Mostrando postagens com marcador profecias bíblicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador profecias bíblicas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Não ficará aqui pedra sobre pedra - Mateus 24 - Parte 1


O Senhor Jesus estava em Jerusalém, tendo despedido a multidão, a qual ouviu seu último discurso público (veja o estudo sobre esse discurso nas seis publicações anteriores a esta). Nesse momento, Ele havia saído do templo e ia com os seus discípulos para o Monte das oliveiras, a fim de continuar os ensinando em particular.

Chegando ao monte, Jesus começa a preparar seus discípulos para presenciarem, alguns dias adiante, a Sua prisão e crucificação. Além disso, Ele explica alguns eventos que aconteceriam em Jerusalém e no mundo, após a Sua ressurreição e antes da Sua segunda vinda.

Iniciando nosso estudo, vamos analisar o começo da conversa que Jesus teve com seus discípulos, logo após Sua saída do templo, antes de chegar ao monte. Vejamos o trecho a seguir:

Jesus saiu do templo e, enquanto caminhava, seus discípulos aproximaram-se dele para lhe mostrar as construções do templo. "Vocês estão vendo tudo isto?", perguntou ele. "Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas". (Mateus 24:1,2)

Naquele tempo, o tetrarca Herodes Antipas, desejando manter boas relações com os israelitas e fazer com que se submetessem ao seu governo passivamente (pois, na época, a nação de Israel perdera, mais uma vez, sua autonomia e estava sob o domínio do Império Romano), deu ordens para que o templo dos judeus fosse restaurado.

Este era o Segundo Templo, que havia sido reconstruído depois que os israelitas foram libertados do cativeiro na Babilônia, e fora consagrado por volta de 516 a.C. Esse novo templo tinha duas diferenças do anterior: a primeira é que na sua corte exterior foi acrescentada uma área para prosélitos (simpatizantes da fé judaica), que eram adoradores de Deus, mas que não desejavam se submeter às leis do Judaísmo.

A segunda é que lá não tinha a Arca da Aliança, o Urim e Tumim, o óleo sagrado, o fogo sagrado, as tábuas dos Dez Mandamentos, os vasos com Maná, nem o cajado de Aarão. Todos esses objetos foram saqueados ou destruídos durante a invasão que a nação de Israel sofreu na ascensão do Império Babilônico.

No tempo de Herodes, esse Segundo Templo já havia completado cinco séculos de existência. Com o passar do tempo, ele foi sofrendo vários desgastes em sua estrutura e, com certeza, precisava de muitos reparos.

Assim, aquela obra de restauração foi muito bem vinda e foi um sucesso: depois de sua finalização, passou a ser admirada por todos os que a contemplavam. Por isso, quando os discípulos foram para fora daquele lugar junto com o Senhor, começaram a chamar a atenção dele para a imponência e beleza daquela grande construção. 

No entanto, para a surpresa deles, tudo o que ouviram de Cristo sobre o belíssimo edifício que viam foi "garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas". Certamente os discípulos não entenderam bem o porquê daquelas palavras e que tipo de acontecimento poderia levar à destruição de uma construção grande e bela como aquela, erigida para adorar a Deus.

Nas entrelinhas, o que o Mestre estava avisando era que tudo o que havia sido estabelecido na Lei Mosaica e tinha sido avisado pelos profetas, caso o povo continuasse desonrando a aliança que tinham com Deus, se cumpriria. Também que todos os que cressem nele não precisariam mais de templos, tais como aquele, para cultuar e adorar ao Criador, como realmente Ele merece.

No Antigo Testamento há vários trechos alertando sobre a destruição de Jerusalém no futuro, caso eles continuassem a desagradar a Deus e não se arrependessem. Vejamos algumas passagens bíblicas nesse sentido:

(...) eu mesmo os castigarei sete vezes mais por causa dos seus pecados. Vocês comerão a carne dos seus filhos e das suas filhas. Destruirei os seus altares idólatras, despedaçarei os seus altares de incenso e empilharei os seus cadáveres sobre os seus ídolos mortos, e rejeitarei vocês. Deixarei as cidades de vocês em ruínas e arrasarei os seus santuários, e não terei prazer no aroma das suas ofertas. Desolarei a terra a ponto de ficarem perplexos os seus inimigos que vierem ocupá-la. Espalharei vocês entre as nações e desembainharei a espada contra vocês. Sua terra ficará desolada, e as suas cidades, em ruínas. (Levítico 26:28-33)

Derrubaste todos os seus muros e reduziste a ruínas as suas fortalezas. Todos os que passam o saqueiam; tornou-se motivo de zombaria para os seus vizinhos. Tu exaltaste a mão direita dos seus adversários e encheste de alegria todos os seus inimigos. Tiraste o fio da sua espada e não o apoiaste na batalha. Deste fim ao seu esplendor e atiraste ao chão o seu trono. Encurtaste os dias da sua juventude; com um manto de vergonha o cobriste.(Salmos 89:40-45)

Vi o Senhor junto ao altar, e ele disse: "Bata no topo das colunas para que tremam os umbrais. Faça que elas caiam sobre todos os presentes; e os que sobrarem matarei à espada. Ninguém fugirá, ninguém escapará. Ainda que escavem até às profundezas, dali a minha mão irá tirá-los. Se subirem até os céus, de lá os farei descer. Mesmo que se escondam no topo do Carmelo, lá os caçarei e os prenderei. Ainda que se escondam de mim no fundo do mar, ali ordenarei à serpente que os morda. Mesmo que sejam levados ao exílio por seus inimigos, ali ordenarei que a espada os mate. Vou vigiá-los para lhes fazer o mal e não o bem." (Amós 9:1-4)

De fato, Cerca de 40 anos após a morte e ressurreição de Cristo, iniciou-se um período de guerras entre Israel e o Império Romano, que aconteceu em três etapas. Esse período é chamado de Guerra judaico-romana. Esse conflito foi motivado a princípio pelas tensões religiosas, evoluindo para protestos contra o pagamento de tributos, que culminou em ataques a cidadãos romanos.

Na primeira etapa, chamada de Grande revolta judaica (66-73 d.C.), Jerusalém foi tomada pelas forças do comandante romano, Tito. Outra vez, as muralhas e o Templo de Jerusalém foram destruídos, e o resto da cidade voltou a ficar em ruínas. A destruição de Jerusalém, também conhecida como Cerco de Jerusalém, ocorreu durante o governo do imperador romano Vespasiano.

O historiador judeu Flávio Josefo descreveu com detalhes como aconteceu essa primeira etapa da Guerra judaico-romana. Alguns trechos dos textos que ele escreveu estão acessíveis na internet, servindo como uma fonte importante de pesquisa e também de prova incontestável desse acontecimento (clique aqui).


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa


quarta-feira, 5 de maio de 2021

A sentença - Considerações sobre Mateus 23 - Parte 6


Neste texto faremos a conclusão do estudo do capítulo 23 do Evangelho de Mateus, que vai do versículo 29 até o 39. Na primeira parte, entre os versículos 29 e 36, vamos observar os dois últimos julgamentos feitos pelo Senhor Jesus em relação aos líderes religiosos de Israel, enquanto ainda estava no templo de Jerusalém.

Em seguida, a partir do versículo 37, vamos analisar o desfecho do discurso de Cristo, onde Ele declara a sentença que já havia sido decretada para a nação de Israel, séculos antes daquele momento, pelos profetas que Deus lhes havia enviado.

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos. E dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas’. Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas. Acabem, pois, de encher a medida do pecado dos seus antepassados! Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno? Por isso, eu lhes estou enviando profetas, sábios e mestres. A uns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas sinagogas de vocês e perseguirão de cidade em cidade. E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar. Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.

A sexta acusação feita contra os mestres da Lei e fariseus foi, portanto, a falta de compromisso deles com suas palavras, ao declararem "se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas".

Acontecia que, literalmente, eles diziam à sociedade que jamais iriam fazer o que seus antepassados fizeram, prendendo e matando os profetas que Deus estava enviando a eles para os advertir. Porém, eles estavam sendo levianos, dizendo essas palavras sem seriedade, sem o compromisso de cumpri-las. 

E desta forma, para manter as aparências e provar ao povo que estavam mesmo falando sério, eles cuidavam dos túmulos dos profetas e dos monumentos feitos em homenagem a alguns deles. 

A situação que aqueles homens falavam – de que jamais participariam no assassinato de profetas de Deus –, realmente não havia acontecido ainda com eles, pois João Batista foi o último profeta da Antiga Aliança, e ele foi preso e morto a mando de Herodes Antipas, o tetrarca romano que comandava as regiões da Galiléia e Pereia. Assim, (extraordinariamente!) não houve a intervenção dos israelitas no processo da prisão e morte desse profeta específico.

O último profeta enviado por Deus aos israelitas, antes de João Batista, foi há aproximadamente 450 anos antes de seu nascimento, cujo nome era Malaquias (Clique aqui para saber mais). Desta forma, os israelitas passaram quase 500 anos sem receber mensageiro algum da parte de Deus (pelo menos, registrado através das Escrituras), até que, por fim, Ele enviou João e Jesus.

A geração de israelitas do tempo de Jesus, portanto, sabia da matança dos profetas, por causa dos registros contidos nas Escrituras e em outros documentos que ainda existiam na época, mas não tinham vivenciado tal fato por eles mesmos.

Contudo, antecipadamente, por causa da ação do Espírito Santo e também respaldado nas próprias Escrituras, o Senhor Jesus, ao final de seu discurso, declarou, diante de todos os presentes, aquilo que os mestres da Lei e fariseus iriam fazer: eles iam acabar de encher a medida do pecado dos seus antepassados, perseguindo, açoitando, crucificando e matando o próprio Cristo, e depois os Apóstolos e muitos de seus discípulos. Então, essa foi a sétima e última acusação de Jesus contra aqueles homens: homicídio.

O último assassinado feito pelos líderes religiosos israelitas a um profeta, aconteceu séculos antes da vinda de João Batista. O profeta Zacarias, conforme fala Cristo, foi morto entre o santuário e o altar. Isso quer dizer que eles invadiram o templo e provavelmente mataram o profeta em frente à sala chamada de Santo dos santos.

No Antigo Testamento não há o relato da morte do profeta Zacarias, assim como descreveu o Senhor, nem tampouco há a citação acerca de como outros profetas morreram (só encontramos informações de que muitos foram feridos por espadas), contudo, em alguns trechos vemos denúncias desses tristes acontecimentos:

Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. (1 Reis 19:14)

Mas foram desobedientes e se rebelaram contra ti; deram as costas para a tua Lei. Mataram os teus profetas, que os tinham advertido que se voltassem para ti; e te fizeram ofensas detestáveis. (Neemias 9:26)

De nada adiantou castigar o seu povo, eles não aceitaram a correção. A sua espada tem destruído os seus profetas como um leão devorador. (Jeremias 2:30)

Prosseguindo com o raciocínio do nosso estudo, vamos agora para a finalização desse dramático discurso do Senhor Jesus, que conclui dizendo estas palavras:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’.

Ao falar da galinha que reúne seus pintinhos debaixo de suas asas, Cristo está se referindo à proteção e ao cuidado que Deus sempre desejava dar à nação de Israel, e que, inclusive, é uma das promessas dele para aquele povo:

Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor. (Salmos 91:4)

Porém, por causa da incredulidade e desobediência dos israelitas, ao longo dos séculos, eles acabaram por várias vezes dominados por outras nações e suas cidades eram destruídas. Antes de Roma, que foi a última nação a assumir o controle dos israelitas, eles já tinham sido conquistados pelos assírios, persas, gregos e macedônicos (império selêucida).

No momento que Jesus foi enviado, Israel estava novamente colhendo mais um juízo de sua conduta reprovável diante de Deus, desta vez submissa ao Império romano, que 40 anos depois, iria destruir totalmente a cidade de Jerusalém e arrasar todas as outras cidades israelenses.

Ao julgar a nação de Israel, Jesus faz menção ao que fora dito pelo profeta Jeremias, séculos antes de seu tempo:

A terra deles ficará deserta e será tema de permanente zombaria. Todos os que por ela passarem ficarão chocados e balançarão a cabeça. Como o vento leste, eu os dispersarei diante dos inimigos; eu lhes mostrarei as costas e não o rosto, no dia da sua derrota.(Jeremias 18:16,17)

E quando o Senhor Jesus diz "eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor', Ele está dizendo que os judeus israelitas somente tornariam a vê-lo novamente quando reconhecessem a Ele como seu Salvador e cressem na mensagem do Reino, aceitando o governo de Cristo sobre eles e humilhando-se diante de Deus, arrependendo-se verdadeiramente de seus pecados. Essa fala de Jesus está predita no livro de Salmos, como leremos a seguir:

Esta é a porta do Senhor, pela qual entram os justos. Dou-te graças, porque me respondeste e foste a minha salvação. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isso vem do Senhor, e é algo maravilhoso para nós. Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia. Salva-nos, Senhor! Nós imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós suplicamos. Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos. (Salmos 118:20-26)

De fato, depois de ressurreto, os primeiros para os quais Jesus apareceu pessoalmente foram os Apóstolos e alguns de seus discípulos (que eram judeus), e, mais tarde, também o fariseu romano Paulo de Tarso experimentou um momento especial com o Rei Jesus enquanto viajava para Damasco, quando perseguia os cristãos.

Então, praticamente todos os que estavam seguindo o Senhor Jesus até Sua crucificação, com exceção do Apóstolo Paulo, conseguiram vê-lo em pessoa após sua ressurreição.

Até os dias de hoje, muitos judeus que buscam conhecer a mensagem do Evangelho têm tido experiências sobrenaturais únicas com a presença de Deus. Alguns têm visões do Reino de Deus e do próprio Cristo, ainda que não possam ver seu rosto com clareza.

No Evangelho de João há também um trecho com informações complementares em relação a esse episódio do templo, que veremos a seguir:

"Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, com um pedido: "Senhor, queremos ver Jesus". Filipe foi dizê-lo a André, e os dois juntos o disseram a Jesus. Jesus respondeu: "Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará. "Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome! " Então veio uma voz do céu: "Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente". A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado. Jesus disse: "Esta voz veio por causa de vocês, e não por minha causa. Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim". Ele disse isso para indicar o tipo de morte que haveria de sofrer. A multidão falou: "A Lei nos ensina que o Cristo permanecerá para sempre; como podes dizer: ‘O Filho do homem precisa ser levantado’? Quem é esse ‘Filho do homem’?" Disse-lhes então Jesus: "Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo. Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz". Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles. Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, não creram nele. Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: "Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?" Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar: "Cegou os seus olhos e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure". Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele. Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga; pois preferiam a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus. Então Jesus disse em alta voz: "Quem crê em mim, não crê apenas em mim, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. "Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia. Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer". (João 12:20-50)

Provavelmente, esse foi o fechamento do trabalho de Cristo enquanto ensinava no templo em Jerusalém pela última vez.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Em sua própria casa é que um profeta não tem honra.

Este trecho do evangelho é bem conhecido; ele é usado por muitos pregadores e indivíduos com chamado profético para justificar o fato de não serem levados em consideração ou não valorizados nos locais onde congregam ou em suas próprias famílias.

De fato, com estas palavras, Jesus estava dizendo que naquele momento de seu ministério Ele não estava sendo levado em consideração em sua própria cidade, apesar da sabedoria que demonstrava ter e dos sinais miraculosos que eram realizados por Ele.

No entanto, não foi só em Carfanaum, a cidade onde Jesus residia, que isso aconteceu; em alguns outros locais de Israel por onde Ele passou anunciando o Seu Reino as pessoas também não acreditaram nele, como aconteceu nas cidades de Corazim e Betsaida.

E como já sabemos, ao final do capítulo 12 desse mesmo evangelho vemos que naquele tempo a própria familia de Jesus também não cria nele, porque ainda não conseguia enxergar quem Ele era. (Clique aqui para entender a reação da família de Jesus)

Porém, tal comportamento das pessoas já era esperado, visto que foi profetizado muito antes do Cristo ser enviado como é que as coisas aconteceriam quando Ele se manifestasse ao povo de Israel:

Ele disse: Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam. Torne insensível o coração desse povo; torne surdos os ouvidos dele e feche os seus olhos. Que eles não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, e não entendam com o coração, para que não se convertam e sejam curados. (Isaías 6:9,10)

Como podemos observar, ainda no capítulo 13 do evangelho de Mateus o Rei Jesus faz menção desse trecho de Isaías, nos versículos 14 e 15, após ensinar ao povo sobre o Reino de Deus com a parábola do semeador.

Portanto, apesar de ter afirmado que um profeta não é honrado em sua terra e em sua casa, por não ter sido considerado, o Rei Jesus não estava frustrado com a situação. De fato, com essas palavras Ele estava fazendo alusão ao que o povo de Israel já havia feito aos homens que Deus tinha levantado para admoestar aquela nação no passado.

O Cristo não buscava reconhecimento de ninguém pelo seu trabalho, pois já estava ciente do que aconteceria. Mesmo não sendo aceito ou compreendido pela maioria, Ele sabia que deveria prosseguir com sua missão até o fim, sem se deixar levar pela rejeição que sofria, e foi exatamente isso que Ele fez. Ele prosseguiu olhando para o Pai para mostrar a todos que Deus realmente nos ama e não deseja a nossa destruição.

O que estava acontecendo ali é que a maioria das pessoas reagia com incredulidade porquê ao invés de prestarem atenção no que Jesus ensinava e nos milagres extraordinários que realizava, estava olhando para a sua aparência física, filiação e status social, tentando compreender como um homem aparentemente comum daquela região poderia ser tão sábio e ser tão cheio do poder de Deus.

O trecho a seguir mostra a reação das pessoas em Carfanaum ao presenciarem a manifestação do Messias diante delas:

Chegando à sua cidade, começou a ensinar o povo na sinagoga. Todos ficaram admirados e perguntavam: "De onde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão conosco todas as suas irmãs? De onde, pois, ele obteve todas essas coisas? - E ficavam escandalizados por causa dele. (Mateus 13:54-56)

É interessante notar que especialmente os milagres que eram operados por Jesus Cristo não podiam de forma alguma serem de procedência maligna, como alguns fariseus diziam movidos por inveja. Só o Criador de todas as coisas poderia fazer acontecer as coisas fantásticas que o povo estava presenciando pela vida do Rei Jesus.

Mas, a maioria daqueles indivíduos não conseguiu discernir o que via, por estar entregue a uma insensibilidade espiritual advinda de ensinamentos falsos que entraram em seus corações e obscureceram seus entendimentos; tradições mundanas foram ensinadas ao povo misturadas com as escrituras ao longo dos anos, como se as escrituras não fossem suficientes para dar entendimento correto, como é o caso do que ocorria no farisaísmo.

E sabemos disso pelas vezes que Jesus confrontou os fariseus, apontando-lhes as heresias que estavam cometendo, como vemos no trecho a seguir:

Alguns fariseus e mestres da lei, vindos de Jerusalém, foram a Jesus e perguntaram:
Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos líderes religiosos? Pois não lavam as mãos antes de comer! - Respondeu Jesus: E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’, ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
(Mateus 15:1-8)

Esses conhecimentos falsos fizeram com que os israelitas ficassem esperando um messias com uma aparência de rei conforme o mundo, sem atentarem para certos detalhes das escrituras que especificavam sobre como realmente o Cristo seria enviado por Deus e como Ele se manifestaria ao povo. Então, a vinda do Messias e todas as suas realizações aconteceram exatamente como está escrito, mas, a maioria dos judeus, apesar de conhecerem as escrituras, não conseguiu discernir o cumprimento delas diante deles.

Por estar enganada com ensinos falsos e não conseguir ligar o conhecimento que tinha das escrituras com as informações que estavam recebendo naquele momento por Jesus, grande parte do povo de Israel não enxergou que o Reino de Deus, na verdade, não tem origem no mundo material que conhecemos, e que é uma realidade espiritual perfeita e muito mais alta do que aquela que conhecemos neste mundo.

Missionária Oriana Costa.

Antes de escolher os Apóstolos - Parte 3.1 - O Sermão da montanha

Neste estudo vamos iniciar a análise de um dos momentos em que o Senhor Jesus começa a explicar com mais detalhes alguns princípios importan...