segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quer tirar a própria vida? Leia este aviso antes!

Está pensando em tirar sua vida? Quer mesmo se matar, porque você não sabe mais o que fazer para parar com seu sofrimento?
Antes de fazer isso, leia esse aviso, depois decida o que você quer fazer. 

Para começar, uma coisa que talvez muito poucas pessoas entendam é a realidade verdadeira na qual a nossa realidade nesse mundo está embutida. Nossa realidade material não funcionaria se não estivesse firmada numa outra, chamada realidade eterna. 

A realidade ou dimensão eterna é quem dá o suporte para a nossa dimensão material funcionar e continuar existindo. Todas as regras e leis que regem nosso universo foram instituídas pelo nosso Criador, na dimensão espiritual ou eterna. 

E passar da dimensão física para a eterna SEM JUSTIFICAÇÃO é arranjar uma GRANDE ENCRENCA PARA SEMPRE: ou seja, ao passar para lá, o sujeito, se encontrando fora do Reino de Deus, está condenado A EXISTIR FORA DELE PARA SEMPRE, ONDE NÃO TERÁ PAZ, ALEGRIA E SATISFAÇÃO ETERNAMENTE - pois permanecerá separado da fonte de vida, que é o nosso Criador, pela eternidade. Isso se dá devido a forma como as coisas foram estabelecidas por Deus antes da criação do nosso mundo. 

Ele nos criou a sua imagem e semelhança, isentos de maldade. No entanto, o homem decidiu deixar esse conhecimento entrar em seu coração, o que resultou em sua morte, ou resultou em sua saída permanente do Reino de Deus, pois nesse lugar o conhecimento da maldade não pode entrar. 

Então, a morte do homem não é primeiramente a física, mas a sua morte é antes eterna. A morte física (que também pode se concretizar através de pensamentos ou desejos suicidas) é somente um reflexo da morte espiritual que o homem colheu como juízo perpétuo no mundo, ao deixar o conhecimento da maldade entrar em si mesmo. 

A única maneira de DEIXAR ESSE MUNDO CORRETAMENTE, NO QUAL PASSAMOS TANTAS DIFICULDADES E SOFRIMENTOS, É VENCENDO A MORTE ESPIRITUALMENTE. Quem quer cometer suicídio não conhece a que realidade está sujeito de fato, pois se conhecesse não desejaria se matar jamais. 

Portanto, querer tirar a vida do próprio corpo é um ato proveniente de ignorância total da justiça de Deus! Esta justiça, expressa claramente ao mundo através de Jesus Cristo, diz que a única maneira de morrer para este mundo ou deixar esse mundo da maneira correta é CRENDO QUE A MORTE E RESSURREIÇÃO DE CRISTO SÃO SUFICIENTES PARA NOS JUSTIFICAREM ETERNAMENTE, e que é unicamente este evento que nos devolve a cidadania no Reino de Deus; assim sendo, mesmo que ainda soframos a morte física pelas mais diversas causas, Jesus também nos ressuscitará assim como Ele mesmo foi ressuscitado pelo Pai, nos fazendo vencer com Ele a morte na eternidade e, por sua vez, vencer também a morte física. 

Para quem está realmente ciente da justiça de Deus, nenhuma circunstância adversa que se possa passar neste mundo justifica a prática do suicídio, visto que a realidade do Reino de Deus SE MANIFESTA sobrenaturalmente e de forma palpável ainda aqui na terra, na vida de qualquer pessoa que se submete ao governo de Cristo e é cidadã de seu reino verdadeiramente.

É importante lembrar que, a ignorância da justiça de Deus nos faz ficar à mercê dos nossos próprios sentimentos, e especialmente, ficar vulneráveis para que o inimigo de nossas almas encontre ocasião para nos fazer desistir de viver. 

Agora, você já sabe a verdade. Realmente, tudo o que você mais precisa agora é SAIR DESSE MUNDO, deixá-lo de uma vez por todas, mas, não da forma como você está pensando: você precisa é se desapegar dele! Então, agora a decisão está com você. Deus não quer sua destruição.

Por favor, se você não deseja tirar sua própria vida, mas, conhece alguém que está com esse desejo, compartilhe com esta pessoa o meu texto. Obrigada!



Missionária Oriana Costa. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Se lembrem do Reino de Deus: Ele não é deste mundo!

É de suma importância para nós, que somos cristãos, termos consciência da realidade do Reino de Deus e da justiça que opera a partir dele, para que não nos deixemos levar pela aparência do mundo em que estamos hoje.

Assista o vídeo abaixo e deixe o Rei Jesus Cristo tratar coisas importantes com você.


Se lembre do que está escrito:

"Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:1,2)

"Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória". (Colossenses 3:1-4)

Missionária Oriana Costa

terça-feira, 10 de setembro de 2019

PROGRAMA SALA GOSPEL


Apresento a vocês o SALA GOSPEL, um programa focado na ANUNCIAÇÃO DO REINO DE DEUS E NO ENSINO DA SUA JUSTIÇA.

TODAS AS QUARTAS-FEIRAS, das 19:00h às 20:00h, eu, Oriana Costa, apresento o programa ao vivo. 

Cada edição trata de um tema específico do Reino de Deus, a fim de explica-lo com a máxima clareza e objetividade possível. 

O programa contém entrevistas, coberturas dos eventos onde o Ministério Águios participa, momentos de louvor e ensino da justiça do Reino de Deus. O Ministério Águios é o idealizador do programa Sala gospel. Clique aqui para conhecer o nosso trabalho.

Com toda a certeza Deus vai falar ao seu coração. Se gostar, curta e compartilhe os vídeos do programa, pois, desta forma, você estará dando uma imensa contribuição para que o REINO DE DEUS seja anunciado com mais força pela internet.

Que Deus abençôe sua vida!

Clique no link abaixo para assistir os programas gravados neste ano de 2020:

Missionária Oriana Costa.



quinta-feira, 29 de agosto de 2019

O juízo do dilúvio

Atenção: o conteúdo deste estudo é apenas uma tese, e ainda não pode ser tomado como uma afirmação concreta de que o dilúvio se processou da forma como está descrita no desenvolvimento do texto. 

O evento chamado de "dilúvio", que foi um juízo de Deus sobre a maldade que havia na terra, e está descrito no livro de Gênesis da Bíblia Sagrada, é um tanto impressionante, pela forma como ocorreu. Vejamos abaixo o trecho que mostra como ele aconteceu:


Noé tinha seiscentos anos de idade quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra. Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio. Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé. E depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra. No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres de seus três filhos, entraram na arca. Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam. Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca. Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta. Quarenta dias durou o Dilúvio sobre a terra, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra. As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas. As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu. As águas subiram até quase sete metros acima das montanhas. Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade. Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu. Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens, como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca. E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinqüenta dias. (Gênesis 7:6-24)

Esse trecho específico, é muito rico em informações. Mas, uma delas em especial, e a mais interessante de todas, seria entender como Deus fez a humanidade que havia sobre a terra e os animais que tinham fôlego de vida deixarem de existir. A ideia que temos é que a vida foi extirpada da face da terra por afogamento, quando entendemos que as águas eram somente "H2O" na fase líquida.

Mas, antes de continuar pensando sobre esse acontecimento, é sempre bom ressaltar que o nosso Criador não estava nem um pouco satisfeito em ter que tomar essa atitude drástica. Contudo, se Ele não tivesse tomado as providências naquele momento, o mundo teria sido destruído bem antes de nós, que estamos vivos agora, existirmos, tamanho era o grau de maldade e violência que as pessoas tinham atingido na terra naquela época.

Agora, retomando nosso estudo, há uma informação curiosa no trecho bíblico em questão, que se refere a uma espécie diferente de "água", e de uma "chuva" proveniente de lugares diferentes de "nuvens": 

Todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. (Gênesis 7:11,12)

E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos. (Gênesis 7:19)

O primeiro ponto que devemos lembrar nesse evento é que Deus protegeu Noé e sua família numa espécie de nave especial, que pairou sobre aquelas águas excessivas numa altura acima dos montes mais altos do planeta, onde o ar é rarefeito: e foi numa arca de madeira, betumada por dentro e por fora. E essa nave passou um ano inteiro flutuando sobre as águas. 

Sabemos que as chuvas caem normalmente do céu provenientes da formação de nuvens densas, carregadas de água na forma de vapor. No entanto, o texto se refere a uma água vinda não de nuvens, mas das "profundezas" e das "comportas do céu", que provocaram uma certa "chuva". A palavra comporta significa "uma grande porta" ou "uma grande janela" por onde se escoa alguma substância no estado líquido. Geralmente, as comportas são encontradas no mundo em represas.

Então, poderíamos interpretar que as nuvens seriam essas comportas, porém, a forma como as águas caíram sobre a terra, sem parar, e de uma forma excessiva, soa um tanto estranho, pois o texto não fala da formação de densas nuvens, carregadas de água, arrodeando o planeta. Se tivesse acontecido dessa maneira, as pessoas saberiam que alguma coisa estava errada e teriam algum tempo para se salvar. 

Mas, observamos que o evento aconteceu "de surpresa", não havendo nenhum sinal evidente de que um grande dilúvio aconteceria, a não ser, o comportamento diferente de Noé, construindo a "arca" com o passar do tempo (anos). 

No trecho bíblico em questão, no entanto, apesar de entendermos que a terra estava sendo inundada, não há clareza para compreendermos que as pessoas estavam mesmo morrendo afogadas.

A ideia que o texto passa é que a água que tomou conta da terra era diferenciada, vinda de locais diferenciados do habitual, e destruiu a todos de uma forma quase "instantânea". Foi uma "chuva" diferente. Então, que águas seriam essas?

Se meu raciocínio estiver certo, as águas do dilúvio não eram H2O, visto que as pessoas morreram instantaneamente. (para entender melhor este raciocínio, leia o texto "O início da criação - as dimensões eterna e física" publicado anteriormente a este)

Já tentou imaginar o mundo todo coberto inteiramente por água, até sete metros acima dos montes mais altos, sem que, no entanto, as águas dos mares e mananciais não se misturem? Claro que, para Deus, isso não seria algo impossível de ser feito, mas, foge à lógica de como ele criou e instituiu as coisas em nosso mundo; sem tirar o fato de que, sendo o dilúvio provocado pela água natural que conhecemos em nosso mundo, a chance de existirem objetos que flutuassem sobre a água salvando as vidas de algumas pessoas, que chegassem a se manterem vivas se alimentando de animais marinhos (já que eles não haviam sido exterminados) e bebendo a própria água do dilúvio, não seria impossível.    

A ideia que vem a nossa mente, partindo desse entendimento, é que Deus literalmente "desintegrou" os seres vivos que estavam no ar e na terra, fazendo vazar as águas de seu Reino sobre o planeta. Essas águas não seriam H2O, como conhecemos, mas uma forma de força ou energia concentrada, como se fosse uma grande nuvem de radiotividade. 

O evento do dilúvio também não cita que os animais marinhos foram exterminados. E isso é bem estranho também. Os seres vivos exterminados foram somente aqueles que se moviam sobre a terra seca e no céu. Tanto é que Deus não mandou Noé levar consigo os peixes, as baleias, os golfinhos, as meduzas, etc., no intuito de preservá-los. Então, subentende-se que os animais marinhos permaneceram vivos. Então, é mesmo intrigante o fato de que, juntamente a Noé e sua família, a água natural do planeta com todos os animais que haviam nela não terem sido atingidos.

Pegando uma carona do raciocínio acima, outra coisa interessante que notamos nesse evento é que, apesar de nosso mundo ficar coberto de água por inteiro, as águas doces e salgadas do planeta não se misturaram, pois se isso tivesse acontecido os animais marinhos teriam morrido também. 

Dessa forma, o que entendemos, é que Deus não matou as pessoas e os animais afogados, mas desfez seus corpos físicos de uma forma rápida, onde não sofreram até morrer ou sentiram qualquer tipo de dor. E depois, limpou e refez toda a superfície seca da terra, para reiniciar a vida sobre ela.

Então, a primeira intensão das "águas" terem subido sobremaneira sobre a terra e coberto totalmente toda a superfície, a ponto de passar do alto dos montes mais altos, foi a de limpar e modificar a face da terra, e isso sem atingir os mananciais e oceanos do planeta. Um ponto interessante nesse assunto é que o total de tempo que as águas ficaram sobre a superfície da terra foi um ano inteiro, juntando o tempo que permaneceram agindo com o tempo que começaram a baixar. 

Se o que extirpou a vida da face da terra foi ALGO PARECIDO com uma onda fortíssima de radiação (com isso não estou afirmando que foi radiação, ok?), obviamente que a terra teria que ficar totalmente isenta daquela água diferenciada (pois é destrutiva em contato direto com os seres vivos), e, assim sendo, até que o processo de limpeza se concluísse Noé não poderia ter acesso a superfície do planeta. 

Um coisa interessante que devemos também observar é que Deus não precisaria modificar drasticamente a organização das coisas sobre a terra, retirando a humanidade do planeta quase que completamente, se essa ação não fosse algo extremamente necessário à manutenção da vida no planeta que Ele mesmo criou. O dilúvio, de fato, era a única forma de conter o avanço da maldade sobre a terra, sem destrui-la.

E depois desse tremendo evento, vemos a forma interessante com a qual o nosso Criador exerce juízo sobre a maldade de forma isolada, fazendo certos acordos com a humanidade, e depois disso retirando as vidas daquelas pessoas que não obedecem esses  acordos instantaneamente, e sem atingir as vidas das outras pessoas que estavam ao redor, em situações como a de Sodoma e Gomorra, dos filhos de Arão no episódio do fogo estranho, na morte dos primogênitos no Egito, e na morte de Ananias e Safira, por exemplo.   


Missionária Oriana Costa    

O início da criação - as dimensões eterna e física

Este é um estudo bíblico complementar para facilitar o entendimento do texto anterior onde explico sobre o juízo de Deus. A Bíblia Sagrada fornece as bases para todas as informações aqui contidas, de Gênesis a Apocalipse. E, com toda a certeza, vamos observar algumas delas nesse estudo.

Vamos começar observando a parte inicial do livro de Gênesis, para entendermos as existências das realidades eterna e física, e como foi que a maldade teve início, juntamente com o juízo de Deus sobre ela:

No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. (Gênesis 1:1-9)

No trecho acima, inicialmente vemos como foram criadas as duas dimensões, eterna e física. Deus criou-as por completo em sete fases ou sete dias. 

Como podemos observar, o nosso Criador existe fora dessas duas dimensões, pois Ele as criou: e isso é algo difícil de compreender, pois não temos uma visão dessas duas realidades fora do nosso universo material. No entanto, podemos compreendê-las a partir das informações que as escrituras nos oferecem.

No versículo primeiro, o "céu" se refere à realidade/dimensão eterna ou realidade/dimensão espiritual, e a "terra" à realidade/dimensão física ou realidade/dimensão material. 

No versículo segundo, observamos que antes mesmo de Deus dar forma concreta à dimensão física (ela ainda estava sem forma e vazia), o conhecimento da maldade ou conhecimento do bem e do mal  já existia na dimensão eterna: são as "trevas"; e o "abismo" é a região na dimensão eterna onde este conhecimento foi gerado e exerce domínio, podendo também ser chamado de "reino das trevas". 

O termo "águas", no versículo segundo, está se referindo a região da dimensão eterna onde Deus se move ou habita. O Espírito de Deus, portanto, se move ou habita nessa região específica. 

Até aqui, portanto, podemos discernir a existência de duas dimensões criadas por Deus: uma espiritual, constituída por determinados elementos e estruturas que não conhecemos, e uma outra, a material, constituída por elementos que conhecemos, como átomos, moléculas, e substâncias e materiais formados por estes. E na dimensão espiritual, discernimos a existência de duas regiões: as "águas" e o "abismo".

No versículo terceiro, vemos a instituição do juízo de Deus sobre o conhecimento da maldade, antes mesmo que o universo material e o Reino de Deus fossem totalmente formados e estabelecidos: Deus fez a "luz". Nesse versículo, entendemos que a "luz" veio para desfazer ou julgar/punir a ação das "trevas". 

Deus criou a luz como uma forma de combater a maldade, e isto nós entendemos no versículo quarto, quando Deus faz separação entre a luz e as trevas. E a luz, assim como as trevas, também é um "conhecimento", que, mais tarde, tomou a forma humana: o "verbo" que se fez carne - Jesus Cristo, a fim de libertar toda a humanidade da escravidão da maldade.

A luz, portanto, é o conjunto de leis/mandamentos ou a legislação que rege a dimensão eterna, e que, por sua vez, também rege a dimensão física, visto que esta foi criada a partir da eterna.    

No quinto versículo, é concluída a primeira fase ou o primeiro dia da criação de Deus, que, como vemos, aconteceu antes do nosso universo material ser totalmente formado. 

O Criador concluiu esta parte dando nomes as duas situações que já existiam eternamente, chamando "dia" ao conjunto de todo o conhecimento criado na eternidade para combater as trevas, e chamando "noite" ao conjunto de todo o conhecimento relacionado as trevas.

É por isso que no Novo Testamento, encontramos uma passagem como esta: Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação. (1 Tessalonicenses 5:4-8)

No sexto versículo observamos o momento onde Deus dividiu as águas, ou dividiu a dimensão eterna em duas partes. Ele assim fez para que uma parte desse lugar permanecesse fixada na dimensão eterna (céu), e outra parte dele estivesse fixa na dimensão física (terra), e esta última parte funcionando como uma "embaixada" do lugar onde Deus habita na dimensão física. 

Por isso lemos que houve uma "expansão no meio das águas", que implicou numa "separação entre águas e águas". No momento que Deus criou essa expansão, ele começou a dar forma ao nosso universo ou realidade material, criando um grande vácuo entre as "águas". É por este motivo que os cientistas afirmam que o nosso universo está em constante "expansão", e essa situação, como podemos notar, está declarada nas escrituras bíblicas antes mesmo que os cientistas se dessem conta disso.

A dimensão física ou o nosso universo material, portanto, ganha forma oficialmente a partir do momento que Deus cria uma expansão ou um grande vácuo separando as "águas", fazendo com que uma parte do lugar onde Ele já habitava fosse estabelecida "debaixo da expansão" ou na dimensão física. Esse acontecimento observamos no versículo sétimo.

No versículo oitavo, Deus chama a expansão ou esse vácuo de "céus". Aqui se dá o desfecho da segunda parte ou do segundo dia da criação de Deus. 

E no nono versículo, finalmente Deus começa a modelar a dimensão material, ordenando que as águas "se juntassem"; com isso, elementos espirituais são transformados em materiais, e os átomos, moléculas e substâncias que conhecemos passam a existir. 

E depois disso, esses elementos foram adquirindo os estados físicos da matéria que conhecemos num "lugar determinado", debaixo da expansão; portanto, foi assim que o nosso Criador separou/formou a "porção seca" dentro do nosso universo material.


E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. (Gênesis 1:10)

Com o versículo acima, podemos perceber como se iniciou a modelagem da dimensão material: o nosso Criador transforma uma parte "das águas" que já tinha dividido, e que antes estavam na sua forma original eterna, em algo físico, dividindo-as ainda em outras duas partes: uma parte sólida (a parte seca), que chamou de "Terra" e uma líquida (a parte úmida), que chamou de "Mares".

Curiosamente "debaixo da expansão" ou "no universo cósmico que conhecemos" só há um lugar onde terra e mares estão juntos: o planeta Terra.



Missionária Oriana Costa
     
     





terça-feira, 27 de agosto de 2019

O juízo de Deus

Falar sobre o juízo de Deus não é uma tarefa fácil, por ele ser proveniente de uma dimensão diferente da nossa, que é a dimensão eterna ou espiritual, mais comumente chamada de eternidade.

A princípio, precisamos lembrar que o juízo de Deus é executado apenas sobre a maldade. Partindo desse entendimento, também precisamos saber claramente o que é a maldade, de acordo com a realidade eterna (ela é um conhecimento de origem espiritual - leia a publicação "O que é a maldade", anterior a esta).

Também precisamos entender que a maldade, sendo um conhecimento de origem espiritual, não pode ser discernida por aparências ou dominada pela inteligência natural do homem, mas somente pode ser discernida e dominada por um outro conhecimento de origem espiritual, que é o conhecimento da justiça do Reino de Deus, que é a base da criação original de todo o universo material.

Então, uma vez que entra e se estabelece na mente/alma de um indivíduo, a maldade tem a capacidade de, literalmente, "se entranhar" na matéria, se misturando a ponto de não poder mais ser retirada dela. A partir daí, ela começa a direcionar o sujeito, e dessa forma, se não for discernida e bloqueada da forma correta, ela segue exercendo domínio sobre seus atos.

A maldade, ou conhecimento do bem e do mal, estabelecida na matéria viva criada por Deus (matéria com fôlego de vida/alma/inteligência), age produzindo nela pensamentos, sentimentos e desejos contrários aqueles anteriormente estabelecidos pelo Criador, pervertendo a maneira pela qual aquela matéria viva foi originalmente criada para funcionar.

Por esse motivo, a maldade é geradora de morte, tanto espiritualmente como materialmente falando; e essa morte, se processa nas duas dimensões da seguinte forma: espiritualmente, o conhecimento da maldade fica ligado ao indivíduo para sempre, retirando-o de dentro do Reino de Deus, o que caracteriza sua morte espiritual; fisicamente, ela domina sobre a matéria viva fazendo-a proceder de maneira diferente (hostil a si mesma) daquela que foi instituída pelo Criador.

E, deste modo, o juízo decretado por Deus eternamente sobre ela não poderia ser outro diferente da destruição, e este juízo foi instituído antes mesmo do nosso universo material existir. Em Gênesis 1:3,4 observamos que Deus cria uma luz, no entanto, essa luz não é aquela que nossos olhos captam no nosso mundo material, e sim uma legislação para julgar e condenar as trevas, ou julgar e condenar o conhecimento do bem e do mal onde quer que ele esteja instalado.

Então, voltando ao raciocínio do início do nosso texto, como na eternidade as coisas estão estabelecidas e funcionam de maneira diferente do nosso mundo material, se torna mesmo dificultosa a tarefa de explicar como se dá a aplicação das leis instituídas da realidade desse lugar para a nossa, visto que não estamos enxergando a dimensão eterna para poder estabelecer um padrão de comparação coerente entre as duas realidades.

Contudo, na Bíblia Sagrada, a existência e funcionalidade da dimensão eterna é explicada de uma forma engenhosa, por meio das parábolas ditas por Jesus Cristo. Através delas Ele estabelece uma maneira eficiente de comparação que usa apenas situações que conhecemos em nosso mundo, porém, nos dando uma visão objetiva de como Deus julga a ação do mal fisicamente falando.

Então, usar o método de explicação por parábolas, portanto, mostra maior eficácia a fim de nos dar uma noção de como a justiça do Reino de Deus funciona sobre a maldade, e como tal julgamento sobre o mal acontece em nosso mundo.

O juízo de Deus sobre a maldade em nosso mundo, portanto, pode ser entendido da seguinte maneira:

Imagine que um pai de família, todos os dias, antes de dormir, fazia uma inspeção em sua despensa, olhando o interior dos armários de sua cozinha, para ver se estava tudo em ordem. Então, certa noite, ao averiguar os mantimentos guardados na cozinha, observou que alguns sacos de grãos e de cereais estavam furados, e alguns alimentos, mordidos e roídos. 

Sua cozinha estava sendo invadida por ratazanas. Elas vinham já bem tarde, quando todos estavam dormindo na casa, e assim ninguém conseguia vê-las; somente se via o rastro de destruição que estavam deixando. Assim sendo, antes que aqueles roedores destruíssem e devorassem todos os mantimentos, e também trouxessem enfermidades para todos na família, aquele homem tomou as providências: ele armou algumas ratoeiras especiais ao redor da casa, a fim de exterminar aquela praga. Essas tais ratoeiras podiam ser condideradas infalíveis, então era a morte certa das ratazanas.


Após armar as ratoeiras, ele avisou a sua família sobre o que estava acontecendo, e contou a todos onde as ratoeiras estavam armadas, e como elas funcionavam, advertindo expressamente aos seus filhos que não encostassem nelas, pois ofereciam grande perigo: uma vez que alguém encoste em alguma delas desapercebidamente, ela se desarma sobre a presa, fazendo-a sofrer com muitas dores até a morte. E elas só soltam a presa mediante o reconhecimento da voz do administrador.


Seus filhos entenderam o aviso e foram se deitar. No dia seguinte, todos se levantaram e foram fazer suas atividades rotineiras. O tempo foi passando, e alguns dos filhos daquele homem se esqueceram das ratoeiras, e, passando pelos locais onde elas estavam armadas sem prestarem a devida atenção aonde estavam pisando, encostaram nelas, e começaram a gritar de dor. Eles não podiam tirá-las de seus corpos, pois se tentassem fazê-lo iam arrancar um pedaço de sua carne.


Até que o pai ouvisse os seus gritos e chegasse para socorrê-los, e finalmente dar o comando de voz, eles permaneceram sofrendo.


A parábola acima, portanto, serve para que possamos entender alguns pontos importantes sobre o juízo de Deus:
  • Primeiro: o juízo de Deus não foi feito para o homem, mas para ser aplicado somente sobre a maldade.
  • Segundo: quando o homem está longe de seu Criador, ignorando a justiça do Reino de Deus, não é capaz de ver sua condição espiritualmente, e, consequentemente, fica sem condições de discernir a presença da maldade em sua alma e em seu corpo para dominá-la; assim, ele sofre o juízo que seria para ser aplicado somente sobre a maldade.
  • Terceiro: a maldade não foi criada por Deus.
  • Quarto: Deus nunca desejou nem deseja o nosso sofrimento e a nossa morte, e, definitivamente, Ele não é o responsável pelas enfermidades, prejuízos e enganos que sofremos neste mundo por não estarmos atentos à realidade eterna a qual estamos submissos.
  • Quinto: Deus sempre quer o nosso bem, sempre deseja nos livrar da ação do mal, e nos manter livres da escravidão que a maldade nos impõe. E mesmo após o homem cair no domínio da maldade, Ele não poupou esforços para livrar sua criação desse terrível prejuízo. 
              
Missionária Oriana Costa
     

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Você sabe o que é a MALDADE?


Certamente você deve ter aprendido o que é maldade vivenciando ou experimentando situações diversas aqui neste mundo. E, nesse caso, o conceito de maldade que você deve ter em mente é aquele relacionado à prática da violência, do crime, da traição, etc.

No entanto, segundo o conteúdo bíblico, a maldade não é, a princípio, "ações", mas, antes delas, a maldade é um CONHECIMENTO de origem espiritual ou eterna. Este conhecimento, por sua vez, tem a capacidade de corromper ou perverter a sabedoria de Deus, e, ao contrário desta, trazer destruição ao seu possuidor.

Por agir contrariando a justiça de Deus, a maldade é o poder gerador do que conhecemos biblicamente como "pecado", que é a transgressão da Lei, ou transgressão da justiça do Reino de Deus, estabelecida pelo nosso Criador desde a eternidade, antes que o nosso universo fosse formado.

A maldade age fazendo-se semelhante à justiça de Deus na sua aparência, mas, por trás, sempre apresentará uma intenção ou um sentido contrário aquilo que Deus estabeleceu; por isso, inicialmente, as sugestões e ações geradas por ela podem ter "uma boa aparência", mostrando-se "inofensivas".

E, uma vez que ela entrou no homem, está, até agora, fazendo dele um hospedeiro permanente: infiltrada em sua mente e em seu corpo, não sairá mais dele, a não ser que seja devidamente bloqueada por um outro conhecimento, que tenha o mesmo tipo de origem: a espiritual. Dentro do homem a maldade sempre estará influenciando seus pensamentos e desejos; ela prossegue sendo disseminada por todos os seus descendentes, até que seu tempo chegue ao fim.

Dentro de alguém que é conhecedor de Deus, a maldade é geradora de morte, pois, o juízo decretado sobre ela eternamente, antes que o homem fosse formado, é a destruição. É por este motivo que, no livro de Gênesis, uma determinada árvore é citada: ela se encontrava no meio do jardim do Éden e era chamada "árvore do conhecimento do bem e do mal"; Deus advertiu a Adão que, se ele comesse do fruto daquela árvore, iria morrer.



Essa árvore é, na verdade, uma simbologia do criador da maldade, cujo nome é Lúcifer ou Satanás. A maldade, portanto, nasceu no coração dessa entidade, e não no coração do homem. E uma vez que Adão deixou o conhecimento da maldade - ou conhecimento do bem e do mal - entrar em sua mente, e descer ao seu coração, ele começou a enxergar as coisas que Deus criou de uma forma distorcida, o que lhe fez sentir desejos e impulsos contrários àqueles que Deus projetou para sua vida originalmente.

Tais impulsos e desejos contrários, ao serem atendidos, levam o homem a transgredir a justiça de Deus. É por este motivo que, após Adão receber o conhecimento da maldade, "seus olhos se abriram", ou seja, ele viu que Deus estava certo e querendo proteger sua vida quando lhe advertiu, e agora, ele sabia que estava condenado por causa do erro grave que havia cometido. 

Devido a maldade ser um fenômeno de origem espiritual ou eterna, ela não é visível aos olhos naturais, para que, enxergando-a,  possamos saber onde ela está, a fim de bloqueá-la, antes que se transforme em ações. A única maneira de sabermos onde ela está é através das suas mais variadas manifestações em nosso meio ou em nós mesmos.

Mas, para que tenhamos certeza de que uma ação ou comportamento está se originando da maldade, é necessário o entendimento da justiça de Deus, pois, como falei anteriormente, a manifestação do mal pode se passar por uma "ação justa", confundindo nosso julgamento sobre ela.

A justiça de Deus é o padrão de retidão que Deus usa para agir e pelo qual formou todo o universo material. De posse desse conhecimento, qualquer pessoa se torna capaz de discernir o que está vindo da operação da maldade e o que não está.

Assim sendo, a sabedoria de Deus está acessível a toda a humanidade pelo ensino de Cristo. No Novo Testamento da Bíblia, é possível acompanhar as falas de Jesus nos evangelhos, onde ele explica sobre o Seu Reino e a justiça que opera nele, bem como a doutrina dos apóstolos, que repassaram, através de cartas dirigidas às igrejas, todo o restante das explicações recebidas de Jesus, e que são necessárias para o entendimento da justiça de Deus.


Conhecer a justiça de Deus e colocá-la em prática, portanto, é a única forma de bloquear o mal. O conhecimento da justiça de Deus, também conhecido como "verdade" é o único poder capaz de vencer a ação da maldade, também chamada de "mentira". Então, uma vez que alguém conhece a verdade - a justiça de Deus - se torna apto para discernir a maldade e sua ação e, desta forma, resisti-la e rejeitá-la corretamente, até que consiga se ver livre dela totalmente.

É por isso que Jesus disse: "E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". (João 8:32) e "Digo-lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado." (João 8:34)

Missionária Oriana Costa


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Depoimento - Parte 2 - Como foi pastorear igrejas sem saber da minha condição dentro do espectro autista


Acredito que muitas pessoas estão sofrendo nesse momento, sem entender o que estão vivenciando, por não saberem de suas reais condições e não se conhecerem bem, achando que nunca vão conseguir "encontrar os seus lugares ao sol". É bem provável que muitos indivíduos, aqui no Brasil, sejam homens e mulheres aspies e não tenham ideia disso, enfrentando situações muito desgastantes para si mesmos e sendo mal interpretados pelos que estão ao redor.

Alguns portadores de TEA leve, principalmente as mulheres, conseguem camuflar o que sentem e se comportar como pessoas neurotípicas quando estão socializando, mas por dentro estão numa luta muito difícil consigo mesmos, sem entenderem o que está acontecendo. O escape para essas pessoas é ocupar a mente com alguma atividade que lhes agrade (geralmente com artes, jogos ou mesmo estudos) para esquecerem por alguns momentos de seus dilemas. Alguns parágrafos à frente vou relatando um pouco dessa luta com detalhes. 

Não são poucas as vezes que, por causa da limitação perceptiva, dificuldade de mudar rapidamente de uma tarefa para outra e dificuldade de socializar, tais pessoas são desqualificadas para diversas vagas de emprego e acabam ficando na dependência dos familiares, ou mesmo passando necessidade. Quando têm sorte e conseguem encontrar trabalhos onde possam focar numa só tarefa, cujo assunto lhes interesse muito, fazem um sucesso gigantesco, superando os resultados de qualquer pessoa normal que desempenhe a mesma tarefa.

Os aspies tem o chamado "hiper-foco", que lhes permite realizar tarefas que exigem extrema concentração com uma precisão invejável, no entanto, eles precisam se interessar pelo assunto da tarefa. Quando o serviço está relacionado a um assunto que não é de seu interesse, o aspie até se esforça para aprender e fazer, no entanto, não terá muito êxito. Quando se interessam por um determinado assunto ou tema, sozinhos pesquisam muito sobre ele e são capazes de armazenar muito conhecimento a respeito, chegando até mesmo ao ponto de palestrarem sobre o tema escolhido com muita facilidade.

Antes de prosseguir com meu depoimento, quero que os leitores saibam que as informações que se seguem estão relacionadas a minha pessoa somente, em como as coisas se passaram dentro de mim mesma. O foco deste texto está em meus próprios sentimentos, e não no todo do que aconteceu. Para expor os resultados de uma forma global, farei um outro texto em seguida, mostrando como as pessoas que interagiram comigo reagiram e o que aconteceu a elas.

Depois que comecei a seguir a Cristo e frequentar o meio evangélico junto com meu esposo, conheci melhor a Bíblia Sagrada e seu conteúdo se tornou meu objeto de interesse particular; desse modo, passei a fazer muitas pesquisas sobre vários assuntos contidos nela e, especialmente, passei a me dedicar a conhecer a Deus através das escrituras. Concomitantemente, também passei a compartilhar as informações que estava obtendo tanto em pregações nas igrejas como na internet.

Buscando ao Senhor me surpreendi com tantas informações maravilhosas e que fizeram toda a diferença na minha vida, como também sei que Deus usou e tem usado o conhecimento que tenho compartilhado até agora para abençoar as vidas de outras pessoas. O feed-back das pessoas que acompanham nosso trabalho (Ministério Águios) tem sido muito positivo.

Em contrapartida, meu envolvimento com os irmãos nas igrejas sempre foi muito desgastante (especialmente para mim), pois quando meu relacionamento tomava o caminho para deixar de ser superficial e se tornar mais próximo, eu simplesmente retrocedia, devido à estranheza da minha parte e não aceitação de muitas coisas; eu desejava continuar na minha solidão e no meu silêncio de sempre, pois é desta forma que eu ficava - e fico - tranquila. Apesar de tentar parecer uma pessoa normal e me esforçar para praticar o ensino de Cristo, a minha condição aspie sempre estava lá para me atrapalhar, e eu não tinha ideia disso.

Muitas vezes, fui interpretada como carnal, como se eu estivesse bloqueando ou me afastando das pessoas por prazer ou por gostar de fazer isso, mas, de fato, não é isso que acontece; meu bem-estar e minha tranquilidade dependem do silêncio e do isolamento. Dessa forma, por estar sendo mal interpretada, e também porque não entendia minha real condição, acabei aceitando que eu estava errada no meu comportamento e fiz um esforço sobre-humano para me socializar como uma pessoa normal o faz, chegando até a assumir um trabalho pastoral. O que eu não sabia era que essa atitude ia me desgastar até me deixar depressiva, sem que eu entendesse o porquê.

Atender a chamada pastoral foi para mim como seria para uma criança de dois anos tentar alcançar a prateleira mais alta da estante de sua casa: enquanto para um adulto isso é absolutamente fácil, para a criança exige um esforço bem maior, pois terá que subir numa cadeira ou em outros objetos que lhe sirvam de degraus, para, enfim, alcançar a prateleira. No início, a criança está compelida pela curiosidade ou por conquistar para si seu objeto de desejo; no entanto, isso é perigoso para ela, pois tentando alcançar seu objetivo, fatidicamente, ela poderá levar uma queda de um lugar alto e se prejudicar com isso. Foi o que aconteceu comigo.

Tenho que deixar claro aqui que Deus não tem culpa alguma do que me aconteceu. De fato, Ele avisou antes e de diversas formas que aquilo não era para mim, só que eu não entendi, muito menos meu esposo. Na realidade, a chamada pastoral foi para ele e não para mim, só que nós interpretamos como se fosse para os dois, pois no momento que ele assumisse, inevitavelmente, eu teria que dar um suporte mais intenso, visto que íamos iniciar duas congregações a partir do zero, como missionários, e sem muita ajuda. Portanto, a responsabilidade de decidir prosseguir com esse trabalho foi inteiramente minha, e ninguém, muito menos Deus, teve culpa de nada. 

No íntimo do meu ser, eu sabia que meu marido estava plenamente apto para lidar com as pessoas e assumir o chamado, mas eu, por algum motivo que não discernia ainda, não estava. Mas, resolvi passar por cima de mim mesma e achei que suportaria tudo o que estava por vir, pois eu entendia que apenas tinha alguns defeitos dos quais eu poderia me arrepender e me livrar com o tempo, que eu era uma pessoa normal e estava certíssima que Deus me capacitaria para fazer tudo o que teria que fazer.

Realmente, apesar de eu estar executando um trabalho que não era para mim, Deus me livrou muitas vezes e me capacitou sobrenaturalmente para trabalhar no meio eclesiástico e suportar situações que eu mesma, na minha condição real, não teria suportado por muito tempo (eu ainda consegui passar seis anos no trabalho pastoral ao lado do meu esposo). Deus sabia que a minha intenção era dar suporte ao meu marido naquele chamado, mesmo que ainda eu sentisse que não tinha condições de estar fazendo aquilo. Eu não poderia vê-lo precisando de ajuda e ficar de braços cruzados.

Como as igrejas estavam iniciando, e não tínhamos muita ajuda para fazer todos os serviços nas duas congregações, eu me sentia na obrigação de colaborar em tudo o que eu podia, inclusive, assumindo eu mesma a liderança de uma das duas igrejas que tínhamos fundado.

Dentre todos os trabalhos que tínhamos a realizar no exercício pastoral, além de fazer a parte de louvor, pregação, limpar e abrir a igreja, receber as pessoas na porta, ensinar os obreiros suas atribuições etc., o que eu achava mais desgastante era ter que lidar diretamente com as pessoas, ter que ouvi-las e dar atenção, ter que visitar e também recebê-las na minha casa; esses são, sem dúvida alguma, os principais serviços de um pastor. Eu deveria ficar muito alegre por poder servir à igreja do Senhor Jesus Cristo dessa maneira e, no início, eu realmente me sentia muito feliz, fazia tudo com muito prazer.

Mas, após alguns meses, eu estava pedindo ao Senhor para não pastorear mais, pois, antes mesmo de ir encontrar os irmãos, eu já ficava angustiada. Quando eu estava com eles, não via a hora de ir embora, ou que eles fossem embora, para eu me sentir bem novamente. Essa situação me deixava muito confusa e me levava a pensar que eu era uma pessoa muito má, e que precisava mesmo me arrepender daquilo. 

Congregar deve ser uma coisa prazerosa para os que estão em Cristo, mas, para mim, se tornou um pesadelo, eu não entendia o porquê, nem tinha como desabafar isso com ninguém. Se eu dissesse ao meu marido muito provavelmente ele iria me corrigir, pois iria interpretar que eu estava desdenhando o chamado ou desanimando de prosseguir na obra de Deus. O tempo foi passando e eu fui prosseguindo nesse dilema, calada, e cada vez mais me frustrando comigo mesma e entrando num estado depressivo, sem saber.

Quando eu assumi a liderança da segunda igreja que fundamos, já não estava bem de saúde, apresentando muitos sintomas de ansiedade e procurando tratá-los com medicamentos paliativos. Eu orava para ser curada, mas os sintomas não saiam. E não saiam porque eu não tivesse fé, mas porque eu não deveria estar fazendo aquilo. Eu não fui projetada para cuidar de muitas pessoas e fazer muitas tarefas e sim, para ajudar uma ou, no máximo, duas pessoas por vez, focando somente nelas, e não por muito tempo. O excesso de barulho e informação me desgasta e me leva a estressar mais rápido que pessoas neurotípicas.

Sempre gostei de crianças e amo estar com elas, mas, com o tempo, cheguei a um ponto que só de pensar que eu ia ficar no departamento infantil, já me dava desespero. Eu não suportava mais o barulho que elas faziam. Por causa disso, não demorou muito para eu passar a coordenação do departamento infantil para outras pessoas. Isso foi um desastre em alguns aspectos, pois as pessoas para as quais eu passei o cargo não tinham condição de assumi-lo, contudo, era o que eu tinha à disposição.

Quando minha filha, que ainda era bem jovem, assumiu o trabalho infantil na primeira igreja que fundamos, fiquei muito aliviada e feliz. Ela sempre teve vocação para lidar com crianças e, apesar de ser ainda bem jovem, isso se notava no bom desempenho dela no trabalho naquela área. Todas as crianças a amavam. Ainda hoje ela ajuda no departamento infantil da igreja que congrega.

No meio de tantos trabalhos que eu tinha para executar, eu me esforçava ao máximo para dar o meu melhor, pois não estava fazendo aquilo tudo por minha causa ou somente por causa das pessoas e sim, primeiramente, por causa de Jesus: eu queria atender ao chamado e servir como podia.

Ao assumir a liderança da segunda igreja que fundamos, era necessário que eu estivesse lá todos os fins-de-semana para administrá-la. Para tanto, tinha que sair da cidade que eu residia para outro município que distava cerca de 50 minutos de viagem, todas as sextas-feiras pela manhã, e só voltar para casa nos domingos à noite ou nas segundas-feiras pela manhã. E isso foi a gota d'água que faltava para eu iniciar o estado depressivo, que começou no meio do ano de 2016 e culminou num "meltdown" no início do ano de 2017.

Ao fim do ano de 2016, infelizmente, fomos forçados a fechar as duas igrejas, por falta de condições de exercer o pastoreio. Naquele momento eu já não podia mais assumir a liderança da segunda igreja por estar enfrentando uma crise muito forte, chorando diariamente sem uma causa aparente e sentindo muitos sintomas ruins em meu corpo: labirintite (com tonturas todos os dias e várias vezes ao dia), urticária (todos os dias), digestão ruim (frequente acúmulo de gases), insônia persistente, mal-humor, taquicardias frequentes (todos os dias, várias vezes por dia) - eu me assustava com qualquer coisa e com frequência, e cada susto era uma palpitação que me dava, dores nas articulações, engasgos frequentes (todos os dias e todas as vezes que eu me alimentava), dentre outros. Todos os sintomas juntos caracterizavam o quadro de meltdown em que eu me encontrava.

Por causa do meu estado, que se agravava dia a dia, e sem ter quem nos substituísse, meu marido não viu outra saída senão terminar com os trabalhos nas duas igrejas, para que pudesse me dar maior atenção e cuidar de mim. Nós achávamos que ao parar o trabalho pastoral minha saúde iria melhorar, mas isso não aconteceu. Como continuei piorando, mesmo estando somente em casa, fui buscar ajuda profissional. Em março de 2017 iniciei um tratamento para depressão, que foi muito bom para mim, aliado ao descanso que fui obrigada a ter.

O tratamento durou cerca de um ano e, em abril de 2018, eu já estava completamente curada da depressão, sem mais nenhum dos sintomas do meltdown (eles pararam completamente com cerca de três meses após o início do tratamento) e não precisei mais continuar com a medicação. No entanto, minha condição asperger não havia sido diagnosticada, mesmo que ainda durante as consultas eu falasse como me sentia e o que acontecia comigo. Hoje eu sei o motivo: a pessoa que estava fazendo o meu tratamento, apesar de ser uma excelente profissional, não era capacitada para dar um diagnóstico de TEA. 

Descobri que os profissionais capacitados para isso são os que fazem cursos específicos na área do espectro autista (nem todos fazem!), e que o laudo não pode ser emitido por um profissional apenas, mas por uma equipe multidiciplinar, formada por, pelo menos, um psicólogo, um neurologista e um psiquiatra, todos já com experiência no diagnóstico dessa condição.

Foi durante o tempo do tratamento que comecei a pesquisar sobre neuroatipias, pois eu desconfiava que meu caso era especial. Quando terminei a medicação, eu já estava ciente de que era aspie, mesmo sem ter feito o diagnóstico com um profissional, pois passei todo aquele tempo do tratamento assistindo vídeos e lendo artigos médicos sobre várias condições até me identificar com o quadro do portador de TEA. 

Quando eu finalmente disse ao meu marido o que achava que tinha, ele não aceitou. Ele me achava normal, embora uma pessoa um tanto difícil de conviver. Só que, eu não me sentia normal, quando me comparava com os outros. Por fim, ele mesmo foi pesquisar sobre o assunto e chegou à conclusão que eu estava mesmo dentro do espectro autista.

Foi preciso toda uma série de acontecimentos para que, enfim, descobríssemos que havia algo diferente no meu corpo e que, ao contrário do que pensávamos, eu não estava de má vontade para servir a Deus. Saiu um peso de mim e hoje estou em paz com relação ao que posso ou não fazer, sem me condenar por não poder fazer alguma coisa. Meu desejo é que pessoas que possam estar na situação em que eu me encontrava e que hoje estão sofrendo sem entender o que se passa com elas possam saber a verdade sobre si mesmas e finalmente levarem uma vida tranquila.

Muitas vezes pensei em desistir de servir ao Senhor, por não entender o que se passava comigo. No entanto, Ele sempre levantou pessoas para me ajudar a continuar, e meu esposo, apesar de sofrer com meu comportamento estranho, foi a pessoa que mais Deus usou e continua usando para me animar e ensinar. Sou muito grata ao Senhor pela vida dele.



Tenho consciência que durante todo esse processo de auto-descoberta, Deus estava ao meu lado, me livrando e cuidando de mim. Ele mesmo me mostrou claramente como eu deveria proceder, especialmente no momento da crise, pois fiquei num estado em que não sabia mais o que fazer, com quem falar ou para onde ir. Nós não dizíamos a ninguém o que estava se passando comigo, para não escandalizar as pessoas. Eu podia ser mal interpretada, visto que as demais pessoas do nosso convívio me viam como alguém aparentemente normal.

Posso atestar que Jesus Cristo realmente nos guiou no meio de toda essa experiência. Sei que Ele não desejava que tivéssemos passado por todo esse sofrimento, mas, de certa forma, foi necessário para que finalmente compreendêssemos como deveríamos atender corretamente ao nosso chamado. Ele é bom e paciente!

Missionária Oriana Costa

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Depoimento - Parte 1 - O TEA na minha vida...

Este é um texto especial. Ainda em toda a minha vida não escrevi nada do gênero. Venho tratar aqui de algo que está em minha mente, mais precisamente em meu cérebro, desde que fui gerada no útero da minha mãe, contudo, nem ela e nem eu sabíamos disso: sou portadora de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Minha vida sempre foi um grande dilema. Muitas coisas que aconteciam comigo e aconteciam ao meu redor eu não entendia. Sempre me achei muito diferente da maioria das pessoas, mas não compreendia o porquê. Às vezes, me achava muito capaz para algumas coisas, outras vezes me achava uma tola, uma idiota, uma excluída. Meus pais nunca me disseram nada a respeito, apesar de eu notar um certo esforço da minha mãe em querer saber porque eu me comportava de maneira tão diferente do resto das crianças no tempo de escola.

Sofri a minha infância, adolescência e juventude inteiras, me sentindo incompreendida pelos meus pais e por outras pessoas, me sentindo mal quando estava perto de muita gente ou em lugares com muito barulho (eu era obrigada a estar nesses lugares), passando meus dias enclausurada no meu quarto e sem amigos - estar sozinha, ou com pouca gente perto de mim, me fazia muito bem e ainda hoje me faz.

Creio que as pessoas na escola e na faculdade deviam me achar muito estranha, mas não tinham coragem de me dizer. Quando eu era adolescente, tinha mais amizade com crianças do que com pessoas da minha idade. Eu achava mais fácil me relacionar com elas. Elas não exigiam muito e gostavam de mim do jeito que eu era. Eu realmente não tinha assunto para as pessoas da minha idade. Se fosse para falar de coisas relacionadas à escola, de estudos, até conseguia conversar, mas, quando passava disso, já não me interessava mais e assim eu tendia a fugir de conversas mais maduras.

Eu amava poesia (e cheguei a fazer várias), artes plásticas de uma forma geral, música e teatro. No entanto, por ser criada de uma forma muito presa, não podia ir fundo com nenhuma das coisas que gostava. Meus pais não me deixavam sair para passear com amigos, e eles mesmos não gostavam de sair. Os únicos lugares que eu podia ir eram: escola, dentista, médico, às compras, sozinha ou na companhia deles. Minha família sempre foi muito reservada e o passeio que eles faziam sempre era para um pequeno sítio situado num município vizinho à cidade que morávamos, para o qual iam todos os fins de semana. Foi nesse ambiente "de claustro" que eu cresci.

Hoje, graças a Deus, consigo enxergar porque fui criada tão presa: percebi que meu pai está dentro do espectro autista, sendo dele que herdei tal condição.

Meu pai sempre foi um homem muito solitário e amargo, só se sentia bem longe de tudo e de todos. Nos fins de semana, se retirava para o seu pequeno sítio de três hectares. Após fazer um concurso para escriturário em um banco, passando em segundo lugar no ano de 1977, ainda quando eu era pequena, trabalhou ali até se aposentar, cerca de trinta anos depois. Ele sempre foi fascinado por matemática e lógica, o que ajudou para que ele se desse muito bem no seu trabalho. O hiperfoco é uma das características de pessoas que se enquadram no perfil do TEA; porém, no meu caso, sempre tive um foco onde eu podia usar minhas habilidades criativas.

Então, de segunda a sexta, meu pai passava o dia trabalhando, fazendo cálculos no banco e, à noite, voltava para casa para jantar e dormir; ao voltar para casa não falava muito com ninguém, simplesmente se isolava. Não tinha amigos, a não ser os colegas de trabalho, que vez perdida apareciam para nos visitar.

Meus pais muito dificilmente saiam para visitar outras pessoas, mesmo seus parentes. E muito dificilmente estes apareciam em nossa casa, pois geralmente as pessoas gostam de ir fazer visitas umas às outras nos fins de semana e, nesses dias, nós estávamos longe, isolados num sítio, onde meu pai gostava de estar. Geralmente, as pessoas que costumavam ir ao sítio vez ou outra e ficar nos fins de semana conosco eram as irmãs do meu pai, minhas tias.

Uma delas ficou viúva muito cedo e uma outra era casada com um marido esquizofrênico, de forma que encontravam nesses passeios em família uma forma de abrandarem aquele vazio da ausência dos maridos. A presença do meu pai servia para suprir a falta dos pais dos meus primos.

Dessa forma, me acostumei a ficar só a maior parte do tempo e, quando muito, na companhia da minha família, sem muito papo com meus pais, vivendo num mundo de sonhos, cores, formas e sons, um mundo só meu, que eu não compartilhava com absolutamente ninguém.

Quando eu e meus pais conversávamos, sempre era para resolver alguma coisa, tomar alguma decisão e só. Eles não demonstravam nenhum tipo de afeto com pessoas, nem mesmo comigo ou com minha irmã; especialmente o meu pai só conseguia demonstrar afeto pelos bichos de estimação que criava. Quando eu questionava minha mãe sobre isso ela respondia que não precisávamos ser carinhosos uns  com os outros para estarmos bem; e também sempre me dizia: "amigos só põem a gente a perder, não precisamos de amigos", talvez numa tentativa de me consolar. Foi nesse contexto que passei toda a minha infância, adolescência e parte da minha juventude. Essa era a minha normalidade.

No entanto, apesar das minhas limitações, eu sentia que não era bom levar a vida daquele jeito. De fato, aquela maneira de viver me oprimia e eu me sentia sempre desvalorizada e incompreendida pelos meus pais. Por não conversarmos muito, em muitas ocasiões eu acabava tomando minhas decisões sem comunicar a eles e fazia muitas coisas às escondidas. Na escola e na faculdade, ninguém tinha ideia do estilo de vida que eu tinha.

A partir dos 14 anos, iniciava e terminava namoros (muitas vezes, sem que meus pais soubessem), sempre na tentativa de que algum deles desse certo e eu finalmente saísse daquela prisão. Mas, eu me aborrecia rapidamente com os comportamentos dos rapazes e logo abandonava os relacionamentos. O que eu não sabia era que eu tinha um problema neurológico e, mesmo que eu casasse e saísse de casa, o fato de eu estar casada e morando longe dos meus pais não iria melhorar muito minha vida. Fatidicamente, descobri isso passando por mais sofrimentos depois de me casar, ainda muito jovem, com 20 anos. Aos 21 anos, alguns meses antes de descobrir minha primeira gravidez, deixei Jesus Cristo entrar em meu coração e passei a aprender Sua palavra. Este é o motivo de eu ainda estar viva hoje e conseguir superar os sintomas do TEA, o que me faz parecer uma pessoa normal.

Por não ter muita noção de perigo, muitas vezes me envolvi em situações que poderiam ter terminado tragicamente, se não fosse a intervenção de Deus me protegendo, pois, como eu não tinha amigos e não dizia nada a ninguém, qualquer coisa poderia me acontecer e muito provavelmente as pessoas só iriam saber quando já fosse tarde demais. Com o tempo, fui aprendendo a não ficar sozinha em todo o tipo de lugar, porque, antigamente, eu não sentia medo de absolutamente nada.

Fui tratada como uma pessoa normal (neurotípica) esses anos todos da minha vida e isso me custou muito sofrimento e frustrações. Certamente, se eu tivesse sido diagnosticada na infância, muitos transtornos e situações desgastantes que passei teriam sido evitados e eu teria tido uma melhor qualidade de vida. Vejo que o que realmente está fazendo a diferença hoje é saber a verdade sobre mim mesma. Antes tarde do que nunca, mas ainda considero que não seja tão tarde, apesar de já ter passado dos quarenta. Pelo menos agora estou mais consciente de quem realmente sou e das minhas limitações e posso dizer alguma coisa concreta às pessoas se precisar explicar minha conduta.

Os vizinhos da casa onde morávamos durante minha adolescência estranhavam minha maneira de ser e achavam que eu era orgulhosa, porque, ao sair na rua, não cumprimentava as pessoas que passavam perto de mim. E ainda hoje, pode ser que algum vizinho do lugar onde moro me ache estranha, visto que nem sempre saio de casa disposta a falar ou cumprimentar as pessoas, mas tenho me esforçado para agir como uma pessoa normal e educada.

Tenho sempre que me policiar ao sair de casa, pois como meu jeito de ser é diferente, posso ferir alguém com minhas palavras ou meu comportamento sem perceber. Tento parecer o mais normal possível, mas isso é muito cansativo para mim, demanda muita renúncia e paciência. Por isso reluto tanto para sair de casa às vezes, especialmente quando é para socializar. Preciso sempre tomar muito cuidado com o que digo ou faço para não ser mal interpretada, ainda assim, vez por outra, escorrego nas ações e nas palavras e aí, já era.

Festas, reuniões, locais com muita gente e muito barulho são sempre muito desgastantes para mim, tanto por causa da vigilância que eu tenho que ter com meu próprio comportamento, quanto pelos estímulos sensoriais ao meu redor (mudanças climáticas, cheiros, sons, luz, movimentos, cores, formas, etc.), que muitas vezes me incomodam e até me assustam. 

Até para ir à igreja ou visitar meus pais, preciso fazer um esforço extra, pois, inacreditavelmente, apesar de gostar muito dos meus irmãos e dos meus pais, eu não sinto falta; mas, ainda que eu não me sinta muito confortável, eu procuro estar lá por crer em Deus e saber, pela palavra d'Ele, que é necessário congregar para manter a fé e que também não devo abandonar meus pais. Minha forma de ver o mundo é muito diferente do normal, mais aguçada em alguns aspectos e deficiente em outros; meus sentimentos são diferentes, isso muitas vezes me atrapalha e se apresenta como um obstáculo gigantesco na hora de realizar algumas tarefas, mas não me impede de fazer o que é certo quando eu sou instruída sobre o que é certo fazer. 

Com toda a certeza, eu acabo fazendo um esforço muito maior do que uma pessoa normal precisa fazer para executar trabalhos comuns, mas procuro ser perseverante. Isso não significa que, muitas vezes, eu não desista de continuar com algumas coisas. Se for para o meu bem ou para o bem da minha família, certamente, desistirei. Isso ocorreu, por exemplo, quando precisei interromper a faculdade que eu amava, a fim de conciliar outras situações importantes na minha vida.

Não conseguia estudar e conciliar isso com os cuidados que tinha que ter com a saúde do meu marido, que na época chegou a ficar muito tempo doente, de cadeira de rodas, e acabei renunciando minha vaga na universidade. Estou há nove anos longe do meu curso do coração (Artes Visuais, UFRN), mas ainda sonho em retomá-lo e terminá-lo. E creio que este sonho está mais perto de se realizar agora.

Tenho problemas com relação a discernir fisionomias; não foram poucas as vezes que senti repulsa com os rostos e comportamentos de algumas pessoas, em vários lugares diferentes, que para outros indivíduos ao meu redor (como para meu marido, por exemplo) são percebidas como pessoas absolutamente normais. Ou seja, uma pessoa de aparência normal pode parecer monstruosa (exagerando aqui na palavra para que me possa fazer entender) ou bem estranha para mim, dependendo de como eu a percebo.

Consigo discernir quando uma pessoa está triste ou está alegre, se está cansada ou está pensativa/preocupada, mas certos de tipos de posturas e jeitos de olhar podem me causar estranheza e podem me fazer ficar bem afastada de alguns indivíduos, sem que estas pessoas sequer tenham interagido comigo. 

Não tenho muito sucesso ao fazer leitura labial, seria um desastre eu estar numa situação difícil em que alguém tente me comunicar alguma coisa apenas mexendo os lábios, sem emitir nenhum som: nada entenderia e a pessoa perderia seu tempo.

Também não me apego a pessoas ou coisas facilmente; só sinto falta de alguém se tal pessoa estiver convivendo comigo há muitos anos diariamente, ou se o indivíduo estiver ligado a mim de uma forma mais forte, como meu marido e meus dois filhos. E mesmo assim, a saudade ainda é um sentimento que não conheço muito bem. Não sou de ficar mandando mensagens para as pessoas ou querendo saber da vida delas; isso pode soar como indiferença, mas o fato é que, em todo o tempo, estou envolta na minha rotina, sempre silenciosa (eu não falo muito) e buscando me concentrar nos meus afazeres. Este é um motivo pelo qual tenho dificuldade de manter amizades, mas Deus realmente tem me ajudado com isso.

Às vezes, para mim, ficar em filas é bem complicado, especialmente se estiverem conversando atrás de mim ou muito próximos a mim. Sinto cócegas com alguns tipos de sons emitidos nas minhas costas e isso incomoda bastante. Esse é um tipo de percepção sonora que eu acho bem estranho em mim. 

Se faço apenas um tipo de serviço (ainda que minucioso) em que preciso me concentrar bem nele, me sinto confortável, no entanto, se tenho que fazer muitos serviços um atrás do outro, ou tenho que mudar de um para outro rapidamente, isso já me desgasta, me trava, pois minha mente sobrecarrega rápido - por isso sou tão lenta para serviços domésticos (essa é uma característica bem masculina que tenho). Contudo, amo cozinhar, pois nesse serviço posso usar bastante minha criatividade. Quase sempre estou inventando novas receitas de bolos e outras guloseimas, para a alegria dos que me cercam.

Um dos momentos mais difíceis da minha vida foi quando eu tive que cuidar dos serviços da casa e dos meus dois filhos, quando eram pequenos, coisa que eu realmente não conseguia fazer; deste modo, acabava optando somente por cuidar deles e deixava a casa sempre para depois (por isso a casa vivia bagunçada a maior parte do tempo).

Eu não sabia como explicar o motivo de eu me sentir tão cansada o tempo todo apenas por cuidar dos meus dois filhos, se eu não estava doente. Fui mal interpretada muitas vezes pela minha própria mãe, que me dizia que eu estava de má vontade para cuidar da casa; durante toda a minha adolescência e início da minha juventude, ela me chamou por várias vezes de imprestável e de inútil, por não conseguir fazer tudo o que ela me pedia, na velocidade que ela queria, e isso me entristecia muito. Mas, ao aprender o ensino de Cristo, eu a perdoei, pois sei que ela me interpretou mal por não entender o que se passava comigo.

Aconteceu que, por três anos seguidos, enquanto meus filhos ainda eram pequenos (eles tinham apenas um ano de diferença de um para o outro), eu só conseguia cuidar deles dois e não conseguia cuidar de mim (especialmente não conseguia descansar ou dormir o suficiente, nem me alimentar direito). Não havia quem me ajudasse na maior parte do tempo, meu marido passava muito tempo fora de casa por causa da faculdade e do trabalho e meus pais moravam longe.

À medida que o tempo foi passando, fui ficando fraca e um dia fui levada para o hospital às pressas com uma grave infecção que quase me levou a óbito. Não morri naquele momento porque fui livrada por Deus. Passei uma semana internada até ter condições de receber alta e ir para casa. Depois disso, vendo meu estado de saúde fragilizado, meus pais resolveram me ajudar contratando uma pessoa para me auxiliar nos serviços domésticos, pois naquele tempo eu não podia pagar. Ninguém desconfiava que aquilo tudo estava acontecendo por causa de uma limitação neurológica que eu tinha. Esse foi, sem dúvida, um dos piores momentos que passei em minha vida por causa do TEA.

Sair da rotina sempre foi muito desgastante para mim, isso inclui toda e qualquer mudança no andamento natural das minhas coisas cotidianas. Quando sei que vou ter que viajar (mesmo que seja a passeio) ou ir visitar alguém (dependendo do motivo da visita), geralmente fico muito ansiosa e perco o sono antes e durante todo o decorrer do evento. É muito comum eu voltar de viagens exausta, se não tomar medicamentos para aliviar a ansiedade, pois só consigo dormir bem ao chegar em casa.

Não entendo todo tipo de piadas e muitas coisas ou situações que fazem as pessoas rirem, para mim, são indiferentes ou não têm graça nenhuma. Não consigo achar pessoas se acidentando algo engraçado - é assim que soa para mim as famosas "videocassetadas" -, enquanto os outros estão rolando de rir, eu fico séria.

Essas são algumas das situações que passei, e continuo passando, no meu dia-a-dia, desde a minha infância até agora. Muitas pessoas não entendem minhas reações diante de algumas situações, mas creio que se alguém que me conhece estiver lendo esse texto vai passar a me entender melhor a partir de agora. 

São muitas as limitações de uma pessoa que está dentro do espectro autista, por causa da sua percepção diferente das coisas ao redor, e realmente não sei se estaria casada por todos esses anos (24 anos) com a mesma pessoa, se Deus não tivesse agido em nossas vidas para nos fazer aceitar um ao outro. Também não sei se suportaria atender ao chamado de Deus na minha vida, sendo uma pessoa anti-social por natureza, e tendo que lidar com pessoas, trabalhar em equipe, ouvir sons altos e ter que passar muitas situações difíceis para mim, se o Senhor Jesus não me ajudasse muito e poderosamente.

Muitas vezes fiquei sem entender, ou entendi errado, comportamentos e falas do meu marido e, tantas outras vezes, meu marido ficou sem me entender ou entendeu errado minhas falas e meu comportamento. Isso resultou em muito desgaste em nosso casamento, creio que se não fosse a intervenção do nosso Criador, certamente não estaríamos mais juntos. Pelo conhecimento de Cristo aprendemos a perdoar e suportar um ao outro e praticamos o perdão mútuo mais do que um casal normal o faz em seu cotidiano, e digo com todas as letras que é isso que nos tem ajudado a prosseguir em paz e alegria.

Hoje estamos indo em busca de um acompanhamento profissional, pois o próprio Deus nos abriu os olhos para a existência do TEA em minha vida e tem nos direcionado a lidar com essa situação da forma correta. Graças ao cuidado do Senhor para conosco, meu marido está me compreendendo melhor e agora eu estou me sentindo mais segura; quando alguém é constantemente incompreendido pelos outros, tal pessoa se torna um ser que vive insatisfeito, inseguro e frustrado o tempo todo (era assim que eu me sentia).

O que posso dizer, enfim, é que Deus muda quadros e contraria as situações para que Seu Nome seja glorificado. Estamos vencendo! Em breve vou publicar outro texto com mais detalhes de como foi enfrentar o pastoreio de igrejas sem saber da minha condição, e como isso me afetou. Até lá!  

Oriana Costa

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

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