Mostrando postagens com marcador Carfanaum. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carfanaum. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de março de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 2 - Na casa de Simão


Dando continuidade ao nosso estudo, prosseguiremos com a análise dos fatos ocorridos durante o tempo que antecedeu a escolha dos Apóstolos por Jesus. Neste texto vamos estudar o momento em que o Senhor deixa a sinagoga de Carfanaum e segue rumo à casa de Simão e André.

Vejamos o trecho abaixo:

"Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e falaram a respeito dela a Jesus. Então ele se aproximou dela, tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela começou a servi-los. Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. Toda a cidade se reuniu à porta da casa, e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando. Simão e seus companheiros foram procurá-lo e, ao encontrá-lo, disseram: "Todos estão te procurando!" Jesus respondeu: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim". Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios. (Marcos 1:29-39)

No Evangelho de Lucas também encontramos um trecho similar (Lc 4:38-44), que traz algumas informações complementares. 

Após a leitura desse trecho, sabemos que a febre que a sogra de Simão tinha era alta, e que Jesus repreendeu a febre antes de ajudar aquela senhora a se levantar. Esse trecho também mostra que Jesus estava curando os enfermos impondo as mãos sobre eles, e que quando os demônios saiam após a ordem do Senhor, alguns gritavam anunciando "Tu és o Filho de Deus", pois sabiam que Ele era o Cristo.

Nesse trecho também observamos que não foi somente Simão e seus companheiros que saíram à procura de Jesus, mas, na realidade, as multidões saíram à procura dEle, após Ele ter se afastado para um local deserto a fim de orar. As pessoas estavam ansiosas por cura e libertação, coisas que os médicos daquela época, os fariseus e mestres da lei, tampouco o império romano poderia lhes dar.

No entanto, nesse episódio podemos notar que, apesar de poder curar as pessoas e libertar os endemoniados, esse trabalho não era a prioridade de Jesus Cristo. O Senhor não estava sendo insensível ou ficou muito cansado, por ter se afastado previamente das multidões que iriam lhe procurar ali. 

Ele sabia da necessidade das pessoas e do sofrimento delas, mas tinha uma tarefa ainda maior e mais importante a realizar, que era a anunciação das boas novas de Seu Reino e, depois disso, entregar seu corpo em sacrifício pela justificação de todos espiritualmente. 

De fato, quando alguém se arrepende de seus pecados e entra no Reino de Deus pela fé em Jesus Cristo, passa a ter manifesta em sua vida a realidade desse lugar: saúde, paz, provisão, segurança, alegria, liberdade no espírito, ou seja, a vida abundante que há nesse lugar se manifesta no indivíduo; e isso o Senhor Jesus ensinava sempre, apesar de que a maioria não entendia bem o que Ele dizia.

O Senhor Jesus deixou claro que tinha sido enviado para "pregar", naquele momento em que estava entre nós fisicamente. Os milagres e prodígios que aconteciam, portanto, eram para testificar que a mensagem anunciada por Ele era verdadeira, e que o Pai estava realmente cumprindo sua promessa com relação à salvação da humanidade.


Missionária Oriana Costa.








segunda-feira, 13 de março de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - parte 1 - Na sinagoga de Carfanaum


Aqui vamos dar início ao estudo dos eventos que se sucederam até o momento em que o Senhor Jesus finalmente separa dentre os seus seguidores aqueles que formariam sua equipe de doze apóstolos.

Por comparação, observamos que no Evangelho de Mateus há uma lacuna entre o momento em que Cristo passa a morar em Carfanaum e o episódio do Sermão da montanha, que acontece dias, semanas ou meses depois.

Portanto, neste e em estudos seguintes, iremos usar mais os outros três evangelhos, a fim de entendermos como as coisas foram acontecendo, até chegarmos ao momento do Sermão da montanha. Depois desse evento, portanto, passaremos a incluir o Evangelho de Mateus em nossas análises até chegarmos ao ponto onde o Senhor Jesus nomeia seus doze apóstolos.

No Evangelho de Marcos, lemos o seguinte:

Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou: "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!" "Cale-se e saia dele!", repreendeu-o Jesus. O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando. Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!" As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia. (Marcos 1:21-28)

No Evangelho de Lucas (Lc 4:31-37) também encontramos um trecho similar, confirmando esse episódio. Ali, Cristo mostrou a todos a autoridade que tinha, expulsando um demônio de um homem que estava possesso dentro da sinagoga. Lembrando que o ato de expulsar demônios não é um milagre, e sim um sinal de autoridade.

No Evangelho de João há um breve trecho referente à mudança de residência de Jesus, de Nazaré para Carfanaum, mostrando que Ele não foi morar lá sozinho, mas sua família foi com ele, como também os muitos discípulos que Ele tinha o acompanharam. Veja em João 2:12.

Voltando a nossa análise, essa é a primeira descrição contida nos evangelhos na qual Jesus liberta pessoas endemoniadas. É interessante notar que, nesse evento, a pessoa possessa se dirigiu a Jesus gritando enquanto Ele ensinava na sinagoga naquele sábado, e que a reação do Senhor foi rápida, apenas ordenando para que a entidade saísse dela.

Muito provavelmente, a temática abordada por Cristo naquele momento era exatamente o ponto fraco daquele homem, e que estava dando ocasião para que aquele demônio encontrasse espaço para agir pela vida daquele indivíduo. 

Como lemos na narrativa de Marcos, Jesus Cristo ensinava com autoridade e não como os mestres da lei. Isso quer dizer que Ele conhecia profundamente o conteúdo que abordava, e o transmitia a todos com segurança no falar, de forma clara.

Isso acontecia porque aquilo que o Senhor Jesus falava não era somente os conteúdos da Lei e dos Profetas decorados, mas Ele aplicava esse conhecimento diretamente ao cotidiano das pessoas, expondo também a realidade espiritual envolvida nos mandamentos e avisos profeticos, assim mostrando claramente a todos qual era a vontade do Pai naqueles decretos e alertas.

A forma como Jesus expôs o conhecimento das escrituras contrariou em muitos aspectos a maneira como os judeus estavam acostumados a ver e usar aquele conteúdo, isso porque eles estavam enganados sobre o sentido dele. Essa realidade podemos ver claramente na abordagem que o Senhor faz no Sermão da montanha, por exemplo, mostrando as pessoas o verdadeiro sentido de alguns mandamentos contidos nos livros da Lei. Por isso, após ouvirem o Senhor falar, as pessoas se maravilhavam e achavam que Cristo estava trazendo a elas um novo conhecimento.

Desse modo, ao contrário dos fariseus e mestres da lei, que usavam as escrituras para forçar o povo a ficar debaixo de suas lideranças, trazendo medo e condenação a elas, Cristo somente lhes mostrava o verdadeiro sentido daquelas palavras, e isso fazia com que a realidade espiritual se manifestasse de uma forma intensa onde Ele estava, com operação de muitos prodígios e milagres.

Então, era dessa maneira que Ele apresentava a realidade do Seu Reino, levando aqueles que criam nEle ao arrependimento sincero de seus pecados. A importância do arrependimento de pecados está no fato de que somente essa ação leva as pessoas a fecharem a porta de suas vidas para entidades malignas entrarem e fazerem morada. Foi por esse motivo que o demônio se manifestou na hora em que Cristo estava ensinando, na tentativa de impedir aquele homem de se arrepender e ser liberto. 


Missionária Oriana Costa.



terça-feira, 13 de setembro de 2022

Jesus inicia seu ministério - Considerações sobre Mateus capítulo 4 - parte 2


Neste estudo vamos entender o que acontece com Cristo logo após o período de provação no deserto da Judéia (leia o estudo anterior Jejuando no deserto), onde Ele dá início ao seu ministério terreno.

Algum tempo depois do término de seu jejum, enquanto seguia anunciando o Seu Reino, o Senhor fica sabendo que João Batista tinha sido preso. Essa situação sinalizou para Cristo que o momento não era propício para Ele continuar na região da Judéia, pois, além de ser seu parente, a mensagem que seria anunciada por Jesus era similar a de João, e por causa disso Ele poderia ser igualmente detido por Herodes. 

Então, como ainda não havia chegado o tempo de ser preso e sacrificado, Cristo decidiu viajar de volta para Nazaré, na Galiléia, onde sua família estava, para lá continuar divulgando o Seu Reino, ensinando nas sinagogas e fazendo muitos milagres. 

Porém, antes de ir para Nazaré, o Senhor Jesus passou adiante e hospedou-se em Betsaida, uma cidade situada no litoral da Galiléia, onde Ele foi encontrar alguns homens que escolheria para serem seus discípulos mais chegados, que foram André e seu irmão, Simão Pedro, Filipe, Natanael, e os dois filhos de Zebedeu, Tiago e seu irmão João, como veremos nas informações a seguir:

"Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores. E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram. Indo um pouco mais adiante, viu num barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes. Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados no barco." (Marcos 1:16-20)

Uma narrativa similar a esta de Marcos também pode ser encontrada no Evangelho de Mateus (Mt 4:18-22), confirmando os acontecimentos. Porém, o Evangelho de João nos fornece mais algumas informações complementares bem interessantes sobre esses momentos, dando detalhes de como e onde foi o encontro de Jesus com esses homens (Jo 1:35-51).

Vale salientar que no Evangelho de João não está claro que Jesus encontrou os discípulos depois de sair do deserto da Judéia. Nós podemos chegar a essa conclusão após fazermos uma boa comparação com as descrições similares contidas nos outros três evangelhos.

No entanto, há uma hipótese (o texto não deixa claro) de que os dois primeiros discípulos que Jesus encontrou, André e Simão, provavelmente já seguiam o Senhor à distância, antes dele ir para o deserto da Judéia. De acordo com o relato do Evangelho de João, esses dois irmãos eram discípulos de João Batista e, logo após o batismo de Jesus, viram João sinalizar que Ele era o cordeiro de Deus e começaram a seguí-lo (Jo 1:35-37). 

Continuando nosso estudo, após passar algum tempo em Nazaré, em seguida o Senhor Jesus vai para Carfanaum, dando continuidade ao Seu trabalho, como veremos no trecho abaixo:

"Quando Jesus ouviu que João tinha sido preso, voltou para a Galiléia. Saindo de Nazaré, foi viver em Cafarnaum, que ficava junto ao mar, na região de Zebulom e Naftali, para cumprir o que fora dito pelo profeta Isaías: "Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios; o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz". Daí em diante Jesus começou a pregar: "Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo." (Mateus 4:12-17)

Nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João também encontramos muitas informações complementares sobre o período inicial do trabalho de Cristo.

No Evangelho de Marcos, encontramos o seguinte:

"Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!"" (Marcos 1:14,15)

Já no Evangelho de Lucas, encontramos um relato mais detalhado, como lemos abaixo:

"Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor. E ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado. E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: "O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restaurar a vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor." E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José? E ele lhes disse: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; faze também aqui na tua pátria tudo que ouvimos ter sido feito em Cafarnaum. E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva. E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro. E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se. E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava nos sábados. E admiravam a sua doutrina porque a sua palavra era com autoridade." (Lucas 4:14-32)

Lucas nos mostra informações importantes sobre como se deu o início do ministério de Jesus Cristo. Somadas às narrativas dos outros Evangelhos, sabemos que o Senhor deixou o deserto da Judéia e foi para a Galiléia, dando início oficialmente ao seu ministério em uma sinagoga de Nazaré, já acompanhado de muitos seguidores, como veremos em estudos posteriores. 

E ali, apesar da sabedoria que demonstrou ter diante de todos e dos milagres que realizou por lá, as pessoas se enfureceram com ele ao serem confrontadas com a verdade dos fatos.

Vejamos abaixo onde está inserido o trecho do livro do profeta Isaías lido por Jesus Cristo na sinagoga de Nazaré:

"O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros, para proclamar o ano da bondade do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; para consolar todos os que andam tristes, e dar a todos os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito deprimido. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória." (Isaías 61:1-3)

Após mencionar Isaías, Jesus lembrou a verdadeira situação dos israelitas diante de Deus, mostrando sua necessidade de arrependimento perante a desobediência e incredulidade que viviam. 

Por isso, seguiu falando da viúva da cidade de Sarepta, que ficava em Sidom, regiões do Império Fenício (veja a história em 1Reis 16:29-34, 1Reis 17) e de Naamã, comandante do exército Sírio (veja a história em 2Reis 5:1-19), que, apesar de serem de outras nações (gentios), foram abençoados no lugar dos israelitas por considerarem mais a Deus.

Então, ao iniciar a pregação da mensagem do Reino na cidade em que fora criado desde a mais tenra infância, onde residia até aquele momento, e num lugar onde todos conheciam sua família e sua boa reputação, Jesus foi rapidamente rejeitado e expulso simplesmente por falar a verdade. 

As pessoas não entenderam o que viram e ouviram de Jesus, pois estavam longe de Deus, com os corações endurecidos. Ele só não foi assassinado por ter sido livrado pelo Pai do ódio da multidão, passando pelo meio das pessoas sem ser visto. Essa foi a forma como o ministério terreno de Jesus Cristo começou.

Por causa da indignação dos judeus nazarenos, Jesus saiu daquela cidade e foi continuar seu trabalho em Carfanaum, se mudando com sua família e seus discípulos para lá. A ida de Jesus para essa cidade foi predita pelo profeta Isaias, como observamos na passagem do Evangelho de Mateus citada no início deste texto. Vejamos o trecho de Isaías completo:

"Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações. O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz." (Isaías 9:1,2)

Sobre os prodígios que Jesus fez enquanto ainda morava em Nazaré, no Evangelho de João encontramos um trecho que mostra o primeiro milagre feito por Jesus ao iniciar seu ministério, que ocorreu em um vilarejo daquela localidade: 

"No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". Respondeu Jesus: "Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou". Sua mãe disse aos serviçais: "Façam tudo o que ele lhes mandar". Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabia entre oitenta a cento e vinte litros. Disse Jesus aos serviçais: "Encham os potes com água". E os encheram até à borda. Então lhes disse: "Agora, levem um pouco do vinho ao encarregado da festa". Eles assim o fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo e disse: "Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora". Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele." (João 2:1-11)

Caná era um pequeno vilarejo situado na cidade de Nazaré. As escrituras não deixam claro se Jesus fez esse milagre antes de ir à sinagoga naquela mesma cidade, onde leu o famoso trecho de Isaías (Is 61:1-3). 

Sobre o evento ocorrido no casamento em Caná, podemos fazer uma contextualização, para entendermos melhor o que ocorreu ali. 

Antes de mais nada, essa narrativa quebra um grande tabu sobre a ingestão de vinho (bebida alcoólica) dentre os cristãos, pois, de acordo com a história, Jesus realmente transformou água em vinho, que era a principal bebida servida nos casamentos judaicos daquela época. Se Cristo fosse contra a ingestão dessa bebida, e se realmente fosse pecado beber vinho, Ele jamais teria feito aquele prodígio.

O segundo ponto, é que Maria ainda não cria em Jesus como Messias naquela ocasião, segundo o relato dos Evangelhos. Ela só veio crer em Jesus dessa forma quando já estava próximo o momento do sacrifício dele na cruz. Nas bodas de Caná, ela comentou com Jesus que o vinho tinha acabado por ele ser o chefe da família (José já havia falecido), e acreditou que ele ajudaria a resolver o problema junto com os outros homens que estavam ali. O que ela não esperava é que Jesus resolveria o problema fazendo um milagre.

Sobre a resposta que Jesus deu a sua mãe "Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou" (versão NVI), a colocação das palavras pode soar como uma falta de respeito ou uma grosseria da parte de Jesus, mas não foi isso o que aconteceu ali. 

De fato, Jesus chamou a atenção para algo espiritual quando disse "minha hora ainda não chegou", pois há um significado profético entre a cerimônia de um casamento judaico e o sacrifício de Jesus, e que Maria certamente não teria como entender naquele momento.

No casamento judaico, o vinho entrava em duas ocasiões. No primeiro momento, entrava no início do contrato de casamento, onde o noivo e a noiva bebiam o vinho no mesmo cálice, selando o pacto do noivado. Após um ou dois anos de preparação, os noivos novamente se encontravam para confirmar definitivamente o acordo no casamento, e voltavam a beber o vinho no mesmo cálice no primeiro dia da cerimônia, e esse cálice logo em seguida era quebrado. 

Maria comentou com Jesus que o vinho tinha acabado, esperando que Ele ajudasse a resolver o problema junto com os outros homens que estavam na festa. Mas, Jesus não estava vendo aquela situação da mesma forma que sua mãe, por isso disse "o que temos nós em comum?". 

Na verdade, o que Jesus estava querendo mesmo dizer a sua mãe era o seguinte: "você quer ofertar vinho para essa festa, mas o meu sangue é o vinho que todos realmente precisam para entrarem em aliança com o Pai, contudo, ainda não chegou a hora do meu sacrifício".

O que aconteceu bem depois daquele evento foi que Jesus estabeleceu uma aliança entre Ele e a Sua Noiva, que é o Seu Povo ou a Sua Igreja, quando bebeu vinho no mesmo cálice com os Apóstolos no momento da celebração da última Páscoa, onde ficou estabelecido o mandamento da Santa Ceia. 

Por isso, a celebração da Santa Ceia é tão importante, pois traz à memória que Jesus vai retornar para consumar sua aliança de Vida Eterna com Seu Povo para sempre.

Para o povo de Israel, o milagre da transformação de água em vinho nas bodas de Caná foi um sinal claro de que o Seu Justificador havia chegado, mas, que eles não foram capazes de entender. Curiosamente, a água e o vinho eram dois dos demais elementos que faziam parte dos rituais ordenados por Deus a Moisés para a purificação dos sacerdotes e do povo (Êx 29:38-46, Êx 30:17-21)

Missionária Oriana Costa.

Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...