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domingo, 18 de abril de 2021

Hipocrisia das lideranças - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3


Neste texto, veremos a terceira parte do discurso que o Senhor Jesus fez no templo de Jerusalém, depois de ter sido abordado pelos mestres da Lei e fariseus pela última vez, antes de ser preso. 

Esta parte do capítulo 23 do Evangelho de Mateus é composta por sete julgamentos feitos por Cristo, com relação ao procedimento da liderança religiosa de Israel, e que, por sinal, são palavras bem duras e contundentes, mas totalmente verdadeiras.

Vale lembrar que os líderes religiosos estavam ali presentes, juntamente com os discípulos e a multidão que cercava o Mestre dentro do templo, testemunhando todo o discurso, e que, também, as acusações que o Messias faria contra as lideranças israelitas já estavam preditas, as quais aconteceriam quando Ele viesse:

"Eu ainda faço denúncias contra vocês", diz o Senhor, "e farei denúncias contra os seus descendentes." (Jeremias 2:9)

Vamos conferir abaixo as duas primeiras acusações feitas pelo Senhor contra os fariseus e mestres da Lei, no seu último dia de ensino no templo de Jerusalém:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente." (Mateus 23:13,14)

Como vemos, Cristo não poupou palavras, julgando aquilo que os fariseus e mestres da Lei estavam fazendo com a nação de Israel. A responsabilidade maior recaía sobre eles, pois tudo o que diziam e faziam era considerado regra e exemplo para todo o povo. Assim, o Senhor expôs publicamente, e pela última vez diante de uma multidão, todo o procedimento equivocado e enganoso daqueles homens.

A primeira acusação de Jesus contra eles foi "vocês estão impedindo aqueles que desejam entrar no Reino dos céus de fazê-lo e nem vocês mesmos estão querendo entrar nele". Esse julgamento é grave, haja vista que a nação de Israel foi planejada por Deus para representar o Reino de Deus na terra até a vinda do Messias. Israel deveria ser uma nação gloriosa e ser um exemplo para as outras nações em todas as áreas, especialmente na submissão ao Criador de todas as coisas.

Por conta disso, todo israelita deveria desejar ardentemente o Reino de Deus, não somente por saber da existência dele pelas escrituras, mas também por ter a incumbência de anunciar às outras nações da terra que Deus enviaria um Justificador, para que todos os que cressem em sua mensagem e sacrifício pudessem entrar nesse lugar gratuitamente.

No entanto, o que estava acontecendo, já há muitos anos, ainda antes do Messias chegar, era exatamente o oposto. Devido à influência das lideranças, a maioria das pessoas apegou-se às práticas religiosas como uma realidade absoluta, esquecendo de que os livros da Lei e as palavras ditas pelos profetas apontavam (e ainda apontam!) para a realidade do Reino de Deus, que era espiritual e muito superior a deste mundo. Além disso, as Escrituras mostravam que o Messias viria para justificá-los e reinar para sempre sobre eles, como, de fato, observamos que aconteceu.

Com o tempo, os mestres da Lei e fariseus foram agregando regras novas àquelas já determinadas por Deus nos mandamentos da Lei e fazendo delas seu meio de justificação diante d'Ele. Isso entristecia profundamente ao Senhor.

A segunda acusação que Cristo fez às lideranças israelitas foi "vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações". Em miúdos, isso significa que, por causa do amor ao dinheiro, aqueles homens não poupavam nem os mais necessitados na sociedade, a fim de manter seu alto padrão de vida. 

Quando Cristo fala das viúvas, Ele está se referindo especialmente aquelas com mais idade, que já não se casariam novamente e não eram abastadas financeiramente. Portanto, mulheres nessa situação precisavam da ajuda dos filhos para se manterem. No livro de Êxodo há um aviso em relação ao que aconteceria com quem desprezasse ou deixasse de ajudar viúvas e crianças órfãs:

Não prejudiquem as viúvas nem os órfãos; porque se o fizerem, e eles clamarem a mim, eu certamente atenderei ao seu clamor. (Êxodo 22:22,23)

Então, desconsiderando os mandamentos da Lei e criando novas regras, e fazendo o povo acreditar que elas eram agradáveis a Deus, aqueles homens faziam com que o povo lhes entregasse mais dinheiro ou mantimentos do que a Lei instituída pelo próprio Deus já determinava.

Visto que a maior parte dos procedimentos no templo não eram feitos publicamente, sendo presenciados apenas pelos sacerdotes, as lideranças religiosas precisavam agir de uma maneira que convencessem o povo de que estavam em plena comunhão com o Senhor. Desta forma, eles se exibiam orando por horas nas ruas para que todos vissem. Isso fazia com que o povo confiasse totalmente neles.

Ensinando os discípulos em falas anteriores, o Senhor Jesus tanto alertou sobre como deveríamos proceder quando estivéssemos falando com o Pai, como também expôs alguns dos descumprimentos à Lei mosaica que os fariseus estavam provocando, ao manterem as "tradições" que foram sendo criadas nos últimos cinco séculos antes da vinda do Senhor. Vejamos nos trechos a seguir:

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. (Mateus 6:5,6)

Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. (Mateus 15:3-6)

Lembrando que "honrar pai e mãe", segundo a Lei Mosaica, não é somente respeitar a autoridade deles, mas também sustentá-los financeiramente quando estiverem em idade avançada (pois naquela época não existia aposentadoria) e cuidar deles. Os mandamentos da Lei não ensinavam ao povo de Deus a dar como oferta no templo aquilo que seria a parte cabível ao sustento dos pais idosos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


segunda-feira, 22 de junho de 2020

O que sai da boca do homem é o que torna-o impuro.

Para entendemos com clareza mais esta parábola de Jesus Cristo precisamos contextualizá-la, assim teremos ideia do que motivou o senhor a dizer tais palavras. Desta forma, aqui iremos observar o conteúdo que vai do versículo 34 do capítulo 14, ao versículo 20 do capítulo 15 do evangelho de Mateus.

No momento em que Cristo disse esta afirmação estava em Genesaré, local onde estava realizando muitos milagres de cura, e por isso estava cercado por uma grande multidão (Mateus 14:34-36). E, igualmente ao que acontecia em muitos outros locais de Israel por onde passava fazendo milagres e prodígios, Jesus também foi questionado pelos fariseus e mestres da lei daquele lugar.

Mas, desta vez, Ele não foi abordado pelos milagres que realizou ou demônios que provavelmente expulsou, mas porque seus discípulos estavam desonrando a TRADIÇÃO dos líderes religiosos "não lavando as mãos antes de comer" (Mateus 15:1,2).

Os fariseus e mestres da Lei tentaram persuadir Jesus a achar que Ele estava  desrespeitando regras dadas por Deus aos israelitas, e ensinando seus discípulos a fazerem o mesmo. No entanto, eles não conseguiram enganar Jesus, pois este sabia que a prática de lavar as mãos com água (sem sabão) antes de comer fora criada pelos fariseus, e que nada tinha a ver com os mandamentos que especificavam os rituais de purificação contidos na Torah.

Lembrando que higienizar as mãos antes de comer é uma prática correta, pois ela nos previne de adoecer com parasitoses e outros tipos de enfermidades. No entanto, no contexto que estamos estudando, a prática da lavagem das mãos com água antes de comer não estava sendo usada visando a manutenção da saúde, mas, sim, estava sendo usada como uma tradição ou ritual religioso.

Então, nessa passagem do Novo Testamento percebemos que, para aqueles homens religiosos, cumprir somente o que estava escrito na Lei mosaica era insuficiente. Na concepção deles era como se Deus tivesse esquecido algo e somente o cumprimento daquelas ordenanças não bastasse para purificar e guiar os indivíduos. E, por conseguinte, eles se aproveitavam da boa fé das pessoas e ensinavam nas sinagogas "novos costumes", como se fossem sagrados.

Sabendo dessa postura dos fariseus e mestres da lei, ao ser questionado por eles com relação ao descumprimento da tradição dos líderes, Jesus os confrontou com as seguintes palavras:

"Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês." (Mateus 15:3-6)

Dizendo isso, Jesus lembrou aqueles homens que eles estavam descumprindo OS MANDAMENTOS DA LEI e ensinando os outros a fazerem o mesmo, ao criarem as novas regras deles. Portanto, aqueles religiosos estavam sendo hipócritas, pois chamaram a atenção de Jesus por não honrar a tradição deles, enquanto eles mesmos estavam desonrando a Deus ao desconsiderarem as suas ordenanças (cujo objetivo era lembrar e manter o povo de Israel preparado para a vinda de seu Justificador, o Messias!).

A realidade era que os fariseus e mestres da Lei estavam totalmente alheios aos reais objetivos dos mandamentos dados por Deus ao povo de Israel, apesar de os saberem decor, e por esse motivo os transgrediam. E por mais que Cristo explicasse a eles onde estavam falhando, eles não queriam ouvir e entender, pois achando-se muito sábios e ignorando a motivação real da obediência às ordenanças da Lei mosaica, estavam com os corações endurecidos, cheios de soberba e bem afastados de Deus.

Por esse motivo, Jesus falou o seguinte sobre eles:

"Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." (Mateus 15:7-9)

"Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova." (Mateus 15:13,14)

Agora, vai aqui um alerta: essa situação descrita nos parágrafos anteriores está acontecendo da mesma maneira hoje, no meio cristão. Muitas pessoas tem sido enganadas por ensinos sutis (que o Apóstolo Paulo chama de doutrinas de demônios em sua primeira carta a Timóteo) provenientes de líderes e pregadores influentes que não enxergam ou não buscam entender o Reino de Deus através das escrituras.

Tais informações emitidas à igreja por essas pessoas famosas, na verdade, vão além daquelas passadas à igreja por Cristo ou simplesmente negam algumas partes do ensino de Cristo, fazendo com que os indivíduos que as recebem deixem de usufruir do fardo leve e do jugo suave da Justiça de Deus para se encherem de condenação e até de muitas dúvidas, ao honrarem preceitos criados por homens sem, no entanto, discernirem o que realmente estão fazendo.

Então, infelizmente, certas doutrinas que parecem vindas de Deus, na verdade estão fazendo as pessoas que alicerçam sua fé nelas pecarem contra o Criador, e atraírem para si o juízo previamente decretado por Ele sobre a operação da maldade, e que está devidamente exposto nas escrituras.

É muito importante que as pessoas que creram em Jesus pela anunciação da mensagem do evangelho entendam que o objetivo do ensino de Cristo para nós é nos tornar cientes do que é a maldade, sabendo onde ela está agindo e como discerní-la; dessa forma, teremos plenas condições de rejeitá-la e bloquear sua ação. Portanto, entender os princípios da Justiça de Deus através do ensino de Cristo e praticá-los é a única forma de andarmos neste mundo mal como verdadeiros filhos de Deus, e somente assim é que conseguimos anunciar o Seu Reino ao mundo com precisão, assim como o próprio Cristo o fez.

Retomando o raciocínio do nosso texto, logo após Cristo ter confrontado os fariseus, Ele pegou o gancho naquilo que tinha ouvido deles e se voltou para a multidão, ensinando às pessoas a seguinte parábola:

"E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem." (Mateus 15:10,11)

Depois disso, conversando com o Senhor, seus discípulos lhe pediram que explicasse o significado daquelas palavras, ao que o Rei Jesus lhes disse:

"Até vós mesmos estais ainda sem entender? Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem." (Mateus 15:16-20)

Então, aqui o Rei Jesus nos mostra a diferença entre a realidade espiritual e a material, as quais nós, seres humanos, experimentamos diariamente e ao mesmo tempo: na material, os seres humanos se alimentam pela boca, depois os alimentos são processados pelo organismo e, em seguida, seus restos são lançados fora; na espiritual, os homens alimentam-se uns aos outros pelo conhecimento que sai de suas bocas, vindos de seus corações.

É importante lembrar que todo o conhecimento que recebemos, após entrar em nossas mentes especialmente por nossos olhos e ouvidos, desce aos nossos corações e passa a influenciar nossos pensamentos, sentimentos, os quais irão direcionar nossas ações.

Desta forma, se não renovarmos nossos entendimentos com o conhecimento da Justiça de Deus a fim de praticá-los, é o conhecimento da maldade, que já vem entrando sutilmente em nossos corações desde a nossa infância proveniente das circunstâncias do mundo, que vai influenciar nossos pensamentos e nossos desejos, pervertendo-os da verdade, e são estes que infelizmente vão embasar nossas ações.

Então, diante dessas duas realidades, o Senhor Jesus sempre dá ênfase à realidade espiritual, e com toda a razão: pois o homem foi criado a partir dela, e é a partir dela que ele é recompensado por viver de forma justa,  ou recebe juízo por seus atos injustos. Portanto, espiritualmente, o que contamina os homens é o conhecimento da maldade que sai de suas bocas proveniente de seus corações.

Agora, depois de estudarmos o contexto do trecho bíblico que estamos focando, podemos entender o que estava acontecendo com os israelitas naquele momento do ministério de Jesus Cristo e porque Ele falou mais esta parábola: a maioria do povo estava sendo fortemente influenciada pelos fariseus e mestres da Lei nas sinagogas; aqueles líderes estavam contaminando as pessoas, alimentando-as espiritualmente com um conhecimento que aparentemente era bom, mas que fazia os indivíduos desobedeceram a Deus sem se darem conta.

Missionária Oriana Costa.




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