-se e disse-lhes: "Filhas de Jerusalém, não chorem por mim; chorem por vocês mesmas e por seus filhos! Pois chegará a hora em que vocês dirão: ‘Felizes as estéreis, os ventres que nunca geraram e os seios que nunca amamentaram!’ "Então dirão às montanhas: ‘Caiam sobre nós!’ e às colinas: ‘Cubram-nos!’ Pois, se fazem isto com a árvore verde, o que acontecerá quando ela estiver seca?" (Lucas 23:27-31)

Nesta fala, Cristo cita um trecho do livro do Profeta Oséias, que profetiza a destruição de Jerusalém no futuro:

Os altares da impiedade, que foram os pecados de Israel, serão destruídos. Espinhos e ervas daninhas crescerão e cobrirão os seus altares. Então eles dirão aos montes: "Cubram-nos!", e às colinas: "Caiam sobre nós!" (Oséias 10:8)

Ele chama a atenção das mulheres para o severo juízo que aconteceria a Jerusalém, por causa da impiedade dos israelitas. Ao dizer "se fazem isto com a árvore verde, o que acontecerá quando ela estiver seca?", o Senhor está avisando que, se Ele estava presente ali e a situação de Israel já estava ruim, debaixo do domínio do Império Romano, uma situação muito pior se levantaria no futuro, quando Ele já não estivesse mais presente (fisicamente).

Esse ato de Jesus também foi profetizado por Jeremias, como veremos abaixo:

O que eu enxergo enche-me a alma de tristeza, de pena de todas as mulheres da minha cidade. (Lamentações 3:51)

Após esse episódio, Cristo chega ao local onde seria crucificado. Ali, segundo a narrativa constante no Evangelho de Marcos (Mc 15:23), antes de crucificarem Jesus, foi oferecida a ele uma porção de vinho misturado com mirra (em Mateus lemos "vinho com fel"), para diminuir o sofrimento dele na hora da crucificação, pois essa mistura iria deixá-lo entorpecido. No entanto, Cristo se recusa a beber, porque escolheu passar por todo o sofrimento decretado pelo Pai, por causa dos pecados de toda a humanidade.

Depois os soldados romanos tiraram novamente as roupas de Jesus (a primeira vez foi no Pretório, quando foi humilhado pelos soldados - Mt 27:28-31) e o crucificaram, totalmente despido.

Enquanto estava sendo crucificado, o Senhor pediu que o Pai perdoasse as pessoas que o estavam condenando e crucificando, pois não sabiam o que estavam fazendo: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo". (Lucas 23:34) Certamente, os líderes religiosos de Israel, o povo, Pilatos e seus soldados, não tinham ideia de quem Jesus realmente era.

Especialmente os líderes religiosos de Israel poderiam ter discernido o Cristo por causa do conhecimento que tinham das Escrituras, mas não conseguiram associar aquilo que foi profetizado acerca do Messias a Jesus. Seus corações estavam longe do Reino de Deus, e suas almas estavam totalmente ignorantes sobre esse lugar. Por terem se enchido de um conhecimento misturado com falsas doutrinas criadas entre eles mesmos, seu entendimento dos mandamentos instituídos por Deus foi pervertido e, consequentemente, sua percepção do Reino de Deus foi bloqueada.

Os doze Apóstolos, bem como os demais discípulos de Jesus, naquele momento, também não conseguiam ligar a pessoa de Jesus ao que estava escrito sobre Ele, por estarem na mesma situação dos líderes religiosos de Israel, ignorando a realidade e os preceitos do Reino de Deus, apesar de crerem na mensagem que Jesus anunciava.

De fato, mesmo após todos os avisos que Jesus lhes dera em dias anteriores, sobre o que iria acontecer, eles ficaram confusos, sem entender o que estavam presenciando. Somente após a ressurreição de Jesus, quando este reaparece entre eles, é que passam a entender o que aconteceu (Lucas 24:41-45).

A crucificação aconteceu às nove horas da manhã, segundo o relato do Evangelho de Marcos (Mc 15:25). As roupas de Jesus foram repartidas entre os soldados romanos, e sua túnica foi tomada por sorteio. No Evangelho de João encontramos esse momento descrito com detalhes:

Tendo crucificado Jesus, os soldados tomaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles, restando a túnica. Esta, porém, era sem costura, tecida numa única peça, de alto a baixo. "Não a rasguemos", disseram uns aos outros. "Vamos decidir por sorteio quem ficará com ela." Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: "Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes". Foi o que os soldados fizeram. (João 19:23,24)

No livro de Salmos podemos ler o que foi profetizado pelo Rei Davi sobre esse momento que Cristo passaria:

Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés. Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo. Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes. (Salmos 22:16-18)

Na parte superior da cruz onde Cristo estava, os soldados colocaram uma placa, a mando de Pilatos, onde estava escrito "ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS" (Mt 27:37), em três idiomas. Esta placa deveria conter a acusação pela qual aquele réu havia sido condenado à morte, no entanto, Pilatos ordenou que a frase fosse escrita não como acusação, e sim como título, pois ele reconheceu que Jesus tinha realmente a autoridade de um rei.

Isso desagradou os líderes religiosos de Israel, pois soou como se eles estivessem cometendo um erro grave, condenando à morte aquele que deveria ser o rei deles. Esse momento está descrito no Evangelho de João:

Pilatos mandou preparar uma placa e pregá-la na cruz, com a seguinte inscrição: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. Muitos dos judeus leram a placa, pois o lugar em que Jesus foi crucificado ficava próximo da cidade, e a placa estava escrita em aramaico, latim e grego. Os chefes dos sacerdotes dos judeus protestaram junto a Pilatos: "Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim que esse homem se dizia rei dos judeus". Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi". (João 19:19-22)

Um pouco depois de ter sido crucificado, algumas pessoas conhecidas estavam ali perto, e o Senhor Jesus percebeu que sua mãe também estava ali, e falou algo muito importante para ela. Essa fala de Cristo também está registrada no Evangelho de João:

Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: "Aí está o seu filho", e ao discípulo: "Aí está a sua mãe". Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa. (João 19:25-27)

Jesus, ali, se despediu de sua mãe e passou a sua "filiação humana" oficialmente para o Apóstolo João. Os irmãos e irmãs de Jesus, naquele momento, não acreditavam nele, por isso Ele escolheu um de seus discípulos para receber em casa e cuidar de Maria, que era viúva e já não teria a presença do seu primogênito para cuidar dela.

Ele precisou agir dessa forma, pois, como Cristo existe desde antes dos seres humanos existirem, tendo inclusive participado da criação do homem, teria que se apartar da situação mortal na qual fora inserido de forma provisória e sobrenaturalmente (Cristo foi gerado no útero de uma jovem virgem), a fim de cumprir todas as exigências e mandamentos contidos nas escrituras para, só então, poder se entregar em sacrifício pelos pecados da humanidade.

O Senhor Jesus foi crucificado com dois outros homens, que eram ladrões: um estava a sua direita, e o outro a sua esquerda. Os evangelhos de Mateus e Marcos pontuam que os dois o insultaram, junto com as autoridades israelitas e outras pessoas que ali passavam (Mt 27:38-44, Mc 15:27-32).

Porém, no Evangelho de Lucas, observamos que um dos ladrões creu na mensagem do Reino de Deus, e, provavelmente, também creu que Jesus era o Messias, pois mesmo sabendo que Jesus ia morrer ali, pediu-lhe para que "lembrasse dele ao entrar no Seu Reino":

Um dos criminosos que ali estavam dependurados lançava-lhe insultos: "Você não é o Cristo? Salve-se a si mesmo e a nós!" Mas o outro criminoso o repreendeu, dizendo: "Você não teme a Deus, nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos sendo punidos com justiça, porque estamos recebendo o que os nossos atos merecem. Mas este homem não cometeu nenhum mal". Então ele disse: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino". Jesus lhe respondeu: "Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso". (Lucas 23:39-43)

A fé que esse ladrão teve provavelmente foi a mais convicta de todas, visto que ele não duvidou da veracidade da mensagem do Reino, apesar de Jesus estar diante dele sem realizar nenhum milagre visível, além de vê-lo ser violentado, humilhado e ridicularizado diante de todos. Por isso, Jesus considerou as palavras daquele ladrão, e lhe deu a famosa resposta "eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso".

Quanto aos insultos que Jesus recebeu, assim como tantas outras coisas que aconteceram com Ele, esses também foram preditos no Antigo Testamento, no livro de Salmos:

Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo. Caçoam de mim todos os que me veem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim, dizendo: "Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem!" Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança junto ao seio de minha mãe. Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus. Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra. Muitos touros me cercam, sim, rodeiam-me os poderosos de Basã. Como leão voraz rugindo escancaram a boca contra mim. (Salmos 22:6-13)

Para finalizar nosso estudo, gostaria de expor uma curiosidade: é muito comum vermos imagens e pinturas famosas de Jesus carregando a cruz com uma coroa de espinhos na cabeça e um manto vermelho sobre suas roupas. Outras exibem Jesus crucificado com um pano envolvendo as partes intimas e uma coroa de espinhos na cabeça.

Contudo, se analisarmos os textos dos evangelhos, vamos observar que antes dos sodados colocarem a cruz para Cristo carregar, eles tiraram dele o manto vermelho (ou manto de púrpura) de rei e o vestiram com suas próprias roupas (Mateus 27:27-31, Marcos 15:16-20). Isso quer dizer que muito provavelmente os outros acessórios que colocaram nele também foram retirados (a coroa de espinhos e o cetro improvisado).

Um outro detalhe é que, além de Cristo ter sido crucificado sem a coroa de espinhos sobre a cabeça, Ele estava nu, pois toda a sua roupa foi retirada (as quatro partes de sua roupa, mais a túnica! - veja em João 19:23). 

Missionária Oriana Costa

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

O Julgamento - Considerações sobre Mateus 27 - Parte 2


Dando continuidade ao estudo do capítulo 27 do Evangelho de Mateus, agora vamos entender o que aconteceu com o Senhor Jesus quando ele foi levado às autoridades romanas e, em seguida, foi condenado à morte. Para uma melhor compreensão do que se sucedeu nesses momentos, vamos agregar aqui mais alguns trechos correspondentes que se encontram nos outros três evangelhos.

Ao verificarmos os outros trechos que falam do mesmo assunto nos evangelhos de Marcos, Lucas e João, iremos nos deparar com informações complementares sobre o que aconteceu com Jesus um pouco antes de ser levado à presença do governador de Jerusalém e, também, quando já estava na presença deste.

Vejamos a narrativa do Evangelho de Mateus:

Jesus foi posto diante do governador, e este lhe perguntou: "Você é o rei dos judeus? " Respondeu-lhe Jesus: "Tu o dizes". Acusado pelos chefes dos sacerdotes e pelos líderes religiosos, ele nada respondeu. Então Pilatos lhe perguntou: "Você não ouve a acusação que eles estão fazendo contra você?" Mas Jesus não lhe respondeu nenhuma palavra, de modo que o governador ficou muito impressionado.
Por ocasião da festa era costume do governador soltar um prisioneiro escolhido pela multidão. Eles tinham, naquela ocasião, um prisioneiro muito conhecido, chamado Barrabás. Pilatos perguntou à multidão que ali se havia reunido: "Qual destes vocês querem que lhes solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?" Porque sabia que o haviam entregado por inveja. 
Estando Pilatos sentado no tribunal, sua mulher lhe enviou esta mensagem: "Não se envolva com este inocente, porque hoje, em sonho, sofri muito por causa dele". Mas os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos convenceram a multidão a que pedisse Barrabás e mandasse executar a Jesus.
Então perguntou o governador: "Qual dos dois vocês querem que eu lhes solte?" Responderam eles: "Barrabás!" Perguntou Pilatos: "Que farei então com Jesus, chamado Cristo?" Todos responderam: "Crucifica-o!" "Por quê? Que crime ele cometeu?", perguntou Pilatos. Mas eles gritavam ainda mais: "Crucifica-o!"
Quando Pilatos percebeu que não estava obtendo nenhum resultado, mas, pelo contrário, estava se iniciando um tumulto, mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão e disse: "Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês". Todo o povo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!" Então Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado. (Mateus 27:11-26)

Nas primeiras horas da manhã do dia seguinte a sua prisão, que aconteceu já bem tarde da noite do dia anterior (muito provavelmente entre as 22 e 23 horas), Cristo foi levado à presença do governador da província da Judeia, Pôncio Pilatos, a fim de ser julgado e condenado à morte por ele. Esse detalhe observamos no Evangelho de Marcos:

De manhã bem cedo, os chefes dos sacerdotes com os líderes religiosos, os mestres da lei e todo o Sinédrio chegaram a uma decisão. Amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos. (Marcos 15:1)

Então, depois de passar a madrugada inteira sendo humilhado e acusado injustamente pelos sacerdotes e lideres religiosos de Israel, e sofrendo violência por parte dos soldados romanos que o prenderam, sem mais demoras, Ele é levado para ser julgado pelas autoridades romanas.

Jesus foi primeiro levado a Pilatos, que estava no Pretório em Jerusalém, e este o enviou a Herodes quando soube que Jesus era Galileu, pois Herodes governava aquela região. Herodes, por sua vez, não encontrando motivos para condenar Cristo, mandou-o de volta a Pilatos.

O Pretório era uma grande construção, parecida com um castelo, que, além de servir como residência para o governador, servia de prisão para os criminosos e também era o local onde eram realizados os julgamentos destes. Essa informação encontramos no Evangelho de João:

Em seguida, de Caifás os judeus levaram Jesus para o Pretório. Já estava amanhecendo e, para evitar contaminação cerimonial, os judeus não entraram no Pretório; pois queriam participar da Páscoa. (João 18:28)

Assim, os soldados romanos levaram Jesus para dentro daquele lugar e os líderes religiosos de Israel ficaram do lado de fora, pois, como o fechamento da celebração da Páscoa aconteceria exatamente no fim daquele dia, os judeus não deveriam se contaminar entrando em locais considerados "imundos" por eles.

No entanto, na Lei Mosaica não há quaisquer mandamentos que ordenem os israelitas a não entrarem em casas de gentios, prisões ou tribunais antes da celebração da Páscoa, a fim de não se contaminarem. 

Isso significa que, provavelmente, assim como o costume de "lavar as mãos antes das refeições" ou "estar desobrigado de sustentar os pais idosos, caso o dinheiro destinado a esse fim fosse entregue como oferta no templo", essa era mais uma prática criada pela tradição e agregada aos costumes judaicos como se fosse vinda de Deus.

Prosseguindo com nosso estudo, vamos focar agora no diálogo que houve entre Jesus e Pilatos, antes de sua condenação. Essa conversa aconteceu após Jesus ter sido enviado a Herodes, e este tê-lo mandado de volta a Pilatos, sem ter visto nele quaisquer motivos para acusá-lo. Enquanto esteve diante de Herodes, o Cristo se manteve calado, de acordo com o relato constante no Evangelho de Lucas:

Pilatos perguntou se Jesus era galileu. Quando ficou sabendo que ele era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também estava em Jerusalém naqueles dias. Quando Herodes viu Jesus, ficou muito alegre, porque havia muito tempo queria vê-lo. Pelo que ouvira falar dele, esperava vê-lo realizar algum milagre. Interrogou-o com muitas perguntas, mas Jesus não lhe deu resposta. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei estavam ali, acusando-o com veemência. Então Herodes e os seus soldados ridicularizaram-no e zombaram dele. Vestindo-o com um manto esplêndido, mandaram-no de volta a Pilatos. Herodes e Pilatos, que até ali eram inimigos, naquele dia tornaram-se amigos. (Lucas 23:6-12)

Tanto Herodes quanto Pilatos esperavam que Cristo se defendesse de alguma forma, mas o réu não disse palavra alguma em sua defesa, o que surpreendeu especialmente o governador da província da Judeia. 

De fato, antes mesmo de conversar com Jesus, Pilatos sabia que todas as acusações contra ele eram falsas, pois já estava ciente da inveja que os líderes religiosos de Israel tinham dele, como lemos em Mateus 27:18, e por isso não tinha motivos para condenar o Senhor. No evangelho de Marcos vemos um relato similar:

"Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus? ", perguntou Pilatos, sabendo que fora por inveja que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus. (Marcos 15:9,10)

Na conversa que Pilatos teve com o Senhor, antes de se dirigir à multidão, apesar de ter notado que Jesus não se defendeu das acusações, ele ouviu algumas palavras que o deixaram temeroso de condenar aquele réu. Nos dois trechos abaixo podemos conferir as respostas de Cristo:

Pilatos então voltou para o Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: "Você é o rei dos judeus?" Perguntou-lhe Jesus: "Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito?" Respondeu Pilatos: "Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que entregaram você a mim. Que é que você fez?" Disse Jesus: "O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui". "Então, você é rei!", disse Pilatos. Jesus respondeu: "Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem". "Que é a verdade?", perguntou Pilatos. Ele disse isso e saiu novamente para onde estavam os judeus e disse: "Não acho nele motivo algum de acusação". (João 18:33-38)

Os judeus insistiram: "Temos uma lei e, de acordo com essa lei, ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus". Ao ouvir isso, Pilatos ficou ainda mais amedrontado e voltou para dentro do palácio. Então perguntou a Jesus: "De onde você vem?", mas Jesus não lhe deu resposta."Você se nega a falar comigo?", disse Pilatos. "Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?" Jesus respondeu: "Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior". Daí em diante Pilatos procurou libertar Jesus, mas os judeus gritavam: "Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei opõe-se a César". (João 19:7-12)

Pilatos temeu que alguns dos motivos pelos quais Jesus estava sendo acusado pelos líderes religiosos fossem, na verdade, motivos para respeitá-lo e reverenciá-lo. Muito provavelmente Pilatos temeu que Ele fosse mesmo o Cristo (o Messias) que os judeus esperavam, pois observou autoridade e sabedoria nas respostas de Jesus.

A própria esposa de Pilatos enviou-lhe uma mensagem antes que ele desse o veredito, pedindo ao seu marido para não se envolver naquele julgamento, por ter recebido em sonho a revelação de que aquele homem era inocente, e que na ocasião havia sofrido muito por causa dele (Mateus 27:19)

Então, a fim de evitar um tumulto desnecessário, que poderia tomar proporções maiores e violentas, e que certamente levaria muitos judeus à prisão e à morte, Pôncio Pilatos não viu outra saída senão condenar Jesus, mas deixando claro que não via nele culpa para isso.

Foi por estes motivos que, ao terminar o julgamento de Jesus, Pilatos se esquivou da responsabilidade da condenação daquele homem inocente à morte, e entregou-a oficialmente aos judeus, lavando as mãos diante deles (Mateus 27:24).

Dentre as muitas acusações que as lideranças religiosas de Israel fizeram diante de Herodes e Pilatos, os evangelhos ressaltam as seguintes:

  • Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Ele proíbe o pagamento de imposto a César e se declara ele próprio o Cristo, um rei. (Lucas 23:2)
  • Quem se diz rei opõe-se a César. (João 19:12)
  • Ele está subvertendo o povo em toda a Judeia com os seus ensinamentos. Começou na Galileia e chegou até aqui. (Lucas 23:5)
  • Temos uma lei e, de acordo com essa lei, ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus. (João 19:7)

No Antigo Testamento, encontramos alguns trechos que se referem à maneira como Jesus iria se comportar diante das autoridades no momento de seu julgamento, e que Ele seria julgado injustamente:

Como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. (Isaías 53:7,8)

Como um surdo, não ouço, como um mudo, não abro a boca. Fiz-me como quem não ouve, e em cuja boca não há resposta. (Salmos 38:13,14)

Pois homens ímpios e falsos dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito. Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam, mas eu permaneço em oração. Retribuem-me o bem com o mal, e a minha amizade com ódio. (Salmos 109:2-5)

Com relação ao povo escolher um rebelde/assassino para ser solto no lugar de Jesus, foi algo inusitado, pois a tendência dos judeus naquele evento seria escolher alguém que segundo a Lei Mosaica não fosse digno de morte. 

Barrabás era muito conhecido (Mateus 27:16), ou seja, já tinha um histórico de se meter em confusão. Naquele momento, ele estava preso por ter participado de uma rebelião contra o Império Romano, onde havia matado pessoas, e isso já era o suficiente para que Jesus fosse escolhido para ser solto, e não Barrabás.

Segundo a Lei Mosaica, um assassino deveria ser condenado à morte:

Quem matar uma pessoa terá que ser executado como assassino mediante depoimento de testemunhas. Mas ninguém será executado mediante o depoimento de apenas uma testemunha. Não aceitem resgate pela vida de um assassino; ele merece morrer. Certamente terá que ser executado. (Números 35:30,31)

No entanto, o ódio e a inveja que os líderes religiosos tinham do Senhor chegou ao extremo de negarem os mandamentos da Lei descaradamente e em público, optando por devolver à liberdade um indivíduo perigoso para a sociedade, em vez de libertarem Jesus.

Essa situação expôs o que realmente estava nos corações daquelas lideranças israelitas: eles não tinham qualquer temor a Deus, e colocavam a satisfação das suas próprias vontades acima da obediência aos mandamentos dados a eles por Seu Criador, em quem diziam crer.

Sobre a fala da multidão no fechamento do julgamento de Jesus Cristo "que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!", foram palavras ditas com ironia, no entanto, o povo não tinha ideia do peso que elas tinham, haja vista que estavam julgando o Filho de Deus, o Seu Rei, que estava totalmente inocente. Com tal declaração os habitantes de Jerusalém decretaram para si um rigoroso juízo, que, de fato, já havia sido predito pelos profetas no Antigo Testamento, e que aconteceu ali 40 anos após (clique aqui para saber mais sobre a destruição de Jerusalém em 70 d.C.).

Missionária Oriana Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...