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terça-feira, 24 de agosto de 2021

A conspiração - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 1


Após ensinar seus discípulos no Monte das Oliveiras sobre as coisas que haveriam de acontecer à igreja e ao mundo, antes de seu retorno, e sobre os três princípios que servirão de base para o julgamento que terá início com o resgate dos verdadeiros cristãos dentre as nações da terra, quando Ele retornar, Cristo continua a preparar seus discípulos para o dia de sua morte e ressurreição.

O Senhor já vinha preparando seus discípulos sobre o que lhe aconteceria em ocasiões anteriores, como podemos ver no Evangelho de Mateus nos capítulos 17 e 20, por exemplo.

A partir desse estudo, portanto, veremos especialmente o cumprimento das profecias feitas acerca do Messias ao longo dos séculos, antes de seu nascimento, e que constam nos livros do Antigo Testamento.

Vamos começar com o primeiro trecho do capítulo 26, que fala de três momentos importantes: o início da conspiração dos líderes religiosos de Israel para matar Jesus, o episódio do frasco de óleo perfumado que é derramado sobre a cabeça de Cristo, e o início da traição de Judas Iscariotes.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: "Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado". Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-lo. Mas diziam: "Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo". Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro. Ela o derramou sobre a cabeça de Jesus, quando ele se encontrava reclinado à mesa. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e perguntaram: "Por que este desperdício? Este perfume poderia ser vendido por alto preço, e o dinheiro dado aos pobres". Percebendo isso, Jesus lhes disse: "Por que vocês estão perturbando essa mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão. Quando derramou este perfume sobre o meu corpo, ela o fez a fim de me preparar para o sepultamento. Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado, em sua memória". Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês?" E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo. (Mateus 26:1-16)

Antes de iniciar a análise do nosso texto, existem algumas informações importantes que devemos saber. Uma delas é que nesse momento Jesus não se expunha mais publicamente como antes, pois estava ciente de que poderia ser preso e sacrificado a qualquer hora. Ele só se entregou de fato no tempo que o Pai já havia determinado e anunciado na Antiga Aliança (que ainda estava em vigor), através dos mandamentos que entregou a Moisés e Arão.

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: (...) Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. (...) O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...). Esta é a Páscoa do Senhor. (Êxodo 12:1-11)

Outra informação importante é que a conspiração para matar Jesus já tinha surgido bem antes dos acontecimentos mostrados em Mateus 26, no momento em que Lázaro fora ressuscitado. Logo após o acontecido, as lideranças religiosas, com medo de perderem as posições privilegiadas que tinham na sociedade e suas boas relações com as lideranças de Roma, convocaram o sinédrio, que se reuniu para tomar uma posição em unidade. Esse acontecimento se encontra descrito com detalhes no capítulo 11 do Evangelho de João.

Nessa reunião, mesmo sem entender quem realmente era Jesus, o próprio Caifás, que era o sumo sacerdote naquela ocasião, acabou profetizando acerca do Messias:

Então um deles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, tomou a palavra e disse: "Nada sabeis! Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação". Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo. (João 11:49-52)

Por isso, antes de voltar à Betânia, após a ressurreição de Lázaro, Jesus se refugiou com seus discípulos no povoado de Efraim, região próxima dali. Sobre isso, falou o profeta Jeremias:

Ó Jerusalém, lave o mal do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai acolher projetos malignos no íntimo? Ouve-se uma voz proclamando desde Dã, desde os montes de Efraim se anuncia calamidade. (Jeremias 4:14,15)

Dessa forma, faltando cerca de uma semana para a celebração da Páscoa, Cristo voltou à cidade de Betânia, e ali dois sinais interessantes e muito parecidos aconteceram diante dos discípulos, anunciando-lhes que seu Mestre seria sacrificado em breve. Um deles, o segundo, está descrito no trecho que estamos analisando aqui.

O primeiro sinal aconteceu seis dias antes (no oitavo dia do primeiro mês judaico), quando Cristo estava hospedado na casa de Lázaro, a quem Ele ressuscitou dos mortos. Ali Ele foi perfumado pela primeira vez, por Maria, irmã de Lázaro, durante um jantar (João 12:1-9). Ela derramou nos pés do Senhor um frasco de nardo puro, enxugando, em seguida, com seus próprios cabelos. Nessa ocasião, Judas Iscariotes posicionou-se contra o acontecido, alegando que "o frasco de nardo poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

Quatro dias depois, agora na casa de Simão, o leproso, aconteceu uma situação similar. Enquanto Jesus estava reclinado à mesa, uma mulher aproximou-se e derramou sobre a sua cabeça um frasco de alabastro cheio de um perfume muito caro (Mateus 26:6-13, Marcos 14:3). O perfume escorreu por todo o seu corpo. Desta vez, todos os que estavam presentes se indignaram com a ação da mulher, alegando que "o perfume poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

O fato de Jesus ter sido perfumado ou ungido com óleo pela segunda vez, faltando 2 dias para a celebração da Páscoa (no décimo segundo dia do primeiro mês judaico), foi uma sinalização dupla da parte do Pai para os israelitas de que Seu Filho, o Messias, estava ali para pagar de uma vez por todas a dívida de transgressão eterna, cumprindo definitivamente o mandamento relacionado àquele fim e também para reinar para sempre sobre o Seu povo.

Então, ao contrário do que muitos pensam, Jesus foi perfumado com óleo essencial de nardo não somente uma vez na proximidade de sua morte, mas duas vezes.

Sobre essas mulheres que perfumaram Jesus, há no Antigo Testamento, no livro de Cantares, trechos relacionados:

A fragrância dos seus perfumes é suave; o seu nome é como perfume derramado. Não é à toa que as jovens o amam! (Cânticos 1:3)

Enquanto o rei estava em seus aposentos, o meu nardo espalhou a sua fragrância. (Cânticos 1:12)

No livro de Salmos também há um trecho que fala desse acontecimento:

Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. A minha mão o susterá, e o meu braço o fará forte. (Salmos 89:19-21)

A primeira vez que Jesus foi ungido com óleo de nardo (também por uma mulher) aconteceu logo após Ele ter escolhido dentre os seus discípulos os doze Apóstolos, estando com eles na cidade de Naim, na casa de um fariseu que o convidou para uma refeição (Lucas 7:36-50).

Prosseguindo com nosso estudo, agora vamos analisar a traição de Judas Iscariotes. Com a proximidade da celebração da Páscoa, estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, os chefes dos sacerdotes e os lideres religiosos do povo se reuniram novamente no palácio do sumo sacerdote, Caifás, para tomarem uma decisão em definitivo.

Já que não conseguiam achar no Senhor nenhum motivo para justa acusação, resolveram oferecer recompensa para quem lhes entregasse Jesus, a fim de obterem um resultado mais rápido.

Sabendo disso, Judas Iscariotes, que não tinha entendido a mensagem do Reino e estava ali com Cristo sem ter nutrido em seu coração a fé verdadeira (lembrando que ele presenciou todos os milagres feitos por Cristo enquanto o acompanhava em seu ministério!), se sentiu tentado com a possibilidade de ganhar algum dinheiro e adquirir prestígio social, e então sucumbiu à tentação. Assim, ele procurou os líderes religiosos para fazer um acordo com eles (Marcos 14:10,11; Lucas 22:1-6).

Nos livros de Salmos e Zacarias, que estão no Antigo Testamento, podemos ler dois trechos que se referem a esse acontecimento:

Os meus inimigos dizem maldosamente a meu respeito: "Quando ele vai morrer? Quando vai desaparecer o seu nome?" Sempre que alguém vem visitar-me, fala com falsidade, enche o coração de calúnias e depois sai espalhando-as. Todos os que me odeiam juntam-se e cochicham contra mim, imaginando que o pior me acontecerá: "Uma praga terrível o derrubou; está de cama, e jamais se levantará". Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:5-9)

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. (Zacarias 11:12)

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

quarta-feira, 5 de maio de 2021

A sentença - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 6


Neste texto faremos a conclusão do estudo do capítulo 23 do Evangelho de Mateus, que vai do versículo 29 até o 39. Na primeira parte, entre os versículos 29 e 36, vamos observar os dois últimos julgamentos feitos pelo Senhor Jesus em relação aos líderes religiosos de Israel, enquanto ainda estava no templo de Jerusalém.

Em seguida, a partir do versículo 37, vamos analisar o desfecho do discurso de Cristo, onde Ele declara a sentença que já havia sido decretada para a nação de Israel, séculos antes daquele momento, pelos profetas que Deus lhes havia enviado.

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos. E dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas’. Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas. Acabem, pois, de encher a medida do pecado dos seus antepassados! Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno? Por isso, eu lhes estou enviando profetas, sábios e mestres. A uns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas sinagogas de vocês e perseguirão de cidade em cidade. E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar. Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.

A sexta acusação feita contra os mestres da Lei e fariseus foi, portanto, a falta de compromisso deles com suas palavras, ao declararem "se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas".

Acontecia que, literalmente, eles diziam à sociedade que jamais iriam fazer o que seus antepassados fizeram, prendendo e matando os profetas que Deus estava enviando a eles para os advertir. Porém, eles estavam sendo levianos, dizendo essas palavras sem seriedade, sem o compromisso de cumpri-las. 

E desta forma, para manter as aparências e provar ao povo que estavam mesmo falando sério, eles cuidavam dos túmulos dos profetas e dos monumentos feitos em homenagem a alguns deles. 

A situação que aqueles homens falavam – de que jamais participariam no assassinato de profetas de Deus –, realmente não havia acontecido ainda com eles, pois João Batista foi o último profeta da Antiga Aliança, e ele foi preso e morto a mando de Herodes Antipas, o tetrarca romano que comandava as regiões da Galiléia e Pereia. Assim, (extraordinariamente!) não houve a intervenção dos israelitas no processo da prisão e morte desse profeta específico.

O último profeta enviado por Deus aos israelitas, antes de João Batista, foi há aproximadamente 450 anos antes de seu nascimento, cujo nome era Malaquias (Clique aqui para saber mais). Desta forma, os israelitas passaram quase 500 anos sem receber mensageiro algum da parte de Deus (pelo menos, registrado através das Escrituras), até que, por fim, Ele enviou João e Jesus.

A geração de israelitas do tempo de Jesus, portanto, sabia da matança dos profetas, por causa dos registros contidos nas Escrituras e em outros documentos que ainda existiam na época, mas não tinham vivenciado tal fato por eles mesmos.

Contudo, antecipadamente, por causa da ação do Espírito Santo e também respaldado nas próprias Escrituras, o Senhor Jesus, ao final de seu discurso, declarou, diante de todos os presentes, aquilo que os mestres da Lei e fariseus iriam fazer: eles iam acabar de encher a medida do pecado dos seus antepassados, perseguindo, açoitando, crucificando e matando o próprio Cristo, e depois os Apóstolos e muitos de seus discípulos. Então, essa foi a sétima e última acusação de Jesus contra aqueles homens: homicídio.

O último assassinado feito pelos líderes religiosos israelitas a um profeta, aconteceu séculos antes da vinda de João Batista. O profeta Zacarias, conforme fala Cristo, foi morto entre o santuário e o altar. Isso quer dizer que eles invadiram o templo e provavelmente mataram o profeta em frente à sala chamada de Santo dos santos.

No Antigo Testamento não há o relato da morte do profeta Zacarias, assim como descreveu o Senhor, nem tampouco há a citação acerca de como outros profetas morreram (só encontramos informações de que muitos foram feridos por espadas), contudo, em alguns trechos vemos denúncias desses tristes acontecimentos:

Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. (1 Reis 19:14)

Mas foram desobedientes e se rebelaram contra ti; deram as costas para a tua Lei. Mataram os teus profetas, que os tinham advertido que se voltassem para ti; e te fizeram ofensas detestáveis. (Neemias 9:26)

De nada adiantou castigar o seu povo, eles não aceitaram a correção. A sua espada tem destruído os seus profetas como um leão devorador. (Jeremias 2:30)

Prosseguindo com o raciocínio do nosso estudo, vamos agora para a finalização desse dramático discurso do Senhor Jesus, que conclui dizendo estas palavras:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’.

Ao falar da galinha que reúne seus pintinhos debaixo de suas asas, Cristo está se referindo à proteção e ao cuidado que Deus sempre desejava dar à nação de Israel, e que, inclusive, é uma das promessas dele para aquele povo:

Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor. (Salmos 91:4)

Porém, por causa da incredulidade e desobediência dos israelitas, ao longo dos séculos, eles acabaram por várias vezes dominados por outras nações e suas cidades eram destruídas. Antes de Roma, que foi a última nação a assumir o controle dos israelitas, eles já tinham sido conquistados pelos assírios, persas, gregos e macedônicos (império selêucida).

No momento que Jesus foi enviado, Israel estava novamente colhendo mais um juízo de sua conduta reprovável diante de Deus, desta vez submissa ao Império romano, que 40 anos depois, iria destruir totalmente a cidade de Jerusalém e arrasar todas as outras cidades israelenses.

Ao julgar a nação de Israel, Jesus faz menção ao que fora dito pelo profeta Jeremias, séculos antes de seu tempo:

A terra deles ficará deserta e será tema de permanente zombaria. Todos os que por ela passarem ficarão chocados e balançarão a cabeça. Como o vento leste, eu os dispersarei diante dos inimigos; eu lhes mostrarei as costas e não o rosto, no dia da sua derrota.(Jeremias 18:16,17)

E quando o Senhor Jesus diz "eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor', Ele está dizendo que os judeus israelitas somente tornariam a vê-lo novamente quando reconhecessem a Ele como seu Salvador e cressem na mensagem do Reino, aceitando o governo de Cristo sobre eles e humilhando-se diante de Deus, arrependendo-se verdadeiramente de seus pecados. Essa fala de Jesus está predita no livro de Salmos, como leremos a seguir:

Esta é a porta do Senhor, pela qual entram os justos. Dou-te graças, porque me respondeste e foste a minha salvação. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isso vem do Senhor, e é algo maravilhoso para nós. Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia. Salva-nos, Senhor! Nós imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós suplicamos. Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos. (Salmos 118:20-26)

De fato, depois de ressurreto, os primeiros para os quais Jesus apareceu pessoalmente foram os Apóstolos e alguns de seus discípulos (que eram judeus), e, mais tarde, também o fariseu romano Paulo de Tarso experimentou um momento especial com o Rei Jesus enquanto viajava para Damasco, quando perseguia os cristãos.

Então, praticamente todos os que estavam seguindo o Senhor Jesus até Sua crucificação, com exceção do Apóstolo Paulo, conseguiram vê-lo em pessoa após sua ressurreição.

Até os dias de hoje, muitos judeus que buscam conhecer a mensagem do Evangelho têm tido experiências sobrenaturais únicas com a presença de Deus. Alguns têm visões do Reino de Deus e do próprio Cristo, ainda que não possam ver seu rosto com clareza.

No Evangelho de João há também um trecho com informações complementares em relação a esse episódio do templo, que veremos a seguir:

"Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, com um pedido: "Senhor, queremos ver Jesus". Filipe foi dizê-lo a André, e os dois juntos o disseram a Jesus. Jesus respondeu: "Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará. "Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome! " Então veio uma voz do céu: "Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente". A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado. Jesus disse: "Esta voz veio por causa de vocês, e não por minha causa. Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim". Ele disse isso para indicar o tipo de morte que haveria de sofrer. A multidão falou: "A Lei nos ensina que o Cristo permanecerá para sempre; como podes dizer: ‘O Filho do homem precisa ser levantado’? Quem é esse ‘Filho do homem’?" Disse-lhes então Jesus: "Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo. Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz". Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles. Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, não creram nele. Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: "Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?" Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar: "Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure". Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele. Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga; pois preferiam a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus. Então Jesus disse em alta voz: "Quem crê em mim, não crê apenas em mim, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. "Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia. Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer". (João 12:20-50)

Provavelmente, esse foi o fechamento do trabalho de Cristo enquanto ensinava no templo em Jerusalém pela última vez.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sepulcros caiados - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 5


Neste texto, vamos analisar a penúltima parte do último discurso que o Senhor Jesus fez publicamente no templo de Jerusalém, diante das autoridades religiosas, dos discípulos e da multidão que estava ali presente. Esse acontecimento se deu alguns dias antes de sua prisão.

De fato, esse trecho se trata do fechamento do raciocínio dos cinco primeiros julgamentos que o Senhor estava fazendo naquele momento, relacionados às atitudes dos fariseus e mestres da Lei, e que se iniciou a partir do versículo 13. Para entender melhor o contexto desse conteúdo, leia as outras quatro publicações anteriores a esta, aqui neste blog.

Continuando nosso estudo, vejamos o trecho abaixo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade. (Mateus 23:23-28)

Observamos, desta forma, que a quinta acusação que o Mestre faz contra os fariseus e mestres da Lei é com relação à omissão dos preceitos mais importantes, para os quais a Lei Mosaica aponta todo o tempo: a Justiça de Deus (que ainda seria revelada plenamente a eles, e por isso deveria ser desejada e buscada), e as suas misericórdia (com relação à situação condenatória dos seres humanos) e fidelidade (em cumprir todas as suas promessas e pactos).

O Senhor Jesus alertou a todos que cumprir à risca o mandamento do dízimo não justifica a falta de entendimento dos reais princípios da Lei, que, obviamente, aqueles que estavam liderando espiritualmente a nação de Israel deveriam ter.

Por não buscarem conhecer a Deus de fato, aqueles homens se encheram de vaidades, ganância e cobiça, achando que apenas decorando e cumprindo os mandamentos da Lei estariam justificados de seus pecados diante do Pai, e assim manteriam diante do povo o status de "justos". Foi por isso que o Senhor fez uma metáfora tão exagerada: "vocês coam um mosquito da água que bebem, mas no fim acabam engolindo um camelo".

Cristo chamou a atenção daqueles líderes para a sua cegueira espiritual, pois estavam dando mais importância à aparência de sábios e justos do que à verdadeira sabedoria e justiça de Deus. 

Ele mostrou que se encher do conhecimento das escrituras e procurar cumprir os mandamentos ao pé da letra, sem, porém, entender para quê eles realmente servem é o mesmo que "limpar somente o exterior do copo e do prato e deixar sujo o interior deles". Então, agindo daquela forma, os fariseus e mestres da Lei estavam sendo hipócritas e maus uns com os outros, pois somente o entendimento pleno da justiça de Deus dá às pessoas o discernimento verdadeiro da maldade, levando-as a rejeitar sua ação plenamente.

A expressão "sepulcro caiado" se refere a um túmulo, da época de Jesus, que estava branqueado por fora com cal. Na íntegra, era a pedra do túmulo ou as paredes ao redor pintadas de branco. Caiar um sepulcro, portanto, servia para melhorar aparência do lugar, deixando-o mais agradável de ver, no momento das visitações. No entanto, isso não mudava o que havia por dentro dele: um cadáver fétido, em decomposição.

Por isso, também, o Senhor Jesus comparou aqueles homens a "sepulcros caiados", pois eles insistiam em parecer sábios e justos aos olhos de todos, mas, por dentro, estavam mortos espiritualmente e não se importavam em mudar a situação de seus corações.

Mesmo que o Senhor Jesus os alertasse, eles não lhe davam ouvidos e se enfureciam mais ainda contra Ele a cada vez que eram confrontados com a verdade. Seus corações estavam endurecidos, cheios da operação da maldade, e suas vidas entregues aos sentimentos e desejos provenientes dela.

Texto: Missionária Oriana Costa

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 27 de abril de 2021

Regras a mais - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 4


Nesta parte de seu discurso, onde Cristo segue julgando o procedimento das lideranças religiosas de Israel, dentro do templo em Jerusalém, Ele aponta especialmente o quanto aqueles homens estavam totalmente longe de Deus e muito apegados aos bens materiais e às riquezas do mundo.

Cristo aqui faz mais dois julgamentos importantes (veja os dois primeiros em Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3) com relação ao procedimento daqueles líderes religiosos.

Vejamos o trecho a seguir:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês. Ai de vocês, guias cegos!, pois dizem: ‘Se alguém jurar pelo santuário, isto nada significa; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, está obrigado por seu juramento’. Cegos insensatos! Que é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? Vocês também dizem: ‘Se alguém jurar pelo altar, isto nada significa; mas se alguém jurar pela oferta que está sobre ele, está obrigado por seu juramento’. Cegos! Que é mais importante: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, aquele que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. E o que jurar pelo santuário, jura por ele e por aquele que nele habita. E aquele que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele se assenta. (Mateus 23:15-22)

Um detalhe interessante é que no início desse trecho o Senhor Jesus fala que existia uma espécie de "evangelização", que era feita pelos mestres da Lei e fariseus, aonde eles supostamente saíam do território de Israel a fim de divulgar sua fé em outras nações e, provavelmente, também ensinar a Lei aos estrangeiros que faziam aliança com Deus.

Porém, esse assunto não é muito conhecido no meio cristão, no entanto, aqui o Senhor fala da existência desse trabalho, antes mesmo que a promessa da Nova Aliança com Deus se cumprisse.

De fato, não há informações acessíveis sobre o procedimento daqueles homens nessa área, no entanto, segundo a forma como Jesus julga aquela liderança, era como se, nesse trabalho, a mensagem que anunciava o cumprimento da promessa de justificação feita por Deus a Abrão – que aconteceria com a vinda do Messias que estabeleceria seu reinado para sempre em toda a terra – estivesse sendo deixada de lado. Então, essa é mais uma razão pela qual Jesus faz essa primeira acusação e os condena chamando-os, por causa disso, de "filhos do inferno".

Com toda a certeza, essa omissão da promessa de justificação feita por Deus, assim como está nas escrituras, não viria senão de alguém que estivesse contra o Criador, ou seja, o diabo.

O segundo julgamento de Cristo nesse trecho são as "regrinhas a mais" que os mestres da Lei e os fariseus estavam ensinando. Dentre elas, estava a desobrigação de cumprir um juramento, caso ele fosse feito em nome do santuário ou em nome do altar do sacrifício. No entanto, eles diziam que se alguém jurasse em nome do ouro que revestia o santuário ou em nome das ofertas que estavam sobre o altar do sacrifício, aí o indivíduo teria que cumprir sua promessa.

Na cultura judaica antiga, com relação aos juramentos, geralmente eles eram feitos sempre em nome de alguém ou em nome de alguma coisa importante, quando o sujeito queria deixar bem claro que a promessa ou o voto que fez se cumpriria da forma e no tempo que foi estabelecido. 

O santuário (que era a parte mais externa do templo) e o altar (local mais interno do templo onde eram colocadas as ofertas de cereais e feitos os sacrifícios de animais pela expiação dos pecados do povo) eram os locais mais importantes para os israelitas, por isso eram os mais usados na hora em que eles queriam jurar pelo cumprimento de alguma promessa ou voto.

Em relação a fazer juramentos, a Lei diz o seguinte:

Quando um homem fizer um voto ao Senhor ou um juramento que o obrigar a algum compromisso, não poderá quebrar a sua palavra, mas terá que cumprir tudo o que disse.(Números 30:2)

No livro de Eclesiastes, escrito pelo Rei Salomão, também há um trecho que diz:

Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus, e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir. Não permita que a sua boca o faça pecar. E não diga ao mensageiro de Deus: "O meu voto foi um engano". Por que irritar a Deus com o que você diz e deixá-lo destruir o que você realizou? Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus. (Eclesiastes 5:2-7)

Portanto, não foi à toa que o Senhor Jesus condenou o procedimento dos líderes religiosos de Israel. Segundo a Lei, qualquer promessa ou voto feito sob juramento deveria ser cumprido, salvo algumas pequenas exceções referentes às mulheres (veja em Números 30:2-15). 

Então, independente do ouro que revestia o santuário em algumas partes ou qualquer outra riqueza ou objeto caro que estivesse dentro do templo, ou mesmo de qualquer oferta que estivesse sobre o altar, um voto ou uma promessa feita sob juramento deveria ser cumprida.

No entanto, por não enxergarem o sentido dos mandamentos da Lei mosaica, os mestres da Lei e fariseus estavam sutilmente ensinando que as riquezas e bens materiais que haviam dentro do templo eram mais valiosos do que o próprio santuário.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


domingo, 18 de abril de 2021

Hipocrisia das lideranças - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 3


Neste texto, veremos a terceira parte do discurso que o Senhor Jesus fez no templo de Jerusalém, depois de ter sido abordado pelos mestres da Lei e fariseus pela última vez, antes de ser preso. 

Esta parte do capítulo 23 do Evangelho de Mateus é composta por sete julgamentos feitos por Cristo, com relação ao procedimento da liderança religiosa de Israel, e que, por sinal, são palavras bem duras e contundentes, mas totalmente verdadeiras.

Vale lembrar que os líderes religiosos estavam ali presentes, juntamente com os discípulos e a multidão que cercava o Mestre dentro do templo, testemunhando todo o discurso, e que, também, as acusações que o Messias faria contra as lideranças israelitas já estavam preditas, as quais aconteceriam quando Ele viesse:

"Eu ainda faço denúncias contra vocês", diz o Senhor, "e farei denúncias contra os seus descendentes." (Jeremias 2:9)

Vamos conferir abaixo as duas primeiras acusações feitas pelo Senhor contra os fariseus e mestres da Lei, no seu último dia de ensino no templo de Jerusalém:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente." (Mateus 23:13,14)

Como vemos, Cristo não poupou palavras, julgando aquilo que os fariseus e mestres da Lei estavam fazendo com a nação de Israel. A responsabilidade maior recaía sobre eles, pois tudo o que diziam e faziam era considerado regra e exemplo para todo o povo. Assim, o Senhor expôs publicamente, e pela última vez diante de uma multidão, todo o procedimento equivocado e enganoso daqueles homens.

A primeira acusação de Jesus contra eles foi "vocês estão impedindo aqueles que desejam entrar no Reino dos céus de fazê-lo e nem vocês mesmos estão querendo entrar nele". Esse julgamento é grave, haja vista que a nação de Israel foi planejada por Deus para representar o Reino de Deus na terra até a vinda do Messias. Israel deveria ser uma nação gloriosa e ser um exemplo para as outras nações em todas as áreas, especialmente na submissão ao Criador de todas as coisas.

Por conta disso, todo israelita deveria desejar ardentemente o Reino de Deus, não somente por saber da existência dele pelas escrituras, mas também por ter a incumbência de anunciar às outras nações da terra que Deus enviaria um Justificador, para que todos os que cressem em sua mensagem e sacrifício pudessem entrar nesse lugar gratuitamente.

No entanto, o que estava acontecendo, já há muitos anos, ainda antes do Messias chegar, era exatamente o oposto. Devido à influência das lideranças, a maioria das pessoas apegou-se às práticas religiosas como uma realidade absoluta, esquecendo de que os livros da Lei e as palavras ditas pelos profetas apontavam (e ainda apontam!) para a realidade do Reino de Deus, que era espiritual e muito superior a deste mundo. Além disso, as Escrituras mostravam que o Messias viria para justificá-los e reinar para sempre sobre eles, como, de fato, observamos que aconteceu.

Com o tempo, os mestres da Lei e fariseus foram agregando regras novas àquelas já determinadas por Deus nos mandamentos da Lei e fazendo delas seu meio de justificação diante d'Ele. Isso entristecia profundamente ao Senhor.

A segunda acusação que Cristo fez às lideranças israelitas foi "vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações". Em miúdos, isso significa que, por causa do amor ao dinheiro, aqueles homens não poupavam nem os mais necessitados na sociedade, a fim de manter seu alto padrão de vida. 

Quando Cristo fala das viúvas, Ele está se referindo especialmente aquelas com mais idade, que já não se casariam novamente e não eram abastadas financeiramente. Portanto, mulheres nessa situação precisavam da ajuda dos filhos para se manterem. No livro de Êxodo há um aviso em relação ao que aconteceria com quem desprezasse ou deixasse de ajudar viúvas e crianças órfãs:

Não prejudiquem as viúvas nem os órfãos; porque se o fizerem, e eles clamarem a mim, eu certamente atenderei ao seu clamor. (Êxodo 22:22,23)

Então, desconsiderando os mandamentos da Lei e criando novas regras, e fazendo o povo acreditar que elas eram agradáveis a Deus, aqueles homens faziam com que o povo lhes entregasse mais dinheiro ou mantimentos do que a Lei instituída pelo próprio Deus já determinava.

Visto que a maior parte dos procedimentos no templo não eram feitos publicamente, sendo presenciados apenas pelos sacerdotes, as lideranças religiosas precisavam agir de uma maneira que convencessem o povo de que estavam em plena comunhão com o Senhor. Desta forma, eles se exibiam orando por horas nas ruas para que todos vissem. Isso fazia com que o povo confiasse totalmente neles.

Ensinando os discípulos em falas anteriores, o Senhor Jesus tanto alertou sobre como deveríamos proceder quando estivéssemos falando com o Pai, como também expôs alguns dos descumprimentos à Lei mosaica que os fariseus estavam provocando, ao manterem as "tradições" que foram sendo criadas nos últimos cinco séculos antes da vinda do Senhor. Vejamos nos trechos a seguir:

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. (Mateus 6:5,6)

Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. (Mateus 15:3-6)

Lembrando que "honrar pai e mãe", segundo a Lei Mosaica, não é somente respeitar a autoridade deles, mas também sustentá-los financeiramente quando estiverem em idade avançada (pois naquela época não existia aposentadoria) e cuidar deles. Os mandamentos da Lei não ensinavam ao povo de Deus a dar como oferta no templo aquilo que seria a parte cabível ao sustento dos pais idosos.


Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


sábado, 6 de fevereiro de 2021

A pedra que os construtores rejeitaram

O momento em que o Pai enviou Seu Filho Unigênito foi exato. Deus não falha jamais. O fato de Jesus não ter sido reconhecido e sofrer rejeição pela maioria dos judeus, especialmente pelas lideranças, mostra que Cristo veio na hora certa. 

Muitas pessoas ficam indignadas ao lerem os evangelhos e saberem a forma como o Senhor foi recebido e tratado em sua própria nação. No entanto, se não tivesse acontecido daquela forma, as informações contidas no Antigo Testamento seriam falsas. Tudo o que aconteceu com Jesus foi predito através dos profetas da Antiga Aliança.

Segundo o conteúdo do Antigo Testamento, o justificador da humanidade nasceria em Israel, no seguinte contexto: os israelitas estariam dominados por uma outra nação e, portanto, não teriam um rei, além de estarem influenciados por lideranças religiosas corrompidas.

Por isso, o Pai preparou "um homem especial", que não se abalaria com o que iria enfrentar e seguiria até o fim com seu trabalho, sem desanimar. No trecho que vamos analisar a seguir, Jesus estava em Jerusalém, no templo, no meio de um confronto com os líderes religiosos:

Ouçam outra parábola: Havia um proprietário de terras que plantou uma vinha. Colocou uma cerca ao redor dela, cavou um tanque para prensar as uvas e construiu uma torre. Depois arrendou a vinha a alguns lavradores e foi fazer uma viagem. Aproximando-se a época da colheita, enviou seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe pertenciam. Os lavradores agarraram seus servos; a um espancaram, a outro mataram e apedrejaram o terceiro. Então enviou-lhes outros servos em maior número, e os lavradores os trataram da mesma forma. Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: ‘A meu filho respeitarão’. Mas quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo e tomar a sua herança’. Assim eles o agarraram, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Portanto, quando vier o dono da vinha, o que fará àqueles lavradores? Responderam eles: Matará de modo horrível esses perversos e arrendará a vinha a outros lavradores, que lhe deem a sua parte no tempo da colheita. (Mateus 21:33-41)

Essa, na verdade, é a segunda parábola que Jesus contou aos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei, após ser abordado por eles enquanto ensinava no templo, em Jerusalém. 

Na primeira, o Senhor fala de um Pai que tinha dois filhos, um que fez a sua vontade e o outro não, comparando o filho que atendeu o pai aos publicanos e prostitutas, e aquele que não atendeu aos líderes religiosos (leia o texto anterior "De onde é o batismo de João?").

Agora, o Mestre fala de um certo proprietário de terras que plantou uma vinha, arrendou-a a alguns lavradores e viajou. Os significados por trás das palavras na parábola são os seguintes: a vinha é a aliança que Deus tinha feito com Abraão; a cerca são os mandamentos que Ele havia dado a Moisés; o tanque e a torre se referem ao templo; os lavradores são os sacerdotes e mestres da Lei, e os servos que o dono da vinha enviou são os profetas.

Quando Jesus falou do "filho do dono da vinha" estava falando de Si mesmo e já predizendo o que estava para acontecer. É realmente curioso ver que os líderes religiosos entenderam bem o raciocínio da história e deram uma resposta sensata ao Senhor e, apesar de saberem que o Mestre estava falando deles, foram incapazes de perceber que as parábolas declaravam tudo o que eles pretendiam fazer com Jesus e também o castigo que eles sofreriam depois.

Jesus lhes disse: "Vocês nunca leram nas Escrituras? ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isso vem do Senhor, e é algo maravilhoso para nós’. "Portanto eu lhes digo que o Reino de Deus será tirado de vocês e será dado a um povo que dê os frutos do Reino. Aquele que cair sobre esta pedra será despedaçado, e aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó". Quando os chefes dos sacerdotes e os fariseus ouviram as parábolas de Jesus, compreenderam que ele falava a respeito deles. E procuravam um meio de prendê-lo; mas tinham medo das multidões, pois elas o consideravam profeta. (Mateus 21:42-46)

E assim como fez em momentos anteriores, mais uma vez o Mestre cita um trecho das Escrituras, para chamar a atenção daqueles senhores, quando falou "a pedra que os construtores rejeitaram..." (veja Salmos 118:22,23).

Ele ainda avisou que esta pedra (Ele mesmo) traria juízo para aqueles que a rejeitassem, despedaçando os que caíssem sobre ela (ou tropeçassem nela), por não quererem enxergá-la, e transformando em pó os que estivessem embaixo dela quando caísse, por tentarem derrubá-la. Isso está predito no livro do profeta Isaías, que diz:

"Ao Senhor dos Exércitos é que vocês devem considerar santo, a ele é que vocês devem temer, dele é que vocês devem ter pavor. Para os dois reinos de Israel ele será um santuário, mas também uma pedra de tropeço, uma rocha que faz cair. E para os habitantes de Jerusalém ele será uma armadilha e um laço. Muitos deles tropeçarão, cairão e serão despedaçados, presos no laço e capturados." (Isaías 8:13-15)

Assim, apesar de saberem que Jesus estava se referindo a eles nas parábolas e estar avisando o que lhes sobreviria devido à sua incredulidade, aquelas lideranças israelitas ainda procuraram prender o Senhor e só não o fizeram naquele momento por causa do povo, de quem não queriam perder o prestígio. 

De fato, tudo aconteceu como foi predito: o Reino de Deus foi anunciado primeiro aos israelitas. Como a grande maioria do povo e também as autoridades rejeitaram o Messias, cerca de 40 anos após a sua morte e ressurreição aconteceu a destruição de Israel. Os israelitas que ficaram vivos se espalharam pelas outras nações da terra e a anunciação do Reino de Deus, que deveria ser feita pelos judeus, continuou sendo feita por outros povos.

Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

De onde era o batismo de João?

No trecho seguinte, extraído do Evangelho de Mateus, Jesus conversa com os sacerdotes e líderes  religiosos em Jerusalém:

Jesus entrou no templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se dele os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo e perguntaram: "Com que autoridade estás fazendo estas coisas? E quem te deu tal autoridade?" Respondeu Jesus: "Eu também lhes farei uma pergunta. Se vocês me responderem, eu lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas. De onde era o batismo de João? Do céu ou dos homens?" (Mateus 21:23-25)

Nos últimos dois estudos, vimos como aconteceu a entrada de Jesus em Jerusalém, no dia anterior ao evento citado no versículo acima, e o que aconteceu no templo. De fato, foram muitos sinais dados de uma só vez na presença dos líderes religiosos judaicos, no entanto, aqueles senhores não conseguiam enxergar que Jesus Cristo era o Messias que eles deveriam estar esperando.

Quando o Senhor aparece por lá no dia seguinte, ensinando sobre o Reino de Deus, é novamente abordado por aqueles homens, que ainda insistiam em saber "com que autoridade Ele fazia aquelas coisas", ou seja, eles queriam saber quem havia dado a Jesus o poder para realizar os milagres e com quem Ele havia aprendido tanto sobre as escrituras sagradas, a ponto de ensinar sobre elas.

É claro que, depois de ter dado tantas provas de quem Ele realmente era, não seria mais necessário fazer tal pergunta a Jesus. Porém, o Mestre aproveitou a situação para colocá-los numa saia justa, perguntando o óbvio a eles: de onde era o batismo de João.

João Batista foi o profeta que o Pai usou para falar que o Messias já havia chegado, e estava em Israel, bem como que Ele iniciaria seu ministério em breve (por isso, João Batista foi o último profeta da Antiga Aliança). Abaixo seguem três trechos do Antigo Testamento que se referem a ele:

Perto está a salvação que ele trará aos que o temem, e a sua glória habitará em nossa terra. O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão. A fidelidade brotará da terra, e a justiça descerá dos céus. O Senhor nos trará bênçãos, e a nossa terra dará a sua colheita. A justiça irá adiante dele e preparará o caminho para os seus passos. (Salmo 85:9-13)

Uma voz clama: No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. (Isaías 40:3)
Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição.
(Malaquias 4:5,6)

Evidentemente, aqueles líderes sabiam qual era a resposta da pergunta que o Senhor fez, mas não queriam admitir que estavam errados, que não estavam se importando com as coisas de Deus; eles temiam perder suas posições influentes na sociedade, então mentiram dizendo que "não sabiam" de onde era o batismo de João.

Eles discutiam entre si, dizendo: "Se dissermos: ‘do céu’, ele perguntará: ‘Então por que vocês não creram nele?’ Mas se dissermos: ‘dos homens’ — temos medo do povo, pois todos consideram João um profeta". Eles responderam a Jesus: "Não sabemos". E ele lhes disse: "Tampouco lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas". (Mateus 21:25-27)

Naquele instante Cristo expôs as reais intenções dos chefes dos sacerdotes e mestres da Lei: todos os que estavam ali entenderam que eles não estavam interessados em fazer a vontade de Deus, mas queriam apenas permanecer no poder, usufruindo das regalias que suas posições lhes proporcionavam.

Então, de uma forma sábia, o Mestre aproveita para confrontá-los educadamente, contando-lhes uma pequena parábola:

"O que acham? Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. E este respondeu: ‘Não quero! ’ Mas depois mudou de ideia e foi. O pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: ‘Sim, senhor! ’ Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? "O primeiro", responderam eles. Jesus lhes disse: "Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus. Porque João veio para lhes mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele, mas os publicanos e as prostitutas creram. E, mesmo depois de verem isso, vocês não se arrependeram nem creram nele". (Mateus 21:28-32)

Apesar de João Batista, que anunciou a chegada do Messias, também ter dado os sinais previstos nas escrituras, as lideranças judaicas, que deveriam ter sido os primeiros a discernirem o que Deus estava fazendo, nada perceberam, por causa da dureza de coração deles. 

No entanto, eles sabiam que tanto os procedimentos do profeta como o de Cristo não eram comuns ou vindos da mente humana e, mesmo assim, nem ao menos se deram o trabalho de analisar o que estava acontecendo à luz das escrituras, desprezando totalmente os dois enviados de Deus.

Por estarem espiritualmente cegos e surdos, para aqueles homens, tanto João quanto Jesus eram apenas concorrentes, que precisavam ser eliminados a todo o custo, para que não perdessem a credibilidade do povo e também a honra diante das autoridades romanas.

Texto: Miss. Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa



Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...