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terça-feira, 14 de junho de 2022

João Batista, a voz que clama - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - Parte 1


Aqui vamos analisar o trecho do terceiro capítulo do Evangelho de Mateus onde João Batista é citado. 

Antes de seguirmos com nosso estudo, vamos falar um pouco da preparação para a chegada do bebê João Batista e lembrar como foi seu nascimento. Ele era primo em segundo grau de Jesus pelo lado materno, pois Isabel (ou Elisabete segundo a versão King James), sua mãe, era prima em primeiro grau de Maria, mãe de Jesus, segundo os relatos das versões King James e Almeida corrigida fiel. 

Assim como Jesus foi gerado no ventre de Maria de forma sobrenatural, a concepção de João Batista também aconteceu pelo poder de Deus, pois sua mãe era estéril e já tinha idade avançada. E assim como Maria recebeu a visita de um anjo que veio avisá-la do que estava para acontecer, Zacarias, que era o pai de João, também recebeu a visita do mesmo anjo, que lhe falou sobre a gravidez de Isabel. Vejamos o relato abaixo, que é encontrado somente no Evangelho de Lucas:

"No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril; e ambos eram de idade avançada. Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias estava servindo como sacerdote diante de Deus. (...) Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor". Zacarias perguntou ao anjo: "Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada". O anjo respondeu: "Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno". (...) Depois disso, Isabel, sua mulher, engravidou e durante cinco meses não saiu de casa. E ela dizia: "Isto é obra que o Senhor fez! Agora ele olhou para mim com favor, para desfazer a minha humilhação perante o povo."(Lucas 1:5-25)

Quando Isabel estava no sexto mês de gestação, Maria, que era virgem e estava em Nazaré, engravidou pelo poder de Deus (Lc 1:26-38). E ela só soube da gravidez de sua prima por ter sido avisada pelo anjo Gabriel, que também lhe apareceu, assim como apareceu ao sacerdote Zacarias. Assim, Maria decidiu ir averiguar a situação, e viajou para a Judéia a fim de visitar sua prima, como veremos no trecho abaixo:

"Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para a uma cidade da região montanhosa da Judéia, onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: "Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz! Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está em meu ventre agitou-se de alegria. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!" (Lucas 1:39-45)

João Batista, portanto, nasceu primeiro que Jesus. No dia da sua apresentação no templo e circuncisão, que segundo os costumes judaicos acontece ao oitavo dia de nascido dos meninos (veja em Gn 17:10-13), Zacarias, seu pai, voltou a falar sobrenaturalmente. Vejamos o trecho abaixo, segundo o relato de Lucas:

"Ao se completar o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho. Seus vizinhos e parentes ouviram falar da grande misericórdia que o Senhor lhe havia demonstrado e se alegraram com ela. No oitavo dia foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias; mas sua mãe tomou a palavra e disse: "Não! Ele será chamado João". Disseram-lhe: "Você não tem nenhum parente com esse nome". Então fizeram sinais ao pai do menino, para saber como queria que a criança se chamasse. Ele pediu uma tabuinha e, para admiração de todos, escreveu: "O nome dele é João". Imediatamente sua boca se abriu, sua língua se soltou e ele começou a falar, louvando a Deus. Todos os vizinhos ficaram cheios de temor, e por toda a região montanhosa da Judéia se falava sobre essas coisas. Todos os que ouviam falar disso se perguntavam: "O que vai ser este menino?" Pois a mão do Senhor estava com ele. Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou: (...) E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz". E o menino crescia e se fortalecia no espírito; e viveu no deserto, até aparecer publicamente a Israel. (Lucas 1:57-80)

Uma curiosidade: muito provavelmente, Maria esteve presente no nascimento de João Batista, e também testemunhou o que aconteceu no dia de sua apresentação no templo, pois a duração da visita que fez a sua prima foi cerca de três meses, que era o tempo que restava até que Isabel desse à luz o futuro profeta João Batista (veja em Lc 1:56). 

Agora, vamos analisar aquilo que o Evangelho de Mateus mostra sobre o ministério de João Batista, comparando também com as informações complementares contidas nos outros três evangelhos. Vejamos o trecho abaixo:

"Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’". As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga." (Mateus 3:1-12)

Sobre o trecho do profeta Isaías que fala do momento em que João Batista anunciaria a chegada do Messias, vejamos abaixo:

"Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Encoragem a Jerusalém e anunciem que ela já cumpriu o trabalho que lhe foi imposto, pagou por sua iniqüidade, e recebeu da mão do Senhor em dobro por todos os seus pecados. Uma voz clama: "No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. Todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas. A glória do Senhor será revelada, e, juntos, todos a verão. Pois é o Senhor quem fala"." (Isaías 40:1-5)

Ainda nesse mesmo capítulo do livro do profeta Isaías, também podemos ler:

"Você, que traz boas novas a Sião, suba num alto monte. Você, que traz boas novas a Jerusalém, erga a sua voz com fortes gritos, erga-a, não tenha medo; diga às cidades de Judá: "Aqui está o seu Deus!" O Soberano Senhor vem com poder! Com seu braço forte ele governa. A sua recompensa com ele está, e seu galardão o acompanha. Como pastor ele cuida de seu rebanho, com o braço ajunta os cordeiros e os carrega no colo; conduz com cuidado as ovelhas que amamentam suas crias." (Isaías 40:9-11)

Assim como os trechos acima, existem outros no Antigo Testamento que falam da vinda de João Batista a fim de preparar Israel para receber o Cristo, como podemos ler em Salmos 85:12,13. Alguns parágrafos abaixo também veremos outra referência, no livro do profeta Malaquias, que também avisa sobre o mensageiro João.

João iniciou seu trabalho na cidade de Betânia, na região da Judéia, proclamando a chegada do Reino dos céus (ou Reino de Deus) para os israelitas, e isso tinha a ver com a proximidade da iniciação do ministério de Jesus em Israel. Até aquele momento, o Cristo vivia ocultado de todos, mas a partir da hora em que o profeta João passou a anunciá-lo, o nosso Salvador começou a ficar conhecido.

No Evangelho de Marcos, há um trecho similar ao que lemos em Mateus, com uma informação adicional:

"Conforme está escrito no profeta Isaías: "Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho"— "voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ ". Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão." (Marcos 1: 2-5)

No trecho acima, na verdade, não existe apenas a citação do profeta Isaías, que também aparece no Evangelho de Mateus, mas antes dela há uma citação do profeta Malaquias, que tanto se refere à vinda de João Batista quanto à chegada do Messias:

"Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 3:1)

Lendo o Evangelho de Lucas, encontramos ainda outras informações sobre quem eram os governadores romanos de cada região de Israel, e quem eram os sumos sacerdotes no trabalho templário quando o profeta João Batista apareceu anunciando a vinda do Messias:

"No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes, tetrarca da Galiléia; seu irmão Filipe, tetrarca da Ituréia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene; Anás e Caifás exerciam o sumo sacerdócio. Foi nesse ano que veio a palavra do Senhor a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Como está escrito no livro das palavras de Isaías, o profeta: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. Todo vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas serão endireitadas e os caminhos acidentados, aplanados. E toda a humanidade verá a salvação de Deus’"." (Lucas 3:1-6)

No trecho do Evangelho de Mateus que lemos alguns parágrafos acima, observamos que muitos israelitas estavam recebendo a mensagem de João, pois criam nas profecias que avisavam sobre a vinda do Messias. No meio dessas pessoas que vinham procurar o profeta, também estavam os fariseus e saduceus. 

Ao vê-los, João ficou indignado, chamando-os de "raça de viboras", porque eles agiam traiçoeiramente. Ao se declararem servos do Senhor, contudo, rejeitando e distorcendo muitas de suas ordenanças e ensinando o povo a fazer o mesmo, mais tarde eles iriam incitar as pessoas a odiar, perseguir e desejar a morte de Jesus. Contudo, não foram somente os fariseus e saduceus que procuraram o profeta, mas também os sacerdotes e levitas o fizeram, segundo observamos no Evangelho de João, como veremos a seguir.

"Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: "Não sou o Cristo". Perguntaram-lhe: "E então, quem é você? É Elias?" Ele disse: "Não sou". "É o Profeta?" Ele respondeu: "Não". Finalmente perguntaram: "Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio?" João respondeu com as palavras do profeta Isaías: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’ ". Alguns fariseus que tinham sido enviados interrogaram-no: "Então, por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?" Respondeu João: "Eu batizo com água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem. Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar". Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando." (João 1:19-28)

De fato, João era um profeta, conforme o próprio Cristo confirmou (Mateus 11:8,9), mas não "o profeta" ao qual os fariseus se referiam. Equivocadamente, as lideranças religiosas de Israel acreditavam que alguém semelhante ao próprio Moisés viria para anunciar a chegada do Messias, por causa de um determinado episódio que podemos ler no livro de Deuteronômio:

"O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no. Pois foi isso que pediram ao Senhor, ao seu Deus, em Horebe, no dia em que se reuniram, quando disseram: "Não queremos ouvir a voz do Senhor, do nosso Deus, nem ver o seu grande fogo, se não morreremos!" O Senhor me disse: "Eles têm razão! Levantarei do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Se alguém não ouvir as minhas palavras, que o profeta falará em meu nome, eu mesmo lhe pedirei contas." (Deuteronômio 18:15-19)

O problema dos fariseus com o trecho acima é que eles pensaram que "o profeta" ao qual Moisés se referiu era o mesmo mensageiro que viria antes do Messias para anunciar a Sua chegada. No entanto, esse profeta descrito em Deuteronômio está se referindo ao próprio Cristo.

Por causa desse equívoco, muitos acreditavam que Jesus Cristo era esse tal profeta que os fariseus imaginavam, ou mesmo mais outro enviado como um dos antigos profetas, como podemos ver em alguns trechos dos evangelhos (Mateus 21:10,11; Marcos 6:15), e não acreditavam que Jesus era o Messias que eles deveriam estar aguardando. 

No livro de Atos, um dos discípulos que ajudavam os Apóstolos no trabalho de distribuição de mantimentos para as viúvas e órfãos, chamado Estêvão, antes de ser assassinado por apedrejamento pelos fariseus, falou-lhes quem era o profeta sobre o qual Moisés se referiu:

"Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis." (Atos 7:37, ACF)

Agora vamos analisar algumas falas do profeta João Batista, como, por exemplo, "Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga", ao falar de Jesus. Tais palavras não são necessariamente a citação de alguma profecia específica do Antigo Testamento, no entanto, é uma compilação de alguns trechos de várias partes proféticas das escrituras que se relacionam a Cristo. 

Duas palavras dadas aos israelitas, uma dada pelo profeta Malaquias e outra pelo profeta Oséias, se enquadram na mensagem da "pá e do fogo que nunca se apaga":

"Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 4:1)

"Por isso levarei o meu trigo quando ele ficar maduro, e o meu vinho quando ficar pronto. Arrancarei dela minha lã e meu linho, que serviam para cobrir a sua nudez." (Oséias 2:9)

Quanto as palavras "o machado está posto à raiz das árvores...", muito provavelmente está fazendo alusão a um trecho do livro do profeta Isaías, que diz:

"Vejam! O Soberano, o Senhor dos Exércitos, cortará os galhos com grande força. As árvores altivas serão derrubadas, as altas serão lançadas por terra. Com um machado ele ceifará a floresta; o Líbano cairá diante do Poderoso." (Isaías 10:33,34)

Com relação à vestimenta do profeta e seus hábitos alimentares, descritos em Mateus 3:4 e Marcos 1:6, são informações importantes para entendermos onde João Batista morava ou mesmo passava a maior parte do seu tempo. As roupas e alimentos consumidos pelo profeta eram característicos de alguém que vivia no campo, afastado da parte mais urbana das cidades da Judéia. Os pastores de ovelhas daquela época, por exemplo, tinham hábitos similares aos de João.

Algumas pessoas costumam interpretar que a palavra "gafanhotos" relacionada a um dos alimentos que João Batista comia regularmente, está se referindo a um alimento vegetal e não a um inseto, como a própria palavra sugere, e que o profeta era vegetariano. Porém, essas informações não são verdadeiras. Vejamos esse mesmo trecho de Mateus 3:4 na versão King James:

"E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e o seu alimento era locustas e mel silvestre." 

O significado da palavra "locusta", de acordo com o Dicio (Dicionário On Line de Português) é "grande gafanhoto do gênero Locusta, com uma única espécie, largamente conhecido por destruir plantas e plantações; gafanhoto-do-deserto".

A palavra usada no original grego nesse trecho da escritura é ἀκρίς - cuja pronúncia é "akris", e signigica literalmente "gafanhoto", um inseto que é comum em países orientais e, quando infesta esses locais, é capaz de destruir plantações e árvores.

Então, as escrituras bíblicas nas suas mais variadas versões estão sendo claras em nossa língua, quando falam que o profeta João Batista comia realmente um inseto comum da sua região, chamado gafanhoto.

Para finalizar nosso estudo, agora vamos fazer uma análise sobre qual era a missão de João Batista, que estava diretamente ligada à mensagem que ele ia divulgando. Quando o anjo Gabriel apareceu a Zacarias para anunciar a gravidez de sua esposa Isabel, ele avisou para quê aquele bebê havia sido chamado por Deus:

"Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor."(Lucas 1:15-17)

Ao falar com Zacarias naquele momento, o anjo cita um trecho do livro do profeta Malaquias, que diz:

"Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição." (Malaquias 4:5,6)

Portanto, a missão de João Batista era preparar os israelitas e também os prosélitos da fé judaica que estavam em Israel, para receber a justificação de seus pecados a fim de poderem entrar no Reino dos céus. Ele cumpria esse chamado avisando e conscientizando as pessoas de que todos estavam transgredindo a reta justiça de Deus, e que, por isso, precisavam se arrepender sinceramente, e buscar se adequar a ela de todo o coração. Abaixo segue um trecho do Evangelho de Lucas onde vemos um pouco do que o profeta dizia ao povo:

"João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo". "O que devemos fazer então? ", perguntavam as multidões. João respondia: "Quem tem duas túnicas reparta-as com quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo". Alguns publicanos também vieram para serem batizados. Eles perguntaram: "Mestre, o que devemos fazer?" Ele respondeu: "Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado". Então alguns soldados lhe perguntaram: "E nós, o que devemos fazer? " Ele respondeu: "Não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário". O povo estava em grande expectativa, questionando em seus corações se acaso João não seria o Cristo." (Lucas 3:7-18)

Lembrando que, complementando a descrição contida em Lucas, conforme vimos parágrafos acima no Evangelho de Mateus, João não chamou todos os que vinham até ele de "raça de viboras", mas somente aqueles que exerciam influência no meio do povo, que eram os fariseus e saduceus.

Como o profeta João era cheio do Espírito Santo e tinha a mesma unção do profeta Elias, ele não somente falava ao povo com ousadia e autoridade, como também certamente muitos sinais sobrenaturais aconteciam conforme ele seguia fazendo seu trabalho, e isso fazia com que o povo acreditasse nele, provavelmente pensando que ele fosse mesmo o Messias, apesar dele avisar que não era.

No Evangelho de João, encontramos também um trecho que confirma o chamado de Deus para João Batista:

"Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João. Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem. Ele próprio não era a luz, mas veio como testemunha da luz. (...) João dá testemunho dele. Ele exclama: "Este é aquele de quem eu falei: Aquele que vem depois de mim é superior a mim, porque já existia antes de mim". (...) Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: Não sou o Cristo." (João 1:6-20)

O batismo feito por João nas águas do rio Jordão era um sinal de Deus dado através do profeta que apontava o momento em que as pessoas se arrependiam sinceramente de seus pecados, ao ouvirem João falar dos preceitos do Reino de Deus, e também que elas estavam se dispondo a receber o Messias que estava chegando ali naquele momento para justificá-los diante do Pai, perdoando-lhes, assim, os seus pecados.

O batismo nas águas, portanto, não tem poder de justificar qualquer pessoa diante do Pai, mas simboliza que esse alguém decidiu iniciar o processo de conversão da maldade do mundo para os preceitos da justiça de Deus, os quais embasam a fé cristã verdadeira.

No evangelho de João (Jo 3:22) consta a informação de que Jesus Cristo também seguiu com o ritual de batismo, fazendo descer às águas todos os que escolhiam seguí-lo, e isso sugere que os doze apóstolos de Jesus foram todos batizados por imersão, a maioria deles pelo próprio Jesus, na região da Judéia. Dois deles, que seguiam o profeta João Batista antes de seguirem a Cristo, certamente devem ter sido batizados pelo profeta João, e um deles era André, irmão de Pedro (veja em Jo 1:40)

Esse mesmo batismo por imersão continua sendo tradicionalmente feito até hoje, porém, como cumprimento de uma ordem dada pelo próprio Jesus Cristo ressurreto, antes de sua ascenção aos céus (veja em Mt 28:19). 

Desta forma, na maioria das denominações cristãs evangélicas, quando pessoas creem na mensagem de salvação e por isso se arrependem verdadeiramente dos seus pecados, decidindo receber o governo do Senhor Jesus sobre suas vidas, elas são batizadas mergulhando rapidamente todo o corpo em água, como testemunho público de suas conversões à fé cristã. 

Missionária Oriana Costa.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Só há um Mestre - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 1


Este capítulo do evangelho de Mateus mostra o episódio em que, dias antes de sua prisão, Jesus ainda estava ensinando no templo em Jerusalém. A situação aqui se dá logo após o último confronto que o Senhor teve com os fariseus dentro daquele lugar. Então, estando cercado por seus discípulos e uma grande multidão ali, Ele começa um discurso, onde julga a desobediência e incredulidade das lideranças de Israel e fala a respeito do que sobreviria aquela nação por rejeitar a Deus. 

Vejamos o que Cristo disse, entre os versículos 1 e 8:

Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. "Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’. "Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. (Mateus 23:1-8)

Observando com atenção o início do seu discurso, vemos que Jesus começou dizendo às pessoas que, por estarem em posição de autoridade (pois estavam estabelecidos no lugar de liderança que inicialmente pertencia a Moisés), os fariseus e mestres da Lei eram dignos de serem ouvidos e obedecidos. O Mestre disse isso porque a insubmissão às autoridades é transgressão à justiça de Deus e traz condenação e juízo sobre a vida de quem se comporta dessa forma. 

A única exceção acontece quando uma autoridade obriga os indivíduos a NÃO SE SUJEITAREM A DEUS ou NÃO PRIORIZAREM A JUSTIÇA DE DEUS. Nesse caso, as pessoas que conhecem a Deus devem seguir o exemplo do profeta Daniel, ou dos jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego, por exemplo, que, arriscando perderem suas vidas, não obedeceram a certos decretos reais, por esses colocarem o Deus Criador em segundo plano. Leia sobre esses acontecimentos no capítulo 3 e 6 do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento).

Os fariseus e mestres da Lei não obrigavam o povo a, frontalmente, contrariarem os mandamentos da Antiga Aliança, no entanto eles mesmos não consideravam tudo o que estava nas Escrituras e desobedeciam "sutilmente" muitos dos decretos que Deus havia instituído. Além disso, ainda acrescentavam "outras obrigações" aos mandamentos, como se estes não fossem suficientes para reger o povo plenamente. Por isso, Cristo alertou a todos que eles eram movidos por suas vaidades e obstinações, assim sendo, aquelas lideranças não serviam de exemplo ao povo.

Cristo também alertou às pessoas sobre o orgulho que os fariseus e mestres da Lei tinham de serem chamados e reconhecidos como rabis (mestres). Aqueles homens achavam que sabiam tudo e se envaideciam nisso. O problema é que nem o Apostolo Paulo de Tarso, considerado um dos homens mais cultos e instruídos nas Escrituras Sagradas, sabia tudo sobre Deus e Sua Justiça.

Por este motivo é que o Senhor Jesus reprovou a conduta dos líderes religiosos de Israel, que estavam cheios de soberba em seus corações. Ele lembrou ao povo que só havia um Mestre – uma pessoa que sabe tudo –, que é o próprio Deus, e que todos os seres humanos, tanto os que sabem mais quanto os que sabem menos, deviam tratar uns aos outros igualmente, sem fazer acepção, vivendo como irmãos.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Estudaremos, agora, um trecho do evangelho de Mateus, que mostra como os chefes dos sacerdotes e mestres da Lei reagiram, após serem confrontados por Jesus no templo, em Jerusalém, enquanto Ele ali ensinava.

Depois de ouvirem as três parábolas que Jesus lhes contou (Mateus 21 e 22), entendendo que, através delas, o Senhor estava denunciando a hipocrisia deles publicamente, aqueles líderes começaram a trabalhar mais rápido para prendê-lo e, se possível, exterminá-lo. 

Como eles não entenderam que Cristo era realmente o Messias, naquele momento, Ele representava uma ameaça à continuidade das regalias, poder e prestígio que aqueles homens usufruíam.

Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: "Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens. Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não? (Mateus 22:15-17)

Os herodianos eram os adeptos de uma provável seita (ou de um partido político) onde se acreditava na divindade de Herodes Antipas (o imperador de Roma na época), e até que ele poderia ser o verdadeiro Messias esperado pelos israelitas. Esse grupo de pessoas era composto de mensageiros e soldados do império romano, e, pelos interesses em comum que infelizmente existiam, estavam unidos à liderança religiosa de Israel.

Assim sendo, essas pessoas, que foram enviadas a Jesus, estavam na expectativa de vê-lo se contradizer de alguma forma: caso o Senhor defendesse a fé em Deus e o povo de Israel, se oporia ao domínio do império romano, mas se defendesse o controle romano, se oporia ao povo de Israel e a Deus. Nas duas situações Jesus seria considerado um rebelde, digno de condenação.

No entanto, o grupo foi surpreendido pela resposta de Jesus, que, ao mesmo tempo, defendeu a fé em Deus e o governo que estava estabelecido sobre os israelitas, e também diferenciou as duas situações através do que eles tinham em mãos: o conhecimento das Escrituras e o dinheiro que usavam na época para pagar o imposto.

Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: "Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova? Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto". Eles lhe mostraram um denário, e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição?" "De César", responderam eles. E ele lhes disse: "Então, deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Ao ouvirem isso, eles ficaram admirados; e, deixando-o, retiraram-se. (Mateus 22:18-22)

A moeda com a qual se pagava o imposto a César era a moeda do próprio império romano. Muitas vezes os israelitas eram obrigados a fazer o câmbio (comprar antes as moedas com o ouro ou a prata que tinham), sempre que iam pagar os impostos.

Por isso, Jesus pediu "a moeda usada para pagar o imposto", fazendo ali a diferenciação entre a obrigação que o povo de Israel tinha de obedecer a Deus, cumprindo os mandamentos da Lei, e a obrigação de pagar o imposto a César, por estarem debaixo do domínio dele.

O fato dos Israelitas obedecerem a Deus não tirava a obrigação deles de se submeterem a autoridade da nação que os estava dominando, pois a rebelião contra as autoridades, além de ser considerada uma transgressão perante Deus, também trazia prisão e morte para os rebeldes.

Portanto, se o próprio Deus não interferisse para libertar o povo, toda vez que eles iam cativos nas mãos de uma outra nação, eles tinham que se submeter às autoridades, tanto por temor a Deus quanto pelo perigo de morte pela rebelião.

Em relação à reação dos fariseus contra Jesus, é interessante notar que, estando os herodianos presentes no momento de abordarem Jesus, aquela liderança não estava nem um pouco interessada na libertação do povo de Israel do domínio de Roma, muito pelo contrário.

Na verdade, eles queriam continuar como estavam, porque daquela forma, ao mesmo tempo que já tinham o prestígio do povo, por terem sido separados para o serviço do templo e serem conhecedores das Escrituras, também usufruíam dos "lucros" de manter o povo submisso ao controle romano. 

Por esse motivo é que aqueles fariseus eram bem mais corruptos que os "publicanos", nome dado aos israelitas que trabalhavam para o império romano, cobrando imposto do povo. Os publicanos não eram bem vistos pela sociedade judaica, sendo considerados traidores, contudo os fariseus se mostravam bem piores que eles. Essa foi a razão pela qual tantas vezes Jesus confrontou aqueles lideres religiosos, reprovando-os publicamente.

Deus nunca desejou que os israelitas fossem dominados por outras nações e prometeu dar a eles um Rei que os governaria PARA SEMPRE, o qual viria no tempo determinado pelo Pai, segundo o que fora dito pelos profetas.

Os fariseus  estavam desprezando totalmente essas informações, em troca de usufruírem de um conforto material que não tinham a mínima ideia do tempo que iria durar.


Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O que é pior?


"Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:13-17)

O mundo vai de mal a pior. E prossegue colhendo todo o mal que semeou ao longo do tempo; contudo, não consegue enxergar isso. Pessoas estão morrendo rapidamente vítimas da Covid-19, e muitos dos habitantes da terra acham que a culpa dessas mortes é dos seus governantes, e pensam que seus governantes tem poder para impedir essa trágica situação e não estão fazendo tudo o que podem. É uma pena que estejam tão cegos pelo desespero.

O medo da morte ocasionada pela Covid-19 se espalhou pelo mundo como se antes desse mal as pessoas fossem imortais. Alguns estão falando que é inadmissível que alguém possa falecer vitimado por essa enfermidade. Mas, são pensamentos equivocados, movidos pela aparência da situação.

Até antes do Coronavírus aparecer, pessoas morriam todos os dias no mundo inteiro pelas mais diversas causas, e parece que de repente o mundo esqueceu disso. Agora só se morre de Covid, e isto tem que ser evitado a todo o custo.

Tenho uma notícia para dar, apesar de que eu acho que no fundo de seus corações as pessoas já sabem: os seres humanos vão continuar morrendo na terra, seja por causa desse novo vírus seja por quaisquer outras causas. Não há como impedir isso, por mais que se pesquise, por mais que os cientistas e estudiosos lutem desesperados tentando encontrar uma solução. 

E as vacinas? Não é um grande avanço da ciência? Se alguém acha que vacinas tornam as pessoas imortais, está precisando refrescar a memória. Tudo o que as vacinas contra Covid-19 podem fazer é impedir que a maioria dos indivíduos adoeçam gravemente dessa enfermidade, mas elas não impedem as pessoas de se contaminarem com o coronavírus e nem tornam as pessoas imunes à morte.

Mas, as filas de pessoas para serem vacinadas agora, quando o precioso líquido para tornar as populações imunes ao corona for liberado, vão dar a volta na terra. Vai ser um Deus nos acuda! Vai ter briga pelos primeiros lugares nessas filas. De fato, os países já estão brigando entre si para conseguirem os primeiros lotes de vacinas.

No entanto, depois de tudo, as pessoas vão continuar morrendo de outras causas, como sempre foi. A verdade é que ser humano nenhum deseja a morte, mas não tem poder algum para detê-la e está obrigado a passar por ela. 

O que ninguém consegue enxergar é que quando chega a hora de uma pessoa deixar esse mundo ela vai deixar, seja por um motivo ou por outro, mais cedo ou mais tarde. Bom seria que ninguém morresse, mas não é assim que as coisas funcionam com a maldade operando na terra.

O Coronavírus e os outros males terríveis que virão após ele só vão aumentando a lista de causas de morte, que JÁ EXISTE. Muitas UTIs e hospitais ao redor do mundo já trabalhavam sobrecarregados com tantos males acometendo os indivíduos antes de mais essa pandemia, como acontece aqui no Brasil, o país onde tenho vivido desde que nasci.

Agora, diante dessa calamidade, as autoridades estão tentando impedir a ação de um "inimigo invisível" com um sistema de saúde que já não conseguia dar jeito em muitos outros males, e que já trabalhava sobrecarregado; movidos pelo desespero e sem saber como lidar com isso, os governos  do mundo inteiro impedem as pessoas de saírem de casa para "atenuar a curva de propagação do vírus", e então pessoas são demitidas de seus empregos e muitos comércios fecham suas portas.

Em consequência dessa atitude, uma nova má situação se levanta: a crise financeira mundial. Então o que é pior? Uma grande discussão se levantou: O pior é adoecer e/ou morrer de Covid-19? O pior é não poder trabalhar, não ter dinheiro para pagar as contas, e não ter como pagar pelas necessidades básicas da família? - A verdade é que as duas situações são equivalentes. Nenhuma é pior que a outra. Ambas são muito ruins, fazem as pessoas sofrerem muito e matam.

Se olharmos para a crise financeira, em particular, veremos que ela traz consigo não só o aumento da pobreza, mas traz também o aumento da violência somado à perturbação mental. Se a violência doméstica aumentou devido à ocasião da quarentena, ela também aumenta onde há pobreza e pessoas perturbadas, impacientes, indignadas. E violência traz o quê? Morte!

Realmente é triste ver essa situação desoladora em que o mundo se encontra, mas é uma colheita que não vai parar. Quando o mundo pensar em respirar aliviado por ter conseguido dominar o Coronavírus, outras calamidades acontecerão, pois a "colheita" realmente não vai parar, e sabemos disso pelo que diz a palavra de Deus sobre o que acontecerá no tempo que antecede a volta de Jesus.

Quem não estiver com sua vida alicerçada na verdade vai se perder no medo, na confusão, no desespero, esperando salvação no lugar errado, sem ter para onde fugir. Sinto muito, mas a situação para o mundo sempre foi esta: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". 

O mundo nunca teve nem terá paz de verdade, pois ele está afundando em maldade. Se alguém deseja saber a verdade e desfrutar de paz verdadeira no meio do caos, só há um caminho: entrar no Reino de Deus pela fé em Jesus Cristo.

Missionária Oriana Costa.




segunda-feira, 16 de março de 2020

O Filho do homem é Senhor do sábado.

Um dos mandamentos da Lei de Moisés está relacionado ao dia de Sábado. Este mandamento pode ser encontrado no Livro de Êxodo, nos trechos seguintes:

"Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou. (Êxodo 20:8-11)

"Disse ainda o Senhor a Moisés: Diga aos israelitas que guardem os meus sábados. Isso será um sinal entre mim e vocês, geração após geração, a fim de que saibam que eu sou o Senhor, que os santifica. Guardem o sábado, pois para vocês é santo. Aquele que o profanar terá que ser executado; quem fizer algum trabalho nesse dia será eliminado do meio do seu povo. Em seis dias qualquer trabalho poderá ser feito, mas o sétimo dia é o sábado, o dia de descanso, consagrado ao Senhor. Quem fizer algum trabalho no sábado terá que ser executado. Os israelitas terão que guardar o sábado, eles e os seus descendentes, como uma aliança perpétua. Isso será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas, pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, e no sétimo dia ele não trabalhou e descansou." (Êxodo 31:12-17)

Porém, em alguns momentos de seu ministério terreno, Jesus Cristo (sendo um judeu, descendente da tribo de Judá) se comportou de uma forma que "parecia estar quebrando esse mandamento", aos olhos dos fariseus e mestres da Lei. Segundo o conteúdo dos evangelhos, a primeira situação foi a seguinte:

"Naquela ocasião Jesus passou pelas lavouras de cereal no sábado. Seus discípulos estavam com fome e começaram a colher espigas para comê-las. Os fariseus, vendo aquilo, lhe disseram: Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado." (Mateus 12:1,2)

E, então, Cristo lhes disse:

"Vocês não leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam com fome? Ele entrou na casa de Deus, e juntamente com os seus companheiros comeu os pães da Presença, o que não lhes era permitido fazer, mas apenas aos sacerdotes. Ou vocês não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo profanam esse dia e, contudo, ficam sem culpa? Eu lhes digo que aqui está o que é maior do que o templo. Se vocês soubessem o que significam estas palavras: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’, não teriam condenado inocentes. Pois o Filho do homem é Senhor do sábado". (Mateus 12:3-8)

A segunda situação, nesse mesmo capítulo do evangelho de Mateus, foi esta:

"Saindo daquele lugar, dirigiu-se à sinagoga deles, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada. Procurando um motivo para acusar Jesus, eles lhe perguntaram: É permitido curar no sábado? Ele lhes respondeu: Qual de vocês, se tiver uma ovelha e ela cair num buraco no sábado, não irá pegá-la e tirá-la de lá? Quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é permitido fazer o bem no sábado. Então ele disse ao homem: Estenda a mão. Ele a estendeu, e ela foi restaurada, e ficou boa como a outra. Então os fariseus saíram e começaram a conspirar sobre como poderiam matar Jesus. Sabendo disso, Jesus retirou-se daquele lugar. Muitos o seguiram, e ele curou a todos os doentes que havia entre eles, advertindo-os que não dissessem quem ele era." (Mateus 12:11-16)

De fato, ao observarmos bem o conteúdo do Antigo Testamento, vemos que uma informação complementar à Lei dada por Deus a Moisés foi acrescentada. Por este motivo é que devemos ter o cuidado de lembrar de não interpretar um conteúdo da Bíblia Sagrada com base em um só trecho dela, pois existem outros trechos complementares, e que esclarecem a vontade de Deus para todos nós.

Um profeta israelita foi usado para falar do significado da guarda do sábado pelo povo que Deus havia escolhido para representá-lo na terra:

"Assim diz o Senhor: Mantenham a justiça e pratiquem o que é direito, pois a minha salvação está perto, e logo será revelada a minha retidão. Feliz aquele que age assim, o homem que nisso permanece firme, observando o sábado, para não profaná-lo, e vigiando sua mão, para não cometer nenhum mal." (Isaías 56:1,2)

"Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria, e eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai. " Pois é o Senhor quem fala." (Isaías 58:13,14)

Muitas pessoas que acreditam em Jesus entendem que devem guardar o sábado assim como está descrito no livro de Êxodo. No entanto, o próprio Jesus revelou qual era o verdadeiro sentido da guarda do sábado em si mesmo.

É muito importante que, ao lermos o Antigo Testamento, tenhamos em mente que todo o seu conteúdo aponta para uma realidade: o homem foi criado perfeito e sem nenhuma mácula, mas, no entanto, se separou de Deus, e mesmo assim este não o condenou à destruição para sempre; e essa circunstância fez com que o homem passasse a necessitar de uma "justificação" para a transgressão que cometera contra o Pai, justificação essa que obviamente lhe devolveria a posição de justo, e que só o seu próprio Criador poderia lhe dar.

Até que esta situação de justificação se concretizasse plenamente, o povo teve que obedecer a um conjunto de "regras" especiais por muito tempo, a fim de que um dia estivessem "prontos" para receber o cumprimento dessa promessa. E essas regras estão expressas exatamente na Lei que foi entregue a Moisés. Por isso, sabemos que o cumprimento dessa Lei não justifica ninguém diante de Deus, mas somente lembra aos indivíduos que os tais precisam ser justificados diante do Pai para serem salvos da condenação no Dia do juízo.

Na Lei, conforme citamos no início deste texto, está escrito que a guarda do sábado é um mandamento perpétuo entre "Deus e os israelitas" somente, e que o "deixar de trabalhar" nesse dia era um "sinal" que apontava para uma necessidade de JUSTIFICAÇÃO diante do Criador (ou de santificação): portanto, a guarda do sábado era uma forma de fazer o povo de Israel se lembrar sempre de que necessitava de um JUSTIFICADOR para si, e também lembrar que esse justificador era Deus quem iria providenciar para eles, e quando essa providência chegasse ISSO SERIA O SEU DESCANSO PARA SEMPRE!

Vejamos o que está escrito na carta aos Hebreus sobre esse descanso:

"Visto que nos foi deixada a promessa de entrarmos no descanso de Deus, temamos que algum de vocês pense que tenha falhado. Pois as boas novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; mas a mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada de fé por aqueles que a ouviram. Pois nós, os que cremos, é que entramos naquele descanso, conforme Deus disse: "Assim jurei na minha ira: Jamais entrarão no meu descanso" — embora as suas obras estivessem concluídas desde a criação do mundo. Pois em certo lugar ele falou sobre o sétimo dia, nestas palavras: "No sétimo dia Deus descansou de toda obra que realizara". E de novo, na passagem citada há pouco, diz: "Jamais entrarão no meu descanso". Entretanto, resta entrarem alguns naquele descanso, e aqueles a quem anteriormente as boas novas foram pregadas não entraram, por causa da desobediência. Por isso Deus estabelece outra vez um determinado dia, chamando-o "hoje", ao declarar muito tempo depois, por meio de Davi, de acordo com o que fora dito antes: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração". Porque, se Josué lhes tivesse dado descanso, Deus não teria falado posteriormente a respeito de outro dia. Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus; pois todo aquele que entra no descanso de Deus, também descansa das suas obras, como Deus descansou das suas. Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência." (Hebreus 4:1-11)

Portanto, vindo o Messias, que é aquele que foi escolhido para se sacrificar pelas transgressões de toda a humanidade, justificando (santificando) diante do Pai a todos os que crerem em sua obra redentora, a guarda do sábado assim como está descrita na Lei deixa de ser uma exigência a se cumprir.

Cristo agora é o nosso "sábado" e é nele que devemos descansar: por causa do que Ele fez em nosso favor, cumprindo em si mesmo a promessa de santificação dada por Deus para a humanidade através do povo israelita, sabemos que nele somos justificados de nossas transgressões contra o Pai Criador e assim somos livrados da condenação no juízo eterno.

Desta forma, quem crê em Jesus Cristo assim como está nas escrituras bíblicas, não tem mais necessidade de se lembrar que precisa de justificação ou de santificação diante do Pai a partir do cumprimento das regras da Lei.

Missionária Oriana Costa.


Atenção: se você é adventista ou professa uma fé que ensina a "guardar o sabado", entenda que o intuito desse texto não é ir contra qualquer religião, mas apenas esclarecer a todos de que se trata esse mandamento, e em qual contexto ele estava inserido. 


quinta-feira, 12 de março de 2020

O meu fardo é leve.

Essa é mais uma das frases famosas de Jesus Cristo. E nela, Ele deixa bem claro que tem algo muito bom para nos oferecer, algo que qualquer outra pessoa desse mundo não poderá nos proporcionar da mesma forma: o seu governo perfeito sobre nós.

E, pensando bem nesta afirmação de Cristo, chegamos à conclusão de que, realmente, tudo o que nós mais precisamos é de um governo bom e justo sobre nossas vidas, que nos compreenda e atenda as nossas necessidades.

Neste mundo as pessoas criam muitas expectativas em seus governantes, mas, estes são pessoas comuns, que podem falhar a qualquer momento em seus trabalhos, e não há como impedir isso.

Não há seres humanos perfeitos na terra. O único totalmente bom e perfeito é Deus. Portanto, se colocarmos todas as nossas esperanças em pessoas falhas assim como nós mesmos somos, fatidicamente iremos nos decepcionar com elas, por um motivo ou outro.

De fato, a famosa frase desta postagem é o fechamento da seguinte fala do Rei Jesus: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". (Mateus 11:27-30)

Então, podemos perceber que o nosso Criador não nos fez existir nesse mundo para simplesmente nos abandonar aqui, nos deixando à mercê de muitos sofrimentos, tristezas, frustrações e confusões. Ele realmente quer que tenhamos vidas cheias de satisfação, paz e alegria, e Ele está nos oferecendo seu governo sobre nós para que possamos usufruir dessa realidade.

Só que devemos atentar para um detalhe dessa fala de Cristo, que, certamente passa desapercebido para a maioria das pessoas: não poderemos usufruir do jugo suave nem do fardo leve que o Rei Jesus está nos oferecendo sem APRENDER o que Ele ensina, pois Ele diz "aprendam de mim" para assim podermos tomar o seu jugo sobre as nossas vidas.

Cristo revela informações sobre seu Reino e sobre a Justiça de Deus que precisamos acessar e entender para, dessa forma, podermos usufruir do conforto que Ele disponibiliza para nossas almas. Deus deseja compartilhar conosco a realidade perfeita de seu Reino glorioso, que este mundo mal não conhece e não pode nos proporcionar.

Missionária Oriana Costa.


quarta-feira, 11 de março de 2020

Série meditando no Salmo 119: versículos 69 e 70.

O Salmo 119 é mesmo incrível, não por ser o maior de todos os salmos da Bíblia, mas por conter informações sobre a Justiça de Deus que são muitíssimo importantes para nós, que buscamos entendê-la.

Aqui o salmista fala de uma situação adversa em que se encontrou, onde estava sendo difamado por pessoas que não gostavam dele. Ele chamou essas pessoas de "arrogantes"; o sinônimo da arrogância é a soberba.

Uma pessoa arrogante ou soberba é aquela que sempre quer se sobressair aos demais, que se acha superior e mais sábia ou inteligente que os outros. É alguém que não é humilde.

E, segundo o que relata o salmista, uma pessoa arrogante irá se achar muito superior aquelas que escolhem colocar a Justiça de Deus em primeiro lugar em suas vidas, e fará o possível para diminui-las, nem que para isso precise mentir. É por isso que ele diz: "Os arrogantes mancharam o meu nome com mentiras".

E em seguida, o salmista pontua: "mas eu obedeço aos teus preceitos de todo o coração". Isso significa que o escritor desse texto não tentou se justificar diante dos outros por causa das mentiras que estavam sendo ditas a seu respeito, mas continuou firme em cumprir o que aprendeu sobre a reta Justiça de Deus: pois ele tinha plena certeza de que quem anda conforme esse conhecimento "não pratica o mal" (Salmos 119:3)

E assim sendo, ele tinha convicção que seu próprio comportamento iria desmentir todas as palavras falsas que estavam sendo ditas a seu respeito.

O salmista também explica que tais pessoas soberbas tem o coração insensível, isto é, o coração delas é endurecido para as coisas de Deus, e por isso elas não conseguem entender a existência e funcionalidade da Justiça eterna nem se satisfazerem com ela.

Quem busca entender a verdade (os princípios da Justiça eterna), no entanto, consegue encontrar prazer no conhecimento de Deus e se satisfaz com os resultados maravilhosos que andar segundo seus preceitos sempre traz.

Comparando essa situação relatada no salmo com o comportamento de Jesus Cristo, vemos que Ele agiu exatamente como o salmista, mantendo-se firme em viver conforme a reta Justiça de Deus sem se preocupar em se justificar publicamente pela difamação que sofria da parte dos fariseus e mestres da Lei.

O foco de Cristo era cumprir sua missão, que era executar tudo o que estava escrito na Lei sobre aquele que deveria ser sacrificado pelas transgressões de toda a humanidade, e realmente Ele fez isso com máxima excelência.

Missionária Oriana Costa.




sábado, 1 de fevereiro de 2020

O perigo de entendermos errado a vontade de Deus

Este conselho da palavra de Deus nos chama a atenção para um detalhe: assim como uma arma de fogo em mãos erradas pode levar a um terrível acidente, o conhecimento da Justiça de Deus sem o entendimento correto pode ser muito danoso, tanto para quem passa como para quem recebe.

Uma pessoa bêbada que segura um ramo de espinhos tanto vai se ferir como vai ferir quem estiver perto dela. É para este perigo que a sabedoria da palavra de Deus está nos alertando.

E este alerta também é feito por um motivo importante: a falta de entendimento da Justiça de Deus é que abre as conhecidas "brechas" em nossas vidas para que o Maligno nos ataque, ou use nossas vidas para atacar outras pessoas, sabendo que nem nós nem os outros vamos lhe oferecer qualquer resistência.

Sem a iluminação do conhecimento da justiça de Deus é impossível discernir e resistir às sugestões e sutilezas do Maligno.

Por exemplo: se ao lermos algum trecho da palavra de Deus interpretarmos que "Deus é quem tira a vida das pessoas quando Ele deseja", sem observar o contexto em que  o tal trecho se insere, e desconhecendo todo o restante das informações contidas sobre a Justiça de Deus nas escrituras bíblicas, o Maligno encontra em nós uma brecha para NOS ATACAR a qualquer momento, ou atacar as vidas dos que estão perto de nós quando ele bem quiser, e nós não vamos perceber que é ele quem está agindo: e assim, não vamos lhe oferecer nenhuma resistência.

No entanto, a palavra de Deus nos ensina que Deus é bom, que Ele é Luz, e que podemos sim resistir as obras Maligno (que são morte, roubo e destruição - leia João 10:10) nos revestindo da armadura de Deus (leia Efésios 6:11-18).

Não é tarefa de Deus resistir às sutilezas e obras do Maligno: essa tarefa é nossa. E Jesus Cristo deixou isso bem claro no momento final de seu jejum, quando estava fisicamente fraco: o Diabo se aproveitou da ocasião para tentá-lo o máximo possível, sabendo quem Ele era e o motivo pelo qual estava entre nós; no entanto, Cristo resistiu à ação de Satanás COM O CONHECIMENTO DA JUSTIÇA DE DEUS. Observe que Jesus homem não orou ao Pai pedindo para ser livrado do Diabo, mas o confrontou frente a frente, resistindo-o e vencendo-o.

Então, é  bom estarmos conscientes de que a tarefa de Deus é nos fornecer os meios para discernir, rejeitar e vencer o mal, que obviamente não está vindo dele.

Então, por causa de um conhecimento equivocado da vontade de Deus, nós mesmos vamos perecendo ou vendo nossos familiares e amigos perecerem, achando que foi "Deus quem quis assim" (quando a pessoa nasce deficiente, por exemplo) ou foi "Deus quem levou" (quando as pessoas morrem), e que devemos nos resignar a isso.

A palavra de Deus nos avisa que é pela falta de entendimento da verdade que o Maligno oprime as pessoas. E a opressão não é a vontade de Deus para nós, definitivamente! Ele deseja que nós saibamos o que realmente ocorre quando alguém morre, quando sofremos, adoecemos e temos grandes perdas e prejuízos, e que possamos usar o conhecimento correto da sua Justiça para nos proteger da ação do mal, resistí-la e vencê-la.

Foi por causa disso que Jesus falou: "Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!"(Mateus 22:29), e é também por causa disso que no Antigo Testamento encontramos mais este alerta: "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento." (Oséias 4:6)

Missionária Oriana Costa


Antes de escolher os apóstolos - Parte 3.5 - O Sermão da montanha

Dando continuidade ao nosso estudo do Evangelho de Mateus, agora prosseguimos com uma parte bastante sensível do ensino de Cristo no Sermão ...