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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Tenham fé e não duvidem.

Após o evento de sua maravilhosa entrada em Jerusalém, onde foi acompanhado por uma grande multidão, Jesus foi pernoitar no povoado de Betânia, planejando voltar a Jerusalém no dia seguinte. Quando seguia de volta, Jesus encontra uma figueira sem frutos à beira do caminho:

De manhã cedo, quando voltava para a cidade, Jesus teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas nada encontrou, a não ser folhas. Então lhe disse: "Nunca mais dê frutos!" Imediatamente a árvore secou. Ao verem isso, os discípulos ficaram espantados e perguntaram: "Como a figueira secou tão depressa?" Jesus respondeu: "Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão". (Mateus 21:18-22)

O fato de Jesus ter ordenado à figueira que ela não mais frutificasse não foi algo aleatório, simplesmente porque o Mestre se chateou por não encontrar figos para seu café da manhã. A situação era um sinal e se referia ao cumprimento do juízo que estava para vir sobre a nação de Israel:

Até a cegonha no céu conhece as estações que lhe estão determinadas, e a pomba, a andorinha e o tordo observam a época de sua migração. Mas o meu povo não conhece as exigências do Senhor. ‘Como vocês podem dizer "Somos sábios, pois temos a lei do Senhor", quando na verdade a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira? Os sábios serão envergonhados; ficarão amedrontados e serão pegos na armadilha. Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria é essa que eles têm? (...). Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; tanto os sacerdotes como os profetas, todos praticam a falsidades. (...). Ficaram eles envergonhados de sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar, declara o Senhor. ‘Eu quis recolher a colheita deles, declara o Senhor. Mas não há uvas na videira nem figos na figueira; as folhas estão secas. O que lhes dei será tomado deles’. (Jeremias 8:7-13)

No dia anterior, quando o Cristo estava em Jerusalém, ao entrar no templo, encontrou o pátio cheio de comerciantes. Eles não deviam estar ali, pois aquele era um local reservado apenas para se buscar a Deus. No entanto, os encarregados de cuidar dos serviços templários, que eram os sacerdotes e levitas, ao invés de honrarem o nome do Senhor, empenhando-se em cumprir os mandamentos da Lei, permitiram o comércio na entrada do templo, a fim de participarem dos lucros das vendas.

Aquela situação era um grande insulto a Deus e mostrava o descaso que aqueles líderes tinham em relação ao Criador. Para eles, era muito mais importante lucrar financeiramente do que agradar a Deus. E essa situação deixou o Cristo bem incomodado, a ponto de expulsar os vendedores e cambistas dali. (Leia Mateus 21:12-13). 

Sem contar que, quando Jesus estava expulsando os negociantes, Ele o fez na presença dos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei que estavam no templo naquele momento, e eles não se envergonharam do acontecido.

Então, voltando para o raciocínio do nosso texto, quando os discípulos presenciaram o evento da figueira, eles não entenderam que se tratava de um sinal. De fato, eles se admiraram da rapidez com a qual aquela grande árvore havia secado e perguntaram ao Mestre como aquilo era possível. 

A resposta de Jesus aos seus discípulos foi que, para fazer coisas daquele tipo acontecerem, era preciso ter fé, e que não houvessem dúvidas, ou seja: a fé é uma certeza apoiada sobre um conhecimento verdadeiro e infalível, digno de plena confiança.

Como sabemos, a maldição que Jesus lançou sobre a árvore não foi aleatória, mas fundada em algo instituído pelo Pai, que estava publicado nas Escrituras. Portanto, e como Ele era o Messias, daquela forma, sinalizou que o juízo decretado sobre Israel estava próximo.

Assim sendo, somente a fé embasada no conhecimento da justiça de Deus pode gerar autoridade para que ações diferenciadas e sobrenaturais sejam executadas. Isto também vale para as petições feitas em oração, para que possam ser atendidas pelo Pai.

Essa era a fé que Jesus tinha, pois mesmo sendo o Filho de Deus, Ele precisava conhecer, profundamente, e acreditar no que estava escrito sobre Ele mesmo, sendo movido pela Palavra de Deus.

Quando oramos pelos enfermos, usando a imposição de mãos, por exemplo, eles serão curados, não pela nossa própria virtude humana, mas pelo fato de isso ser uma promessa que está estabelecida nas Escrituras (Marcos 16:17-18).

Portanto, era sobre isso que Cristo estava falando. A confiança d'Ele estava naquilo que o Pai havia decretado por Sua Palavra, sendo daí que vinha a autoridade do Filho do homem para realizar milagres e prodígios.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Bendito é o que vem em nome do Senhor.

Provavelmente, a última vez que Jesus deveria ter posto os pés em Jerusalém, antes de sua crucificação, teria sido no ano anterior, na festa da Páscoa, de acordo com o costume dos judeus. De fato, no trecho que vamos analisar aqui (Mateus 21:1-17), essa festa já estava próxima, e Jesus sabia que, por causa disso, o dia em que seria crucificado e morto já estava às portas.

Algumas coisas, porém, ainda precisavam acontecer, antes do sacrifício e ascensão do Filho do homem, para que se cumprisse tudo o que havia sido dito pelos profetas sobre Ele.

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo encontrarão uma jumenta amarrada, com um jumentinho ao lado. Desamarrem-nos e tragam-nos para mim. Se alguém lhes perguntar algo, digam-lhe que o Senhor precisa deles e logo os enviará de volta". Isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: "Digam à cidade de Sião: ‘Eis que o seu rei vem a você, humilde e montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta’". Os discípulos foram e fizeram o que Jesus tinha ordenado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, colocaram sobre eles os seus mantos, e sobre estes Jesus montou. (Mateus 21:1-7)

De forma prodigiosa, o Senhor disse exatamente onde a jumenta estaria amarrada com seu filhote no povoado de Betfagé, sem ter estado ali recentemente. Ainda ordena aos discípulos que, se alguém perguntasse porque os animais estavam sendo levados, eles deveriam responder: "o Senhor precisa deles e logo os enviará de volta".

Com certeza, Jesus sabia quem era o dono dos jumentos e que a pessoa "cria nele", a ponto de confiar na resposta dos discípulos.

No Antigo Testamento, no livro do profeta Zacarias, se encontra o trecho onde está predito como o Messias se apresentaria em Jerusalém antes de ser sacrificado:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

Porém, como já sabemos, o messias que os judeus estavam esperando seria um indivíduo que libertaria o povo da opressão da nação que os dominava naquela época: o Império Romano. Eles não imaginavam que o seu rei não viria para fazer guerra contra seres humanos, mas sim contra as obras das trevas, para vencê-las, da forma como o Pai havia determinado. Por isso, o povo enxergava Cristo apenas como um profeta, apesar dos sinais que dava de seu poder e autoridade.

Uma grande multidão estendeu seus mantos pelo caminho, outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. A multidão que ia adiante dele e os que o seguiam gritavam: "Hosana ao Filho de Davi!" "Bendito é o que vem em nome do Senhor!" "Hosana nas alturas!"" Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou agitada e perguntava: "Quem é este?" A multidão respondia: "Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia". (Mateus 21:8-11)

A palavra "hosana" é de origem hebraica, e quer dizer "salve-nos"; porém, nesse caso, a palavra estava sendo usada com o sentido de louvor, aclamação. O que a multidão dizia era algo como "salve o Filho de Davi" (Hosana ao Filho de Davi) e "louvado seja desde os altos céus" (Hosana nas alturas). 

De fato, a multidão cumpriu uma profecia feita há muito tempo atrás pelo Rei Davi, que diz:

"Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos. O Senhor é Deus, fez resplandecer sobre nós a sua luz. Juntem-se ao cortejo festivo, levando ramos até as pontas do altar." (Salmos 118:26,27)

É importante notar que essa multidão foi se formando desde Jericó, e o grupo cresceu ainda mais quando Jesus chegou em Betfagé. Toda aquela gente ia à frente de Cristo, gritando alto, antes mesmo de Jesus entrar em Jerusalém, o que agitou os moradores da cidade.

No capítulo 12 do Evangelho de João esse episódio é contado com outros detalhes, como veremos abaixo:

Seis dias antes da Páscoa Jesus chegou a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos. Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, enquanto Lázaro estava à mesa com ele. (...) Enquanto isso, uma grande multidão de judeus, ao descobrir que Jesus estava ali, veio, não apenas por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem ele ressuscitara dos mortos. Assim, os chefes dos sacerdotes fizeram planos para matar também Lázaro, pois por causa dele muitos estavam se afastando dos judeus e crendo em Jesus. No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa ouviu falar que Jesus estava chegando a Jerusalém. Pegaram ramos de palmeiras e saíram ao seu encontro, gritando: "Hosana! " "Bendito é o que vem em nome do Senhor! " "Bendito é o Rei de Israel!" Jesus conseguiu um jumentinho e montou nele, como está escrito: "Não tenhas medo, ó cidade de Sião; eis que o seu rei vem, montado num jumentinho". A princípio seus discípulos não entenderam isso. Só depois que Jesus foi glorificado, perceberam que lhe fizeram essas coisas, e que elas estavam escritas a respeito dele. (João 12:1-16)

A entrada de Jesus Cristo em Jerusalém antes de seu sacrifício foi mesmo digna de um rei muito querido, ainda que Ele não estivesse montado num lindo cavalo e acompanhado de soldados bem armados. 

Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: "Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’". Os cegos e os mancos aproximaram-se dele no templo, e ele os curou. (Mateus 21:12-14)

O fato de certos animais serem usados nos sacrifícios determinados na Lei atraia o interesse dos negociantes, que não satisfeitos em fazer seu comércio no centro de Jerusalém também se instalaram no pátio do templo, visando um lucro maior. No entanto, o templo era um lugar que deveria ser utilizado somente para o culto a Deus, não como um espaço para o comércio.

Essa situação era um tremendo insulto ao Nome de Deus e caracterizava uma grande falta de reverência ao Criador, especialmente por parte daqueles que deveriam trabalhar nos serviços do templo, que eram os sacerdotes e os levitas.

Por isso, o Senhor se aborreceu com a presença dos comerciantes, expulsando-os dali. Essa reação de Cristo havia sido predita no livro de Salmos:

O zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim. (Salmo 69:9)

A passagem citada por Cristo, no momento em que expulsava os negociantes do templo, se encontra no livro do profeta Isaías:

A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. (Isaías 56:7)

Após esse ocorrido, o Senhor ainda operou milagres, curando os deficientes que lá se encontravam. E agora, mais uma vez, os discípulos, os chefes dos sacerdotes, os mestres da Lei e a multidão que seguia Jesus puderam testemunhar o poder e a autoridade que o Pai havia entregue a Ele, ainda que não estivessem entendendo o que estavam presenciando.

Enquanto os vendedores eram expulsos e os cegos e mancos eram sarados, as crianças que estavam ali louvavam o Senhor Jesus gritando "Hosana ao Filho de Davi". Tudo isso deixou os chefes dos sacerdotes e mestres da Lei com muita raiva, pois sem discernirem que Jesus era o Messias, tinham inveja da popularidade e da fama que Ele tinha alcançado em toda a Israel.

Mas quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: "Hosana ao Filho de Davi", ficaram indignados, e lhe perguntaram: "Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?" Respondeu Jesus: "Sim, vocês nunca leram: ‘dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor’?" E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde passou a noite. (Mateus 21:15-17)

O Senhor Jesus, mais uma vez, usa um trecho das Escrituras, para mostrar as pessoas quem realmente Ele era:

Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador. (Salmos 8:2)

Contudo, as autoridades de Israel não conseguiam enxergar o óbvio, apesar de todos os sinais que estavam acontecendo diante deles. Essa circunstância também já havia sido predita pelo profeta Isaías:

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: "Quem enviarei? Quem irá por nós?" E eu respondi: "Eis-me aqui. Envia-me!" Ele disse: "Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam. Torne insensível o coração desse povo; torne surdos os ouvidos dele e feche os seus olhos. Que eles não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, e não entendam com o coração, para que não se convertam e sejam curados". (Isaías 6:8-10)

Encerrando a conversa com as lideranças israelitas, o Mestre foi a um povoado que ficava ali próximo, chamado Betânia, para descansar e dormir, a fim de voltar a Jerusalém no dia seguinte, para continuar seu trabalho de anunciação do Reino.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...