Mostrando postagens com marcador ressurreição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ressurreição. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Aparições de Jesus - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 2


Como vimos no estudo anterior, as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo foram os soldados romanos que guardavam o sepulcro. Em seguida, Ele apareceu e falou com Maria Madalena. Nesse mesmo dia, que foi um domingo, o Senhor aparece novamente a mais dois discípulos que iam pela manhã caminhando em direção a um vilarejo próximo de Jerusalém, chamado Emaús, e então, finalmente, Cristo aparece aos Apóstolos e demais seguidores.

Ao todo, o Senhor Jesus passou quarenta dias aparecendo aos discípulos para lhes confirmar sua ressurreição (Atos 1:3), onde continuou instruindo a todos, especialmente acerca do conteúdo profético das Escrituras, além de instruí-los sobre a maravilhosa realidade do Reino de Deus. Lembrando que, naquela época, o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito, e o Senhor Jesus continuou usando o conteúdo do Antigo Testamento para ensinar.

O Evangelho de Mateus não nos fornece todas as informações sobre as aparições de Cristo, após Sua ressurreição, como veremos abaixo, e termina fazendo um rápido relato com o desfecho dos dias que o Senhor apareceu aos discípulos, até o momento de sua ascensão aos céus.

Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". (Mateus 28:16-20)

Antes que os Apóstolos e demais discípulos fossem para a Galileia, Jesus apareceu a dois deles, enquanto se dirigiam a Emaús, como lemos no primeiro parágrafo do nosso estudo, e em conformidade com os Evangelhos de Marcos e Lucas, sendo este último mais detalhado nessa narrativa, como veremos a seguir.

Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido.

Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo.

Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham?". 

Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?"

"Que coisas?", perguntou ele.

"O que aconteceu com Jesus de Nazaré", responderam eles.

(...)

Ele lhes disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?"

E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.

(...) Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Perguntaram-se um ao outro: "Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?"

Levantaram-se e voltaram imediatamente para Jerusalém. Ali encontraram os Onze e os que estavam com eles reunidos, que diziam: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"

Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão. (Lucas 24:13-35)

No entanto, mesmo com mais essa prova, os demais discípulos ainda não acreditaram que o Senhor havia ressuscitado, quando lemos o relato contido em Marcos. 

Depois Jesus apareceu noutra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo. Eles voltaram e relataram isso aos outros; mas também nestes eles não creram. Mais tarde Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto. (Marcos 16:12-14)

Em outro momento, provavelmente quando os discípulos já tinham voltado a Galileia, e estavam juntos comendo e conversando sobre a ressurreição de Jesus, Ele aparece, pela primeira vez, enfim, no meio deles, porém Tomé não estava presente, conforme relatam os Evangelhos de Lucas e João:

Enquanto falavam sobre isso, o próprio Jesus apresentou-se entre eles e lhes disse: "Paz seja com vocês!" Eles ficaram assustados e com medo, pensando que estavam vendo um espírito.

Ele lhes disse: "Por que vocês estão perturbados e por que se levantam dúvidas em seus corações?Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho". Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.

E por não crerem ainda, tão cheios estavam de alegria e de espanto, ele lhes perguntou: "Vocês têm aqui algo para comer?" Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles. E disse-lhes: "Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras.

E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. (Lucas 24:36-48)

---

Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor.

Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados".

Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor!"

Mas ele lhes disse: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei. (João 20:19-25)

Uma semana depois, Cristo aparece segunda vez numa reunião similar, onde se apresenta especialmente a Tomé.

Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

E Jesus disse a Tomé: "Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia". Disse-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu!"

Então Jesus lhe disse: "Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram".

Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome. (João 20:26-31)

Algum tempo depois, Jesus aparece pela terceira vez aos discípulos às margens do Mar da Galiléia, enquanto eles pescavam. 

Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades. Foi assim:

Estavam juntos Simão Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, de Caná da Galiléia; os filhos de Zebedeu; e dois outros discípulos. "Vou pescar", disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: "Nós vamos com você".

Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite não pegaram nada. Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Ele lhes perguntou: "Filhos, vocês têm algo para comer?" "Não", responderam eles.

Ele disse: "Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão". Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes.

O discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!"

(...)

Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. Disse-lhes Jesus: "Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar". Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia.

Ela estava cheia: tinha cento e cinquenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu.

(...)

Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois que ressuscitou dos mortos. (João 21:1-14)

Sua última aparição, com corpo glorificado e palpável, foi próximo à Betânia, no Monte das Oliveiras (Atos 1:9-12), onde deu suas últimas instruções aos discípulos e em seguida subiu aos céus conforme vimos no início do nosso estudo em Mateus 28:16-20 e também vemos em Lucas.

"Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". Tendo-os levado até as proximidades de Betânia, Jesus levantou as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu. Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. E permaneciam constantemente no templo, louvando a Deus. (Lucas 24:49-53)

Depois que ascendeu aos céus, as escrituras mostram que o Senhor Jesus continuou aparecendo em visões espirituais aos seus seguidores. Em Atos dos Apóstolos, observamos que Ele aparece uma vez ao discípulo Estevão, um pouco antes deste falecer por apedrejamento (At 7:55,56), e a Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, enquanto viajava em perseguição aos cristãos (At 9:3-5). 

O Apóstolo Paulo de Tarso, em sua primeira carta aos coríntios, dá um breve relato do que aconteceu, segundo as informações que colheu em Jerusalém e por sua própria experiência com a aparição de Cristo, complementando as narrativas dos Evangelhos:

Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. (1 Coríntios 15:3-8)

Portanto, com relação aos Apóstolos, Jesus apareceu primeiro a Pedro e, em seguida, apareceu aos demais, antes de ascender aos céus. Depois de já ter subido aos céus, o Senhor Jesus continuou aparecendo, segundo a narrativa de Paulo, que fala de alguns eventos não citados pelos escritores dos Evangelhos: Cristo apareceu para mais de quinhentas pessoas de uma vez, depois a Tiago, e mais uma vez aos demais Apóstolos, antes de aparecer ao próprio Paulo.

Alguns trechos do livro de Apocalipse mostram que Cristo aparece algumas vezes ao Apóstolo João, falando-lhe sobre acontecimentos futuros que envolvem o povo de Deus e o mundo.

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

domingo, 17 de abril de 2022

A Ressurreição - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 1


Neste texto, iniciamos o estudo do último capítulo do Evangelho de Mateus e veremos como foi a ressurreição de Jesus bem como os acontecimentos que se sucederam após esse evento tão maravilhoso. Este evento foi de suma importância, para que todos os que creem possam usufruir da herança da vida eterna em toda a sua plenitude.

Assim como nos estudos anteriores, faremos uma comparação do trecho de Mateus que iremos analisar com trechos equivalentes dos outros três evangelhos, à título de termos uma melhor compreensão de como tudo aconteceu. As referências correspondentes estão em Marcos 16:1-11, Lucas 24:1-12 e João 20:1-18.

Vejamos, a seguir, como Mateus narra o que aconteceu após o sepultamento do Senhor Jesus:
Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.
O anjo disse às mulheres: "Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia. Vão depressa e digam aos discípulos dele: ‘Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão’. Notem que eu já os avisei".
As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus.
De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve! " Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: "Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão".
Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes: "Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’.
Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema". Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje. (Mateus 28:1-15)
De acordo com o relato acima, antes que o sepulcro de Jesus fosse visitado, Ele já havia ressuscitado, e isso aconteceu bem antes que aquele dia de domingo amanhecesse, pois quando as mulheres lá chegaram e encontraram o túmulo vazio e também sem os guardas, era madrugada e ainda estava escuro, como veremos mais adiante em nosso estudo.

Somente o Evangelho de Mateus relata o que houve com os guardas no momento em que Cristo ressuscitou, e, de acordo com a narrativa, todos eles presenciaram tudo. O problema foi que, ao falarem o que viram às autoridades israelitas, eles foram subornados para contar uma outra versão do acontecido às autoridades romanas.

É importante lembrar que o destacamento de soldados romanos que guardava o sepulcro de Jesus não dormiria em trabalho, eles eram obrigados a ser diligentes no que faziam, ou poderiam ser condenados à morte por negligência no cumprimento de suas tarefas. Então, eles se revezavam entre si, para garantir que seu trabalho fosse feito corretamente.

No momento em que a pedra do sepulcro rolou e aquele recinto ficou aberto, houve um grande terremoto, além do clarão que aconteceu no momento em que o anjo apareceu, de forma que a parte da equipe que dormia, certamente, acordou assustada com o barulho e a luz forte. Portanto, sem sombra de dúvidas, os soldados romanos foram as primeiras testemunhas oculares da ressurreição de Jesus. 

Não sabemos o que se passou pela cabeça daqueles homens, depois de presenciarem aquele acontecimento sobrenatural, mas uma coisa é certa: todos eles, ou pelo menos alguns, devem ter ido secretamente encontrar os discípulos de Jesus para relatar o que aconteceu e tentar entender o que houve, pois se assim não fosse, a narrativa detalhada daquele momento e do suborno dos soldados não estaria descrita no Evangelho de Mateus.

Muito provavelmente, alguns dos fariseus que eram seguidores de Jesus secretamente, como José de Arimatéia e Nicodemos, dentre outros nomes não citados nas escrituras, também podem ter presenciado o momento em que os guardas do destacamento chegaram e relataram o ocorrido às autoridades israelitas, como também viram o momento em que eles foram subornados para esconder o que aconteceu. Desta forma, percebemos que houveram muitas testemunhas diretas e indiretas daquele evento extraordinário.

Continuando com nossa análise, segundo o trecho do Evangelho que lemos parágrafos acima, duas mulheres visitaram o sepulcro de Jesus na madrugada do domingo, que foram Maria Madalena e Maria, mãe de José de Arimatéia, seguindo o raciocínio do capítulo 27 de Mateus, o qual já analisamos aqui no blog. No entanto, no Evangelho de Marcos, três mulheres visitaram o túmulo do Senhor: Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago.

Quando analisamos o trecho equivalente a esta mesma passagem no Evangelho de Lucas, ele diz que visitaram o sepulcro "Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas". Já o Evangelho de João diz que somente Maria Madalena foi ao sepulcro naquela manhã de domingo.

Fazendo um apanhado dessas informações, e chegando a um consenso, concluímos que Maria Madalena esteve no sepulcro acompanhada de outras mulheres, ela não esteve lá sozinha, segundo a narrativa do Evangelho de João:
No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida. Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram! (João 20:1,2)
Notamos que, ao contar a notícia a Pedro e João, Maria Madalena falou em seu nome e em nome das outras mulheres que estavam com ela ao dizer "não sabemos onde o colocaram". Provavelmente ela organizou tudo, para que todas as seguidoras de Jesus pudessem fazer aquela visita tão desejada, mas tudo de forma sigilosa, de modo que cada uma pudesse colaborar no processo de unção do corpo do Senhor com as especiarias aromáticas que elas prepararam para esta finalidade.

Seguindo com a análise dos fatos, e levando sempre em consideração os relatos dos quatro Evangelhos, agora vamos entender o que aconteceu após a saída dos soldados romanos.+

Pegas de surpresa, ao encontrarem o sepulcro aberto e sem o corpo do Senhor, as mulheres se desesperaram, e então Maria Madalena voltou à cidade com algumas das companheiras para encontrar os irmãos e avisá-los do ocorrido.

Após serem avisados, os discípulos Pedro e João correram em direção ao sepulcro, a fim de averiguar o que as mulheres lhes disseram.
Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou.
A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho. Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou.
Ele viu e creu. (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.) Os discípulos voltaram para casa. (João 20:3-10)
No momento em que Pedro e João foram ao sepulcro, as mulheres que foram avisar os irmãos também voltaram para lá. Quando os dois discípulos foram embora, todas as mulheres continuaram ainda no local. E é neste momento que elas veem um anjo do lado de fora do sepulcro (Mateus 28:5-7, Marcos 16:5-7) e outros dois do lado de dentro (Lucas 24:4-8, João 20: 11-13).

Todas as mulheres, menos Maria Madalena, foram embora do local com medo, após verem e ouvirem os anjos, e, certamente, uma boa parte delas permaneceu calada sem contar nada do que presenciaram, como podemos ler em Marcos 16:8. Contudo, algumas delas decidiram ir até os discípulos e contar-lhes o que presenciaram, de acordo com o relato contido em Mateus.

Depois disso, deixando o sepulcro por último, no momento em que se afastava, Maria Madalena encontrou-se ali com Jesus. Vejamos a confirmação desse evento nos dois trechos abaixo:
Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando. Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram. (Marcos 16:9-11)
Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que você está chorando?" "Levaram embora o meu Senhor", respondeu ela, "e não sei onde o puseram". Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu.
Disse ele: "Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?" Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: "Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei".
Jesus lhe disse: "Maria!" Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: "Rabôni!" (que significa Mestre).
Jesus disse: "Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês".
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: "Eu vi o Senhor!" E contou o que ele lhe dissera. (João 20:10-18)
Portanto, apesar de no Evangelho de Mateus constar que Jesus apareceu "às mulheres", sua primeira aparição foi somente a Maria Madalena, para só depois, aparecer aos outros irmãos. 

É bom termos em mente que os relatos dos Evangelhos são totalmente verdadeiros, no entanto, um ou outro cita a participação das mulheres no evento da ressurreição de Jesus, ou a ida dos discípulos averiguar o ocorrido, por exemplo, de forma generalizada. Por isso, se quisermos entender melhor os fatos, é imprescindível fazer a comparação dos conteúdos dos quatro Evangelhos, no que diz respeito a esses e outros assuntos.

Para concluir, ao verificarmos os quatro evangelhos vamos observar que em Mateus (Mt 28:5-10) e Marcos (Mc 16:5-7), tanto os anjos que falaram com as mulheres como o próprio Cristo, que falou com Maria Madalena, avisaram que eles encontrariam o Senhor na Galileia.

Naquele domingo, os discípulos de Jesus ainda estavam em Jerusalém, por ocasião das celebrações das festas ordenadas na Lei Mosaica, porém, naquela mesma semana eles teriam que retornar à Galileia para retomarem suas rotinas normais. E foi lá na Galileia que Cristo terminou de instruir os Apóstolos e, depois, subiu aos Céus, para tomar posse do trono no Reino de Deus para sempre, como veremos no próximo estudo.

Sobre a ressurreição de Jesus, no Antigo Testamento há vários trechos se referindo a esse evento. Abaixo vamos ler três deles:
Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita. (Salmos 16:9-11)
Tu o recebeste com ricas bênçãos, e em sua cabeça puseste uma coroa de ouro puro.
Ele te pediu vida, e tu lhe deste! Vida longa e duradoura. (Salmos 21:3,4) 
Eu te exaltarei, Senhor, pois tu me reergueste e não deixaste que os meus inimigos se divertissem à minha custa.
Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste. Senhor, tiraste-me da sepultura; prestes a descer à cova, devolveste-me à vida.
Cantem louvores ao Senhor, vocês, os seus fiéis; louvem o seu santo nome. Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria. (Salmos 30:1-5)

Missionária Oriana Costa

sábado, 6 de março de 2021

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!


Vamos estudar uma passagem bastante interessante, encontrada no evangelho de Mateus, capítulo 22, versos 23 ao 33. Nesse episódio, o Senhor Jesus continua sendo abordado pelas lideranças religiosas em Jerusalém, alguns dias antes de sua prisão e crucificação, e dessa vez Ele enfrenta os "saduceus".

Antes de iniciarmos nossa análise, é bom termos uma ideia de quem eram as pessoas que estavam falando com o Cristo naquele momento.

Os saduceus formavam uma seita que nasceu entre os judeus, onde especialmente não se acreditava na ressurreição dos mortos. Esse grupo de pessoas era composto pela classe mais alta de Israel, assim participavam dele muitos sacerdotes. Saduceus e fariseus estavam sempre em conflito por diversas causas, dentre elas devido às divergências doutrinárias e políticas que haviam entre eles.

A negação da ressurreição pelos saduceus mostra que esse grupo de pessoas não considerava tudo o que estava na Torah, assim como acontecia com os fariseus. De fato, eles estavam negando abertamente vários trechos das escrituras que apontam a existência da ressurreição, assim como os que podemos ler a seguir:

Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu. E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e o deu à sua mãe; e disse Elias: Vês aí, teu filho vive. (1Reis 17:21-23)
Depois morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, as tropas dos moabitas invadiram a terra à entrada do ano. E sucedeu que, enterrando eles um homem, eis que viram uma tropa, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu; e, caindo nela o homem, e tocando os ossos de Eliseu, reviveu, e se levantou sobre os seus pés. (2Reis13:20,21)
Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. (Isaías 26:19)
Observando que, apesar das duas primeiras passagens não relatarem ressurreição "eterna" (que acontecerá na volta do Senhor), elas mostram claramente a capacidade de Deus em fazer alguém voltar a viver após a morte do corpo. Então, voltando para o trecho que estamos analisando, aqueles indivíduos abordaram o Mestre com o seguinte questionamento:
Naquele mesmo dia, os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele com a seguinte questão: "Mestre, Moisés disse que se um homem morrer sem deixar filhos, seu irmão deverá casar-se com a viúva e dar-lhe descendência. Entre nós havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu. Como não teve filhos, deixou a mulher para seu irmão. A mesma coisa aconteceu com o segundo, com o terceiro, até o sétimo. Finalmente, depois de todos, morreu a mulher. Pois bem, na ressurreição, de qual dos sete ela será esposa, visto que todos foram casados com ela? (Mateus 22:23-28)
O trecho da Lei usado pelos saduceus nessa conversa se encontra no livro de Deuteronômio:
Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. (Deuteronômio 25:5)
Então, se Jesus respondesse a eles que a mulher seria esposa dos sete irmãos, por ter estado casada com todos os sete, seria acusado de contrariar a Lei Mosaica, pois, de acordo com seus estatutos, uma mulher casada que tem relacionamento com mais de um homem é considerada adúltera ou prostituta. Assim, eles estavam esperando pegar Jesus nessa resposta.

No entanto, o que eles não entendiam é que a realidade espiritual que se segue após a ressurreição é totalmente diferente da realidade deste mundo, e que a Lei Mosaica é aplicável apenas para esta última. Portanto, a resposta de Jesus para aqueles homens foi a seguinte:
Jesus respondeu: "Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus! Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu." (Mateus 22:29,30)
E, para mostrar-lhes o quanto estavam desprezando o conteúdo das Escrituras sobre a continuidade da existência das pessoas após a morte física, o Senhor confrontou os saduceus dizendo:
E quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Ouvindo isso, a multidão ficou admirada com o seu ensino. (Mateus 22:31-33)
Jesus confrontou aqueles homens com o trecho das Escrituras, no qual o anjo do Senhor fala com Moisés através de uma sarça (Êxodo 3:1-6).

Esse trecho é bem peculiar, pois quando Deus fala ali com Moisés, dá a entender que Abraão, Isaque e Jacó estão com Ele, ou seja, que estão vivos espiritualmente, apesar de terem morrido fisicamente, muitos anos antes daquele momento. De fato, se depois que uma pessoa morresse na Terra ela deixasse de existir, certamente Deus não teria se dirigido a Moisés dizendo "Eu Sou o Deus de Abraão...", e sim teria dito "Eu fui o Deus de Abraão...".

Então, para Deus, a morte física não significa a cessação da existência do homem – o qual, sendo criado à imagem e semelhança de Deus, é eterno – sendo a condição da morte algo transitório, ou seja, muitos dos que morreram fisicamente ressuscitarão na volta de Cristo, conforme está escrito no livro do profeta Daniel:
E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. (Daniel 12:1,2)
Portanto, Jesus demonstrou que o Seu povo deve estar amparado pela esperança da ressurreição, a qual foi devidamente paga por Cristo na cruz, não sendo uma expectativa vã.


Texto: Miss. Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...