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quinta-feira, 22 de junho de 2023

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha


Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importantes do Seu Reino para os seus discípulos e seguidores. 

Esse evento ficou conhecido como "O Sermão da Montanha" ou "O Sermão do Monte", porque aconteceu quando o Senhor estava acampado no sopé de um monte situado de frente para o mar da Galiléia, próximo da cidade de Carfanaum. Hoje esse lugar é chamado de Monte das Beatitudes ou Monte das Bem-aventuranças.

O Sermão da Montanha consta nos Evangelhos de Mateus e Lucas, e um pequeno trecho desse discurso também pode ser achado no evangelho de Marcos (Mc 9:41-50). Porém, esse ensino foi melhor detalhado pelo Apóstolo Mateus (o ex-publicano Levi), visto que ele seguiu Jesus no tempo de Seu ministério terreno.

Sempre é bom lembrar que o público para o qual Jesus Cristo estava se dirigindo em sua época era judeu em sua maioria. Não existia cristãos naquele momento nem a Bíblia como hoje a conhecemos. A linguagem que o Senhor usava para falar com aquelas pessoas estava de acordo com o conteúdo da Torah, e obviamente, acordava com a cultura e os costumes judaicos, que eram, e ainda hoje são, muito diferentes dos usos e costumes ocidentais atuais.

Então, quando se dirigiu ao povo, Cristo foi lhes passando as seguintes instruções:

"Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus; bem-aventurados os que choram, pois serão consolados; bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança; bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos; bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia; bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus; bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus; bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês"."(Mateus 5:1-12)

No Evangelho de Lucas vamos ler o seguinte:

"Olhando para os seus discípulos, ele disse: "Bem-aventurados vocês os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus. Bem-aventurados vocês, que agora têm fome, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir. Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. "Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas. "Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação. Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar. Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles trataram os falsos profetas"". (Lucas 6:20-26)

As palavras do Senhor no Sermão da Montanha estão especialmente relacionadas com alguns pontos da Lei mosaica e também com o que fora dito pelos profetas que haviam sidos chamados por Deus no passado para falar em Seu Nome ao povo de Israel. 

Nessa parte inicial do sermão, Ele confirma muito do que foi dito através do profeta Isaías (Veja os capítulos 5, 61, 65 e 66), como também alguns trechos do livro de Salmos (Veja Sl 24:3,4; Sl 107:8,9; Sl 72:1,2).

De fato, o discurso de Jesus ali já se inicia com uma novidade, chamando a atenção da multidão para a ligação que existe entre o que está nas escrituras e o Reino de Deus, lugar este que permaneceu ignorado pelos judeus por séculos. E especialmente naquele momento os líderes religiosos não conseguiam entender o que as escrituras falavam sobre esse lugar, e, portanto, jamais poderiam ensinar o povo sobre tal assunto.

Como o trabalho de Jesus era focado em anunciar o Seu Reino e a Sua reta justiça, fica mais fácil entender as "Bem-aventuranças" que Ele pontua nos trechos que estamos analisando em nosso estudo. Nelas Cristo está chamando a atenção para o fato de que a postura das pessoas que escolhem viver segundo os preceitos da reta justiça de Deus e rejeitam a maldade mundana leva esses indivíduos a serem abençoados, especialmente se sofrerem no mundo por causa desse comportamento diferenciado. 

Por exemplo, quando Ele fala que bem-aventurados são os "pobres em espírito", porque a eles pertencem o Reino de Deus, está deixando claro que todos os que não tiverem apego às riquezas seculares por valorizarem mais a realidade eterna, ainda que possuam bens materiais no mundo, são herdeiras do Seu Reino.

Da mesma forma, ao falar dos que choram, dos humildes, dos que tem fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puros de coração, dos pacificadores e dos perseguidos, Cristo está se referindo a todas as pessoas que escolheram viver nesse mundo mau em função do Seu Reino e da Sua justiça, reconhecendo a autoridade que há em Seu Nome.

Algumas pessoas, ao lerem o discurso do Senhor Jesus no Sermão montanha, por não entenderem que ali Cristo está focando na realidade de Seu Reino e falando dos indivíduos que escolhem viver no mundo pelos preceitos desse lugar, podem interpretar erroneamente suas palavras.

Especialmente quando o Senhor fala dos que tem fome e sede de justiça, Ele não está se referindo aquelas pessoas que sofreram algum dano no mundo e estão se sentindo injustiçadas, mas está falando daqueles indivíduos que desejam ardentemente conhecer a Deus, que estão famintos e sedentos dele, ou de pessoas que estão em trevas mas desejam de todo o coração ser libertas (veja o contexto da escravidão do povo de Israel no Egito no Salmo 107).

Escolher andar segundo os preceitos do Reino de Deus no mundo não é uma decisão fácil, pois requer renuncia dos desejos carnais, das vaidades e até mesmo a renuncia da realização de alguns sonhos que foram nutridos no coração antes do indivíduo conhecer a Cristo de verdade. Além do fato de gerar uma forte repulsa dos que não creem em Deus, a ponto disso custar até mesmo a vida dos que creem nele.

Por isso, essa escolha leva a um sofrimento ao qual o Senhor Jesus ressalta que não será em vão, e terá grande recompensa. 

Porém, para aquelas pessoas que decidem viver segundo a justiça e a sabedoria do mundo, e estão acomodadas aos prazeres da realidade mundana e se satisfazendo com eles, virá juízo na eternidade; pois, quem escolhe viver pela realidade do mundo não se importa em vigiar sua conduta para se alinhar aos preceitos da justiça de Deus, e, portanto, não se arrepende de suas transgressões contra ela. Desta forma, o indivíduo se comporta como inimigo de Deus e está negando a Cristo publicamente.

Mas, apesar disso, Deus não deseja absolutamente o mal dessas pessoas e não deseja de forma alguma condená- las. Na verdade, Ele tem profunda compaixão de quem não o conhece e tem sofrido por causa disso, e essa misericórdia Cristo mostrou de forma palpável enquanto esteve andando entre nós. Muitos testemunharam o quanto Deus está disposto a nos perdoar e livrar. E até agora este perdão está disponível para quem desejar acessá-lo.

A verdade é que Deus deseja que todos enxerguem o que realmente está acontecendo, e o que estamos colhendo por agir de forma contrária aos preceitos estabelecidos desde a criação do universo, pois tudo o que fazemos contra a reta justiça divina é por ignorá-la totalmente. 

Também é importante saber que não é pelo fato de alguém frequentar uma igreja ou mesmo participar dos trabalhos eclesiásticos que será um real seguidor de Jesus Cristo. Uma pessoa religiosa necessariamente não é uma seguidora de Jesus. Os fariseus eram os que mais demonstravam guardar a Lei mosaica e cumprí-la, no entanto, seus corações não estavam em Deus e sim nos deleites que o mundo lhes proporcionava.

Para concluir nosso raciocínio, vejamos o que está escrito no Salmo 37, sobre "os humildes" aos quais Cristo se refere:

"Não se aborreça por causa dos homens maus e não tenha inveja dos perversos; pois como o capim logo secarão, como a relva verde logo murcharão. Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá: Ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal. Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal. Pois os maus serão eliminados, mas os que esperam no Senhor receberão a terra por herança. Um pouco de tempo, e os ímpios não mais existirão; por mais que os procure, não serão encontrados. Mas os humildes receberão a terra por herança e desfrutarão pleno bem-estar." (Salmos 37:1-11)

Então, essas pessoas humildes são aquelas que, por causa do Nome de Jesus e de Seu Reino, escolhem não se aborrecer com a maldade dos homens e não invejar a prosperidade dos que pervertem a justiça de Deus. São aquelas que, por causa do Reino, perseveram em fazer o bem por confiar no Senhor, e se deleitam nele, entregando a Ele os seus caminhos. São aquelas que, para honrar o nome de Jesus, descansam em Deus aguardando por Ele com paciência e que, por isso, não agem movidos por ira ou fúria, e não se vingam de si mesmos dos que lhes fazem mal.

Missionária Oriana Costa.




quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sepulcros caiados - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 5


Neste texto, vamos analisar a penúltima parte do último discurso que o Senhor Jesus fez publicamente no templo de Jerusalém, diante das autoridades religiosas, dos discípulos e da multidão que estava ali presente. Esse acontecimento se deu alguns dias antes de sua prisão.

De fato, esse trecho se trata do fechamento do raciocínio dos cinco primeiros julgamentos que o Senhor estava fazendo naquele momento, relacionados às atitudes dos fariseus e mestres da Lei, e que se iniciou a partir do versículo 13. Para entender melhor o contexto desse conteúdo, leia as outras quatro publicações anteriores a esta, aqui neste blog.

Continuando nosso estudo, vejamos o trecho abaixo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade. (Mateus 23:23-28)

Observamos, desta forma, que a quinta acusação que o Mestre faz contra os fariseus e mestres da Lei é com relação à omissão dos preceitos mais importantes, para os quais a Lei Mosaica aponta todo o tempo: a Justiça de Deus (que ainda seria revelada plenamente a eles, e por isso deveria ser desejada e buscada), e as suas misericórdia (com relação à situação condenatória dos seres humanos) e fidelidade (em cumprir todas as suas promessas e pactos).

O Senhor Jesus alertou a todos que cumprir à risca o mandamento do dízimo não justifica a falta de entendimento dos reais princípios da Lei, que, obviamente, aqueles que estavam liderando espiritualmente a nação de Israel deveriam ter.

Por não buscarem conhecer a Deus de fato, aqueles homens se encheram de vaidades, ganância e cobiça, achando que apenas decorando e cumprindo os mandamentos da Lei estariam justificados de seus pecados diante do Pai, e assim manteriam diante do povo o status de "justos". Foi por isso que o Senhor fez uma metáfora tão exagerada: "vocês coam um mosquito da água que bebem, mas no fim acabam engolindo um camelo".

Cristo chamou a atenção daqueles líderes para a sua cegueira espiritual, pois estavam dando mais importância à aparência de sábios e justos do que à verdadeira sabedoria e justiça de Deus. 

Ele mostrou que se encher do conhecimento das escrituras e procurar cumprir os mandamentos ao pé da letra, sem, porém, entender para quê eles realmente servem é o mesmo que "limpar somente o exterior do copo e do prato e deixar sujo o interior deles". Então, agindo daquela forma, os fariseus e mestres da Lei estavam sendo hipócritas e maus uns com os outros, pois somente o entendimento pleno da justiça de Deus dá às pessoas o discernimento verdadeiro da maldade, levando-as a rejeitar sua ação plenamente.

A expressão "sepulcro caiado" se refere a um túmulo, da época de Jesus, que estava branqueado por fora com cal. Na íntegra, era a pedra do túmulo ou as paredes ao redor pintadas de branco. Caiar um sepulcro, portanto, servia para melhorar aparência do lugar, deixando-o mais agradável de ver, no momento das visitações. No entanto, isso não mudava o que havia por dentro dele: um cadáver fétido, em decomposição.

Por isso, também, o Senhor Jesus comparou aqueles homens a "sepulcros caiados", pois eles insistiam em parecer sábios e justos aos olhos de todos, mas, por dentro, estavam mortos espiritualmente e não se importavam em mudar a situação de seus corações.

Mesmo que o Senhor Jesus os alertasse, eles não lhe davam ouvidos e se enfureciam mais ainda contra Ele a cada vez que eram confrontados com a verdade. Seus corações estavam endurecidos, cheios da operação da maldade, e suas vidas entregues aos sentimentos e desejos provenientes dela.

Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 27 de abril de 2021

Regras a mais - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 4


Nesta parte de seu discurso, onde Cristo segue julgando o procedimento das lideranças religiosas de Israel, dentro do templo em Jerusalém, Ele aponta especialmente o quanto aqueles homens estavam totalmente longe de Deus e muito apegados aos bens materiais e às riquezas do mundo.

Cristo aqui faz mais dois julgamentos importantes (veja os dois primeiros em Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3) com relação ao procedimento daqueles líderes religiosos.

Vejamos o trecho a seguir:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês. Ai de vocês, guias cegos!, pois dizem: ‘Se alguém jurar pelo santuário, isto nada significa; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, está obrigado por seu juramento’. Cegos insensatos! Que é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? Vocês também dizem: ‘Se alguém jurar pelo altar, isto nada significa; mas se alguém jurar pela oferta que está sobre ele, está obrigado por seu juramento’. Cegos! Que é mais importante: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, aquele que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. E o que jurar pelo santuário, jura por ele e por aquele que nele habita. E aquele que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele se assenta. (Mateus 23:15-22)

Um detalhe interessante é que no início desse trecho o Senhor Jesus fala que existia uma espécie de "evangelização", que era feita pelos mestres da Lei e fariseus, aonde eles supostamente saíam do território de Israel a fim de divulgar sua fé em outras nações e, provavelmente, também ensinar a Lei aos estrangeiros que faziam aliança com Deus.

Porém, esse assunto não é muito conhecido no meio cristão, no entanto, aqui o Senhor fala da existência desse trabalho, antes mesmo que a promessa da Nova Aliança com Deus se cumprisse.

De fato, não há informações acessíveis sobre o procedimento daqueles homens nessa área, no entanto, segundo a forma como Jesus julga aquela liderança, era como se, nesse trabalho, a mensagem que anunciava o cumprimento da promessa de justificação feita por Deus a Abrão – que aconteceria com a vinda do Messias que estabeleceria seu reinado para sempre em toda a terra – estivesse sendo deixada de lado. Então, essa é mais uma razão pela qual Jesus faz essa primeira acusação e os condena chamando-os, por causa disso, de "filhos do inferno".

Com toda a certeza, essa omissão da promessa de justificação feita por Deus, assim como está nas escrituras, não viria senão de alguém que estivesse contra o Criador, ou seja, o diabo.

O segundo julgamento de Cristo nesse trecho são as "regrinhas a mais" que os mestres da Lei e os fariseus estavam ensinando. Dentre elas, estava a desobrigação de cumprir um juramento, caso ele fosse feito em nome do santuário ou em nome do altar do sacrifício. No entanto, eles diziam que se alguém jurasse em nome do ouro que revestia o santuário ou em nome das ofertas que estavam sobre o altar do sacrifício, aí o indivíduo teria que cumprir sua promessa.

Na cultura judaica antiga, com relação aos juramentos, geralmente eles eram feitos sempre em nome de alguém ou em nome de alguma coisa importante, quando o sujeito queria deixar bem claro que a promessa ou o voto que fez se cumpriria da forma e no tempo que foi estabelecido. 

O santuário (que era a parte mais externa do templo) e o altar (local mais interno do templo onde eram colocadas as ofertas de cereais e feitos os sacrifícios de animais pela expiação dos pecados do povo) eram os locais mais importantes para os israelitas, por isso eram os mais usados na hora em que eles queriam jurar pelo cumprimento de alguma promessa ou voto.

Em relação a fazer juramentos, a Lei diz o seguinte:

Quando um homem fizer um voto ao Senhor ou um juramento que o obrigar a algum compromisso, não poderá quebrar a sua palavra, mas terá que cumprir tudo o que disse.(Números 30:2)

No livro de Eclesiastes, escrito pelo Rei Salomão, também há um trecho que diz:

Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus, e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir. Não permita que a sua boca o faça pecar. E não diga ao mensageiro de Deus: "O meu voto foi um engano". Por que irritar a Deus com o que você diz e deixá-lo destruir o que você realizou? Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus. (Eclesiastes 5:2-7)

Portanto, não foi à toa que o Senhor Jesus condenou o procedimento dos líderes religiosos de Israel. Segundo a Lei, qualquer promessa ou voto feito sob juramento deveria ser cumprido, salvo algumas pequenas exceções referentes às mulheres (veja em Números 30:2-15). 

Então, independente do ouro que revestia o santuário em algumas partes ou qualquer outra riqueza ou objeto caro que estivesse dentro do templo, ou mesmo de qualquer oferta que estivesse sobre o altar, um voto ou uma promessa feita sob juramento deveria ser cumprida.

No entanto, por não enxergarem o sentido dos mandamentos da Lei mosaica, os mestres da Lei e fariseus estavam sutilmente ensinando que as riquezas e bens materiais que haviam dentro do templo eram mais valiosos do que o próprio santuário.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


domingo, 18 de abril de 2021

Hipocrisia das lideranças - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3


Neste texto, veremos a terceira parte do discurso que o Senhor Jesus fez no templo de Jerusalém, depois de ter sido abordado pelos mestres da Lei e fariseus pela última vez, antes de ser preso. 

Esta parte do capítulo 23 do Evangelho de Mateus é composta por sete julgamentos feitos por Cristo, com relação ao procedimento da liderança religiosa de Israel, e que, por sinal, são palavras bem duras e contundentes, mas totalmente verdadeiras.

Vale lembrar que os líderes religiosos estavam ali presentes, juntamente com os discípulos e a multidão que cercava o Mestre dentro do templo, testemunhando todo o discurso, e que, também, as acusações que o Messias faria contra as lideranças israelitas já estavam preditas, as quais aconteceriam quando Ele viesse:

"Eu ainda faço denúncias contra vocês", diz o Senhor, "e farei denúncias contra os seus descendentes." (Jeremias 2:9)

Vamos conferir abaixo as duas primeiras acusações feitas pelo Senhor contra os fariseus e mestres da Lei, no seu último dia de ensino no templo de Jerusalém:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente." (Mateus 23:13,14)

Como vemos, Cristo não poupou palavras, julgando aquilo que os fariseus e mestres da Lei estavam fazendo com a nação de Israel. A responsabilidade maior recaía sobre eles, pois tudo o que diziam e faziam era considerado regra e exemplo para todo o povo. Assim, o Senhor expôs publicamente, e pela última vez diante de uma multidão, todo o procedimento equivocado e enganoso daqueles homens.

A primeira acusação de Jesus contra eles foi "vocês estão impedindo aqueles que desejam entrar no Reino dos céus de fazê-lo e nem vocês mesmos estão querendo entrar nele". Esse julgamento é grave, haja vista que a nação de Israel foi planejada por Deus para representar o Reino de Deus na terra até a vinda do Messias. Israel deveria ser uma nação gloriosa e ser um exemplo para as outras nações em todas as áreas, especialmente na submissão ao Criador de todas as coisas.

Por conta disso, todo israelita deveria desejar ardentemente o Reino de Deus, não somente por saber da existência dele pelas escrituras, mas também por ter a incumbência de anunciar às outras nações da terra que Deus enviaria um Justificador, para que todos os que cressem em sua mensagem e sacrifício pudessem entrar nesse lugar gratuitamente.

No entanto, o que estava acontecendo, já há muitos anos, ainda antes do Messias chegar, era exatamente o oposto. Devido à influência das lideranças, a maioria das pessoas apegou-se às práticas religiosas como uma realidade absoluta, esquecendo de que os livros da Lei e as palavras ditas pelos profetas apontavam (e ainda apontam!) para a realidade do Reino de Deus, que era espiritual e muito superior a deste mundo. Além disso, as Escrituras mostravam que o Messias viria para justificá-los e reinar para sempre sobre eles, como, de fato, observamos que aconteceu.

Com o tempo, os mestres da Lei e fariseus foram agregando regras novas àquelas já determinadas por Deus nos mandamentos da Lei e fazendo delas seu meio de justificação diante d'Ele. Isso entristecia profundamente ao Senhor.

A segunda acusação que Cristo fez às lideranças israelitas foi "vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações". Em miúdos, isso significa que, por causa do amor ao dinheiro, aqueles homens não poupavam nem os mais necessitados na sociedade, a fim de manter seu alto padrão de vida. 

Quando Cristo fala das viúvas, Ele está se referindo especialmente aquelas com mais idade, que já não se casariam novamente e não eram abastadas financeiramente. Portanto, mulheres nessa situação precisavam da ajuda dos filhos para se manterem. No livro de Êxodo há um aviso em relação ao que aconteceria com quem desprezasse ou deixasse de ajudar viúvas e crianças órfãs:

Não prejudiquem as viúvas nem os órfãos; porque se o fizerem, e eles clamarem a mim, eu certamente atenderei ao seu clamor. (Êxodo 22:22,23)

Então, desconsiderando os mandamentos da Lei e criando novas regras, e fazendo o povo acreditar que elas eram agradáveis a Deus, aqueles homens faziam com que o povo lhes entregasse mais dinheiro ou mantimentos do que a Lei instituída pelo próprio Deus já determinava.

Visto que a maior parte dos procedimentos no templo não eram feitos publicamente, sendo presenciados apenas pelos sacerdotes, as lideranças religiosas precisavam agir de uma maneira que convencessem o povo de que estavam em plena comunhão com o Senhor. Desta forma, eles se exibiam orando por horas nas ruas para que todos vissem. Isso fazia com que o povo confiasse totalmente neles.

Ensinando os discípulos em falas anteriores, o Senhor Jesus tanto alertou sobre como deveríamos proceder quando estivéssemos falando com o Pai, como também expôs alguns dos descumprimentos à Lei mosaica que os fariseus estavam provocando, ao manterem as "tradições" que foram sendo criadas nos últimos cinco séculos antes da vinda do Senhor. Vejamos nos trechos a seguir:

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. (Mateus 6:5,6)

Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. (Mateus 15:3-6)

Lembrando que "honrar pai e mãe", segundo a Lei Mosaica, não é somente respeitar a autoridade deles, mas também sustentá-los financeiramente quando estiverem em idade avançada (pois naquela época não existia aposentadoria) e cuidar deles. Os mandamentos da Lei não ensinavam ao povo de Deus a dar como oferta no templo aquilo que seria a parte cabível ao sustento dos pais idosos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


quarta-feira, 31 de março de 2021

Só há um Mestre - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 1


Este capítulo do evangelho de Mateus mostra o episódio em que, dias antes de sua prisão, Jesus ainda estava ensinando no templo em Jerusalém. A situação aqui se dá logo após o último confronto que o Senhor teve com os fariseus dentro daquele lugar. Então, estando cercado por seus discípulos e uma grande multidão ali, Ele começa um discurso, onde julga a desobediência e incredulidade das lideranças de Israel e fala a respeito do que sobreviria aquela nação por rejeitar a Deus. 

Vejamos o que Cristo disse, entre os versículos 1 e 8:

Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. "Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’. "Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. (Mateus 23:1-8)

Observando com atenção o início do seu discurso, vemos que Jesus começou dizendo às pessoas que, por estarem em posição de autoridade (pois estavam estabelecidos no lugar de liderança que inicialmente pertencia a Moisés), os fariseus e mestres da Lei eram dignos de serem ouvidos e obedecidos. O Mestre disse isso porque a insubmissão às autoridades é transgressão à justiça de Deus e traz condenação e juízo sobre a vida de quem se comporta dessa forma. 

A única exceção acontece quando uma autoridade obriga os indivíduos a NÃO SE SUJEITAREM A DEUS ou NÃO PRIORIZAREM A JUSTIÇA DE DEUS. Nesse caso, as pessoas que conhecem a Deus devem seguir o exemplo do profeta Daniel, ou dos jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego, por exemplo, que, arriscando perderem suas vidas, não obedeceram a certos decretos reais, por esses colocarem o Deus Criador em segundo plano. Leia sobre esses acontecimentos no capítulo 3 e 6 do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento).

Os fariseus e mestres da Lei não obrigavam o povo a, frontalmente, contrariarem os mandamentos da Antiga Aliança, no entanto eles mesmos não consideravam tudo o que estava nas Escrituras e desobedeciam "sutilmente" muitos dos decretos que Deus havia instituído. Além disso, ainda acrescentavam "outras obrigações" aos mandamentos, como se estes não fossem suficientes para reger o povo plenamente. Por isso, Cristo alertou a todos que eles eram movidos por suas vaidades e obstinações, assim sendo, aquelas lideranças não serviam de exemplo ao povo.

Cristo também alertou às pessoas sobre o orgulho que os fariseus e mestres da Lei tinham de serem chamados e reconhecidos como rabis (mestres). Aqueles homens achavam que sabiam tudo e se envaideciam nisso. O problema é que nem o Apostolo Paulo de Tarso, considerado um dos homens mais cultos e instruídos nas Escrituras Sagradas, sabia tudo sobre Deus e Sua Justiça.

Por este motivo é que o Senhor Jesus reprovou a conduta dos líderes religiosos de Israel, que estavam cheios de soberba em seus corações. Ele lembrou ao povo que só havia um Mestre – uma pessoa que sabe tudo –, que é o próprio Deus, e que todos os seres humanos, tanto os que sabem mais quanto os que sabem menos, deviam tratar uns aos outros igualmente, sem fazer acepção, vivendo como irmãos.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




terça-feira, 30 de março de 2021

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração.


Neste texto, vamos analisar uma passagem bíblica que descreve o último confronto de Jesus com as lideranças religiosas de Jerusalém, antes de sua prisão. O episódio se encontra descrito no evangelho de Mateus, capítulo 22, dos versículos 34 ao 46.

Como sabemos, após descobrirem que Jesus Cristo seria uma grande ameaça à continuidade de suas regalias e status, as lideranças de Israel trabalharam duro para calarem o Senhor, de muitas formas.

Então, até aqui, os fariseus, os herodianos e os saduceus já tinham tentado fazer Cristo tropeçar nas palavras, contudo sem sucesso. Após aquele último confronto, que descrevi em postagem anterior, os líderes religiosos de Israel desistiram de tentar fazer o Senhor Jesus tropeçar nas palavras e começaram a pensar numa outra maneira de pará-lo.

Mas, voltando à passagem que estamos estudando, vamos analisar a primeira parte da conversa que eles tiveram:

Ao ouvirem dizer que Jesus havia deixado os saduceus sem resposta, os fariseus se reuniram. Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Respondeu Jesus: "‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas". (Mateus 22:34-40)

Desta vez, os fariseus fizeram uma pergunta bem capciosa ao Senhor. Eles esperavam que perguntando a Jesus qual era o "maior mandamento da Lei", Ele responderia com uma das ordenanças que continha "mais informações ou mais palavras" e não com aquele ponto da Lei que tinha mais importância que os outros.

Se Jesus tivesse mesmo interpretado literalmente aquilo que os fariseus estavam lhe perguntando, sua resposta seria recitar os 10 mandamentos que iniciam a Torah, os quais foram dados a Moisés no monte Sinai. Em hebraico os textos não contém pontuação, como na língua portuguesa, por exemplo, e, dessa forma, os dez mandamentos eram para os israelitas como se fossem um só, sintetizando todo o conteúdo da Lei, que contém ao todo 613 mandamentos. Tanto é assim que os dez mandamentos também são chamados por eles simplesmente de "As dez palavras" ou "Os dez ditos".

Porém, a resposta de Jesus aos fariseus foi com outro trecho da Lei Mosaica, que está no livro de Deuteronômio, capitulo 11, verso 1: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento" (o primeiro e maior mandamento em grau de importância), e com um trecho do livro de Levítico, capitulo 19, verso 18: "Ame o seu próximo como a si mesmo" (o segundo maior mandamento em grau de importância). Pode até não parecer à primeira vista, mas é nesses dois mandamentos que os preceitos da Antiga Aliança estão embasados, até mesmo aqueles onde Deus ordena a punição de alguém com a morte.

Quando ouvem que "Deus é Amor", muitos pensam que amar a Deus e ao próximo se refere a sentimentos. Porém, o amor de Deus (ou o amor ao qual Deus se refere no inicio dos dez mandamentos) não provém daquilo que sentimos por Deus ou pelos outros, mas sim da JUSTIÇA DE DEUS, que é um conjunto de preceitos que são totalmente ISENTOS DE MALDADE e que nunca mudam, seja qual for a circunstância ou os sentimentos envolvidos na situação. Esses preceitos não estão claros na Lei Mosaica, pois só foram esclarecidos por Jesus Cristo e pelos Apóstolos, na Nova Aliança.

É por isso que, por mais estranho que possa parecer à primeira vista, os mandamentos punitivos também expressam o Amor a Deus e ao próximo. Isso acontece porque naquela época ainda não havia uma justificação disponível para a maldade que está dentro dos seres humanos, e a única maneira de eliminar a operação da maldade do meio dos israelitas era a punição com a morte, em certos casos.

As pessoas que eram condenadas à morte antes da vinda de Cristo podiam até estar arrependidas, mas não havia justificação aceitável para seus atos diante de Deus. E os sacrifícios de animais, que também estão na Lei, não justificavam o povo de suas transgressões contra a Justiça eterna, mas serviam tão somente para lembrar o povo que Deus iria lhes enviar uma justificação plena no futuro.

Assim, era obrigação de todos aprenderem e cumprirem os mandamentos da Lei, para que a operação da maldade (que Deus odeia!) não prevalecesse no meio do povo, até que chegasse o Messias, o qual viria para pagar os pecados de todos, e não somente dos israelitas. E era nesse contexto que a liderança de Israel estava completamente ignorante naquele momento.

Quando Jesus veio e foi sacrificado, ele trouxe uma justificação aceitável diante do nosso Criador para a maldade que está operando dentro de nós e que nos faz transgredir a Justiça de Deus, sem que possamos discernir isso.

Dali por diante, o cumprimento dos mandamentos da Lei Mosaica não se fez mais necessário, tendo em vista que Jesus já veio, e que os preceitos da Justiça de Deus revelados por Ele são superiores e bem mais "suaves e leves" de se cumprir ("O meu jugo é suave e o meu fardo é leve" - Mateus 11:30). Alguns deles são idênticos aos da Antiga Aliança, porém, são embasados num outro mandamento estabelecido pelo Senhor Jesus, que diz o seguinte: "Amem-se uns aos outros como eu amei (amo) vocês". Esse mandamento muda totalmente o sentido de como será o nosso relacionamento com Deus e com o próximo.

Também é bom termos em mente que os mandamentos do REINO DE DEUS (ou da justiça de Deus) são anteriores à Lei Mosaica, e era com base nesses preceitos que a humanidade vivia antes de Adão pecar contra eles.

Portanto, é importante que busquemos entender os preceitos da justiça de Deus revelados por Cristo em seu ensino, e renovarmos os nossos entendimentos com eles, pois o AMOR DE DEUS é exatamente A SUA JUSTIÇA, e não um conjunto de sentimentos que variam conforme mudam as situações. 

Foi por esse motivo que, para finalizar aquela conversa, Jesus fez duas perguntas aos fariseus:

Estando os fariseus reunidos, Jesus lhes perguntou: "O que vocês pensam a respeito do Cristo? De quem ele é filho?" "É filho de Davi", responderam eles. Ele lhes disse: "Então, como é que Davi, falando pelo Espírito, o chama ‘Senhor’? Pois ele afirma: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: "Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés"'. Se, pois, Davi o chama ‘Senhor’, como pode ser ele seu filho?" Ninguém conseguia responder-lhe uma palavra; e daquele dia em diante, ninguém jamais se atreveu a lhe fazer perguntas. (Mateus 22:41-46)

Com essas perguntas o Senhor Jesus acabou expondo a ignorância dos fariseus com relação à real procedência do Messias, que eles deveriam estar preparados para receber. Apesar de os fariseus se gabarem de conhecer as Escrituras, demonstraram ignorância ao não conseguir responder as perguntas do Senhor.

Segundo a Lei e os profetas, o Cristo deveria vir até nós como um ser humano, para cumprir, nele mesmo, tudo o que havia sido decretado pelo Pai, a fim de restaurar o homem à sua condição inicial de "filho de Deus". Desta forma, deu a todos a oportunidade de receber a justificação da maldade que há dentro de seus corações.

E se também Ele deveria cumprir o que havia sido dito pelos profetas a respeito de quem Ele seria descendente neste mundo, logicamente Ele teria que nascer de uma mulher virgem (Gênesis 3:15, Isaías 7:14), e que fosse descendente da tribo de Judá (Genesis 49:10), e que, obviamente, seria uma parente (bem distante) do Rei Davi (2Samuel7:12,13). Essa mulher foi Maria, a qual os fariseus simplesmente ignoraram a origem (a genealogia de Maria encontra-se em Lucas 3:23-38).

Contudo, é bom lembrar que, apesar de parecer um ser humano comum à primeira vista, a procedência real de Jesus não era deste mundo, e sim dos Céus.

Desta forma, os preceitos que o homem Jesus usou para julgar situações e se comportar não eram somente os da Antiga Aliança. Apesar de Ele precisar cumpri-la, colocava os mandamentos do Reino de Deus em primeiro lugar.


Texto: Miss. Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa

sábado, 6 de fevereiro de 2021

A pedra que os construtores rejeitaram

O momento em que o Pai enviou Seu Filho Unigênito foi exato. Deus não falha jamais. O fato de Jesus não ter sido reconhecido e sofrer rejeição pela maioria dos judeus, especialmente pelas lideranças, mostra que Cristo veio na hora certa. 

Muitas pessoas ficam indignadas ao lerem os evangelhos e saberem a forma como o Senhor foi recebido e tratado em sua própria nação. No entanto, se não tivesse acontecido daquela forma, as informações contidas no Antigo Testamento seriam falsas. Tudo o que aconteceu com Jesus foi predito através dos profetas da Antiga Aliança.

Segundo o conteúdo do Antigo Testamento, o justificador da humanidade nasceria em Israel, no seguinte contexto: os israelitas estariam dominados por uma outra nação e, portanto, não teriam um rei, além de estarem influenciados por lideranças religiosas corrompidas.

Por isso, o Pai preparou "um homem especial", que não se abalaria com o que iria enfrentar e seguiria até o fim com seu trabalho, sem desanimar. No trecho que vamos analisar a seguir, Jesus estava em Jerusalém, no templo, no meio de um confronto com os líderes religiosos:

Ouçam outra parábola: Havia um proprietário de terras que plantou uma vinha. Colocou uma cerca ao redor dela, cavou um tanque para prensar as uvas e construiu uma torre. Depois arrendou a vinha a alguns lavradores e foi fazer uma viagem. Aproximando-se a época da colheita, enviou seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe pertenciam. Os lavradores agarraram seus servos; a um espancaram, a outro mataram e apedrejaram o terceiro. Então enviou-lhes outros servos em maior número, e os lavradores os trataram da mesma forma. Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: ‘A meu filho respeitarão’. Mas quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo e tomar a sua herança’. Assim eles o agarraram, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Portanto, quando vier o dono da vinha, o que fará àqueles lavradores? Responderam eles: Matará de modo horrível esses perversos e arrendará a vinha a outros lavradores, que lhe deem a sua parte no tempo da colheita. (Mateus 21:33-41)

Essa, na verdade, é a segunda parábola que Jesus contou aos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei, após ser abordado por eles enquanto ensinava no templo, em Jerusalém. 

Na primeira, o Senhor fala de um Pai que tinha dois filhos, um que fez a sua vontade e o outro não, comparando o filho que atendeu o pai aos publicanos e prostitutas, e aquele que não atendeu aos líderes religiosos (leia o texto anterior "De onde é o batismo de João?").

Agora, o Mestre fala de um certo proprietário de terras que plantou uma vinha, arrendou-a a alguns lavradores e viajou. Os significados por trás das palavras na parábola são os seguintes: a vinha é a aliança que Deus tinha feito com Abraão; a cerca são os mandamentos que Ele havia dado a Moisés; o tanque e a torre se referem ao templo; os lavradores são os sacerdotes e mestres da Lei, e os servos que o dono da vinha enviou são os profetas.

Quando Jesus falou do "filho do dono da vinha" estava falando de Si mesmo e já predizendo o que estava para acontecer. É realmente curioso ver que os líderes religiosos entenderam bem o raciocínio da história e deram uma resposta sensata ao Senhor e, apesar de saberem que o Mestre estava falando deles, foram incapazes de perceber que as parábolas declaravam tudo o que eles pretendiam fazer com Jesus e também o castigo que eles sofreriam depois.

Jesus lhes disse: "Vocês nunca leram nas Escrituras? ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isso vem do Senhor, e é algo maravilhoso para nós’. "Portanto eu lhes digo que o Reino de Deus será tirado de vocês e será dado a um povo que dê os frutos do Reino. Aquele que cair sobre esta pedra será despedaçado, e aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó". Quando os chefes dos sacerdotes e os fariseus ouviram as parábolas de Jesus, compreenderam que ele falava a respeito deles. E procuravam um meio de prendê-lo; mas tinham medo das multidões, pois elas o consideravam profeta. (Mateus 21:42-46)

E assim como fez em momentos anteriores, mais uma vez o Mestre cita um trecho das Escrituras, para chamar a atenção daqueles senhores, quando falou "a pedra que os construtores rejeitaram..." (veja Salmos 118:22,23).

Ele ainda avisou que esta pedra (Ele mesmo) traria juízo para aqueles que a rejeitassem, despedaçando os que caíssem sobre ela (ou tropeçassem nela), por não quererem enxergá-la, e transformando em pó os que estivessem embaixo dela quando caísse, por tentarem derrubá-la. Isso está predito no livro do profeta Isaías, que diz:

"Ao Senhor dos Exércitos é que vocês devem considerar santo, a ele é que vocês devem temer, dele é que vocês devem ter pavor. Para os dois reinos de Israel ele será um santuário, mas também uma pedra de tropeço, uma rocha que faz cair. E para os habitantes de Jerusalém ele será uma armadilha e um laço. Muitos deles tropeçarão, cairão e serão despedaçados, presos no laço e capturados." (Isaías 8:13-15)

Assim, apesar de saberem que Jesus estava se referindo a eles nas parábolas e estar avisando o que lhes sobreviria devido à sua incredulidade, aquelas lideranças israelitas ainda procuraram prender o Senhor e só não o fizeram naquele momento por causa do povo, de quem não queriam perder o prestígio. 

De fato, tudo aconteceu como foi predito: o Reino de Deus foi anunciado primeiro aos israelitas. Como a grande maioria do povo e também as autoridades rejeitaram o Messias, cerca de 40 anos após a sua morte e ressurreição aconteceu a destruição de Israel. Os israelitas que ficaram vivos se espalharam pelas outras nações da terra e a anunciação do Reino de Deus, que deveria ser feita pelos judeus, continuou sendo feita por outros povos.

Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

sábado, 30 de janeiro de 2021

Jesus em Jericó

Seguindo viagem para Jerusalém, Jesus e seus discípulos passaram pela cidade de Jericó. E lá, com toda a certeza, o Cristo prosseguiu dando testemunho de Seu Reino. 

Então, ao saírem daquela cidade, uma grande multidão, maravilhada, seguia o Senhor, na expectativa de ver e receber d'Ele as curas e libertações que necessitava, e também ouvir o que Ele tinha a declarar acerca do Reino de Deus.

Em um determinado momento, dois cegos que estavam à beira do caminho, ao saberem que Jesus ia passando por ali, começaram a chamá-lo e, gritando alto, pediram a Ele que tivesse misericórdia de suas situações.

Ao saírem de Jericó, uma grande multidão seguiu a Jesus. Dois cegos estavam sentados à beira do caminho e, quando ouviram falar que Jesus estava passando, puseram-se a gritar: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!" A multidão os repreendeu para que ficassem quietos, mas eles gritavam ainda mais: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!" (Mateus 20:29-31)

Provavelmente as pessoas que seguiam Jesus achavam que Ele era um profeta e não entendiam o poder e a autoridade que tinha, também não entenderam que aqueles dois homens cegos sabiam que podiam ser curados pelo Senhor, pois estavam crendo que Ele era o Messias – isso podemos ver pela forma como eles chamaram a Jesus, gritando: "Senhor, Filho de Davi" –, o que fez com que Cristo notasse a fé deles e fosse atendê-los.

Jesus, parando, chamou-os e perguntou-lhes: "O que vocês querem que eu lhes faça?" Responderam eles: "Senhor, queremos que se abram os nossos olhos". Jesus teve compaixão deles e tocou nos olhos deles. Imediatamente eles recuperaram a visão e o seguiram. (Mateus 20:32-34)

O pedido daqueles dois homens foi prontamente atendido, para a surpresa e espanto de todos à sua volta. Naquela época, pessoas deficientes, apesar de não serem tratadas da mesma forma como aquelas que tinham doenças contagiosas, estavam à margem da sociedade, por não terem condições de trabalhar, assim como os outros, e geralmente eram desdenhadas pela maioria.

Por isso, quando eles começaram a gritar por Jesus, imediatamente a multidão tentou impedi-los, pois imaginava estarem atrapalhando o momento.

Portanto, ao dar atenção aos dois cegos e ainda por cima curá-los, o Rei Jesus mostrou a todos que os princípios do Reino de Deus são totalmente diferentes daqueles operantes no mundo, e que onde ele se encontra estabelecido ou manifesto, independente de qual seja a condição em que o indivíduo esteja no mundo, há cura disponível e saúde plena para todos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Quer ser perfeito?

No trecho que vamos estudar aqui, veremos a conversa que um jovem judeu, de muitas posses, teve com Jesus e também as explicações que o Senhor dá em seguida sobre as consequências que o apego às coisas do mundo traz às pessoas.

Essa passagem tem sido usada como tema de muitas pregações até os dias de hoje, nos revelando informações importantes que precisamos considerar cuidadosamente.

De acordo com o mundo, onde normalmente os indivíduos não tem conhecimento de como funciona a justiça de Deus, é comum se pensar que podemos alcançar dele misericórdia (para os que acreditam que Ele existe) através de bons atos ou obras de caridade, independente da religião que professamos. 

O pensamento daquele jovem que abordou o Senhor, apesar de ser judeu, não era diferente:
Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: "Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?" Respondeu-lhe Jesus: "Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos". "Quais?", perguntou ele. Jesus respondeu: "‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’ e ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’". Disse-lhe o jovem: "A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?" (Mateus 19:16-20)
O rapaz não estava convencido de que somente cumprir os mandamentos era o suficiente para ter a vida eterna, por isso perguntou a Jesus o que poderia ser feito "a mais", de forma que Deus se agradasse dele. Talvez ele estivesse pensando que o fato de usar sua fortuna para fazer a caridade fosse compensar o peso dos seus pecados diante do Pai.

Porém, o Mestre lhe respondeu o seguinte:
Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me". Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. (Mateus 19:21,22)
O Senhor Jesus, portanto, mostrou àquele jovem o que realmente ele precisava fazer, não somente para herdar a vida eterna, mas, para SER PERFEITO aos olhos do Criador: se desapegar das coisas do mundo e seguir o Filho de Deus. Como o foco do rapaz estava nos bens materiais que possuía, então Cristo lhe aconselhou a trocar suas riquezas por aquelas que Deus nos reserva em Seu Reino.

Porém, o apego do jovem aos seus bens era maior do que sua fé em Deus. Ele se entristeceu, após ouvir a resposta do Mestre, pois não estava disposto a se desfazer do poder que as riquezas materiais lhe proporcionavam, a fim de seguir a Cristo.

Após essa conversa com o jovem, e já se dirigindo aos seus discípulos, o Senhor explica que o apego ao dinheiro é o maior dos obstáculos a ser vencido dentro dos corações dos homens, para que estes entrem no Reino de Deus:
Então Jesus disse aos discípulos: "Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: "Neste caso, quem pode ser salvo?" (Mateus 19:23-25)
A cobiça ao dinheiro é o pecado mais comum entre os seres humanos. Por isso, os discípulos perguntaram a Cristo, após ouvirem dele que é muito difícil um rico entrar no Reino dos céus, quem poderia ser salvo.

Em sua primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo explica porque é tão difícil que uma pessoa apegada às riquezas do mundo se arrependa e alcance a salvação: porque o amor ao dinheiro É A RAIZ DE TODOS OS MALES E LEVA À APOSTASIA:
Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. (1Timoteo 6:9,10)
Portanto, o apego às riquezas materiais cega as pessoas espiritualmente, impedindo-as de se aproximem de Deus (ou afastando-as de sua presença) e de conhecerem a Ele em verdade. Lembrando que Cristo disse que era "muito difícil" para um indivíduo apegado aos bens materiais ser salvo, e não algo totalmente impossível. O poder da maldade não é maior que o poder de Deus, que pode sondar os corações.

Um bom exemplo de um homem rico que teve um encontro especial com o Rei Jesus e alcançou salvação foi Zaqueu, o publicano:
Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: "Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais". Jesus lhe disse: "Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido". (Lucas 19:8-10)
Retomando nosso raciocínio, visto que os seres humanos estão presos por seus pecados e não tem como salvar-se a si mesmos, o Pai presenteou toda a humanidade com o único caminho que leva à vida eterna, que é Cristo. 

Então, mesmo cumprindo os mandamentos da Lei Mosaica, os judeus ainda não estão limpos de seus pecados diante do Pai, e também carecem de uma justificação para, enfim, acessarem o Reino, que só pode ser obtida através da fé genuína em Jesus.

Por isso, o Mestre respondeu aos discípulos que para os homens é impossível conseguir a justificação sozinhos, mas para Deus, há uma maneira de nos tornar justos, pois para Ele tudo é possível:
Jesus olhou para eles e respondeu: "Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis". (Mateus 19:26)
Depois disso, Pedro ainda questiona Jesus sobre o que aconteceria aos seus seguidores, pois tinham deixado tudo para estar com Ele. De fato, apesar de todas as coisas que já tinham visto e ouvido do Senhor, naquele momento, os seus discípulos ainda não tinham entendido que seu mestre era realmente o Messias e queriam ter certeza de que não estavam cometendo um erro:
Então Pedro lhe respondeu: "Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?" - Jesus lhes disse: "Digo-lhes a verdade: Por ocasião da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, vocês que me seguiram também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna. Contudo, muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros. (Mateus 19:27-30)
Seguir corretamente pelo caminho da salvação envolve um desapego de tudo aquilo que nos impede de andar na reta justiça de Deus. Por isso, às vezes é preciso ir além da rejeição das obras da carne e da influência da maldade do mundo, especialmente por causa da perseguição que há sobre aqueles que professam a fé cristã, em determinados lugares do planeta.

Em certas situações, fica impossível para um cristão conciliar sua fé e a convivência com pessoas que não concordam com esta, pessoas tais que prosseguem nutrindo, dia após dia, o ódio por Cristo em seus corações. Nesses casos, muitas vezes os cristãos são obrigados a deixar seus familiares e bens, a fim de continuarem vivos, sem negar o Senhor.

Com relação aos discípulos de Cristo, a situação foi diferente: mesmo os casados tiveram que deixar seus trabalhos, o conforto de suas casas e o convívio com seus familiares e amigos durante os três intensos anos do ministério terreno de Jesus, a fim de seguir o Mestre e estar com Ele em todas as ocasiões, com o propósito de aprenderem dele e testemunharem seus feitos. Mas isso foi uma escolha deles, o Senhor não os obrigou a tomarem tal decisão.

O Rei Jesus garantiu aos discípulos que tudo o que estava registrado a Seu respeito, nas sagradas escrituras, estava se cumprindo, e que eles não perderiam nada, materialmente falando, muito pelo contrário.

Após a morte e ressurreição do Senhor, aqueles homens prosseguiram com suas vidas como antes, mas, desta vez, dando início à igreja cristã sobre a terra. Eles também estavam avisados de que seriam perseguidos até a morte, mesmo assim, seguiram em frente na anunciação do Reino.

No final de sua fala, quando o Senhor Jesus pontuou "muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros", ele se referia exatamente a essa dificuldade que muitos de seus seguidores teriam, com o passar do tempo, de continuarem professando sua fé por causa do ódio que o príncipe desse século tem de Cristo.

À medida que se aproxima o tempo da segunda volta de Jesus, a situação vai ficando mais difícil para os cristãos no planeta, por causa do aumento da maldade em todos os lugares. Isso torna ainda mais difícil abrir mão das propostas do mundo, como também aumenta a perseguição sobre aqueles que escolhem continuar na fé. Essa realidade vai igualar a situação que será experimentada pelos cristãos poucos anos antes da volta do Senhor com aquela vivida no início da igreja, pelos Apóstolos.

A forma que Deus julga as coisas não segue a lógica terrena, pois não se baseia na aparência. Portanto, o Mestre explica que serão recompensados primeiro aqueles que, na proximidade da sua volta, conseguirem dominar-se e rejeitar plenamente a operação da iniquidade que lhes cerca, ainda que em meio a grandes sofrimentos, a fim de se manterem firmes na fé e atenderem seus chamados.

Texto: Miss. Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Se o seu irmão pecar contra você...

Dentro do corpo de Cristo na terra não há ninguém perfeito ainda. Todos estão seguindo para o alvo, que é atingir a maturidade no conhecimento da justiça de Deus. No entanto, não basta só ter o conhecimento, é preciso colocá-lo em prática, pois sentimentos e desejos provenientes da carne precisam ser dominados em todo o tempo, para que uma pessoa alcance a maturidade na fé.

Então, apesar dos nossos esforços, vez ou outra podemos falhar e pecar contra alguém, ou alguém pode pecar contra nós, pois nem sempre conseguimos dominar a carne como gostaríamos. Porém, o Senhor Jesus não nos deixa sem instrução com relação a isso:

"Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’." (Mateus 18:15,16)

No trecho acima, Cristo alerta sobre a necessidade do arrependimento quando ofendemos nossos irmãos de alguma forma. O ensino de Cristo vale para todos, pois ninguém é melhor do que ninguém, e todos somos passíveis de cometer erros a qualquer momento.

Então o Senhor nos mostra que se algum ato de um irmão na fé está nos gerando algum desconforto, ou é algo recorrente, e que nos incomoda diretamente, a princípio devemos chamar a atenção desse indivíduo, com educação e em particular, apresentando-lhe os preceitos da justiça de Deus, para que haja arrependimento sincero.

O ideal seria que tal indivíduo se arrependesse nessa primeira conversa, mas isso pode não acontecer. E caso o sujeito não nos considere e continue a incomodar, o Senhor Jesus orienta que devemos fazer uma segunda tentativa de levar a pessoa ao arrependimento, conversando com ela na presença de mais uma ou duas pessoas de confiança.

Se mesmo assim, a pessoa que está sendo chamada à atenção ainda não considerar os fatos, o Mestre orienta que o caso deve ser exposto à congregação para que ela julgue a situação, e o irmão ou irmã seja admoestado(a) por todos. E se ainda assim, ele ou ela não se envergonhar nem se arrepender, deve ser tratado(a) por todos como uma pessoa descrente.

"Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano." (Mateus 18:17)

Esse conselho de Cristo é exclusivamente para os que estão congregando e prosseguindo em conhecer o Reino de Deus, portanto, não se aplica a descrentes ou simpatizantes da fé cristã que por ventura estejam frequentando as reuniões dos irmãos.

Assim sendo, se o comportamento de alguém, que se diz seguidor de Cristo, está transgredindo os princípios da justiça de Deus e incomodando ou ofendendo um ou mais irmãos dentro da congregação, tal pessoa é digna de ser confrontada e deve sim ser chamada à atenção, assim como o Senhor orienta, para que se arrependa e não atraia juízo sobre si.

"Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu." (Mateus 18:18)

Quando Jesus diz que tudo o que ligarmos ou desligarmos na terra terá sido ligado ou desligado nos Céus, Ele está mostrando que Deus nos dá autoridade para julgar. Se somos um com Cristo, e o Espírito Santo habita em nós, e estamos agindo de acordo com a reta justiça de Deus, então temos plena autoridade para julgar situações contrárias aos seus estatutos e, se for o caso, executar juízo sobre alguém.

No caso apontado aqui por Jesus, por exemplo, o juízo aplicado será "tratar a pessoa como um pagão ou publicano", caso ela não dê ouvidos e não se arrependa após a terceira admoestação. Pagãos e publicanos são considerados pessoas "descrentes" ou  que estão "fora da fé" em relação ao Reino de Deus, por isso Cristo dá essa orientação.

Lembrando que isso não significa que devemos ser indiferentes ou mal educados com os que não creem em Deus. Tratar a todos com educação e gentileza faz parte do fruto do espírito e é indispensável para testemunharmos corretamente o Reino a qualquer momento.

Cristo também diz:

"Se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus." (Mateus 18:19)

Dentro deste contexto, o verso acima nos mostra que, caso necessário, o Pai poderá executar um julgamento sobre alguma situação difícil pela qual a congregação irá apresentá-la a Deus, a fim de que Ele tome as devidas providências em tempo oportuno.

No livro de Atos dos apóstolos, uma situação chama a atenção quando falamos de julgamento e execução de juízo dentro da igreja do Senhor: o caso de Ananias e Safira. O casal vendeu um imóvel e decidiu entregar como oferta aos apóstolos somente uma parte do valor que haviam recebido, mas afirmando que era o valor total.

O problema foi que aquela mentira ofendia profundamente todos os irmãos, além de ofender o Senhor diretamente. Então, quando Pedro confrontou Ananias no momento em que recebia a oferta, ele e os outros apóstolos já estavam sabendo por quanto o imóvel havia sido vendido. Assim, por causa da gravidade da situação, o casal foi direta e rapidamente julgado pelo Pai, que estava sondando seus corações e não viu arrependimento neles.

Então, para concluir, o Senhor Jesus nos lembra que se apenas duas pessoas estiverem juntas e unidas em Nome dele em qualquer lugar, Ele estará ali com elas em espírito (veja em Mateus 18:20).

Com isso, Ele está advertindo que, por causa da presença dele, nossos atos serão julgados com mais rapidez e também com maior rigor. O apóstolo Paulo lembra essa situação em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, quando fala sobre a ceia do Senhor (leia 1Corintios 11:23-32). 

Saber e entender estes princípios é de crucial importância para que nossas atitudes sempre gerem louvor ao Pai em qualquer ocasião, especialmente quando convivemos uns com os outros por causa da fé.

Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa





quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O cuidado de Cristo com os iniciantes na fé.

No início do capítulo 18 do evangelho de Mateus, Cristo estava em sua casa com seus discípulos, em Carfanaum. Este é o momento que se segue logo após a conversa sobre o pagamento do imposto do templo, que finaliza o capítulo 17.

No trecho que vai do versículo primeiro ao décimo quarto, o Senhor Jesus Cristo ensina coisas importantes sobre como Deus trata pessoas que ainda estão no início da fé, as quais são, também, chamadas de "neófitos" pelo Apóstolo Paulo, em sua primeira carta dirigida a Timóteo (1Tm 3:6). 

Ao longo do texto, Cristo expõe quatro situações importantes: a primeira é que no Reino de Deus não há e não entra MALDADE; por isso, quem deseja fazer parte desse lugar precisa estar totalmente limpo (ou justificado) da presença do mal.

Lembrando que "maldade" (ou injustiça), segundo a realidade do Reino, é todo o conhecimento ou informação contrária aos preceitos da justiça de Deus, e que dentro do coração do homem tem a capacidade de fazê-lo transgredir tais preceitos. 

Enquanto crianças, os corações das pessoas geralmente estão ainda limpos com relação à maldade que opera no mundo (ainda que na carne ela já esteja presente). Então, eis aqui também mais um motivo pelo qual o Senhor falou aos seus discípulos que, para poder entrar em Seu Reino, é necessária uma "conversão" que leve as pessoas a serem como crianças.

Portanto, o Mestre explica, usando uma criança como exemplo, que quem deseja fazer parte do Reino de Deus precisa rejeitar todo o conhecimento advindo da maldade ao seu redor e também dentro de si, até que seu coração esteja como o de uma criancinha, que ainda não recebeu as informações que pervertem a justiça de Deus provenientes do mundo.

Ele diz: "...a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus."

A rejeição do conhecimento do bem e do mal (maldade) faz parte do processo da renovação do entendimento ou da mente, sobre o qual também o apóstolo Paulo explica em sua carta aos cristãos de Roma (Leia Romanos 12:2).

No entanto, esse processo só acontece de fato em quem experimenta o novo nascimento pela fé em Cristo Jesus. Quem não está verdadeiramente justificado (ou quem não é nascido dentro do Reino de Deus) jamais consegue rejeitar a operação da maldade, pois não conhece nem entende os princípios da justiça de Deus revelada por Cristo, tampouco compreende o poder e a autoridade provenientes dessa justiça perfeita.

O segundo ponto do ensino de Cristo é que no Reino de Deus há uma hierarquia entre as pessoas. Ele mostra que lá existe "alguém maior" e "alguém menor", em se tratando de poderio ou autoridade. E quem possui maior autoridade no Reino são aqueles que, enquanto estiveram na terra, foram pessoas HUMILDES.

Porém esta humildade sobre a qual o Senhor está falando não se trata de um status econômico, ou seja, não se refere à pobreza financeira, mas significa que o indivíduo esteve sempre disponível para servir os outros e para aprender e, especialmente, entendeu e se manteve submisso à autoridade de Deus.

Durante a infância, as pessoas normalmente estão mais abertas para serem corrigidas e para aprender e normalmente são submissas aos seus superiores (pais ou responsáveis). Foi por este motivo que Cristo disse que "o maior no Reino dos céus é quem se faz humilde como uma criança".

O Senhor Jesus aponta também uma terceira questão: receber uma criança que vem em nome dele é o mesmo que recebê-lo. Com isso, Ele está expondo duas situações especiais relacionadas ao início da fé cristã: a primeira é com relação às crianças que já creem em Jesus, e a segunda se relaciona a pessoas que somente depois da infância vieram a ter um encontro com Cristo, e ainda não entendem bem o Reino de Deus.

Os indivíduos que se encontram nesses estágios são vulneráveis à ação de pessoas mal intencionadas, pois ainda não têm maturidade no entendimento da justiça de Deus, podendo ser facilmente levados a receber doutrinas falsas, como se fossem vindas de Cristo. Infelizmente, sabemos que no meio do povo de Deus existem muitas pessoas que fingem estar na fé cristã, mas cujo propósito não é atrair as pessoas para Cristo e sim para si mesmas.

O Senhor Jesus avisa que todos os que fizerem tropeçar qualquer um desses, que ainda estão iniciando na fé receberão um juízo bem pesado, pois diz "melhor seria que amarrasse uma pedra de moinho ao pescoço e se afogasse nas profundezas do mar". O Mestre deixa claro que quem fizer mal a alguém que vem em Seu Nome, especialmente se forem neófitos, está ofendendo diretamente a Ele e é digno de um severo juízo.

Em outras traduções da Bíblia também pode ser achada a expressão "causar escândalo" ou a palavra "escandalizar" em vez de "fazer tropeçar". Ambas as proposições estão se referindo à mesma situação, que é afastar as pessoas de Deus, impedindo-as de conhecer e entender o Seu Reino, com ensinamentos que contrariam os princípios de sua reta justiça. Pessoas que agem dessa forma tanto estão tropeçando como também fazem os outros tropeçar, por não entenderem o Reino de Deus e a sua justiça.

Cristo diz, no entanto, que falsos mestres podem chegar a se arrepender de suas práticas, se alcançarem o entendimento do Reino de Deus de fato. Ele diz que, quando isso acontece, tais indivíduos precisarão abdicar daquilo que lhes alimenta o ego ou das coisas que satisfazem suas vaidades. Assim, o Senhor compara todas as motivações que levam os falsos mestres a agir com os membros de seus próprios corpos, como as mãos, os pés ou os olhos:

"Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser lançado no fogo eterno. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no fogo do inferno." (Mateus 18:8-9)

Não é que, literalmente, um indivíduo que se arrependeu de atrair as pessoas para si tenha que tirar fora a mão ou o pé ou o olho; porém, o fato desse alguém confessar o seu pecado e abdicar da fama, do sucesso, do dinheiro e do poder que conseguiu enganando as pessoas – e aos quais já estava muito acostumado –, pode lhe fazer sofrer tanto quanto se tivesse arrancando um dos membros do seu corpo.

No versículo 10, Cristo toca em um quarto ponto que finaliza seu raciocínio: que estes pequeninos aos quais Ele se refere NÃO DEVEM SER DESPREZADOS. Como já vimos, os pequeninos são todos os indivíduos que ainda estão no início de sua fé e que não têm entendimento do Reino de Deus e da Sua justiça. Por causa disso, tais pessoas tanto podem ser facilmente enganadas como também podem se decepcionar facilmente com quaisquer situações, deixando de congregar.

Muitas vezes acontece desses indivíduos se afastarem e serem esquecidos ou desdenhados por aqueles que lideram as congregações. Os que se afastam, geralmente, são pessoas que adoecem ou estão se sentindo diminuídas por causa de algum pecado que não conseguem deixar de praticar; elas também podem estar tristes ou cansadas por causa de alguma tribulação que estejam passando, ou até magoadas ou indignadas, ou mesmo assustadas com alguma coisa que viram ou ouviram no meio eclesiástico, e então resolvem deixar de ir à igreja.

Ao deixarem de congregar, por estarem ainda sem o entendimento pleno do Reino de Deus e enfraquecidas na fé, tais pessoas voltam às suas antigas práticas mundanas ou se enveredam em novas situações que podem prendê-las nas trevas ainda mais do que antes. 

Então, o Senhor Jesus explica, através da parábola das cem ovelhas, que aqueles que estão responsáveis de cuidar desses indivíduos devem procurá-los e fazer o possível para reaproximá-los do convívio com seus irmãos, para que continuem aprendendo a Justiça de Deus e crescendo na fé verdadeira. 

Quem faz o trabalho pastoral deve ter em mente que as pessoas que ainda estão iniciando na fé precisam de um cuidado maior do que aquelas que já entendem bem o Reino. Deus as ama muito e não quer que nenhuma delas deixe de usufruir da perfeita realidade que Ele oferece a todos gratuitamente.

É claro que o nosso Criador conhece a situação de todas as lideranças. Certamente, Ele sabe quando alguém tem condições de resgatar um pequenino, mas não vai, e quando a situação não permitiria fazê-lo, ainda que, caso o fizesse, faria de bom grado.

Deus sabe todas as coisas e é justo para com todos. Ainda que os pastores de uma congregação não cheguem até às ovelhas feridas, em momentos de dificuldade, seja qual motivo for, o próprio Jesus irá ao encontro delas para socorrê-las e resgatá-las. No entanto, quem se omite de fazer sua parte tendo plenas condições de fazê-la, e não se arrepende disso a fim de corrigir seu erro, sofrerá as consequências de seus atos depois. 

Todos os que creem em Jesus são importantes para Ele, sem diferença. 


Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 7 de julho de 2020

O meu Reino não é deste mundo.

Essa fala de Jesus é esclarecedora em alguns aspectos para nós, que ouvimos e cremos na mensagem do evangelho.

No momento em que o Cristo fez essa afirmação, já tinha sido levado preso pelos soldados romanos e estava numa audiência, sendo interrogado pelo governador da província romana da Judéia, Poncio Pilatos.

A afirmação de Cristo que estamos analisando aqui, portanto, foi uma resposta aos seguintes questionamentos do governador:

"Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?" (João 18:33-35)

Então, o primeiro ponto que a afirmação do Rei Jesus esclarece é com relação ao conteúdo da mensagem do evangelho: a que ela está se referindo? Existem muitas mensagens religiosas sendo divulgadas pelo mundo afora, mas a verdadeira mensagem do evangelho ANUNCIA O REINO DE DEUS, e não filosofias ou pensamentos vindos de religiões.

O segundo ponto é que o reinado ou governo de Jesus Cristo não é baseado em princípios humanos ou na realidade que o mundo experimenta, mas está fundamentado no conjunto de Leis pelo qual a dimensão eterna ou espiritual e a nossa dimensão material foram criadas, e pelas quais as duas funcionam infalivelmente. Por este motivo é que tal governo não pode ser considerado religioso, e foi por isso que o Rei Jesus declarou a Pilatos: "O meu Reino não é deste mundo".

Então, vê-se claramente, pelo ensino de Cristo e pela manifestação do poder e autoridade que tinha e exibia na frente de todos, que aquilo que Ele estava anunciando era puramente o seu reinado ou governo e por quais princípios Ele reina ou governa.

O terceiro aspecto, é que apesar de Jesus Cristo ter sido enviado ao mundo dentro do judaísmo, Ele se colocou à parte da RELIGIÃO judaica. E isso notamos claramente quando ele diz "...para que eu não fosse entregue aos judeus...". Cristo estava em linha com os preceitos da Lei mosaica, que apontavam para o Seu Reino e para a necessidade de justificação que havia para quem desejasse fazer parte dele; no entanto, o Rei Jesus estava em desacordo com princípios religiosos, advindos da aparência do mundo e da maldade humana.

O quarto aspecto é sobre esta afirmação de Jesus sobre seu Reino: "mas agora ele não é daqui". Para quem não sabe, o Reino de Deus já foi deste mundo e era visível (Jardim do Éden), e esteve estabelecido em todo o planeta até antes do evento do Dilúvio. Durante esse evento, o Reino de Deus foi desligado da terra e então permaneceu totalmente ocultado da humanidade, até o momento em que Jesus Cristo veio até nós e passou a anunciá-lo em seu ministério.

Após o início da proclamação do Evangelho, o Reino de Deus e sua Justiça passaram a ser divulgados e ensinados em todo o mundo, sem, no entanto, ser exposto visivelmente, a fim de que a humanidade saiba da sua existência e também fique ciente de que há possibilidade de se adquirir cidadania permanente nele.

Tais informações são de extrema importância para todos, visto que no tempo determinado pelo nosso Criador Seu Reino voltará a ser instalado na terra e ficará VISÍVEL novamente, e desta vez para sempre (no livro de Apocalipse esse acontecimento é descrito como "um novo céu e uma nova terra" - Apocalipse 21:1). E quando esta etapa, que já está devidamente divulgada na Bíblia, se cumprir, quem não tiver adquirido a justificação disponibilizada pelo nosso Criador para ser oficialmente cidadão de Seu Reino ficará de fora dele em definitivo.

A justificação para a aquisição da cidadania no Reino só é possível se este não estiver sendo visto, pois no momento em que Ele é visualizado e conhecido plenamente já não há mais ignorância total sobre ele e, portanto, não há mais desculpa para a tolerância do descumprimento dos seus preceitos, que são ESSENCIAIS à manutenção da vida.

Por isso, Deus tem sido tolerante com a humanidade, pois o Seu Reino está sendo anunciado, porém, sem ser ainda visível. Foi essa a maneira única que Deus encontrou para nos dar a chance preciosa de entrar em seu Reino: ouvindo sobre ele, mas sem vê-lo, onde podemos ter ciência da existência dele (apenas) através da anunciação da mensagem de salvação pela fé em Jesus Cristo.

Quem crer na mensagem do evangelho e perseverar em se adequar à justiça de Deus revelada e ensinada por Cristo, sem, no entanto, estar vendo o Reino, está justificado (Leia 2Pedro capitulo 3). Nosso Criador não quer nos condenar, mas deseja que possamos desfrutar da realidade plena de seu Reino para sempre.

A expulsão do homem do Reino (Jardim do Éden), o juízo do Dilúvio (que destruiu todos os seres humanos na época, menos Noé e sua família) e a retirada do Reino de Deus da terra aconteceu exatamente por esta causa: a humanidade VIA o Reino e CONHECIA-O plenamente, no entanto, a maldade dentro de si os impedia de serem justos, ou seja, o conhecimento do bem e do mal dentro de si os impedia de agirem somente conforme os preceitos da legislação que opera nesse reino, QUE JÁ ERAM MUITO BEM CONHECIDOS POR TODOS.

Quando o ser humano tem a maldade dentro de si, e sabendo a verdade plenamente escolhe rejeitá-la, se torna hostil a si mesmo e ao seu próximo - esta era a realidade que a humanidade vivia até antes do juízo do Dilúvio (Gênesis 6:11); além disso, o ser humano que é completamente ciente da verdade e escolhe descumprí-la voluntariamente, entra em contenda perpétua com o Espirito de Deus (e passa a blasfemar contra Ele!), tornando-se seu inimigo (Gênesis 6:3, Romanos 8:18-32), por transgredir continuamente as bases legais pelas quais ele mesmo foi criado junto a todo o universo (Hebreus 10:26-39).

Missionária Oriana Costa.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O que é pior?


"Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:13-17)

O mundo vai de mal a pior. E prossegue colhendo todo o mal que semeou ao longo do tempo; contudo, não consegue enxergar isso. Pessoas estão morrendo rapidamente vítimas da Covid-19, e muitos dos habitantes da terra acham que a culpa dessas mortes é dos seus governantes, e pensam que seus governantes tem poder para impedir essa trágica situação e não estão fazendo tudo o que podem. É uma pena que estejam tão cegos pelo desespero.

O medo da morte ocasionada pela Covid-19 se espalhou pelo mundo como se antes desse mal as pessoas fossem imortais. Alguns estão falando que é inadmissível que alguém possa falecer vitimado por essa enfermidade. Mas, são pensamentos equivocados, movidos pela aparência da situação.

Até antes do Coronavírus aparecer, pessoas morriam todos os dias no mundo inteiro pelas mais diversas causas, e parece que de repente o mundo esqueceu disso. Agora só se morre de Covid, e isto tem que ser evitado a todo o custo.

Tenho uma notícia para dar, apesar de que eu acho que no fundo de seus corações as pessoas já sabem: os seres humanos vão continuar morrendo na terra, seja por causa desse novo vírus seja por quaisquer outras causas. Não há como impedir isso, por mais que se pesquise, por mais que os cientistas e estudiosos lutem desesperados tentando encontrar uma solução. 

E as vacinas? Não é um grande avanço da ciência? Se alguém acha que vacinas tornam as pessoas imortais, está precisando refrescar a memória. Tudo o que as vacinas contra Covid-19 podem fazer é impedir que a maioria dos indivíduos adoeçam gravemente dessa enfermidade, mas elas não impedem as pessoas de se contaminarem com o coronavírus e nem tornam as pessoas imunes à morte.

Mas, as filas de pessoas para serem vacinadas agora, quando o precioso líquido para tornar as populações imunes ao corona for liberado, vão dar a volta na terra. Vai ser um Deus nos acuda! Vai ter briga pelos primeiros lugares nessas filas. De fato, os países já estão brigando entre si para conseguirem os primeiros lotes de vacinas.

No entanto, depois de tudo, as pessoas vão continuar morrendo de outras causas, como sempre foi. A verdade é que ser humano nenhum deseja a morte, mas não tem poder algum para detê-la e está obrigado a passar por ela. 

O que ninguém consegue enxergar é que quando chega a hora de uma pessoa deixar esse mundo ela vai deixar, seja por um motivo ou por outro, mais cedo ou mais tarde. Bom seria que ninguém morresse, mas não é assim que as coisas funcionam com a maldade operando na terra.

O Coronavírus e os outros males terríveis que virão após ele só vão aumentando a lista de causas de morte, que JÁ EXISTE. Muitas UTIs e hospitais ao redor do mundo já trabalhavam sobrecarregados com tantos males acometendo os indivíduos antes de mais essa pandemia, como acontece aqui no Brasil, o país onde tenho vivido desde que nasci.

Agora, diante dessa calamidade, as autoridades estão tentando impedir a ação de um "inimigo invisível" com um sistema de saúde que já não conseguia dar jeito em muitos outros males, e que já trabalhava sobrecarregado; movidos pelo desespero e sem saber como lidar com isso, os governos  do mundo inteiro impedem as pessoas de saírem de casa para "atenuar a curva de propagação do vírus", e então pessoas são demitidas de seus empregos e muitos comércios fecham suas portas.

Em consequência dessa atitude, uma nova má situação se levanta: a crise financeira mundial. Então o que é pior? Uma grande discussão se levantou: O pior é adoecer e/ou morrer de Covid-19? O pior é não poder trabalhar, não ter dinheiro para pagar as contas, e não ter como pagar pelas necessidades básicas da família? - A verdade é que as duas situações são equivalentes. Nenhuma é pior que a outra. Ambas são muito ruins, fazem as pessoas sofrerem muito e matam.

Se olharmos para a crise financeira, em particular, veremos que ela traz consigo não só o aumento da pobreza, mas traz também o aumento da violência somado à perturbação mental. Se a violência doméstica aumentou devido à ocasião da quarentena, ela também aumenta onde há pobreza e pessoas perturbadas, impacientes, indignadas. E violência traz o quê? Morte!

Realmente é triste ver essa situação desoladora em que o mundo se encontra, mas é uma colheita que não vai parar. Quando o mundo pensar em respirar aliviado por ter conseguido dominar o Coronavírus, outras calamidades acontecerão, pois a "colheita" realmente não vai parar, e sabemos disso pelo que diz a palavra de Deus sobre o que acontecerá no tempo que antecede a volta de Jesus.

Quem não estiver com sua vida alicerçada na verdade vai se perder no medo, na confusão, no desespero, esperando salvação no lugar errado, sem ter para onde fugir. Sinto muito, mas a situação para o mundo sempre foi esta: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". 

O mundo nunca teve nem terá paz de verdade, pois ele está afundando em maldade. Se alguém deseja saber a verdade e desfrutar de paz verdadeira no meio do caos, só há um caminho: entrar no Reino de Deus pela fé em Jesus Cristo.

Missionária Oriana Costa.




sábado, 16 de maio de 2020

A parábola da rede lançada ao mar.


Desde que o Reino de Deus começou a ser anunciado abertamente, a partir do trabalho de Jesus Cristo, o número de pessoas que fazem parte da igreja cristã na terra prossegue aumentando com o passar do tempo. 

Hoje, observamos milhares de denominações cristãs espalhadas pelo planeta; o evangelho chegou a praticamente todas as nações, ainda que com muita perseguição, e em muitas delas mais de 50% da população se declara cristã.

No entanto, nem todo aquele que se diz adepto de uma religião cristã é realmente um cidadão do Reino de Deus. São verdadeiras cidadãs do Reino de Deus todas as pessoas que nasceram dentro dele pela fé em Jesus Cristo, e isso só pode ser discernido espiritualmente, através do conhecimento da Justiça de Deus que está revelado no ensino de Cristo. Pela aparência é impossível saber quem é ou quem não é um verdadeiro cristão.

Um indivíduo que está de fato sujeito ao governo do Rei Jesus Cristo discerne claramente e rejeita a operação da maldade, pois entende os princípios da Justiça de Deus revelados por Cristo em seu ensino. Mas, pessoas que não se sujeitam ao governo de Cristo, no entanto, podem ser confundidas com verdadeiros cristãos, pois suas ações embasadas pelas doutrinas religiosas encobrem suas reais situações espirituais.

Doutrinas religiosas são uma mescla dos valores do Reino de Deus com valores mundanos ou pagãos. Apesar da boa aparência que apresentam, essas doutrinas pervertem a Justiça de Deus e desviam as pessoas da verdade espiritual. Por isso, pessoas que embasam sua fé totalmente nesses conhecimentos ainda não entenderam a mensagem do evangelho e, portanto, ainda não receberam a justificação de suas transgressões diante do Criador; e isso significa que não podem ser consideradas cidadãs do Reino de Deus ou filhas de Deus.

Na parábola da rede lançada ao mar, portanto, entendemos que o mar são as nações da terra, e os peixes variados que nela estão representam os verdadeiros e os falsos cristãos. Quando a rede enche, é o momento que antecede a segunda vinda de Cristo, onde todas as nações da terra já conhecem o evangelho e o mundo já não dá mais espaço para que ele seja anunciado; assim, segue-se o juízo de todos os seres humanos.

O momento em que os pescadores puxam a rede para a praia e separam os peixes bons dos ruins é aquele onde Cristo reaparece na sua segunda vinda, mostrando-se a todos, e os que realmente se sujeitam ao seu governo são separados daqueles que não se sujeitam a Ele.

Assim acontecerá no fim desta era. Os anjos virão, separarão os perversos dos justos e lançarão aqueles na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.
(Mateus 13:49,50)

Nessa ocasião todas as pessoas do mundo ressuscitarão, pois Jesus Cristo homem (o filho do homem) foi ressuscitado pelo Pai, dando a todos os seres humanos o direito à ressurreição e imortalidade; porém, após esse processo, os verdadeiros cidadãos do Reino se juntarão ao Rei Jesus para sempre, ao passo que os falsos serão julgados e conduzidos a um local, que nesta parábola Cristo chama de "fornalha ardente", onde ali estarão condenados a permanecer separados do Criador perpetuamente.

Nesse lugar haverá um sofrimento que não terá fim, pois pessoas ressurretas são imortais, e isso significa que vão sentir a ânsia da destruição em si mesmas eternamente, pois não vão parar de existir ou funcionar como acontece com a matéria física.

Missionária Oriana Costa.

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...