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domingo, 24 de abril de 2022

Genealogia de Jesus - Considerações sobre Mateus capítulo 1 - Parte 1

Aqui iniciamos o estudo do Evangelho de Mateus, no primeiro capítulo. Nesse texto, vamos entender a genealogia de Jesus, e como ela está ligada ao cumprimento das profecias feitas no Antigo Testamento sobre a vinda do Messias. 

É importante que sempre façamos comparações do que está escrito em Mateus com os outros três Evangelhos, para termos uma melhor compreensão e também confirmação dos fatos. E quando falamos da genealogia de Jesus Cristo, os dois Evangelhos que se destacam são Mateus (Mt 1: 1-17) e Lucas (Lc 3:23-38).

Nos dois Evangelhos nós encontraremos detalhes da árvore genealógica de Jesus que aparentemente só colocam como referência de parente mais próximo o pai adotivo do Messias, que foi José, o carpinteiro, e não Maria, sua genitora. 

Contudo, veremos abaixo que um dos Evangelhos está se referindo à genealogia de Jesus pelo lado paterno (ainda que José não tenha sido o genitor de Cristo), e o outro, pelo lado materno. Vejamos a seguir duas pequenas partes dos trechos que mostram a genealogia de Jesus em Mateus e Lucas:

"Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó; e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão a Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio até o Cristo." (Mateus 1:15-17)

"Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli, filho de Matate, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, (...)." (Lucas 3:23-38)

Lendo as duas genealogias vamos notar pequenas diferenças entre elas em alguns nomes, especialmente os nomes dos avôs de Jesus, que em Mateus é Jacó e em Lucas é Eli. Essas diferenças acontecem para que possamos saber que umas das genealogias é paterna, e a outra, materna, e que tanto por parte de pai quanto por parte de mãe Jesus era descendente da tribo de Judá e pertencia a linhagem de Davi, cumprindo devidamente as escrituras nesses quesitos.

A grande dúvida que existe nesses textos traduzidos para a língua portuguesa é descobrir qual deles está se referindo à genealogia de Jesus por parte de pai, e qual está se referindo a sua genealogia por parte de mãe. 

Então, considerando que não houveram erros de tradução/interpretação dos manuscritos na versão que estamos analisando (NVI), e que os Evangelhos estão expondo a verdade dos fatos, vamos analisar a colocação das palavras a partir dos textos publicados em nossa própria língua, a fim de descobrir qual é qual.

No Evangelho de Mateus vemos que a palavra "gerou" está em evidência geração após geração desde Abraão até chegar em "José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus". Por causa desse verbo (gerar), entendemos aqui que Jacó era realmente o genitor de José. E, nesse caso, essa genealogia se refere ao lado paterno de Jesus.

Já no Evangelho de Lucas, notamos que a expressão "filho de" está em evidência geração após geração, até chegar em "Adão filho de Deus" (Lc 3:38). Aqui, entendemos que a expressão "José, filho de Eli" não necessariamente está dizendo que Eli foi o genitor de José, e que, nesse caso, pode estar declarando que José é filho de Eli por ter se casado com sua filha legítima, Maria. 

Legalmente, um genro ou uma nora torna-se filho(a) por adoção dos pais de seu cônjuge, e isso é assim desde Adão até agora, nunca mudou. Portanto, se a genealogia contida em Mateus é a paterna, a de Lucas certamente está se referindo ao lado materno de Jesus Cristo.

Sobre Mateus e Lucas: Mateus era judeu, ex-cobrador de impostos, e foi um dos doze Apóstolos que o Senhor Jesus deixou para iniciar a sua Igreja na Terra. Ele escreveu seu evangelho em Hebraico. Lucas era médico e muito provavelmente não era judeu, segundo as informações contidas na carta de Paulo aos colossenses (Cl 4:7-14). Era discípulo de Paulo, e escreveu seu evangelho em grego.

Sobre a versão bíblica NVI, leia explicações detalhadas sobre ela na Wikipédia (clique aqui). A equipe que trabalhou no processo de elaboração e conclusão da NVI foi extensa (clique aqui), e esta versão, assim como as mais antigas, como a João Ferreira de Almeida e a King James, também passou por muitas revisões antes de ser publicada, e é apta para fornecer informações claras e detalhadas tanto do conteúdo do Antigo como do Novo Testamentos.

Com relação às profecias do Antigo Testamento que falam de quem o Messias seria descendente, vejamos algumas abaixo:

"Dias virão, declara o Senhor, em que cumprirei a promessa que fiz à comunidade de Israel e à comunidade de Judá. Naqueles dias e naquela época farei brotar um Renovo justo da linhagem de Davi; ele fará o que é justo e certo na terra. Naqueles dias Judá será salva e Jerusalém viverá em segurança, e este é o nome pelo qual ela será chamada: O Senhor é a Nossa Justiça." (Jeremias 33:14-16)

"Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. (...) Ele me dirá: ‘Tu és o meu Pai, o meu Deus, a Rocha que me salva’. Também o nomearei meu primogênito, o mais exaltado dos reis da terra. Manterei o meu amor por ele para sempre, e a minha aliança com ele jamais se quebrará. Firmarei a sua linhagem para sempre, o seu trono durará enquanto existirem céus."(Salmos 89:19-29)

"O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão. Ele amarrará seu jumento a uma videira e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas, no sangue das uvas, as suas vestimentas." (Gênesis 49:10,11)

Missionária Oriana Costa.



quarta-feira, 31 de março de 2021

Só há um Mestre - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 1


Este capítulo do evangelho de Mateus mostra o episódio em que, dias antes de sua prisão, Jesus ainda estava ensinando no templo em Jerusalém. A situação aqui se dá logo após o último confronto que o Senhor teve com os fariseus dentro daquele lugar. Então, estando cercado por seus discípulos e uma grande multidão ali, Ele começa um discurso, onde julga a desobediência e incredulidade das lideranças de Israel e fala a respeito do que sobreviria aquela nação por rejeitar a Deus. 

Vejamos o que Cristo disse, entre os versículos 1 e 8:

Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. "Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’. "Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. (Mateus 23:1-8)

Observando com atenção o início do seu discurso, vemos que Jesus começou dizendo às pessoas que, por estarem em posição de autoridade (pois estavam estabelecidos no lugar de liderança que inicialmente pertencia a Moisés), os fariseus e mestres da Lei eram dignos de serem ouvidos e obedecidos. O Mestre disse isso porque a insubmissão às autoridades é transgressão à justiça de Deus e traz condenação e juízo sobre a vida de quem se comporta dessa forma. 

A única exceção acontece quando uma autoridade obriga os indivíduos a NÃO SE SUJEITAREM A DEUS ou NÃO PRIORIZAREM A JUSTIÇA DE DEUS. Nesse caso, as pessoas que conhecem a Deus devem seguir o exemplo do profeta Daniel, ou dos jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego, por exemplo, que, arriscando perderem suas vidas, não obedeceram a certos decretos reais, por esses colocarem o Deus Criador em segundo plano. Leia sobre esses acontecimentos no capítulo 3 e 6 do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento).

Os fariseus e mestres da Lei não obrigavam o povo a, frontalmente, contrariarem os mandamentos da Antiga Aliança, no entanto eles mesmos não consideravam tudo o que estava nas Escrituras e desobedeciam "sutilmente" muitos dos decretos que Deus havia instituído. Além disso, ainda acrescentavam "outras obrigações" aos mandamentos, como se estes não fossem suficientes para reger o povo plenamente. Por isso, Cristo alertou a todos que eles eram movidos por suas vaidades e obstinações, assim sendo, aquelas lideranças não serviam de exemplo ao povo.

Cristo também alertou às pessoas sobre o orgulho que os fariseus e mestres da Lei tinham de serem chamados e reconhecidos como rabis (mestres). Aqueles homens achavam que sabiam tudo e se envaideciam nisso. O problema é que nem o Apostolo Paulo de Tarso, considerado um dos homens mais cultos e instruídos nas Escrituras Sagradas, sabia tudo sobre Deus e Sua Justiça.

Por este motivo é que o Senhor Jesus reprovou a conduta dos líderes religiosos de Israel, que estavam cheios de soberba em seus corações. Ele lembrou ao povo que só havia um Mestre – uma pessoa que sabe tudo –, que é o próprio Deus, e que todos os seres humanos, tanto os que sabem mais quanto os que sabem menos, deviam tratar uns aos outros igualmente, sem fazer acepção, vivendo como irmãos.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...