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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Tenham fé e não duvidem.

Após o evento de sua maravilhosa entrada em Jerusalém, onde foi acompanhado por uma grande multidão, Jesus foi pernoitar no povoado de Betânia, planejando voltar a Jerusalém no dia seguinte. Quando seguia de volta, Jesus encontra uma figueira sem frutos à beira do caminho:

De manhã cedo, quando voltava para a cidade, Jesus teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas nada encontrou, a não ser folhas. Então lhe disse: "Nunca mais dê frutos!" Imediatamente a árvore secou. Ao verem isso, os discípulos ficaram espantados e perguntaram: "Como a figueira secou tão depressa?" Jesus respondeu: "Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão". (Mateus 21:18-22)

O fato de Jesus ter ordenado à figueira que ela não mais frutificasse não foi algo aleatório, simplesmente porque o Mestre se chateou por não encontrar figos para seu café da manhã. A situação era um sinal e se referia ao cumprimento do juízo que estava para vir sobre a nação de Israel:

Até a cegonha no céu conhece as estações que lhe estão determinadas, e a pomba, a andorinha e o tordo observam a época de sua migração. Mas o meu povo não conhece as exigências do Senhor. ‘Como vocês podem dizer "Somos sábios, pois temos a lei do Senhor", quando na verdade a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira? Os sábios serão envergonhados; ficarão amedrontados e serão pegos na armadilha. Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria é essa que eles têm? (...). Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; tanto os sacerdotes como os profetas, todos praticam a falsidades. (...). Ficaram eles envergonhados de sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar, declara o Senhor. ‘Eu quis recolher a colheita deles, declara o Senhor. Mas não há uvas na videira nem figos na figueira; as folhas estão secas. O que lhes dei será tomado deles’. (Jeremias 8:7-13)

No dia anterior, quando o Cristo estava em Jerusalém, ao entrar no templo, encontrou o pátio cheio de comerciantes. Eles não deviam estar ali, pois aquele era um local reservado apenas para se buscar a Deus. No entanto, os encarregados de cuidar dos serviços templários, que eram os sacerdotes e levitas, ao invés de honrarem o nome do Senhor, empenhando-se em cumprir os mandamentos da Lei, permitiram o comércio na entrada do templo, a fim de participarem dos lucros das vendas.

Aquela situação era um grande insulto a Deus e mostrava o descaso que aqueles líderes tinham em relação ao Criador. Para eles, era muito mais importante lucrar financeiramente do que agradar a Deus. E essa situação deixou o Cristo bem incomodado, a ponto de expulsar os vendedores e cambistas dali. (Leia Mateus 21:12-13). 

Sem contar que, quando Jesus estava expulsando os negociantes, Ele o fez na presença dos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei que estavam no templo naquele momento, e eles não se envergonharam do acontecido.

Então, voltando para o raciocínio do nosso texto, quando os discípulos presenciaram o evento da figueira, eles não entenderam que se tratava de um sinal. De fato, eles se admiraram da rapidez com a qual aquela grande árvore havia secado e perguntaram ao Mestre como aquilo era possível. 

A resposta de Jesus aos seus discípulos foi que, para fazer coisas daquele tipo acontecerem, era preciso ter fé, e que não houvessem dúvidas, ou seja: a fé é uma certeza apoiada sobre um conhecimento verdadeiro e infalível, digno de plena confiança.

Como sabemos, a maldição que Jesus lançou sobre a árvore não foi aleatória, mas fundada em algo instituído pelo Pai, que estava publicado nas Escrituras. Portanto, e como Ele era o Messias, daquela forma, sinalizou que o juízo decretado sobre Israel estava próximo.

Assim sendo, somente a fé embasada no conhecimento da justiça de Deus pode gerar autoridade para que ações diferenciadas e sobrenaturais sejam executadas. Isto também vale para as petições feitas em oração, para que possam ser atendidas pelo Pai.

Essa era a fé que Jesus tinha, pois mesmo sendo o Filho de Deus, Ele precisava conhecer, profundamente, e acreditar no que estava escrito sobre Ele mesmo, sendo movido pela Palavra de Deus.

Quando oramos pelos enfermos, usando a imposição de mãos, por exemplo, eles serão curados, não pela nossa própria virtude humana, mas pelo fato de isso ser uma promessa que está estabelecida nas Escrituras (Marcos 16:17-18).

Portanto, era sobre isso que Cristo estava falando. A confiança d'Ele estava naquilo que o Pai havia decretado por Sua Palavra, sendo daí que vinha a autoridade do Filho do homem para realizar milagres e prodígios.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Bendito é o que vem em nome do Senhor.

Provavelmente, a última vez que Jesus deveria ter posto os pés em Jerusalém, antes de sua crucificação, teria sido no ano anterior, na festa da Páscoa, de acordo com o costume dos judeus. De fato, no trecho que vamos analisar aqui (Mateus 21:1-17), essa festa já estava próxima, e Jesus sabia que, por causa disso, o dia em que seria crucificado e morto já estava às portas.

Algumas coisas, porém, ainda precisavam acontecer, antes do sacrifício e ascensão do Filho do homem, para que se cumprisse tudo o que havia sido dito pelos profetas sobre Ele.

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo encontrarão uma jumenta amarrada, com um jumentinho ao lado. Desamarrem-nos e tragam-nos para mim. Se alguém lhes perguntar algo, digam-lhe que o Senhor precisa deles e logo os enviará de volta". Isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: "Digam à cidade de Sião: ‘Eis que o seu rei vem a você, humilde e montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta’". Os discípulos foram e fizeram o que Jesus tinha ordenado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, colocaram sobre eles os seus mantos, e sobre estes Jesus montou. (Mateus 21:1-7)

De forma prodigiosa, o Senhor disse exatamente onde a jumenta estaria amarrada com seu filhote no povoado de Betfagé, sem ter estado ali recentemente. Ainda ordena aos discípulos que, se alguém perguntasse porque os animais estavam sendo levados, eles deveriam responder: "o Senhor precisa deles e logo os enviará de volta".

Com certeza, Jesus sabia quem era o dono dos jumentos e que a pessoa "cria nele", a ponto de confiar na resposta dos discípulos.

No Antigo Testamento, no livro do profeta Zacarias, se encontra o trecho onde está predito como o Messias se apresentaria em Jerusalém antes de ser sacrificado:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

Porém, como já sabemos, o messias que os judeus estavam esperando seria um indivíduo que libertaria o povo da opressão da nação que os dominava naquela época: o Império Romano. Eles não imaginavam que o seu rei não viria para fazer guerra contra seres humanos, mas sim contra as obras das trevas, para vencê-las, da forma como o Pai havia determinado. Por isso, o povo enxergava Cristo apenas como um profeta, apesar dos sinais que dava de seu poder e autoridade.

Uma grande multidão estendeu seus mantos pelo caminho, outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. A multidão que ia adiante dele e os que o seguiam gritavam: "Hosana ao Filho de Davi!" "Bendito é o que vem em nome do Senhor!" "Hosana nas alturas!"" Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou agitada e perguntava: "Quem é este?" A multidão respondia: "Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia". (Mateus 21:8-11)

A palavra "hosana" é de origem hebraica, e quer dizer "salve-nos"; porém, nesse caso, a palavra estava sendo usada com o sentido de louvor, aclamação. O que a multidão dizia era algo como "salve o Filho de Davi" (Hosana ao Filho de Davi) e "louvado seja desde os altos céus" (Hosana nas alturas). 

De fato, a multidão cumpriu uma profecia feita há muito tempo atrás pelo Rei Davi, que diz:

"Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos. O Senhor é Deus, fez resplandecer sobre nós a sua luz. Juntem-se ao cortejo festivo, levando ramos até as pontas do altar." (Salmos 118:26,27)

É importante notar que essa multidão foi se formando desde Jericó, e o grupo cresceu ainda mais quando Jesus chegou em Betfagé. Toda aquela gente ia à frente de Cristo, gritando alto, antes mesmo de Jesus entrar em Jerusalém, o que agitou os moradores da cidade.

No capítulo 12 do Evangelho de João esse episódio é contado com outros detalhes, como veremos abaixo:

Seis dias antes da Páscoa Jesus chegou a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos. Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, enquanto Lázaro estava à mesa com ele. (...) Enquanto isso, uma grande multidão de judeus, ao descobrir que Jesus estava ali, veio, não apenas por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem ele ressuscitara dos mortos. Assim, os chefes dos sacerdotes fizeram planos para matar também Lázaro, pois por causa dele muitos estavam se afastando dos judeus e crendo em Jesus. No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa ouviu falar que Jesus estava chegando a Jerusalém. Pegaram ramos de palmeiras e saíram ao seu encontro, gritando: "Hosana! " "Bendito é o que vem em nome do Senhor! " "Bendito é o Rei de Israel!" Jesus conseguiu um jumentinho e montou nele, como está escrito: "Não tenhas medo, ó cidade de Sião; eis que o seu rei vem, montado num jumentinho". A princípio seus discípulos não entenderam isso. Só depois que Jesus foi glorificado, perceberam que lhe fizeram essas coisas, e que elas estavam escritas a respeito dele. (João 12:1-16)

A entrada de Jesus Cristo em Jerusalém antes de seu sacrifício foi mesmo digna de um rei muito querido, ainda que Ele não estivesse montado num lindo cavalo e acompanhado de soldados bem armados. 

Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: "Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’". Os cegos e os mancos aproximaram-se dele no templo, e ele os curou. (Mateus 21:12-14)

O fato de certos animais serem usados nos sacrifícios determinados na Lei atraia o interesse dos negociantes, que não satisfeitos em fazer seu comércio no centro de Jerusalém também se instalaram no pátio do templo, visando um lucro maior. No entanto, o templo era um lugar que deveria ser utilizado somente para o culto a Deus, não como um espaço para o comércio.

Essa situação era um tremendo insulto ao Nome de Deus e caracterizava uma grande falta de reverência ao Criador, especialmente por parte daqueles que deveriam trabalhar nos serviços do templo, que eram os sacerdotes e os levitas.

Por isso, o Senhor se aborreceu com a presença dos comerciantes, expulsando-os dali. Essa reação de Cristo havia sido predita no livro de Salmos:

O zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim. (Salmo 69:9)

A passagem citada por Cristo, no momento em que expulsava os negociantes do templo, se encontra no livro do profeta Isaías:

A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. (Isaías 56:7)

Após esse ocorrido, o Senhor ainda operou milagres, curando os deficientes que lá se encontravam. E agora, mais uma vez, os discípulos, os chefes dos sacerdotes, os mestres da Lei e a multidão que seguia Jesus puderam testemunhar o poder e a autoridade que o Pai havia entregue a Ele, ainda que não estivessem entendendo o que estavam presenciando.

Enquanto os vendedores eram expulsos e os cegos e mancos eram sarados, as crianças que estavam ali louvavam o Senhor Jesus gritando "Hosana ao Filho de Davi". Tudo isso deixou os chefes dos sacerdotes e mestres da Lei com muita raiva, pois sem discernirem que Jesus era o Messias, tinham inveja da popularidade e da fama que Ele tinha alcançado em toda a Israel.

Mas quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: "Hosana ao Filho de Davi", ficaram indignados, e lhe perguntaram: "Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?" Respondeu Jesus: "Sim, vocês nunca leram: ‘dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor’?" E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde passou a noite. (Mateus 21:15-17)

O Senhor Jesus, mais uma vez, usa um trecho das Escrituras, para mostrar as pessoas quem realmente Ele era:

Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador. (Salmos 8:2)

Contudo, as autoridades de Israel não conseguiam enxergar o óbvio, apesar de todos os sinais que estavam acontecendo diante deles. Essa circunstância também já havia sido predita pelo profeta Isaías:

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: "Quem enviarei? Quem irá por nós?" E eu respondi: "Eis-me aqui. Envia-me!" Ele disse: "Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam. Torne insensível o coração desse povo; torne surdos os ouvidos dele e feche os seus olhos. Que eles não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, e não entendam com o coração, para que não se convertam e sejam curados". (Isaías 6:8-10)

Encerrando a conversa com as lideranças israelitas, o Mestre foi a um povoado que ficava ali próximo, chamado Betânia, para descansar e dormir, a fim de voltar a Jerusalém no dia seguinte, para continuar seu trabalho de anunciação do Reino.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

sábado, 30 de janeiro de 2021

Jesus em Jericó

Seguindo viagem para Jerusalém, Jesus e seus discípulos passaram pela cidade de Jericó. E lá, com toda a certeza, o Cristo prosseguiu dando testemunho de Seu Reino. 

Então, ao saírem daquela cidade, uma grande multidão, maravilhada, seguia o Senhor, na expectativa de ver e receber d'Ele as curas e libertações que necessitava, e também ouvir o que Ele tinha a declarar acerca do Reino de Deus.

Em um determinado momento, dois cegos que estavam à beira do caminho, ao saberem que Jesus ia passando por ali, começaram a chamá-lo e, gritando alto, pediram a Ele que tivesse misericórdia de suas situações.

Ao saírem de Jericó, uma grande multidão seguiu a Jesus. Dois cegos estavam sentados à beira do caminho e, quando ouviram falar que Jesus estava passando, puseram-se a gritar: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!" A multidão os repreendeu para que ficassem quietos, mas eles gritavam ainda mais: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!" (Mateus 20:29-31)

Provavelmente as pessoas que seguiam Jesus achavam que Ele era um profeta e não entendiam o poder e a autoridade que tinha, também não entenderam que aqueles dois homens cegos sabiam que podiam ser curados pelo Senhor, pois estavam crendo que Ele era o Messias – isso podemos ver pela forma como eles chamaram a Jesus, gritando: "Senhor, Filho de Davi" –, o que fez com que Cristo notasse a fé deles e fosse atendê-los.

Jesus, parando, chamou-os e perguntou-lhes: "O que vocês querem que eu lhes faça?" Responderam eles: "Senhor, queremos que se abram os nossos olhos". Jesus teve compaixão deles e tocou nos olhos deles. Imediatamente eles recuperaram a visão e o seguiram. (Mateus 20:32-34)

O pedido daqueles dois homens foi prontamente atendido, para a surpresa e espanto de todos à sua volta. Naquela época, pessoas deficientes, apesar de não serem tratadas da mesma forma como aquelas que tinham doenças contagiosas, estavam à margem da sociedade, por não terem condições de trabalhar, assim como os outros, e geralmente eram desdenhadas pela maioria.

Por isso, quando eles começaram a gritar por Jesus, imediatamente a multidão tentou impedi-los, pois imaginava estarem atrapalhando o momento.

Portanto, ao dar atenção aos dois cegos e ainda por cima curá-los, o Rei Jesus mostrou a todos que os princípios do Reino de Deus são totalmente diferentes daqueles operantes no mundo, e que onde ele se encontra estabelecido ou manifesto, independente de qual seja a condição em que o indivíduo esteja no mundo, há cura disponível e saúde plena para todos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O milagre da moeda de quatro dracmas.

No capítulo 17 do Evangelho de Mateus, encontramos três eventos bem peculiares que aconteceram no ministério terreno do Rei Jesus Cristo, dois dos quais já tratamos aqui no blog, que foram a transfiguração do Mestre no Monte Hermom e a cura/libertação do menino possesso.

Agora vamos observar o momento em que o Senhor Jesus se antecipa a Pedro, já sabendo por obra do Espírito Santo o que havia acontecido com ele, dizendo-lhe em seguida o que deveria fazer para pagar um tributo. Este evento se inicia a partir do versículo 24 do capítulo que estamos analisando.

Todos os três eventos desse capítulo, como sabemos, estão diretamente relacionados com a realidade do Reino de Deus. Neste último, onde Pedro é instruído pelo Cristo em como deveria fazer para conseguir o valor para pagar um certo imposto, há a revelação de mais uma característica desse Reino: Filhos de Deus não precisam pagar ao seu Pai para fazerem parte desse lugar. Se somos filhos, temos direito de estar no Reino e usufruir dele gratuitamente.

Porém, naquele momento, os israelitas ainda não tinham conhecimento sobre a realidade do Reino dos Céus e seguiam obedecendo a Lei mosaica, sem entender que é para Cristo e para o Seu Reino que ela apontava todo o tempo.

Na Lei havia um mandamento específico, o qual determinava que todo o povo de Israel deveria contribuir uma vez por ano, com o valor de "meio siclo" (que equivalia a duas dracmas romanas) por pessoa adulta, em prol da expiação dos pecados do povo (Êxodo 30:11-16). Esse era o "imposto do templo", sobre o qual Pedro foi interrogado.

Este tributo, somado a alguns outros, como o dízimo, por exemplo, foi dado por Deus aos israelitas para garantir que o serviço do templo não parasse. Fazendo essas contribuições, os israelitas mantinham os sacerdotes e levitas providos em suas necessidades para continuarem seu trabalho. Por terem sido consagrados a Deus, eles tinham que se dedicar integralmente ao cumprimento dos rituais ordenados por Ele, e por causa disso, não podiam trabalhar plantando e criando animais para se sustentarem, como a maioria do povo fazia.

Se os sacerdotes e levitas não fizessem seu trabalho no templo, os mandamentos pela expiação dos pecados do povo deixavam de ser cumpridos assim como Deus ordenava na Lei – pois o povo continuava pecando contra o Criador continuamente –, e essa situação, por sua vez, tornava os israelitas dignos de juízo.

Portanto, o valor de meio siclo pago anualmente era uma oferta ao Senhor e deveria ser entregue ao serviço da tenda da congregação. Assim sendo, este ato impedia que um juízo de Deus sobre a maldade, em forma de pragas destruidoras, caísse sobre todo o povo de Israel. 

É importante lembrar aqui que, apesar de Jesus não ter podido trabalhar secularmente durante o Seu ministério terreno, nunca lhe faltou o dinheiro para que se sustentasse e pagasse os tributos, fossem eles relativos ao cumprimento da Lei ou fossem eles relativos ao domínio do Império Romano sobre Israel. 

O Pai providenciou mantenedores para sustentarem o trabalho da anunciação do Reino de Deus, dentre eles estavam mulheres de boas condições financeiras, que haviam sido curadas e libertas pelo poder de Deus através do trabalho de Jesus Cristo (Lucas 8:1-3).

Por este motivo, o milagre que aconteceu no episódio que estamos analisando foi diferenciado dos demais milagres realizados por Jesus, exatamente para que Pedro tivesse a confirmação de que seu mestre era realmente o Filho de Deus, o Messias enviado para resgatar o povo.

Assim, além de falar sobre a cobrança do imposto com seu discípulo, antes que este pudesse ter-lhe dito qualquer coisa, o Rei Jesus ainda lhe mostrou onde conseguir uma moeda de quatro dracmas de uma forma totalmente inusitada. Aquele valor pagaria não somente a parte de Jesus, mas a parte de Pedro também.

Quando o Senhor perguntou a Pedro "De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: de seus próprios filhos ou dos outros?", Ele quis chamar a atenção de Seu discípulo para três fatos importantes: o primeiro era que os reis da terra não cobravam impostos de seus próprios filhos, para que estes permanecessem ao seu lado; logo, o Pai celestial também não cobraria qualquer valor de seus filhos para que estes estejam com Ele em Seu Reino.

O segundo era de que o seu Mestre era mesmo o Filho do Deus Vivo, enviado pelo Pai para justificar os pecados do povo, e n'Ele não havia pecado. O terceiro era que o templo havia sido construído por orientação do Pai, para que Ele interagisse com os israelitas ali. Ora, se Cristo é o Filho Unigênito de Deus, então o templo também existia por causa d'Ele e para Ele.

Foi por estas três causas que, após a resposta de Pedro afirmando que os reis da terra só cobravam impostos dos outros, Cristo respondeu: "Então os filhos estão isentos". Isso quer dizer que o Senhor Jesus não precisaria dar oferta por Si mesmo ali, ou em qualquer outro lugar da terra, pois n'Ele não havia maldade que precisasse ser justificada.

Isso também significa que após aceitarmos o suficiente sacrifício de Cristo pelos nossos pecados, que nos justifica diante do Pai Criador e nos torna seus filhos por adoção, nós também estamos isentos de ter que cumprir todos os mandamentos da Lei relacionados a expiação dos nossos pecados, ou que apontem a necessidade de uma justificação.

Quando somos justificados por Cristo, nós entramos em Seu Reino e assim passamos a conhecer plenamente os princípios e a justiça desse lugar e a obedecê-la de coração. Tais princípios são superiores aos mandamentos da Lei mosaica, uma vez que eles já existiam antes que o homem pecasse e a própria Lei mosaica existisse. Desta forma, os israelitas tinham que perseverar em obedecer aquela lei até que o Messias viesse, pois não estavam dentro do Reino de Deus e, por esta causa, precisavam dos contínuos sacrifícios, a fim de estarem justificados, diante de Deus, na carne.

Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? (Hebreus 9:13,14)

Naquele momento, o Senhor Jesus deveria ocultar temporariamente sua posição de divindade diante do povo para cumprir as escrituras, então Ele pagou o imposto e cumpriu o mandamento. Ele não foi enviado para se exaltar, mas para se humilhar em nosso favor, concedendo a toda humanidade a graça da salvação.

Quanto a forma inusitada de conseguir a moeda de quatro dracmas, seria interessante que os coletores do imposto do templo estivessem presenciando como ela estava sendo adquirida. Obviamente Jesus poderia não ter feito daquela forma. Poderia, simplesmente, ter chamado Judas para retirar da bolsa das ofertas o valor necessário para o pagamento dos dois impostos.

A Escritura não relata se Pedro estava acompanhado daqueles homens no momento que pegou o peixe; no entanto, seria impactante para eles se tivessem visto Pedro tirar o peixe do anzol e puxar a moeda de dentro da boca do animal. Certamente, após observarem aquele evento, a primeira pergunta que eles teriam feito àquele discípulo de Cristo seria: como você sabia que havia uma moeda de quatro dracmas na boca desse peixe?

Muito provavelmente, se Pedro tivesse que pagar o tributo a partir de seu trabalho como pescador, teria que pescar muitos peixes e vendê-los, para, em seguida, usar o dinheiro obtido. Naquele momento, no entanto, os discípulos de Cristo não tinham condições de trabalhar como antes, pois seu tempo era dedicado a acompanhar o Senhor Jesus no ministério de anunciação do Reino. Foi por isso que o Senhor providenciou o valor do pagamento para seu discípulo também.

A conclusão que chegamos é que, mais uma vez, o Senhor Jesus mostra Sua misericórdia, bondade, cuidado e justiça; também confirma que a realidade do Seu Reino é muito superior, e infinitas vezes melhor, que a realidade desse mundo mau no qual vivemos.


Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Este é o meu Filho amado em quem me agrado.

Estas palavras foram ditas pelo Pai Criador, que se manifestou sobrenaturalmente a Pedro, Tiago e João, falando-lhes acerca de quem era o Cristo (o Filho a quem Ele amava e de quem se agradava sempre) e da autoridade que havia sido entregue a Ele para proclamar Seu Reino e ensinar sua justiça (quando falou "ouçam-no"). 

Esse evento especial aconteceu seis dias após Cristo e seus discípulos chegarem à Cesareia de Filipe, num local isolado, no alto do Monte Hermon.

Esse realmente foi um momento ímpar para aqueles três homens, que ainda eram discípulos de Cristo e iriam assumir, num futuro próximo, o encargo de Apóstolos na primeira formação da igreja do Senhor na Terra. 

Eles tiveram a honra de ter um rápido vislumbre da glória do Reino de Deus, vendo o Rei Jesus como Ele realmente é, além de verem a Moisés e Elias (bem vivos!) conversando com Jesus. E somado a isso, ainda puderam ouvir claramente a voz do Pai Criador lhes apresentando o Seu Filho. 

No entanto, como o Cristo ainda não tinha sido sacrificado e ainda não havia ressuscitado, aqueles três discípulos não entenderam bem o que viram e ouviram, apesar da experiência ter sido tão intensa. Eles não entenderam que estavam diante de uma manifestação visível da realidade do Reino de Deus diante deles. E também não entenderam o porquê de seu mestre estar falando especificamente com Moisés e Elias naquele momento.

De fato, os discípulos deveriam ter provas concretas de que o reino que lhes estava sendo anunciado por Jesus era real, e essa foi mais uma. E também foi uma prova incontestável de que o conteúdo da Torah é verdadeiro e está apontando para o Cristo, que iria cumprir à risca tudo o que estava escrito a respeito dele. 

Moisés e Elias conversando com Jesus naquele momento representava algo importante, e que os discípulos entenderam mais tarde: os dois eram figuras bem claras de Cristo, pois representaram com suas vidas o que iria acontecer no futuro em Israel. 

Deus usou especificamente as vidas daqueles dois homens, enquanto estavam na Terra, para mostrar aos israelitas no passado que o Messias viria a eles gerações à frente fazendo coisas semelhantes aquelas que eles estavam fazendo, e seria não somente o seu resgatador, mas seria aquele que abriria a porta do perdão dos pecados para toda a humanidade.

Foi usando a vida de Moisés que Deus libertou os israelitas da escravidão no Egito, conduzindo-os a uma terra específica, onde ali seriam abençoados: Canaã (esta terra é um dos lugares que representa o Reino de Deus no Antigo Testamento) - e sabemos que o Cristo foi enviado para libertar a todos os que crêem nele da escravidão do pecado, dando-lhes gratuitamente a herança da vida eterna, que é a permissão para entrar e fazer parte de Seu Reino definitivamente.

E foi através da vida do profeta Elias que o Pai mostrou aos israelitas que quando o Messias viesse realizaria milagres diferenciados, pois assim como o profeta curou enfermos, ressuscitou mortos e multiplicou os alimentos (farinha e azeite) na casa da viúva, por exemplo, o Rei Jesus agiu de forma similar em seu ministério e continua agindo até agora.


Missionária Oriana Costa.


Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...