terça-feira, 26 de julho de 2022

O batismo de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - parte 2


Em seu ministério, João Batista anunciava o Reino de Deus, e ele o fazia pregando o arrependimento de pecados para a salvação, e concomitantemente ia preparando o povo para a chegada do Messias. À medida que as pessoas iam crendo na mensagem anunciada, João cumpria um certo ritual, onde batizava as pessoas por imersão.

O batismo por imersão acontece quando os crentes mergulham totalmente seus corpos num local com bastante água (tanque, lago, lagoa, rio, etc) e depois saem rapidamente dela. Então, chegou o momento em que o Senhor Jesus também veio até João para ser batizado, como veremos no trecho a seguir:

"A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. (...) "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. (...) Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado"". (Mateus 3:5-17)

Nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João encontramos trechos que confirmam e também trazem informações complementares ao trecho bíblico acima.

Em Marcos 1:9-11 e Lucas 3:21-23, lemos a confirmação de que no momento em que Jesus saiu da água os céus se abriram, e Cristo viu o Espírito de Deus vindo até ele em forma de uma pomba. Provavelmente, as pessoas que ali estavam também puderam presenciar esse acontecimento sobrenatural. 

Ambos também relatam que uma voz soou do céu dizendo "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado", como se o Pai falasse apenas com Jesus. No Evangelho de Mateus, contudo, observamos que essa frase é dita como se o Pai estivesse apresentando Jesus aos que estavam ali, dando a entender que o Pai falou audivelmente a todos. Por isso, é provável que quando os céus se abriram, o Espírito de Deus veio até Jesus em forma de pomba, e o Pai falou, todos os que se encontravam ali testemunharam esses acontecimentos.

Em João 3:22-26 e 4:1,2 observamos o relato de que não apenas João estava batizando, mas os discípulos de Jesus também o faziam, e que João não batizou apenas no Rio Jordão, mas também em Enom, perto de Salim. Nesse Evangelho também percebemos que os discípulos de Jesus começaram a aumentar em quantidade, enquanto os de João começaram a diminuir, e o próprio profeta, quando indagado a respeito, explica o porquê disso estar acontecendo. Vejamos os trechos abaixo:

"Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judéia, onde passou algum tempo com eles e batizava. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. (Isto se deu antes de João ser preso.) Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial. Eles se dirigiram a João e lhe disseram: "Mestre, aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele". A isso João respondeu: "Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu. Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua". (João 3:22-30)

"Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia." (João 4:1-3)

Então, João Batista deixou claro para todos quem era ele mesmo e quem era Jesus, apesar de nem todos entenderem o que ele dizia e o que realmente estava acontecendo ali. 

Como vimos no estudo anterior, todas as profecias relacionadas à vinda de João Batista, e qual seria o seu serviço, bem como à vinda de Jesus, se cumpriram à risca. Porém, a maioria das pessoas, especialmente os mestres da Lei e fariseus, foram incapazes de verificar que o conteúdo das escrituras estava se cumprindo diante deles. 

Prosseguindo com o nosso estudo, há dois significados que precisamos entender com relação ao batismo. O primeiro se refere ao porquê do próprio Jesus ter se batizado.

Para entendermos isso, é preciso termos em mente que, antes de qualquer coisa, o batismo por imersão é um sinal divino e profético para todos nós. João batizou, e os discípulos de Jesus também o fizeram sob às ordens dele, porque esse ritual tem a ver com o cumprimento de uma promessa do Pai feita a Noé, e, consequentemente, feita também a toda a humanidade. Através dessa promessa o Pai indiretamente discrimina a forma como a maldade seria julgada após o Dilúvio:

"Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar. O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez. "Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão".(Gênesis 8:20-22)

"Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra"."(Gênesis 9:11)

Antes de continuarmos nosso estudo, é importante termos em mente que, ao sair da arca com sua família, Noé realizou um ritual de purificação, sacrificando animais sobre um altar dedicado ao Senhor. Noé, apesar de se esforçar para andar na justiça de Deus (por isso ele foi considerado justo por Deus, e escapou do juízo com sua família), sabia que havia maldade em seu corpo e também nos corpos de seus familiares, que ainda não havia sido justificada. 

Esse holocausto era feito especialmente como um sinal desse reconhecimento (e também como forma de demonstrar arrependimento sincero diante de alguns tipos de pecado), além de ser feito também como ações de graças diante de alguma conquista material (veja Gênesis 4:4, Genesis 12:7,8). Por isso, após a realização desse ritual feito por Noé, que para Deus foi agradável, o Criador decidiu que o juízo sobre a maldade não aconteceria mais com um dilúvio.

Dando prosseguimento ao nosso raciocínio e voltando agora para o batismo, através dele Deus estava avisando a todos na época de Jesus que uma nova aliança entre o Criador e a humanidade estava para ser estabelecida, e somente através dela é que se poderia receber livramento (a justificação) de um severo e definitivo juízo que viria no futuro sobre as transgressões de todos os seres humanos. 

Porém, nesse julgamento final, Deus não mais destruiria a vida no planeta com uma grande inundação, como fez anteriormente, mas faria se cumprir sua justiça unicamente através de um holocausto especial, num ato equivalente aquele feito por Noé ao sair da arca com sua família. Esse holocausto se cumpriria na morte e ressurreição de Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, que aceitou ser julgado e condenado em nosso lugar.

Por isso, o batismo em si é um aviso pelo qual sabemos que aquele juízo sofrido pelo mundo no Dilúvio, onde todo o planeta ficou submerso em água por um tempo e depois ressurgiu modificado para ser novamente repovoado por Noé e sua família, foi substituído por um outro tipo de juízo, que começou com a morte de Jesus na cruz (João 3:16-19), e terminará com a iniquidade e todos quantos não se desvincularam dela sendo devorados eternamente por um fogo que nunca se apaga, assim como o holocausto feito por Noé foi finalizado com os corpos dos animais mortos sendo completamente queimados no fogo do altar. 

No episódio do Dilúvio a justiça de Deus foi cumprida freando a maldade que tomou conta do mundo, sem destruí-la definitivamente, a fim de dar aos seres humanos uma chance de salvação no futuro. 

A vinda de Jesus, portanto, é para que se cumpra essa salvação, no entanto, através dele agora a justiça não vem para somente frear, mas sim decreta a destruição definitiva da maldade, e isso sabemos devido à promessa de seu retorno, onde a situação de pureza do homem será completamente restaurada, e a maldade destruída de uma vez por todas num local chamado de "Lago de fogo que arde com enxofre", citado em vários trechos do livro de Apocalipse (Veja Ap 19:20, 20:10, 20:14, 21:8)

Ao ser batizado nas águas, Jesus declarou publicamente que o juízo ou castigo sobre os pecados de toda a humanidade recairia terminantemente sobre Ele mesmo, para que todos alcancem a justificação de suas transgressões contra a reta justiça de Deus através do sacrifício dele, e escapem da condenação eterna já decretada sobre a maldade. Então, por isso Jesus se batizou por imersão no Rio Jordão.

O segundo significado do batismo nas águas tem a ver com a ordem dada por Jesus Cristo, para que aquele trabalho feito por João Batista se continue, e todos os que crerem na mensagem de salvação até seu retorno afirmem sua fé publicamente. 

Aqui, portanto, o batismo nas águas, além de apontar para a consumação do juízo sobre a maldade, assim como já vimos em parágrafos anteriores, passa também a ser um mandamento ligado à Nova aliança estabelecida entre Deus e os homens, que serve como confirmação pública de que o indivíduo realmente está arrependido de seus pecados e aceitou o sacrifício de Cristo por sua vida. 

Após o batismo, o sujeito deve estar ciente de que empenhou sua palavra diante de Deus e dos homens, de forma que dali em diante terá que se esforçar para aprender a justiça de Deus, para que viva de acordo com a realidade de pureza do Reino de Deus, e não mais de acordo com a realidade de injustiça do mundo.

"Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos"". (Mateus 28:18-20)

Lembrando que o ritual do batismo em si, não impede a pessoa de pecar e nem tem poder para salvar da condenação à morte eterna! Ele é um sinal divino e profético, e também uma confirmação pública, que devem ser dados após a entrada do indivíduo no Reino de Deus pela fé verdadeira em Jesus Cristo, mediante o ARREPENDIMENTO SINCERO de seus pecados. 

Para finalizar nosso estudo, vamos falar de um sinal curioso que foi dado por Deus após o Senhor Jesus sair da água, quando foi batizado no rio Jordão, onde, no momento em que ele estava orando, o Espírito de Deus aparece em forma de uma pomba, voando e pousando sobre ele. 

"Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele estava orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba". (Lucas 3:21,22)

Talvez, algumas pessoas, ao lerem esse trecho, podem ter se perguntado porque o Espírito de Deus se apresentou dessa forma, contudo, sem obterem respostas. No entanto, a resposta para isso está em Genesis, quando Noé solta uma pomba para averiguar se já era o momento de sair da arca e repovoar a terra.

Quando o planeta realmente tinha ficado livre das águas, a pomba não retornou mais a ele, dando a entender que já era o momento de deixar a nau e prosseguir com o recomeço do mundo. Por isso, ali Deus ordenou a Noé que esvaziasse totalmente a arca para iniciar o repovoamento do planeta, dando à humanidade uma chance única de ser justificada no futuro. 

"Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas desta vez ela não voltou. No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca. Então Deus disse a Noé: "Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles". (Gênesis 8:12-16)

Portanto, o Espírito de Deus pousando em Jesus em forma de uma pomba significa que agora, assim como foi possível um recomeço de vida na Terra após o juízo do Dilúvio, é possível sermos novas criaturas espiritualmente, e vivermos em novidade de vida no mundo através da fé em Jesus Cristo.

"Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!" Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito". (João 3:3-5)

"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!" (2Coríntios 5:17)


Missionária Oriana Costa.

terça-feira, 14 de junho de 2022

João Batista, a voz que clama - Considerações sobre Mateus capítulo 3 - Parte 1


Aqui vamos analisar o trecho do terceiro capítulo do Evangelho de Mateus onde João Batista é citado. 

Antes de seguirmos com nosso estudo, vamos falar um pouco da preparação para a chegada do bebê João Batista e lembrar como foi seu nascimento. Ele era primo em segundo grau de Jesus pelo lado materno, pois Isabel (ou Elisabete segundo a versão King James), sua mãe, era prima em primeiro grau de Maria, mãe de Jesus, segundo os relatos das versões King James e Almeida corrigida fiel. 

Assim como Jesus foi gerado no ventre de Maria de forma sobrenatural, a concepção de João Batista também aconteceu pelo poder de Deus, pois sua mãe era estéril e já tinha idade avançada. E assim como Maria recebeu a visita de um anjo que veio avisá-la do que estava para acontecer, Zacarias, que era o pai de João, também recebeu a visita do mesmo anjo, que lhe falou sobre a gravidez de Isabel. Vejamos o relato abaixo, que é encontrado somente no Evangelho de Lucas:

"No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril; e ambos eram de idade avançada. Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias estava servindo como sacerdote diante de Deus. (...) Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor". Zacarias perguntou ao anjo: "Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada". O anjo respondeu: "Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno". (...) Depois disso, Isabel, sua mulher, engravidou e durante cinco meses não saiu de casa. E ela dizia: "Isto é obra que o Senhor fez! Agora ele olhou para mim com favor, para desfazer a minha humilhação perante o povo."(Lucas 1:5-25)

Quando Isabel estava no sexto mês de gestação, Maria, que era virgem e estava em Nazaré, engravidou pelo poder de Deus (Lc 1:26-38). E ela só soube da gravidez de sua prima por ter sido avisada pelo anjo Gabriel, que também lhe apareceu, assim como apareceu ao sacerdote Zacarias. Assim, Maria decidiu ir averiguar a situação, e viajou para a Judéia a fim de visitar sua prima, como veremos no trecho abaixo:

"Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para a uma cidade da região montanhosa da Judéia, onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: "Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz! Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está em meu ventre agitou-se de alegria. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!" (Lucas 1:39-45)

João Batista, portanto, nasceu primeiro que Jesus. No dia da sua apresentação no templo e circuncisão, que segundo os costumes judaicos acontece ao oitavo dia de nascido dos meninos (veja em Gn 17:10-13), Zacarias, seu pai, voltou a falar sobrenaturalmente. Vejamos o trecho abaixo, segundo o relato de Lucas:

"Ao se completar o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho. Seus vizinhos e parentes ouviram falar da grande misericórdia que o Senhor lhe havia demonstrado e se alegraram com ela. No oitavo dia foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias; mas sua mãe tomou a palavra e disse: "Não! Ele será chamado João". Disseram-lhe: "Você não tem nenhum parente com esse nome". Então fizeram sinais ao pai do menino, para saber como queria que a criança se chamasse. Ele pediu uma tabuinha e, para admiração de todos, escreveu: "O nome dele é João". Imediatamente sua boca se abriu, sua língua se soltou e ele começou a falar, louvando a Deus. Todos os vizinhos ficaram cheios de temor, e por toda a região montanhosa da Judéia se falava sobre essas coisas. Todos os que ouviam falar disso se perguntavam: "O que vai ser este menino?" Pois a mão do Senhor estava com ele. Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou: (...) E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz". E o menino crescia e se fortalecia no espírito; e viveu no deserto, até aparecer publicamente a Israel. (Lucas 1:57-80)

Uma curiosidade: muito provavelmente, Maria esteve presente no nascimento de João Batista, e também testemunhou o que aconteceu no dia de sua apresentação no templo, pois a duração da visita que fez a sua prima foi cerca de três meses, que era o tempo que restava até que Isabel desse à luz o futuro profeta João Batista (veja em Lc 1:56). 

Agora, vamos analisar aquilo que o Evangelho de Mateus mostra sobre o ministério de João Batista, comparando também com as informações complementares contidas nos outros três evangelhos. Vejamos o trecho abaixo:

"Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’". As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga." (Mateus 3:1-12)

Sobre o trecho do profeta Isaías que fala do momento em que João Batista anunciaria a chegada do Messias, vejamos abaixo:

"Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Encoragem a Jerusalém e anunciem que ela já cumpriu o trabalho que lhe foi imposto, pagou por sua iniqüidade, e recebeu da mão do Senhor em dobro por todos os seus pecados. Uma voz clama: "No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. Todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas. A glória do Senhor será revelada, e, juntos, todos a verão. Pois é o Senhor quem fala"." (Isaías 40:1-5)

Ainda nesse mesmo capítulo do livro do profeta Isaías, também podemos ler:

"Você, que traz boas novas a Sião, suba num alto monte. Você, que traz boas novas a Jerusalém, erga a sua voz com fortes gritos, erga-a, não tenha medo; diga às cidades de Judá: "Aqui está o seu Deus!" O Soberano Senhor vem com poder! Com seu braço forte ele governa. A sua recompensa com ele está, e seu galardão o acompanha. Como pastor ele cuida de seu rebanho, com o braço ajunta os cordeiros e os carrega no colo; conduz com cuidado as ovelhas que amamentam suas crias." (Isaías 40:9-11)

Assim como os trechos acima, existem outros no Antigo Testamento que falam da vinda de João Batista a fim de preparar Israel para receber o Cristo, como podemos ler em Salmos 85:12,13. Alguns parágrafos abaixo também veremos outra referência, no livro do profeta Malaquias, que também avisa sobre o mensageiro João.

João iniciou seu trabalho na cidade de Betânia, na região da Judéia, proclamando a chegada do Reino dos céus (ou Reino de Deus) para os israelitas, e isso tinha a ver com a proximidade da iniciação do ministério de Jesus em Israel. Até aquele momento, o Cristo vivia ocultado de todos, mas a partir da hora em que o profeta João passou a anunciá-lo, o nosso Salvador começou a ficar conhecido.

No Evangelho de Marcos, há um trecho similar ao que lemos em Mateus, com uma informação adicional:

"Conforme está escrito no profeta Isaías: "Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho"— "voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ ". Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão." (Marcos 1: 2-5)

No trecho acima, na verdade, não existe apenas a citação do profeta Isaías, que também aparece no Evangelho de Mateus, mas antes dela há uma citação do profeta Malaquias, que tanto se refere à vinda de João Batista quanto à chegada do Messias:

"Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 3:1)

Lendo o Evangelho de Lucas, encontramos ainda outras informações sobre quem eram os governadores romanos de cada região de Israel, e quem eram os sumos sacerdotes no trabalho templário quando o profeta João Batista apareceu anunciando a vinda do Messias:

"No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes, tetrarca da Galiléia; seu irmão Filipe, tetrarca da Ituréia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene; Anás e Caifás exerciam o sumo sacerdócio. Foi nesse ano que veio a palavra do Senhor a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Como está escrito no livro das palavras de Isaías, o profeta: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. Todo vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas serão endireitadas e os caminhos acidentados, aplanados. E toda a humanidade verá a salvação de Deus’"." (Lucas 3:1-6)

No trecho do Evangelho de Mateus que lemos alguns parágrafos acima, observamos que muitos israelitas estavam recebendo a mensagem de João, pois criam nas profecias que avisavam sobre a vinda do Messias. No meio dessas pessoas que vinham procurar o profeta, também estavam os fariseus e saduceus. 

Ao vê-los, João ficou indignado, chamando-os de "raça de viboras", porque eles agiam traiçoeiramente. Ao se declararem servos do Senhor, contudo, rejeitando e distorcendo muitas de suas ordenanças e ensinando o povo a fazer o mesmo, mais tarde eles iriam incitar as pessoas a odiar, perseguir e desejar a morte de Jesus. Contudo, não foram somente os fariseus e saduceus que procuraram o profeta, mas também os sacerdotes e levitas o fizeram, segundo observamos no Evangelho de João, como veremos a seguir.

"Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: "Não sou o Cristo". Perguntaram-lhe: "E então, quem é você? É Elias?" Ele disse: "Não sou". "É o Profeta?" Ele respondeu: "Não". Finalmente perguntaram: "Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio?" João respondeu com as palavras do profeta Isaías: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’ ". Alguns fariseus que tinham sido enviados interrogaram-no: "Então, por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?" Respondeu João: "Eu batizo com água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem. Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar". Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando." (João 1:19-28)

De fato, João era um profeta, conforme o próprio Cristo confirmou (Mateus 11:8,9), mas não "o profeta" ao qual os fariseus se referiam. Equivocadamente, as lideranças religiosas de Israel acreditavam que alguém semelhante ao próprio Moisés viria para anunciar a chegada do Messias, por causa de um determinado episódio que podemos ler no livro de Deuteronômio:

"O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no. Pois foi isso que pediram ao Senhor, ao seu Deus, em Horebe, no dia em que se reuniram, quando disseram: "Não queremos ouvir a voz do Senhor, do nosso Deus, nem ver o seu grande fogo, se não morreremos!" O Senhor me disse: "Eles têm razão! Levantarei do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Se alguém não ouvir as minhas palavras, que o profeta falará em meu nome, eu mesmo lhe pedirei contas." (Deuteronômio 18:15-19)

O problema dos fariseus com o trecho acima é que eles pensaram que "o profeta" ao qual Moisés se referiu era o mesmo mensageiro que viria antes do Messias para anunciar a Sua chegada. No entanto, esse profeta descrito em Deuteronômio está se referindo ao próprio Cristo.

Por causa desse equívoco, muitos acreditavam que Jesus Cristo era esse tal profeta que os fariseus imaginavam, ou mesmo mais outro enviado como um dos antigos profetas, como podemos ver em alguns trechos dos evangelhos (Mateus 21:10,11; Marcos 6:15), e não acreditavam que Jesus era o Messias que eles deveriam estar aguardando. 

No livro de Atos, um dos discípulos que ajudavam os Apóstolos no trabalho de distribuição de mantimentos para as viúvas e órfãos, chamado Estêvão, antes de ser assassinado por apedrejamento pelos fariseus, falou-lhes quem era o profeta sobre o qual Moisés se referiu:

"Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis." (Atos 7:37, ACF)

Agora vamos analisar algumas falas do profeta João Batista, como, por exemplo, "Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga", ao falar de Jesus. Tais palavras não são necessariamente a citação de alguma profecia específica do Antigo Testamento, no entanto, é uma compilação de alguns trechos de várias partes proféticas das escrituras que se relacionam a Cristo. 

Duas palavras dadas aos israelitas, uma dada pelo profeta Malaquias e outra pelo profeta Oséias, se enquadram na mensagem da "pá e do fogo que nunca se apaga":

"Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles", diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 4:1)

"Por isso levarei o meu trigo quando ele ficar maduro, e o meu vinho quando ficar pronto. Arrancarei dela minha lã e meu linho, que serviam para cobrir a sua nudez." (Oséias 2:9)

Quanto as palavras "o machado está posto à raiz das árvores...", muito provavelmente está fazendo alusão a um trecho do livro do profeta Isaías, que diz:

"Vejam! O Soberano, o Senhor dos Exércitos, cortará os galhos com grande força. As árvores altivas serão derrubadas, as altas serão lançadas por terra. Com um machado ele ceifará a floresta; o Líbano cairá diante do Poderoso." (Isaías 10:33,34)

Com relação à vestimenta do profeta e seus hábitos alimentares, descritos em Mateus 3:4 e Marcos 1:6, são informações importantes para entendermos onde João Batista morava ou mesmo passava a maior parte do seu tempo. As roupas e alimentos consumidos pelo profeta eram característicos de alguém que vivia no campo, afastado da parte mais urbana das cidades da Judéia. Os pastores de ovelhas daquela época, por exemplo, tinham hábitos similares aos de João.

Algumas pessoas costumam interpretar que a palavra "gafanhotos" relacionada a um dos alimentos que João Batista comia regularmente, está se referindo a um alimento vegetal e não a um inseto, como a própria palavra sugere, e que o profeta era vegetariano. Porém, essas informações não são verdadeiras. Vejamos esse mesmo trecho de Mateus 3:4 na versão King James:

"E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e o seu alimento era locustas e mel silvestre." 

O significado da palavra "locusta", de acordo com o Dicio (Dicionário On Line de Português) é "grande gafanhoto do gênero Locusta, com uma única espécie, largamente conhecido por destruir plantas e plantações; gafanhoto-do-deserto".

A palavra usada no original grego nesse trecho da escritura é ἀκρίς - cuja pronúncia é "akris", e signigica literalmente "gafanhoto", um inseto que é comum em países orientais e, quando infesta esses locais, é capaz de destruir plantações e árvores.

Então, as escrituras bíblicas nas suas mais variadas versões estão sendo claras em nossa língua, quando falam que o profeta João Batista comia realmente um inseto comum da sua região, chamado gafanhoto.

Para finalizar nosso estudo, agora vamos fazer uma análise sobre qual era a missão de João Batista, que estava diretamente ligada à mensagem que ele ia divulgando. Quando o anjo Gabriel apareceu a Zacarias para anunciar a gravidez de sua esposa Isabel, ele avisou para quê aquele bebê havia sido chamado por Deus:

"Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor."(Lucas 1:15-17)

Ao falar com Zacarias naquele momento, o anjo cita um trecho do livro do profeta Malaquias, que diz:

"Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição." (Malaquias 4:5,6)

Portanto, a missão de João Batista era preparar os israelitas e também os prosélitos da fé judaica que estavam em Israel, para receber a justificação de seus pecados a fim de poderem entrar no Reino dos céus. Ele cumpria esse chamado avisando e conscientizando as pessoas de que todos estavam transgredindo a reta justiça de Deus, e que, por isso, precisavam se arrepender sinceramente, e buscar se adequar a ela de todo o coração. Abaixo segue um trecho do Evangelho de Lucas onde vemos um pouco do que o profeta dizia ao povo:

"João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo". "O que devemos fazer então? ", perguntavam as multidões. João respondia: "Quem tem duas túnicas reparta-as com quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo". Alguns publicanos também vieram para serem batizados. Eles perguntaram: "Mestre, o que devemos fazer?" Ele respondeu: "Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado". Então alguns soldados lhe perguntaram: "E nós, o que devemos fazer? " Ele respondeu: "Não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário". O povo estava em grande expectativa, questionando em seus corações se acaso João não seria o Cristo." (Lucas 3:7-18)

Lembrando que, complementando a descrição contida em Lucas, conforme vimos parágrafos acima no Evangelho de Mateus, João não chamou todos os que vinham até ele de "raça de viboras", mas somente aqueles que exerciam influência no meio do povo, que eram os fariseus e saduceus.

Como o profeta João era cheio do Espírito Santo e tinha a mesma unção do profeta Elias, ele não somente falava ao povo com ousadia e autoridade, como também certamente muitos sinais sobrenaturais aconteciam conforme ele seguia fazendo seu trabalho, e isso fazia com que o povo acreditasse nele, provavelmente pensando que ele fosse mesmo o Messias, apesar dele avisar que não era.

No Evangelho de João, encontramos também um trecho que confirma o chamado de Deus para João Batista:

"Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João. Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem. Ele próprio não era a luz, mas veio como testemunha da luz. (...) João dá testemunho dele. Ele exclama: "Este é aquele de quem eu falei: Aquele que vem depois de mim é superior a mim, porque já existia antes de mim". (...) Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: Não sou o Cristo." (João 1:6-20)

O batismo feito por João nas águas do rio Jordão era um sinal de Deus dado através do profeta que apontava o momento em que as pessoas se arrependiam sinceramente de seus pecados, ao ouvirem João falar dos preceitos do Reino de Deus, e também que elas estavam se dispondo a receber o Messias que estava chegando ali naquele momento para justificá-los diante do Pai, perdoando-lhes, assim, os seus pecados.

O batismo nas águas, portanto, não tem poder de justificar qualquer pessoa diante do Pai, mas simboliza que esse alguém decidiu iniciar o processo de conversão da maldade do mundo para os preceitos da justiça de Deus, os quais embasam a fé cristã verdadeira.

No evangelho de João (Jo 3:22) consta a informação de que Jesus Cristo também seguiu com o ritual de batismo, fazendo descer às águas todos os que escolhiam seguí-lo, e isso sugere que os doze apóstolos de Jesus foram todos batizados por imersão, a maioria deles pelo próprio Jesus, na região da Judéia. Dois deles, que seguiam o profeta João Batista antes de seguirem a Cristo, certamente devem ter sido batizados pelo profeta João, e um deles era André, irmão de Pedro (veja em Jo 1:40)

Esse mesmo batismo por imersão continua sendo tradicionalmente feito até hoje, porém, como cumprimento de uma ordem dada pelo próprio Jesus Cristo ressurreto, antes de sua ascenção aos céus (veja em Mt 28:19). 

Desta forma, na maioria das denominações cristãs evangélicas, quando pessoas creem na mensagem de salvação e por isso se arrependem verdadeiramente dos seus pecados, decidindo receber o governo do Senhor Jesus sobre suas vidas, elas são batizadas mergulhando rapidamente todo o corpo em água, como testemunho público de suas conversões à fé cristã. 

Missionária Oriana Costa.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Ele será chamado nazareno - Considerações sobre Mateus capítulo 2 - Parte 2

Continuando nosso estudo do Evangelho de Mateus, veremos nesse texto que Jesus Cristo, correu o perigo de ser morto mesmo antes de nascer. María poderia ter sido apedrejada caso Deus não tivesse alertado José, e se isso tivesse realmente acontecido, Jesus seria morto antes de nascer. No entanto, o Cristo continuou sofrendo perigo de morte após seu nascimento, sendo ainda um bebê indefeso. 

Por isso, a fim de protegê-lo, o Pai guiou José a se mudar duas vezes de cidade, até que o perigo passasse. No entanto, devido à fúria de Herodes com relação ao desvio de rota dos magos e ao medo que ele tinha de que Israel fosse liberta do domínio romano, outras crianças acabaram pagando com suas vidas por causa da existência de Jesus. Vejamos o trecho a seguir:

"Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: "Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo". Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho". Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem". Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse: "Levante-se, tome o menino e sua mãe, e vá para a terra de Israel, pois estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino". Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia e foi viver numa cidade chamada Nazaré. Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno." (Mateus 2:13-23)

Após a partida dos sábios que vieram do oriente conhecer e adorar o pequeno Jesus, o Pai avisou a José que se mudasse para o Egito para que o Cristo continuasse vivo. Com isso, se cumpre a profecia do livro do profeta Oséias:

"Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho." (Oséias 11:1)

A morte das crianças de Belém e redondezas, após a fuga de José, Maria e Jesus, também foi predita no livro do profeta Jeremias:

"Assim diz o Senhor: "Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem." (Jeremias 31:15)

No trajeto de volta para Israel, depois que Herodes morreu, José tinha interesse em morar na Judéia, provavelmente em Jerusalém ou em Belém mesmo. No entanto, ao saber que o filho de Herodes, Arquelau, estava no governo da província da Judéia, ficou receoso de ir morar lá, temendo pela vida do pequeno Jesus.

Então, Deus confirmou que ainda havia perigo ali caso Jesus fosse encontrado, e conduziu a família para a província da Galiléia, de volta a cidade de Nazaré, o local de onde José e Maria saíram no momento do ressenciamento ordenado por César Augusto (Lc 2:1-7), quando Maria ainda estava grávida. Com isso cumpriu-se mais uma profecia, no entanto, essa, em especial, não se encontra clara na língua portuguesa. Após pesquisarmos no Antigo Testamento, não encontraremos nenhum trecho semelhante a "Ele será chamado Nazareno."

Como a palavra Nazaré pode significar "ramo, renovo ou rebento" no hebraico, alguns estudiosos acreditam que essa profecia está relacionada a um dos trechos do livro do profeta Isaías:

"Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor. E ele se inspirará no temor do Senhor." (Isaías 11:1-3)

Porém, há outros trechos no Antigo Testamento que fazem referência a esse significado, como veremos dois deles a seguir:

"E o Senhor me ordenou: "Tome prata e ouro dos exilados Heldai, Tobias e Jedaías, que chegaram da Babilônia. No mesmo dia vá à casa de Josias, filho de Sofonias. Pegue a prata e o ouro, faça uma coroa, e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Aqui está o homem cujo nome é Renovo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor. Ele construirá o templo do Senhor, será revestido de majestade e se assentará em seu trono para governar. E ele será sacerdote no trono." (Zacarias 6:9-13)

"Dias virão, declara o Senhor, em que levantarei para Davi um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça." (Jeremias 23:5,6)

Uma curiosidade: quando lemos o Evangelho de Lucas, nos deparamos com uma narrativa um pouco diferente daquela contida no Evangelho de Mateus, como se José não tivesse ido de Belém para o Egito, dando a entender que de Belém a família voltou para Nazaré. Vejamos o trecho abaixo:

"Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor") e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: "duas rolinhas ou dois pombinhos". (...) Depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galiléia. O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele." (Lucas 2:21-40)

Muito provavelmente, Lucas resumiu os acontecimentos e não mencionou que após a circuncisão de Jesus, a família não voltou imediatamente para Nazaré, como afirma Mateus. Se cruzarmos as informações contidas nos dois Evangelhos, vamos entender que após a circuncisão de Jesus, a família voltou a Belém, e ficou por lá até a visita dos Magos vindos do oriente.

Após essa visita, a família se mudou para o Egito, e, algum tempo depois, voltaram para a cidade de Nazaré, onde o Senhor viveu o restante da sua infância e toda a sua juventude. Quando se tornou adulto, após ser batizado por João Batista no rio Jordão, passar pela tentação no deserto e dar início ao seu ministério, Jesus foi morar sozinho em Cafarnaum (Mt 4:13).

Missionária Oriana Costa.









terça-feira, 10 de maio de 2022

Os magos do oriente - Considerações sobre Mateus capítulo 2 - Parte 1


Quando o Pai enviou Seu Filho Unigênito Jesus, não fez isso para que Ele justificasse e reinasse apenas sobre os israelitas, mas o enviou para justificar e reinar sobre todas as nações da terra. Abrão, que era caldeu, e sua descendência, que mais tarde formaria a nação de Israel, foram escolhidos por Deus para divulgar isso ao mundo, até que Jesus finalmente viesse. 

Assim, com o passar dos séculos, muitos estrangeiros acreditaram no Reino de Deus e permaneceram aguardando sua vinda, tanto ao entrarem em contato com os profetas israelitas ou com os escritos que os profetas deixaram nas nações onde permaneceram cativos, quanto estando em visitação a Israel, onde passavam a conhecer e a assimilar os estatutos da Lei mosaica que os israelitas cumpriam, e que apontavam para a vinda de seu justificador no futuro. 

Desta forma, diversas pessoas de outras nações tornavam-se prosélitos da fé judaica e muitos outros estrangeiros acabavam se convertendo ao judaimo mesmo, alicerçando sua fé na esperança de herdarem o Reino de Deus no futuro.

Os Magos do oriente, portanto, eram estrangeiros que esperavam o Reino de Deus por conhecerem o pacto que Deus fez com Abrão e a promessa envolvida nessa aliança. Eles sabiam que o nascimento do Messias estava próximo por terem analisado as profecias que tiveram acesso fora de Israel, em suas próprias nações. 

Algumas das profecias que extraordinariamente apontam o momento em que o Messias nasceria em Israel foram feitas pelo profeta Daniel, no tempo em que os israelitas estiveram cativos na Babilônia (veja Daniel capítulos 7 e 8).

Vejamos abaixo o trecho do Evangelho de Mateus que mostra a chegada dos Magos a Israel:

"Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: "Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’ ". Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: "Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo". Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho." (Mateus 2:1-12)

De acordo com o texto acima, os magos vindos do oriente perceberam uma luz incomum se movimentando no céu, que eles interpretaram como sendo um sinal de que o Rei dos judeus, aquele que viria para salvar o mundo da escravidão do pecado, teria nascido. Por isso, eles decidiram seguir a luz e viajar para encontrar o Cristo e adorá-lo, pois eles desejavam o seu governo. 

As escrituras não revelam se Deus os avisou que aquela estrela diferenciada no céu era um sinal, ou eles mesmos discerniram que um sinal no céu lhes seria dado pelo conteúdo profético das escrituras.

Provavelmente, além de saberem quando o Messias iria nascer, através das profecias de Daniel, eles também conheciam as profecias de Balaão (no livro de Números) e Isaías, que falam sobre esse (provável) sinal do céu que apareceria em Israel:

"Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete." (Números 24:17)

"Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. (...) Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. (Isaías 9:1-7)

O problema foi que quando aquela comissão procurou Herodes, este não conhecia a mensagem do Reino de Deus como aqueles visitantes, e por isso não gostou da ideia de ver Israel adquirindo autonomia e se libertando do domínio romano, pois foi essa a visão que ele teve do que poderia acontecer, caso as profecias se cumprissem. Em nenhum momento passou pela cabeça de Herodes que a missão de Jesus era justificar a humanidade de suas transgressões diante do Pai, salvando-a da morte eterna.

Tampouco, naquele momento, as lideranças religiosas de Israel desejavam ser libertas do império romano, pois, além de terem perdido o entendimento do sentido da Lei Mosaica e dos rituais que praticavam, eles se acostumaram a desfrutar de regalias e lucros para manterem o povo submisso ao governo de Roma. 

Portanto, o surgimento dos magos mostra uma situação bem inusitada, onde a grande maioria dos israelitas estava totalmente alheia ao nascimento do Messias que eles deveriam estar aguardando, enquanto pessoas de outras nações estavam vigilantes esperando a vinda daquele que pagaria o preço pelos pecados de toda a humanidade, e simplesmente chegaram em Israel para ADORAR o Rei dos judeus que eles JÁ SABIAM que tinha nascido.

De fato, veremos no estudo seguinte que, quando os magos chegaram até Herodes, Jesus já devia estar próximo dos dois anos de idade.

Se o Pai não tivesse mandado os anjos avisarem os pastores israelitas que estavam nos campos próximos à cidade de Belém para virem testemunhar em primeira mão o nascimento do Cristo, as únicas pessoas que teriam testemunhado que o Cristo tinha nascido, cumprindo as profecias, seriam indivíduos vindos de outras nações, que por conhecerem e confiarem nas palavras proféticas contidas nas escrituras seguiram uma estrela no céu até chegar a Jesus.

Notamos no trecho de Mateus que lemos parágrafos acima que Herodes comunicou a chegada dos visitantes, e toda a Jerusalém ficou sabendo desse ocorrido. No entanto, apesar da notícia ter causado grande perturbação ao povo, os israelitas, e especialmente os líderes religiosos, não se moveram para ir junto com os magos a Belém verificar se realmente o Messias estava lá. Eles simplesmente ignoraram o evento.

De qualquer forma, essas coisas aconteceram para que as escrituras se cumprissem, e o Senhor Jesus realmente ficasse no anonimato até o início de seu ministério terreno.

Sobre os presentes que os magos entregaram, há uma grande ligação profética entre eles e os artefatos que eram usados no Templo em Jerusalém, que o tempo todo evocavam a necessidade de um justificador para o povo de Israel e para todas as outras nações da Terra. 

De fato, muitos objetos usados no Templo eram de ouro (confira a partir de Êxodo 25), e também havia um altar onde o incenso era constantemente queimado (Êx 30:1), e a mirra era um dos componentes principais usados na confecção do óleo da unção usado no Templo pelos sacerdotes (Êx 30:22-29).

Para finalizar nosso estudo, vamos desfazer aqui alguns mitos em relação aos magos. Em primeiro lugar, os magos não eram necessariamente reis, apesar de entregarem a Jesus presentes caros e de não encontrarem dificuldade de se dirigir a Herodes. Eles eram homens de posses, sábios, estudiosos daquele tempo, que muito provavelmente eram nativos de nações do oriente que ficavam próximas a Israel naquela época, como Egito, Pérsia, etc.. 

Em nenhum momento encontramos qualquer palavra nas escrituras onde os magos sejam chamados de reis. Inclusive, na versão King James nós podemos ler o seguinte:

"Após o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, eis que alguns sábios vindos do Oriente chegaram a Jerusalém. E, indagavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Pois do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo."

Em segundo lugar, não conta nas escrituras que os magos eram um grupo de três indivíduos nem tampouco os nomes deles são citados. De fato, não se sabe quantos homens formavam a caravana de sábios que estiveram em Israel querendo conhecer o Cristo, no entanto, podemos acreditar que eram mais de três indivíduos de diferentes nacionalidades.

Missionária Oriana Costa.


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Nascimento de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 1 - Parte 2


Dando continuidade ao nosso estudo inicial do Evangelho de Mateus, vamos fazer aqui uma análise do momento em que Maria, filha de Eli (veja a genealogia materna de Jesus em Lc 3:23) engravida pela ação do Espírito de Deus e se torna mãe de Jesus. Em seguida, também veremos as profecias que se relacionam ao evento presentes no Antigo Testamento.

Vejamos o trecho abaixo:

"Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel" que significa "Deus conosco". Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus." (Mateus 1:18-25)

O Evangelho de Mateus começa explicando como Maria engravidou de Jesus, dizendo que foi pelo Espírito Santo, mas não explica como isso aconteceu. No entanto, encontramos informações mais detalhadas sobre o evento no Evangelho de Lucas, como veremos a seguir:

"Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galiléia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: "Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!" Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim". Perguntou Maria ao anjo: "Como acontecerá isso, se sou virgem?" O anjo respondeu: "O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é impossível para Deus". Respondeu Maria: "Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra". Então o anjo a deixou. (Lucas 1:26-38)

Dá para notar a diferença na abordagem dos dois Evangelhos, pois observamos que Mateus mostra como as coisas aconteceram do ponto de vista de José, enquanto Lucas mostra os fatos do ponto de vista de Maria. Assim, ambos os Evangelhos apontam que tanto o pai adotivo de Jesus quanto sua mãe biológica receberam a visita de um anjo em separado, a fim de avisá-los e prepará-los devidamente para o que iria acontecer.

O Evangelho de Mateus também relata que ao ouvir de Maria o que tinha acontecido, José não conseguiu acreditar nela, e resolveu desistir do casamento, sem, no entanto, expor Maria à humilhação, por ser um homem justo. Com isso percebemos que José honrava os mandamentos da Lei, mas não agia como os fariseus, que se satisfaziam em mostrar superioridade e em humilhar os outros publicamente.

Se, contudo, José tivesse exposto Maria, ela seria vista como uma traidora, alguém que teve relações com outro homem mesmo estando prometida em casamento, e seria condenada à morte pela Lei, que diz:

"Se numa cidade um homem se encontrar com uma jovem prometida em casamento e se deitar com ela, levem os dois à porta daquela cidade e apedrejem-nos até à morte: a moça porque estava na cidade e não gritou por socorro, e o homem porque desonrou a mulher doutro homem. Eliminem o mal do meio de vocês." (Deuteronômio 22:23,24)

Portanto, ao aceitar a maternidade sem ainda estar casada, Maria sabia que era algo arriscado e que poderia lhe custar a vida. Mesmo assim, ela aceitou a proposta que Deus lhe fez e confiou que Ele a livraria. E isso não foi por acaso: o nome de Jesus tem um significado importante, e que fez Maria acreditar que Deus a livraria da morte.

O anjo que falou com Maria e depois com José explica-lhes que eles deveriam chamar o bebê de Emanuel (palavra hebraica que significa "Deus conosco") ou de Jesus. O nome Jesus em grego significa "Josué" que quer dizer "o Senhor salva" e no aramaico significa "Yeshua" que quer dizer "salvar" ou "salvação".

Outra informação importante que Mateus nos passa é que José e Maria viveram como um casal normal após o nascimento de Jesus. 

"Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. (Mateus 1:24,25)

Essa situação é bastante combatida por alguns, que afirmam ter Maria continuado virgem mesmo casada com José, os dois vivendo como amigos e criando apenas um filho, e que os irmãos e irmãs de Jesus citados nos outros trechos dos Evangelhos seriam primos e primas do Senhor.

No entanto, era inadimiscivel que José estivesse casado com Maria e não vivesse maritalmente com ela, devido aos costumes e valores da época, advindos da própria palavra de Deus. Sem falar que o relacionamento sexual que acontece dentro do casamento não poderia jamais ser algo pecaminoso, ao contrário, ele é uma benção dada por Deus ao casal, pois gera filhos e, depois disso, ele serve para manter nutrida uma profunda intimidade entre os dois ao longo dos anos, além de livrar ambos de tentações. Veja o que o Apóstolo Paulo fala sobre esse assunto em 1 Coríntios 7:1-6.

"Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá." (Salmos 127:3)

"O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos!" (Provérbios 20:7)

Também, naquele tempo não se fazia controle de natalidade e mulheres casadas não evitavam gravidez, sendo, por isso, uma situação bastante comum que as famílias fossem grandes, com muitos filhos. Na verdade, quanto mais filhos um casal tinha, mais bem vistos na sociedade ele era.

A vontade do Criador para um jovem casal de justos, abençoados por Ele, está expressa nas escrituras, que diz o seguinte:

"Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se!" (Gênesis 1:27,28)

"Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!" (Salmos 128:1-4)

Então, é verdade que Jesus teve meios irmãos e irmãs, e não houve nada mais correto da parte do Pai do que conceder filhos de sangue a José, homem temente a Deus, através de sua esposa, Maria. A confirmação disso está em Mateus 13:55,56 e Marcos 6:3.

Continuando nosso estudo, agora vamos analisar onde e como Jesus Cristo nasceu. No Evangelho de Mateus não encontramos informações sobre o local de nascimento de Cristo e como isso aconteceu, contudo, em Lucas vamos achar essas informações com detalhes:

"Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galiléia para a Judéia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. (...) De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor". Quando os anjos os deixaram e foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: "Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer". Então correram para lá e encontraram Maria e José, e o bebê deitado na manjedoura. Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados. Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração. Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, como lhes fora dito." (Lucas 2:1-20)

Então, mais uma vez, assim como foram enviados anjos para avisar a Maria e a José sobre a gravidez sobrenatural, eles também são enviados, só que desta vez, aos pastores que estavam no campo próximo à cidade de Belém, a fim de anunciar-lhes a chegada do Messias a este mundo.

Outra curiosidade sobre o nascimento de Jesus, é que, de acordo com a narrativa de Lucas, José e Maria estavam viajando quando ela deu à luz. E no texto notamos que o casal tinha recursos, pois iam ficar numa hospedaria. 

Acontece que, como a hospedaria estava lotada, na emergência do parto de Maria eles tiveram que se ajeitar num outro ambiente ali perto, provavelmente uma estrebaria, que era o espaço anexo das hospedarias reservado para os viajantes deixarem seus cavalos ou outros animais que usavam na viagem. Dessa forma, José e Maria improvisaram numa das manjedouras que havia ali, o berço para colocar o pequeno Jesus. 

A manjedoura era um recipiente grande de madeira onde os animais se alimentavam.

Portanto, o fato do Senhor ter nascido num estábulo em Belém, e ter sido colocado numa manjedoura após nascer não indica que sua família era pobre, mas isso aconteceu provisoriamente, como um sinal de Deus especialmente para os israelitas. 

De fato, o Rei Jesus Cristo, apesar de sua divindade e, como homem, ser de linhagem real, veio ao mundo exclusivamente para pagar o preço da nossa redenção, e esse preço alto ele pagou por toda a sua vida, desde a hora que nasceu, quando ainda ele mesmo não tinha noção de quem era.

Então, o Pai deu ao mundo através de Seu Filho muitos sinais de que ele cumpriria a promessa de salvação da humanidade, e um deles foi fazer com que o nascimento de Jesus acontecesse num local muito simples, com animais por perto e sem muita limpeza ou conforto, onde nem mesmo uma pessoa muito pobre naquele tempo gostaria de estar ali para dar à luz um filho. E foi essa situação que o Pai fez questão que os pastores de Belém testemunhassem naquele momento.

Por isso, desde o nascimento, Jesus Cristo não poderia ostentar ou aparentar majestade, e em sua vida não poderia possuir nada material que atraísse a atenção dos outros. 

"Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos." (Isaías 53:2)

As únicas coisas que atrairam mesmo as pessoas a Jesus foram o seu extraordinário ensino sobre o Reino de Deus, e os milagres e prodígios que realizou em seu ministério terreno, e estes últimos para confirmar a existência desse Reino e também o desejo que o Pai tem de ver o homem que Ele criou participando desse lugar novamente, e usufruindo de todas as maravilhas que há nele, como acontecia antes do pecado de Adão. 

Para concluirmos nosso estudo, vejamos as profecias que se relacionam ao nascimento de Jesus e são direta ou indiretamente citadas em Mateus e Lucas. Abaixo, sobre a virgem que conceberia:

"Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel." (Isaías 7:14)

Sobre o descendente de Davi que viria a fim de governar para sempre:

"Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso." (Isaías 9:6,7)

"Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre." (2 Samuel 7:16)

O Messias nasceria em Belém:

"Mas tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos." (Miquéias 5:2)

Missionária Oriana Costa.




domingo, 24 de abril de 2022

Genealogia de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 1 - Parte 1

Aqui iniciamos o estudo do Evangelho de Mateus, no primeiro capítulo. Nesse texto, vamos entender a genealogia de Jesus, e como ela está ligada ao cumprimento das profecias feitas no Antigo Testamento sobre a vinda do Messias. 

É importante que sempre façamos comparações do que está escrito em Mateus com os outros três Evangelhos, para termos uma melhor compreensão e também confirmação dos fatos. E quando falamos da genealogia de Jesus Cristo, os dois Evangelhos que se destacam são Mateus (Mt 1: 1-17) e Lucas (Lc 3:23-38).

Nos dois Evangelhos nós encontraremos detalhes da árvore genealógica de Jesus que aparentemente só colocam como referência de parente mais próximo o pai adotivo do Messias, que foi José, o carpinteiro, e não Maria, sua genitora. 

Contudo, veremos abaixo que um dos Evangelhos está se referindo à genealogia de Jesus pelo lado paterno (ainda que José não tenha sido o genitor de Cristo), e o outro, pelo lado materno. Vejamos a seguir duas pequenas partes dos trechos que mostram a genealogia de Jesus em Mateus e Lucas:

"Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó; e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão a Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio até o Cristo." (Mateus 1:15-17)

"Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli, filho de Matate, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, (...)." (Lucas 3:23-38)

Lendo as duas genealogias vamos notar pequenas diferenças entre elas em alguns nomes, especialmente os nomes dos avôs de Jesus, que em Mateus é Jacó e em Lucas é Eli. Essas diferenças acontecem para que possamos saber que umas das genealogias é paterna, e a outra, materna, e que tanto por parte de pai quanto por parte de mãe Jesus era descendente da tribo de Judá e pertencia a linhagem de Davi, cumprindo devidamente as escrituras nesses quesitos.

A grande dúvida que existe nesses textos traduzidos para a língua portuguesa é descobrir qual deles está se referindo à genealogia de Jesus por parte de pai, e qual está se referindo a sua genealogia por parte de mãe. 

Então, considerando que não houveram erros de tradução/interpretação dos manuscritos na versão que estamos analisando (NVI), e que os Evangelhos estão expondo a verdade dos fatos, vamos analisar a colocação das palavras a partir dos textos publicados em nossa própria língua, a fim de descobrir qual é qual.

No Evangelho de Mateus vemos que a palavra "gerou" está em evidência geração após geração desde Abraão até chegar em "José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus". Por causa desse verbo (gerar), entendemos aqui que Jacó era realmente o genitor de José. E, nesse caso, essa genealogia se refere ao lado paterno de Jesus.

Já no Evangelho de Lucas, notamos que a expressão "filho de" está em evidência geração após geração, até chegar em "Adão filho de Deus" (Lc 3:38). Aqui, entendemos que a expressão "José, filho de Eli" não necessariamente está dizendo que Eli foi o genitor de José, e que, nesse caso, pode estar declarando que José é filho de Eli por ter se casado com sua filha legítima, Maria. 

Legalmente, um genro ou uma nora torna-se filho(a) por adoção dos pais de seu cônjuge, e isso é assim desde Adão até agora, nunca mudou. Portanto, se a genealogia contida em Mateus é a paterna, a de Lucas certamente está se referindo ao lado materno de Jesus Cristo.

Sobre Mateus e Lucas: Mateus era judeu, ex-cobrador de impostos, e foi um dos doze Apóstolos que o Senhor Jesus deixou para iniciar a sua Igreja na Terra. Ele escreveu seu evangelho em Hebraico. Lucas era médico e muito provavelmente não era judeu, segundo as informações contidas na carta de Paulo aos colossenses (Cl 4:7-14). Era discípulo de Paulo, e escreveu seu evangelho em grego.

Sobre a versão bíblica NVI, leia explicações detalhadas sobre ela na Wikipédia (clique aqui). A equipe que trabalhou no processo de elaboração e conclusão da NVI foi extensa (clique aqui), e esta versão, assim como as mais antigas, como a João Ferreira de Almeida e a King James, também passou por muitas revisões antes de ser publicada, e é apta para fornecer informações claras e detalhadas tanto do conteúdo do Antigo como do Novo Testamentos.

Com relação às profecias do Antigo Testamento que falam de quem o Messias seria descendente, vejamos algumas abaixo:

"Dias virão, declara o Senhor, em que cumprirei a promessa que fiz à comunidade de Israel e à comunidade de Judá. Naqueles dias e naquela época farei brotar um Renovo justo da linhagem de Davi; ele fará o que é justo e certo na terra. Naqueles dias Judá será salva e Jerusalém viverá em segurança, e este é o nome pelo qual ela será chamada: O Senhor é a Nossa Justiça." (Jeremias 33:14-16)

"Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. (...) Ele me dirá: ‘Tu és o meu Pai, o meu Deus, a Rocha que me salva’. Também o nomearei meu primogênito, o mais exaltado dos reis da terra. Manterei o meu amor por ele para sempre, e a minha aliança com ele jamais se quebrará. Firmarei a sua linhagem para sempre, o seu trono durará enquanto existirem céus."(Salmos 89:19-29)

"O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão. Ele amarrará seu jumento a uma videira e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas, no sangue das uvas, as suas vestimentas." (Gênesis 49:10,11)

Missionária Oriana Costa.



quinta-feira, 21 de abril de 2022

Aparições de Jesus - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 2


Como vimos no estudo anterior, as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo foram os soldados romanos que guardavam o sepulcro. Em seguida, Ele apareceu e falou com Maria Madalena. Nesse mesmo dia, que foi um domingo, o Senhor aparece novamente a mais dois discípulos que iam pela manhã caminhando em direção a um vilarejo próximo de Jerusalém, chamado Emaús, e então, finalmente, Cristo aparece aos Apóstolos e demais seguidores.

Ao todo, o Senhor Jesus passou quarenta dias aparecendo aos discípulos para lhes confirmar sua ressurreição (Atos 1:3), onde continuou instruindo a todos, especialmente acerca do conteúdo profético das Escrituras, além de instruí-los sobre a maravilhosa realidade do Reino de Deus. Lembrando que, naquela época, o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito, e o Senhor Jesus continuou usando o conteúdo do Antigo Testamento para ensinar.

O Evangelho de Mateus não nos fornece todas as informações sobre as aparições de Cristo, após Sua ressurreição, como veremos abaixo, e termina fazendo um rápido relato com o desfecho dos dias que o Senhor apareceu aos discípulos, até o momento de sua ascensão aos céus.

Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". (Mateus 28:16-20)

Antes que os Apóstolos e demais discípulos fossem para a Galileia, Jesus apareceu a dois deles, enquanto se dirigiam a Emaús, como lemos no primeiro parágrafo do nosso estudo, e em conformidade com os Evangelhos de Marcos e Lucas, sendo este último mais detalhado nessa narrativa, como veremos a seguir.

Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido.

Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo.

Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham?". 

Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?"

"Que coisas?", perguntou ele.

"O que aconteceu com Jesus de Nazaré", responderam eles.

(...)

Ele lhes disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?"

E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.

(...) Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Perguntaram-se um ao outro: "Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?"

Levantaram-se e voltaram imediatamente para Jerusalém. Ali encontraram os Onze e os que estavam com eles reunidos, que diziam: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"

Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão. (Lucas 24:13-35)

No entanto, mesmo com mais essa prova, os demais discípulos ainda não acreditaram que o Senhor havia ressuscitado, quando lemos o relato contido em Marcos. 

Depois Jesus apareceu noutra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo. Eles voltaram e relataram isso aos outros; mas também nestes eles não creram. Mais tarde Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto. (Marcos 16:12-14)

Em outro momento, provavelmente quando os discípulos já tinham voltado a Galileia, e estavam juntos comendo e conversando sobre a ressurreição de Jesus, Ele aparece, pela primeira vez, enfim, no meio deles, porém Tomé não estava presente, conforme relatam os Evangelhos de Lucas e João:

Enquanto falavam sobre isso, o próprio Jesus apresentou-se entre eles e lhes disse: "Paz seja com vocês!" Eles ficaram assustados e com medo, pensando que estavam vendo um espírito.

Ele lhes disse: "Por que vocês estão perturbados e por que se levantam dúvidas em seus corações?Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho". Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.

E por não crerem ainda, tão cheios estavam de alegria e de espanto, ele lhes perguntou: "Vocês têm aqui algo para comer?" Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles. E disse-lhes: "Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras.

E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. (Lucas 24:36-48)

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Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor.

Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados".

Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. Os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor!"

Mas ele lhes disse: "Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei. (João 20:19-25)

Uma semana depois, Cristo aparece segunda vez numa reunião similar, onde se apresenta especialmente a Tomé.

Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!"

E Jesus disse a Tomé: "Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia". Disse-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu!"

Então Jesus lhe disse: "Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram".

Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome. (João 20:26-31)

Algum tempo depois, Jesus aparece pela terceira vez aos discípulos às margens do Mar da Galiléia, enquanto eles pescavam. 

Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades. Foi assim:

Estavam juntos Simão Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, de Caná da Galiléia; os filhos de Zebedeu; e dois outros discípulos. "Vou pescar", disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: "Nós vamos com você".

Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite não pegaram nada. Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Ele lhes perguntou: "Filhos, vocês têm algo para comer?" "Não", responderam eles.

Ele disse: "Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão". Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes.

O discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!"

(...)

Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. Disse-lhes Jesus: "Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar". Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia.

Ela estava cheia: tinha cento e cinquenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu.

(...)

Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois que ressuscitou dos mortos. (João 21:1-14)

Sua última aparição, com corpo glorificado e palpável, foi próximo à Betânia, no Monte das Oliveiras (Atos 1:9-12), onde deu suas últimas instruções aos discípulos e em seguida subiu aos céus conforme vimos no início do nosso estudo em Mateus 28:16-20 e também vemos em Lucas.

"Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". Tendo-os levado até as proximidades de Betânia, Jesus levantou as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu. Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria. E permaneciam constantemente no templo, louvando a Deus. (Lucas 24:49-53)

Depois que ascendeu aos céus, as escrituras mostram que o Senhor Jesus continuou aparecendo em visões espirituais aos seus seguidores. Em Atos dos Apóstolos, observamos que Ele aparece uma vez ao discípulo Estevão, um pouco antes deste falecer por apedrejamento (At 7:55,56), e a Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, enquanto viajava em perseguição aos cristãos (At 9:3-5). 

O Apóstolo Paulo de Tarso, em sua primeira carta aos coríntios, dá um breve relato do que aconteceu, segundo as informações que colheu em Jerusalém e por sua própria experiência com a aparição de Cristo, complementando as narrativas dos Evangelhos:

Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. (1 Coríntios 15:3-8)

Portanto, com relação aos Apóstolos, Jesus apareceu primeiro a Pedro e, em seguida, apareceu aos demais, antes de ascender aos céus. Depois de já ter subido aos céus, o Senhor Jesus continuou aparecendo, segundo a narrativa de Paulo, que fala de alguns eventos não citados pelos escritores dos Evangelhos: Cristo apareceu para mais de quinhentas pessoas de uma vez, depois a Tiago, e mais uma vez aos demais Apóstolos, antes de aparecer ao próprio Paulo.

Alguns trechos do livro de Apocalipse mostram que Cristo aparece algumas vezes ao Apóstolo João, falando-lhe sobre acontecimentos futuros que envolvem o povo de Deus e o mundo.

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

domingo, 17 de abril de 2022

A Ressurreição - Considerações sobre o capítulo 28 de Mateus - Parte 1


Neste texto, iniciamos o estudo do último capítulo do Evangelho de Mateus e veremos como foi a ressurreição de Jesus bem como os acontecimentos que se sucederam após esse evento tão maravilhoso. Este evento foi de suma importância, para que todos os que creem possam usufruir da herança da vida eterna em toda a sua plenitude.

Assim como nos estudos anteriores, faremos uma comparação do trecho de Mateus que iremos analisar com trechos equivalentes dos outros três evangelhos, à título de termos uma melhor compreensão de como tudo aconteceu. As referências correspondentes estão em Marcos 16:1-11, Lucas 24:1-12 e João 20:1-18.

Vejamos, a seguir, como Mateus narra o que aconteceu após o sepultamento do Senhor Jesus:
Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.
O anjo disse às mulheres: "Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia. Vão depressa e digam aos discípulos dele: ‘Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão’. Notem que eu já os avisei".
As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus.
De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve! " Elas se aproximaram dele, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: "Não tenham medo. Vão dizer a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá eles me verão".
Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes: "Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’.
Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema". Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje. (Mateus 28:1-15)
De acordo com o relato acima, antes que o sepulcro de Jesus fosse visitado, Ele já havia ressuscitado, e isso aconteceu bem antes que aquele dia de domingo amanhecesse, pois quando as mulheres lá chegaram e encontraram o túmulo vazio e também sem os guardas, era madrugada e ainda estava escuro, como veremos mais adiante em nosso estudo.

Somente o Evangelho de Mateus relata o que houve com os guardas no momento em que Cristo ressuscitou, e, de acordo com a narrativa, todos eles presenciaram tudo. O problema foi que, ao falarem o que viram às autoridades israelitas, eles foram subornados para contar uma outra versão do acontecido às autoridades romanas.

É importante lembrar que o destacamento de soldados romanos que guardava o sepulcro de Jesus não dormiria em trabalho, eles eram obrigados a ser diligentes no que faziam, ou poderiam ser condenados à morte por negligência no cumprimento de suas tarefas. Então, eles se revezavam entre si, para garantir que seu trabalho fosse feito corretamente.

No momento em que a pedra do sepulcro rolou e aquele recinto ficou aberto, houve um grande terremoto, além do clarão que aconteceu no momento em que o anjo apareceu, de forma que a parte da equipe que dormia, certamente, acordou assustada com o barulho e a luz forte. Portanto, sem sombra de dúvidas, os soldados romanos foram as primeiras testemunhas oculares da ressurreição de Jesus. 

Não sabemos o que se passou pela cabeça daqueles homens, depois de presenciarem aquele acontecimento sobrenatural, mas uma coisa é certa: todos eles, ou pelo menos alguns, devem ter ido secretamente encontrar os discípulos de Jesus para relatar o que aconteceu e tentar entender o que houve, pois se assim não fosse, a narrativa detalhada daquele momento e do suborno dos soldados não estaria descrita no Evangelho de Mateus.

Muito provavelmente, alguns dos fariseus que eram seguidores de Jesus secretamente, como José de Arimatéia e Nicodemos, dentre outros nomes não citados nas escrituras, também podem ter presenciado o momento em que os guardas do destacamento chegaram e relataram o ocorrido às autoridades israelitas, como também viram o momento em que eles foram subornados para esconder o que aconteceu. Desta forma, percebemos que houveram muitas testemunhas diretas e indiretas daquele evento extraordinário.

Continuando com nossa análise, segundo o trecho do Evangelho que lemos parágrafos acima, duas mulheres visitaram o sepulcro de Jesus na madrugada do domingo, que foram Maria Madalena e Maria, mãe de José de Arimatéia, seguindo o raciocínio do capítulo 27 de Mateus, o qual já analisamos aqui no blog. No entanto, no Evangelho de Marcos, três mulheres visitaram o túmulo do Senhor: Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago.

Quando analisamos o trecho equivalente a esta mesma passagem no Evangelho de Lucas, ele diz que visitaram o sepulcro "Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas". Já o Evangelho de João diz que somente Maria Madalena foi ao sepulcro naquela manhã de domingo.

Fazendo um apanhado dessas informações, e chegando a um consenso, concluímos que Maria Madalena esteve no sepulcro acompanhada de outras mulheres, ela não esteve lá sozinha, segundo a narrativa do Evangelho de João:
No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida. Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram! (João 20:1,2)
Notamos que, ao contar a notícia a Pedro e João, Maria Madalena falou em seu nome e em nome das outras mulheres que estavam com ela ao dizer "não sabemos onde o colocaram". Provavelmente ela organizou tudo, para que todas as seguidoras de Jesus pudessem fazer aquela visita tão desejada, mas tudo de forma sigilosa, de modo que cada uma pudesse colaborar no processo de unção do corpo do Senhor com as especiarias aromáticas que elas prepararam para esta finalidade.

Seguindo com a análise dos fatos, e levando sempre em consideração os relatos dos quatro Evangelhos, agora vamos entender o que aconteceu após a saída dos soldados romanos.+

Pegas de surpresa, ao encontrarem o sepulcro aberto e sem o corpo do Senhor, as mulheres se desesperaram, e então Maria Madalena voltou à cidade com algumas das companheiras para encontrar os irmãos e avisá-los do ocorrido.

Após serem avisados, os discípulos Pedro e João correram em direção ao sepulcro, a fim de averiguar o que as mulheres lhes disseram.
Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou.
A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho. Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou.
Ele viu e creu. (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.) Os discípulos voltaram para casa. (João 20:3-10)
No momento em que Pedro e João foram ao sepulcro, as mulheres que foram avisar os irmãos também voltaram para lá. Quando os dois discípulos foram embora, todas as mulheres continuaram ainda no local. E é neste momento que elas veem um anjo do lado de fora do sepulcro (Mateus 28:5-7, Marcos 16:5-7) e outros dois do lado de dentro (Lucas 24:4-8, João 20: 11-13).

Todas as mulheres, menos Maria Madalena, foram embora do local com medo, após verem e ouvirem os anjos, e, certamente, uma boa parte delas permaneceu calada sem contar nada do que presenciaram, como podemos ler em Marcos 16:8. Contudo, algumas delas decidiram ir até os discípulos e contar-lhes o que presenciaram, de acordo com o relato contido em Mateus.

Depois disso, deixando o sepulcro por último, no momento em que se afastava, Maria Madalena encontrou-se ali com Jesus. Vejamos a confirmação desse evento nos dois trechos abaixo:
Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando. Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram. (Marcos 16:9-11)
Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que você está chorando?" "Levaram embora o meu Senhor", respondeu ela, "e não sei onde o puseram". Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu.
Disse ele: "Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?" Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: "Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei".
Jesus lhe disse: "Maria!" Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: "Rabôni!" (que significa Mestre).
Jesus disse: "Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês".
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: "Eu vi o Senhor!" E contou o que ele lhe dissera. (João 20:10-18)
Portanto, apesar de no Evangelho de Mateus constar que Jesus apareceu "às mulheres", sua primeira aparição foi somente a Maria Madalena, para só depois, aparecer aos outros irmãos. 

É bom termos em mente que os relatos dos Evangelhos são totalmente verdadeiros, no entanto, um ou outro cita a participação das mulheres no evento da ressurreição de Jesus, ou a ida dos discípulos averiguar o ocorrido, por exemplo, de forma generalizada. Por isso, se quisermos entender melhor os fatos, é imprescindível fazer a comparação dos conteúdos dos quatro Evangelhos, no que diz respeito a esses e outros assuntos.

Para concluir, ao verificarmos os quatro evangelhos vamos observar que em Mateus (Mt 28:5-10) e Marcos (Mc 16:5-7), tanto os anjos que falaram com as mulheres como o próprio Cristo, que falou com Maria Madalena, avisaram que eles encontrariam o Senhor na Galileia.

Naquele domingo, os discípulos de Jesus ainda estavam em Jerusalém, por ocasião das celebrações das festas ordenadas na Lei Mosaica, porém, naquela mesma semana eles teriam que retornar à Galileia para retomarem suas rotinas normais. E foi lá na Galileia que Cristo terminou de instruir os Apóstolos e, depois, subiu aos Céus, para tomar posse do trono no Reino de Deus para sempre, como veremos no próximo estudo.

Sobre a ressurreição de Jesus, no Antigo Testamento há vários trechos se referindo a esse evento. Abaixo vamos ler três deles:
Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita. (Salmos 16:9-11)
Tu o recebeste com ricas bênçãos, e em sua cabeça puseste uma coroa de ouro puro.
Ele te pediu vida, e tu lhe deste! Vida longa e duradoura. (Salmos 21:3,4) 
Eu te exaltarei, Senhor, pois tu me reergueste e não deixaste que os meus inimigos se divertissem à minha custa.
Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste. Senhor, tiraste-me da sepultura; prestes a descer à cova, devolveste-me à vida.
Cantem louvores ao Senhor, vocês, os seus fiéis; louvem o seu santo nome. Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria. (Salmos 30:1-5)

Missionária Oriana Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

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