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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sepulcros caiados - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 5


Neste texto, vamos analisar a penúltima parte do último discurso que o Senhor Jesus fez publicamente no templo de Jerusalém, diante das autoridades religiosas, dos discípulos e da multidão que estava ali presente. Esse acontecimento se deu alguns dias antes de sua prisão.

De fato, esse trecho se trata do fechamento do raciocínio dos cinco primeiros julgamentos que o Senhor estava fazendo naquele momento, relacionados às atitudes dos fariseus e mestres da Lei, e que se iniciou a partir do versículo 13. Para entender melhor o contexto desse conteúdo, leia as outras quatro publicações anteriores a esta, aqui neste blog.

Continuando nosso estudo, vejamos o trecho abaixo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade. (Mateus 23:23-28)

Observamos, desta forma, que a quinta acusação que o Mestre faz contra os fariseus e mestres da Lei é com relação à omissão dos preceitos mais importantes, para os quais a Lei Mosaica aponta todo o tempo: a Justiça de Deus (que ainda seria revelada plenamente a eles, e por isso deveria ser desejada e buscada), e as suas misericórdia (com relação à situação condenatória dos seres humanos) e fidelidade (em cumprir todas as suas promessas e pactos).

O Senhor Jesus alertou a todos que cumprir à risca o mandamento do dízimo não justifica a falta de entendimento dos reais princípios da Lei, que, obviamente, aqueles que estavam liderando espiritualmente a nação de Israel deveriam ter.

Por não buscarem conhecer a Deus de fato, aqueles homens se encheram de vaidades, ganância e cobiça, achando que apenas decorando e cumprindo os mandamentos da Lei estariam justificados de seus pecados diante do Pai, e assim manteriam diante do povo o status de "justos". Foi por isso que o Senhor fez uma metáfora tão exagerada: "vocês coam um mosquito da água que bebem, mas no fim acabam engolindo um camelo".

Cristo chamou a atenção daqueles líderes para a sua cegueira espiritual, pois estavam dando mais importância à aparência de sábios e justos do que à verdadeira sabedoria e justiça de Deus. 

Ele mostrou que se encher do conhecimento das escrituras e procurar cumprir os mandamentos ao pé da letra, sem, porém, entender para quê eles realmente servem é o mesmo que "limpar somente o exterior do copo e do prato e deixar sujo o interior deles". Então, agindo daquela forma, os fariseus e mestres da Lei estavam sendo hipócritas e maus uns com os outros, pois somente o entendimento pleno da justiça de Deus dá às pessoas o discernimento verdadeiro da maldade, levando-as a rejeitar sua ação plenamente.

A expressão "sepulcro caiado" se refere a um túmulo, da época de Jesus, que estava branqueado por fora com cal. Na íntegra, era a pedra do túmulo ou as paredes ao redor pintadas de branco. Caiar um sepulcro, portanto, servia para melhorar aparência do lugar, deixando-o mais agradável de ver, no momento das visitações. No entanto, isso não mudava o que havia por dentro dele: um cadáver fétido, em decomposição.

Por isso, também, o Senhor Jesus comparou aqueles homens a "sepulcros caiados", pois eles insistiam em parecer sábios e justos aos olhos de todos, mas, por dentro, estavam mortos espiritualmente e não se importavam em mudar a situação de seus corações.

Mesmo que o Senhor Jesus os alertasse, eles não lhe davam ouvidos e se enfureciam mais ainda contra Ele a cada vez que eram confrontados com a verdade. Seus corações estavam endurecidos, cheios da operação da maldade, e suas vidas entregues aos sentimentos e desejos provenientes dela.

Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 13 de abril de 2021

O nosso Pai - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 2


No trecho do capitulo 23 do evangelho de Mateus, que vai dos versos 9 a 12, o Senhor Jesus continua seu discurso para a multidão que o rodeava no templo em Jerusalém, e aqui Ele dá instruções sobre como as autoridades espirituais devem ser tratadas e consideradas pelos demais.

Levando sempre em conta que o Pai Criador é a maior autoridade que há na eternidade (Céus) e na Terra, então Cristo esclarece que tipo de títulos devemos dar às lideranças eclesiásticas, para, de maneira alguma, colocá-las em pé de igualdade com a autoridade de Deus, ou acima dela.

Vejamos as instruções do Mestre a seguir:

A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo. Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Mateus 23:9-12)

A primeira instrução se refere ao título de "Pai". Normalmente, no mundo, chamamos de pai a pessoa que nos gerou, ou aquele indivíduo que nos adotou, substituindo a falta do nosso genitor, e isso é absolutamente normal. No entanto, quando estamos tratando de lideranças espirituais ou religiosas, a coisa muda.

Como o Pai Criador está presente e nunca deixou de existir, além de ser a única e maior autoridade que há na eternidade, então, espiritualmente falando, o título de "Pai" cabe somente a Ele.

Portanto, não devemos dar o título de "Pai" a nenhuma liderança espiritual ou religiosa na terra, pois, ao fazermos isso, estamos colocando tal pessoa no mesmo patamar de autoridade de Deus.

A segunda instrução é não chamar uma liderança espiritual de "chefe". A palavra "chefe" (na versão NVI) remete ao título de "mestre" (versão ACRF), que é a mesma coisa que estar dizendo que tal pessoa está acima de você, por saber todas as coisas (no âmbito espiritual), e por isso ela é capaz de governar ou liderar sua vida totalmente.

O único capaz de chefiar, liderar, instruir ou governar a vida de alguém, com extrema precisão, é Deus, pois foi Ele quem nos criou. Ele detém todo o conhecimento sobre todas as coisas, nos Céus e na Terra.

Contudo, em instruções contidas nas cartas dos Apóstolos, vemos palavras como estas a seguir:

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. (Efésios 4:11-15)

Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo. (Tiago 3:1,2)

Isso quer dizer que apesar do próprio Deus ser o único perfeito e totalmente sábio, capaz de instruir e nortear a vida de alguém com precisão, Ele não fará esse serviço aparecendo, pessoalmente, para nós, a fim de que possamos ouvi-lo diretamente todo o tempo.

Antes do Dilúvio, as Escrituras mostram que Deus falava diretamente com as pessoas (por exemplo, Ele falou com Caim, procurando dissuadi-lo a dominar o pecado, em Gênesis 4:6-7). Contudo, depois desse evento, Ele se ocultou da humanidade e passou a levantar sacerdotes e profetas para que, através destes, pudesse anunciar Sua vontade e receber as ofertas dos homens.

Na Antiga Aliança, Deus estabeleceu, de maneira mais clara, o princípio do sacerdócio e levantou os profetas, os quais recebiam sobre si o poder do Espírito de Deus, para trazer instruções e correção ao povo. Já na Nova Aliança, o Espírito de Deus foi "derramado sobre toda a carne", assim, todos os cristãos podem ser usados por Ele para algum tipo de serviço na obra de proclamação do Evangelho bem como na condução e cuidado das pessoas.

Contudo, como o Apóstolo Tiago bem disse: "Todos tropeçamos de muitas maneiras", significando que, mesmo estando atendendo um chamado de Deus, ninguém é perfeito como Deus, todos nós cometemos erros, e por isso ninguém é digno de se colocar como "Mestre" ou "Chefe" sobre a vida de alguém já adulto e consciente dos seus atos.

Os cinco chamados de Deus, referidos no capítulo 5 do livro de Efésios, não dão o direito, a quem os atende, de tomarem o lugar de Deus nas vidas das pessoas, dizendo tudo o que elas tem de fazer. Cada um é apto para escolher viver ou não de acordo com o que Cristo ensina.

Quem age de má fé com os outros, usando sua influência para ir além do conselho ou ensino (baseado na justiça de Deus), ou ir além da proclamação do evangelho, tudo a fim de incitar ou obrigar as pessoas a fazerem alguma coisa, é um manipulador e está pecando contra Deus!

Muitas pessoas que acompanharam Jesus no início de seu ministério terreno decidiram deixá-lo por não compreenderem a mensagem que Ele pregou. E, de fato, Cristo sempre deixou as pessoas à vontade para segui-lo ou não e jamais obrigou seus discípulos a se submeterem às ordenanças da Justiça de Deus ou ao chamado que Deus estava lhes fazendo; os que realmente decidiram segui-lo atenderam ao Senhor de livre e espontânea vontade.

Para concluir, a terceira instrução de Cristo foi: "O maior entre vocês deverá ser servo. Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." Isso quer dizer que, enquanto a Igreja do Senhor Jesus estiver na terra, mesmo quem sabe mais ou quem está em posição de autoridade deve imitar a Cristo, que mesmo conhecendo plenamente a Justiça de Deus e sendo a maior autoridade que há na Terra e nos Céus, escolheu servir aos outros e se humilhar em prol da salvação de toda a humanidade.

Então, mesmo aqueles que conhecem muito as Escrituras e ensinam aos outros vão precisar sempre lembrar e reconhecer que não sabem tudo, e que o único Dono das vidas das pessoas é Jesus Cristo.

Essa situação coloca todos os cristãos no mesmo patamar, como servos de Deus e servos uns dos outros, especialmente rejeitando a glória a si mesmo e remetendo-a totalmente a Deus. É preciso lembrar, também, que o próprio Deus não faz acepção de pessoas e trata a todos os seus filhos igualmente, e, por isso, devemos proceder da mesma forma com os nossos irmãos na fé.

De acordo com as cartas dos Apóstolos, portanto, quem atende ao chamado de mestre inevitavelmente acabará aprendendo mais sobre a Justiça de Deus do que os demais, e assim adquire autoridade para ensinar os preceitos do Reino aos outros. Por causa disso, esse indivíduo será julgado por Deus com maior rigor, como explica o Apóstolo Tiago.

É por esse motivo que aqueles que atendem ao chamado de mestre devem ter cuidado para não se ensoberbecer, se esforçando dia a dia para dominar ainda mais seus impulsos carnais, buscando agradar mais a Deus e servir ao próximo.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 31 de março de 2021

Só há um Mestre - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 1


Este capítulo do evangelho de Mateus mostra o episódio em que, dias antes de sua prisão, Jesus ainda estava ensinando no templo em Jerusalém. A situação aqui se dá logo após o último confronto que o Senhor teve com os fariseus dentro daquele lugar. Então, estando cercado por seus discípulos e uma grande multidão ali, Ele começa um discurso, onde julga a desobediência e incredulidade das lideranças de Israel e fala a respeito do que sobreviria aquela nação por rejeitar a Deus. 

Vejamos o que Cristo disse, entre os versículos 1 e 8:

Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: "Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. "Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’. "Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. (Mateus 23:1-8)

Observando com atenção o início do seu discurso, vemos que Jesus começou dizendo às pessoas que, por estarem em posição de autoridade (pois estavam estabelecidos no lugar de liderança que inicialmente pertencia a Moisés), os fariseus e mestres da Lei eram dignos de serem ouvidos e obedecidos. O Mestre disse isso porque a insubmissão às autoridades é transgressão à justiça de Deus e traz condenação e juízo sobre a vida de quem se comporta dessa forma. 

A única exceção acontece quando uma autoridade obriga os indivíduos a NÃO SE SUJEITAREM A DEUS ou NÃO PRIORIZAREM A JUSTIÇA DE DEUS. Nesse caso, as pessoas que conhecem a Deus devem seguir o exemplo do profeta Daniel, ou dos jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego, por exemplo, que, arriscando perderem suas vidas, não obedeceram a certos decretos reais, por esses colocarem o Deus Criador em segundo plano. Leia sobre esses acontecimentos no capítulo 3 e 6 do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento).

Os fariseus e mestres da Lei não obrigavam o povo a, frontalmente, contrariarem os mandamentos da Antiga Aliança, no entanto eles mesmos não consideravam tudo o que estava nas Escrituras e desobedeciam "sutilmente" muitos dos decretos que Deus havia instituído. Além disso, ainda acrescentavam "outras obrigações" aos mandamentos, como se estes não fossem suficientes para reger o povo plenamente. Por isso, Cristo alertou a todos que eles eram movidos por suas vaidades e obstinações, assim sendo, aquelas lideranças não serviam de exemplo ao povo.

Cristo também alertou às pessoas sobre o orgulho que os fariseus e mestres da Lei tinham de serem chamados e reconhecidos como rabis (mestres). Aqueles homens achavam que sabiam tudo e se envaideciam nisso. O problema é que nem o Apostolo Paulo de Tarso, considerado um dos homens mais cultos e instruídos nas Escrituras Sagradas, sabia tudo sobre Deus e Sua Justiça.

Por este motivo é que o Senhor Jesus reprovou a conduta dos líderes religiosos de Israel, que estavam cheios de soberba em seus corações. Ele lembrou ao povo que só havia um Mestre – uma pessoa que sabe tudo –, que é o próprio Deus, e que todos os seres humanos, tanto os que sabem mais quanto os que sabem menos, deviam tratar uns aos outros igualmente, sem fazer acepção, vivendo como irmãos.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A parábola do banquete de casamento

A parábola do banquete de casamento é a terceira contada por Cristo aos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei enquanto ensinava no templo, em Jerusalém, a fim de lhes chamar a atenção para a forma incrédula e rebelde que estavam agindo em relação a Deus. Leia sobre as outras duas nos textos anteriores "De onde era o batismo de João" e "A pedra que os construtores rejeitaram".

Nessa história, o Senhor Jesus, mais uma vez, explicou, de maneira resumida, como o Pai iria julgar a situação de Israel e dos demais povos da terra através de Seu Filho Unigênito.
Jesus lhes falou novamente por parábolas, dizendo: "O Reino dos céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho. Enviou seus servos aos que tinham sido convidados para o banquete, dizendo-lhes que viessem; mas eles não quiseram vir. "De novo enviou outros servos e disse: ‘Digam aos que foram convidados que preparei meu banquete: meus bois e meus novilhos gordos foram abatidos, e tudo está preparado. Venham para o banquete de casamento!’ "Mas eles não lhes deram atenção e saíram, um para o seu campo, outro para os seus negócios. Os restantes, agarrando os servos, maltrataram-nos e os mataram. O rei ficou irado e, enviando o seu exército, destruiu aqueles assassinos e queimou a cidade deles. (Mateus 22:1-7)
Na primeira parte da parábola, o Mestre fala do cumprimento da promessa de salvação que o Pai (o rei) fez com Abraão através de uma Aliança (o banquete de casamento). Também fala dos servos enviados (os profetas), dos convidados para o banquete (o povo de Israel) e dos outros servos enviados (João Batista e Ele próprio). O "exército" enviado para destruir "aqueles assassinos" (a nação de Israel) foi o de Roma, pois na época do sacrifício e ressurreição de Cristo, aquele povo era dominado pelo Império Romano.

No Antigo Testamento, há trechos como o que se segue abaixo, já prevendo a situação em que o povo se encontraria quando o Messias viesse, e é importante notar que os líderes religiosos tinham acesso a tais escrituras:
O Senhor diz: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens. Por isso uma vez mais deixarei atônito esse povo com maravilha e mais maravilha; a sabedoria dos sábios perecerá, a inteligência dos inteligentes se desvanecerá". Ai daqueles que descem às profundezas para esconder seus planos do Senhor, que agem nas trevas e pensam: "Quem é que nos vê? Quem ficará sabendo?" (Isaías 29:13-15)
Voltando à parábola, Cristo continua dizendo:
Então disse a seus servos: ‘O banquete de casamento está pronto, mas os meus convidados não eram dignos. Vão às esquinas e convidem para o banquete todos os que vocês encontrarem’. Então os servos saíram para as ruas e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar, gente boa e gente má, e a sala do banquete de casamento ficou cheia de convidados. "Mas quando o rei entrou para ver os convidados, notou ali um homem que não estava usando veste nupcial. E lhe perguntou: ‘Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial? ’ O homem emudeceu. "Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes’. "Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos". (Mateus 22:8-14)
Nessa outra parte da parábola, o Mestre fala aos "seus servos" (a igreja) que o banquete de casamento está pronto, ou seja, que o Messias veio, foi sacrificado, ressuscitou, mas os antigos "convidados" (os israelitas) não eram dignos, significando que aquele povo não entendeu e rejeitou o cumprimento da promessa, que aconteceu diante deles com a instituição de uma nova aliança entre Deus e toda a humanidade. 

Então, desta vez, todas as outras pessoas encontradas no caminho daqueles novos servos seriam convidadas a participar do banquete, e isso vem acontecendo até os nossos dias, através da anunciação do evangelho sobre a terra.

As "ruas", as quais Jesus se refere, são as outras nações da terra, onde o evangelho vem sendo anunciado desde o início da igreja.

Sobre o homem que estava no banquete mas "não usava veste nupcial", ele representa todas as pessoas que dizem acreditar em Deus, e até estão congregando nas denominações cristãs, mas rejeitam a Sua Justiça e não se revestem do novo homem (Cristo):
Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. (Efésios 4:22-24)
Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. (Colossenses 3:8-10)
Portanto, haverá condenação eterna para todos aqueles que se dizem seguidores de Jesus, mas de fato o estão negando.

Quando o evangelho da salvação é anunciado, a mensagem do Reino é exposta, e todos os que a ouvem vão sendo advertidos a abandonar a maldade embutida nos princípios do mundo, para viverem segundo os princípios do Reino de Deus. Contudo, os que decidiram congregar em uma igreja, mas não se convertem verdadeiramente, vivendo sem adequar suas vidas à justiça de Deus, não serão "escolhidos", ou seja, não entrarão no Reino. Por isso, Jesus encerra o raciocínio da parábola dizendo "muitos são chamados, mas poucos são escolhidos".

Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Tenham fé e não duvidem.

Após o evento de sua maravilhosa entrada em Jerusalém, onde foi acompanhado por uma grande multidão, Jesus foi pernoitar no povoado de Betânia, planejando voltar a Jerusalém no dia seguinte. Quando seguia de volta, Jesus encontra uma figueira sem frutos à beira do caminho:

De manhã cedo, quando voltava para a cidade, Jesus teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas nada encontrou, a não ser folhas. Então lhe disse: "Nunca mais dê frutos!" Imediatamente a árvore secou. Ao verem isso, os discípulos ficaram espantados e perguntaram: "Como a figueira secou tão depressa?" Jesus respondeu: "Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão". (Mateus 21:18-22)

O fato de Jesus ter ordenado à figueira que ela não mais frutificasse não foi algo aleatório, simplesmente porque o Mestre se chateou por não encontrar figos para seu café da manhã. A situação era um sinal e se referia ao cumprimento do juízo que estava para vir sobre a nação de Israel:

Até a cegonha no céu conhece as estações que lhe estão determinadas, e a pomba, a andorinha e o tordo observam a época de sua migração. Mas o meu povo não conhece as exigências do Senhor. ‘Como vocês podem dizer "Somos sábios, pois temos a lei do Senhor", quando na verdade a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira? Os sábios serão envergonhados; ficarão amedrontados e serão pegos na armadilha. Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria é essa que eles têm? (...). Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; tanto os sacerdotes como os profetas, todos praticam a falsidades. (...). Ficaram eles envergonhados de sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar, declara o Senhor. ‘Eu quis recolher a colheita deles, declara o Senhor. Mas não há uvas na videira nem figos na figueira; as folhas estão secas. O que lhes dei será tomado deles’. (Jeremias 8:7-13)

No dia anterior, quando o Cristo estava em Jerusalém, ao entrar no templo, encontrou o pátio cheio de comerciantes. Eles não deviam estar ali, pois aquele era um local reservado apenas para se buscar a Deus. No entanto, os encarregados de cuidar dos serviços templários, que eram os sacerdotes e levitas, ao invés de honrarem o nome do Senhor, empenhando-se em cumprir os mandamentos da Lei, permitiram o comércio na entrada do templo, a fim de participarem dos lucros das vendas.

Aquela situação era um grande insulto a Deus e mostrava o descaso que aqueles líderes tinham em relação ao Criador. Para eles, era muito mais importante lucrar financeiramente do que agradar a Deus. E essa situação deixou o Cristo bem incomodado, a ponto de expulsar os vendedores e cambistas dali. (Leia Mateus 21:12-13). 

Sem contar que, quando Jesus estava expulsando os negociantes, Ele o fez na presença dos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei que estavam no templo naquele momento, e eles não se envergonharam do acontecido.

Então, voltando para o raciocínio do nosso texto, quando os discípulos presenciaram o evento da figueira, eles não entenderam que se tratava de um sinal. De fato, eles se admiraram da rapidez com a qual aquela grande árvore havia secado e perguntaram ao Mestre como aquilo era possível. 

A resposta de Jesus aos seus discípulos foi que, para fazer coisas daquele tipo acontecerem, era preciso ter fé, e que não houvessem dúvidas, ou seja: a fé é uma certeza apoiada sobre um conhecimento verdadeiro e infalível, digno de plena confiança.

Como sabemos, a maldição que Jesus lançou sobre a árvore não foi aleatória, mas fundada em algo instituído pelo Pai, que estava publicado nas Escrituras. Portanto, e como Ele era o Messias, daquela forma, sinalizou que o juízo decretado sobre Israel estava próximo.

Assim sendo, somente a fé embasada no conhecimento da justiça de Deus pode gerar autoridade para que ações diferenciadas e sobrenaturais sejam executadas. Isto também vale para as petições feitas em oração, para que possam ser atendidas pelo Pai.

Essa era a fé que Jesus tinha, pois mesmo sendo o Filho de Deus, Ele precisava conhecer, profundamente, e acreditar no que estava escrito sobre Ele mesmo, sendo movido pela Palavra de Deus.

Quando oramos pelos enfermos, usando a imposição de mãos, por exemplo, eles serão curados, não pela nossa própria virtude humana, mas pelo fato de isso ser uma promessa que está estabelecida nas Escrituras (Marcos 16:17-18).

Portanto, era sobre isso que Cristo estava falando. A confiança d'Ele estava naquilo que o Pai havia decretado por Sua Palavra, sendo daí que vinha a autoridade do Filho do homem para realizar milagres e prodígios.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O Filho do homem não veio para ser servido

Durante o breve e intenso ministério de Cristo na terra, apesar dos sinais que deu de seu poder e autoridade, curando enfermos, ressuscitando mortos e fazendo muitos outros milagres e prodígios, poucas pessoas creram que Ele era o Messias. De fato, os judeus não entendiam o que deveria acontecer com o Messias, pois aguardavam um "rei conquistador" e não um "servo sofredor".

A passagem que vamos analisar aqui mostra bem essa situação.

Apesar de serem judeus e estarem crendo em seu mestre, os discípulos de Jesus e seus familiares não tinham entendimento pleno das escrituras e, espiritualmente, suas visões estavam obscurecidas, assim como o restante dos israelitas daquela época. Portanto, muito do que o Senhor lhes falava a seu próprio respeito era difícil de compreender.

Assim sendo, quando Cristo estava deixando a região do outro lado do Jordão – onde teve a conversa com o jovem rico –, indo em direção a Jerusalém, falou aos discípulos:

Estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para que zombem dele, o açoitem e o crucifiquem. No terceiro dia ele ressuscitará! (Mateus 20:18,19)

No entanto, apesar de ouvirem o próprio Jesus lhes dizer o que iria acontecer em breve, os discípulos não compreenderam a gravidade da situação e o porquê de tudo aquilo ter que acontecer daquela forma.

Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu (Tiago e João) com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido. "O que você quer?", perguntou ele. Ela respondeu: "Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda". Disse-lhes Jesus: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?", "Podemos", responderam eles. Jesus lhes disse: "Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai". (Mateus 20:20-23)

Os dois jovens filhos de Zebedeu, Tiago e João, que faziam parte dos doze discípulos de Jesus, estavam interessados em ficar ao lado dele quando iniciasse oficialmente Seu reinado; mas, como já sabemos, eles não tinham noção de como seria o processo para que isso acontecesse. Eles também não entendiam que a realidade e os valores do Reino de Deus são totalmente diferentes daqueles existentes nos reinos do mundo.

Por isso, a mãe desses dois discípulos chegou ao ponto de pedir ao Senhor que fizesse dos seus filhos os dois homens mais influentes de Seu Reino, pois pediu para que Jesus os colocasse um a sua direita e outro a sua esquerda. 

No entanto, o Mestre os advertiu que, para estar ao lado dele na eternidade, era preciso "beber do mesmo cálice" que Ele iria beber: ser preso, humilhado, afrontado, violentado e morto pelos inimigos de Deus, além de ter que aguardar com paciência todo o restante do tempo (que já completou 2.000 anos), depois de sua ressurreição, até que finalmente chegue o dia marcado para que seu governo seja estabelecido sobre todo o planeta, e não somente em Israel. 

Porém, eles não entenderam qual seria o tipo de cálice que precisariam beber. Provavelmente, estavam achando que Cristo salvaria Israel do poder do Império Romano de forma rápida, então subiria ao trono, após expulsar os romanos com o poder que o Pai lhe deu, operando milagres e prodígios.

É interessante notar que em conversas que Jesus teve com seus discípulos, pouco antes desse momento, Ele lhes falou o seguinte:

Por ocasião da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, vocês que me seguiram também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. (Mateus 19:28)

Isso significa que aqueles discípulos – os quais, após a ressurreição do Senhor, seriam os fundadores do corpo de Cristo na terra –, no Dia do Juízo, iriam estar sentados à direita e à esquerda do Rei Jesus.

Contudo, eles também não compreenderam a recompensa que já lhes estava reservada. Por isso, vendo que seus discípulos ainda não tinham assimilado bem suas palavras, Cristo respondeu a todos que "o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não caberia a Ele conceder, e que esses lugares pertenciam àqueles para quem foram preparados pelo Pai".

Os outros dez discípulos, ao verem e ouvirem aquilo, se indignaram contra Tiago e João. Como eles foram capazes de pedir tal concessão ao Mestre, passando por cima dos outros? (Aqui se nota que nenhum dos doze discípulos tinha entendido claramente o que seu mestre havia lhes ensinado e avisado até aquele instante):

Quando os outros dez ouviram isso, ficaram indignados com os dois irmãos. Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". (Mateus 20:24-28)

Para concluir, vemos que o Senhor Jesus, mais uma vez, explica que os valores de Seu Reino são diferentes dos valores do mundo. Enquanto nos reinos da terra os cargos de maior influência são conseguidos por indicação dos poderosos, no Reino dos céus, os lugares de maior autoridade são concedidos àqueles indivíduos que se empenham na anunciação da graça da salvação, bem como se oferecem a si mesmos como servos, assim imitando o próprio Cristo.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

A parábola dos trabalhadores na vinha

Nessa parábola contada por Cristo, acontece uma situação interessante, onde um proprietário de uma vinha vai contratando pessoas ao longo do dia. Aos primeiros ele diz que pagará um denário pelo dia de trabalho, e aos demais ele diz que pagará o que for justo. 

Pois o Reino dos céus é como um proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Ele combinou pagar-lhes um denário pelo dia e mandou-os para a sua vinha. Por volta das noves hora da manhã, ele saiu e viu outros que estavam desocupados na praça, e lhes disse: ‘Vão também trabalhar na vinha, e eu lhes pagarei o que for justo’. E eles foram. Saindo outra vez, por volta do meio dia e das três horas da tarde e nona, fez a mesma coisa. Saindo por volta da cinco horas da tarde, encontrou ainda outros que estavam desocupados e lhes perguntou: ‘Por que vocês estiveram aqui desocupados o dia todo?’ ‘Porque ninguém nos contratou’, responderam eles. Ele lhes disse: ‘Vão vocês também trabalhar na vinha’" (Mateus 20:1-7)

Ora, o Senhor Jesus conta essa história para explicar o porquê de "muitos primeiros serem últimos e muitos últimos serem primeiros", frase que usou para finalizar o raciocínio de sua fala aos discípulos, no momento após a conversa com o jovem rico (Mateus 19:30).

O ponto principal dessa parábola é mostrar que parâmetros o nosso Criador irá usar como base para recompensar os que Ele chama para trabalhar na anunciação de Seu Reino. De acordo com o desenrolar da história, o Rei Jesus irá iniciar essa tarefa com os que foram chamados por último, ou seja, os que foram chamados próximos da sua segunda vinda:

Ao cair da tarde, o dono da vinha disse a seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando com os últimos contratados e terminando nos primeiros’. Vieram os trabalhadores contratados por volta das cinco horas da tarde, e cada um recebeu um denário. Quando vieram os que tinham sido contratados primeiro, esperavam receber mais. Mas cada um deles também recebeu um denário. (Mateus 20:8-10)

Enquanto falava aos discípulos, antes de começar a contar essa parábola, o Mestre disse o seguinte:

Digo-lhes a verdade: Por ocasião da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, vocês que me seguiram também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna. Contudo, muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros. (Mateus 19:28-30)

Assim sendo, o maior galardão oferecido no Reino de Deus para os que são chamados a anunciá-lo ao mundo é aquele prometido aos doze apóstolos, que iniciaram a Obra: se estabelecer para sempre ao lado do Rei Jesus para julgar todas as coisas, e isso também quer dizer que eles terão acesso às riquezas das quais o Senhor usufrui. 

Aos apóstolos (que eram israelitas) a promessa foi de que eles julgariam as doze tribos de Israel. Aos gentios, portanto, a promessa é similar, onde os eleitos irão julgar as pessoas de suas respectivas nações. Dessa maneira, a justiça de Deus, que se cumpre de acordo com o que de antemão foi estabelecido pelo Pai e não funciona baseada em aparências, será executada sem erro. Por isso, na parábola, a história se desenrola assim:

Quando o receberam, começaram a se queixar do proprietário da vinha, dizendo-lhe: ‘Estes homens contratados por último trabalharam apenas uma hora, e o senhor os igualou a nós, que suportamos o peso do trabalho e o calor do dia’. Mas ele respondeu a um deles: ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?’ Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos. (Mateus 20:11-16)

Agora, por que o Senhor irá começar recompensando os que foram chamados por último até chegar nos apóstolos? A resposta é que, quanto mais se passa o tempo, maior o grau de dificuldade de se professar a fé cristã, devido ao aumento da maldade sobre a face da Terra. A situação ficará num nível que será impossível a prática pública da fé genuína em todo o mundo.

O que já acontece hoje em determinados países, onde milhares de cristãos são perseguidos e muitos são assassinados por causa de sua fé, vai, aos poucos, se transformar na realidade de todo o planeta, à medida que se aproxima o dia da segunda volta de Jesus.

No entanto, essa circunstância que atingirá um ponto bem crítico para os cristãos em todo o mundo não durará muito, conforme predisse o Cristo, pois o Pai abreviará esse tempo:

Haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados. (Mateus 24:21,22)

Portanto, os que forem chamados no ápice da grande tribulação serão os primeiros a serem recompensados. Lembrando que essa recompensa é para os que atendem ao chamado feito pelo Pai para trabalhar na anunciação do Reino, assim como os Apóstolos fizeram, iniciando a igreja sobre a terra. Ele é justo, então quem não atende ao chamado não perde a salvação, porém fica de fora dessa lista de recompensa.

Obs.: O denário era a moeda romana que equivalia a 10 Asses (moeda israelita).


Texto: Miss. Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Deixem as crianças conhecerem Jesus.

No evangelho de Mateus 19:14, estando Jesus na Judéia, logo após ter sido abordado pelos fariseus daquele lugar, Ele ordena que os discípulos deveriam deixar vir a Ele as crianças.

No capítulo anterior, na passagem que vai do versículo primeiro ao décimo quarto, Jesus também fala acerca das crianças, no entanto de uma forma mais abrangente, enfatizando a fase inicial da fé (veja o texto "O cuidado de Cristo com os iniciantes na fé).

Aqui, porém, o Senhor explica de uma maneira mais resumida porque não devemos impedir as crianças de conhecê-lo. De fato, elas servem como exemplo prático de como uma pessoa que está iniciando na fé deve se comportar com relação a submissão ao Pai Criador.

Como vimos no início do capítulo 18, o Mestre diz o seguinte:

"(...) a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus." (Mateus 18:3)

As crianças, de uma maneira geral, aprendem a se submeter a autoridade dos pais e se mantém obedientes às regras por eles impostas, pois entendem que passar por cima delas pode levá-las a serem castigadas. Além disso, na fase inicial da vida as pessoas ainda não tem seus corações contaminados com a maldade que opera no mundo, apesar de que, na carne, ela já esteja presente e operante.

Por estes motivos Cristo explica que "o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". A situação que as crianças se encontram naturalmente, independente da cultura, religião ou condição social de onde estão inseridas, aponta para a maneira como um seguidor de Cristo deve se comportar, mantendo o seu coração limpo da maldade que opera no mundo e submisso à autoridade do Pai.

Muitas vezes, por falta de tempo ou por puro desinteresse, pais e responsáveis cristãos não se preocupam em apresentar Jesus e Sua obra redentora às crianças, e isso é um grande erro. Cristo deseja se revelar a elas e espera que os responsáveis por tais crianças façam o trabalho de apresentá-lo aos pequenos com clareza, tanto ensinando a palavra quanto lhes dando exemplo com suas próprias maneiras de viver.

Depois trouxeram crianças a Jesus, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Mas os discípulos os repreendiam. Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam (...)." (Mateus 19:13,14)

Quando cuidadores (cristãos) são omissos em mostrar quem é Jesus às suas crianças, essas fatidicamente podem crescer sem nunca conhecerem ou experimentarem plenamente o Reino de Deus, e isso quer dizer que estão fadadas a sofrer com a operação da maldade que há no mundo por muito tempo ou por toda a vida.

E não somente isso, mas, ao deixarem de plantar a semente do Reino nos corações das crianças, essas pessoas também estão deixando de formar novos instrumentos que o Rei Jesus poderia usar para a anunciação da mensagem da salvação.

Ensinar a justiça de Deus aos pequenos, instruindo-lhes através da vida e obra redentora de Cristo, é de suma importância para que aprendam a não se contaminar com a maldade do mundo e também rejeitem com mais facilidade o mal que já está na carne. Os que se dedicam a esse trabalho certamente estão dando muitos frutos para Deus e serão grandemente recompensados.

Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Casamento, divórcio e castidade

Quando lemos o capítulo 19 do evangelho de Mateus, vemos Jesus, mais uma vez, sendo posto à prova pelos fariseus, agora por aqueles que moravam na Judéia, do outro lado do Jordão. Movidos pela inveja que sentiam do Senhor, ao vê-lo atraindo as multidões para Si, eles não conseguiam enxergar o poder e a autoridade que fluíam de Jesus, por exemplo, quando curava os enfermos.

Na Judéia, os fariseus viram o Cristo curando muita gente. No entanto, aqueles homens resolveram lhe fazer uma pergunta capciosa, na tentativa de induzi-lo a contradizer as Escrituras publicamente. Porém, não somente os fariseus, mas também os seus discípulos e todos os que estavam próximos novamente testemunharam a sabedoria que o Mestre tinha.

Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?" Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe". Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?" Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio." (Mateus 19:3-8)

Agora a pergunta se referia ao divórcio, e o Mestre, de maneira categórica, mais uma vez deixou-os sem palavras. Ao finalizar seu raciocínio, o Senhor lhes disse:

Todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério. (Mateus 19:9)

Na Lei Mosaica está escrito o seguinte:

Se um homem casar-se com uma mulher e depois não a quiser mais por encontrar nela algo que ele reprova, dará certidão de divórcio à mulher e a mandará embora.(Deuteronômio 24:1)

Apesar de tal mandamento parecer estar abrindo espaço para outros motivos de divórcio, Cristo afirma que a única circunstância pela qual um homem (judeu) deve se divorciar de sua mulher é a imoralidade sexual, ou seja, se ele percebe que sua esposa está sendo sensual fora do casamento, atraindo a atenção dos outros homens propositalmente, ainda que não esteja tendo um relacionamento extraconjugal.

Quem realmente estava buscando a Deus de todo o coração deveria entender que o mandamento não estava dando ocasião para que os maridos deixassem suas esposas por qualquer motivo, porém somente se fosse o caso de "imoralidade sexual".

A pergunta que os fariseus fizeram a Cristo foi exatamente em cima dessa possível brecha de interpretação nesse mandamento da Lei: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher POR QUALQUER MOTIVO?" (Mateus 19:3)

De fato, muitos homens (judeus) se respaldavam nesse estatuto para deixarem suas esposas por motivos quaisquer, por isso o Senhor falou:

Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. (Mateus 19:8)

Dessa maneira, Jesus estava mostrando ali que o mandamento sobre a carta de divórcio estava sendo usado como uma desculpa para que os homens cometessem adultério, e isso acabava tornando as mulheres adúlteras também (Mateus 5:31-32), assim contrariando os princípios da justiça de Deus.

Apesar de, segundo a Lei Mosaica, Deus considerar maldade o divórcio que acontece por qualquer outro motivo que não seja por imoralidade sexual, ao dar seu parecer da situação do ponto de vista da graça, o Apóstolo Paulo explica bem a questão do divórcio, especialmente quando se trata de um relacionamento entre uma pessoa crente e outra descrente. Leia mais sobre isso em 1 Coríntios 7.

Como já sabemos, antes de odiar o divórcio (Malaquias 2:16) Deus odeia a maldade (Habacuque 1:13) e exerce severo juízo sobre ela.

A afirmação de Cristo sobre o que realmente deveria motivar um divórcio, segundo a justiça de Deus, fez os discípulos acharem que seria melhor não casar. No entanto, Jesus ensina-lhes que ficar solteiro, sem se relacionar afetivamente com alguém, é algo para poucos, e que essa forma de viver exige do indivíduo uma motivação maior, que lhe proporcione continuar assim sem que isso lhe perturbe.

A palavra eunuco, que é usada pelo Senhor nessa passagem, onde Ele se refere a homens que não se casam, fala sobre aqueles que escolhem não terem relações sexuais, por terem sido castrados ou nascido com deficiência no órgão sexual. Naquele tempo, era comum a existência de casamentos poligâmicos, cujas esposas viviam em locais especiais denominados harens e permaneciam ali sendo vigiadas e cuidadas por eunucos.

O Mestre diz ainda que há apenas três condições que levam as pessoas à castidade: a primeira é que o indivíduo tenha nascido com deficiência que afete a área sexual; a segunda é que tenha sofrido castração, ou que esta condição lhe seja imposta por motivo de força maior; e a terceira é que tenha decidido permanecer solteiro e casto (ainda que não tenha nenhum problema na área sexual), para se dedicar inteiramente à anunciação do Reino de Deus.

Os discípulos lhe disseram: "Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar". Jesus respondeu: "Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite". (Mateus 19:10-12)

O Senhor Jesus, por exemplo, se enquadra nessa terceira situação. Ele era um homem normal e não tinha qualquer problema na área sexual, mas escolheu não constituir família e permanecer casto por causa da missão para a qual fora enviado. O Apóstolo Paulo também fala acerca dessa questão em sua carta aos cristãos coríntios:

Irmãos, cada um deve permanecer diante de Deus na condição em que foi chamado. Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança. Por causa dos problemas atuais, penso que é melhor o homem permanecer como está. Você está casado? Não procure separar-se. Está solteiro? Não procure esposa. Mas, se vier a casar-se, não comete pecado; e, se uma virgem se casar, também não comete pecado. Mas aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida, e eu gostaria de poupá-los disso. (1Corintios 7:24-28)

Paulo deixa claro que a melhor situação para quem está trabalhando na obra de Deus seria permanecer solteiro, pois assim o indivíduo se dedicaria melhor ao seu trabalho (1Corintios 7:32-34). Contudo, na primeira carta dele a Timóteo, há uma recomendação especial para aqueles que trabalham atendendo aos chamados de pastor ou diácono e são casados ou desejam casar-se:

É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher (...). Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? (1Timóteo 3:2-5)

O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. (1Timóteo 3:12)

Como Cristo falou, permanecer solteiro atendendo ao chamado do Senhor não é para todos, apenas uma minoria consegue estar assim. A maioria das pessoas prefere estar casado na obra de Deus, por causa dos desejos da carne, e sobre isso também o Apóstolo Paulo comenta:

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido. (1Corintios 7:1,2)

(...) é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo. (1Corintios 7:8,9)

É errado alguém que se declara seguidor de Cristo se relacionar sexualmente com outra pessoa fora do compromisso matrimonial. Algumas pessoas, por não conseguirem se conter nessa área, após adquirirem sua cidadania no Reino de Deus, decidem continuar atendendo os desejos da carne às escondidas, sem atentarem que essa prática lhes trará um sério juízo, além de trazer escândalo para a igreja e ser um mau testemunho para o mundo, dificultando a pregação e a aceitação do evangelho. 

Por esses motivos, os servos de Deus devem estar dispostos a seguirem as regras determinadas por Deus para essa área, especialmente aqueles que estão à frente de um trabalho eclesiástico, pois só assim conseguirão êxito na anunciação do Reino de Deus e poderão usufruir plenamente da realidade perfeita desse lugar.


Texto: Miss. Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A parábola do servo endividado - As consequências da falta de perdão

Perdoar é algo necessário para usufruirmos da plena realidade do Reino de Deus, que é paz, justiça e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). No entanto, há casos em que pessoas que já seguem a Cristo preferem guardar a ofensa ao invés de liberarem o perdão para quem as ofendeu.

Se cremos na obra redentora de Jesus e o Espírito de Deus habita em nossos corações, antes de qualquer coisa, devemos lembrar que nossa justificação diante do Pai só foi possível porque ELE DECIDIU PERDOAR todas as nossas transgressões contra a sua Justiça, pagando com a vida de seu Filho Unigênito o valor do resgate da nossa dívida para com Ele.

Quem vive segundo os desejos de sua carne, quando é ofendido, escolhe não perdoar. Desta maneira, o sujeito nutre dentro de si sentimentos de indignação e ira, e ambos levam ao desejo de vingança (pagar o mal com o mal). E ao querer se vingar, por sua vez, o indivíduo vai sentir prazer em ver o outro sofrendo de alguma forma também, mesmo que não se vingue pessoalmente.

Procedendo dessa forma, indivíduos que servem a um Deus misericordioso estão transgredindo conscientemente a reta justiça d'Ele. Passado algum tempo, se após a transgressão dos estatutos do Reino não vier o convencimento do erro, seguido do arrependimento e da mudança de atitude, sobrevirá o juízo – e ele é executado sem misericórdia, porque Deus ODEIA A MALDADE. 

"Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar, para que o Senhor não veja isso, e se desagrade, e desvie dele a sua ira." (Provérbios 24:17,18)

Quando somos avaliados por Deus, em primeiro lugar, Ele considera os pensamentos, sentimentos e desejos que estão ocultos dentro de nós, e impulsionam nossas atitudes todo o tempo. Então, antes da execução do juízo, Ele trabalha para nos convencer dos nossos erros, falando aos nossos corações, pelo mover Seu Espírito. 

Assim, Ele nos confronta com a Sua Palavra, para que possamos nos arrepender de verdade, pois não deseja de forma alguma que Seus filhos sofram juízo, por não discernirem a operação da maldade.

"Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão?" (Mateus 5:44-46)

É por este motivo que o Senhor Jesus conta a parábola do servo endividado, onde compara a situação de uma pessoa que recebeu o perdão de Deus, e não perdoa o seu irmão, a um servo que devia a seu senhor e recebeu dele o perdão de sua dívida, contudo não perdoou a dívida de um conservo seu (Leia em Mateus 18:23-35).

Cristo, e em seguida os seus apóstolos, apontam, em seus ensinos, diversos preceitos da justiça de Deus que são diretamente quebrados quando dizemos que somos filhos dele, porém escolhemos não perdoar. Nos versos seguintes, podemos ler mais uma fala de Cristo, e outras duas do Apóstolo Paulo, acerca deste assunto:

"Quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no (...). Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está no céu não perdoará os seus pecados." (Marcos 11:25,26)

"Não retribuam a ninguém mal por mal. (...) Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor." (Romanos 12:17-19)

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, (...) perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também." (Colossenses 3:12,13)

Por isso, para Deus, a falta de perdão é considerada crime, delito ou transgressão (pecado), digno de condenação e cujo juízo geralmente vem em forma de enfermidades no corpo ou na mente, que trazem grandes prejuízos, e que também pode se manifestar com a abreviação do tempo de vida (Leia 1Corintios 11:29-31).

A justiça de Deus não funciona com base na aparência da situação ou toma apenas um fato isolado como parâmetro de julgamento, mas leva em consideração TUDO o que estamos dizendo e fazendo, de modo que aqueles que não estão ignorantes em relação ao que Cristo ensina receberão um juízo mais severo, caso escolham não perdoar.

Texto: Mis. Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa




terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Se o seu irmão pecar contra você...

Dentro do corpo de Cristo na terra não há ninguém perfeito ainda. Todos estão seguindo para o alvo, que é atingir a maturidade no conhecimento da justiça de Deus. No entanto, não basta só ter o conhecimento, é preciso colocá-lo em prática, pois sentimentos e desejos provenientes da carne precisam ser dominados em todo o tempo, para que uma pessoa alcance a maturidade na fé.

Então, apesar dos nossos esforços, vez ou outra podemos falhar e pecar contra alguém, ou alguém pode pecar contra nós, pois nem sempre conseguimos dominar a carne como gostaríamos. Porém, o Senhor Jesus não nos deixa sem instrução com relação a isso:

"Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’." (Mateus 18:15,16)

No trecho acima, Cristo alerta sobre a necessidade do arrependimento quando ofendemos nossos irmãos de alguma forma. O ensino de Cristo vale para todos, pois ninguém é melhor do que ninguém, e todos somos passíveis de cometer erros a qualquer momento.

Então o Senhor nos mostra que se algum ato de um irmão na fé está nos gerando algum desconforto, ou é algo recorrente, e que nos incomoda diretamente, a princípio devemos chamar a atenção desse indivíduo, com educação e em particular, apresentando-lhe os preceitos da justiça de Deus, para que haja arrependimento sincero.

O ideal seria que tal indivíduo se arrependesse nessa primeira conversa, mas isso pode não acontecer. E caso o sujeito não nos considere e continue a incomodar, o Senhor Jesus orienta que devemos fazer uma segunda tentativa de levar a pessoa ao arrependimento, conversando com ela na presença de mais uma ou duas pessoas de confiança.

Se mesmo assim, a pessoa que está sendo chamada à atenção ainda não considerar os fatos, o Mestre orienta que o caso deve ser exposto à congregação para que ela julgue a situação, e o irmão ou irmã seja admoestado(a) por todos. E se ainda assim, ele ou ela não se envergonhar nem se arrepender, deve ser tratado(a) por todos como uma pessoa descrente.

"Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano." (Mateus 18:17)

Esse conselho de Cristo é exclusivamente para os que estão congregando e prosseguindo em conhecer o Reino de Deus, portanto, não se aplica a descrentes ou simpatizantes da fé cristã que por ventura estejam frequentando as reuniões dos irmãos.

Assim sendo, se o comportamento de alguém, que se diz seguidor de Cristo, está transgredindo os princípios da justiça de Deus e incomodando ou ofendendo um ou mais irmãos dentro da congregação, tal pessoa é digna de ser confrontada e deve sim ser chamada à atenção, assim como o Senhor orienta, para que se arrependa e não atraia juízo sobre si.

"Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu." (Mateus 18:18)

Quando Jesus diz que tudo o que ligarmos ou desligarmos na terra terá sido ligado ou desligado nos Céus, Ele está mostrando que Deus nos dá autoridade para julgar. Se somos um com Cristo, e o Espírito Santo habita em nós, e estamos agindo de acordo com a reta justiça de Deus, então temos plena autoridade para julgar situações contrárias aos seus estatutos e, se for o caso, executar juízo sobre alguém.

No caso apontado aqui por Jesus, por exemplo, o juízo aplicado será "tratar a pessoa como um pagão ou publicano", caso ela não dê ouvidos e não se arrependa após a terceira admoestação. Pagãos e publicanos são considerados pessoas "descrentes" ou  que estão "fora da fé" em relação ao Reino de Deus, por isso Cristo dá essa orientação.

Lembrando que isso não significa que devemos ser indiferentes ou mal educados com os que não creem em Deus. Tratar a todos com educação e gentileza faz parte do fruto do espírito e é indispensável para testemunharmos corretamente o Reino a qualquer momento.

Cristo também diz:

"Se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus." (Mateus 18:19)

Dentro deste contexto, o verso acima nos mostra que, caso necessário, o Pai poderá executar um julgamento sobre alguma situação difícil pela qual a congregação irá apresentá-la a Deus, a fim de que Ele tome as devidas providências em tempo oportuno.

No livro de Atos dos apóstolos, uma situação chama a atenção quando falamos de julgamento e execução de juízo dentro da igreja do Senhor: o caso de Ananias e Safira. O casal vendeu um imóvel e decidiu entregar como oferta aos apóstolos somente uma parte do valor que haviam recebido, mas afirmando que era o valor total.

O problema foi que aquela mentira ofendia profundamente todos os irmãos, além de ofender o Senhor diretamente. Então, quando Pedro confrontou Ananias no momento em que recebia a oferta, ele e os outros apóstolos já estavam sabendo por quanto o imóvel havia sido vendido. Assim, por causa da gravidade da situação, o casal foi direta e rapidamente julgado pelo Pai, que estava sondando seus corações e não viu arrependimento neles.

Então, para concluir, o Senhor Jesus nos lembra que se apenas duas pessoas estiverem juntas e unidas em Nome dele em qualquer lugar, Ele estará ali com elas em espírito (veja em Mateus 18:20).

Com isso, Ele está advertindo que, por causa da presença dele, nossos atos serão julgados com mais rapidez e também com maior rigor. O apóstolo Paulo lembra essa situação em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, quando fala sobre a ceia do Senhor (leia 1Corintios 11:23-32). 

Saber e entender estes princípios é de crucial importância para que nossas atitudes sempre gerem louvor ao Pai em qualquer ocasião, especialmente quando convivemos uns com os outros por causa da fé.

Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa





sábado, 24 de outubro de 2020

Quem perder a vida por minha causa, a encontrará.


No trecho em questão, Cristo está falando palavras muito fortes e desafiadoras aos seus discípulos. Nesta pequena parte do capítulo 16 do Evangelho de Mateus, o Rei Jesus está dizendo o seguinte: se alguém pensa que vai salvar sua vida seguindo os princípios deste mundo, está enganado, pois vai perdê-la; no entanto, quem abdicar dos princípios do mundo e colocar os princípios do meu Reino em primeiro lugar em sua vida, seguindo-os sem duvidar, encontra e recebe a vida verdadeira.

Os princípios ou a justiça do mundo não guiam as pessoas até a fonte de vida verdadeira, porque NÃO SÃO PUROS: eles estão embasados no conhecimento do bem e do mal (que é a famosa "maldade" - Gn 2:9, Gn 2:17). Então, os sistemas do mundo prometem saúde, segurança, paz, alegria, diversão, proteção, mas estão firmados nas APARÊNCIAS das situações e nos sentimentos humanos, que são instáveis e falhos. 

Assim sendo, as promessas vindas do mundo não são plenamente confiáveis, visto que as situações que as pessoas passam no mundo e os sentimentos humanos mudam constantemente: ora as pessoas estão felizes, porque a situação está muito boa para elas, ora estão infelizes, porque as circunstâncias estão ruins e elas não sabem como fazer para revertê-las. 

Por estarem embasados no conhecimento do bem e do mal, portanto, os princípios e promessas do mundo trazem sucesso, alegria, paz e segurança misturados a muitas frustrações, decepções, tristezas, medos, dúvidas e prejuízos em todo o tempo; e tais preceitos não guiam as pessoas a nenhum outro lugar senão ao próprio mundo, cujo fim é a morte, a destruição.

Já os princípios do Reino de Deus, que constituem a justiça de Deus, são imutáveis e não variam jamais. Eles são estáveis e nos direcionam para a fonte de vida, que é o nosso Criador; isso acontece porque estão embasados na própria natureza dele: o nosso Criador é separado do mal (por isso Ele é chamado Santo), nele não há a operação da maldade. 

A natureza de Deus é totalmente pura, por isso podemos confiar plenamente nele e em tudo o que vem dele. E tudo o que vem de Deus É SEMPRE BENÉFICO aos seres humanos, visto que fomos criados por Ele a sua imagem e semelhança. Portanto, quem segue a Cristo e aprende os princípios do Reino de Deus, buscando praticá-los, é levado a usufruir da realidade desse lugar no mundo, que é a vida abundante, a vida eterna. 

Mas, seguir a Cristo em meio à operação do conhecimento do bem e do mal que segue atuando espiritualmente em nossos corpos não é algo fácil. Esse conhecimento age contrariando os princípios da criação, e, consequentemente, ele contende contra a justiça de Deus todo o tempo. 

Isso significa que aqueles que insistirem em viver de todo o coração a verdade revelada por Cristo vão sofrer certos tipos de aflições: primeiro dentro de si mesmos, lutando para não atenderem os desejos contrários à justiça de Deus provenientes de seus próprios corpos; e, segundo, no mundo, sofrendo perseguições, calúnias, difamações, abandono, rejeição, preconceitos, prejuízos materiais, e até mesmo estando sob o risco de serem mortos por causa do ódio nos corações dos que não vivem segundo os princípios do Reino de Deus. 

Isso não quer dizer, absolutamente, que as pessoas que vivem segundo a realidade do mundo sofram menos: conflitos, medo, desespero, mentiras, violência, doenças e morte fazem parte da rotina normal de alguém que vive de acordo com o conhecimento do bem e do mal. 

Porém, há uma diferença especial entre estas duas situações: os que sofrem por viverem segundo os princípios do mundo não entendem bem o porquê de suas tribulações, não tem certeza do que lhes sobrevirá no futuro (a não ser a morte), e seus sentimentos variam conforme mudam as situações; os que sofrem por viverem segundo os princípios da justiça de Deus discernem de onde está vindo as situações difíceis que passam e tem a autoridade dada por Cristo para bloquear a ação da maldade em suas vidas, tem certeza do que lhes acontecerá no futuro (vida eterna) e seus sentimentos estão embasados não na instabilidade do mundo, mas, no conhecimento estável da justiça de Deus, o que lhes proporciona usufruírem da paz e alegria verdadeiras, ainda que estejam em situações difíceis (Jo 14:27, 2Co 4:16-18).

Cristo passou por situações bem complicadas e de uma forma bem intensa, durante o tempo de seu ministério terreno; e não foi diferente o que aconteceu com os apóstolos, após a morte e ressurreição de Jesus. No entanto, todos eles perseveraram naquilo que "conheciam" e não tinham qualquer dúvida de que, mesmo que as aparências apontassem perdas e sofrimentos, eles estavam sendo mais que vencedores. 

Eles negaram seus desejos terrenos a fim de atenderem ao chamado que o Pai estava lhes fazendo, para que, além de viverem a justiça de Deus no mundo, também anunciassem o Seu Reino onde estivessem. E, assim como os apóstolos, que IMITARAM O PROCEDIMENTO DE CRISTO dando o fruto que Deus esperava colher deles, todos os que desejam usufruir da maravilhosa realidade do Reino de Deus agora e após a volta de Cristo estão agindo da mesma forma.

Foi por isso que ao ensinar seus discípulos o Rei Jesus Cristo disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."

Deus deseja que toda a humanidade usufrua da realidade maravilhosa de Seu Reino (essa é a sua única e boa, agradável e perfeita vontade) apesar de saber que nem todos crerão na aliança de paz que Ele estabeleceu entre si mesmo e os homens. E esta notícia o nosso Criador faz com que seja de várias formas e insistentemente anunciada através dos séculos até que o tempo desse trabalho esteja plenamente cumprido.

Concluindo, Jesus nos mostra com seu ensino que neste mundo os seres humanos sempre terão que perder algumas coisas em prol do ganho de outras. E, no propósito de se ganhar alguma coisa, existem apenas dois caminhos para trilhar: aquele onde se escolhe trabalhar para si mesmo (este é o caminho largo), a fim de ganhar aquilo que o mundo oferece, porém, onde se perde a alma, pois os homens não tem como pagar o preço de suas próprias vidas; e aquele onde se escolhe trabalhar para Deus, perseverando em viver de acordo com o Seu Reino (este é o caminho apertado) e anunciando ao mundo este lugar: os que assim procedem se tornam herdeiros da vida eterna, pois o preço de suas vidas está pago pelo mais que suficiente sacrifício de Cristo.

Missionária Oriana Costa.




Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...