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segunda-feira, 13 de março de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - parte 1 - Na sinagoga de Carfanaum


Aqui vamos dar início ao estudo dos eventos que se sucederam até o momento em que o Senhor Jesus finalmente separa dentre os seus seguidores aqueles que formariam sua equipe de doze apóstolos.

Por comparação, observamos que no Evangelho de Mateus há uma lacuna entre o momento em que Cristo passa a morar em Carfanaum e o episódio do Sermão da montanha, que acontece dias, semanas ou meses depois.

Portanto, neste e em estudos seguintes, iremos usar mais os outros três evangelhos, a fim de entendermos como as coisas foram acontecendo, até chegarmos ao momento do Sermão da montanha. Depois desse evento, portanto, passaremos a incluir o Evangelho de Mateus em nossas análises até chegarmos ao ponto onde o Senhor Jesus nomeia seus doze apóstolos.

No Evangelho de Marcos, lemos o seguinte:

Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou: "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!" "Cale-se e saia dele!", repreendeu-o Jesus. O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando. Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!" As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia. (Marcos 1:21-28)

No Evangelho de Lucas (Lc 4:31-37) também encontramos um trecho similar, confirmando esse episódio. Ali, Cristo mostrou a todos a autoridade que tinha, expulsando um demônio de um homem que estava possesso dentro da sinagoga. Lembrando que o ato de expulsar demônios não é um milagre, e sim um sinal de autoridade.

No Evangelho de João há um breve trecho referente à mudança de residência de Jesus, de Nazaré para Carfanaum, mostrando que Ele não foi morar lá sozinho, mas sua família foi com ele, como também os muitos discípulos que Ele tinha o acompanharam. Veja em João 2:12.

Voltando a nossa análise, essa é a primeira descrição contida nos evangelhos na qual Jesus liberta pessoas endemoniadas. É interessante notar que, nesse evento, a pessoa possessa se dirigiu a Jesus gritando enquanto Ele ensinava na sinagoga naquele sábado, e que a reação do Senhor foi rápida, apenas ordenando para que a entidade saísse dela.

Muito provavelmente, a temática abordada por Cristo naquele momento era exatamente o ponto fraco daquele homem, e que estava dando ocasião para que aquele demônio encontrasse espaço para agir pela vida daquele indivíduo. 

Como lemos na narrativa de Marcos, Jesus Cristo ensinava com autoridade e não como os mestres da lei. Isso quer dizer que Ele conhecia profundamente o conteúdo que abordava, e o transmitia a todos com segurança no falar, de forma clara.

Isso acontecia porque aquilo que o Senhor Jesus falava não era somente os conteúdos da Lei e dos Profetas decorados, mas Ele aplicava esse conhecimento diretamente ao cotidiano das pessoas, expondo também a realidade espiritual envolvida nos mandamentos e avisos profeticos, assim mostrando claramente a todos qual era a vontade do Pai naqueles decretos e alertas.

A forma como Jesus expôs o conhecimento das escrituras contrariou em muitos aspectos a maneira como os judeus estavam acostumados a ver e usar aquele conteúdo, isso porque eles estavam enganados sobre o sentido dele. Essa realidade podemos ver claramente na abordagem que o Senhor faz no Sermão da montanha, por exemplo, mostrando as pessoas o verdadeiro sentido de alguns mandamentos contidos nos livros da Lei. Por isso, após ouvirem o Senhor falar, as pessoas se maravilhavam e achavam que Cristo estava trazendo a elas um novo conhecimento.

Desse modo, ao contrário dos fariseus e mestres da lei, que usavam as escrituras para forçar o povo a ficar debaixo de suas lideranças, trazendo medo e condenação a elas, Cristo somente lhes mostrava o verdadeiro sentido daquelas palavras, e isso fazia com que a realidade espiritual se manifestasse de uma forma intensa onde Ele estava, com operação de muitos prodígios e milagres.

Então, era dessa maneira que Ele apresentava a realidade do Seu Reino, levando aqueles que criam nEle ao arrependimento sincero de seus pecados. A importância do arrependimento de pecados está no fato de que somente essa ação leva as pessoas a fecharem a porta de suas vidas para entidades malignas entrarem e fazerem morada. Foi por esse motivo que o demônio se manifestou na hora em que Cristo estava ensinando, na tentativa de impedir aquele homem de se arrepender e ser liberto. 


Missionária Oriana Costa.



sábado, 14 de novembro de 2020

A fé do tamanho de um grão de mostarda


Vejamos o trecho completo, referente à passagem bíblica que vamos analisar:

Quando chegaram onde estava a multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: "Senhor, tem misericórdia do meu filho. Ele tem ataques e está sofrendo muito. Muitas vezes cai no fogo ou na água. Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo". Respondeu Jesus: "Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino". Jesus repreendeu o demônio; este saiu do menino e, desde aquele momento, ele ficou curado. Então os discípulos aproximaram-se de Jesus em particular e perguntaram: "Por que não conseguimos expulsá-lo?" Ele respondeu: "Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível. Mas esta espécie só sai pela oração e pelo jejum". (Mateus 17:14-21)

Quando o Rei Jesus disse estas palavras, Ele e três de seus discípulos tinham descido há pouco tempo do Monte Hermom, onde haviam experimentado o evento da transfiguração do Senhor. Eles ainda estavam em Cesareia de Filipe.

E enquanto Jesus estava no alto do monte com Pedro, João e Tiago, uma grande multidão que queria conhecê-lo se juntou ali nas proximidades, onde também o restante dos discípulos estava aguardando o Mestre e os outros que foram com Ele retornarem. Nesse meio tempo, os discípulos que aguardavam Jesus descer do monte foram procurados por um homem que tinha um filho mentalmente perturbado.

Os discípulos discerniram que o menino estava dominado por um demônio, mas não tiveram sucesso ao tentarem expulsá-lo da criança. Quando Jesus retornou para eles acabou encontrando o homem, que, ajoelhado, lhe relatou o ocorrido e pediu sua ajuda para resolver a situação do filho.

Quando soube pelo homem o que tinha acontecido, o Mestre falou com severidade: "Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?". Jesus reagiu dessa maneira, pois, apesar dos sinais claros que dava de que era o Messias, especialmente seus discípulos, que estavam sempre próximos a Ele, ainda não conseguiam enxergar e entender isso. Eles tentaram imitar Jesus, sem entender bem como as coisas estavam acontecendo, na expectativa de que tudo ocorresse da mesma forma como era com o Senhor.

Porém, aquele pai de família, apenas com o que ouviu falar de Jesus, teve convicção suficiente de que ao procurá-lo seu filho seria curado. O comportamento do homem, ajoelhando-se diante do Senhor, mostra que ele estava ENXERGANDO quem Jesus realmente era e a autoridade que tinha. E por causa da fé que aquele homem teve, seu filho foi liberto da possessão. A fé daquele pai o levou a esperar naquele lugar até encontrar Jesus pessoalmente; ele podia ter desanimado, ao ver que os discípulos de Jesus não tinham conseguido expulsar o demônio de seu filho.

Após o menino ter sido curado, os discípulos procuraram Jesus em particular para saber o porquê de não terem tido êxito ao tentarem expulsar o demônio; então, o Cristo lhes respondeu que eles não conseguiram porque "a fé deles era pequena". Porém, em seguida o Senhor fala que "se eles tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda" (que é muito pequeno), nada lhes seria impossível. 

À primeira vista, parece que Jesus estava se contradizendo, mas, se conseguirmos captar o sentido do seu raciocínio, entenderemos a que tipo de fé o Mestre estava se referindo.

É importante saber que qualquer fé é racional, ou seja, ela sempre estará embasada num tipo de conhecimento; e com a fé verdadeira em Deus isso não é diferente. Então, o que acontecia ali é que a fé dos discípulos ainda não estava firmada no conhecimento do Reino de Deus e da sua justiça, que são totalmente espirituais e não seguem a realidade do mundo; por isso eles não tinham o entendimento claro da realidade espiritual nem do poder de Deus. 

De fato, naquele momento os discípulos de Cristo sabiam apenas o que a maioria das pessoas sabiam; tudo o que conheciam sobre Deus tinham aprendido ao longo dos anos com os pais e nas sinagogas, possuindo um conhecimento MISTURADO, composto do conteúdo da Torah agregado às doutrinas enganosas ensinadas pelos fariseus. O ensino de Cristo (que confirmava apenas o conteúdo da Torah!) ainda era algo novo para eles e que, infelizmente, apesar dos sinais que Jesus estava dando e de seu ensino se relacionar com um conhecimento que eles já deveriam ter, não estava sendo levado em consideração.

Por isso, o Cristo os repreendeu, e depois chamou a fé deles de "pequena". Aquele conhecimento misturado, na maior parte do tempo, levava as pessoas à incredulidade, com relação a verdadeira identidade de Deus e fazia com que elas pervertessem (transgredissem) os princípios (ou as leis) da justiça eterna. Depois que entendemos o ensino de Cristo, não é difícil perceber que essa situação se continua até hoje, e dentro da maioria das igrejas cristãs, mesmo após o evangelho estar sendo anunciado com tanto empenho.

A fé genuína, portanto, deve estar embasada somente no conhecimento do Reino de Deus e da sua justiça, e não pode estar misturada a nenhum outro tipo de conhecimento. Tais informações sobre a realidade espiritual só podem chegar até nós sem mistura se forem provenientes unicamente daquilo que Cristo ensina. Por isso é muito importante que cada seguidor de Jesus procure buscar especialmente no Novo Testamento o entendimento correto da justiça de Deus e de Seu Reino, revelado pelo próprio Cristo.

Quando alguém alicerça sua fé em Deus no conhecimento advindo somente de Jesus, mesmo que ainda esteja na fase inicial (ou seja, mesmo que a fé que foi gerada em seu coração ainda seja pequenina, do tamanho de um grão de mostarda, como Ele ensinou), ela levará tal pessoa a agir como um cidadão do Reino de Deus, visto que está dentro desse lugar, e está entendendo e usufruindo dessa realidade superior. E isso quer dizer que essa pessoa também vai usar, obviamente, a autoridade que lhe é concedida por seu Rei, Jesus Cristo, em nome dele, quando julgar necessário.

O Mestre também ensina, nesse episódio, algo importante aos discípulos: quem não tem sua fé alicerçada somente no conhecimento do Reino de Deus, mesmo que saiba que "no nome de Jesus há poder", terá que proceder de uma maneira diferenciada se quiser ter sucesso em lidar com manifestações espirituais malignas. 

Pessoas que ainda não entendem a realidade do Reino de Deus precisam, portanto, se dedicar mais à oração e também jejuarem (sacrifício que se faz especialmente em prol do domínio dos desejos carnais), para terem êxito ao expulsarem demônios. 

Por este motivo foi que Jesus concluiu seu raciocínio falando que "aquela espécie só sairia pela oração e pelo jejum". Do jeito que os discípulos estavam naquele momento, com uma fé em Deus embasada num conhecimento misturado sobre Ele, essa seria a única maneira de se obter sucesso numa situação mais complicada como aquela.


Missionária Oriana Costa.


Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...