terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Se o seu irmão pecar contra você...

Dentro do corpo de Cristo na terra não há ninguém perfeito ainda. Todos estão seguindo para o alvo, que é atingir a maturidade no conhecimento da justiça de Deus. No entanto, não basta só ter o conhecimento, é preciso colocá-lo em prática, pois sentimentos e desejos provenientes da carne precisam ser dominados em todo o tempo, para que uma pessoa alcance a maturidade na fé.

Então, apesar dos nossos esforços, vez ou outra podemos falhar e pecar contra alguém, ou alguém pode pecar contra nós, pois nem sempre conseguimos dominar a carne como gostaríamos. Porém, o Senhor Jesus não nos deixa sem instrução com relação a isso:

"Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’." (Mateus 18:15,16)

No trecho acima, Cristo alerta sobre a necessidade do arrependimento quando ofendemos nossos irmãos de alguma forma. O ensino de Cristo vale para todos, pois ninguém é melhor do que ninguém, e todos somos passíveis de cometer erros a qualquer momento.

Então o Senhor nos mostra que se algum ato de um irmão na fé está nos gerando algum desconforto, ou é algo recorrente, e que nos incomoda diretamente, a princípio devemos chamar a atenção desse indivíduo, com educação e em particular, apresentando-lhe os preceitos da justiça de Deus, para que haja arrependimento sincero.

O ideal seria que tal indivíduo se arrependesse nessa primeira conversa, mas isso pode não acontecer. E caso o sujeito não nos considere e continue a incomodar, o Senhor Jesus orienta que devemos fazer uma segunda tentativa de levar a pessoa ao arrependimento, conversando com ela na presença de mais uma ou duas pessoas de confiança.

Se mesmo assim, a pessoa que está sendo chamada à atenção ainda não considerar os fatos, o Mestre orienta que o caso deve ser exposto à congregação para que ela julgue a situação, e o irmão ou irmã seja admoestado(a) por todos. E se ainda assim, ele ou ela não se envergonhar nem se arrepender, deve ser tratado(a) por todos como uma pessoa descrente.

"Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano." (Mateus 18:17)

Esse conselho de Cristo é exclusivamente para os que estão congregando e prosseguindo em conhecer o Reino de Deus, portanto, não se aplica a descrentes ou simpatizantes da fé cristã que por ventura estejam frequentando as reuniões dos irmãos.

Assim sendo, se o comportamento de alguém, que se diz seguidor de Cristo, está transgredindo os princípios da justiça de Deus e incomodando ou ofendendo um ou mais irmãos dentro da congregação, tal pessoa é digna de ser confrontada e deve sim ser chamada à atenção, assim como o Senhor orienta, para que se arrependa e não atraia juízo sobre si.

"Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu." (Mateus 18:18)

Quando Jesus diz que tudo o que ligarmos ou desligarmos na terra terá sido ligado ou desligado nos Céus, Ele está mostrando que Deus nos dá autoridade para julgar. Se somos um com Cristo, e o Espírito Santo habita em nós, e estamos agindo de acordo com a reta justiça de Deus, então temos plena autoridade para julgar situações contrárias aos seus estatutos e, se for o caso, executar juízo sobre alguém.

No caso apontado aqui por Jesus, por exemplo, o juízo aplicado será "tratar a pessoa como um pagão ou publicano", caso ela não dê ouvidos e não se arrependa após a terceira admoestação. Pagãos e publicanos são considerados pessoas "descrentes" ou  que estão "fora da fé" em relação ao Reino de Deus, por isso Cristo dá essa orientação.

Lembrando que isso não significa que devemos ser indiferentes ou mal educados com os que não creem em Deus. Tratar a todos com educação e gentileza faz parte do fruto do espírito e é indispensável para testemunharmos corretamente o Reino a qualquer momento.

Cristo também diz:

"Se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus." (Mateus 18:19)

Dentro deste contexto, o verso acima nos mostra que, caso necessário, o Pai poderá executar um julgamento sobre alguma situação difícil pela qual a congregação irá apresentá-la a Deus, a fim de que Ele tome as devidas providências em tempo oportuno.

No livro de Atos dos apóstolos, uma situação chama a atenção quando falamos de julgamento e execução de juízo dentro da igreja do Senhor: o caso de Ananias e Safira. O casal vendeu um imóvel e decidiu entregar como oferta aos apóstolos somente uma parte do valor que haviam recebido, mas afirmando que era o valor total.

O problema foi que aquela mentira ofendia profundamente todos os irmãos, além de ofender o Senhor diretamente. Então, quando Pedro confrontou Ananias no momento em que recebia a oferta, ele e os outros apóstolos já estavam sabendo por quanto o imóvel havia sido vendido. Assim, por causa da gravidade da situação, o casal foi direta e rapidamente julgado pelo Pai, que estava sondando seus corações e não viu arrependimento neles.

Então, para concluir, o Senhor Jesus nos lembra que se apenas duas pessoas estiverem juntas e unidas em Nome dele em qualquer lugar, Ele estará ali com elas em espírito (veja em Mateus 18:20).

Com isso, Ele está advertindo que, por causa da presença dele, nossos atos serão julgados com mais rapidez e também com maior rigor. O apóstolo Paulo lembra essa situação em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, quando fala sobre a ceia do Senhor (leia 1Corintios 11:23-32). 

Saber e entender estes princípios é de crucial importância para que nossas atitudes sempre gerem louvor ao Pai em qualquer ocasião, especialmente quando convivemos uns com os outros por causa da fé.

Texto: Missionária Oriana Costa

Revisão: Pr. Wendell Costa





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