terça-feira, 24 de agosto de 2021

A conspiração - Considerações sobre Mateus 26 - Parte 1


Após ensinar seus discípulos no Monte das Oliveiras sobre as coisas que haveriam de acontecer à igreja e ao mundo, antes de seu retorno, e sobre os três princípios que servirão de base para o julgamento que terá início com o resgate dos verdadeiros cristãos dentre as nações da terra, quando Ele retornar, Cristo continua a preparar seus discípulos para o dia de sua morte e ressurreição.

O Senhor já vinha preparando seus discípulos sobre o que lhe aconteceria em ocasiões anteriores, como podemos ver no Evangelho de Mateus nos capítulos 17 e 20, por exemplo.

A partir desse estudo, portanto, veremos especialmente o cumprimento das profecias feitas acerca do Messias ao longo dos séculos, antes de seu nascimento, e que constam nos livros do Antigo Testamento.

Vamos começar com o primeiro trecho do capítulo 26, que fala de três momentos importantes: o início da conspiração dos líderes religiosos de Israel para matar Jesus, o episódio do frasco de óleo perfumado que é derramado sobre a cabeça de Cristo, e o início da traição de Judas Iscariotes.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: "Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado". Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-lo. Mas diziam: "Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo". Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro. Ela o derramou sobre a cabeça de Jesus, quando ele se encontrava reclinado à mesa. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e perguntaram: "Por que este desperdício? Este perfume poderia ser vendido por alto preço, e o dinheiro dado aos pobres". Percebendo isso, Jesus lhes disse: "Por que vocês estão perturbando essa mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão. Quando derramou este perfume sobre o meu corpo, ela o fez a fim de me preparar para o sepultamento. Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado, em sua memória". Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês?" E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo. (Mateus 26:1-16)

Antes de iniciar a análise do nosso texto, existem algumas informações importantes que devemos saber. Uma delas é que nesse momento Jesus não se expunha mais publicamente como antes, pois estava ciente de que poderia ser preso e sacrificado a qualquer hora. Ele só se entregou de fato no tempo que o Pai já havia determinado e anunciado na Antiga Aliança (que ainda estava em vigor), através dos mandamentos que entregou a Moisés e Arão.

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: (...) Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. (...) O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. (...). Esta é a Páscoa do Senhor. (Êxodo 12:1-11)

Outra informação importante é que a conspiração para matar Jesus já tinha surgido bem antes dos acontecimentos mostrados em Mateus 26, no momento em que Lázaro fora ressuscitado. Logo após o acontecido, as lideranças religiosas, com medo de perderem as posições privilegiadas que tinham na sociedade e suas boas relações com as lideranças de Roma, convocaram o sinédrio, que se reuniu para tomar uma posição em unidade. Esse acontecimento se encontra descrito com detalhes no capítulo 11 do Evangelho de João.

Nessa reunião, mesmo sem entender quem realmente era Jesus, o próprio Caifás, que era o sumo sacerdote naquela ocasião, acabou profetizando acerca do Messias:

Então um deles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, tomou a palavra e disse: "Nada sabeis! Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação". Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo. (João 11:49-52)

Por isso, antes de voltar à Betânia, após a ressurreição de Lázaro, Jesus se refugiou com seus discípulos no povoado de Efraim, região próxima dali. Sobre isso, falou o profeta Jeremias:

Ó Jerusalém, lave o mal do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai acolher projetos malignos no íntimo? Ouve-se uma voz proclamando desde Dã, desde os montes de Efraim se anuncia calamidade. (Jeremias 4:14,15)

Dessa forma, faltando cerca de uma semana para a celebração da Páscoa, Cristo voltou à cidade de Betânia, e ali dois sinais interessantes e muito parecidos aconteceram diante dos discípulos, anunciando-lhes que seu Mestre seria sacrificado em breve. Um deles, o segundo, está descrito no trecho que estamos analisando aqui.

O primeiro sinal aconteceu seis dias antes (no oitavo dia do primeiro mês judaico), quando Cristo estava hospedado na casa de Lázaro, a quem Ele ressuscitou dos mortos. Ali Ele foi perfumado pela primeira vez, por Maria, irmã de Lázaro, durante um jantar (João 12:1-9). Ela derramou nos pés do Senhor um frasco de nardo puro, enxugando, em seguida, com seus próprios cabelos. Nessa ocasião, Judas Iscariotes posicionou-se contra o acontecido, alegando que "o frasco de nardo poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

Quatro dias depois, agora na casa de Simão, o leproso, aconteceu uma situação similar. Enquanto Jesus estava reclinado à mesa, uma mulher aproximou-se e derramou sobre a sua cabeça um frasco de alabastro cheio de um perfume muito caro (Mateus 26:6-13, Marcos 14:3). O perfume escorreu por todo o seu corpo. Desta vez, todos os que estavam presentes se indignaram com a ação da mulher, alegando que "o perfume poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres".

O fato de Jesus ter sido perfumado ou ungido com óleo pela segunda vez, faltando 2 dias para a celebração da Páscoa (no décimo segundo dia do primeiro mês judaico), foi uma sinalização dupla da parte do Pai para os israelitas de que Seu Filho, o Messias, estava ali para pagar de uma vez por todas a dívida de transgressão eterna, cumprindo definitivamente o mandamento relacionado àquele fim e também para reinar para sempre sobre o Seu povo.

Então, ao contrário do que muitos pensam, Jesus foi perfumado com óleo essencial de nardo não somente uma vez na proximidade de sua morte, mas duas vezes.

Sobre essas mulheres que perfumaram Jesus, há no Antigo Testamento, no livro de Cantares, trechos relacionados:

A fragrância dos seus perfumes é suave; o seu nome é como perfume derramado. Não é à toa que as jovens o amam! (Cânticos 1:3)

Enquanto o rei estava em seus aposentos, o meu nardo espalhou a sua fragrância. (Cânticos 1:12)

No livro de Salmos também há um trecho que fala desse acontecimento:

Numa visão falaste um dia, e aos teus fiéis disseste: "Cobri de forças um guerreiro, exaltei um homem escolhido dentre o povo. Encontrei o meu servo Davi; ungi-o com o meu óleo sagrado. A minha mão o susterá, e o meu braço o fará forte. (Salmos 89:19-21)

A primeira vez que Jesus foi ungido com óleo de nardo (também por uma mulher) aconteceu logo após Ele ter escolhido dentre os seus discípulos os doze Apóstolos, estando com eles na cidade de Naim, na casa de um fariseu que o convidou para uma refeição (Lucas 7:36-50).

Prosseguindo com nosso estudo, agora vamos analisar a traição de Judas Iscariotes. Com a proximidade da celebração da Páscoa, estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, os chefes dos sacerdotes e os lideres religiosos do povo se reuniram novamente no palácio do sumo sacerdote, Caifás, para tomarem uma decisão em definitivo.

Já que não conseguiam achar no Senhor nenhum motivo para justa acusação, resolveram oferecer recompensa para quem lhes entregasse Jesus, a fim de obterem um resultado mais rápido.

Sabendo disso, Judas Iscariotes, que não tinha entendido a mensagem do Reino e estava ali com Cristo sem ter nutrido em seu coração a fé verdadeira (lembrando que ele presenciou todos os milagres feitos por Cristo enquanto o acompanhava em seu ministério!), se sentiu tentado com a possibilidade de ganhar algum dinheiro e adquirir prestígio social, e então sucumbiu à tentação. Assim, ele procurou os líderes religiosos para fazer um acordo com eles (Marcos 14:10,11; Lucas 22:1-6).

Nos livros de Salmos e Zacarias, que estão no Antigo Testamento, podemos ler dois trechos que se referem a esse acontecimento:

Os meus inimigos dizem maldosamente a meu respeito: "Quando ele vai morrer? Quando vai desaparecer o seu nome?" Sempre que alguém vem visitar-me, fala com falsidade, enche o coração de calúnias e depois sai espalhando-as. Todos os que me odeiam juntam-se e cochicham contra mim, imaginando que o pior me acontecerá: "Uma praga terrível o derrubou; está de cama, e jamais se levantará". Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim. (Salmos 41:5-9)

Eu lhes disse: Se acharem melhor assim, paguem-me; se não, não me paguem. Então eles me pagaram trinta moedas de prata. (Zacarias 11:12)

Missionária Oriana Costa

Revisão: Wendell Costa

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Venham, benditos de meu Pai - Mateus 25 - Parte 3


Após ter falado sobre os eventos que aconteceriam às nações da Terra, antecedendo à Sua vinda (capítulo 24 de Mateus), no capítulo 25 o Senhor Jesus mostra como se dará o julgamento da "Igreja". Esse julgamento acontecerá separadamente daquele relacionado aos que não fazem parte dela, por causa da responsabilidade que o corpo de Cristo tem na anunciação da mensagem do Reino ao mundo.

Como sabemos, a Igreja – do modo que a conhecemos em nossa realidade – não está somente constituída de verdadeiros cidadãos do Reino de Deus. Dentro dela existem indivíduos que não seguem a Cristo verdadeiramente, contudo aparentam ser pessoas espirituais e servas do Senhor, de forma que, por causa das sutilezas e por não enxergarmos a verdadeira motivação dentro dos corações dos outros, nem sempre é possível julgar quem realmente está agindo de acordo com a fé ou não.

Por causa disso, este julgamento só poderá ser feito plenamente pelo próprio Rei Jesus, no dia do Seu retorno, pois, naquele momento, todas as coisas estarão expostas diante d'Ele.

No capítulo 25 de Mateus, portanto, o Mestre fala os três motivos pelos quais alguns indivíduos serão separados do verdadeiro corpo de Cristo e vão perder a herança da vida eterna. O primeiro está explicado na parabola das dez virgens, o segundo na parábola dos talentos, e o terceiro, Cristo explica no trecho a seguir:

Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. 
Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?'  O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.
Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’.
Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. 
E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna. (Mateus 25:31-46)

Para começar nossa análise, é importante que também tenhamos o entendimento do porquê de Cristo comparar os indivíduos que compõe a instituição eclesiástica à animais, como ovelhas e bodes, por exemplo.

Ele faz isso não por enxergar ou tratar as pessoas como animais, mas é somente para que possamos entender bem como será o processo de separação da nação santa das demais nações: será feito diretamente por Cristo, que colocará dentro de seu Reino os remidos e deixará fora os que desprezarem a justificação concedida gratuitamente por Deus pela fé.

No tempo em que Jesus estava em seu ministério terreno, diferentemente do que acontece hoje em dia, era normal que a maioria das pessoas trabalhassem na agricultura e na criação de animais. E, por isso, era comum encontrar criadores de bodes e ovelhas em Israel, até porque esses dois animais faziam parte dos rituais ordenados por Deus aos israelitas na Lei Mosaica, para a expiação dos pecados do povo.

Então, como a convivência com esses e outros tipos de animais fazia parte do dia a dia das pessoas, Cristo utilizou algo que era rotineiro na realidade da época, para ensinar o povo sobre o Reino e a Justiça de Deus.

Se procurarmos na internet, certamente encontraremos vários textos e vídeos mostrando as diferenças que existem no comportamento de ovinos e caprinos, e também várias pregações mostrando que ovelhas e bodes representam verdadeiros e falsos cristãos, respectivamente, por causa de suas características comportamentais.

Contudo, no trecho que estamos analisando, o Mestre está esclarecendo como será o momento em que Ele vai resgatar seu povo dentre as nações. Jesus está, tão somente, fazendo uma analogia ao momento em que o pastor separa as ovelhas dos bodes no curral. O processo de separação entre esses animais precisava acontecer todos os dias e fazia parte da rotina dos pastores.

Ovinos e caprinos podem conviver num mesmo curral, e é comum observarmos essa prática em países onde a criação desses animais faz parte de sua cultura e subsistência. Esses bichos, no geral, convivem bem no pasto, no entanto, há uma característica neles em particular que exige um certo cuidado do pastor, após conduzi-los de volta ao curral, no fim do dia: ovinos e caprinos não se dão bem quando estão confinados.

Ao voltarem para o curral, se o pastor não separa esses animais e os dois rebanhos permanecem juntos durante à noite, ao amanhecer, ovelhas podem ser encontradas mortas ou gravemente feridas devido às agressões sofridas pelos ataques dos bodes. Por isso, ao serem conduzidos pelo pastor ao aprisco, os dois rebanhos precisam ser separados, a fim de evitar prejuízos.

No trecho em questão, portanto, Cristo diz que, na Sua vinda, Ele vai separar as nações umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos bodes. Isso quer dizer que Cristo vai dar fim ao sofrimento do seu povo, para sempre, resgatando-o dentre todas as nações da terra.

Devemos lembrar que o retorno de Cristo acontecerá no ápice da grande tribulação, onde os cristãos estarão numa situação de muita aflição, devido à forte perseguição que o anticristo promoverá aos que seguem Jesus.

Então, não é à toa que o Mestre compara a separação entre ovinos e caprinos, quando são criados juntos, com o momento do juízo final. A situação na qual o povo de Deus ficará, durante o tempo do anticristo, será semelhante a das ovelhas confinadas com bodes num curral, onde correm o risco de serem atacadas, feridas e mortas, sem terem como se defender.

O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão, dia de toques de trombeta e gritos de guerra contra as cidades fortificadas e contra as torres elevadas. (Sofonias 1:14-16)

Nessa passagem bíblica, as "cidades fortificadas" (Jeremias 1:18, Salmos 28:8) e as "torres elevadas" (Provérbios 18:10, Cânticos 7:4), ditas pelo profeta, se referem ao povo de Deus.

Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia tal como nunca houve desde o início das nações e até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto.(Daniel 12:1)

Portanto, essa situação complicada já está predita e vai acontecer, apesar de não ser a perfeita vontade de Deus para os seus filhos, e a igreja realmente terá que passar por essa fase.

Mas, graças à intervenção do Pai, será por pouco tempo! Por isso, é muito importante que antes desses momentos difíceis começarem a acontecer, que os cristãos se fortaleçam no conhecimento do Reino e da Justiça de Deus, contidos no ensino de Cristo, para que não entrem em desespero e continuem em paz até seu retorno.

Prosseguindo com nosso estudo, após dizer que vai separar seu povo dentre as nações, o Mestre deixa claro, falando da maneira como fará tal separação, que negligenciar conscientemente a assistência necessária aos que se dedicam ao trabalho de anunciação do Reino resulta em condenação.

Para o Pai, quem escolhe não ajudar um servo d'Ele em suas necessidades, podendo fazê-lo, está deixando de colaborar com sua obra voluntariamente, ou seja, está deixando de servir ao próprio Rei Jesus. E é essa a característica que condenará os "bodes", que estarão à esquerda do Rei Jesus:

Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’.

O Apóstolo Tiago esclarece bem esse assunto, onde um dos trechos mais marcantes de sua carta trata exatamente disso. Vejamos a seguir:

Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade; porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo! De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. (Tiago 2:12-17)

O Apóstolo João também discorre sobre esse tema, porém, explicando-o pelo ângulo do "amor de Deus", que é a Sua Justiça – o conjunto de leis e preceitos que regem o Seu Reino. Abaixo seguem dois trechos importantes de sua primeira carta dirigida aos cristãos de sua época. O primeiro é este:

Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram. (1 João 2:9-11)

E logo depois, vemos o segundo:

Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus; e também quem não ama seu irmão.

Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. (...) Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo.

Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?

Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (1 João 3:10-18)


Missionária Oriana Costa

segunda-feira, 26 de julho de 2021

A parábola dos talentos - Mateus 25 - Parte 2


No texto anterior onde estudamos a "parábola das dez virgens" (clique aqui para saber mais), que dá início ao capítulo 25 do Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus começa a explicar como será o juízo que acontecerá após o seu retorno. 

Contudo, é bom lembrar que, nas parábolas, o foco sempre é sobre aqueles que se dizem cristãos ou seguidores de Cristo, mostrando que tais indivíduos passarão por um julgamento diferente daquele que está reservado para os de fora da fé. Isso acontece por causa da responsabilidade que foi confiada à igreja por Deus, que é anunciar a mensagem do Evangelho ao mundo (Mateus 28:18-20; Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-49; João 20:21).

Assim, na parábola das dez virgens, o Senhor nos mostra a primeira causa que levará muitos dos que se dizem "servos de Deus" a perderem a herança da vida eterna: eles estarão vivendo de acordo com os princípios da maldade do mundo e não estarão buscando a compreensão do Reino de Deus e de Sua reta justiça, apesar de estarem dentro das congregações.

Então, Cristo conta-lhes a parábola dos talentos, desta vez mostrando a segunda causa que fará muitos dos que se denominam cristãos ficarem de fora de Seu Reino. Vejamos abaixo a história completa:

E também será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um; a cada um de acordo com a sua capacidade. Em seguida partiu de viagem. 
O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente, aplicou-os, e ganhou mais cinco. Também o que tinha dois talentos ganhou mais dois. Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Depois de muito tempo o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles. O que tinha recebido cinco talentos trouxe os outros cinco e disse: ‘O senhor me confiou cinco talentos; veja, eu ganhei mais cinco’. "O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!' 
Veio também o que tinha recebido dois talentos e disse: ‘O senhor me confiou dois talentos; veja, eu ganhei mais dois’. O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’ 
Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’. 
O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. ‘Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes’ . (Mateus 25:14-30)

Antes de chegar a Jerusalém, quando estava em Jericó, hospedado na casa de Zaqueu, o Senhor Jesus contou ali uma parábola similar a esta segunda, que usou para ensinar seus discípulos no monte das oliveiras. Ela pode ser lida em Lucas 19:11-27.

Prosseguindo com a interpretação da parábola, precisamos saber que “bens” são esses aos quais o Senhor Jesus se refere. Para isso, vejamos os dois trechos abaixo:

Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. (...) A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum. Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de conhecimento, pelo mesmo Espírito; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; (...). Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer. (1 Coríntios 12:4-11)

Portanto, na parábola dos talentos, o Senhor mostra que muitos são abençoados com certos dons para "o bem comum". Isso quer dizer que certas pessoas recebem capacitação para anunciarem o Reino de forma diferenciada, alcançando públicos diversos, e, também, para poderem cuidar uns dos outros nas congregações a fim de manterem-se no foco estabelecido por Deus, que é a esperança da Glória. É assim que estes indivíduos devem dar os frutos que Deus anseia colher deles. 

Sempre que alguém ATENDE AO CHAMADO DE DEUS PARA A SUA VIDA, inevitavelmente vai acabar usando as virtudes com as quais foi capacitado pelo Senhor para fazer a Sua obra onde estiver.

Quando alguém não usa os dons que tem para anunciar o Reino de Deus, seja porque está usando esses dons no mundo e não quer atender ao chamado, seja porque está fingindo atender ao chamado – atraindo pessoas para si, e não para Deus–, tal pessoa está agindo segundo a maldade, e, portanto, está NEGANDO A CRISTO, ESTÁ CONTRA ELE. Tal indivíduo não herdará a vida eterna, de acordo com as explicações do Senhor nessa segunda parábola.

Portanto, o "servo mau" da parábola foi condenado exatamente porque não usou o talento que lhe fora confiado, da forma que seu senhor esperava que ele fizesse. Jesus mostrou que um coração que está pronto a obedecer a autoridade não vai julgar se quem está sobre ele está agindo bem ou mal, mas vai se submeter de bom grado e fazer sua parte da melhor maneira possível.

É por isso que, apesar daquele servo entregar ao seu senhor o talento da mesma forma que recebeu, foi considerado mau, pois não estava disposto a servir, e servir era o seu trabalho. 

Outro ponto a se considerar, é que o servo mau pareceu não saber como o seu senhor lhe trataria quando voltasse, agindo como se não o conhecesse. No entanto, ele conhecia muito bem o seu Senhor, e se entregou quando disse Eu sabia que o senhor é um homem severo... Nas palavras  do senhor da parábola... "você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei". 

Então, quanto mais conhecimento, dons ou talentos alguém recebe de Deus, maior é a responsabilidade que tem diante d'Ele de frutificar, visto que todos os que estão envolvidos em Sua obra sabem quem Ele é.

De acordo com a parábola, quando uma pessoa frutifica de acordo com as virtudes que lhe foram dadas, receberá como recompensa algo maior do que o esperado, visto que lhe será acrescentado os valores reservados para aqueles que não usaram seus dons devidamente. É por isso que Cristo diz "a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado".

Com relação ao tipo de recompensa que será dada aos que frutificaram, além da imortalidade, da segurança, da alegria, da paz e da abundância de bens infinitos, que fazem parte da glória do Reino de Deus (Romanos 2:6,7), essas pessoas também receberão de Deus autoridade e sabedoria para governar  sobre cidades e até nações inteiras, de acordo com a outra versão dessa parábola, que citei anteriormente (Lucas 19:11-27).

Podemos encontrar outros trechos que falam sobre esse assunto em Apocalipse 2:26; Apocalipse 3:21; Apocalipse 5:10; 1Corintios 6:2,3.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 28 de junho de 2021

A parábola das dez virgens - Mateus 25 - Parte 1


Após falar sobre os sinais dos tempos e o que aconteceria na iminência de seu retorno – no capítulo 24 do Evangelho de Mateus –, Cristo continua ensinando a seus discípulos sobre o "dia do juízo". Assim, o capítulo 25 de Mateus contém explicações do Senhor Jesus especialmente sobre o que acontecerá após o Seu retorno, no momento em que julgará as coisas relativas à Sua igreja e ao mundo.

Vamos começar analisando a primeira parte desse capítulo, que se inicia com a Parábola das Dez Virgens:

O Reino dos céus, pois, será semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo consigo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas juntamente com suas candeias. O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram. 
À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo!’ Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’. Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês’. 
E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!' Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço!’ Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora! (Mateus 25:1-13)

Antes de iniciarmos a interpretação desse trecho, é necessário conhecermos os significados de algumas palavras e expressões contidas nele, a fim de que tenhamos um entendimento mais claro acerca das lições que o Senhor nos transmite.

Para começar, vejamos dois significados curiosos:

1- O número dez no contexto judaico se relaciona à totalidade, ao todo ou ao conjunto completo de alguma coisa. Por isso, para representar a igreja como sendo todos os povos da Terra que decidiram fazer parte dela, o Senhor Jesus usou esse número.

2- As moças são virgens, pois num casamento judaico a noiva deve ser virgem. A virgindade aqui também tem a ver com o que a Lei ordena para o casamento de um Sumo Sacerdote (Jesus também é o Sumo Sacerdote do Seu povo - Hb 6:20):

"A mulher que ele tomar terá que ser virgem. Não poderá ser viúva, nem divorciada, nem moça que perdeu a virgindade, nem prostituta, mas terá que ser uma virgem do seu próprio povo, assim ele não profanará a sua descendência entre o seu povo." (Levítico 21:13-15)

Continuando nosso estudo vemos que, logo no início da história, o Mestre alerta que cinco virgens eram prudentes e cinco insensatas. Diante disso, precisamos ter uma ideia do que é a prudência e a insensatez, às quais Ele se refere. Sobre isso, encontramos vários trechos esclarecedores na própria Bíblia, dentre os quais, seguem dois deles abaixo:

Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez. (Provérbios 13:16)

Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. (Mateus 7:24)

A prudência, portanto, está ligada à aquisição do conhecimento do Reino de Deus e de sua Justiça, que são revelados à igreja por Jesus. Quem busca esses conhecimentos e constrói sua vida sobre eles está firmado e seguro em Cristo, de forma que não se afligirá em circunstâncias difíceis.

A insensatez, por conseguinte, é o contrário dessa situação, onde os indivíduos não valorizam a sabedoria de Deus e não buscam conhecer a verdade, para firmarem suas vidas nela. Dessa maneira, entendemos que as cinco virgens prudentes são pessoas que buscam o entendimento do Reino e da Justiça de Deus, e as insensatas, não.

A segunda coisa que o Senhor diz é com relação às candeias que as moças tinham para iluminar o lugar onde esperavam pelo noivo e que, depois, quando Ele surgisse, serviriam para clarear o caminho que fariam até Ele. Quando as prudentes se levantaram para encontrar o noivo, levaram óleo extra para suas candeias, mas as insensatas não levaram.

Sobre as "candeias" (ou "lâmpadas") e o "óleo" (ou "azeite") usado dentro delas, também há alguns trechos no Antigo e no Novo Testamento que revelam do que se tratam. Vejamos a seguir alguns deles:

O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, e vasculha cada parte do seu ser. (Provérbios 20:27)

Separem dentre os seus bens uma oferta para o Senhor. Todo aquele que, de coração, estiver disposto, trará como oferta ao Senhor ouro, prata e bronze; (...) óleo para a iluminação; (...). (Êxodo 35:5-8)

A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho. (Salmos 119:105)

A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes. (Salmos 119:130)

Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força. (Efésios 1:18,19)

Assim sendo, as candeias e o óleo usado dentro delas para a iluminação são, respectivamente, o coração do homem e o conhecimento da Justiça de Deus ou o conhecimento de Cristo. Algumas interpretações sugerem que o óleo da candeia é o Espírito Santo, dando a entender que as cinco virgens prudentes estavam cheias do Espírito e, por isso, conseguiram chegar até o Noivo.

De fato, quem busca conhecer a verdade, dentre outras coisas, buscará estar cheio do Espírito Santo, que no Antigo Testamento é representado pelo óleo da unção. As Escrituras nos mostram que haviam dois tipos de óleo no tabernáculo de Moisés: o óleo para a iluminação e o óleo da unção (veja em Êxodo 35:8 e Êxodo 25:6). O primeiro faz alusão ao conhecimento de Deus, e o segundo, ao seu poder e autoridade, além de representar o Espírito de Deus. No caso dessa parábola, se trata do óleo usado como combustível para produzir luz.

As dez virgens simbolizam a igreja do Senhor na Terra, onde uma parte dela permanecerá firmada em Cristo, e a outra não vai perseverar. 

Só lembrando que as virgens citadas nessa parábola são AS TESTEMUNHAS E ACOMPANHANTES DOS NOIVOS, segundo os costumes da antiga tradição judaica. Elas participavam de todo o processo do noivado e da celebração do casamento, servindo e festejando junto com os noivos a oficialização da aliança do casal. No caso, a noiva, que nessa parábola NÃO É CITADA, existe, e se trata da PROMESSA DA VOLTA DE JESUS. 

Se é dever das virgens seguir e servir aos noivos da preparação até a consumação das bodas, é DEVER DA IGREJA SEGUIR E SERVIR A CRISTO ATÉ QUE ELE VENHA! Deus e as Suas Promessas são um só. Deus não pode trair a si mesmo, portanto, Ele sempre permanece fiel ao que fala, nunca negará Sua Palavra e vela por cumpri-la até o fim.

Sobre a afirmação "o noivo demorou a chegar", se trata do longo tempo que vai levar para o retorno de Cristo, pois observamos que, desde a Sua morte e ressurreição até agora, já se passaram mais de dois mil anos.

Essa demora fez com que "as virgens adormecessem" – e aqui Cristo estava profetizando que, depois da destruição de Jerusalém, a igreja continuaria crescendo, porém, dispersa pelo mundo e desligada do tempo, por estar ocupada com as coisas dessa vida e desinformada sobre a realidade do Reino. Por causa dessa desinformação, que se estendeu por séculos, a igreja não avançou no conhecimento da justiça de Deus, pois o ensino de Cristo ficou ocultado da maioria das pessoas pelas lideranças religiosas/governamentais cristãs que dominaram o mundo, especialmente na idade média.

Nesse intervalo, muitos eventos aconteceram e muitos sinais que mostram a proximidade da vinda do Senhor foram e continuam sendo dados ao longo dos séculos, como Ele mesmo explicou no capítulo 24 deste mesmo evangelho. 

No entanto, apesar de não saber se o dia do retorno de Jesus estaria mais perto ou não, e também de não estarem plenamente conscientes dos sinais preditos por Cristo e pelos Apóstolos, uma parte dessas pessoas continuou vigiando, e perseverou em aprender e praticar o pouco conhecimento que acessaram acerca do Reino de Deus. 

Com a chegada da Bíblia Sagrada, que aos poucos foi sendo difundida pelo mundo, e agora está disponível em praticamente quase todas as línguas existentes no planeta atualmente, o Senhor Jesus segue preparando progressivamente a Sua Igreja para a Sua volta. 

Ele vem preparando o seu povo para a realidade de seu Reino que ficará visível a todos, e será restabelecido definitivamente na terra, e também segue alertando os seus para a necessidade de avisar ao mundo sobre esse evento tão importante, que é a vinda definitiva do Seu Reino, através da evangelização.

E conforme essa preparação vai progredindo, as dez virgens vão caminhar juntas até o dia do grito: "O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo"! Então, é nesse momento que a igreja deverá passar pelo ápice da grande tribulação, apontada por Jesus em Mateus 24.

Embora as cordas dos ímpios queiram prender-me, eu não me esqueço da tua lei. À meia-noite me levanto para dar-te graças pelas tuas justas ordenanças. (Salmos 119:61,62)

Portanto, nesse caso, o grito dado à meia-noite para avisar as moças que o noivo está se aproximando representa o início do reinado do Homem do pecado ou Anticristo em todo o mundo (ele é a besta que sobe do abismo - Ap 11:7, Ap 17:8), onde a verdadeira igreja do Senhor (virgens prudentes) deverá estar bem preparada no conhecimento da justiça de Deus (óleo extra), a fim de passar por essa fase, sem se deixar levar pela influência do mal.

De acordo com o que vimos parágrafos acima, esse conhecimento que a igreja do Senhor deverá possuir nesse período difícil não poderá ser adquirido instantaneamente. As pessoas vão precisar buscar por ele muito antes, ao longo dos anos, usando o meio que o Senhor disponibilizou para que todos possam se preparar: a Bíblia Sagrada Cristã.

E é assim que, na fase mais complicada que os cristãos deverão enfrentar no mundo, eles estarão com suas vidas fortemente alicerçadas no Reino de Deus, não se deixando abalar pelas más notícias nem sendo influenciados pelas sutilezas da perversão.

É por isso que, depois do aviso de que "o noivo se aproxima", as virgens prudentes dizem às insensatas que não podem compartilhar o óleo com elas e pedem para que estas vão comprá-lo. Nesse momento, acontecerá uma separação em todo o mundo entre os cristãos que realmente creem na mensagem do Reino e esperam o retorno do Rei Jesus, daqueles que não creem, e esse será um evento que acontecerá com muito sofrimento.

Compre a verdade e não abra mão dela, nem tampouco da sabedoria, da disciplina e do discernimento. (Provérbios 23:23)

O "vão comprar" – dito pelas virgens prudentes –, portanto, se refere à dedicação e ao esforço que empenhamos em meditar nas Escrituras, extraindo delas o conhecimento e o entendimento da justiça de Deus. Na época em que o "Homem do pecado" estiver no poder, mais do que nunca, os cristãos em todo o mundo vão precisar estar bem convictos de sua fé, caso contrário irão se comportar como as virgens insensatas. 

As insensatas deixaram para adquirir óleo, que era necessário para continuarem com suas candeias acesas, apenas no momento mais próximo à chegada do noivo. Essas moças representam todos aqueles indivíduos que estarão se dizendo cristãos, na iminência do retorno de Cristo, mas não estarão dando ouvidos ou não valorizarão Seu ensino. Por isso, eles vão desprezar os sinais da vinda do Senhor e estarão vivendo de acordo com as filosofias do anticristo, apesar de usarem o conteúdo das Escrituras e, aparentemente, se comportarem como servos de Deus.

É por este motivo que, quando as virgens insensatas conseguem chegar ao local do banquete e pedem para entrar, o Noivo diz que não as conhece.

Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! (Mateus 7:21-23)

O que acontece, no momento em que as virgens insensatas vão comprar o óleo, é que elas vão tentar adquiri-lo no mundo, que é o lugar onde suas vidas estão alicerçadas. Esse óleo (que representa conhecimento e sabedoria divinos) oferecido pelo mundo é "misturado" ou "pervertido", e não é suficiente para fazer com que elas voltem à tempo de entrarem juntas com as virgens prudentes no banquete nupcial. Elas voltam atrasadas e enganadas, achando que o Noivo terá misericórdia e abrirá a porta para elas.

Isso quer dizer que, no dia em que o Rei voltar, as virgens insensatas não estarão em unidade com as virgens prudentes, e não estarão, assim como estas, vivendo pela fé ou vivendo segundo os preceitos do Reino de Deus ensinados por Cristo! Muitas pessoas se enganam, não entendendo o que Cristo ensina, e acham que viver pela fé é agir de forma religiosa ou mística, e esse equívoco vai levar muitos a ficarem fora do Reino de Deus em definitivo no Dia do retorno de Jesus.

Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais (...), tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes. São estes os que se introduzem pelas casas e conquistam mulherzinhas sobrecarregadas de pecados, as quais se deixam levar por toda espécie de desejos. Elas estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade. Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos. (2 Timóteo 3:1-9)

(...) os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. (2 Timóteo 3:13)

Quando o Apóstolo Paulo, em sua segunda carta à Timóteo, diz que "nos últimos dias os homens serão egoístas, avarentos, (...)", ele não está falando das pessoas do mundo, e sim de pessoas que se intitulam cristãs(!), mas estarão totalmente fora da realidade do Reino de Deus. Essa fala de Paulo caracteriza, portanto, o comportamento das cinco virgens insensatas: elas terão uma "aparência de piedade", mas negarão a Cristo com seu procedimento.

Para fechar nosso estudo, no livro de Apocalipse, há também um trecho que diz o seguinte, especialmente sobre o comportamento das virgens insensatas:

Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apocalipse 3:14-22)

Ironicamente, a palavra Laodicéia (ou Laudicéia), de origem grega, significa "aquela que é justa com sua comunidade" ou "pessoa sensata e prudente, que não admite desacordos e é firme em seus propósitos".

Notamos que, ao "anjo" desta igreja, em particular, é dirigida uma exortação contundente da parte do Rei Jesus Cristo, onde Ele considera essa congregação "miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua". 

À título de esclarecimento, é bom entendermos que, quando o Senhor se dirige ao anjo da igreja, na verdade, ele está se dirigindo às lideranças que estarão à frente das igrejas cristãs em determinado momento.

Podemos notar também, nesse trecho, que o Senhor alerta essas pessoas para "comparem d'Ele" ouro refinado no fogo para enriquecerem, roupas brancas para cobrirem a nudez, e colírio, para poderem enxergar. Essas três coisas, segundo o que consta no conteúdo das Escrituras, se referem ao conhecimento do Amor ou da Justiça de Deus.

Portanto, Cristo está avisando a esses indivíduos do seu descaso em relação à aquisição da Sua sabedoria, e que isso os está levando a serem "mornos" na fé, ou seja, eles estão dizendo uma coisa e fazendo outra, estão se declarando cristãos, mas não agem conforme, "tendo uma aparência de piedade, mas negando seu poder".

Esse comportamento morno, o qual Deus reprova, está em plena concordância com aquele declarado pelo Apóstolo Paulo, sobre como a maioria dos cristãos viveria nos últimos dias, de acordo com os trechos de 2Timóteo, capítulo 3, que lemos alguns parágrafos acima. Essa forma de viver mostra que Cristo está fora da maioria das igrejas dessa época, por isso Ele diz: "Eis que estou à porta e bato". 

Por fim, o Rei Jesus encerra o aviso ao anjo da Igreja de Laodicéia, dizendo que aquele que vencer vai adquirir o direito de sentar-se com Ele em Seu trono. Isso significa que essa igreja, a que enfrentará os últimos dias antes da sua vinda, se perseverar vai receber a maior recompensa oferecida pelo Senhor, que é governar as nações ao lado d'Ele (entenda melhor lendo a Parábola dos trabalhadores na vinha).

Assim como nas épocas anteriores, especialmente na época em que o "Homem do pecado" estiver ocupando seu lugar no mundo, a igreja terá que continuar perseverando em manter-se firme na verdadeira fé, contudo, nesse tempo, será necessário focar nisso muito mais do que nos tempos anteriores, visto que a maldade estará multiplicada e agindo com mais força sobre Terra, arrastando a muitos para a apostasia.

Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Quanto ao dia e à hora - Mateus 24 - Parte 6


Há muita especulação envolvida no tema "volta de Jesus" e, desde tempos atrás, várias pessoas têm tentando prever qual o momento exato em que Ele retornará. Contudo, através das Escrituras, sabemos que não é possível saber o dia e a hora exatos, mas somente ter ciência dos sinais que indicarão a iminência desse evento.

Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem. Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado. Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e a outra deixada. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. (Mateus 24:36-42)

Outro trecho, como esse acima, é encontrado no evangelho de Marcos (Mc 13:32-37), e que também nos passa a mesma informação, de que o dia e a hora não serão revelados e a volta de Jesus Cristo acontecerá subitamente para o mundo, que estará em sua "rotina normal", regida pelo governo do anticristo. A igreja, contudo, estará vigilante e discernindo os sinais da proximidade do retorno do Rei, não sendo pega de surpresa.

Irmãos, quanto aos tempos e épocas, não precisamos escrever-lhes, pois vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão à noite. Quando disserem: "Paz e segurança", então, de repente, a destruição virá sobre eles, como dores à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão. (1 Tessalonicenses 5:1-3)

Há dois sinais que revelam que o retorno do Rei Jesus está muito próximo, faltando poucos anos, são: a apostasia total e a ascensão do anticristo, que virão acompanhados de um aumento exacerbado da perseguição aos cristãos, em todas as nações da terra.

O empoderamento do filho da perdição não aconteceu ainda, mas sabemos que não está tão longe de se tornar realidade.

A apostasia, contudo, está acontecendo de forma gradual, tendo se intensificado nos últimos tempos, à medida que a influência da maldade aumenta no mundo. Por exemplo, atualmente aqui no Brasil, se tornou comum encontrarmos pessoas que antes eram cristãs (católicas ou evangélicas) ou acreditavam em Jesus Cristo, mas agora professam uma outra crença ou simplesmente desacreditam totalmente na existência de um Criador.

Pode ser que, dentro de trinta ou quarenta anos, a incidência de pessoas que não estarão mais seguindo a Cristo – ou não estarão mais crendo em Deus no mundo – chegue a um patamar que poderemos chamar de "apostasia total". E, enquanto ela vai crescendo, vai gerando muitos "anticristos", como veremos mais adiante neste texto.

Portanto, quando esse tempo infeliz chegar, a pregação do Evangelho da salvação não será mais aceita, e não haverá mais espaço para que esse trabalho seja feito publicamente em lugar algum do planeta, pois, apesar do aumento da perseguição, ainda se encontram no mundo lugares onde é permitida a evangelização.

Quando a apostasia atingir seu ápice, então o anticristo será manifesto, como uma espécie de "salvador do mundo". No texto anterior falamos dos alertas de Jesus acerca do tempo da manifestação do anticristo. Vejamos, a seguir, as explicações dadas pelos apóstolos sobre esse assunto. Comecemos pelo Apóstolo João:

Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos. Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento. Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho. Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. (1 João 2:18-23)

Como observamos no trecho acima, um anticristo é uma pessoa que nega, especialmente, que o Senhor veio até nós como um ser humano, morreu, ressuscitou e está vivo na eternidade, ou que Jesus é o Messias (o Cristo), aquele que o Pai enviou para justificar a humanidade.

Então, conforme o apóstolo João explica, antes que o "homem do pecado" apareça, outros como ele deverão surgir. Uma característica interessante relacionada a esses anticristos, segundo nos revela João, é que eles necessariamente tem um antecedente cristão. Portanto, tais pessoas conhecem o funcionamento das igrejas, conhecem o conteúdo bíblico, contudo não compreendem a mensagem de salvação e a realidade do Reino de Deus.

Ao deixarem de congregar, esses anticristos usam o que sabem para atacar os cristãos ou simplesmente espalham informações distorcidas acerca do Evangelho de Jesus Cristo ou da fé cristã, a fim de denegrirem a imagem de Deus e dos que creem n'Ele. Quem acredita neles acaba se fechando para a mensagem do Reino e, por causa disso, corre o risco de perder a oportunidade de ser justificado de suas transgressões diante do Criador.

Vejamos abaixo mais um trecho desse alerta dado pelo apóstolo João:

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve. Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro. (1 João 4:1-6)

Outra informação que o apóstolo João nos passa é que os anticristos são falsos profetas, que estarão sempre negando a Jesus. Somente a Igreja pode discerni-los, conforme ele avisa: "todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro"

Por enquanto, essa ação maligna está sendo neutralizada no mundo pelo trabalho dos cristãos, pois João diz "vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo".

De fato, esses falsos profetas, apesar da ousadia que têm, não tem o mesmo potencial daquele que surgirá próximo à segunda vinda do Senhor. Desde a ressurreição de Cristo até agora, essas pessoas ainda são incapazes de barrar por completo a evangelização. Isso acontece porque a igreja ainda está ativa, revestida de autoridade e compelida pelo poder de Deus, cumprindo sobrenaturalmente o chamado da anunciação das boas novas de salvação feito pelo Rei Jesus.

A seguir vamos ler mais uma advertência do apóstolo João sobre os anticristos ou falsos profetas:

E este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos. Como vocês já têm ouvido desde o princípio, o mandamento é este: que vocês andem em amor. De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. Tenham cuidado, para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chega a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas. (2 João 1:6-11)

De acordo com as informações contidas acima, é importante que todo cristão saiba o que é o "amor", a fim de que não seja enganado e não caia na apostasia. Então, segundo o apóstolo explica, esse amor não se trata de um sentimento, mas de um conjunto de leis ou regras que constituem os princípios da Justiça de Deus, sobre os quais Cristo ensinou e nos quais todos os que n'Ele creem devem se esforçar para andar.

É importante que, ao identificar um falso profeta, fiquemos afastados dele, pois tal pessoa é um potencial influenciador. Quando João alerta para não recebermos em nossas casas e nem saudarmos pessoas movidas pelo espírito do erro, ele está querendo dizer que devemos manter distância delas, a fim de nos protegermos bem como os nossos familiares e irmãos na fé.

Vejamos abaixo um outro aviso sobre o anticristo, desta vez dado à igreja pelo apóstolo Paulo:

Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição. Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus. Não se lembram de que quando eu ainda estava com vocês costumava lhes falar essas coisas? E agora vocês sabem o que o está detendo, para que ele seja revelado no seu devido tempo. A verdade é que o mistério da iniquidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém. Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda. A vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. (2 Tessalonicenses 2:1-12)

Portanto, as palavras de Paulo, além de confirmarem aquelas ditas pelo apóstolo João, ainda nos passam mais uma informação sobre o filho da perdição: ele será muito poderoso e vai se opor e se exaltar acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus.

Isso significa que esse indivíduo vai assumir o controle do mundo, desdenhando a fé em Deus e se colocando literalmente no lugar dele, obrigando as nações a reverenciá-lo como a um deus, e muito provavelmente fazendo de Jerusalém (monte do Templo) o local onde ficará seu gabinete ou mesmo a sua residência principal, como uma forma de menosprezar o Deus Criador publicamente.

Em Daniel 7:23-25, Daniel 11:36 e Apocalipse 13:5-8 há descrições semelhantes àquela dada pelo apóstolo Paulo sobre o anticristo.

Para encerrar este texto, importante dizer que o melhor que nós cristãos devemos fazer hoje é continuar anunciando a mensagem do Reino de Deus, conforme o possível, e esperar com paciência que os últimos sinais se cumpram. Devemos, ainda, lembrar que quanto mais próximo estiver o dia da volta do Rei Jesus, mais difícil se tornará a situação dos cristãos sobre a Terra. Essa condição exigirá dos que estiverem aqui, no auge da grande tribulação, uma maior unidade, maior perseverança, e muito mais vigilância acerca do que se diz e se faz do que estamos tendo agora.

É por isso que o autor da carta aos Hebreus fala as seguintes palavras:

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia. (Hebreus 10:25)


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

terça-feira, 8 de junho de 2021

O sol escurecerá e a lua não dará a sua luz - Mateus 24 - Parte 5


Continuando nosso estudo do capítulo 24 do Evangelho de Mateus, vejamos a parte onde o Senhor Jesus nos fala acerca dos últimos fatos que acontecerão no mundo, um pouco antes do seu retorno. Tais eventos convergem para o auge da grande tribulação, mencionada por Ele no versículo 21.

A título de uma melhor compreensão do texto, também faremos comparações com trechos dos evangelhos de Marcos, no capítulo 13, e Lucas, nos capítulos 17 e 21, os quais se referem ao mesmo assunto, pois contêm informações que confirmam e complementam ao texto do Evangelho de Mateus.

Analisemos o aviso que o Senhor nos dá a partir do Evangelho de Mateus:
Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres. Imediatamente após a tribulação daqueles dias ‘o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes celestes serão abalados’. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. (Mateus 24:28-30)
Jesus alerta seus discípulos que sua volta seria sobrenatural e que Ele viria do alto, e não dentre as pessoas, aparecendo à vista de todos por entre as nuvens, envolto num grande clarão (Mateus 24:23-27). Então, o Senhor falou dos acontecimentos que sobreviriam à sua igreja, antes da Sua segunda vinda.

Ao contrário do que muitos pensam, a igreja não só permanece aqui, durante o período da tribulação, – que, inclusive, já vem acontecendo em toda a terra –, como também ainda estará aqui, no auge desses momentos difíceis.

Ao falar sobre o cadáver e os abutres, no versículo 28, Cristo se refere ao tempo da manifestação do Anticristo (o cadáver) e da condenação que virá em seguida sobre ele, na Sua vinda (os abutres).

No livro de Apocalipse há um trecho referente a esses acontecimentos, onde podemos ver mais detalhes de como será essa fase:
Vi um anjo que estava de pé no sol e que clamava em alta voz a todas as aves que voavam pelo meio do céu: "Venham, reúnam-se para o grande banquete de Deus, para comerem carne de reis, generais e poderosos, carne de cavalos e seus cavaleiros, carne de todos: livres e escravos, pequenos e grandes". Então vi a besta, os reis da terra e os seus exércitos reunidos para guerrearem contra aquele que está montado no cavalo e contra o seu exército. Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais miraculosos em nome dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. Os demais foram mortos com a espada que saía da boca daquele que está montado no cavalo. E todas as aves se fartaram com a carne deles. (Apocalipse 19:17-21)
No Evangelho de Lucas, capítulo 17, há um trecho que também se refere ao cadáver e aos abutres, mostrando o que acontecerá aos cristãos que se deixarem levar pela filosofia do "filho da perdição", no dia do retorno de Cristo:
Lembrem-se da mulher de Ló! Quem tentar conservar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida a preservará. Eu lhes digo: naquela noite duas pessoas estarão numa cama; uma será tirada e a outra deixada. Duas mulheres estarão moendo trigo juntas; uma será tirada e a outra deixada. Duas pessoas estarão no campo; uma será tirada e a outra deixada. Onde, Senhor? – perguntaram eles. Ele respondeu: Onde houver um cadáver, ali se ajuntarão os abutres. (Lucas 17:32-37)
A mulher de Ló (leia a história em Gênesis 19), estava apegada à sua vida confortável em Sodoma, e não acreditou no aviso de destruição dado pelos dois mensageiros de Deus. Por isso, ela decidiu trocar sua família pela vida que levava e voltou para a cidade. Assim, ela acabou morrendo, junto com os que ficaram lá. Da mesma forma, cristãos que se apegarem ao conforto material, e por causa disso priorizarem a filosofia do Anticristo ao invés da fé em Jesus, a fim de não perderem bens, fama ou status, não ressuscitarão e não herdarão a vida eterna (serão deixados, ou seja, estarão condenados).

Conforme o trecho de Apocalipse 19, postado parágrafos acima, antes do retorno do Rei Jesus, "a besta que sobe do abismo" (o "cadáver", ao qual Cristo se refere) e seus aliados deverão iniciar uma grande perseguição aos cristãos em todas as nações da terra. Atualmente, a perseguição aos cristãos está principalmente concentrada em países de governo totalitarista (ditatorial, socialista ou comunista) ou onde a maioria das pessoas professa a fé islâmica.

Se, então, fizermos uma comparação com o alerta do Senhor no Evangelho de Mateus, essa perseguição extrema é o ápice da tribulação que a igreja já vem enfrentando, e se dará quando "o sol escurecer, e a lua não der a sua luz, as estrelas caírem do céu e os poderes celestes forem abalados" .

Isso significa que, nos momentos em que estiver manifesto, o anticristo conseguirá, por algum tempo – que, felizmente, não será longo –, impedir que o testemunho do Reino de Deus seja dado em todo o mundo. Na Bíblia, esse episódio está retratado simbolicamente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Os trechos mais contundentes sobre o tempo do Anticristo se encontram no livro de Daniel (Dn 7:25, Dn 8:23-25, Dn 11:36-45, Dn 12:1-3) e, em algumas partes do Novo Testamento, nas falas de Jesus e em alguns trechos das cartas dos Apóstolos, e especialmente no livro de Apocalipse (Ap 11:7-12, Ap 13:11-18). 

Essa será uma fase de muita pressão para todos os que aguardam a volta de Jesus, mas de muita alegria para todos os que concordam com a filosofia e os pensamentos do "homem do pecado". 

A principal tática que o anticristo vai usar, para calar a boca dos que proclamam o Evangelho, será convencendo as maiorias com mentiras, dizendo que a fé em Jesus Cristo é inútil, pois essa crença não estará dando a prosperidade material nem estará pondo a comida nos pratos dos famintos, assim como ele estará se esforçando para fazer. Ao final deste texto, há a citação de um trecho da segunda carta de Paulo aos cristãos de Tessalônica, advertindo-os sobre como o anticristo se manifestará.

Com relação aos significados dos símbolos usados por Cristo em sua explicação, o "sol" representa os povos de todas as nações, judeus e não-judeus, que creram na mensagem do Reino, que começou a ser anunciada a partir de Cristo, e aguardam o Seu retorno (Salmos 89:34-36).

A "lua" representa todos os que viveram até antes da morte e ressurreição de Jesus. Estes últimos acreditavam na promessa de salvação feita pelo Pai, durante o tempo em que a Antiga Aliança ainda estava em vigor, e esperavam a vinda de um "Justificador" ou "Messias".

Dentre esses estão Adão e Eva, Abel, Set, Noé, Abraão, Melquisedeque, o Rei Davi, o Rei Salomão, etc., e todos os profetas levantados por Deus para guiar e exortar os israelitas, como Moisés, Elias, Eliseu, Jeremias, Daniel, etc.

Apesar desses indivíduos da antiguidade já não estarem mais entre nós, seu testemunho ainda está vivo,  sendo proclamado dentre os povos, através dos séculos, por meio do Velho Testamento, utilizado tanto  pelos judeus como pelos cristãos.

Assim, o sol e a lua juntos representam a igreja por completo, ou seja, toda a congregação de cidadãos do Reino de Deus de todas as eras. Essa congregação é chamada também de "noiva do Cordeiro", de "Jerusalém celestial" ou "cidade santa" nas escrituras bíblicas.

Especialmente no livro de cantares, há vários trechos que se referem à essa igreja. Vejamos um deles:
Quem é essa que aparece como o alvorecer, bela como a lua, brilhante como o sol, admirável como um exército e suas bandeiras? (Cantares 6:10)
No livro do profeta Joel, no Antigo Testamento, também encontramos um trecho em que Deus usa o profeta para falar desse "sol" e dessa "lua". Vejamos a seguir:
Proclamem isto entre as nações: Preparem-se para a guerra! Despertem os guerreiros! Todos os homens de guerra aproximem-se e ataquem. Forjem os seus arados, fazendo deles espadas; e de suas foices, façam lanças. Diga o fraco: "Sou um guerreiro!" - Venham depressa, vocês, nações vizinhas, e reúnam-se ali. Faze descer os teus guerreiros, ó Senhor! Despertem, nações; avancem para o vale de Josafá, pois ali me sentarei para julgar todas as nações vizinhas. Lancem a foice, pois a colheita está madura. Venham, pisem com força as uvas, pois o lagar está cheio e os tonéis transbordam, tão grande é a maldade dessas nações! Multidões, multidões no vale da Decisão! Pois o dia do Senhor está próximo, no vale da Decisão. O sol e a lua escurecerão, e as estrelas já não brilharão. O Senhor rugirá de Sião e de Jerusalém levantará a sua voz; a terra e o céu tremerão. Mas o Senhor será um refúgio para o seu povo, uma fortaleza para Israel. (Joel 3:9-16)
Com relação às "estrelas", há uma passagem no livro do profeta Daniel que nos mostra o que elas representam:
Aqueles que são sábios reluzirão como o brilho do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre. (Daniel 12:3)
Portanto, quando Jesus Cristo fala que as "estrelas vão cair do céu", isso quer dizer que muitos indivíduos de grande influência e conhecedores do conteúdo das escrituras no meio cristão se desviarão da fé em Jesus, mudando seus discursos e deixando de conduzir as pessoas ao conhecimento da justiça de Deus. De fato, isso já vem acontecendo de forma gradual, aumentando a intensidade conforme se aproxima o dia da vinda do Rei Jesus.

Dessa forma, a apostasia terá atingido seu grau máximo durante o reinado do Anticristo. Será nesse tempo que os poderes celestes serão abalados, tendo em vista a forte oposição ao testemunho de Cristo, orquestrada pelo "filho da perdição", que se levantará em toda a terra e fará com que os cristãos fiquem acuados, desejando, mais do que nunca, o retorno do Senhor Jesus.

Agora, vamos comparar com os trechos contidos nos evangelhos de Marcos e Lucas, para termos uma melhor visão de todos os eventos relativos à iminência da volta de Jesus:
Mas naqueles dias, após aquela tribulação, ‘o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz;
as estrelas cairão do céu e os poderes celestes serão abalados’. "Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. (Marcos 13:24-26)
Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações se verão em angústia e perplexidade com o bramido e a agitação do mar. Os homens desmaiarão de terror, apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo; e os poderes celestes serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem com poder e grande glória. (Lucas 21:25-27)
Enquanto no Evangelho de Marcos lemos uma confirmação, em Lucas encontramos, além de uma confirmação, também um complemento às informações de Mateus. 

Um pouco antes do retorno do Senhor Jesus, haverá um tempo em que o testemunho dele não poderá mais ser dado publicamente e a apostasia arrastará muitos cristãos: são os "sinais no sol, na lua e nas estrelas". Haverá grande angústia e perplexidade com a fúria e agitação do mar, muitos desmaiarão de terror, a humanidade será abalada pelo que sobrevirá ao mundo.

O "mar" ao qual o Senhor se refere não se trata dos oceanos do planeta, mas representa os povos ou as nações da terra (veja em Hc 1:14, Is 17:12, Is 57:20). 

Portanto, nesse tempo, a maldade terá se multiplicado de uma tal forma que muitos indivíduos, em todas as nações do mundo, ficarão perplexos, angustiados e desmaiarão de medo, sem saber o que fazer nem como escapar da violência proveniente daqueles que seguem a filosofia do anticristo e da opressão provocada por sua forma totalitária de governo.

Revoltas e protestos acontecerão no mundo inteiro, pois, especialmente na Europa e no Ocidente, pessoas vão querer impedir a todo o custo que o totalitarismo tome conta dos governos, contudo não haverá como impedir isso, pois já está decretado como juízo, que virá sobre as nações. Portanto, nesse tempo, a verdadeira igreja do Senhor estará alerta, para não se envolver de forma alguma na violência e não cair na apostasia.

Muitos que se dizem cristãos, mas que não estarão com sua fé firmada no conhecimento do Reino de Deus, ficarão desiludidos com a situação e, sem entender o que estará acontecendo, se deixarão levar pelo que vão presenciar, desprezando a fé em Jesus e se entregando às concupiscências da carne. 

É por isso que o Senhor Jesus avisa o seguinte aos seus discípulos, segundo está escrito no Evangelho de Lucas:
Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente. Porque ele virá sobre todos os que vivem na face de toda a terra. Estejam sempre atentos e orem para que vocês possam escapar de tudo o que está para acontecer, e estar de pé diante do Filho do homem. (Lucas 21:34-36)
Voltando para o Evangelho de Mateus, Cristo revela:
Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo. Assim também, quando virem todas estas coisas, saibam que ele está próximo, às portas. Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão. (Mateus 24:32-35)
Aqui o Senhor Jesus adverte que o desenrolar de todos dos acontecimentos aos quais Ele se refere, desde a destruição de Jerusalém pelo Império Romano até a manifestação do Anticristo, caracterizam uma contagem regressiva para o seu retorno, e que tudo vai acontecer conforme Ele revelou.

De fato, quem está acompanhando os eventos mundiais ao longo da história percebe que realmente os sinais preditos por Cristo estão se cumprindo um a um, sem falhar. Os trechos nos evangelhos de Marcos 13:28-31 e Lucas 21:29-33 exibem o mesmo aviso. 

Por isso, é importante que a igreja jamais esqueça desses alertas, a fim de que se prepare bem e possa atravessar esses tempos sem se abalar com os acontecimentos, usufruindo neles da paz e da esperança, que só o conhecimento da justiça de Deus, proveniente de Cristo, pode nos dar.

Um trecho famoso das Escrituras, que tem sido amplamente usado em nossos dias como tema de pregações e letras de músicas gospel, constante no livro do profeta Habacuque (Hb 3:17-19), está diretamente relacionado ao tempo do toque das trombetas, descrito em Apocalipse, e ao auge da grande tribulação. E sabemos disso exatamente por causa do que é profetizado antes desse trecho, como podemos ler abaixo:

Preparaste o teu arco; pediste muitas flechas. Fendeste a terra com rios; os montes te viram e se contorceram. Torrentes de água desceram com violência; o abismo estrondou erguendo as suas ondas. O sol e lua pararam em suas moradas, diante do reflexo de tuas flechas voadoras, diante do lampejo da tua lança reluzente. Com ira andaste a passos largos por toda a terra e com indignação pisoteaste as nações. Saíste para salvar o teu povo, para libertar o teu ungido. Esmagaste o líder da nação ímpia, tu o desnudaste da cabeça aos pés. Com as suas próprias flechas lhe atravessaste a cabeça, quando os seus guerreiros saíram como um furacão para nos espalhar, com maldoso prazer, como se estivessem para devorar o necessitado em seu esconderijo. Pisaste o mar com teus cavalos, agitando as grandes águas. Ouvi isso, e o meu íntimo estremeceu, meus lábios tremeram; os meus ossos desfaleceram; minhas pernas vacilavam. Tranquilo esperarei o dia da desgraça que virá sobre o povo que nos ataca. (Habacuque 3:9-16)

Para concluir, vejamos um trecho do Novo Testamento onde o Apóstolo Paulo alerta aos cristãos de Tessalônica, sobre como será o tempo do governo do Anticristo:
Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição. Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus. (...). A vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça. (2 Tessalonicenses 2:3-12)

Texto: Miss. Oriana Costa
Edição: Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Quem perseverar até o fim será salvo - Mateus 24 - Parte 4


A perseguição sofrida por aqueles que se mantêm firmes na esperança do cumprimento da promessa feita por Deus a Abraão é algo real, algo que continua através dos séculos. Os primeiros a sofrerem por causa dessa fé, onde muitos foram assassinados por indivíduos de seu próprio povo, foram os profetas israelitas.

No Antigo Testamento é possível encontrar vários trechos, onde podemos ler sobre esses infelizes acontecimentos; no Novo Testamento, através do discurso de Jesus no Templo de Jerusalém, também observamos o que sucedia aos profetas que Deus enviava para exortar o povo de Israel (veja em Considerações sobre Mateus 23 - Parte 6).

Após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, com a formação da igreja cristã, o foco da perseguição saiu dos profetas israelitas e foi em direção àqueles que possuem a mesma esperança de Abraão. Assim como Abraão esperava herdar a terra de Canaã no Oriente, os cristãos esperam o cumprimento da promessa, a fim de entrar definitivamente na Canaã celestial: o Reino de Deus.

Enquanto estava em Jerusalém, ensinando seus discípulos no monte das oliveiras, alguns dias antes de sua prisão e morte, o Senhor Jesus foi claro quanto à situação de rejeição e repúdio que a Sua igreja sofreria através dos tempos, até a sua volta.

Desta forma, testemunhando que os avisos de Jesus Cristo são verdadeiros, está bem documentado na Bíblia como se deu o início da perseguição à fé cristã (veja no livro de Atos dos Apóstolos). Também percebemos, a partir de outros registros feitos ao longo da história da humanidade, até os dias de hoje, que a perseguição aos cristãos é uma realidade que vai se intensificando, conforme se aproxima o dia do retorno do Senhor.

Há também uma peculiaridade associada à perseguição: ela é o único sinal predito pelo Senhor Jesus que consta, ao mesmo tempo, nos quatro evangelhos, por esta razão, devemos prestar bastante atenção a ele. O fato desse sinal em particular ser citado nos quatro evangelhos mostra que é o mais forte de todos, acontece com maior frequência e é aquele que marcará o ápice da grande tribulação, sobre a qual Cristo alertou.

Em cada trecho dos evangelhos onde Cristo fala sobre a perseguição, há informações que se confirmam e também são complementares umas às outras. Então, vamos começar nossa análise pelo Evangelho de Mateus:

Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim. (Mateus 24:9-14)

Nesse momento, Jesus está passando uma visão do que acontecerá com a igreja através dos tempos. Ele mostra a existência de um ódio mortal, em todas as nações do mundo, com relação à fé cristã. Assim  também como aconteceria com relação à apostasia, o ódio contra os seguidores de Cristo também será nutrido pelo aumento da maldade na Terra.

Portanto, além do surgimento de indivíduos que vão distorcer a mensagem do Reino e dar falso testemunho de Jesus, dificultando a pregação do verdadeiro Evangelho da salvação, pessoas que são de confiança e se mostram amigas, de repente, podem se tornar inimigas. Então, devido a esse cenário tão complicado, o Senhor adverte que será necessário perseverar, para não nos deixarmos levar pela aparência das situações e não deixarmos "o amor esfriar", ou seja, vamos precisar perseverar e ter muito cuidado para não apostatar da fé n'Ele.

Vejamos o que está escrito no Evangelho de Marcos sobre isso:

Fiquem atentos, pois vocês serão entregues aos tribunais e serão açoitados nas sinagogas. Por minha causa vocês serão levados à presença de governadores e reis, como testemunho a eles. E é necessário que antes o evangelho seja pregado a todas as nações. Sempre que forem presos e levados a julgamento, não fiquem preocupados com o que vão dizer. Digam tão-somente o que lhes for dado naquela hora, pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito Santo. O irmão trairá seu próprio irmão, entregando-o à morte, e o mesmo fará o pai a seu filho. Filhos se rebelarão contra seus pais e os matarão. Todos odiarão vocês por minha causa; mas aquele que perseverar até o fim será salvo. (Marcos 13:9-13)

Esse repúdio e rejeição à igreja vem se manifestando através dos séculos de diversas formas, contudo as mais comuns são aquelas às quais Cristo se refere, que são a discriminação, o preconceito, as calúnias e a violência, que muitas vezes acontecem dentro da própria família. Traições, prisões, condenações sem justa causa e assassinatos também estão na lista do que pode acontecer em meio às perseguições, como Jesus nos avisa.

Foi em meio a todas essas situações difíceis que a mensagem do Reino de Deus começou a ser anunciada em Israel, e esse trabalho continuará sendo feito, envolto nesse clima tenso, em todo o mundo, até que venha o fim. Esse "fim" ao qual Cristo se refere é o auge da grande tribulação, que acontecerá um pouco antes da Sua vinda, no qual se manifestará o "homem do pecado" (2Ts 2:1-4), que impedirá que o testemunho do Evangelho continue sendo dado.

No Evangelho de Lucas também encontramos um trecho que confirma as duas passagens de Mateus e Marcos citadas acima:

Mas antes de tudo isso, prenderão e perseguirão vocês. Então os entregarão às sinagogas e prisões, e vocês serão levados à presença de reis e governadores, tudo por causa do meu nome. Será para vocês uma oportunidade de dar testemunho. Mas convençam-se de uma vez de que não devem preocupar-se com o que dirão para se defender. Pois eu lhes darei palavras e sabedoria a que nenhum dos seus adversários será capaz de resistir ou contradizer. Vocês serão traídos até por pais, irmãos, parentes e amigos, e eles entregarão alguns de vocês à morte. Todos odiarão vocês por causa do meu nome. Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá. É perseverando que vocês obterão a vida. (Lucas 21:12-19)

Assim como o fez Marcos, Lucas também descreve o alerta de Cristo, sobre o fato de que, em determinados momentos, alguns de seus discípulos seriam levados à presença de autoridades a fim de testemunharem acerca do Reino de Deus. Apesar de representar uma situação desconfortável e de alto risco, testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo para autoridades é uma grande oportunidade que Deus dá a alguns e que sempre atrai muitos a Ele.

Geralmente, a ignorância acerca da realidade do Reino dos céus faz com que os indivíduos enxerguem os cristãos como uma ameaça às suas religiões, seus costumes e tradições. Equivocadamente, essa falta de entendimento faz alguns líderes pensarem que a fé cristã desvia as pessoas da submissão aos governos de suas nações, devido à mensagem do Evangelho se referir a um outro governo, ao qual todos devem se submeter e que é superior aos governos do mundo.

Esse é o motivo pelo qual alguns discípulos de Jesus foram, e ainda são, detidos e levados a explicar sua fé diante de autoridades, pois especialmente em nações que ainda adotam sistemas de governos totalitários em nosso tempo, como ocorre no comunismo, por exemplo, é inadmissível a existência de qualquer crença, ensino, filosofia ou pensamento que faça o povo entender a existência de um outro governo que seja superior ao de sua nação. 

Após os dias em que Cristo ficou acampado no Monte das Oliveiras, ensinando os discípulos, o Senhor Jesus voltou para a cidade e fez com eles a última ceia. Naquele momento, Ele os avisou, mais uma vez, sobre o que lhes aconteceria após sua morte e ressurreição. Esse episódio está descrito no Evangelho de João:

Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito. E vocês também testemunharão, pois estão comigo desde o princípio. (João 15:26,27)

Tenho-lhes dito tudo isso para que vocês não venham a tropeçar. Vocês serão expulsos das sinagogas; de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a Deus. Farão essas coisas porque não conheceram nem o Pai, nem a mim. Estou lhes dizendo isto para que, quando chegar a hora, lembrem-se de que eu os avisei. (João 16:1-4)

De fato, antes que os Apóstolos e demais discípulos começassem a anunciar a mensagem de salvação, e a perseguição aos cristãos se iniciasse oficialmente, o Espírito de Deus foi derramado sobre aqueles que creram na mensagem do Reino de Deus (veja em Atos 2:1-12). 

Em seguida, as Escrituras mostram o primeiro registro de repúdio à mensagem do Evangelho, em Jerusalém, com a prisão dos Apóstolos Pedro e João (Atos 4:1-21). Naquele momento, a mensagem do Reino de Deus proclamada por Cristo agora estava sendo anunciada com o acréscimo da informação de que os israelitas tinham rejeitado o Messias que lhes fora enviado pelo Pai, e que Sua morte e ressurreição foi o verdadeiro pagamento por seus pecados e também era a única forma de entrar no Reino dos céus.

O segundo registro dessa perseguição se dá com a prisão dos apóstolos, ainda em Jerusalém, onde, depois de serem açoitados, foram postos em liberdade (Atos 5:17-42). 

Tanto no primeiro quanto no segundo ocorrido, muitos milagres haviam acontecido e muitas pessoas estavam se reconciliando com Deus pela fé em Jesus Cristo. Isso perturbava as lideranças religiosas em Jerusalém, deixando-os com inveja da fama, da popularidade e do respeito que os Apóstolos estavam conquistando no meio do povo.

Nesses dois episódios, os Apóstolos foram movidos pelo Espírito Santo para discursarem diante das autoridades em defesa do Evangelho. Então, vê-se claramente o cumprimento dos alertas dados pelo Senhor Jesus aos discípulos, antes de sua morte e ressurreição.

Após a morte de Estêvão por apedrejamento (veja a história completa nos capítulos 6 e 7 de Atos dos Apóstolos), o ódio aos cristãos foi crescendo entre as lideranças religiosas de Israel, onde o fariseu Saulo era o maior perseguidor dos que pertenciam ao "Caminho". Depois da conversão de Saulo – que, posteriormente, tornou-se mais conhecido por seu nome grego "Paulo" –, este passou de perseguidor a perseguido (veja em Atos 9:1-30).

Especialmente Saulo, antes de sua conversão, acreditava que exterminando os cristãos estava fazendo um favor à sociedade e honrando o nome de Deus, pois ele entendia que os seguidores de Cristo eram hereges. Ele perseguia os cristãos pelo zelo de sua fé e não por inveja, como os demais fariseus. Eis porque o Senhor, enquanto ensinava aos discípulos, falou "de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a Deus".

O fato é que, seja por meio da inveja ou por meio do zelo religioso, o Maligno sempre encontrará espaço dentre as pessoas que não conhecem ou não entendem a mensagem de salvação para atacar e, se possível, destruir a igreja do Senhor Jesus. No entanto, ela não pode ser destruída, pois está alicerçada na eternidade, em Cristo.

Para concluir, é importante entender que o corpo de Cristo na terra precisa estar ciente de que, à medida que o retorno do Rei Jesus Cristo se aproxima, mais difícil ficará a situação para os cidadãos do Reino de Deus no mundo. Isso exigirá dos que creem muito mais perseverança em relação à busca pelo conhecimento do Reino de Deus e de sua Justiça, como também um maior esforço, a fim de colocar esse conhecimento em prática, pois é isso o que manterá os corações dos filhos de Deus em paz e focados na volta de Jesus.


Texto: Missionária Oriana Costa 

Edição: Pr. Wendell Costa

sábado, 22 de maio de 2021

O início das dores - Mateus 24 - Parte 3


Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores. (Mateus 24:6-8)

Para fazermos a análise desse trecho do Evangelho de Mateus é necessário compará-lo com os trechos que se referem ao mesmo assunto nos outros evangelhos, para entendermos melhor sobre o que Cristo está alertando.

No Evangelho de Marcos, encontramos um trecho que está no capítulo 13, entre os versículos 7 e 8, que praticamente usa as mesmas palavras escritas no Evangelho de Mateus para falar do "princípio das dores". No entanto, no Evangelho de Lucas, encontramos um pequeno acréscimo às informações que Mateus nos passa:

"Quando ouvirem falar de guerras e rebeliões, não tenham medo. É necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não virá imediatamente". Então lhes disse: "Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares, e acontecimentos terríveis e grandes sinais provenientes do céu. (Lucas 21:9-11)

De fato, três décadas após a morte e ressurreição de Jesus, iniciou-se um descontentamento do povo judeu com relação ao domínio que o Império Romano exercia sobre eles. Isso resultou em rebeliões, onde os israelitas se recusaram a pagar os impostos e também agrediram cidadãos romanos que viviam em Israel.

A situação se agravou de tal forma que culminou em guerra, onde, inicialmente, Jerusalém foi destruída  e, anos depois, toda a nação de Israel foi atingida e tomada pelos ataques dos exércitos romanos (clique aqui para saber mais). Quem conseguiu escapar acabou fugindo para as nações vizinhas. Esse acontecimento também foi previsto pelo Senhor, e podemos ler sobre ele no capítulo 24 de Mateus:

Assim, quando vocês virem ‘o sacrilégio terrível’, do qual falou o profeta Daniel, no lugar santo — quem lê, entenda — então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes. Quem estiver no telhado de sua casa não desça para tirar dela coisa alguma. Quem estiver no campo não volte para pegar seu manto. Como serão terríveis aqueles dias para as grávidas e para as que estiverem amamentando! Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno nem no sábado. Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados. (Mateus 24:15-22)

O sacrilégio terrível, ao qual se refere o Senhor Jesus, aconteceu na última fase da guerra judaico romana (clique aqui para saber mais), onde o imperador Adriano, após construir sobre os escombros de Jerusalém uma nova cidade romana, se apossou do monte do templo e mandou construir sobre ele um santuário para o culto do deus Júpiter Capitolino (clique aqui para saber mais).

No Evangelho de Lucas, há uma outra descrição do aviso dado por Jesus Cristo aos discípulos sobre a destruição de Jerusalém e a tomada de Israel pelo Império Romano, que confirma e complementa as informações contidas no Evangelho de Mateus:

Quando virem Jerusalém rodeada de exércitos, vocês saberão que a sua devastação está próxima. Então os que estiverem na Judéia fujam para os montes, os que estiverem na cidade saiam, e os que estiverem no campo não entrem na cidade. Pois esses são os dias da vingança, em cumprimento de tudo o que foi escrito. Como serão terríveis aqueles dias para as grávidas e para as que estiverem amamentando! Haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão pela espada e serão levados como prisioneiros para todas as nações. Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos deles se cumpram. (Lucas 21:20-24)

No entanto, apesar de sabermos pelos dados históricos o que aconteceu em Israel após a ressurreição do Senhor, observamos que Ele adverte aos seus discípulos que eles veriam fomes, terremotos, pestes e outros acontecimentos terríveis "em vários lugares", dando a entender que não seria somente em Israel, mas no mundo inteiro, antes de Seu retorno.

Portanto, em se tratando dos principais sinais que antecedem a volta de Jesus Cristo, sem contar com as fomes, pestes, desastres ambientais provocados pelo homem e grandes catástrofes naturais, que continuam acontecendo em todo o mundo, o pontapé inicial para o princípio das dores foi a destruição total de Jerusalém. Depois disso, muitas outras guerras e rumores de guerras (tensões entre as nações) aconteceram através dos séculos e essa situação se continua até agora. Essa é a "grande tribulação" sobre a qual o Senhor Jesus se refere (clique aqui para saber mais).

Conforme a tecnologia bélica foi se aprimorando com o passar do tempo, as guerras passaram a ficar cada vez mais perigosas e mortais, como podemos observar quando comparamos os resultados das primeira e segunda guerras mundiais com aqueles de guerras anteriores. Até hoje, o planeta e os seres humanos sofrem com os danos provocados por esses dois infelizes acontecimentos do século XX. 

Assim como foi com a destruição de Jerusalém e a tomada de Israel, as outras guerras que foram acontecendo através dos tempos, especialmente as guerras mundiais, foram tempos terríveis e, se o nosso Criador não tivesse interferido, realmente a humanidade não teria subsistido.

Precisamos lembrar também que, permeando esse clima tenso entre os povos, falsos cristos e falsos profetas deverão aparecer, a fim de persuadir e enganar aqueles indivíduos que ignoram as advertências de Cristo nos evangelhos, ou ainda não têm entendimento claro da mensagem do Evangelho do Reino (clique aqui para ler o texto sobre os falsos cristos).

Sobre os "grandes sinais provenientes do céu", que está escrito no Evangelho de Lucas, capitulo 21, tratam-se de acontecimentos incomuns relacionados aos judeus e aos cristãos. 

São eventos já preditos profeticamente nas escrituras sagradas, os quais, apesar de serem de natureza sobrenatural, vão soar como situações comuns para o mundo. Tais sinais só podem ser discernidos pela igreja, através do conhecimento das Escrituras e da revelação do Espírito Santo. 

Um desses sinais foi presenciado no século XX, em todo o mundo, com o inusitado ressurgimento da nação de Israel e, em seguida, na guerra dos seis dias, onde muitos dos que faziam parte dos exércitos que batalhavam contra aquele país recém-inaugurado viram fenômenos sobrenaturais acontecendo como forma de livramento de suas investidas, levando, inclusive, à vitória dos israelenses contra as nações inimigas nesse acontecimento (clique aqui para saber mais).

Podemos ler no livro do profeta Amós um trecho que se refere a esse evento:

Trarei de volta Israel, o meu povo exilado, eles reconstruirão as cidades em ruínas e nelas viverão. Plantarão vinhas e beberão do seu vinho; cultivarão pomares e comerão do seu fruto. Plantarei Israel em sua própria terra, para nunca mais ser desarraigado da terra que lhe dei", diz o SENHOR, o seu Deus. (Amós 9:14,15)

Outro sinal que pode ser considerado proveniente do céu é a publicação da Bíblia Sagrada, um livro que, além de ter sido o primeiro impresso no mundo, continua sendo o mais vendido e o mais lido de todos até hoje.

O fato desse livro ainda continuar sendo o mais lido e o mais difundido no mundo, desde o dia em que foi feita sua primeira impressão e publicação, apesar das tentativas de alguns movimentos de religiões não-cristãs ou ateístas de destruí-la e impedir sua divulgação, é um grande sinal do céu para todas as nações.

E na própria Bíblia aparece um trecho, no livro de Apocalipse, que muito provavelmente se refere a ela. Lembrando que o livro de Apocalipse foi escrito há cerca de dois mil anos atrás, muito antes da Bíblia que conhecemos hoje existir:

Depois falou comigo mais uma vez a voz que eu tinha ouvido falar do céu: "Vá, pegue o livro aberto que está na mão do anjo que se encontra de pé sobre o mar e sobre a terra". Assim me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho. Ele me disse: "Pegue-o e coma-o! Ele será amargo em seu estômago, mas em sua boca será doce como mel". Peguei o livrinho da mão do anjo e o comi. Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo. Então me foi dito: "É preciso que você profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis". (Apocalipse 10:8-11)

Todos os sinais preditos por Jesus estão acontecendo e deverão manifestar-se no mundo até o último deles, que é a aparição e o empoderamento do anticristo, chamado de "o homem do pecado" pelo Apóstolo Paulo em sua segunda carta aos cristãos de Tessalônica (veja em 2Ts 2).

Sabemos, portanto, que o ápice dessas dores – o auge dessa grande tribulação, que se dará com a manifestação pública do anticristo –, ainda não aconteceu, pois de acordo com as escrituras, antes que ele se manifeste o mundo chegará a uma situação de "apostasia total".

Isso quer dizer que chegará o tempo em que o mundo desdenhará ou rejeitará o Deus bíblico totalmente, de forma que não haverá mais condições de se testemunhar sobre Ele, nem pelo judaísmo nem pelo cristianismo. O nome do Senhor será impedido de ser pronunciado e o Evangelho do Reino não poderá mais ser anunciado em quaisquer nações da Terra, caracterizando que o tempo do "filho da perdição" se iniciou.

Missionária Oriana Costa

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