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quarta-feira, 5 de maio de 2021

A sentença - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 6


Neste texto faremos a conclusão do estudo do capítulo 23 do Evangelho de Mateus, que vai do versículo 29 até o 39. Na primeira parte, entre os versículos 29 e 36, vamos observar os dois últimos julgamentos feitos pelo Senhor Jesus em relação aos líderes religiosos de Israel, enquanto ainda estava no templo de Jerusalém.

Em seguida, a partir do versículo 37, vamos analisar o desfecho do discurso de Cristo, onde Ele declara a sentença que já havia sido decretada para a nação de Israel, séculos antes daquele momento, pelos profetas que Deus lhes havia enviado.

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos. E dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas’. Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas. Acabem, pois, de encher a medida do pecado dos seus antepassados! Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno? Por isso, eu lhes estou enviando profetas, sábios e mestres. A uns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas sinagogas de vocês e perseguirão de cidade em cidade. E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar. Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.

A sexta acusação feita contra os mestres da Lei e fariseus foi, portanto, a falta de compromisso deles com suas palavras, ao declararem "se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas".

Acontecia que, literalmente, eles diziam à sociedade que jamais iriam fazer o que seus antepassados fizeram, prendendo e matando os profetas que Deus estava enviando a eles para os advertir. Porém, eles estavam sendo levianos, dizendo essas palavras sem seriedade, sem o compromisso de cumpri-las. 

E desta forma, para manter as aparências e provar ao povo que estavam mesmo falando sério, eles cuidavam dos túmulos dos profetas e dos monumentos feitos em homenagem a alguns deles. 

A situação que aqueles homens falavam – de que jamais participariam no assassinato de profetas de Deus –, realmente não havia acontecido ainda com eles, pois João Batista foi o último profeta da Antiga Aliança, e ele foi preso e morto a mando de Herodes Antipas, o tetrarca romano que comandava as regiões da Galiléia e Pereia. Assim, (extraordinariamente!) não houve a intervenção dos israelitas no processo da prisão e morte desse profeta específico.

O último profeta enviado por Deus aos israelitas, antes de João Batista, foi há aproximadamente 450 anos antes de seu nascimento, cujo nome era Malaquias (Clique aqui para saber mais). Desta forma, os israelitas passaram quase 500 anos sem receber mensageiro algum da parte de Deus (pelo menos, registrado através das Escrituras), até que, por fim, Ele enviou João e Jesus.

A geração de israelitas do tempo de Jesus, portanto, sabia da matança dos profetas, por causa dos registros contidos nas Escrituras e em outros documentos que ainda existiam na época, mas não tinham vivenciado tal fato por eles mesmos.

Contudo, antecipadamente, por causa da ação do Espírito Santo e também respaldado nas próprias Escrituras, o Senhor Jesus, ao final de seu discurso, declarou, diante de todos os presentes, aquilo que os mestres da Lei e fariseus iriam fazer: eles iam acabar de encher a medida do pecado dos seus antepassados, perseguindo, açoitando, crucificando e matando o próprio Cristo, e depois os Apóstolos e muitos de seus discípulos. Então, essa foi a sétima e última acusação de Jesus contra aqueles homens: homicídio.

O último assassinado feito pelos líderes religiosos israelitas a um profeta, aconteceu séculos antes da vinda de João Batista. O profeta Zacarias, conforme fala Cristo, foi morto entre o santuário e o altar. Isso quer dizer que eles invadiram o templo e provavelmente mataram o profeta em frente à sala chamada de Santo dos santos.

No Antigo Testamento não há o relato da morte do profeta Zacarias, assim como descreveu o Senhor, nem tampouco há a citação acerca de como outros profetas morreram (só encontramos informações de que muitos foram feridos por espadas), contudo, em alguns trechos vemos denúncias desses tristes acontecimentos:

Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. (1 Reis 19:14)

Mas foram desobedientes e se rebelaram contra ti; deram as costas para a tua Lei. Mataram os teus profetas, que os tinham advertido que se voltassem para ti; e te fizeram ofensas detestáveis. (Neemias 9:26)

De nada adiantou castigar o seu povo, eles não aceitaram a correção. A sua espada tem destruído os seus profetas como um leão devorador. (Jeremias 2:30)

Prosseguindo com o raciocínio do nosso estudo, vamos agora para a finalização desse dramático discurso do Senhor Jesus, que conclui dizendo estas palavras:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’.

Ao falar da galinha que reúne seus pintinhos debaixo de suas asas, Cristo está se referindo à proteção e ao cuidado que Deus sempre desejava dar à nação de Israel, e que, inclusive, é uma das promessas dele para aquele povo:

Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor. (Salmos 91:4)

Porém, por causa da incredulidade e desobediência dos israelitas, ao longo dos séculos, eles acabaram por várias vezes dominados por outras nações e suas cidades eram destruídas. Antes de Roma, que foi a última nação a assumir o controle dos israelitas, eles já tinham sido conquistados pelos assírios, persas, gregos e macedônicos (império selêucida).

No momento que Jesus foi enviado, Israel estava novamente colhendo mais um juízo de sua conduta reprovável diante de Deus, desta vez submissa ao Império romano, que 40 anos depois, iria destruir totalmente a cidade de Jerusalém e arrasar todas as outras cidades israelenses.

Ao julgar a nação de Israel, Jesus faz menção ao que fora dito pelo profeta Jeremias, séculos antes de seu tempo:

A terra deles ficará deserta e será tema de permanente zombaria. Todos os que por ela passarem ficarão chocados e balançarão a cabeça. Como o vento leste, eu os dispersarei diante dos inimigos; eu lhes mostrarei as costas e não o rosto, no dia da sua derrota.(Jeremias 18:16,17)

E quando o Senhor Jesus diz "eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor', Ele está dizendo que os judeus israelitas somente tornariam a vê-lo novamente quando reconhecessem a Ele como seu Salvador e cressem na mensagem do Reino, aceitando o governo de Cristo sobre eles e humilhando-se diante de Deus, arrependendo-se verdadeiramente de seus pecados. Essa fala de Jesus está predita no livro de Salmos, como leremos a seguir:

Esta é a porta do Senhor, pela qual entram os justos. Dou-te graças, porque me respondeste e foste a minha salvação. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isso vem do Senhor, e é algo maravilhoso para nós. Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia. Salva-nos, Senhor! Nós imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós suplicamos. Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos. (Salmos 118:20-26)

De fato, depois de ressurreto, os primeiros para os quais Jesus apareceu pessoalmente foram os Apóstolos e alguns de seus discípulos (que eram judeus), e, mais tarde, também o fariseu romano Paulo de Tarso experimentou um momento especial com o Rei Jesus enquanto viajava para Damasco, quando perseguia os cristãos.

Então, praticamente todos os que estavam seguindo o Senhor Jesus até Sua crucificação, com exceção do Apóstolo Paulo, conseguiram vê-lo em pessoa após sua ressurreição.

Até os dias de hoje, muitos judeus que buscam conhecer a mensagem do Evangelho têm tido experiências sobrenaturais únicas com a presença de Deus. Alguns têm visões do Reino de Deus e do próprio Cristo, ainda que não possam ver seu rosto com clareza.

No Evangelho de João há também um trecho com informações complementares em relação a esse episódio do templo, que veremos a seguir:

"Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, com um pedido: "Senhor, queremos ver Jesus". Filipe foi dizê-lo a André, e os dois juntos o disseram a Jesus. Jesus respondeu: "Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará. "Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome! " Então veio uma voz do céu: "Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente". A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado. Jesus disse: "Esta voz veio por causa de vocês, e não por minha causa. Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim". Ele disse isso para indicar o tipo de morte que haveria de sofrer. A multidão falou: "A Lei nos ensina que o Cristo permanecerá para sempre; como podes dizer: ‘O Filho do homem precisa ser levantado’? Quem é esse ‘Filho do homem’?" Disse-lhes então Jesus: "Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo. Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz". Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles. Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, não creram nele. Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: "Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?" Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar: "Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure". Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele. Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga; pois preferiam a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus. Então Jesus disse em alta voz: "Quem crê em mim, não crê apenas em mim, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. "Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia. Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer". (João 12:20-50)

Provavelmente, esse foi o fechamento do trabalho de Cristo enquanto ensinava no templo em Jerusalém pela última vez.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sepulcros caiados - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 5


Neste texto, vamos analisar a penúltima parte do último discurso que o Senhor Jesus fez publicamente no templo de Jerusalém, diante das autoridades religiosas, dos discípulos e da multidão que estava ali presente. Esse acontecimento se deu alguns dias antes de sua prisão.

De fato, esse trecho se trata do fechamento do raciocínio dos cinco primeiros julgamentos que o Senhor estava fazendo naquele momento, relacionados às atitudes dos fariseus e mestres da Lei, e que se iniciou a partir do versículo 13. Para entender melhor o contexto desse conteúdo, leia as outras quatro publicações anteriores a esta, aqui neste blog.

Continuando nosso estudo, vejamos o trecho abaixo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade. (Mateus 23:23-28)

Observamos, desta forma, que a quinta acusação que o Mestre faz contra os fariseus e mestres da Lei é com relação à omissão dos preceitos mais importantes, para os quais a Lei Mosaica aponta todo o tempo: a Justiça de Deus (que ainda seria revelada plenamente a eles, e por isso deveria ser desejada e buscada), e as suas misericórdia (com relação à situação condenatória dos seres humanos) e fidelidade (em cumprir todas as suas promessas e pactos).

O Senhor Jesus alertou a todos que cumprir à risca o mandamento do dízimo não justifica a falta de entendimento dos reais princípios da Lei, que, obviamente, aqueles que estavam liderando espiritualmente a nação de Israel deveriam ter.

Por não buscarem conhecer a Deus de fato, aqueles homens se encheram de vaidades, ganância e cobiça, achando que apenas decorando e cumprindo os mandamentos da Lei estariam justificados de seus pecados diante do Pai, e assim manteriam diante do povo o status de "justos". Foi por isso que o Senhor fez uma metáfora tão exagerada: "vocês coam um mosquito da água que bebem, mas no fim acabam engolindo um camelo".

Cristo chamou a atenção daqueles líderes para a sua cegueira espiritual, pois estavam dando mais importância à aparência de sábios e justos do que à verdadeira sabedoria e justiça de Deus. 

Ele mostrou que se encher do conhecimento das escrituras e procurar cumprir os mandamentos ao pé da letra, sem, porém, entender para quê eles realmente servem é o mesmo que "limpar somente o exterior do copo e do prato e deixar sujo o interior deles". Então, agindo daquela forma, os fariseus e mestres da Lei estavam sendo hipócritas e maus uns com os outros, pois somente o entendimento pleno da justiça de Deus dá às pessoas o discernimento verdadeiro da maldade, levando-as a rejeitar sua ação plenamente.

A expressão "sepulcro caiado" se refere a um túmulo, da época de Jesus, que estava branqueado por fora com cal. Na íntegra, era a pedra do túmulo ou as paredes ao redor pintadas de branco. Caiar um sepulcro, portanto, servia para melhorar aparência do lugar, deixando-o mais agradável de ver, no momento das visitações. No entanto, isso não mudava o que havia por dentro dele: um cadáver fétido, em decomposição.

Por isso, também, o Senhor Jesus comparou aqueles homens a "sepulcros caiados", pois eles insistiam em parecer sábios e justos aos olhos de todos, mas, por dentro, estavam mortos espiritualmente e não se importavam em mudar a situação de seus corações.

Mesmo que o Senhor Jesus os alertasse, eles não lhe davam ouvidos e se enfureciam mais ainda contra Ele a cada vez que eram confrontados com a verdade. Seus corações estavam endurecidos, cheios da operação da maldade, e suas vidas entregues aos sentimentos e desejos provenientes dela.

Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 27 de abril de 2021

Regras a mais - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 4


Nesta parte de seu discurso, onde Cristo segue julgando o procedimento das lideranças religiosas de Israel, dentro do templo em Jerusalém, Ele aponta especialmente o quanto aqueles homens estavam totalmente longe de Deus e muito apegados aos bens materiais e às riquezas do mundo.

Cristo aqui faz mais dois julgamentos importantes (veja os dois primeiros em Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3) com relação ao procedimento daqueles líderes religiosos.

Vejamos o trecho a seguir:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês. Ai de vocês, guias cegos!, pois dizem: ‘Se alguém jurar pelo santuário, isto nada significa; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, está obrigado por seu juramento’. Cegos insensatos! Que é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? Vocês também dizem: ‘Se alguém jurar pelo altar, isto nada significa; mas se alguém jurar pela oferta que está sobre ele, está obrigado por seu juramento’. Cegos! Que é mais importante: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, aquele que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. E o que jurar pelo santuário, jura por ele e por aquele que nele habita. E aquele que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele se assenta. (Mateus 23:15-22)

Um detalhe interessante é que no início desse trecho o Senhor Jesus fala que existia uma espécie de "evangelização", que era feita pelos mestres da Lei e fariseus, aonde eles supostamente saíam do território de Israel a fim de divulgar sua fé em outras nações e, provavelmente, também ensinar a Lei aos estrangeiros que faziam aliança com Deus.

Porém, esse assunto não é muito conhecido no meio cristão, no entanto, aqui o Senhor fala da existência desse trabalho, antes mesmo que a promessa da Nova Aliança com Deus se cumprisse.

De fato, não há informações acessíveis sobre o procedimento daqueles homens nessa área, no entanto, segundo a forma como Jesus julga aquela liderança, era como se, nesse trabalho, a mensagem que anunciava o cumprimento da promessa de justificação feita por Deus a Abrão – que aconteceria com a vinda do Messias que estabeleceria seu reinado para sempre em toda a terra – estivesse sendo deixada de lado. Então, essa é mais uma razão pela qual Jesus faz essa primeira acusação e os condena chamando-os, por causa disso, de "filhos do inferno".

Com toda a certeza, essa omissão da promessa de justificação feita por Deus, assim como está nas escrituras, não viria senão de alguém que estivesse contra o Criador, ou seja, o diabo.

O segundo julgamento de Cristo nesse trecho são as "regrinhas a mais" que os mestres da Lei e os fariseus estavam ensinando. Dentre elas, estava a desobrigação de cumprir um juramento, caso ele fosse feito em nome do santuário ou em nome do altar do sacrifício. No entanto, eles diziam que se alguém jurasse em nome do ouro que revestia o santuário ou em nome das ofertas que estavam sobre o altar do sacrifício, aí o indivíduo teria que cumprir sua promessa.

Na cultura judaica antiga, com relação aos juramentos, geralmente eles eram feitos sempre em nome de alguém ou em nome de alguma coisa importante, quando o sujeito queria deixar bem claro que a promessa ou o voto que fez se cumpriria da forma e no tempo que foi estabelecido. 

O santuário (que era a parte mais externa do templo) e o altar (local mais interno do templo onde eram colocadas as ofertas de cereais e feitos os sacrifícios de animais pela expiação dos pecados do povo) eram os locais mais importantes para os israelitas, por isso eram os mais usados na hora em que eles queriam jurar pelo cumprimento de alguma promessa ou voto.

Em relação a fazer juramentos, a Lei diz o seguinte:

Quando um homem fizer um voto ao Senhor ou um juramento que o obrigar a algum compromisso, não poderá quebrar a sua palavra, mas terá que cumprir tudo o que disse.(Números 30:2)

No livro de Eclesiastes, escrito pelo Rei Salomão, também há um trecho que diz:

Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus, e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir. Não permita que a sua boca o faça pecar. E não diga ao mensageiro de Deus: "O meu voto foi um engano". Por que irritar a Deus com o que você diz e deixá-lo destruir o que você realizou? Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus. (Eclesiastes 5:2-7)

Portanto, não foi à toa que o Senhor Jesus condenou o procedimento dos líderes religiosos de Israel. Segundo a Lei, qualquer promessa ou voto feito sob juramento deveria ser cumprido, salvo algumas pequenas exceções referentes às mulheres (veja em Números 30:2-15). 

Então, independente do ouro que revestia o santuário em algumas partes ou qualquer outra riqueza ou objeto caro que estivesse dentro do templo, ou mesmo de qualquer oferta que estivesse sobre o altar, um voto ou uma promessa feita sob juramento deveria ser cumprida.

No entanto, por não enxergarem o sentido dos mandamentos da Lei mosaica, os mestres da Lei e fariseus estavam sutilmente ensinando que as riquezas e bens materiais que haviam dentro do templo eram mais valiosos do que o próprio santuário.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


domingo, 18 de abril de 2021

Hipocrisia das lideranças - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3


Neste texto, veremos a terceira parte do discurso que o Senhor Jesus fez no templo de Jerusalém, depois de ter sido abordado pelos mestres da Lei e fariseus pela última vez, antes de ser preso. 

Esta parte do capítulo 23 do Evangelho de Mateus é composta por sete julgamentos feitos por Cristo, com relação ao procedimento da liderança religiosa de Israel, e que, por sinal, são palavras bem duras e contundentes, mas totalmente verdadeiras.

Vale lembrar que os líderes religiosos estavam ali presentes, juntamente com os discípulos e a multidão que cercava o Mestre dentro do templo, testemunhando todo o discurso, e que, também, as acusações que o Messias faria contra as lideranças israelitas já estavam preditas, as quais aconteceriam quando Ele viesse:

"Eu ainda faço denúncias contra vocês", diz o Senhor, "e farei denúncias contra os seus descendentes." (Jeremias 2:9)

Vamos conferir abaixo as duas primeiras acusações feitas pelo Senhor contra os fariseus e mestres da Lei, no seu último dia de ensino no templo de Jerusalém:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente." (Mateus 23:13,14)

Como vemos, Cristo não poupou palavras, julgando aquilo que os fariseus e mestres da Lei estavam fazendo com a nação de Israel. A responsabilidade maior recaía sobre eles, pois tudo o que diziam e faziam era considerado regra e exemplo para todo o povo. Assim, o Senhor expôs publicamente, e pela última vez diante de uma multidão, todo o procedimento equivocado e enganoso daqueles homens.

A primeira acusação de Jesus contra eles foi "vocês estão impedindo aqueles que desejam entrar no Reino dos céus de fazê-lo e nem vocês mesmos estão querendo entrar nele". Esse julgamento é grave, haja vista que a nação de Israel foi planejada por Deus para representar o Reino de Deus na terra até a vinda do Messias. Israel deveria ser uma nação gloriosa e ser um exemplo para as outras nações em todas as áreas, especialmente na submissão ao Criador de todas as coisas.

Por conta disso, todo israelita deveria desejar ardentemente o Reino de Deus, não somente por saber da existência dele pelas escrituras, mas também por ter a incumbência de anunciar às outras nações da terra que Deus enviaria um Justificador, para que todos os que cressem em sua mensagem e sacrifício pudessem entrar nesse lugar gratuitamente.

No entanto, o que estava acontecendo, já há muitos anos, ainda antes do Messias chegar, era exatamente o oposto. Devido à influência das lideranças, a maioria das pessoas apegou-se às práticas religiosas como uma realidade absoluta, esquecendo de que os livros da Lei e as palavras ditas pelos profetas apontavam (e ainda apontam!) para a realidade do Reino de Deus, que era espiritual e muito superior a deste mundo. Além disso, as Escrituras mostravam que o Messias viria para justificá-los e reinar para sempre sobre eles, como, de fato, observamos que aconteceu.

Com o tempo, os mestres da Lei e fariseus foram agregando regras novas àquelas já determinadas por Deus nos mandamentos da Lei e fazendo delas seu meio de justificação diante d'Ele. Isso entristecia profundamente ao Senhor.

A segunda acusação que Cristo fez às lideranças israelitas foi "vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações". Em miúdos, isso significa que, por causa do amor ao dinheiro, aqueles homens não poupavam nem os mais necessitados na sociedade, a fim de manter seu alto padrão de vida. 

Quando Cristo fala das viúvas, Ele está se referindo especialmente aquelas com mais idade, que já não se casariam novamente e não eram abastadas financeiramente. Portanto, mulheres nessa situação precisavam da ajuda dos filhos para se manterem. No livro de Êxodo há um aviso em relação ao que aconteceria com quem desprezasse ou deixasse de ajudar viúvas e crianças órfãs:

Não prejudiquem as viúvas nem os órfãos; porque se o fizerem, e eles clamarem a mim, eu certamente atenderei ao seu clamor. (Êxodo 22:22,23)

Então, desconsiderando os mandamentos da Lei e criando novas regras, e fazendo o povo acreditar que elas eram agradáveis a Deus, aqueles homens faziam com que o povo lhes entregasse mais dinheiro ou mantimentos do que a Lei instituída pelo próprio Deus já determinava.

Visto que a maior parte dos procedimentos no templo não eram feitos publicamente, sendo presenciados apenas pelos sacerdotes, as lideranças religiosas precisavam agir de uma maneira que convencessem o povo de que estavam em plena comunhão com o Senhor. Desta forma, eles se exibiam orando por horas nas ruas para que todos vissem. Isso fazia com que o povo confiasse totalmente neles.

Ensinando os discípulos em falas anteriores, o Senhor Jesus tanto alertou sobre como deveríamos proceder quando estivéssemos falando com o Pai, como também expôs alguns dos descumprimentos à Lei mosaica que os fariseus estavam provocando, ao manterem as "tradições" que foram sendo criadas nos últimos cinco séculos antes da vinda do Senhor. Vejamos nos trechos a seguir:

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. (Mateus 6:5,6)

Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. (Mateus 15:3-6)

Lembrando que "honrar pai e mãe", segundo a Lei Mosaica, não é somente respeitar a autoridade deles, mas também sustentá-los financeiramente quando estiverem em idade avançada (pois naquela época não existia aposentadoria) e cuidar deles. Os mandamentos da Lei não ensinavam ao povo de Deus a dar como oferta no templo aquilo que seria a parte cabível ao sustento dos pais idosos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


quarta-feira, 31 de março de 2021

Só há um Mestre - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 1


Este capítulo do evangelho de Mateus mostra o episódio em que, dias antes de sua prisão, Jesus ainda estava ensinando no templo em Jerusalém. A situação aqui se dá logo após o último confronto que o Senhor teve com os fariseus dentro daquele lugar. Então, estando cercado por seus discípulos e uma grande multidão ali, Ele começa um discurso, onde julga a desobediência e incredulidade das lideranças de Israel e fala a respeito do que sobreviria aquela nação por rejeitar a Deus. 

Vejamos o que Cristo disse, entre os versículos 1 e 8:

Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. "Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’. "Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. (Mateus 23:1-8)

Observando com atenção o início do seu discurso, vemos que Jesus começou dizendo às pessoas que, por estarem em posição de autoridade (pois estavam estabelecidos no lugar de liderança que inicialmente pertencia a Moisés), os fariseus e mestres da Lei eram dignos de serem ouvidos e obedecidos. O Mestre disse isso porque a insubmissão às autoridades é transgressão à justiça de Deus e traz condenação e juízo sobre a vida de quem se comporta dessa forma. 

A única exceção acontece quando uma autoridade obriga os indivíduos a NÃO SE SUJEITAREM A DEUS ou NÃO PRIORIZAREM A JUSTIÇA DE DEUS. Nesse caso, as pessoas que conhecem a Deus devem seguir o exemplo do profeta Daniel, ou dos jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego, por exemplo, que, arriscando perderem suas vidas, não obedeceram a certos decretos reais, por esses colocarem o Deus Criador em segundo plano. Leia sobre esses acontecimentos no capítulo 3 e 6 do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento).

Os fariseus e mestres da Lei não obrigavam o povo a, frontalmente, contrariarem os mandamentos da Antiga Aliança, no entanto eles mesmos não consideravam tudo o que estava nas Escrituras e desobedeciam "sutilmente" muitos dos decretos que Deus havia instituído. Além disso, ainda acrescentavam "outras obrigações" aos mandamentos, como se estes não fossem suficientes para reger o povo plenamente. Por isso, Cristo alertou a todos que eles eram movidos por suas vaidades e obstinações, assim sendo, aquelas lideranças não serviam de exemplo ao povo.

Cristo também alertou às pessoas sobre o orgulho que os fariseus e mestres da Lei tinham de serem chamados e reconhecidos como rabis (mestres). Aqueles homens achavam que sabiam tudo e se envaideciam nisso. O problema é que nem o Apostolo Paulo de Tarso, considerado um dos homens mais cultos e instruídos nas Escrituras Sagradas, sabia tudo sobre Deus e Sua Justiça.

Por este motivo é que o Senhor Jesus reprovou a conduta dos líderes religiosos de Israel, que estavam cheios de soberba em seus corações. Ele lembrou ao povo que só havia um Mestre – uma pessoa que sabe tudo –, que é o próprio Deus, e que todos os seres humanos, tanto os que sabem mais quanto os que sabem menos, deviam tratar uns aos outros igualmente, sem fazer acepção, vivendo como irmãos.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




terça-feira, 30 de março de 2021

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração.


Neste texto, vamos analisar uma passagem bíblica que descreve o último confronto de Jesus com as lideranças religiosas de Jerusalém, antes de sua prisão. O episódio se encontra descrito no evangelho de Mateus, capítulo 22, dos versículos 34 ao 46.

Como sabemos, após descobrirem que Jesus Cristo seria uma grande ameaça à continuidade de suas regalias e status, as lideranças de Israel trabalharam duro para calarem o Senhor, de muitas formas.

Então, até aqui, os fariseus, os herodianos e os saduceus já tinham tentado fazer Cristo tropeçar nas palavras, contudo sem sucesso. Após aquele último confronto, que descrevi em postagem anterior, os líderes religiosos de Israel desistiram de tentar fazer o Senhor Jesus tropeçar nas palavras e começaram a pensar numa outra maneira de pará-lo.

Mas, voltando à passagem que estamos estudando, vamos analisar a primeira parte da conversa que eles tiveram:

Ao ouvirem dizer que Jesus havia deixado os saduceus sem resposta, os fariseus se reuniram. Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Respondeu Jesus: "‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas". (Mateus 22:34-40)

Desta vez, os fariseus fizeram uma pergunta bem capciosa ao Senhor. Eles esperavam que perguntando a Jesus qual era o "maior mandamento da Lei", Ele responderia com uma das ordenanças que continha "mais informações ou mais palavras" e não com aquele ponto da Lei que tinha mais importância que os outros.

Se Jesus tivesse mesmo interpretado literalmente aquilo que os fariseus estavam lhe perguntando, sua resposta seria recitar os 10 mandamentos que iniciam a Torah, os quais foram dados a Moisés no monte Sinai. Em hebraico os textos não contém pontuação, como na língua portuguesa, por exemplo, e, dessa forma, os dez mandamentos eram para os israelitas como se fossem um só, sintetizando todo o conteúdo da Lei, que contém ao todo 613 mandamentos. Tanto é assim que os dez mandamentos também são chamados por eles simplesmente de "As dez palavras" ou "Os dez ditos".

Porém, a resposta de Jesus aos fariseus foi com outro trecho da Lei Mosaica, que está no livro de Deuteronômio, capitulo 11, verso 1: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento" (o primeiro e maior mandamento em grau de importância), e com um trecho do livro de Levítico, capitulo 19, verso 18: "Ame o seu próximo como a si mesmo" (o segundo maior mandamento em grau de importância). Pode até não parecer à primeira vista, mas é nesses dois mandamentos que os preceitos da Antiga Aliança estão embasados, até mesmo aqueles onde Deus ordena a punição de alguém com a morte.

Quando ouvem que "Deus é Amor", muitos pensam que amar a Deus e ao próximo se refere a sentimentos. Porém, o amor de Deus (ou o amor ao qual Deus se refere no inicio dos dez mandamentos) não provém daquilo que sentimos por Deus ou pelos outros, mas sim da JUSTIÇA DE DEUS, que é um conjunto de preceitos que são totalmente ISENTOS DE MALDADE e que nunca mudam, seja qual for a circunstância ou os sentimentos envolvidos na situação. Esses preceitos não estão claros na Lei Mosaica, pois só foram esclarecidos por Jesus Cristo e pelos Apóstolos, na Nova Aliança.

É por isso que, por mais estranho que possa parecer à primeira vista, os mandamentos punitivos também expressam o Amor a Deus e ao próximo. Isso acontece porque naquela época ainda não havia uma justificação disponível para a maldade que está dentro dos seres humanos, e a única maneira de eliminar a operação da maldade do meio dos israelitas era a punição com a morte, em certos casos.

As pessoas que eram condenadas à morte antes da vinda de Cristo podiam até estar arrependidas, mas não havia justificação aceitável para seus atos diante de Deus. E os sacrifícios de animais, que também estão na Lei, não justificavam o povo de suas transgressões contra a Justiça eterna, mas serviam tão somente para lembrar o povo que Deus iria lhes enviar uma justificação plena no futuro.

Assim, era obrigação de todos aprenderem e cumprirem os mandamentos da Lei, para que a operação da maldade (que Deus odeia!) não prevalecesse no meio do povo, até que chegasse o Messias, o qual viria para pagar os pecados de todos, e não somente dos israelitas. E era nesse contexto que a liderança de Israel estava completamente ignorante naquele momento.

Quando Jesus veio e foi sacrificado, ele trouxe uma justificação aceitável diante do nosso Criador para a maldade que está operando dentro de nós e que nos faz transgredir a Justiça de Deus, sem que possamos discernir isso.

Dali por diante, o cumprimento dos mandamentos da Lei Mosaica não se fez mais necessário, tendo em vista que Jesus já veio, e que os preceitos da Justiça de Deus revelados por Ele são superiores e bem mais "suaves e leves" de se cumprir ("O meu jugo é suave e o meu fardo é leve" - Mateus 11:30). Alguns deles são idênticos aos da Antiga Aliança, porém, são embasados num outro mandamento estabelecido pelo Senhor Jesus, que diz o seguinte: "Amem-se uns aos outros como eu amei (amo) vocês". Esse mandamento muda totalmente o sentido de como será o nosso relacionamento com Deus e com o próximo.

Também é bom termos em mente que os mandamentos do REINO DE DEUS (ou da justiça de Deus) são anteriores à Lei Mosaica, e era com base nesses preceitos que a humanidade vivia antes de Adão pecar contra eles.

Portanto, é importante que busquemos entender os preceitos da justiça de Deus revelados por Cristo em seu ensino, e renovarmos os nossos entendimentos com eles, pois o AMOR DE DEUS é exatamente A SUA JUSTIÇA, e não um conjunto de sentimentos que variam conforme mudam as situações. 

Foi por esse motivo que, para finalizar aquela conversa, Jesus fez duas perguntas aos fariseus:

Estando os fariseus reunidos, Jesus lhes perguntou: "O que vocês pensam a respeito do Cristo? De quem ele é filho?" "É filho de Davi", responderam eles. Ele lhes disse: "Então, como é que Davi, falando pelo Espírito, o chama ‘Senhor’? Pois ele afirma: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: "Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés"'. Se, pois, Davi o chama ‘Senhor’, como pode ser ele seu filho?" Ninguém conseguia responder-lhe uma palavra; e daquele dia em diante, ninguém jamais se atreveu a lhe fazer perguntas. (Mateus 22:41-46)

Com essas perguntas o Senhor Jesus acabou expondo a ignorância dos fariseus com relação à real procedência do Messias, que eles deveriam estar preparados para receber. Apesar de os fariseus se gabarem de conhecer as Escrituras, demonstraram ignorância ao não conseguir responder as perguntas do Senhor.

Segundo a Lei e os profetas, o Cristo deveria vir até nós como um ser humano, para cumprir, nele mesmo, tudo o que havia sido decretado pelo Pai, a fim de restaurar o homem à sua condição inicial de "filho de Deus". Desta forma, deu a todos a oportunidade de receber a justificação da maldade que há dentro de seus corações.

E se também Ele deveria cumprir o que havia sido dito pelos profetas a respeito de quem Ele seria descendente neste mundo, logicamente Ele teria que nascer de uma mulher virgem (Gênesis 3:15, Isaías 7:14), e que fosse descendente da tribo de Judá (Genesis 49:10), e que, obviamente, seria uma parente (bem distante) do Rei Davi (2Samuel7:12,13). Essa mulher foi Maria, a qual os fariseus simplesmente ignoraram a origem (a genealogia de Maria encontra-se em Lucas 3:23-38).

Contudo, é bom lembrar que, apesar de parecer um ser humano comum à primeira vista, a procedência real de Jesus não era deste mundo, e sim dos Céus.

Desta forma, os preceitos que o homem Jesus usou para julgar situações e se comportar não eram somente os da Antiga Aliança. Apesar de Ele precisar cumpri-la, colocava os mandamentos do Reino de Deus em primeiro lugar.


Texto: Miss. Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Estudaremos, agora, um trecho do evangelho de Mateus, que mostra como os chefes dos sacerdotes e mestres da Lei reagiram, após serem confrontados por Jesus no templo, em Jerusalém, enquanto Ele ali ensinava.

Depois de ouvirem as três parábolas que Jesus lhes contou (Mateus 21 e 22), entendendo que, através delas, o Senhor estava denunciando a hipocrisia deles publicamente, aqueles líderes começaram a trabalhar mais rápido para prendê-lo e, se possível, exterminá-lo. 

Como eles não entenderam que Cristo era realmente o Messias, naquele momento, Ele representava uma ameaça à continuidade das regalias, poder e prestígio que aqueles homens usufruíam.

Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: "Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens. Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não? (Mateus 22:15-17)

Os herodianos eram os adeptos de uma provável seita (ou de um partido político) onde se acreditava na divindade de Herodes Antipas (o imperador de Roma na época), e até que ele poderia ser o verdadeiro Messias esperado pelos israelitas. Esse grupo de pessoas era composto de mensageiros e soldados do império romano, e, pelos interesses em comum que infelizmente existiam, estavam unidos à liderança religiosa de Israel.

Assim sendo, essas pessoas, que foram enviadas a Jesus, estavam na expectativa de vê-lo se contradizer de alguma forma: caso o Senhor defendesse a fé em Deus e o povo de Israel, se oporia ao domínio do império romano, mas se defendesse o controle romano, se oporia ao povo de Israel e a Deus. Nas duas situações Jesus seria considerado um rebelde, digno de condenação.

No entanto, o grupo foi surpreendido pela resposta de Jesus, que, ao mesmo tempo, defendeu a fé em Deus e o governo que estava estabelecido sobre os israelitas, e também diferenciou as duas situações através do que eles tinham em mãos: o conhecimento das Escrituras e o dinheiro que usavam na época para pagar o imposto.

Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: "Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova? Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto". Eles lhe mostraram um denário, e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição?" "De César", responderam eles. E ele lhes disse: "Então, deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Ao ouvirem isso, eles ficaram admirados; e, deixando-o, retiraram-se. (Mateus 22:18-22)

A moeda com a qual se pagava o imposto a César era a moeda do próprio império romano. Muitas vezes os israelitas eram obrigados a fazer o câmbio (comprar antes as moedas com o ouro ou a prata que tinham), sempre que iam pagar os impostos.

Por isso, Jesus pediu "a moeda usada para pagar o imposto", fazendo ali a diferenciação entre a obrigação que o povo de Israel tinha de obedecer a Deus, cumprindo os mandamentos da Lei, e a obrigação de pagar o imposto a César, por estarem debaixo do domínio dele.

O fato dos Israelitas obedecerem a Deus não tirava a obrigação deles de se submeterem a autoridade da nação que os estava dominando, pois a rebelião contra as autoridades, além de ser considerada uma transgressão perante Deus, também trazia prisão e morte para os rebeldes.

Portanto, se o próprio Deus não interferisse para libertar o povo, toda vez que eles iam cativos nas mãos de uma outra nação, eles tinham que se submeter às autoridades, tanto por temor a Deus quanto pelo perigo de morte pela rebelião.

Em relação à reação dos fariseus contra Jesus, é interessante notar que, estando os herodianos presentes no momento de abordarem Jesus, aquela liderança não estava nem um pouco interessada na libertação do povo de Israel do domínio de Roma, muito pelo contrário.

Na verdade, eles queriam continuar como estavam, porque daquela forma, ao mesmo tempo que já tinham o prestígio do povo, por terem sido separados para o serviço do templo e serem conhecedores das Escrituras, também usufruíam dos "lucros" de manter o povo submisso ao controle romano. 

Por esse motivo é que aqueles fariseus eram bem mais corruptos que os "publicanos", nome dado aos israelitas que trabalhavam para o império romano, cobrando imposto do povo. Os publicanos não eram bem vistos pela sociedade judaica, sendo considerados traidores, contudo os fariseus se mostravam bem piores que eles. Essa foi a razão pela qual tantas vezes Jesus confrontou aqueles lideres religiosos, reprovando-os publicamente.

Deus nunca desejou que os israelitas fossem dominados por outras nações e prometeu dar a eles um Rei que os governaria PARA SEMPRE, o qual viria no tempo determinado pelo Pai, segundo o que fora dito pelos profetas.

Os fariseus  estavam desprezando totalmente essas informações, em troca de usufruírem de um conforto material que não tinham a mínima ideia do tempo que iria durar.


Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...